sexta-feira, 31 de outubro de 2014

HALLOWEEN - A NOITE DO TERROR

NOTA 9,5

Um dos primeiros filmes sobre
seriais killers mascarados
sobrevive à ação do tempo dando uma
aula de como estimular o medo
Os festejos do Dia das Bruxas é uma das mais tradicionais comemorações dos EUA, mas a moda acabou se estendendo a outros países. No Brasil, escolas tentam manter vivo o hábito da busca dos doces ou truques e as baladas convidam o público a participarem fantasiados, mas sem dúvida a grande tradição para comemorar a data por aqui é a reunião caseira para curtir filmes de terror na companhia de pipoca, refrigerante e outras guloseimas. Quem está começando a vivenciar o noitão de cinema de horror certamente deve colocar na lista de títulos a serem exibidos Halloween – A Noite do Terror, um marco do gênero que envelhece cultuado por nostálgicos e angariando novos adeptos. Contudo, não estranhe se ouvir algumas críticas negativas ao longa. Falam tanto desse filme, mas cadê o sangue e a adrenalina? Sim, muita gente deve assistir e em um primeiro momento não ver nada de mais na produção setentista que apesar de ser a respeito de um serial killer (ou conhecido também como slasher) não é um produto banal, pelo contrário, provoca o espectador a refletir sobre o que é o medo. Como um dos percussores deste subgênero do terror, praticamente todos os clichês batem cartão. Temos o assassino mascarado e que parece imortal, seus métodos “caseiros” de matar, as jovens vítimas, a libertinagem fazendo alusão ao prenúncio da morte e uma penca de sustos falsos, enfim tudo aquilo que você já viu em Lenda Urbana, A Casa de Cera e companhia bela. Todavia, os mais recentes filmes do tipo pecam por não saberem estimular o medo. O roer das unhas é imposto com cortes de cenas acelerados acompanhados de efeitos sonoros estridentes, assim o espectador é sempre avisado quando uma morte acontecerá e não raramente os gritos se transformam em gargalhadas ou frustrações. O diretor John Carpenter não é conhecido como mestre do terror por acaso. Em 1978, em um de seus primeiros trabalhos, mesmo com orçamento restrito soube usar a criatividade e compreendeu como poucos o que é o medo, um sentimento subjetivo e pessoal, ou seja, cada um pode compreendê-lo de uma maneira diferente. Por exemplo, a escuridão pode ser perturbadora para alguns que tem estômago forte para ver cenas de mutilações e vice-versa. Para contar a história do lendário assassino Michael Myers (Tony Moran), rapaz que na infância assassinou sua própria irmã e passou quinze anos em um hospício, Carpenter espertamente utilizou cenários, iluminação baixa e ângulos de câmera como seus fiéis escudeiros, elementos que por vezes se confundem com o vilão.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

MONTADO NA BALA

NOTA 5,5

Baseado em conto de Stephen
King, longa tem argumento
interessante, mas seu desenvolvimento
confuso deixa a desejar quanto a tensão
O negativismo atrai coisas ruins e é isso que aprenderá o protagonista de Montado na Bala em uma única e bizarra noite que lhe obrigará a dar mais valor à vida. Baseada no conto “Riding the Bullet” do cultuado escritor norte-americano Stephen King, a narrativa é entrecortada por devaneios de Alan Parker (Jonathan Jackson), um estudante de artes que por vezes desenha figuras sinistras, algo que lembra o espectro da Morte como popularmente conhecemos. A fixação pela temática é tanta que ele chega até mesmo a sonhar com seu próprio funeral, mas as coisas pioram quando é abandonado pela namorada Jessica (Erika Christensen) bem no dia de seu aniversário. Estamos em 1969 e às vésperas do sugestivo Dia das Bruxas, data na qual muitos acreditam que as portas do além se abrem e permitem a comunicação entre vivos e mortos. Como a maior parte dos artistas, Parker se sente diferente dos outros, um excluído que encontra conforto apenas com sua garota, mas agora que tinha perdido seu porto seguro qual sentido teria sua vida? Deprimido, o rapaz tenta se matar cortando os pulsos com uma lâmina de barbear e para sua surpresa tem uma visão do além que acredita ser a própria Morte que veio lhe buscar. Todavia, tudo não passava de uma brincadeira de seus amigos, inclusive o rompimento com Jessica, mas na hora do susto Parker realmente acaba se ferindo e indo parar no hospital. A introdução é digna de filme de quinta categoria, mas o restante do longa melhora razoavelmente. Recuperado como em um passe de mágica, Parker se anima ao ganhar de sua amada ingressos para um esperado show de rock em Toronto, no Canadá, e como ela não poderia acompanhá-lo deu passe livre para ele convidar dois amigos. Boazinha ela não? Contudo, a viagem mela quando ele recebe um telefonema avisando que sua mãe Jean (Barbara Hershey) acabara de sofrer um derrame, o que o obriga a mudar os planos e seguir para a cidade de Lewiston. O início da viagem o faz relembrar a infância, os momentos tristes que sua mãe viveu e a perda precoce de seu pai, porém, sua noite será repleta de tensão e momentos estranhos.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

TÁ RINDO DO QUÊ?

NOTA 3,0

União de dois astros da comédia
com diretor e roteirista também
midas do gênero resulta em um
estranho produto sem público certo
Adam Sandler é o cara! Para muitos jovens e defensores dos filmes-pipoca ele é um ídolo e por mais que a maioria de seus trabalhos seja achincalhada e contemplados com prêmios de piores do ano nada parece abalar sua imagem de vitorioso. Seth Rogen não é tão popular como ele, mas também já tem sua turminha de fãs mesmo parecendo estar sempre repetindo personagens em comédias sobre rapazes com síndrome de Peter Pan e levemente pervertidos.  Desbocados e com jeitão descolado, era certo que mais cedo ou mais tarde a dupla iria ser chamada para atuar em um mesmo filme e coube ao diretor e roteirista (e principalmente amigo) Judd Apatow permitir este encontro. Responsável pelo divertido O Virgem de 40 Anos e pelo irregular Ligeiramente Grávidos, ambos com Rogen no elenco, esperava-se muito mais de seu terceiro trabalho, Tá Rindo do Quê?, cujo título original é algo como “Gente Engraçada”. É irônico, mas é justamente personagens divertidos que faltam na produção que para não ser apenas mais uma besteira no mercado busca um equivocado flerte com o drama e extrapola no tempo de duração. Embora assim seja possível desenvolver melhor os perfis dos personagens e o universo em que vivem, a sensação é de que pelo menos uns 30 ou 40 minutos poderiam ter sido cortados. As mais de duas horas engambelam o espectador e não raramente o constrangem com piadas de cunho sexual ou escatológico. Perde-se a conta do número de vezes que os mais variados nomes para órgãos genitais são citados. Quem ainda ri de bobagens do tipo? Contudo, a premissa prometia algo acima da média. George Simmons (Sandler) é um quarentão que construiu uma carreira de sucesso fazendo filmes de comédia de gosto duvidoso, mas que lhe garantiram muito dinheiro e assédio das mulheres. Ele ama o que faz e fica muito feliz com a receptividade do público, porém, seu bom humor é repentinamente abalado quando descobre que está com uma leucemia em estágio avançado e que lhe restaria menos de um ano de vida. Apesar do baque em saber que o tratamento tem chances mínimas de funcionar, ele procura no trabalho uma forma de terapia e decide voltar à casa de espetáculos onde se apresentava no início da carreira com shows de humor stand-up.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

O PROCURADO

NOTA 6,0

Para quem leva a sério o papo de
imagem é tudo este longa de ação é
um prato cheio, entretém visualmente
como poucos, mas entedia com trama tola
Há anos os filmes de ação são garantia de lucros, mas com o tempo os velhos clichês das perseguições de mocinhos a bandidos precisaram ganhar certa sofisticação. Além de narrativas mais complexas, os avanços dos efeitos especiais também serviram para manter o gênero entre os mais rentáveis. A combinação é ainda mais bombástica quando é possível se reunir um elenco de astros e a história ser baseada em algum material prévio, como quadrinhos ou livros. A combinação de todos estes elementos acabou resultando no sucesso de O Procurado, ficção que aborda uma sociedade secreta que a mais de um século assassina em prol de um bem maior caçando pessoas que caso continuassem vivas estariam ligadas a acontecimentos que fariam do mundo um lugar pior. O roteiro de Michael Brandt, Derek Haas e Chris Morgan é baseado na HQ “Wanted” criada por Mark Millar e J. G. Jones cujo argumento já foi adaptado para o cinema diversas vezes de forma não-oficial. Quem nunca assistiu a um filme protagonizado por um Zé ninguém que de uma hora para a outra é transformado em herói ou descobre ser peça fundamental de algum esquema secreto? Wesley Gibson (James McAvoy) é um jovem que aos vinte e poucos anos sente-se um fracassado em todos os sentidos. Não gosta de seu trabalho em uma empresa de contabilidade, é constantemente humilhado por sua supervisora Janice (Lorna Scott) e ainda se faz de cego ao fato de seu melhor amigo Barry (Chris Pratt) fugir do trabalho diversas vezes para ir dar uma rapidinha com sua namorada Cathy (Kristen Hager). Contudo, ele não tem forças ou coragem para dar um basta em tudo isso e simplesmente se acostumou com sua rotina pacata e frustrante, porém, tudo muda completamente quando é recrutado para fazer parte de um impiedoso grupo de assassinos e assim ocupar o lugar que era ocupado por seu pai antes de morrer, mas obviamente ele não sabia bulhufas sobre este passado obscuro.  Ele conhece a bela e enigmática Fox (Angelina Jolie) quando ela o salva de ser assassinado por Cross (Thomas Kretschmann), que tudo indica que foi o responsável pela morte de seu pai, Pekwarsky (Terrence Stamp). Todos eles têm ligações com uma fraternidade de assassinos fundada por um grupo de tecelões que cumprem as profecias que visualizam em um tear.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

TURMA DA MÔNICA EM UMA AVENTURA NO TEMPO

NOTA 7,5

Após várias tentativas, Maurício de
Souza finalmente acerta ao levar seus
personagens para o cinema com enredo
que preserva a essência dos quadrinhos
Se fazer filmes convencionais no Brasil já é difícil, imagine então investir em um desenho animado. Com leis de incentivo e apoio de canais pagos, algumas séries animadas estão fazendo sucesso em canais fechados e já chamam atenção no mercado internacional, contudo, a produção de longas-metragens do tipo ainda é um tabu que o público brasileiro precisa vencer. Nem mesmo personagens conhecidos conseguem virar o jogo. A Turma da Mônica é sem dúvidas um dos maiores acertos do ramo editorial nacional de todos os tempos e já passaram por diversas empresas, tendo sua fase áurea quando habitavam a Editora Globo e alguns gibis chegavam a ser lançados quinzenalmente. Entre os anos 80 e 90, várias animações da turminha foram lançadas, mas apenas A Princesa e o Robô do distante ano de 1983 fez sucesso, embora as outras tenham se aproveitado do surgimento das fitas VHS o que lhes garantiu visibilidade nas locadoras. Já nos tempos do DVD, o criador Maurício de Souza resolveu investir novamente nos desenhos animados, mas desta vez mais comedido. Simplesmente selecionou boas histórias entre seus inúmeros gibis, os roteiristas deram uma esticadinha nelas e os curtas-metragens foram reunidos no Cine Gibi cujo sucesso gerou uma franquia sem limites. A repercussão dos dois primeiros filmes da série ajudou a alavancar o projeto cinematográfico de Turma da Mônica em Uma Aventura no Tempo, mistura de animação tradicional com cenários em 3D, uma forma de tentar brigar por espaço com os gigantes Disney, Pixar, Dreamworks e tantos outros estúdios.  A trama escrita por Didi Oliveira, Emerson Bernardo de Abreu e Flávio Souza começa com Cebolinha apresentando mais um de seus planos infalíveis para Cascão, uma emboscada que deixa Mônica furiosa. Tentando fugir de levarem umas boas coelhadas, a dupla acaba invadindo o laboratório de Franjinha que estava trabalhando em uma máquina do tempo, mas o invento só funcionaria quando conseguisse reunir quatro elementos básicos da natureza: ar, água, fogo e terra. Eles já estavam na engenhoca, só faltava descobrir como reuni-los adequadamente para formar um portal que permitisse as idas e voltas no tempo.

domingo, 26 de outubro de 2014

DEU A LOUCA NOS BICHOS

Nota 2,0 Com piadas velhas e humor pastelão, Brendar Fraser leva comédia nas costas

Se autoridades que deveriam zelar pela justiça não fazem sua parte o jeito é buscar soluções com as próprias mãos. Se tal regra popular criou raízes entre os humanos por que não também entre os animais? Esse é o mote da comédia infantil Deu a Louca nos Bichos que pode ser vista como um retrocesso na carreira de Brendan Fraser, alçado a posição de astro com a ação A Múmia e tendo seu talento reconhecido em produções mais sérias como Crash – No Limite. Demonstrando ser espirituoso, aqui ele vive Dan Sanders, um empreiteiro que se muda com a família para uma região campestre com a desculpa de que teriam uma qualidade de vida melhor em meio a natureza, mas na verdade ele só queria ficar próximo de seu novo trabalho: a construção de um grande complexo imobiliário. Mais cedo ou mais tarde o projeto iria acabar com a vegetação e consequentemente desabrigar os animais, embora ironicamente a ideia seria vender casas ecologicamente corretas. Antes que grupos pró-ambientalistas se mobilizassem contra, a própria bicharada se organiza. Ao primeiro sinal de que seriam expulsos do local guaxinins, esquilos, coelhos, pássaros e companhia bela passaram a arquitetar um contra-ataque e o pobre Sanders acaba sendo usado como bode expiatório. E o enredo se concentra nisso. O rapaz sendo sucessivamente achincalhado pelas “ferinhas”. Ele perde suas roupas, cai e escorrega a torto e a direito, perde o controle do carro várias vezes, vai parar dentro de uma latrina e até chega a ocupar o divã de um psicólogo, embora no fundo tenha certeza de que está sendo perseguido pelos bichanos. A trama é tão inocente que até as criancinhas devem prever tudo o que vai acontecer, menos o protagonista bobalhão. Não há uma única piada original, ainda que mereça destaque o fato de que os animais fofinhos neste caso não falam, apenas emitem seus característicos sons o que injeta uma bem-vinda dose de realismo ao circo anunciado, mas não a ponto de evitar que o diretor Roger Kumble caia em clichês como colocar a bicharada para dançar famosos hits ou enternecerem com carinha de inocentes quando na verdade estão planejando algum golpe.

sábado, 25 de outubro de 2014

ALTITUDE

Nota 3,5 Apesar da boa ambientação e argumento, longa falha no clímax optando pela fantasia

Medo do escuro, de elevadores e até de dirigir. O cinema já explorou todos eles e é claro que a fobia de viajar de avião também não deixaria de ser usada como inspiração. De produções bem elaboradas, como Plano de Voo, a produções trash, como Serpentes a Bordo, muitos personagens já sofreram um bocado nas alturas e não é diferente com a turma de adolescentes que embarca no pesadelo de Altitude, razoável suspense que usa de forma eficiente o cenário claustrofóbico de um pequeno jatinho planando em uma noite fria e de tempestade. Bruce (Landon Liboiron), Sal (Jake Weary), Cory (Ryan Donowho) e Mel (Julianna Guill) estão entusiasmados com a viagem que farão para irem assistir um show e Sara (Jessica Lowndes) tenta manter o mesmo espírito, mas no fundo está apreensiva. Traumatizada desde a infância com a morte da mãe que era piloto e sofreu um misterioso desastre aéreo junto a uma família de passageiros, recentemente ela concluiu seu curso de pilotagem (mais tarde entenderemos o porquê de escolher essa carreira) e seria a primeira vez que conduziria uma aeronave como profissional.  O voo começa tranquilamente, apesar de umas brincadeiras sem graça entre os tripulantes, mas não tarda para que as coisas desandem. Em meio a nuvens carregadas para uma tempestade, controles inesperadamente param de funcionar, a aeronave começa a subir mais que o inesperado, os sistemas de aquecimento interno e externo falham e parecem não resistir a gélida temperatura e ao mesmo tempo o combustível está acabando. Como desgraça pouca é bobagem ainda existe a ameaça de algum tipo de força obscura manifestada na forma de uma criatura com enormes tentáculos rondando o avião. O clima de pânico toma conta de todos trazendo à tona segredos e revelando o verdadeiro caráter de alguns.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O ORFANATO

NOTA 8,5

Suspense espanhol surpreende

com narrativa que busca fugir
do lugar comum evitando sustos
fáceis e apostando no horror psicológico
O mínimo que se espera de uma fita de suspense com pegada sobrenatural é levar alguns bons sustos e houve um tempo em que Hollywood era referência no assunto, porém, com o passar do tempo, se perdendo em meio a inúmeros clichês ou incapacidade de inovar, a Meca do cinema viu uma luz no fim do túnel para o gênero recorrendo a refilmagens de longas de horror orientais como O Chamado e O Grito. Não demorou muito e a turminha de olhinhos puxados reivindicou seu espaço no mercado internacional e o resultado foi a saturação da fórmula das almas penadas que buscam vingança ou clamam por justiça. Chegou então a vez do cinema latino literalmente assustar a concorrência, ainda que de forma tímida se compararmos com a febre que foi a época dos poltergeists asiáticos. O longa espanhol O Orfanato até foi apontado por alguns críticos como um marco, uma produção capaz de apontar novas diretrizes para os gêneros de terror e suspense. O tempo passou e provou que o entusiasmo era apenas fogo de palha, embora a qualidade da produção ainda coloque a obra em posição de destaque. O roteiro de Sergio G. Sánchez nos apresenta à Laura (Belén Rueda), uma mulher que retorna com sua família ao orfanato onde passou parte de sua infância com a intenção de transformar o casarão em um abrigo para crianças com necessidades especiais. Como jamais retornou para rever seus colegas, sua volta ao local soa como uma espécie de dívida de gratidão. A mudança acaba despertando a imaginação de Simón (Roger Príncep), o pequeno filho adotivo de Laura, que começa a falar sobre amigos imaginários, mais precisamente seis crianças cujos nomes remetem a alguns dos antigos internos, o que deixa a proprietária do casarão inquieta.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

OBSESSÃO (2005)

NOTA 6,0

Drama sintetiza os problemas de
uma mãe possessiva, mas tema é
muito amplo e complexo para pouco
tempo de filme e pretensões do diretor

A palavra obsessão e seus derivados já são tão comumente usados para intitular filmes no Brasil que ela por si só já não causa mais impacto. Geralmente ela é associada a um subgênero do suspense, aquelas historinhas meia-boca sobre relacionamentos rápidos tipo chefe e secretária, mas que para ela é uma paixão para todo o sempre e assim passa a infernizar a vida do amante. Tal conotação talvez tenha ajudado a fazer sumir no horizonte um filme que já não tinha lá grandes chances de conquistar público no Brasil, porém, uma obra com boas intenções e conteúdo. Obsessão é um modesto drama que aborda uma interessante temática sobre psicologia e que marca a estreia na direção de cinema do ator Kevin Bacon (antes, em 1996, ele havia dirigido um telefilme). Com roteiro de Hannah Shakespeare, baseado no livro “Loverboy” de Victoria Redel, a trama gira em torno de Emily Stoll (Kyra Sedgwick), uma mulher bem sucedida profissionalmente, mas cuja vida pessoal é um tanto vazia. No entanto, ela nunca sonhou em ter um lar tradicional e que dividisse com um marido. Seu único desejo era ter um filho, alguém que a amaria incondicionalmente, e após algumas tentativas frustradas de inseminações artificiais ela tomou coragem e foi tentar realizar seu sonho por caminhos naturais. Após tomar conhecimento em um livro sobre a teoria que uma mulher que conseguisse sair com muitos homens em seu período fértil (entenda levar pra cama) teria grandes chances de gerar uma criança com mais qualidades que as demais, ela literalmente passa a caçar amantes casuais para conseguir apenas alguns minutos de relação, obviamente tentando reparar nesses homens as características que lhe chamavam a atenção e que desejava que seu filho tivesse. Ela consegue engravidar acreditando que absorveu o melhor de cada parceiro para seu bebê, mas na décima semana de gravidez ela sofre um aborto espontâneo. Abalada, eis que ela conhece um homem por acaso e no impulso passa a noite com ele e é justamente dessa recaída que finalmente ela conseguirá ter o seu tão sonhado filho. O homem só revela seu nome ao se despedir, Paul (Campbell Scott), não por acaso o mesmo nome que Emily batiza seu filho. 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

SINÉDOQUE, NOVA YORK

NOTA 3,0

Não se pode dizer amém a um
filme só por causa de um nome de
peso por trás, afinal não bastam ideias
brilhantes, é preciso saber executá-las 
Você já ouviu falar em Quero Ser John Malkovich, Adaptação ou Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças? Nenhuma das alternativas anteriores? Bem, se você tiver curiosidade e for atrás de informações sobre esses títulos irá descobrir que eles foram muito badalados em premiações em suas respectivas épocas, inclusive no Oscar, e que possuem em comum o fato de serem dotados de narrativas originais provenientes de uma mesma cabeça pensante: Charlie Kaufman. Rapidamente ele se tornou um dos roteiristas mais elogiados dos últimos tempos e certamente por seu histórico teria potencial para seu nome ser elevado a potência de grife cinematográfica tal qual Woody Allen ou Pedro Almodóvar. Faltava se arriscar atrás das câmeras para chegar a tal ponto e foi justamente em sua estreia como diretor que ele derrapou. Sinédoque, Nova York é uma produção que até as plateias mais intelectuais devem ter dificuldades para se envolver, simplesmente uma chatice do início ao fim, porém, que hoje pode se tornar um produto de cinéfilos fetichistas não só por fazer parte da coleção Kaufman, mas também por ter como protagonista Phillip Seymour Hoffman que mesmo com uma passagem relativamente curta no universo cinematográfico acabou se tornando um ícone das produções alternativas e angariando uma legião de fãs. Ele dá vida à Caden Cortard, um diretor de teatro que está envolto aos preparativos de uma nova peça ao mesmo tempo em que está enfrentando problemas pessoais. Sua esposa, a artista plástica Alede Lack (Catherine Keener), resolveu deixá-lo e ir viver em Berlim levando consigo a única filha do casal, a pequena Olive (Sadie Goldstein). Madeleine Gravis (Hope Davis), sua terapeuta, aparenta estar mais interessada em divulgar o livro que acabara de escrever do que em ajudá-lo, mas Caden tem consciência de que está mal de saúde e sua vida totalmente sem rumo, mas descobre uma maneira de fazer uma autoterapia. Aproveitando-se de uma boa soma de dinheiro e carta branca que recebe de um investidor para realizar uma peça da maneira que bem entendesse, ele reúne um grupo de atores em um armazém em Nova York para ensaiarem um texto onde poderia dar vazão à sua criatividade e paralelamente contar uma história com eventos e sentimentos que fizessem alusão à sua própria vida. Lançando mão do recurso da metáfora, se a vida do protagonista é insossa, sua peça idem e o filme por tabela também não estabelece vínculos com o espectador, embora conte com todos os ingredientes de um típico filme alternativo, aquele formato que muita gente enche a boca para falar que adora, mas na verdade gasta seu dinheiro com superproduções em 3D ou de super-heróis.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

SURPRESA EM DOBRO

NOTA 3,0

Apoiando-se no carisma e fama
de seus protagonistas, comédia é uma
entediante reciclagem de piadas sem
graça que não fazem jus à marca Disney
John Travolta e Robin Williams no passado já foram sinônimos de grandes bilheterias, mas há tempos vivem maus momentos tentando se reciclar ou apostando em produções com fórmulas testadas e aprovadas. Até a velhinha simpática de Uma Babá Quase Perfeita estava prestes a voltar à ativa tardiamente pouco antes do falecimento de seu intérprete, sinal de como as coisas andavam ruins. Em 2009 a Disney, que também há certo tempo almejava um grande sucesso na linha do entretenimento familiar, mas sem recorrer à animação ou histórias de princesas, resolveu juntar os atros na comédia Surpresa em Dobro, porém, os problemas deste trabalho começam pela titulagem. O original é algo como “Cachorros Velhos” e no Brasil quem bateu o martelo final não deve ter visto o longa, afinal não há surpresa alguma, pelo contrário, o roteiro de David Diamond e David Weissman é uma colcha de retalhos com praticamente todas as piadas que já bateram cartão no gênero. Temos o cumprimento oriental que não raramente acaba com batidas de cabeças, remédios que causam efeitos colaterais que constrangem as pessoas, o cinquentão que quer se fazer de mocinho e se dá mal com tatuagens e bronzeamento artificial, as clássicas piadas envolvendo comidas e cuspidas, as competições que sempre acabam mal para quem fica de bobeira e por aí vai. Tirando as flatulências e até alguns momentos de insinuação que os protagonistas formariam um casal gay, parece que todo o arquivo de piadas já usadas pela Disney foi reaproveitado, incluindo a dupla de opostos que se atraem. Charlie (Travolta) é um cara metido a conquistador, brincalhão e que gosta de levar a vida sem estresse, mas mesmo assim é o melhor amigo há mais de trinta anos de Dan (Williams), bem mais responsável e sério. Os dois são sócios em uma agência publicitária e estão prestes a fechar um acordo milionário com uma empresa japonesa, o que poderia colocar seus nomes entre os maiores nomes do marketing esportivo. Justamente neste momento de tanta importância para suas vidas profissionais surge um imprevisto particular. De uma hora para a outra Dan descobre que é pai de um casal de gêmeos, Zach (Conner Rayburn) e Emily (Ella Bleu Travolta), frutos de um rápido e literalmente embriagante flerte realizado na esperança de superar um divórcio. 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

15 MINUTOS

NOTA 7,0

Longa aborda como a mídia
transforma tragédias em espetáculos
e bandidos em astros, mas em prol do
lado comercial não aprofunda temas
A imprensa a favor do espetáculo e o criminoso se transformando em artista. Esses temas são recorrentes na atualidade e já se tornaram familiares a nós brasileiros, mas o cinema prova que esse espetáculo do pão e circo não é uma exclusividade nossa, pelo contrário, há anos ele faz parte da cultura de diversos países, inclusive os EUA que produzem dezenas de programas e seriados enfocando violência e estudo de perfis de meliantes e assassinos para entreter seu público que assiste a tudo assiduamente, mas sem fazer grandes questionamentos. Por outro lado, a exploração da imagem de um bandido a ponto dele ser elevado a posição de celebridade ou ainda a maneira como os jornalistas assediam os envolvidos a favor da lei e da ordem, como os policiais e investigadores, causam repúdio em muita gente e isso deve ter levado o diretor e roteirista John Herzfeld a escolher o assunto para enfocar no thriller de ação 15 Minutos. Cheio de boas intenções, ele conseguiu construir um longa que prende a atenção com um roteiro repleto de inquietantes ideias, mas que não se aprofunda na discussão do tema principal, contudo, nada que atrapalhe o espetáculo, afinal o longa foi projetado para atender as grandes plateias e tem caráter estritamente comercial. Mesmo costurando vários clichês, o diretor conseguiu um bom resultado realizando cenas com altas doses de ação e violência, além de uma morte inesperada na metade do filme, uma ousadia que beneficia um roteiro que tinha tudo para ser mais do mesmo. A história começa com dois corpos encontrados em um edifício incendiado em Nova York e segundo Jordy Warsaw (Ed Burns), o jovem investigador do Corpo de Bombeiros, o fogo foi estratégico para camuflar um duplo assassinato. Destacado para o caso, Eddie Flemming (Robert De Niro), detetive especializado em homicídios, une-se ao jovem policial para juntos solucionarem o crime, porém, enquanto o veterano há tempos aprendeu a lidar com a forma interesseira que a mídia trata as tragédias, o novato detesta a presença de câmeras e microfones nas áreas dos crimes. Um tanto convencido, o tira veterano aproveita seu contato próximo com os jornalistas, principalmente com o sensacionalista Robert Hawlings (Kelsey Grammer), para estar sempre em destaque na mídia, mas a fama tem um preço e mais cedo ou mais tarde cobra essa dívida.

domingo, 19 de outubro de 2014

MEU TRABALHO É UM PARTO

Nota 2,0 Boa premissa cai por terra em tentativa frustrada de reverter má fase de Lindsay Lohan

Muita gente recorda com carinho da comédia Operação Cupido, um dos primeiros trabalhos de Lindsy Lohan que começou a atuar ainda criança e por anos trabalhou sob a tutela dos estúdios Disney. Já adolescente, virou ícone da geração MTV, inclusive apresentou a premiação de cinema do canal quando estava no auge com Meninas Malvadas, mas seu declínio de modelo para a juventude para piada e mau exemplo aconteceu em velocidade recorde. Ao ter seu contrato rompido com a casa do Mickey Mouse, sem dúvidas por conta da imagem negativa que a garota vinha nutrindo com consecutivos escândalos envolvendo drogas e embriaguês, sua carreira acompanhou o ritmo da vida pessoal: ladeira abaixo. Um filme pior que o outro como prova a comédia Meu Trabalho é um Parto cujos bastidores foram problemáticos com os diversos problemas que a protagonista ocasionou com atrasos, faltas e brigas. O que aparentemente já ia ser ruim ficou ainda pior e o longa acabou sendo lançado nos EUA como um tapa buraco de algum canal de TV. No Brasil saiu em DVD, mas ficou aquele título a ser escolhido quando não havia absolutamente nada de melhor na locadora. Hoje com tais lojas físicas praticamente extintas nem há mais motivos para produções do tipo serem feitas, acabou a desculpa de já ter visto todos os lançamentos do mês e não tinha outra opção. Com roteiro de Stacy Kramer e Lara Shapiro, então também estreando como diretora, a trama gira em torno de Thea Clayhill (Lohan), uma jovem assistente que trabalha em uma editora de livros e cuida sozinha de sua irmã adolescente Emma (Bridgit Mendler), contudo, a moça não é nada organizada ou responsável. Jerry Steinwald (Chris Parnell), seu chefe, é um tremendo chato de galochas que não só lhe cobra tarefas de escritório como também a obriga a tratar dos caprichos de sua cachorrinha de estimação, mas displicente do jeito que é certo dia ela faz uma burrada daquelas e quase é despedida. Acabou sendo salva por uma mentirinha de última hora: uma gravidez repentina. Sua amiga do escritório Lisa (Cheryl Hines) inicialmente acha uma boa ideia, mas estará sempre a postos para tentar trazer a moça de volta a realidade, pena que todos seus esforços sejam em vão.

sábado, 18 de outubro de 2014

DUAS SEMANAS

Nota 3,0 A tragédia através de um olhar mais brando não causa efeito em produção frágil

O nome Sally Field hoje pode não significar nada para muitos, mas nos anos 80 ela era uma das principais estrelas do cinema norte-americano. Duas vezes ganhadora do Oscar de melhor atriz, é curioso os rumos que sua vida profissional tomou após as premiações. Fez algumas participações como coadjuvante nas telonas, mas foi na TV que acabou se fixando atuando em seriados e telefilmes, aliás, o drama Duas Semanas parece talhado para ser apreciado no aconchego do lar com o controle remoto à mão. Quem torceria pela morte de um personagem que não tem um pingo de maldade na alma? Pois é, nesta produção escrita e dirigida por Steve Stockman o público fica na expectativa de que Anita Bergman (Field) venha a falecer o quanto antes, tudo para apaziguar seu iminente sofrimento que parece se acentuar com o bando de urubus que a cercam, ironicamente seus próprios filhos. Emily (Julianne Nicholson) foi a única dos quatro herdeiros que acompanharam de perto todos os sacrifícios da mãe para sobreviver a um severo câncer, mas não perderá a chance de usar isso contra os irmãos Keith (Ben Chaplin), Barry (Thomas Cavanagh) e Matthew (Glenn Howerton) que somente há poucos dias da provável morte dela decidiram aparecer. Como se estivessem viajando a negócios com data e hora para ir e voltar, friamente eles vieram preparados para passar uns dois ou três dias, somente até o velório, mas a visita da prole faz bem à Anita que acaba ganhando um tempo extra de vida. Contudo, o reencontro dos irmãos forçosamente estendido aos poucos os leva a se desentenderem, mas também a descobrirem sentimentos positivos em meio ao clima tristonho. Bem, a ideia era essa, todavia, a execução ficou bem aquém do esperado. A emoção prevista inicialmente acaba se tornando um verdadeiro martírio para quem assiste e não é pelo excesso de dramaticidade do argumento e sim pela falta de ingredientes para compô-lo. O passado e perfil da mãe vamos descobrindo aos poucos com relatos que a própria gravou em um vídeo caseiro para os filhos terem como lembrança, recurso já utilizado em Minha Vida no qual um paciente terminal grava uma fita para seu bebê que não chegaria a ver nascer para que ele soubesse quem foi seu pai.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

JOGO DE AMOR EM LAS VEGAS

NOTA 7,5

Embora previsível e repleto de
clichês, comédia romântica cativa
com seus protagonistas nada perfeitos,
ritmo ágil e algumas boas piadas
Cameron Diaz e Ashton Kutcher buscam variar os gêneros de filmes em que trabalham, mas parece que a comédia romântica é definitivamente a praia deles, assim é estranho que tenha demorado tanto tempo para o encontro dos astros. Jogo de Amor em Las Vegas foi um surpreendente sucesso nos EUA não apenas por contar com protagonistas carismáticos, mas também foi beneficiado pela época de lançamento. Muitas adaptações de heróis e personagens populares chegaram aos cinemas visando principalmente o público masculino, assim esta opção de humor surgiu como um bálsamo para o público feminino. Em outros países como no Brasil, já em 2008 restringindo o espaço às produções despojadas de firulas visuais, o longa foi apenas mais uma produção água-com-açúcar a aportar nos cinemas. Bem, realmente a primeira vista pode ser resumido como um passatempo bacana cujo final obviamente já conhecemos de antemão, mas o que importa é o recheio muito bem preparado pela roteirista Dana Fox, o que eleva o nível da obra. Há muito tempo não surgia um produto do gênero que realmente provocasse boas gargalhadas e ainda sem perder o romantismo. O grande trunfo é apostar em protagonistas sem escrúpulos, mas ainda assim cativantes. Las Vegas é conhecida como a Cidade do Pecado, local onde há inúmeros cassinos, bares e boates estrategicamente projetados para fazer os frequentadores perderem a noção do tempo e gastarem muita grana, o que não raramente causa algumas dores de cabeça quando estão em sã consciência, daí o popular ditado “o que acontece em Vegas fica em Vegas”. É como uma lembrança proibida, porém, o que poderia gerar má fama acaba virando atrativo para turistas em busca de diversão sem limites, como é o caso de Jack Fuller (Kutcher) e Joy McNally (Diaz) que estavam a fim de afogar suas mágoas. Ele é o típico jovem desencanado que procura levar a vida de maneira mansa e acabou de perder o emprego (mesmo trabalhando com o pai) enquanto ela é uma responsável corretora da bolsa de valores que foi abandonada pelo noivo repentinamente. Ambos moram em Nova York e jamais se cruzaram, mas quis o destino que eles fossem se encontrar no antro do pecado.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

100 ESCOVADAS ANTES DE DORMIR

NOTA 3,0

Baseado no livro de jovem
italiana que conta suas experiências
sexuais, filme é apimentado para
adolescentes, mas insosso aos adultos
Muito se fala sobre as apavorantes traduções ou troca de títulos feitas no Brasil, muitas vezes parecendo que os responsáveis sequer chegaram a assistir o filme para compreenderem o tema. Sendo assim, merece aplausos a escolha do nome 100 Escovadas Antes de Dormir para narrar o drama de uma adolescente descobrindo a sexualidade. A opção soa enigmática e ao mesmo tempo poética, mas é uma pena que o conteúdo da obra não faça jus a nenhum destes vieses. Deixando hipocrisias de lado, parece que o mercado literário viveu um período inclinado a explorar tramas com temáticas sexuais, mais especificamente publicar diários nos quais adolescentes precoces contam suas aventuras libidinosas, e o sucesso de tais publicações obviamente chamou a atenção da indústria cinematográfica. Enquanto no Brasil a ex-garota de programa Bruna Surfistinha colhia os frutos das vendas de seu livro e sua adaptação para as telonas dava os primeiros sinais, na Itália outra ninfeta já estava à sua frente. Melissa (María Valverde) era uma adolescente virgem que logo no início do filme aparece se masturbando delicadamente, porém, seu momento de prazer é interrompido por sua mãe que chega a seu quarto de supetão para lhe acordar, mas ela consegue disfarçar o que estava fazendo, já devia estar acostumada.  Seu pai é ausente devido ao trabalho e sua mãe Daria (Fabrizia Sacchi) é uma dona de casa que finge não perceber que a filha cresceu. A única que parece se importar com ela é Elvira (Geraldine Chaplin), sua avó que lhe ouve e aconselha, mas não demora muito para a idosa ser internada em um asilo e assim a garota perde seu chão. Antes desse baque ela já demonstrava uma paixão avassaladora por Daniele (Primo Reggiani), um dos garotos de sua escola mais atraente, rico e... Inescrupuloso! Certo dia durante uma festa na casa dele, o rapaz consegue levá-la para um canto isolado e a convence a praticar sexo oral nele que a usa descaradamente como um objeto aproveitando-se de sua ingenuidade e paixão platônica, mas para ela o momento é sublime e lhe rende a esperança de que ele pode vir a amá-la, havendo a promessa de um beijo na boca em uma próxima vez. Depois disso ficou na expectativa de um sinal qualquer de interesse da parte dele, chegando a ter orgasmos durante as aulas pensando no garoto.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

NORBIT

NOTA 2,0

Com piadas apelativas e de
mau gosto, comédia tenta reciclar
velha piada com Eddie Murphy
vivendo diversos personagens
É curioso ver o que aconteceu com alguns astros do cinema que brilharam entre os anos 80 e 90. Muitos amargam o ostracismo enquanto outros ainda tentam fazer algum dinheiro com o resto de dignidade que inspira seus nomes como Meg Ryan que vez ou outra ainda dá as caras, mas nem de longe repete o frisson que causava no passado. Eddie Murphy é outro que deixou há muito tempo de ser sinônimo de lucros. Com sucessos como Um Príncipe em Nova York e Um Tira da Pesada em seu currículo, o ator por muito tempo foi contratado a peso de ouro e com exclusividade para um poderoso estúdio, mas os primeiros anos do século 21 não lhe foram generosos. Ele já vinha amargando fracassos consecutivos, mas ter como principal trabalho nos últimos anos a dublagem do Burro da franquia Shrek não deve ser visto necessariamente como um elogio. Todavia, em 2006 surgiu uma luz no fim do túnel quando resolveu investir em um papel sério no musical Dreamgirls – Em Busca da Fama que o levou no ano seguinte a ser indicado aos principais prêmios da temporada como melhor coadjuvante. Pena que ao invés de aproveitar a boa fase ele preferiu regredir uns bons passos para trás e recorrer a uma fórmula batida para ganhar dinheiro fácil, contudo, Norbit revela-se mais uma grande mancha na trajetória do astro. Apostando as fichas no trabalho de maquiagem e caracterização para colocar Murphy na pele de vários personagens, é óbvio que o filme procurava alcançar a mesma repercussão de O Professor Aloprado, mas o problema é que a continuação deste sucesso já havia provado que essa “novidade” estava obsoleta, embora Martin Lawrence tenha conseguido injetar um gás no recurso ao protagonizar Vovó... Zona. Na verdade, dos males esse é o de menos. O que pega mesmo é que o diretor Brian Robbins, de Soltando os Cachorros, peca pelo humor grosseiro que por vezes constrange o espectador. Murphy dá vida ao personagem-título, um rapaz franzino e boboca que foi abandonado pelos pais e acabou sendo criado no orfanato do Sr. Wong, também interpretado pelo ator. Foi ainda na infância que ele conheceu sua alma gêmea, Kate (Thandie Newton), com quem chegou a casar simbolicamente, mas não demorou muito e a garota foi adotada.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

TE AMAREI PARA SEMPRE

NOTA 3,0

Apostando em narrativa diferenciada,
romance acaba sendo confuso com suas
idas e vindas no tempo e dificilmente

cativa com seu ritmo arrastado
Já faz muitos anos que os filmes românticos seguem um mesmo estilo e na maioria das vezes o casal principal pode sofrer horrores, mas o final feliz estará garantido. Na busca de surpreender o público feminino e também cativar a plateia masculina, algumas produções ousam a tecer finais tristes, porém, condizentes com a realidade. Em uma nova onda para renovar o gênero, tornou-se comum agregar características de outros estilos às histórias água-com-açúcar, mas não raramente os resultados são desastrosos. O que você acharia, por exemplo, da mistura de um conto de amor com um elemento típico de ficções científicas? Não se trata de aeronaves ou robôs, mas sim das sugestivas viagens no tempo. É esse o grande diferencial de Te Amarei Para Sempre, mas não o bastante para elevar a produção a algo a mais que um simples passatempo. Baseado no livro de estreia da norte-americana Audrey Niffenegger, “The Time Traveler’s Wife”, título que faz alusão à esposa do viajante do tempo, o roteiro de Bruce Joel Rubin aborda uma velha obsessão da humanidade: corrigir o passado e prever o futuro. A trama tem como protagonista Henry DeTamble (Eric Bana) que aos seis anos de idade descobriu que possui uma estranha capacidade de viajar no tempo. Isso acontece por causa de uma modificação genética rara, mas o que é um sonho para alguns, para este rapaz é um imenso fardo que lhe traz grandes transtornos e constrangimentos devido as dificuldades em se adaptar às constantes mudanças de época que lhe pegam de surpresa, afinal não tem controle nenhum sobre esta anomalia. Em uma dessas viagens ele conhece Clare Abshire (Rachel McAdams), uma artista plástica por quem se apaixona perdidamente. Eles se conheceram quando ela ainda era criança, tornaram-se amigos, confidentes e por fim começaram a namorar. O problema é que o tempo parece estar sempre contra o casal e futuro de Clare é o passado de Heny, este que sempre sabe de antemão o que está por vir. Isso incomoda muito sua companheira, assim como a dúvida de nunca saber por quanto tempo poderá estar junto dele e quando reaparecerá, afinal independente do que acontece com ele a vida da garota segue seu curso normal. Mesmo assim, o sentimento entre eles é tão forte que os dois compactuam em enfrentar os obstáculos para ficarem juntos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

CURVAS DA VIDA

NOTA 6,0

O universo do beisebol mais uma
vez serve como pando de fundo para
história de propósitos edificantes, mas
longa nada faz que alinhavar clichês
O talento de Clint Eastwood é comprovadíssimo tanto na frente quanto atrás das câmeras, assim é de se estranhar que ele tenha aceitado atuar em uma produção tão comum e esquecível como o drama Curvas da Vida, ainda mais sabendo que esta seria sua primeira produção em quase vinte anos em que seria dirigido por outra pessoa que não ele próprio. Para tudo há uma explicação. O longa marca a estreia como diretor de Robert Lorenz, ex-assistente e também parceiro na produtora do premiado cineasta que aproveitou suas boas relações com a Warner Bros (que detém boa parte de sua filmografia) para dar uma ajuda ao amigo. Na trama escrita por Randy Brown, o veterano dá vida à Gus Lobel, um conceituado olheiro de beisebol que atualmente trabalha para o clube Atlanta Braves, mas está com a carreira ameaçada devido a sua visão comprometida, seu principal instrumento de trabalho. Além disso, ele também já está com muita idade para a função e facilmente está sendo ultrapassado por novas tecnologias capazes de emitir com rapidez e precisão as estatísticas dos jogos e apontar os melhores jogadores, ainda que também sofra a concorrência da juventude encarnada por Phillip Sanderson (Matthew Lillard). Criada em meio a esse universo predominantemente masculino, sua filha, a advogada Mickey (Amy Adams), está prestes a se tornar sócia da empresa em que trabalha, mas arruma um tempinho e aceita a proposta do chefe e velho amigo do seu pai, Peter klein (John Goodman), para acompanhar Gus até a Carolina do Norte e ajudá-lo na seleção de uma nova estrela do beisebol. É assim que eles conhecem o espirituoso Johnny Flanagan (Justin Timberlake), um ex-praticante do esporte que agora está focado em seguir os passos de Gus. Em meio aos novos talentos e bugigangas tecnológicas, o famoso olheiro vai fazer de tudo para manter sua fama e provar que ainda tem muito a oferecer contratando o melhor rebatedor da liga universitária, no caso já está de olho em Bo Gentry (Joe Massingill), porém, os dias que passará com sua filha terão muito mais a oferecer para ambos.

domingo, 12 de outubro de 2014

5 CRIATURAS E A COISA

Nota 7,0 Com clima nostálgico, mescla de aventura e comédia é bom entretenimento familiar

O início do século 21 ficou marcado no cinema pelo resgate dos filmes de fantasia, um estilo bastante característico dos anos 80, época em que os efeitos especiais começavam a serem desenvolvidos com mais afinco. Faz todo sentido, portanto, que as criações de mundos mágicos tenham voltado ao foco em um período de aperfeiçoamento de técnicas para proporcionar imagens virtuais o mais próximo possível da realidade. Com tantos projetos do tipo bem sucedidos, muitos estúdios começaram a buscar ideias semelhantes para fisgar adultos e crianças, mas a maioria não tinha potencial para brigar por audiência. Por outro lado, cabiam mais comodamente no orçamento das produtoras. Na contramão de superproduções passadas em Nárnia ou vividas por Harry Potter, surgiu modestamente 5 Criaturas e a Coisa, aventura com toques de humor inspirada na obra infanto-juvenil da escritora Edith Nesbit, que por sua vez serviu de inspiração para J. K. Rowling redigir as histórias do citado bruxinho. O roteiro de David Solomons começa situando o espectador sobre o período em que a trama se passa e que ajudará a ditar os seus rumos. Estamos em 1917, época da Primeira Guerra Mundial, e com a Inglaterra envolvida no conflito muitas crianças foram retiradas do país como é o caso dor irmãos Robert (Freddie Highmore), Cyril (Jonathan Bailey), Anthea (Jessica Claridge), Jane (Poppy Rogers) e Lamb (papel dividido pelos gêmeos Alec e Zac Muggleton). Como seus pais (Tara Fitzgerald e Alex Jennings) foram convocados pelo governo, o pai para pilotar aviões e a mãe para cuidar de feridos, as crianças iriam passar uma temporada na mansão do tio Albert (Kenneth Branagh), um sujeito um tanto distraído, e seu filho Horace (Alexander Pownall), um garoto antipático e sisudo. Robert tentou ver as coisas pelo lado positivo, afinal viver sem os pais poderia ser uma grande aventura na qual ele e seus irmãos poderiam fazer o que quisessem, mas a realidade não é tão feliz. Na nova casa eles terão uma rígida rotina a ser seguida e muitos afazeres domésticos, tudo obviamente fiscalizado pelo primo que logo de cara mostra-se arrogante.

sábado, 11 de outubro de 2014

O PASTOR

Nota 5,0 Longa sobre redenção é repleto de clichês e talhado para agradar religiosos

Filmes com temáticas religiosas sempre existiram. Seja para evocar historias de arrepiar ou para passar mensagens baseadas em lições bíblicas, produções do tipo costumam ter público cativo, mas pensando em angariar mais adeptos nos últimos anos tem sido comum convidar nomes famosos para atuarem em obras assim. Ving Rhames não é extamente um astro, mas construiu um nome respeitável nos gêneros de ação e suspense e em O Pastor surge em um papel atípico até então em sua carreira. Ele dá vida à Armstrong Cane, um ex-condenado que retorna ao bairro em que morava totalmente mudado e disposto a assumir a velha igreja e congregação que pertenceu ao seu pai que faleceu durante o período em que o filho esteve preso. O mesmo aconteceu com sua mãe e sentindo-se um pouco responsável pelo desgosto que causou quer agora seguir um caminho correto e ensinar o mesmo a seus fiéis. O problema é que a vizinhança mudou muito e está refém do tráfico de drogas e da violência comandadas por gangues que defendem seus territórios sem pensar nas consequências dos seus atos. As pessoas que têm possibilidades acabaram se mudando para áreas mais prósperas e passaram a frequentar a igreja do reverendo Danny Christopher (Ricardo Chavira), antigo conhecido de Cane, mas que agora parece estar bem de vida e não se preocupa em pregar a palavra de Deus corretamente e sim transformar a religião em uma fábrica de dinheiro e fama. Além de um carro de luxo e ostentar que tem mais três mil fiéis em sua congregação, Christopher está disposto a comprar o terreno da igreja do amigo, mas este nem pensa no assunto mesmo com as dificuldades que sabe que terá para resgatar a fé de seus vizinhos. Logo no primeiro dia de seu regresso ele salva o adolescente Norris Johns (Dwain Murphy) de uma briga de rua. O rapaz estava vendendo drogas bem na frente da igreja e logo o pastor chega ao nome de Blaze (Dean McDermott), o chefão do crime no pedaço e que obviamente não vai gostar nada de saber que agora há uma autoridade religiosa para reverter seus males.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A LOJA MÁGICA DE BRINQUEDOS

NOTA 6,0

Com clima nostálgico, longa de
fantasia tem em seu visual seus
principais atrativos, sendo que a trama
e interpretações deixam a desejar
Um filme voltado ao público infantil, hiper colorido e cujo tema principal tem ligações com a morte, isso é possível? A proposta requer bastante traquejo de seus realizadores, mas revelou-se uma ousadia e tanto por parte do diretor Zach Helm na realização de A Loja Mágica de Brinquedos, ainda mais por este ser seu trabalho de estreia na função. O longa é uma fábula que se desenrola em um ambiente lúdico. O tal estabelecimento do título é um lugar onde literalmente a fantasia é preservada pelo cativante proprietário, o Sr. Magorium (Dustin Hoffman), um homem que diz ter mais de duzentos anos de idade, dotado de poderes mágicos e que tem muitas histórias fantásticas para contar. Há anos ele vende brinquedos inusitados e criativos e faz questão que os visitantes de seu comércio se sintam totalmente a vontade como se estivessem em suas casas, mas na verdade é mais certo que se sintam em um parque de diversões. Todavia, ele pressente que está chegando a hora de partir deste mundo, só que para não permitir que a magia se vá também ele planeja deixar seu comércio como herança para Molly Mahoney (Natalie Portman), a jovem e dedicada gerente que há anos o ajuda. O problema é que obviamente a moça não quer que seu patrão vá embora e tampouco se sente preparada para assumir o negócio, afinal acredita que o ambiente mágico depende exclusivamente de um dom especial de seu patrão. Para complicar as coisas, o contador Henry Weston (Jason Bateman) é contratado para organizar as finanças da loja, mas parece não dar a mínima atenção para a magia que predomina no local. Sua alienação lhe rende o apelido de Mutante e a brincadeira pega entre os clientes como o solitário Eric (Zach Mills), um garotinho esperto e que adora colecionar chapéus. Assim como no clássico conto de Peter Pan é implorado para que as crianças repitam fervorosamente que acreditam em fadas para salvar Sininho e a Terra do Nunca, a grande questão do enredo é preservar a inocência e o lúdico para as crianças através da manutenção da crença na magia que cerca o empório, uma proposta bem-vinda para tempos em que os pequenos não constroem mais seus mundos imaginários para brincar, simplesmente interagem com universos virtuais que vendem uma falsa impressão de interatividade.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

AS IDADES DO AMOR

NOTA 3,0

Comédia romântica italiana oferece
três histórias que pouco refletem
a essência do título nacional, além de
usar Robert De Niro como chamariz
Dizem que o amor não tem idade, mas é fato que ele jamais se manifesta da mesma forma em todas as faixas etárias. A juventude é marcada por tropeços, a meia-idade tem a obsessão de encontrar o equilíbrio entre a loucura e a razão de amar e a maturidade carrega toda uma bagagem emocional transformada em serenidade para iniciar ou dar continuidade a uma grande história de amor. Explorar essas fases seria basicamente o intuito da comédia romântica italiana As Idades do Amor e poderia render um bom filme, mas o diretor Giovanni Veronesi perdeu totalmente a mão nesta segunda sequência de Manual do Amor, lançado discretamente no Brasil em 2006. O original está longe de ser uma obra-prima, mas cumpre o que promete. É uma comédia leve, descompromissada e com uma narrativa estruturada em quatro segmentos que versam sobre o amor desde a inocência de um jovem casal até a melancolia da solidão de um homem maduro. Cada subtrama é trabalhada em um bloco independente e protagonizada por um elenco diferente e a mesma fórmula é repetida aqui, mas nem de longe alcançando o resultado agradável do filme-matriz. Apesar de ostentar no material publicitário o nome de Robert De Niro, é bom frisar que ele é apenas mais um no numeroso elenco e mesmo só aparecendo na terceira e última trama não podemos dizer que ele fecha o longa com chave de ouro. Já estamos tão desanimados a essa altura que pouco importa o que seu personagem tem a dizer, mas vamos ao enredo completo escrito pelo próprio cineasta em parceria com Ugo Chiti e Andrea Agnello. O advogado Roberto (Riccardo Scamarcio) é responsável pelo capítulo que aborda a juventude. Prestes a se casara com Sara (Valeria Solarino), ele é convocado para fazer uma viagem de negócios na inspiradora cidade de Toscana e acaba se apaixonando por Micol (Laura Chiatti), uma bela e sensual cantora que encanta a todos os homens da região. Eles vivem um rápido, porém, ardente caso de amor, mas quando descobre que a moça já é casada e interessada em permanecer assim para manter seus luxos, o rapaz fica com um dilema moral a resolver consigo mesmo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

FOGO SAGRADO

NOTA 6,0

Inicialmente anunciando uma
extravagante comédia com pegada
intelectual, a certa altura o drama
psicológico e o tédio reinam absolutos
Quando um diretor, roteirista ou ator realiza um bom trabalho é comum que chovam novas oportunidades ou os mesmos se sintam desafiados a realizar algo no mínimo no mesmo patamar, mas não pode demorar muito para a fama não esfriar. A diretora Jane Campion é uma exceção. Mais preocupada com qualidade do que quantidade, ela não se deixou deslumbrar pelo sucesso de O Piano que lhe rendeu um Oscar pelo roteiro e a indicação de melhor direção, sendo a segunda mulher na História da premiação a ser lembrada em tal categoria. Com apenas um único filme intermediário, o mal avaliado Retrato de Uma Mulher, esta neozelandesa radicada na Austrália voltou a ter seu nome iluminado por holofotes, ainda que contando com bem menos refletores que outrora, com o lançamento do drama Fogo Sagrado. Além de carregar o peso da assinatura da cineasta, o longa também trazia Kate Winslet ainda colhendo frutos de Titanic, mas aqui com uma interpretação bem diferenciada, uma obsessão que passou a permear a carreira da atriz que sabiamente não quis se tornar um sinônimo de cifrão para Hollywood. Entre uma ou outra produção comercial, ela está sempre engajada em projetos independentes ou que visam conteúdo, assim não é a toa que se tornou uma figurinha carimbada das premiações. Todavia, sua interpretação como Ruth Barron foi praticamente ignorada pela crítica assim como o longa que investe em uma temática psicodramática adornada por misticismo. A protagonista é uma jovem que mora com os pais e os irmãos em um pequeno vilarejo australiano, mas considera que sua vida é incompleta, mais especificamente ela não se sente parte da cultura interiorana. Dessa forma, ela decide viajar para a Índia para realizar um retiro espiritual e expandir seus conhecimentos, porém, acaba aficionada pelos hábitos e crenças locais e se integra à legião de seguidores de um guru religioso conhecido como Chidaatma Baba (Dhritiman Chatterjee). Logo ela está vestindo sáris, o traje típico das mulheres indianas, adota o nome Nazni e passa a sonhar com seu casamento com o tal mentor que já acumula um punhado de companheiras. Gilbert (Tim Robertson) e Mirian (Julie Hamilton), seus pais, mal a reconhecem por fotografias e se preocupam com os relatos de uma amiga que acompanhava a garota na viagem.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

ADEUS, LÊNIN!

NOTA 9,0

Longa é uma eficiente mistura de
ironia, drama e fatos históricos que
comprova que o cinema alternativo e
comercial podem caminhar lado a lado
A queda do muro de Berlim em novembro de 1989 é um marco da História não só da Alemanha, mas também de todo o mundo. Os alemães orientais que viviam sob o regime comunista então se atrelaram aos germânicos da parte ocidental e ao seu capitalismo e consumismo. Contudo, a unificação do país com o tempo deu sinais negativos e uma onda de nostalgia pelo antigo regime político começou a tomar o povo que então estava desanimado com a alta taxa de desempregos e a precária situação econômica. O movimento ficou conhecido como Ostalgie e pregava uma volta ao passado usando como armas a mídia, publicidade e bens de cosumo, e nessa onda também poderíamos citar a comédia dramática Adeus, Lênin!, um dos maiores sucessos de todos os tempos do cinema alemão e que felizmente chegou a outros países com razoável pompa graças aos prêmios e indicações que colecionou em alguns festivais. Escrito e dirigido por Wofgang Becker, o filme começa narrando fatos que aconteceram algumas poucas semanas antes da queda do muro. A professora Christine Kerner (Katrin Sass) é uma apaixonada colaboradora do regime comunista, mas sofre um grande baque quando presencia uma manifestação nas ruas na qual seu filho Alex (Daniel Brühl) acabou sendo espancado por policiais e preso. Com o nervoso que passou ela sofreu um colapso e entrou em coma, o que de certa forma foi bom já que o tempo que ficou desacordada a impediu de ver o trunfo do regime capitalista. Entretanto, alguns meses depois, já em meados de 1990, ela desperta, mas está com a saúde abalada, principalmente o coração. Contrariando orientações médicas, o filho quer levá-la imediatamente para casa para assim ela passar seu aniversário junto a família e amigos, mas temendo as reações dela quando descobrisse que sua amada Berlim Oriental está ligeiramente modificada (aliás com a unificação a divisão de lados caiu em desuso) e sob ordens de um governo capitalista, o rapaz se esforça para ao menos dentro do apartamento da família manter as lembranças da Alemanha comunista bem vivas. Enquanto a mãe permanece convalescendo na cama, Alex não tem muitos problemas para forjar a realidade e manter as influências externas longe do santuário socialista em que transformou sua casa.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

DOLLS

NOTA 9,0

Drama japonês violenta
espectador com histórias que
machucam psicologicamente, mas
oferece afago com seu belo visual
Filme japonês com quase duas horas de duração para narrar três histórias a respeito do amor e fatalidades com direito a longos momentos de silêncio para refletir sobre a dor dos sentimentos. Alguém se habilita? Embora aborde uma temática universal, realmente Dolls é para um público muito restrito. Mesmo aqueles que apreciam obras alternativas podem neste caso se espantar com a crueldade que o diretor Takeshi Kitano trata seus personagens, ironicamente ele um ex-comediante lançando um olhar amargo sobre os relacionamentos. Tingindo cada cena com exuberantes cores, o longa é bastante poético e com um visual arrebatador, porém, suas tramas são dotadas de violência, não física e tampouco explícita, mas sim decorrentes de amores não correspondidos, escolhas erradas e do próprio destino que vitima os personagens. O roteiro, também criado pelo cineasta, narra histórias inspiradas no teatro Bunraku, uma forma clássica do teatro japonês. Trata-se de peças nas quais fantoches são manipulados por pessoas ao fundo trajando roupas negras e, embora ainda possam ser visualizadas, o efeito acaba atraindo a atenção do espectador para a ação que está sendo desenvolvida diante dos holofotes. A introdução dedica-se a apresentar esta tradição, mas logo o drama representado pelos bonecos é transportado para a realidade e passamos a acompanhar a história de Matsumoto (Hidetoshi Nishijima), um jovem e ambicioso executivo que rompe subitamente seu noivado com Sawako (Miho Kanno), tudo para poder se casar com a filha do seu chefe. Após tentar suicídio, a garota perde a razão e a memória, assim seu ex passa a se sentir culpado e renuncia a tudo para passar o resto da sua vida ao lado mulher que realmente ama, mesmo sabendo que as coisas não serão fáceis. Ligados por uma corda amarrada em suas cinturas, o casal passa a vagar a pé e sem rumo como se fossem mendigos e durante essas andanças vão surgindo as tramas paralelas. Hiro (Tatsuya Mihashi) é um veterano da máfia que agora está doente e relembra sua trajetória avaliando seus erros e escolhas. Ele se recorda de Ryoko (Chieko Matsubara), a namorada que prometeu esperar-lhe todos os sábados em um determinado local, mas ele só voltaria quando tivesse condições financeiras melhores, todavia, jamais cumpriu sua palavra.

domingo, 5 de outubro de 2014

APAIXONADOS EM NOVA YORK

Nota 1,5 Com indefinição de gênero, longa não emociona e tampouco diverte, apenas entedia

Qualquer filme que tenha no título algo relacionado a amor tem público cativo e a quantia só tende a aumentar quando atrelada a ideia de que a ação se passa em algum grande centro turístico. A receita é infalível para conquistar a mulherada, certo? Deve ter sido um pensamento ridículo desses que motivaram o batismo de Apaixonados em Nova York para um filme estranhíssimo. O conflito amoroso é esquecido pouco depois da metade e é até difícil catalogar o filme em um gênero específico. Com roteiro e direção de Frank Whaley, com carreira mais promissora como ator sendo destaque no suspense Temos Vagas, a trama começa com ares de comédia romântica com um quê de produção independente. Owen (Freddie Prinze Jr.) vai ao cinema com a namorada Lynn (Jamie-Lynn Sigler), mas está visivelmente incomodado. Enquanto ela está entretida com um filme cult francês, ele está com a cabeça bem longe, mais especificamente em um barzinho onde seu amigo de infância Ray (Chris Klein) costuma se apresentar com sua banda. Na comparação, digamos que o rapaz tem muito mais afinidades com o músico, afinal não dispensam festas e bebidas. A diferença é que um tem consciência que cresceu, embora ainda meta os pés pelas mãos com frequência, e o outro tenta prolongar sua adolescência ao máximo, perdendo a noção de limites. Certa noite, Ray convence seu amigo mais certinho a ir a uma festinha particular repleta de marmanjos acéfalos e garotas sem um pingo de pudor e como mentira tem perna curta é óbvio que chegará o momento em que a pulada de cerca chegará aos ouvidos de Lynn. Desfeito o noivado, o gancho é lembrado vez ou outra, mas o filme ganha outro rumo. Owen sempre sonhou em ser cineasta (seu entusiasmo com o tal filme europeu demonstra sua aptidão para o ramo) e realizou um curta-metragem que acabou sendo selecionado para um festival no Kansas. Por ter atuado na produção, Ray é convidado a acompanhá-lo na viagem, mas sempre se comportando como uma criança acaba se fazendo passar pelo filho de um importante produtor, tudo para conseguir se instalar em uma suíte de luxo e posar de playboy para a mulherada.

sábado, 4 de outubro de 2014

FILHA DAS SOMBRAS

Nota 1,0 Premissa poderia render drama razoável, mas opção pelo suspense é frustrante

É comum que alguns filmes busquem público destacando que é do mesmo diretor ou criador de algum sucesso, mas o material publicitário do suspense Filha das Sombras apela destacando ser uma obra da mesma produtora de sucessos premiados como Gangues de Nova York, O Aviador, Os Infiltrados e Diamante de Sangue. Como na ficha técnica existem vários nomes de produtores associados, não fica claro se o currículo invejável é de uma pessoa em específico ou de uma empresa, mas o fato é que o filme em questão é uma mancha em qualquer trajetória, inclusive para a protagonista Elizabeth Shue. Ela dá vida à Laura, uma bailarina que teve que se ausentar por um tempo dos palcos para cuidar de sua primeira gravidez, notícia festejada por seu marido Steven (Steven Mackintosh) que propõe que eles se mudem para um lugar mais tranquilo para ajudar na criação do bebê. A gestação é bastante tranquila, mas logo após dar a luz a uma linda garotinha a moça começa a sofrer de depressão pós-parto, um problema relativamente comum, porém, se não tratado pode trazer sérias consequências para mãe, filho e a família como um todo. A temática merecia ser explorada pelo cinema com mais frequência, mas o diretor e roteirista Isaac Webb opta pelo caminho mais batido, ou melhor, cerca-se do maior número de clichês possíveis para contar uma história dramática sob a ótica do suspense. Ao longo da narrativa vários ganchos vão sendo expostos para confundir o espectador quanto aos rumos do enredo que, diga-se de passagem, acaba sendo diminuído diante da diversão que se torna tentar matar a charada de quais filmes o diretor copiou situações. Tem a gravidez super desejada que poderia gerar uma criança maléfica, o casarão que pode guardar algum mistério dos moradores anteriores, uma boneca que até parece caminhar pelo jardim da propriedade, a protagonista cisma que alguém quer o seu mal e não falta nem mesmo uma babá prestativa, porém, digna de desconfianças. O problema é que o diretor não define se vai tratar o tema com seriedade apostando no lado dramático da questão, ou se vai apenas usá-la como desculpa para requentar chavões. O que predomina é a segunda opção, mas simplesmente jogados na narrativa.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O BABÁ(CA)

NOTA 1,0

Comédia procura dar cara nova
ao batido argumento da babá
desajeitada cuidando de pestinhas,
mas resultado é constrangedor
Quando uma comédia tenta unir temática adulta e piadas protagonizadas por crianças já temos a ideia de que algo de ruim estar por vir. Um universo não é compatível com o outro e tal mistura pode no máximo render alguns sorrisos amarelos e muita decepção. O Babá(ca) confirma o problema tentando reciclar o clichê da pessoa atrapalhada que se mete a cuidar de um bando de fedelhos, diga-se de passagem, tão irresponsável quanto eles. A trama tem como protagonista Noah (Jonah Hill), um gordinho que se acha o melhor dos amantes, além de ser um folgadão que só pensa em diversão. Certo dia ele é convocado de última hora para cuidar dos três filhos de um casal de vizinhos e a grana alta e fácil o seduzem rapidinho, afinal o que poderia acontecer de mal em algumas poucas horas? Absolutamente tudo! Logo de cara ele não consegue se entender com as crianças e deixa claro que está na casa delas apenas por interesses financeiros e de quebra comer e beber de graça enquanto assiste TV de pernas para o ar. Todavia, seus planos mudam completamente quando recebe uma ligação de Marisa (Ari Graynor), uma garota que ele está paquerando e que lhe promete loucuras sexuais caso ele consiga para ela drogas com o violento traficante Karl (Sam Rockwell). Como só pensa naquilo, Noah não pestaneja e decide pegar emprestado o carro dos patrões e leva as crianças à tiracolo em uma verdadeira aventura na qual ele próprio se mete em muitas confusões, mas a galerinha não fica atrás. A começar pelo desastre que é no volante, Noah vai viver a noite mais alucinante de sua vida até então, com direito a bombas em banheiro, acusação de pedofilia e sequestro e porte de entorpecentes. A essência da trama é um tanto batida, mas com esforço e criatividade seria possível driblar os clichês. Os roteiristas Brian Gatewood e Alessandro Tanaka felizmente escreveram um roteiro enxuto, mas em contrapartida tentaram escamotear a previsibilidade recorrendo a piadas vulgares, a maioria envolvendo sexo e escatologia. Aliás, onde estava o juízo dos pais das crianças que participam do filme? Cegos por alguns trocados fáceis e provavelmente projetando nos filhos seus sonhos frustrados eles não devem ter lido sequer a sinopse.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

DIAS DE GLÓRIA

NOTA 8,0

Longa resgata a história de
soldados africanos que defenderam a
França na Segunda Guerra Mundial,
mas para variar foram esquecidos
Quantas pessoas perderam suas vidas ou jamais voltaram a serem as mesmas após lutarem em guerras? A temática é provavelmente infinita. Não importa quanto tempo passe sempre será possível encontrar histórias do tipo, até porque infelizmente guerras se fazem presente até hoje no cotidiano mundial. Sem dúvidas um dos períodos mais prolíficos para a sétima arte é a Segunda Guerra Mundial e felizmente cada vez mais países estão oferecendo obras a respeito de seus olhares particulares sobre o conflito, dessa forma podemos formatar um painel mais completo deste episódio do que o básico que aprendemos em aulas de História. Dias de Glória traz a toma eventos que mereciam um capítulo exclusivo nos livros: a participação de países africanos na guerra. Em meados de 1943, a França era tomada pela Alemanha e o governo local em exílio tentava organizar um exército para enfrentar os nazistas. O primeiro grupo de soldados recrutados foram cerca de 130 mil homens provenientes das colônias francesas na África que ajudaram a libertar uma pátria-mãe que até então só conheciam por nome. Entre eles estavam Said (Jamel Debbouze), Messaoud (Roschdy Zem), Abdelkader (Sami Bouajila) e Yassir (Samy Naceri), que precisaram aprender a lidar com o preconceito existente ao mesmo tempo em que lutavam pela vitória da França. Com direção do então estreante Rachid Bouchareb, que assina o roteiro em parceria com Olivier Lorelle, a história começa mostrando o recrutamento dos africanos que se alistaram voluntariamente deixando para trás suas famílias, amigos e rotina. Mesmo não sabendo para onde seriam enviados e tampouco se retornariam para casa, estes soldados foram motivados pelos salários oferecidos e pela expectativa de que teriam seus esforços reconhecidos pelo governo francês. Contudo, eles são enviados para a batalha com um mínimo de treinamento, a maioria não sabendo nem como manejar uma arma, e suas roupas vagabundas e os pés calçados com sandálias demonstravam visualmente o despreparo do batalhão. Tratados quase de forma sub-humana, estes homens de origem humilde e pouca ou nenhuma instrução partem para a guerra determinados a vencer, o que de fato aconteceu em diversas batalhas isoladas, mas o número de mortos é dolorosamente maior que o de triunfos.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A VIDA MARINHA COM STEVE ZISSOU

NOTA 6,0

Buscando de certa forma rir e
criticar seu estilo incompreendido,
diretor Wes Anderson cria um mundo
onde poucos conseguem penetrar
Houve um tempo em que diretores entusiastas do cinema independente eram irredutíveis quanto a posição que escolheram e defendiam ferrenhamente o estilo, porém, nos últimos anos muitos profissionais do tipo acabaram sendo absorvidos pelo mercado de produção em massa (leia-se Hollywood). Isso não quer dizer que necessariamente começaram a fazer trabalhos ruins, mas provavelmente tiveram que ceder a pressões superiores em busca de resultados financeiros satisfatórios. David Fincher, Spike Jonze e Alexander Payne são alguns exemplos de diretores que nos últimos anos fizeram a transição com sucesso, não em termos de bilheteria, mas sim de repercussão de suas obras, incluindo prestígio em importantes premiações. Vendo por esse prisma, Wes Anderson é o gênio incompreendido dessa turma. Conhecido por comédias marcadas pelo humor refinado e a ironia, ele não busca atender as massas e sim a si mesmo. É como se brincasse de fazer cinema amador para se satisfizer e quem quisesse assistir seria lucro. Sua linguagem é relativamente simples, é adepto de técnicas caseiras de filmagens, os personagens excêntricos são marcas registradas e boa parte do elenco que costuma recrutar faz parte de sua patota de amigos. Após o ligeiro frisson causado por Os Excêntricos Tenembaums, indicado ao Oscar de roteiro original, o diretor foi um pouco mais ambicioso em seu projeto seguinte, A Vida Marítima com Steve Zissou. Na trama roteirizada em parceria com Noah Baumbach, nome que ficaria em evidência no circuito alternativo alguns anos mais tarde com A Lula e a Baleia, o cara do título é vivido por Bill Murray, redescoberto após o sucesso de Encontros e Desencontros. Zissou é um diretor especializado em registrar suas expedições marítimas, porém, suas produções já não fazem o mesmo sucesso de outrora. Em um importante festival italiano ele é hostilizado durante a coletiva de imprensa, mas ainda assim sonha com a continuação de seu último lançamento, produção que mostraria a caçada ao lendário tubarão-jaguar, uma espécie que ninguém conhece, mas ele jura que devorou seu melhor amigo durante as filmagens do documentário original. Jane Winslett-Richardson (Cate Blanchett) é uma jornalista convidada para passar alguns dias a bordo do navio do protagonista para realizar uma matéria que poderia atrair investidores e salvar a carreira do decadente cineasta, contudo, ela mal chega e já começa a criticá-lo.

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...