domingo, 13 de abril de 2014

TUDO PELA HONRA

Nota 6,0 Comédia de época faz críticas à burguesia, mas na reta final perde o ritmo das piadas

Quando falamos dos tempos áureos dos reis, duquesas, palacetes e afins é comum nos lembrarmos dos países europeus, principalmente da França que vivenciou tal época com muito luxo e festas, mas em contrapartida também com vários escândalos e corrupção comendo solta. O cinema francês já explorou temáticas acerca desses fatos históricos em muitos dramas e épicos, mas também costuma brincar com esses assuntos seguindo uma tendência mundial de fazer a História não parecer tão chata e torná-la mais facilmente assimilável por todos os tipo de públicos. Tudo Pela Honra segue tal caminho apresentando uma trama leve e com toques de aventura tendo como pando de fundo a caótica e irreverente situação que se encontrava a França no ano de 1745, mas obviamente com várias liberdades tomadas pelo diretor Gerard Krawczyk e pelo produtor Luc Besson, este que foi alçado a diretor de renome com a aventura O Quinto Elemento, mas, diga-se de passagem, parece ser mais repeitado como o multiprofissional que é em seu país natal. O filme começa situando o espectador que deve estar atento ao tom sarcástico da obra para não compreender tudo ao pé da letra. Na época a guerra era o esporte coletivo mais praticado em território francês e o progresso trouxe a artilharia, o que acarretou empolgação e ao mesmo tempo temor. Com armas mais potentes seria possível atingir inimigos mesmo estando a muitos metros de distância, mas de que elas adiantariam sem soldados bem treinados para utilizá-las? O Rei Luis XV (Didier Bourdon) é egocêntrico, fútil e não tem punhos firmes para conduzir o país, não sabendo nem mesmo qual a cor dos uniformes dos homens que representam sua pátria em combate. Sem o mínimo de planejamento, ele quer aumentar o poder de impacto de seu exército recrutando um número bem maior que o necessário de soldados, não importando suas habilidades ou porte físico, assim bêbados, mendigos e até anões são incorporados à milícia, mas ficou faltando uma vaga a ser preenchida mesmo com todos os benefícios oferecidos  como roupas e algumas moedas de ouro. Seria uma alusão aos políticos atuais e seus presentinhos aos eleitores?

Quem surge para ocupar a vaga é Fanfan La Tulipe (Vincet Perez), que ganhou tal sobrenome da Marquesa de Pompadour (Hélène de Fougerolles) que lhe presenteou com uma joia em formato de tulipa como agradecimento por ter salvado ela e a filha do rei quando foram atacadas por um bando a caminho do castelo. O rapaz fica nas nuvens, pois esta era a prova de que a profecia de Adeline (Penélope Cruz) iria se concretizar. Muito mulherengo, o rapaz quase foi obrigado a se casar com a última mulher que caiu em sua lábia, mas conseguiu fugir com a ajuda desta jovem vidente que na verdade é uma trambiqueira que prevê a todos os homens o mesmo futuro brilhante: carreira militar e casamento perfeito com uma bela mulher que por fim descobrirá ser filha do rei. A mentira, no entanto, ajuda Fanfan a ter um objetivo na vida e assim ele se alista no exército, tanto para fugir da fúria das mulheres que abandonou quanto para ficar mais próximo da corte para desposar a princesa. É óbvio que não vai demorar para Adeline, que é uma das serviçais dos nobres, descobrir estar apaixonada e então tentar desestimular o rapaz quanto a esse sonho maluco, mas a situação se complica quando o conquistador bate de frente com o sargento Fier-à-bras que nutre uma paixão platônica pela empregadinha de traços latinos. Escolhido para abrir o Festival de Cannes de 2003, Tudo Pela Honra é o remake de um clássico francês dos anos 50 dirigido por Christian-Jaque e que tem como título o nome do protagonista. A essência original pode ter sido preservada, mas é certo que o roteiro de Besson em parceria com Jean Cosmos trabalha com elementos que fazem alusão a situações extremamente contemporâneas, como o assédio de um coronel afeminado à Fanfan ou o fato da aparência e a higiene serem as principais preocupações do exército. Duelos, corre-corre e diálogos bem-humorados marcam a produção do início ao fim, mas é fato que após o irreverente acerto de contas entre o protagonista e o sargento o nível de interesse da fita cai consideravelmente, sendo que ela se sustenta sobre as dúvidas que cercam um tal “mão negra”, o bandido que interceptou a carruagem da princesa e perdeu um anel valioso para Fanfan e obviamente o quer de volta.

Comédia - 99 min - 2003 

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