domingo, 1 de novembro de 2020

PAR PERFEITO


Nota 3,5 Mescla de humor, romance e ação se apoia no carisma dos protagonistas e em adrenalina

Os primeiros anos do século 21 mostraram que as comédias românticas continuam sendo um dos gêneros prediletos do público, principalmente o feminino. De olho na companhia masculina que geralmente é obrigada a ver produções do tipo (embora muitos homens adoram e tenham vergonha de assumir), produtores começaram a dar prioridade a enredos que misturam além do romance e o humor também uma boa dose de ação, assim os mocinhos passaram a ter funções mais consistentes nas tramas, não meros objeto de desejo de mulheres desesperadas para casar. Não a toa filmes do tipo costumam ter um casal de peso encabeçando o elenco. Foi assim com Jennifer Aniston e Matthew McCounaughey em Caçador de Recompensas, Cameron Diaz e Tom Cruise em Encontro Explosivo e Katherine Heighl e Ashton Kutcher em Par Perfeito. Esta última dupla costuma despertar desconfianças quanto ao talento, mas não se pode negar que tem carisma junto ao público.

Jen Kornfeldt (Heighl) é uma jovem que se acostumou a viver sob a proteção e cuidados dos pais, mas durante uma viagem à França acaba se encantando por Spencer Aimes (Kutcher). Numa comédia romântica tradicional eles viveriam várias confusões para apenas no final trocarem alianças, mas o diretor Robert Luletic, de A Verdade Nua e Crua, inverte a ordem das coisas para que os problemas surjam após a vida de casados que será repleta de perseguições e tiroteios. A moça descobre tardiamente que a cabeça do marido está à prêmio por ele ser um assassino profissional, mas mostra-se razoavelmente preparada para estar ao seu lado para combater criminosos, mesmo que sua destreza com armas de fogo possa ser tão ou mais perigosa que seus algozes. E o filme se resume a uma sucessão de cenas de muito corre-corre com os pombinhos fugindo de supostos amigos e até vizinhos disfarçados.

A proposta é oferecer pura e simples diversão, portanto, não dá para esperar mais que umas boas gargalhadas enquanto se assiste e depois encarar sua própria indagação do porquê da existência de um filme do tipo. Já os fãs de filmes de ação certamente não farão tal questionamento, pois o que gostam está em cena em doses cavalares: muita pancadaria, troca de tiros, vidros estilhaçados aos montes, perseguição entre carros e closes generosos das curvas do corpo de Heighl. O roteiro de Bob DeRosa e Ted Griffin passa a sensação de uma história que gira em círculos, uma caçada de apenas uma dia, mas que parece se desenrolar por várias diárias e não sair do lugar, mesmo contando com poucos personagens e muita adrenalina. Percebe-se uma preocupação muito grande em explicar a origem de Aimes e sua relação com seu chefe, contudo, não é apresentado o fato que leva a todos ao seu redor resolverem de uma hora para outra caçá-lo.

A vizinhança gentil que depois mostra-se ameaçadora também poderia ser melhor explorada demonstrando maior intimidade com sua vítima e até jogando pequenas pistas de seu real propósito, mas sutilezas não são o forte de Luletic. Cada tentativa de diálogo inteligente converte-se em uma cena babaca muito também pelos exageros do elenco que provavelmente se divertiu mais que o público. Kutcher tem sérias limitações artísticas e parece fadado a viver personagens tapados e que parecem viver com um pé preso na adolescência. Todos tem noção de sua beleza e porte físico, mas irrita tais atributos sempre serem destacados em seus papeis, ainda que no caso de Par Perfeito eles sejam essenciais, afinal a mocinha se apaixonou à primeira vista pela imagem do rapaz e não por seu caráter, assim pagou um preço alto pelo deslumbre. Heighl também não tem por onde tentar apresentar uma interpretação diferente da qual está habituada. Mais uma vez encarna a mulher neurótica e que fala pelos colarinhos e geralmente nos momentos errados, mas aqui com o adicional de ser assumidamente uma pessoa ansiosa, tanto que tem a palavra crise tatuada nos trêmulos dedos de uma das mãos.

De qualquer forma, felizmente existe química entre os protagonistas, assim fazendo piadas funcionarem, mas não conseguindo escamotear o viés machista da trama elevando o mocinho torto à potência de herói e sua garota como dependente de sua coragem e, no caso, também lábia. Isso fica explícito logo nos primeiros minutos. Com pose de bem sucedido, Aimes logo na primeira noite diz à Jen que a ama e na segunda já a está pedindo em casamento, tudo que uma dondoca como ela deseja, se livrar da proteção dos pais, mas garantir conforto com o marido. Falando neles, Tom Selleck e Catherine O'Hara se encarregam de interpretarem os sogros do jovem assassino, mas são desperdiçados numa produção que privilegia a beleza dos jovens e faz pouco caso do talento dos veteranos.

Comédia - 100 min - 2010

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3 – 4 Regular, serve para passar o tempo
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9 – 10 Excelente, praticamente perfeito do início ao fim
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