domingo, 27 de outubro de 2019

ZÉ COLMÉIA

Nota 3,0 Mais uma tentativa de adaptar desenho para live action soa frustrada e muito ingênua

Se a Disney por muitos anos foi a principal empresa produtora de desenhos animados para cinema, suas empreitadas no mundo dos cartoons para a televisão nunca chegou ao mesmo nível de sucesso da companhia Hannah e Barbera que criou centenas de personagens que fizeram parte da infância de muitas gerações. Hoje, infelizmente, poucos deles povoam o imaginário das crianças, sendo Scooby-Doo e sua turma e os Flintstones talvez os mais participativos, muito por causa de um empurrãzinho do cinema que lançou longas com atores de verdade baseados nestas saudosas criações. Zé Colméia, mistura de live action com animação, também procurou dar sobrevida ao simpático personagem-título criado na década de 1960, um urso comilão e não raramente preguiçoso. Contudo, por mais que se esforçassem, os animadores não extraíram o melhor que a computação gráfica poderia oferecer e o resultado soa bastante incômodo e artificial, não agradando aos adultos saudosistas e servindo apenas para distrair crianças bem pequenas que se contentam em gargalhar com qualquer tropeço ou algazarra a cada cinco minutos. O enredo é dos mais simples e previsíveis possíveis. No ano do centenário do Parque Jellystone, o prefeito da idade, o Sr. Brown (Andrew Daly), decide lotear a área verde para a iniciativa privada e com o dinheiro arrecadado usaria para sua campanha para se tornar governador do Estado, embora prometesse que cada habitante ganharia uma porcentagem simbólica da empreitada.  Ao guarda-florestal Smith (Tom Cavanagh), que dedicou praticamente toda a sua vida a proteger o local, só lhe resta a alternativa de tentar provar que a área é rentável como destino de lazer ou aceitar a vaga como agente de limpeza em uma praça de pouco movimento por estar localizada em uma área predominantemente urbana. Para impedir o arrendamento, Smith conta com a ajuda de Rachel (Anna Faris), uma documentarista especializada em registros da vida selvagem, e de Zé Colméia e de seu inseparável amigo Catatau desesperados quando cai a ficha que sem os visitantes do parque suas sobrevivências estariam em risco, pois não teriam como roubar alimentos. Contudo, os ursos mais atrapalham que ajudam nos embates.

Para desenhos de poucos minutos, o universo de Zé Colméia servia bem, mas para sustentar um longa metragem falta estopo. Para cumprir as exigências, a obsessão do protagonista em roubar cestas de piquenique, lançando mão de engenhosas geringonças e armadilhas, é misturada a temas mais complexos como política e preservação ambiental. O diretor Eric Brevig, da refilmagem de Viagem ao Centro da Terra, tentou ao máximo preservar o espírito que permeava as animações, mas houve também uma bem-vinda atualização na personalidade do personagem-título que ao menos deixou de falar sozinho como era de seu costume. Por outro lado, é frustrante perceber que em universo tão rico de possibilidades, bastava uma revisão entre as dezenas de tramas dos cartoons que certamente encontrariam algumas que mereciam ser aprofundadas, os roteiristas J. R. Ventimilia, Joshua Sternin e Brad Copeland se atenham a uma narrativa bastante ingênua e sem qualquer resquício de criatividade. A impressão é que jogaram toda a responsabilidade da fita sob os personagens animados que de fato são o chamariz, contudo, nosso urso protagonista beira o insuportável, nem tanto por suas traquinagens, mas simplesmente porque força uma empatia que nunca surte efeito junto ao espectador, assim o humor que caberia às suas armações também não funciona. Tortadas na cara, tombos e outras tantas gags visuais não garantem as gargalhadas. Zé Colméia revela-se mais uma tentativa errônea de adaptar series de desenhos animados para o cinema, assim como também não agradaram os longas de Garfield, por exemplo. Mesmo não transformando o protagonista em um legítimo herói ou algo parecido, mantendo o seu aspecto bonachão, o longa erra ao tentar impor lições de moral e ecológicas sendo que os mais interessados na produção serão crianças em idade pré-escolar que pouco se atém à história e podem nem se incomodar com o visual tosco de Zé Colméia e Catatau, ambos em cena de forma pesada, sem movimentos fluidos corporais ou faciais, o que acentua a insegurança do elenco de humanos que parece pouco a vontade sem saber muito bem como atuar sem a certeza de onde e como os personagens digitais serão inseridos.

Comédia - 80 min - 2010

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