quinta-feira, 5 de novembro de 2020

MERGULHO RADICAL


Nota 1,0 Fora as belezas naturais, nada salva filme que se resume a desfile de corpos perfeitos


Um tiro n'água! Essa é a melhor definição para a pseudo-aventura Mergulho Radical que está mais para um vídeo institucional de incentivo ao turismo ou até mesmo um ensaio publicitário para venda de biquínis ou protetores solares. A trama se evapora rapidamente de nossa memória, ficando apenas a lembrança de corpos esculturais desfilando pela tela em trajes de banho e exibindo um bronzeado de dar inveja. Em uma ilha no Caribe, Jared (Paul Walker) é um mergulhador profissional que divide seu tempo livre entre reparos em seu barco e a incessante busca por tesouros perdidos. Já Sam (Jessica Alba), sua namorada, trabalha cuidando de um tanque de tubarões em um resort. A rotina do casal muda quando chegam ao cenário paradisíaco Bryce (Scott Caan), amigo de infância do explorador e hoje um bem-sucedido advogado, e sua companheira Amanda (Ashley Scott), diga-se de passagem, uma jovem que ele conheceu há poucas horas e já lhe trouxe a tiracolo na viagem.

Em um mergulho do quarteto no mar caribenho, mostrado de forma insuportavelmente limpo e artificial, os jovens encontram uma adaga que pode ter pertencido a um navio desaparecido há séculos e onde estaria escondido um valioso tesouro. Para fazerem tal exploração, o grupo precisa de equipamentos específicos e caros, assim Jared e Sam não se mostram muito empolgados, mas quando percebem já estão emaranhados em uma trama perigosa por conta dos novos amigos... da onça, obviamente. Por coincidência, na mesma região encontram-se os destroços de um avião que afundou com milhões de dólares em forma de  tabletes de cocaína, assim os jovens passam a ser perseguidos por traficantes e policiais corruptos em busca da mercadoria, algo facilitado pelo fato de Bryce e Amanda só fazerem idiotices e parecem servir de ímãs de bandidos. E a essa bobagem se resume o roteiro de Matt Johnson que poderia ter até alguma razão nobre para ser filmado, mas o que se vê na tela é um produto que parece exclusivamente talhado para aproveitar ou fomentar ainda mais a fama de Alba e do finado Walker que na época estavam bombando em fitas de ação voltadas ao público adolescente.


O problema é que até o público-alvo, desde que em sã consciência, deve se sentir ofendido com o que lhes é oferecido aqui. O diretor John Stockwell já havia pouco antes explorado cenários paradisíacos e corpos seminus em A Onda dos Sonhos, assim mostra-se preguiçoso ao ancorar mais um projeto sob uma eficiente fotografia submarina, mas esqueceu-se que é preciso também ter um enredo no mínimo razoável para segurar um filme. Embora a trama seja a mesma de O Fundo do Mar, uma fita da década de 1970, não trata-se de um remake legítimo, apenas um caso de falta de criatividade mesmo. Sem muita história para contar, as quase duas e intermináveis horas de duração são dedicadas a exibir belas imagens típicas de cartões postais e explorar o físico e beleza de seu elenco. São muitos closes dos traseiros e peitos das mulheres parcamente escondidos sob minúsculos biquínis e a câmera também não se furta a exaltar os músculos dos rapazes. 

O elenco trabalha consciente de que seus corpos perfeitos foram predicados levados muito a sério para ganharem os papeis, assim oferecem atuações canastronas, mas condizentes com o texto raso e que faz a atenção do espectador dispersar logo nos primeiros minutos. É jogado fora o gancho de que o quarteto a certa altura rache e passe a brigar entre si por conta de metade desejar apenas explorar o navio e a outra estar interessada na droga que acaba ganhando mais destaque por atrair a bandidagem para a trama. Mesmo assim a narrativa se desenvolve em águas pouco turbulentas e para injetar alguma ação o diretor recorre à participação de tubarões, embora as feras do mar sejam apresentadas de forma menos ameaçadora que de costume. Dizem que não foram usados efeitos digitais para esses ataques, mas dado o estilo pueril da produção é difícil acreditar que buscaram animais adestrados, até porque as próprias criaturas não parecem muito reais na tela. 


Aliás, realismo passa longe da proposta de Mergulho Radical visto o tanto de tempo que os personagens ficam embaixo d'água e muitas vezes sem a aparelhagem necessária. Fica clara a tentativa de ludibriar o espectador com belezas e curiosidades do ambiente marítimo para escamotear a falta de estrutura do enredo que ainda é prejudicado por não criarmos vínculos com nenhum personagem. A torcida fica para que os tubarões devorem a todos e não tenham indigestão com tanto anabolizante e silicone. Mesmo sem fazer sucesso, a produção ganhou uma sequência, tão esquecível quanto a original, mas sem o retorno de nenhum nome do primeiro elenco que sabiamente trataram de pular fora dessa barca furada.

Aventura - 110 min - 2005

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