domingo, 2 de agosto de 2020

SÓ VOCÊ


Nota 5,0 Mastigando demais o argumento, longa perde oportunidades de humor e entrega o básico


Hollywood tem uma predileção especial pelos filmes românticos e constantemente busca inspiração em produções antigas, motivada talvez menos por nostalgia e muito mais pela preguiça ou absoluta falta de imaginação. Em vez de investir esforços na procura de ideias originais, é muito mais cômodo à indústria recorrer a refilmagens de clássicos. Na melhor das hipóteses, criam novos filmes, mas carregados de maneirismos de antigas produções. Trilha sonora nostálgica, belas paisagens de cidades turísticas e uma mocinha choramingona no centro das atenções. Tal fórmula é recorrente já há muito tempo tentando, em vão talvez, recriar a época áurea do cinema norte-americano. Só Você é um desses vários exemplos fracassados contando a história da xaroposa Faith (Marisa Tomei), uma professora aficionada por temas relacionados a destino desde criança e a crença se faz presente até mesmo nas aulas que ministra. 

Sua fé é tamanha que chega a desistir de se casar na última hora para ir atrás de um tal Damon Bradley, nome que  gravou na memória ainda na infância quando lhe foi dito durante uma brincadeira de cunho paranormal que este homem seria o seu grande amor. A mesma informação seria confirmada anos depois por uma vidente. Faith nunca o encontrou, mas justamente quando subiria ao altar recebe um telefonema de um amigo de seu noivo se desculpando de não poder comparecer à cerimônia por estar viajando e, para sua surpresa, do outro lado da linha a pessoa se identifica com o misterioso nome. Imediatamente, junto com sua melhor amiga e cunhada Kate (Bonnie Hunt), a noiva parte para a idílica cidade de Veneza, na Itália, cenário perfeito para concretizar uma história de amor, contudo, chega tarde demais. 


O possível pretendente acabara de deixar o hotel e seguiu para Roma, outra cidade que exala romantismo, e obviamente Faith vai atrás sem pestanejar. No novo endereço ela conhece um vendedor de sapatos que também se identifica com o nome que ela tanto procurava. Todavia, como um simples comerciante estaria viajando por cidades italianas como se fosse um empresário de sucesso ou um playboy cheio da grana? Apresentando-se como o tal Damon Bradley, temos em cena os atores Robert Downey Jr. e Billy Zane, contudo, o roteiro de Diane Drake, que anos mais tarde escreveria o sucesso Do Que as Mulheres Gostam, poderia ser bem mais interessante se apostasse na dúvida concomitante da protagonista. Seria divertido ver Faith tentando descobrir qual o verdadeiro amor de sua vida dividindo-se entre encontros com os dois possíveis pretendentes, mas a trama prefere apostar no simplificado e faz questão de separar o joio do trigo. 

Primeiro Faith se envolve com um dos Bradley e depois se vê forçada a procurar o outro, assim a produção perde ótimas oportunidades de fazer humor e não procura ir além do que já estamos acostumados dentro da seara. Neste trabalho é possível identificar um pouco da essência de Sintonia de Amor, sucesso então contemporâneo e que, por sua vez, já era uma tentativa de se fazer uma comédia romântica à moda antiga, e também de tantos outros exemplares do gênero que se tornou um expoente na década de 1990. Embora muitos tenham se tornado sucesso de bilheteria e de popularidade, o que não é o caso do filme em questão, a grande maioria dos títulos ficou a dever no quesito originalidade, limitando-se a requentar velhos clichês a fim de garantir o final feliz para não desapontar o público-alvo. 


O que segura as pontas em Só Você é a dedicação de Tomei e Downey que conseguem disfarçar a pouca química entre eles. Curioso que a primeira opção para o papel não era o ator, mas o diretor Norman Jewison resolveu lhe dar uma chance de limpar sua imagem que na época já não andava muito boa e viria a piorar nos anos seguintes por conta de seu envolvimento com drogas. Contudo, graças a experiência do veterano na direção, o casal conquista simpatia até porque a fita não busca enrolar o público. Desde o início deixa explícito como essa utópica história de amor vai acabar e foca suas atenções no casal protagonista, não dando muita chance de Zane trabalhar seu personagem de forma a deixar os espectadores na dúvida se poderia ser o homem da vida de Faith. Aliás, a questão exotérica é logo abandonada abrindo espaço para que a sonhadora moça deixe de lado suas convicções e passe a ouvir seu coração. Com belas locações para emoldurar a trama, é um filme ligeiro e que preenche um tempo ocioso com graça e leveza, mas nada além disso.

Comédia romântica - 115 min - 1994

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