domingo, 30 de agosto de 2020

DIZEM POR AÍ...


Nota 3,0 Apesar do argumento criativo, longa empaca com sua previsibilidade e ritmo enfadonho


Um bom argumento não implica necessariamente em se ter um bom roteiro em mãos. Existe uma grande distância a ser percorrida entre a ideia inicial de uma trama até a sua conclusão. A comédia romântica Dizem Por Aí... tem um pontapé inicial dos mais interessantes, mas infelizmente se perde no tortuoso caminho de desenvolvê-lo. Os letreiros na introdução já avisam que tal obra é baseada em um rumor real acerca de uma história que teria inspirado o clássico dos anos 1960 A Primeira Noite de Um Homem, do diretor Mike Nichols. A trama é narrada sob o ponto de vista de Sarah Huttinger (Jennifer Aniston), uma jornalista frustrada que ganha a vida escrevendo obituários e que recentemente aceitou o pedido de casamento do namorado Jeff Daly (Mark Ruffalo), mas está apavorada com sua própria decisão. 

Para deixá-la ainda mais pilhada, Annie (Mena Suvari), sua irmã mais nova, também está prestes a subir ao altar e faz questão que ela compareça ao casamento, o que obriga a jornalista a voltar à sua antiga cidade e confrontar lembranças indesejáveis já que não se indentifica com sua família. Mal regressa e a moça já sofre um baque quando sua tia Misty (Kathy Bates) deixa escapar um segredo do passado, o que abirga sua avó Katherine (Shirley MacLaine) a contar a verdade sobre suas origens. Na juventude a falecida mãe de Sarah teria fugido com um homem misterioso dias antes de se casar e que tal deslize teria servido como base para o livro que por sua vez gerou o citado filme de Nichols. Atordoada com a revelação, a moça então decide tirar essa história a limpo, pois caso o boato se confirme ela então não seria filha do homem que sempre julgou ser seu pai. A situação só começa a dar uma clareada quando ela encontra o milionário Beau Burroughs (Kevin Costner) que possivelmente teria sido o tal homem que se engraçou com sua mãe. 


O argumento é dos mais criativos, porém, o roteiro de Ted Griffin acaba se perdendo no desenvolvimento e entrega uma trama confusa e que tende a dispersar a atenção facilmente. É até difícil categorizar, pois não tem humor suficiente para ser considerado uma comédia e tampouco amor em quantidade considerável para ser um romance. É apenas um passatempo que flerta com estilos variados e se estende além do necessário. A produção é dirigida por Rob Reiner, nome que para as novas gerações pode soar desconhecido, mas no passado comandou grandes clássicos. Conta Comigo, A Princesa Prometida, Harry e Sally - Feitos Um Para o Outro e Louca Obsessão são alguns dos sucessos do cineasta que parece ter perdido a mão e há anos entrega obras rasas e esquecíveis. Com esta pretenciosa comédia romântica não é diferente. Com o objetivo de oferecer mais dinamismo e graça à história, Reiner acabou deixando seu trabalho com ar de superficialidade. Seus enquadramentos deixam explícitas todas as situações e reações que virão dos personagens, deixando a narrativa bastante previsível. 

Claro que dificilmente o filme escaparia da simplicidade e dos clichês, mas esperava-se mais de um trabalho cujo trunfo seria o bônus de brincar com o próprio cinema fazendo um elo entre uma obra antiga e um derivado produzido quase quatro décadas mais tarde. Felizmente as referências ao clássico são feitas com respeito e honestidade, não apoiando-se no sucesso e memória afetiva alheios, afinal não trata-se de uma continuação e tampouco uma refilmagem. Outro ponto a se destacar é a presença de MacLaine e Costner que sutilmente repetem trejeitos que evocam lembranças das atuações de Anne Bancroft e Dustin Hoffman no filme de Nichols. Ruffalo também se sai bem mais uma vez encarnando o rapaz simpático e bondoso, um perfil bastante comum em seu currículo, mas ainda assim o ator consegue convencer a cada vez que recria a imagem do sujeito boa praça. 


Já Aniston que não sabe se reciclar e parece repetir o mesmo papel em quase todos os seus filmes, talvez até por sua imagem estar muito atrelada a comédias e romances, não tendo oportunidades de explorar seu talento e limites em outros gêneros que possam lhe desafiar. Isso prejudica o caminhar de Dizem Por Aí... soando estranhíssimo o porquê de Sarah se deixar envolver-se amorosamente com Burroughs, já que suspeita que ele pode ser seu pai verdadeiro. No conjunto, trata-se de uma produção dispensável cujo único mérito é despertar a curiosidade dos espectadores mais jovens em conhecer o clássico sessentista que é de certa forma homenageado neste engodo.

Comédia romântica - 97 min - 2005

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