domingo, 21 de setembro de 2014

AQUAMARINE

Nota 6,5 Amizade e amadurecimento jogam romance para segundo plano em comédia teen

Uma jovem sereia consegue a dádiva de passar algum tempo no mundo dos humanos e se apaixona por um rapaz, mas para viver esse amor terá que desafiar as convenções de sua espécie. Essa breve sinopse vende a ideia do conto da princesinha Ariel imortalizado na versão em desenho animado feita pela Disney, mas também cai como uma luva para expor a comédia romântica Aquamarine que apesar do invólucro de produto descartável para menininhas até que garante um passatempo razoável. Basta não se preocupar tanto com a previsibilidade e deixar se levar pela história da sereia que intitula o filme, a bela Sara Paxton que visualmente exala a sensação suave e de frescor de uma brisa marítima.  Na trama escrita por John Quaintance e Jessica Bendinger, Claire (Emma Roberts) e Hailey (Joanna Levesque, mais conhecida como a cantora Jojo) são duas adolescentes que vivem na Flórida e se acostumaram a dividir segredos, alegrias, tristezas e a curtir a praia que praticamente é como um quintal de casa para elas. Porém, a amizade está ameaçada agora que Hailey se vê obrigada a se mudar para a Austrália com a mãe. Só um milagre poderia mantê-las unidas, mas ele não vem do espaço e sim da água. Após uma grande tempestade, elas descobrem Aquamarine escondida na piscina de um clube. Ela aproveitou o episódio para escapar de um casamento forçado e está disposta a provar ao pai que o amor verdadeiro existe. É claro que as garotas decidem ajudar a sereiazinha, até porque em troca poderiam ter um desejo realizado o que as fazem relevar o fato de que ela vai se apaixonar justamente por Raymond (Jake McDorman), um jovem salva-vidas que todas as garotas da praia sonham em conquistar. Sem a menor noção sobre o que é viver um romance de verdade, a loirinha de cabelos mechados de azul não contava que os apaixonados passam por tantas dificuldades, a começar pela paquera. Logo na primeira vez que consegue se aproximar do rapaz ela o indaga se ele a ama ou coisas do tipo, mas ele leva tudo como uma brincadeira e obviamente se sente atraído pela inocência e beleza da garota. Ao perceber o que está acontecendo, a invejosa e metida Cecília (Arielle Kebbel) fará de tudo para jogar areia neste romance. Ou seria água?

É óbvio que a estadia da sereia no mundo dos humanos não será um mar de rosas. Além de ter apenas três dias para cumprir seu objetivo de encontrar um amor, ela terá que se esquivar de qualquer respingo d’água caso contrário sua cauda irá reaparecer. Baseado no romance homônimo de Alice Hoffman, autora dos livros que deram origem aos filmes Da Magia à Sedução e Seu Amor, Meu Destino, por exemplo, o enredo traz uma leve variação do batido clichê das patricinhas arrogantes versus as alegres e sonhadoras “perdedoras” e no meio desta disputa está o ser mitológico que parece um híbrido destes perfis, mas que pende para a turma do paz e amor. O enredo pode parecer uma bobagem, mas a diretora Elizabeth Allen, estreando em longas-metragens, consegue magicamente transformar as coisas e quando menos percebemos estamos íntimos das protagonistas e envolvidos com seus dramas. Na verdade para os adultos podem parecer coisas tolas, mas a cineasta teve a sensibilidade necessária para compreender a alma, as dúvidas e os desejos que geralmente se fazem presentes na vida das adolescentes. A união do lúdico com a realidade só vem a somar para contar uma história de solidariedade e amadurecimento de forma leve e descontraída que tal qual uma boa lembrança da juventude no futuro deverá ser vista no mínimo com bom humor. Hoje já devem ter muitas mulheres que fazem questão que as filhas vejam Aquamarine, seja para compartilhar uma diversão inocente ou relembrar como tudo era mais fácil quando as maiores preocupações de suas vidas era ir bem vestida em uma festinha ou ter a dúvida se algum gatinho as tiraria para dançar. Falando nos garotos, embora representados de forma estereotipada no longa, muito marmanjo deve ter feito um esforço para agradar a namorada indo ao cinema ou vendo em DVD e hoje a cena deve se repetir com seus pimpolhos e suas garotas, afinal é um produto que já nasceu com pinta de eterno clássico juvenil. Costumamos reclamar que adaptações de livros quase sempre deturpam o conteúdo original, mas neste caso as modificações são bem-vindas. Foi privilegiada a importância da amizade e a transição da infância para a adolescência preservando a inocência, o que torna a relação entre as personagens Claire e Hailey o eixo de sustentação do filme. A sereia que teoricamente deveria ser o foco das atenções tem lá seu charme, mas fica restrita às manjadas piadas envolvendo conflitos entre pessoas de universos ou criações diferentes.

Comédia romântica - 92 min - 2006

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