domingo, 16 de março de 2014

A RAINHA SOL - A ESPOSA AMADA DE TUTANKHAMON

Nota 4,0 Com história pouco conhecida do Egito, desenho não cativa apesar da boa parte técnica

A História do Egito antigo ainda guarda muitos mistérios a serem revelados. Sabemos bastante sobre a vida de Cleópatra através de livros e filmes, mas são tantos os nobres e deuses que marcaram o passado do exótico país que dificilmente a fonte de inspiração cessaria. A animação A Rainha Sol é baseada em um destes capítulos tratados no romance homônimo do escritor Christian Jacq. Akhesa era uma jovem que buscava levar uma vida absolutamente comum, mas um pequeno detalhe a fazia ser diferente irremediavelmente: ela é filha do faraó Akhenaton, líder que julgava ser a encarnação do espírito do deus Aton, sinônimo de justiça e prosperidade. A entidade prega a paz sem violência, mas no mundo dos homens seus ensinamentos parecem não ter muita serventia, afinal a lei do mais forte parece prevalecer. Dessa forma, o governo não agrada a todos os seus súditos e desperta a ira dos hititas, grupo que protesta fazendo uso da violência e que espera mudanças na liderança do país. O faraó, que procura revidar os atentados por meios pacíficos, não deseja que o poder saia das mãos de sua família e planeja que a filha seja sua sucessora, mas para tanto ela deve estar casada e já tem uma união planejada com o jovem Thout (o futuro Tutankhamon). Como manda a cartilha dos clichês, é óbvio que os adolescentes se conheceram por acaso antes do primeiro encontro oficial e não causaram boa impressão um ao outro, mas serão forçados a conviver juntos. Eles descobrem que alguns subalternos do faraó estão armando um plano para traí-lo e Akesha decide pedir ajuda a sua mãe, Nefertiti, mas terá que ir em busca de seu paradeiro já que ela fugiu há muitos anos. Thout ajuda a garota na fuga, mas acaba percebendo que pode ser considerado um sequestrador e se vê obrigado a seguir viagem com ela até Tebas. Chegando a cidade, eles se abrigam no templo de Amon-Rá, local que anos atrás abrigava deuses que acabaram sendo banidos pelo faraó cego por sua admiração por Aton. No meio da noite os jovens acordam e percebem que não estão sozinhos. O general Horemheb, um dos homens de confiança de Akhenaton, está liderando uma reunião com alguns revoltados que fazem a sua cabeça para que se for preciso o rei seja sacrificado em nome de um governo mais justo.

Quando reencontra Nefertiti, Akhesha se surpreende com o que descobre. Seus pais se amaram muito, mas a adoração do faraó pelo seu deus era tanta que deixou a esposa com muito ciúmes e as constantes brigas do casal os separaram. Não suportando ver seu amado deixando seu coração ser tomado por essa paixão sem precedentes, a rainha implorou para não ver isso acontecer e seu pedido foi atendido por Aton que a deixou cega, assim ela preferiu se isolar. Mesmo com o rancor, a antiga rainha aconselha a filha a ajudar seu pai e assim a jovem e Thout resolvem voltar para ajudar Akhenaton, mas no meio do caminho terão que enfrentar Zannanza, um pilantra que vê no sequestro de Akhesha a chance de enriquecer. O roteiro de Gilles Adrien, Hadrien Soulez Larivière, Laurent Burtin e Nathalie Suhard tenta deixar o mais palatável possível esta história repleta de nomes desconhecidos, mas infelizmente o resultado é muito irregular. O básico compreendemos. O faraó governa seguindo seus princípios (entenda-se os conselhos de Aton), boa parte do povo é contra suas medidas e a revolta faz com que alguns grupos se rebelem e até os que cercam o líder estão descontentes. Akesha precisa desarticular os planos dos que querem a cabeça do seu pai, mas seu casamento arranjado é jogado para segundo plano, como se fosse um destino que não pode fugir, assim o subtítulo nacional acaba ficando sem justificativa plausível. Por fim, também não compreendemos absolutamente se Aton é do bem ou do mal, pois os ensinamentos e atos a ele creditados são dúbios. Fora os problemas quanto ao conteúdo, o diretor Philippe Leclerc também não investe em humor e as sequências de aventura não empolgam, assim o filme, embora curto, parece um pouco maçante. Coproduzido entre a Bélgica, a França e a Hungria, A Rainha Sol tem uma animação bem feita, mas que foge aos padrões atuais adotando um estilo um tanto “engessado”, algo que nos remete a desenhos de antigamente quando uma mesma imagem era utilizada várias vezes apenas alterando movimentos labiais. Vale uma espiada como curiosidade, sendo uma opção que pode servir mais a professores de História que podem usar o desenho como uma ferramenta para tornar os tópicos acerca do Egito mais lúdicos e envolventes aos alunos.

Animação - 74 min - 2005 - Dê sua opinião abaixo.

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