domingo, 29 de abril de 2012

CÍRCULO DE PAIXÕES

Nota 5,5 Ambição e amor motivam as relações entre jovens em drama romântico pouco ousado

Um filme que tem como objetivo fazer um retrato da juventude precisa essencialmente seguir os estereótipos que regem a rebeldia, ou seja, mostrar jovens indisciplinados, beberrões e namoradores, enfim pessoas que peitam qualquer regra para mostrarem que cresceram, mas continuam na ingenuidade de acreditarem que a maioridade significa ausência de limites. Muitos filmes que mostram os jovens contemporâneos chegam a ser de difícil digestão por causa de seus conteúdos que batem de frente com qualquer convenção e em momentos assim é comum as pessoas mais velhas relembrarem com saudosismo como era a juventude de antigamente, por vezes pintando um falso retrato como se todos os jovens do passado fossem santinhos. Entre os anos 50 e 60, por exemplo, o mundo todo começava a experimentar a força rebelde dos adolescentes e é justamente esta época que serve como pano de fundo para a trama do drama-romântico Círculo de Paixões. Baseado em um conto de Sue Miller, o roteiro de Ken Hixon enfoca os ritos de passagem da adolescência para a vida adulta e também aborda a questão da importância da ascensão social, um sonho talvez inerente a qualquer ser humano e independente da época. Quando eram crianças, os irmãos Holt, Jacey (Billy Crudup) e o caçula Doug (Joaquim Phoenix, cujo personagem é o narrador da história), ficaram órfãos de pai e desde então passaram a ajudar a mãe, vivendo assim suas vidas de forma humilde. Porém, um segredo do passado sustenta a ira do irmão mais velho em relação à família de Lloyd Abbott (Will Patton), clã conhecido na pequena cidade de Haley por suas finanças abastadas. Os filhos da Sra. Helen (Kathy Baker) acreditam que esse homem aplicou um golpe neles, já que a mãe vendeu para ele uma patente de uma invenção, que o ajudou a acumular fortuna, e também crêem que ele foi o responsável pela morte do pai deles. São as divergências de classes sociais e os sentimentos de inferioridade e obsessão que desencadeiam as histórias de amor do longa.

Amores proibidos e sonhos impossíveis se entrelaçam quando Doug e Jacey são atraídos pelas lindas, ricas e sofisticadas irmãs Abbott, Pamela (Liv Tyler) e Eleanor (Jennifer Connely), além da mais velha e já com um filho pequeno, Alice (Joanna Going). Na realidade, Jacey com sua obsessão por um tipo de vingança por acreditar que Lloyd usufrui de uma vida confortável que deveria ser de sua família, resolve atingir o ponto fraco desse homem simplesmente seduzindo todas as suas filhas. Qualquer uma serve para ser sua esposa, afinal ele só está interessado em enriquecer através do casamento. No entanto, suas atitudes acabam atingindo negativamente Doug, mais tímido, bem menos rancoroso e realmente apaixonado por Pamela. A relação com a família Abbott acaba se tornando um constante ponto de atrito entre os irmãos. Com a direção de Pat O’Connor, Círculo de Paixões apresenta uma história de personagens submissos a diferentes condições sociais fazendo um delicado retrato dos valores, da juventude e da família típicos do interior dos EUA do final da década de 1950, porém, a obra peca pelos mesmos erros que o cineasta cometeu em seu projeto seguinte, A Dança das Paixões: muitos personagens e consequentemente muitas tramas paralelas a serem desenvolvidas. O roteiro até que tem um bom argumento, mas a forma de trabalhá-lo acaba se tornando uma discussão sobre culpa e desejo sem a coragem de levar tais temas aos seus ápices. Visto hoje em dia, o grande ponto de interesse da fita é ter a oportunidade de ver alguns astros em início de carreira, mas em plena ascensão, como Liv Tyler que foi uma revelação na época por causa do filme Beleza Roubada, mas ela não se sai muito bem com o peso de ser uma protagonista, não tem muita força assim como Jennifer Connely, ambas disputando o troféu da mais apática do longa. A responsabilidade de agregar teor dramático a obra fica obviamente sobre os ombros de Phoenix e Crudup, mais preparados que as garotas. Com uma belíssima fotografia e locações bucólicas, este drama teria muito mais a oferecer se não tivesse um ritmo tão lento, o que faz a atenção dispersar em certos momentos. Também com uma pitada a mais de romantismo talvez o filme ficasse mais redondinho. Uma pena que o diretor não se decidiu entre o drama e o romance e preferiu ficar em cima do muro. 

Drama - 107 min - 1997 - Dê sua opinião abaixo.

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