sábado, 5 de janeiro de 2019

ENIGMAS DE UM CRIME

Nota 2,5 Apesar da boa premissa, suspense intricado decepciona com trama confusa e devagar

Um serial killer, teoricamente uma pessoa desequilibrada, teria a inteligência de utilizar conceitos matemáticos para arquitetar seus assassinatos? Enigmas de Um Crime, título genérico e desmotivador, tenta convencer o espectador que a resposta é sim, todavia, não chega a atingir plenamente seu objetivo. Baseado no romance de Guillermo Martinez, o roteiro de Jorge Guerricaechevarría e Álex De La Iglesia, este também assinando a direção, é uma reunião mau aproveitada de clichês de ideias já vistas e revistas em diversos outros filmes. A trama aborda temas ligados a religião, números, simbologias e medicina, uma variedade muito grande de assuntos que fatalmente confunde o espectador já fatigado pelo ritmo vagaroso. Uma série de assassinatos estão assombrando a cidade de Oxford e a esperança dos moradores da região está nas mãos de apenas dois homens: Martin (Elijah Wood), um jovem estudante que acaba de chegar à famosa universidade local para fazer sua pós-graduação na expectativa de sorver o máximo de conhecimento do inglês Arthur Seldom (John Hurt), um prestigiado e veterano professor de matemática. Tão logo o rapaz chega e já se vê envolvido em meio a um crime bárbaro ao encontrar o corpo da Sra. Eagleton (Anna Massey), de quem era inquilino, e na cena do crime estranha a presença de um símbolo. Em um curto espaço de tempo outros assassinatos semelhantes ocorrem e ao que tudo indica os crimes estão ligados por códigos, simbologias e equações matemáticas que também podem esconder ligações religiosas. A única coisa que se tem certeza é que o assassino procura saciar sua vontade de matar atacando pessoas que já estiveram à beira da morte, mas que conseguiram uma segunda chance para viver, ainda que breve. Agora o professor e o estudante, cuja relação é cheia de altos e baixos, precisam juntar suas habilidades para desvendar o mistério e montar esse complicado quebra-cabeças e na medida que Martin chega perto da verdade aumenta a sensação de insegurança e incompreensão com o mundo ao seu redor. Pena que Iglesia perca as rédeas ainda antes da metade e se intimide nos momentos de catarse, assim entregando um suspense frio que promete muito e cumpre pouco ou quase nada.

Praticamente um obelisco da universidade de Oxford, é óbvio que o respeitável Seldom tem um passado nebuloso. Ele foi assistente do falecido marido da Sra. Eagleton, que também fora um grande gênio da álgebra, e não se atém aos cálculos. O veterano inglês também é inclinado a filosofar, a incitar discussões, assim Hurt tem sequências de longos e enfadonhos discursos, mas por outro lado, a deixa para o ator exercitar sua veia teatral adicionando certo quê de histrionismo ao perfil do intelectual. De visual largadão, mas dotado de uma inteligência invejável, Wood procura manter o perfil do nerd descolado, mas seu físico franzino não combina muito bem com a imagem de um herói, ainda que se esforce para apresentar um trabalho forte. Além do misto de admiração e desconfiança que sente por Seldom, em paralelo ao ódio pelo professor alimentado pelo seu amigo de quarto, o russo Yuri Podorov (Burn Gorman), Martin também tem um interesse romântico, Beth (Julie Cox), a filha dos Eagleton, uma mulher um pouco mais velha que o estudante, de temperamento forte e que vive em conflito com a mãe. O jovem ainda sente-se atraído por Lorna (Leonor Watling), mulher também disputada por seu professor, assim aumentando a rivalidade entre mestre e pupilo. Resumindo assim, Enigmas de Um Crime até parece ser uma pedida interessante, mas o filme em si, apesar de tecnicamente impecável e com clima soturno, em termos narrativos deixa a desejar. Nem mesmo as longas e sonolentas explicações de Seldom a respeito de suas teorias quanto aos assassinatos conseguem dar uma luz ao espectador. Pode ser que nem exista lógica matemática alguma nas ações do criminoso, tudo não passe de especulações que todos aceitam por não terem argumentos para contrariar. Fora essa parte mais complexa, a ideia de um louco a solta assassinando pessoas que por um triz foram salvas da morte pelos avanços da medicina é bem interessante. Simulando mortes naturais ou por conta de efeitos colaterais das medicações, o serial killer poderia agir livremente e a trama como um todo fluir melhor, mas a obsessão por uma narrativa intricada acaba afastando o público que se confunde e se entedia com interpretações pouco expressivas. Equação final: início promissor mais recheio de lorotas é igual a suspense capenga elevado ao quadrado.

Suspense - 108 min - 2008

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Um comentário:

Anônimo disse...

Qdo vi o título do filme e a sinopse, pensei: "Esse filme parece ser interessante. Vou conferir!"
Mas qdo li seu comentário, mudei de idéia. É por isso que às vezes a gente se ilude com a capa do DVD... Ainda bem q vc fez um post avisando.

Bjs ;)

http://literaturaecine.blogspot.com/

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