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NOTA 6,5 Elenco famoso e talentoso trata de prender a atenção em suspense que não assusta ninguém |
O diretor Sam Raimi é mais conhecido por ser o responsável pela
trilogia Homem-Aranha que rendeu
muita grana e marcou a primeira década dos anos 2000 e consequentemente o
início do século 21. Apesar de já ter dirigido até drama, seu apreço é o mundo
fantasioso e seu início de carreira também foi lidando com algo do tipo, porém,
optando por explorar o lado sombrio e macabro em um projeto praticamente
amador. A Morte do Demônio poderia
ser considerado um produto trash, mas o passar dos anos elevou o status da obra
à cult, uma iniciativa digna de aplausos. O fato de realizar um filme de terror
com poucos recursos e apoiando-se na criatividade e técnicas simples, porém,
inovadoras para a época, ajudou a fazer a fama do cineasta que tentou resgatar
suas origens profissionais em O Dom da Premonição. Na realidade, a
idéia realmente era só revisitar o campo dos mistérios do além, pois nesta
produção elenco de peso e capricho na parte técnica não faltaram. A
protagonista da trama é Annie Wilson (Cate Blanchett), uma viúva mãe de três
filhos que possui dons psíquicos e sustenta a família lendo a sorte das
pessoas, mas isso lhe custa a desconfiança da ala mais conservadora da
população da pequena cidade interiorana onde vive. Donnie Barksdale (Keanu
Reeves) é um dos principais desafetos dessa mulher e a acusa de estar
manipulando sua esposa Valerie (Hilary Swank), a quem ele maltrata, para
terminar o casamento. Quem sempre está ao lado de Annie é Buddy (Giovanni
Ribisi), um rapaz perturbado que diz ter uma dívida de gratidão com a vidente e
parece sempre estar por perto nos momentos em que ela precisa de ajuda. A vida
de Annie passa a ser literalmente um pesadelo quando, através de suas visões,
se envolve com o caso do assassinato de Jessica (Katie Holmes), uma patricinha
que é noiva do diretor do colégio da cidade, o senhor Wayne (Greg Kinnear). Na
realidade ela conheceu a moça ainda com vida e na mesma hora teve um sonho
premonitório denunciando sua morte, mas omitiu o fato do casal. Agora, ela quer
a todo custo comprovar quem é o culpado, mas não será fácil convencer as
pessoas de que sua intuição está certa.

Ainda falando sobre o elenco, é preciso destacar que não há espaço
para estrelismo ou idolatria. Embora seja Cate Blanchett a protagonista, todos
os personagens têm seu grau de importância e as ligações entre eles são bem
construídas e críveis. Alguns intérpretes se aventuraram a dar vidas a papéis atípicos
em seus currículos como Katie interpretando uma noivinha infiel e Reeves como
um sujeito rude e violento, ambos com a imagem bastante atrelada aos papéis de
mocinhos do bem. Já Greg Kinnear consegue deixar o espectador com a pulga atrás
da orelha enquanto Ribisi defende um personagem que tenta descobrir os motivos
da raiva que sente do pai. Aparentemente Buddy é alheio à trama principal,
demonstrando apenas muito carinho por Annie, mas ele terá sua importância na
espinha dorsal do enredo. O encaminhamento da história provoca alguns sustos e
dá várias dicas sobre os possíveis suspeitos para o espectador tentar descobrir
o grande mistério, mas até o último minuto muita coisa acontece. O final,
sinceramente, não é dos melhores, mas nada que estrague a diversão. O Dom
da Premonição é um daqueles filmes que você não aprecia totalmente, mas
ainda assim tem a consciência de que não é de todo ruim e tem seus pontos
relevantes. Poderia ser um pouco mais carregado no suspense para se tornar mais
interessante comercialmente, mas o diretor optou por uma maneira de causar
tensão que é mais característica do gênero no passado e que de certa forma é
muito bem-vinda. Ao invés de se apoiar em um constante clima de horror e usar e
abusar de gritos e trilha sonora estridente, Raimi preferiu investir em
personagens intrigantes e cada um com características específicas que flertam
entre o bem e o mal, por exemplo, o machão que bate na mulher a ama de um jeito
torpe e bate para mantê-la sobre o seu poder enquanto a jovem assassinada tinha
vários relacionamentos paralelos ao mesmo tempo em que passava a imagem de moça
séria e seguidora dos bons costumes. No conjunto, parece que o diretor devia
estar mais preocupado com as aventuras do herói aracnídeo que iria lançar no
ano seguinte e fez este trabalho a toque de caixa, mas o fez de forma digna e
que vale uma conferida. Para quem sente atração pelo sobrenatural, mas não
encara algo mais pesado tipo a franquia Premonição,
é uma pedida que deve agradar e quem sabe abrir caminho para investir mais no
tema.
Suspense - 111 min - 2000
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