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NOTA 8,0 Após vários fracassos, Sandra Bullock faz as pazes com o sucesso atuando em seu gênero cativo |
Após muitos
anos protagonizando comédias fraquinhas, Sandra Bullock voltou a ganhar os
holofotes há alguns anos estampando a publicidade de três longas que estrearam
em datas muito próximas. Ganhou o Oscar de Melhor Atriz por Um Sonho Possível, um dia antes foi
eleita no Framboesa de Ouro a pior intérprete por Maluca Paixão e, por fim, fez as pazes com as bilheterias com A
Proposta, comédia romântica que não traz inovação alguma e
talvez por isso mesmo seja perfeita. Quando a receita é boa, não importa
quantas vezes ela seja repetida, mas é preciso tomar cuidado para não errar na
seleção dos ingredientes. A diretora Anne Fletcher, de Vestida Para Casar, não nega a previsibilidade da premissa do
longa, mas consegue suavizar isso com um roteiro bem trabalhado, uma edição
caprichada, um elenco de coadjuvantes excepcionais e, principalmente, um casal
de protagonistas em perfeita sintonia, embora inicialmente possa causar certa
estranheza pelo fato do mocinho da fita, Ryan Reynolds, parecer muito mais
jovem que sua companheira, uma impressão que temos provavelmente por causa do
tempo de carreira de cada um. Sandra interpreta Margaret Tate, a pretensiosa e
mandona executiva de uma editora de livros que não faz a menor cerimônia para
pisotear seus subordinados. Andrew Paxton (Reynolds) é seu assistente há anos e
perdeu o direito a ter um tempo só seu. Ele vive atendendo aos pedidos da
chefe, desde os mais simples até os mais insanos, sem receber um único
agradecimento, mas aguenta o sufoco sonhando que um dia poderá realizar seu
maior sonho: ter um livro publicado. Todavia os dias de manda-chuva de Margaret
estão contados. Por ser canadense ela vive nos EUA como imigrante e depende do
visto para permanecer no país e isto lhe é negado e em breve ela será
deportada. A única maneira de se ver livre de uma vez por toda da fiscalização
do governo é estar casada com um cidadão americano.
Margaret logo
encontra uma solução para seu problema. Ela simplesmente obriga Andrew a fingir
um relacionamento amoroso com ela por alguns meses e imediatamente terão que
conviver por um final de semana para conhecerem mais um do outro e conseguirem
passar no teste obrigatório da imigração. O rapaz então propõe uma viagem até
sua cidade natal, no Alasca, onde sua família está toda reunida para a
comemoração dos 90 anos de sua avó, a espevitada Annie (Betty White), mas pede
uma promoção e a publicação de seu livro como recompensas. A primeira parte do
longa lembra um pouco a premissa de O
Diabo Veste Prada. As cenas são rápidas, as piadas e gags são fartas e
seguem a mesma linha da relação patrão versus subordinado realizada entre Meryl
Streep e Anne Hathaway. Margaret trava diálogos irônicos e humilha
descaradamente Andrew. Mesmo quando forja cenas de amor no escritório, a durona
executiva não desce do salto, mas essa é a chance de seu subordinado se vingar.
Antes sempre cabisbaixo, agora ele está com a faca e o queijo na mão para se
vingar dos maus tratos, mas ainda assim ele pega leve com sua suposta
noiva. As coisas complicam mesmo quando
eles chegam ao Alasca, pois a imigração não dá colher de chá e o agente Gilbertson
(Denis O’Hare) está na cola do casal para comprovar a veracidade da relação.
Sendo assim, o clã dos Paxtons fica em êxtase, pois acreditam que Andrew vai se
casar realmente e Margaret se vê em meio a situações que jamais imaginou viver,
momento em que brilha o elenco coadjuvante composto por nomes como Craig T.
Nelson e Mary Steenburgen, como os pais do noivo, e de Malin Akerman como sua
ex-namorada. O ódio existente entre Margaret e Andrew acaba sendo amenizado
neste convívio forçado, o que os levam a questionar se devem levar a farsa
adiante ou contar toda a verdade para não iludir a família do rapaz.

Comédia romântica - 107 min - 2009
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