sábado, 9 de junho de 2012

O ATAQUE DO DENTE DE SABRE

Nota 0,5 Com premissa semelhante a sucesso de Spielberg, longa é execrável do início ao fim

Os filmes trashs têm em sua essência a vontade de parodiar sucessos, mas caracterizam-se por serem trabalhos que muitas vezes se levam a sério demais sem ter condições para tanto. Centenas de produções já investiram no filão da fera ou monstro criado a partir de experimentos mal sucedidos, mas as pretensões de seus diretores geralmente vão além do permitido (entenda como limitações de orçamento e até mesmo de criatividade). Parece que eles fazem questão de escrever o nome de suas criaturas no mundo do cinema, tal qual King Kong, por exemplo, mas o máximo que conseguem é um lugar de destaque nas listas dos piores filmes da História da sétima arte. O Ataque do Dente de Sabre só não foi amplamente malhado pela crítica e público porque a distribuidora teve o bom senso de lançá-lo somente em DVD e de forma muito discreta. Boa estratégia, até porque é um produto feito com exclusividade para a TV americana. Pagar o módico preço de uma locação por um lixo como esse não causa tanta revolta quanto desembolsar uma boa grana para ver semelhante coisa em tela grande com os custos adicionais (pipoca, estacionamento, uma comprinha no shopping). Todavia, há louco para tudo e não faltam fãs a esse tipo precário de produção. A quem interessar, a trama roteirizada por Tom Woosley se passa em uma ilha paradisíaca onde o milionário Niles Green (Nicholas Bell) investiu uma grande fortuna em um parque temático conhecido como Valalola, um espaço que, além de propiciar excelentes aposentos para os hóspedes e o contato direto com a natureza, também lhes dará a chance de verem animais exóticos e selvagens bem de perto, inclusive uma espécie que está extinta há milhões de anos: o tigre dente de sabre. Ele ganhou vida novamente através de modernas técnicas científicas, porém, a experiência dá errado e os riscos de trazer esse animal para os dias atuais não são bem calculados. Quando alguns incidentes resultam no destravamento dos portões das jaulas dos animais, o terror toma conta do parque. Apesar de ser avisado por empregados do perigo eminente, Green não quer que nada estrague a recepção para possíveis investidores, estes que não imaginam que podem se tornar vítimas de feras que não matam necessariamente por fome, mas são motivadas pelo simples instinto de matar.

Os trash movies geralmente são produzidos já com o intuito de serem lançados diretamente em locadoras e varejo, tiveram importância na manutenção desse tipo de comércio e surpreende o fato de ainda hoje existirem adeptos desses produtos em tempos em que os efeitos especiais estão no auge da popularidade (mesmo o longa sendo de 2005). Bem, puro divertimento para desligar o cérebro e relaxar, só pode ser essa a resposta para alguém perder tempo com coisas do tipo de O Ataque do Dente de Sabre. Também o que se esperar de um filme com tal título? Gritos, mordidas, sangue, situações bizarras e produção precária, um legítimo filme B e mais nada. George Miller é a mente brilhante por trás deste pastiche. Ele deve ser viciado em Parque dos Dinossauros e com recursos escassos resolveu trazer o famoso tigre dente de sabre de volta a vida na marra e ingenuamente pensou que ia lucrar com isso. Há muitas referências à famosa produção de Steven Spielberg, desde a ambientação, um parque em que as cercas das jaulas estrategicamente pararam de funcionar quando o local estava recebendo visitantes, até a história da recriação de bichos pré-históricos através de materiais fossilizados, mas não espere o mesmo apuro técnico. O tigre, ou melhor, os tigres, não demoram a mostrar as garras, mas as criaturas digitais não se encaixam bem na maioria das cenas. Mostradas de relance elas até podem enganar, mas para uma participação do tamanho almejado os efeitos especiais parecem mais defeitos propositais. Sim, o longa até merece um pequeno elogio afinal assumir seu lado trash dá um pouco de dignidade à obra. O ápice da precariedade da produção chega na reta final quando desenho animado também é inserido substituindo cenas que seriam difíceis de realizar com os atores reais e as criaturas digitais. Quanto as interpretações, bem, você já deve saber o que esperar. Péssimos atores tentando permanecer o maior tempo possível no filme antes que virem almoço dos bichanos. Se a intenção do diretor era fazer um trabalho que mesclasse aventura e terror, não deu certo. Se a proposta era uma comédia trash, até que o resultado final se encaixa bem na pretensão. De qualquer forma, Spielberg deveria ter processado Miller não só por plágio, mas uma ação reclamando de danos morais também viria a calhar. 

Suspense - 92 min - 2005 - Dê sua opinião abaixo. 

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