terça-feira, 30 de setembro de 2014

FOOTLOOSE

NOTA 7,0

Remake de sucesso dos anos 80
carece de mais música e vibração,
além de uma lapidação do conteúdo
para atender seu público-alvo e época
Sempre que surgem boatos sobre uma refilmagem automaticamente também vem à tona especulações a respeito de preocupações quanto a manutenção do espírito da obra original. A lista de remakes que decepcionaram é bastante extensa, mas temos que ter consciência que por mais fiéis ao texto que sejam estas segundas versões precisam driblar um pequeno detalhe que pode fazer toda a diferença: os tempos mudam. Um diretor tem que estar muito seguro ao assumir um projeto do tipo, tanto para ousar em adaptar a narrativa para os tempos atuais quanto para manter a ação em épocas passadas. Em ambos os casos a rejeição é um risco inerente e o diretor Craig Brewer, de Ritmo de Um Sonho, provavelmente estava ciente do vespeiro em que se meteria ao anunciar o remake de Footloose (sem o antigo subtítulo “ritmo louco”), um dos filmes-ícones dos anos 80 e xodó de muito marmanjo. Após recusar duas vezes dirigir o projeto, ele acabou cedendo às pressões, porém, como mais um ferrenho fã do longa, ele queria praticamente refazer a obra de 1984 de cabo a rabo apenas fazendo alguns reparos que julgava necessários para tornar a trama mais redondinha, porém, acabou realizando um trabalho que mistura épocas. Se era para fazer uma homenagem ao original a tentativa não foi bem executada, inclusive pela considerável redução no número de canções executadas. A trama escrita por ele mesmo em parceria com Dean Pitchford, também autor do roteiro do primeiro filme, se passa em Bolmonte, uma pequena e pacata cidade no sul dos EUA que ficou abalada após um trágico acidente de carro envolvendo adolescentes no qual não houve sobreviventes. Como os jovens voltavam de uma festa, os dirigentes da cidade tomaram atitudes radicais. Além do toque de recolher a noite, proibiram menores de idade de frequentar locais onde pudesse haver consumo de drogas e álcool, atividades lascivas e até mesmo de ouvirem e dançarem ao som de música alta e vibrante, mas aos poucos praticamente todos na cidade passaram a acatar a decisão. É claro que sempre tinham aqueles rebeldes para infringir as leis e se exporem ao “comportamento de risco”, mas durante três anos a situação se manteve sob controle. Isso até a chegada de Ren McCormick (Kenny Wormald), um adolescente que após vivenciar a dor de ver a mãe morrendo aos poucos por conta de uma severa leucemia agora quer dar novos rumos para sua vida. 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O TERCEIRO MILAGRE

NOTA 7,5

Apesar da premissa instigante,
a averiguação de um suposto
milagre, drama se arrasta ao
se apegar a entrecho romântico
Seja para exaltar ou criticar, é fato que a Igreja Católica é uma grande fonte de inspiração para o cinema com suas histórias de milagres, superações e porque não dizer também de demônios e escândalos. São séculos e mais séculos de demonstrações de fé e solidariedade, mas também o que não faltam são episódios obscuros, desde as triviais sessões de exorcismo até o envolvimento de cristãos em situações políticas e históricas. Todos os gêneros de filmes já buscaram inspiração nesta seara, afinal o catolicismo rende tramas no mínimo instigantes, além de levantar algumas discussões pertinentes. Próximo a chegada do século 21 a temática pautou várias produções da época, a maioria suspenses ou fitas de horror explorando o temor do fim do mundo ou o início de tempos diabólicos, como Stigmata e Fim dos Dias, mas remando contra a maré surgiu timidamente O Terceiro Milagre, drama que também discute a fé religiosa, porém, sob uma ótica mais convencional. No final dos anos 70, Frank Shore (Ed Harris) é um padre cujas crenças religiosas estão abaladas, mas ainda assim repeitado nos círculos eclesiásticos, tanto que é chamado para uma reunião de urgência com o bispo. Uma estátua de mármore localizada no pátio de uma paróquia de Chicago surpreendeu a todos derramando lágrimas de sangue e o padre local solicita o título de santidade para a voluntária Helen O’Reagan (Barbara Sukowa), uma religiosa profundamente devota que morou nesse mesmo convento até a sua morte. A comunidade da região acredita fervorosamente que ela é a responsável pelo milagre, mas Shore, mesmo não demonstrando entusiasmo, acaba persuadido a investigar a vida da suposta santa e quem sabe também encontrar soluções lógicas para o choro de sangue. Alguns anos antes o pároco se recusou a ratificar um pedido semelhante em outra cidade, o que lhe rendeu a alcunha de “o exterminador de milagres”. Contudo, a nova missão revela-se uma grande surpresa quando Shore reúne provas verdadeiras de que Deus realmente realizou milagres através de Helen, mas tudo se complica quando ele se envolve com Roxanne (Anne Heche) a filha da própria milagreira. O padre passa então a questionar alguns dogmas, como a fé e o celibato, provocando a ira do Vaticano e em especial a do poderoso arcebispo Werner (Armin Mueller-Stahl).

domingo, 28 de setembro de 2014

PAIXÃO À FLOR DA PELE

Nota 3,0 Romance busca sair da mesmice, mas acaba vítima de sua própria engenhosidade

Às vezes assistimos alguns filmes no cinema que simplesmente odiamos porque não entendemos nada em uma primeira apreciação. Quando lançados em DVD, alguns contam com a opção de acompanhar a trama com direito a explanações do diretor, mas tem muita produção que por mais que nos cercamos de informações simplesmente é intragável. Paixão à Flor da Pele tem justificativas para não ter sido um sucesso de público e nem mesmo os críticos deram muita bola. Confuso do início ao fim, parece que nem o pessoal responsável pela distribuição do filme na época do lançamento teve paciência para aturar tal engodo e erroneamente o divulgaram como um suspense com resquícios do estilo do mestre Alfred Hitchcock. Nada a ver. Com direção de Paul McGuigan, este produto é apenas mais uma tentativa frustrada de refilmar um sucesso europeu e escamotear a escassez de boas ideias em Hollywood.  Buscando inspiração no longa francês O Apartamento datado de 1996, o roteiro adaptado por Brandon Boyce tem como protagonista Matthew (Josh Harnett), um jovem empresário que acredita ter visto por acaso em uma cafeteria Lisa (Diane Krueger), uma mulher por quem ele foi perdidamente apaixonado, mas que sumiu misteriosamente há dois anos. Ele decide segui-la, descobre o seu endereço atual e sua rotina começa a ser moldada em função dos passos dela. Não gostaria de forçar um encontro, mas certo dia não aguenta a ansiedade e invade o apartamento para poder surpreendê-la. Contudo, ele não sabe que a mulher que tem seguido não é exatamente quem ele pensa ser, porém, ela sabe muito bem que está acontecendo um engano, mas quer tirar proveito disso. Alex (Rose Byrne) é amiga de Lisa e ficou apaixonada por Matthew a partir dos relatos e fotos que ela apresentava, porém, o rapaz nunca chegou a conhecê-la pessoalmente. Munida de informações íntimas do casal, ela fez de tudo para separá-los, mas jamais conseguiu se aproximar de seu amor platônico. Quando desconfia que reencontrou Lisa, o empresário não está errado. Ela realmente está vivendo temporariamente no tal apartamento, mas esta informação é omitida por Alex que assume a alcunha de Lisa, não a namorada fugida, mas outra com lábia suficiente para se aproveitar do estado atormentado do rapaz.

sábado, 27 de setembro de 2014

O SEGREDO DE KOVAK

Nota 4,0 Divagando a respeito do controle de humanos, longa deixa muitas perguntas no ar

Várias produções já especularam sobre a possibilidade de um futuro controlado, como aquele apresentado em O Preço do Amanhã no qual o governo poderia acompanhar a vida de um ser humano através de seus gastos de tempo de vida, então a moeda de troca em vigência. Hoje já existe a técnica de implantar chips eletrônicos em animais, principalmente os que correm risco de extinção, mas para fins científicos e de preservação da espécie, porém, já há quem especule que chegará o dia em que os seres humanos ao nascer já terão algum tipo de dispositivo implantado em seu corpo. Bem, o cinema e a literatura estão aí para propor a discussão da temática e mostrar a loucura que seria caso a tecnologia para experiências do tipo caíssem em mãos erradas. O Segredo de Kovak é um desconhecido suspense que aborda tal tema através da história de David Norton (Timothy Hutton), um escritor que está acostumado a brincar de Deus decidindo o futuro de seus personagens. Certa vez ele é convidado para participar de uma conferência em uma paradisíaca ilha do Mediterrâneo, mas o que era para ser um sonho acaba se tornando um pesadelo quando sua noiva Jane (Georgia Mackenzie) tenta o suicídio após atender um telefonema. No mesmo momento, o escritor assistia a um DVD que lhe deixaram na portaria do hotel, um vídeo curto com a imagem de um macaco preso em uma caixa de vidro e demonstrando comportamento arredio. Jane acaba falecendo após alguns dias e Norton decide voltar para casa, mas no aeroporto é interceptado pela jovem Sylvia (Lucía Jiménez) que estava internada no mesmo hospital e sobreviveu a uma tentativa misteriosa de suicídio. Ela também atendeu um telefonema pouco antes de se jogar da sacada de um hotel, mas apenas ouviu uma música melancólica, “Gloomy Sunday” (domingo lúgubre), que também é o título do primeiro livro publicado por Norton no final dos anos 70 e que por coincidência um fã idoso o procurou para relembrar que ele adquiriu uma das primeiras edições e a guarda até hoje. Este mesmo homem atrai o escritor para um encontro onde revela que pode lhe oferecer uma grande história para um novo livro, uma trama totalmente baseada em fatos reais que dependendo do ponto de vista poderia trazer a paz ao mundo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

AMOR EM JOGO

NOTA 6,5

Apesar de um pequeno detalhe,
a mocinha ter como rival um
esporte, comédia romântica dos
irmãos Farrelly é bem trivial 
Comédias românticas já têm um público cativo por natureza, assim como a atriz Drew Barrymore que virou sinônimo do gênero. Assim, para uma produção água-com-açúcar ser sucesso contar com essa estrela no elenco já é meio caminho andado, no entanto, a equação não deu muito certo com Amor em Jogo, um dos filmes mais comportados dos irmãos cineastas Bobby e Peter Farrelly, mas ignorado pelo público. Aliás, a assinatura deles que geralmente é destacada na publicidade de seus longas neste caso passou despercebida, mas a obra não é ruim e cumpre fielmente seu objetivo de entreter e exaltar o amor. Barrymore faz o que pode para reciclar o perfil da mocinha romântica que parece já ter incorporado à sua personalidade. Ela interpreta Lindsey, uma solteirona e ambiciosa consultora de negócios, porém, nem um pouco sisuda ou antipática, pelo contrário, sua alegria é contagiante. Não é a toa que o professor de colegial Ben (Jimmy Fallon) se apaixonou a primeira vista quando acompanhou alguns alunos para conhecerem o local de trabalho da garota. Ele seria o par perfeito. Divertido, amável, charmoso, mas com um pequeno defeito: ganha bem menos que ela. Todavia, a atração instantânea de ambas as partes supera qualquer problema, inclusive um embaraçoso e literalmente enjoativo primeiro encontro, mas como a vida real não é conto de fadas é claro que chega o momento em que o príncipe vira sapo. As amigas de Lindsey começam a colocar caraminholas em sua cabeça, afinal como um rapaz com seus trinta e poucos anos e com tantas qualidades poderia estar solteiro? O roteiro de Lowell Ganz e Babaloo Mandel, mesma dupla do saudosista Splash – Uma Sereia em Minha vida, descarta explorar as desconfianças quanto sua sexualidade e parte logo para a resposta. Desde muito pequeno Ben é fanático pelo time de beisebol Red Sox e sua casa mais parece uma lojinha de bugigangas onde tudo leva a logomarca do grupo. Como em dias de jogo não adiantava marcar qualquer compromisso e por tabela alguns dias antes também ficavam comprometidos por conta da euforia para ver seu time em campo, nenhuma mulher aguentava namorar o rapaz por muito tempo, só mesmo estando muito apaixonada para aceitar ser trocada por um bando de marmanjos.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O VISITANTE (2007)

NOTA 7,5

Aparentemente mais um drama
a respeito da força das amizades,
longa aborda também os conflitos
quanto a imigração de forma objetiva
Você pode estar em Nova York, Paris, Londres, Madri ou até mesmo em São Paulo. Não importa onde você estiver e uma triste realidade irá se repetir: o desprezo com os estrangeiros. Não estamos nos referindo ao turista que se hospeda em hotéis e vai preparado para gastar com compras e programas culturais e sociais, ou seja, que vai de alguma forma contribuir com a economia do país visitado. O problema para os donos da casa são os imigrantes que muitas vezes partem de seus locais de origem com uma mão na frente e outra atrás e acham que basta atravessar uma fronteira para começar uma vida nova. Esse é um dos temas abordados pelo drama O Visitante, produção lançada muito discretamente não só no Brasil como até mesmo nos EUA, mas que ganhou ligeira projeção graças a surpreendente e merecida indicação ao Oscar para o veterano ator Richard Jenkins. Ele interpreta Walter Vale, um professor universitário sessentão que está sem um objetivo na vida. Solitário desde o falecimento da esposa, ele leva uma rotina pacata na universidade em que trabalha em Connecticut, mas almeja escrever um livro, só não sabe quando terá disposição e ideias para tanto. Certo dia ele é enviado para uma conferência em Nova York mesmo não tendo um pingo de vontade de comparecer ao evento. Sem escapatória, ele viaja e decide passar alguns dias em seu apartamento na cidade o qual não visitava há anos. Para seu espanto, quando abre a porta descobre que o local tem novos donos, um casal de imigrantes ilegais formado pelo simpático sírio Tarek (Haaz Sleiman) e pela senegalesa Zainab (Danai Gurira), ela bem mais esquentadinha. Eles esclarecem que alugaram o imóvel acreditando que negociaram com o proprietário em pessoa e nem desconfiavam que tinham caído em um golpe, mas felizmente Vale tem bom coração (talvez nem ele soubesse disso) e permite que o casal divida o apartamento com ele até que encontrem um novo lugar para ficarem e da convivência forçada surge uma inesperada amizade. O rapaz é músico e começa a ensinar os segredos da percussão ao professor através de um instrumento africano, este que já demonstrava interesse no assunto dedicando-se a frustradas aulas de piano como forma de preservar as lembranças da esposa que era uma pianista de mão cheia.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

SUNSHINE - ALERTA SOLAR

NOTA 5,0

Longa é um bem intencionado
projeto, mas perde o rumo em
meio a avalanche de efeitos especiais
e sonoros que dispersam atenção
Alguém ainda se interessa por ficções científicas? Já houve uma época em que as produções que abordavam viagens intergalácticas eram sucesso, mas o gênero está em franco declínio há muitos anos. Ainda assim, vez ou outra algum cineasta ousa investir em temáticas do tipo, muitas vezes acreditando que sua assinatura será o suficiente para chamar a atenção do público e mesmo que a obra não saia perfeita sua trajetória profissional poderia poupá-lo do achincalhe. Com direção de Danny Boyle, dos cultuados Cova Rasa e Trainspotting, o suspense de ficção Sunshine – Alerta Solar coleciona críticas negativas e positivas em proporções semelhantes, mas é certo que o pé atrás com o gênero que a maioria cultiva é um fator que realmente pesa na avaliação. Produtos do tipo acabaram ficando reféns de um nicho específico de público e não adiante o nome de um cineasta ou de algum ator famoso nos créditos para servir de chamariz. Quem não curte o gênero dificilmente embarca na trama e a tendência é resumir o filme a uma simples desculpa para oferecer um espetáculo visual, mas vazio de conteúdo e emoção. Roteirizado por Alex Garland, autor do livro “A Praia” que gerou um longa homônimo (e mal avaliado pelo público) também dirigido por Boyle, a história se passa em 2057 quando o Sol está prestes a se extinguir e consequentemente a humanidade também se vê ameaçada já sentindo os reflexos das baixíssimas temperaturas que assolam a Terra. A última esperança para a sobrevivência do planeta é a espaçonave Icarus II que tem a difícil missão de levar uma potente bomba atômica capaz de reacender a estrela, uma espécie de realimentação de sua fonte de energia. Durante a viagem e sem contato com a base a tripulação descobre o sinal de pedido de socorro da Icarus I, a nave enviada sete anos antes com o mesmo objetivo, mas cujas razões de fracassar são desconhecidas. O grupo então fica dividido. Alguns pensam em voltar à primeira espaçonave para pegarem equipamentos que podem ser úteis e achar explicações para seu sumiço e outra parte defende que seja seguido o planejamento original traçado previamente.  A decisão recai sobre Capa (Cillian Murphy), um especialista em física que escolhe a primeira opção e a mudança de trajetória acaba causando problemas sérios. Mais que lutar pela própria sobrevivência, esses corajosos homens e mulheres sentem a pressão de preservar o futuro da humanidade.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O DESINFORMANTE

NOTA 7,0

Baseado em fatos reais, longa
mostra que para um golpista é
essencial ter malícia, tudo o que falta
a certo executivo metido a espertinho
No mundo dos negócios o que vale mais, a honestidade ou a esperteza? E não estamos falando de ser inteligente no sentido comum da palavra. De nada adianta cursos, falar vários idiomas e ter conhecimentos avançados de informática se você não tiver um pouco de malícia e é triste constatar que a frase “o mundo é dos espertos” (com duplo sentido mesmo) nunca esteve tão em voga. O Desinformante, raro caso em que o título nacional vende melhor a ideia que a alcunha original, é uma comédia dramática baseada em fatos reais ocorridos a partir de 1992 que gira em torno das mentiras inventadas por Mark Whitacre (Matt Damon), um químico e alto executivo da empresa norte-americana Archer Daniels Midland, ou simplesmente ADM, que lucra alto fabricando aqueles ingredientes com nomes difíceis que compõem os alimentos industrializados e que vêm descritos com letras minúsculas nas embalagens. Tendo como base o livro “O Informante”, escrito pelo repórter Kurt Eichenwald (não confundir com o longa homônimo de 1999, apesar de ambos envolverem denúncias ao mundo corporativo), o filme aborda mais especificamente o processamento de milho para a obtenção de lisina, um aminoácido utilizado em vários ramos da indústria alimentícia e até necessário para a composição de sacolas de plástico biodegradável. Como tal insumo está presente em diversos produtos, sua venda é lucrativa e justifica o estilo de vida de alto nível ostentado pelo protagonista que começa a trama narrando em off sua pacata rotina na companhia, mas tudo está prestes a mudar por conta de um simples telefonema. Um executivo japonês conhecido dele possui informações sobre um vírus que vem atacando a lisina produzida pela fábrica e causando grandes prejuízos financeiros mensais, porém, só revelará o nome do sabotador e uma possível vacina caso lhe paguem uma grande quantia de milhões de dólares. Rapidamente o FBI está envolvido com o problema e o inocente Whitacre começa a falar demais, inclusive informa o agente Brian Shepard (Scott Bakula) que a ADM é um dos principais grupos envolvidos em um cartel internacional criado para controlar o preço do milho em todo o mundo. Assim, além de se tornar um informante do governo, o rapaz acredita que passará a ser visto como um herói e terá seus esforços recompensados com uma promoção.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

UM SONHO DE PRIMAVERA

NOTA 8,5

Drama de época narra um
curto período na vida de
distintas senhoras, mas um
tempo de grandes transformações
Todos os anos é a mesma coisa. Quando começa a temporada de premiações todas as atenções são voltadas aos filmes que estão marcando presença nos principais festivais e festas, levando natural vantagem em termos de publicidade os títulos que mais recebem indicações para conquistar troféus. Curiosamente, não são raras as vezes que os títulos que concorrem a menos categorias ou até mesmo secundárias são bem mais interessantes e se tornam até mais marcantes que as produções mais bombadas da época. Esse é o caso de Um Sonho de Primavera, um belo filme de época que conquistou dois Globos de Ouro e foi indicado a três Oscars em 1993 (foi lançado cerca de um ano depois de concluídas as filmagens). Misturando drama e humor leve em meio a belíssimas paisagens e cenários, o longa também conta com um impecável elenco feminino, destacando-se Miranda Richardson, uma das atrizes mais requisitadas daquele período e dona de uma beleza exótica e traços fortes. A trama se passa na Inglaterra em meados da década de 1920 e narra as emoções vivenciadas por Lottie (Josie Lawrence), uma inquieta mulher que vive em Londres e se sente frustrada devido ao materialismo de seu marido, o advogado Mellersh Wilkins (Alfred Molina), que pouco dá atenção à esposa. Já Rose (Miranda Richardson) é a esposa do escritor de contos eróticos Frederick Arbuthnot (Jim Broadbent), mas também está insatisfeita com seu casamento. Vivendo situações semelhantes, as duas se conhecem em um clube frequentado apenas por mulheres e juntas decidem alugar um castelo de estilo medieval em uma remota ilha italiana para passarem alguns dias em um local que é um verdadeiro paraíso. As novas amigas também colocam um anúncio no jornal sobre a ideia e mais duas damas, a viúva Fisher (Joan Plowright) e a jovem Caroline (Polly Walker), resolvem fazer a viagem e ajudar na divisão das despesas.

domingo, 21 de setembro de 2014

AQUAMARINE

Nota 6,5 Amizade e amadurecimento jogam romance para segundo plano em comédia teen

Uma jovem sereia consegue a dádiva de passar algum tempo no mundo dos humanos e se apaixona por um rapaz, mas para viver esse amor terá que desafiar as convenções de sua espécie. Essa breve sinopse vende a ideia do conto da princesinha Ariel imortalizado na versão em desenho animado feita pela Disney, mas também cai como uma luva para expor a comédia romântica Aquamarine que apesar do invólucro de produto descartável para menininhas até que garante um passatempo razoável. Basta não se preocupar tanto com a previsibilidade e deixar se levar pela história da sereia que intitula o filme, a bela Sara Paxton que visualmente exala a sensação suave e de frescor de uma brisa marítima.  Na trama escrita por John Quaintance e Jessica Bendinger, Claire (Emma Roberts) e Hailey (Joanna Levesque, mais conhecida como a cantora Jojo) são duas adolescentes que vivem na Flórida e se acostumaram a dividir segredos, alegrias, tristezas e a curtir a praia que praticamente é como um quintal de casa para elas. Porém, a amizade está ameaçada agora que Hailey se vê obrigada a se mudar para a Austrália com a mãe. Só um milagre poderia mantê-las unidas, mas ele não vem do espaço e sim da água. Após uma grande tempestade, elas descobrem Aquamarine escondida na piscina de um clube. Ela aproveitou o episódio para escapar de um casamento forçado e está disposta a provar ao pai que o amor verdadeiro existe. É claro que as garotas decidem ajudar a sereiazinha, até porque em troca poderiam ter um desejo realizado o que as fazem relevar o fato de que ela vai se apaixonar justamente por Raymond (Jake McDorman), um jovem salva-vidas que todas as garotas da praia sonham em conquistar. Sem a menor noção sobre o que é viver um romance de verdade, a loirinha de cabelos mechados de azul não contava que os apaixonados passam por tantas dificuldades, a começar pela paquera. Logo na primeira vez que consegue se aproximar do rapaz ela o indaga se ele a ama ou coisas do tipo, mas ele leva tudo como uma brincadeira e obviamente se sente atraído pela inocência e beleza da garota. Ao perceber o que está acontecendo, a invejosa e metida Cecília (Arielle Kebbel) fará de tudo para jogar areia neste romance. Ou seria água?

sábado, 20 de setembro de 2014

DIA DE IRA

Nota 6,0 Trama envolvendo política e religião mais uma vez coloca judeus no olho do furacão

Quando se fala no massacre de judeus automaticamente nos lembramos do período da Segunda Guerra Mundial, algo natural visto que é um fato de bastante destaque nas aulas de História e há uma infinidade de títulos que destacam a temática. Contudo, tal perseguição já vem de longa data, desde meados do século 15, e manifestou-se principalmente no continente europeu, sendo um episódio marcante na Espanha com sua famosa inquisição. O país vivia um período próspero, era o maior império desde Roma, mas de repente um fervor religioso surgiu sob o lema “uma nação, uma fé”, ou seja, quem não era católico não poderia viver neste território, assim milhares de judeus tiveram que se converter à força ou fugirem para não serem condenados a morte. Quem decidia por ficar levava uma vida dupla: cristão para o mundo, judeu no coração. A trama de Dia de Ira se passa em 1542 e narra a história de Ruy de Mendoza (Christopher Lambert), um xerife que se depara com uma série de assassinatos brutais de membros da nobreza espanhola. O duque José de Santa Fé (Pál Makrai) foi uma das primeiras vítimas. Certa noite ele estava na companhia de uma prostituta em um canto público isolado e foi surpreendido por um homem mascarado que o retalhou, assim como fez com a garota e com os soldados que a distância escoltavam o nobre. Mendonza vai averiguar a cena do crime e encontra o corpo do homem marcado com a letra “D” e imediatamente vai dar a notícia para sua esposa, a duquesa Pilar (Irén Bordán), mas quando retorna ao local os cadáveres haviam sumido e o cenário estava sem o menor vestígio de tragédia. Alguns dias depois, a esposa do falecido surge em um evento público desacompanhada, mas afirma que o marido está bem de saúde e viajando a trabalho. Já ciente da inquisição promovida pela Igreja, Donoso Cabral (Ben O’Brien), fiel escudeiro do xerife, compartilha da mesma opinião de seu chefe: os estranhos acontecimentos do vilarejo tem algo a ver com política e religião, algum tipo de pacto no qual os mais nobres e ricos fazem questão de ignorar as evidências. As coisas complicam quando é encontrado junto a outras dezenas de corpos amontoados o cadáver do conde Raul de Jaramillo (Sándor Teri) marcado com a letra “E”.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A COLHEITA DO MAL

NOTA 4,0

O filme poderia se chamar
"Colheita de Clichês" de tantos
chavões do gênero costurados à força
para sustentar trama inconsistente
Entre 1999 e 2000 Hollywood apostou maciçamente em tramas de horror e suspense com temáticas a respeito de anticristos, possessões e pragas. Não eram novidades, é verdade, mas a época era propícia devido ao temor do fim do mundo na virada para o século 21. Felizmente sobrevivemos, mas temos que lamentar que assim surgiu a oportunidade do diretor Stephen Hopkins realizar A Colheita do Mal, uma das milésimas reciclagens do tema das pragas bíblicas. O diretor, na época esquecido pelo cinema, porém, colhendo frutos pela direção da temporada de estreia da série de TV “24 Horas”, não realiza necessariamente um trabalho ruim levando em consideração o péssimo nível da maioria das produções de terror recentes, mas apenas mais um a pregar uns dois ou três sustos e ser completamente esquecido de imediato. A ex-missionária Katherine Winter (Hilary Swank) atualmente é uma professora universitária especializada em desmascarar milagres encontrando explicações científicas para tudo. Traumatizada pela morte do marido e da filha por conta de crendices religiosas, ela não nega a ninguém que perdeu sua fé, mas mesmo assim é chamada para visitar a pequena e interiorana cidade de Haven para investigar um rio que misteriosamente teve suas águas tingidas de vermelho de uma hora para a outra, o que para a população local trata-se da manifestação de uma das dez pragas do Egito. Doug (David Morrissey), um dos habitantes, revela que existe a suspeita de que as pestes bíblicas estejam sendo disseminadas pela misteriosa Loren McConnell (AnnaSophia Robb), apenas uma garotinha cuja família é difamada na região como adoradores do diabo, inclusive a culpam pela morte de seu irmão Brody (Mark Lynch). Ciente de que mais uma vez encontrará explicações para o caso, Katherine e seu fiel assistente Ben (Idris Elba) começam a investigar, mas aos poucos percebe que terá sua fé colocada em xeque mais uma vez. As coisas se complicam conforme outras pragas começam a se manifestar na sequência que foram descritas no Testamento e a população declara guerra a tal garota convencidos de que ela é filha do demônio, mas a confrontadora de milagres vai fazer de tudo para evitar a morte de uma inocente e que seu currículo de acertos seja manchado pela primeira vez. Todavia, lutar contra conceitos religiosos nunca lhe pareceu tão complicado quanto neste momento.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

TRÁFICO HUMANO

NOTA 7,0

Feita para a TV, produção tenta
explorar os mais variados ganchos
que envolvem o tráfico de mulheres
e crianças para o mercado do sexo
Nos EUA e em vários países da Europa é muito comum a produção de telefilmes e de séries curtas, mas embora tenham como primeira janela de exibição a TV a maioria destes projetos são dotados de qualidades técnicas e texto apurado dignos de cinema. Bem, isso de alguns anos para cá após o boom dos canais pagos. Além de serem materiais que podem ser reprisados diversas vezes, seguindo a tradição desta mídia, os produtores obviamente levam em consideração os lucros que tais obras gerariam também em DVD. É uma pena que parece que criamos a cultura de repudiar produtos do tipo. Se estão em exibição na televisão até podem passar despercebidos, mas se sabemos de suas origens e lançamento em mídia física sem passagem pelos cinemas o pé atrás parece inevitável, ainda mais quando o produto beira as três horas de duração. Logo nos vem à cabeça os diálogos super decorados, as situações esquemáticas e os indesejáveis cortes de entrada para comerciais que geralmente não são excluídos na edição para consumo doméstico. Embora pouco conhecido e raridade, o suspense dramático Tráfico Humano é uma ótima opção para revermos conceitos, a começar pelo tema polêmico e indigesto que em um filme comum não seria tão bem explorado. O tráfico de pessoas é um dos maiores negócios dos tempos atuais para as facções criminosas e rende incontáveis milhões por ano. O pior de tudo é saber que quem alimenta este mercado ilícito e deprimente são pessoas com posses e teoricamente esclarecidas, justamente o que o filme recrimina em seu término. É lembrado que essa “modernização” da escravidão tem como principais apoiadores o próprio EUA cuja cultura local cria uma demanda para isso e incentiva outros países ao mesmo comportamento. Quem não conhece o clichê do pai que leva o filho aos “inferninhos” quando adolescentes para provar sua masculinidade e que inerentemente propaga a ideia de que o prazer sexual deve vir acompanhado da promiscuidade e do proibido? E alguém duvida que estes mesmos jovens se tornem os velhotes safados que continuarão alimentando o comércio do sexo? Esse é apenas um dos problemas que o roteiro de Carol Doyle e Agatha Domink nos deixa para refletir, mas a narrativa aponta para vários caminhos que a certa altura nos angustiam, quase perdemos a vontade de continuar assistindo de tão ordinário que é este submundo. Impossível não pensar que uma filha, sobrinha ou amiga pode sem saber estar na mira de quadrilhas, mas mesmo assim temos a curiosidade de saber até onde vai este circo de horrores.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

JUSTIÇA INFINITA

NOTA 7,0

Através da história de um jornalista,
longa tenta esmiuçar ao máximo a
temática do terrorismo, porém, é muito

assunto para desenvolver em pouco tempo 
Os atentados terroristas de 11 de setembro 2001 ou as consequências deste dia triste, o que é mais assustador? Sem dúvidas os ataques pegaram a todos de surpresa, mas a paranoia que tomou conta do mundo logo em seguida é algo bem mais perturbador, mas como diz o ditado há males que vem para o bem. É até um pouco absurdo chegar a essa conclusão, mas apesar de muito sofrimento, mortes, preconceitos e outras tantas coisas negativas que surgiram com a guerra ao terror e seus desdobramentos, o cinema acabou lucrando afinal de contas material é o que não falta para histórias de forte impacto e apelo emocional. Melhor dizendo, o lucro é mais em termos de conteúdo. Financeiramente poucas obras conseguiram sucesso e a maioria acaba sendo lançada direto em DVD, mas isso não significa que sejam ruins, pelo contrário, em geral são boas produções, porém, que acabam ficando reféns da repetição de temas. Pouco tempo depois de As Torres Gêmeas e Voo United 93 abrirem caminho para a exploração da temática (respeitando o período de jejum exigido pelo governo em respeito às vítimas), muitos projetos do tipo já estavam engatilhados e acabaram saturando o filão em velocidade recorde. Contudo, o que pode parecer datado na realidade pode ser extremamente atual como é o caso de Justiça Infinita, mescla de drama e suspense baseado em fatos reais e que aborda os casos de membros da imprensa sequestrados por muçulmanos que são usados como instrumentos de tortura e manipulação. O norte-americano Arnold Silverman (Kevin Collins) é um jornalista judeu que está investigando a rede financeira da Al-Qaeda, mas na verdade também possui razões de ordem pessoal para se interessar pela rede terrorista. Sua irmã estava trabalhando no World Trade Center na manhã em que os aviões se chocaram com os prédios, porém, seu corpo não foi encontrado. Paralelamente, acompanhamos o início do envolvimento político de kamal Khan (Raza Jaffrey), filho de um casal de paquistaneses e estudante da Universidade de Londres. Ao reencontrar um antigo colega de escola, Waqar Islam (Irvine Igbal), que agora é um muçulmano fundamentalista, ele resolve acompanhá-lo até a Bósnia para juntar-se à causa dos terroristas. Todavia, a viagem abre seus olhos para cruéis verdades sobre a política internacional.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

ILUMINADOS PELO FOGO

NOTA 8,5

Longa de guerra argentino segue
cartilha do gênero e mostra o
sofrimento de soldados que jamais
tiveram suas memórias exaltadas 
Qualquer país teoricamente tem o direito de evocar problemáticas e fatos históricos de outros territórios, basta ter consciência do negócio de risco que é investir em tramas que podem ser alheias ao público local e até mesmo para a equipe realizadora. Imagine, por exemplo, a nossa Guerra de Canudos ou dos Farrapos sob a ótica norte-americana. Por mais pesquisas que fossem feitas, o resultado dificilmente seria natural, faltaria nossa identidade na tela de alguma forma. Seria ainda pior se os conflitos retratados também respingassem na rotina do tio Sam, o que possivelmente implicaria na alteração do conteúdo histórico (a favor dos ianques, claro). Clint Eastwood foi um dos raros cineastas que teve a ousadia de mostrar os dois lados da moeda ao lançar no mesmo ano A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima, ambos sobre o final da Segunda Guerra Mundial, o primeiro apresentando a heroica versão dos fatos sob o ponto de vista americano e o outro relatando o episódio pela ótica do Japão. A Guerra das Malvinas é outra passagem importante da História mundial. Embora não envolvesse diretamente os EUA, o pessoal de lá acompanhou o desenrolar dos fatos atentamente por um detalhe em especial: Margaret Thatcher, uma mulher que marcou a trajetória política da Inglaterra por sua coragem e força de vontade para ser ouvida em um universo dominado pelos homens, ousadia que mais cedo ou mais tarde também poderia incentivar as americanas a sonharem com a escalada no mundo do poder. Também estavam atentos que por envolver a disputa de territórios, ficava clara a tentativa britânica de se firmar como uma grande potência. O drama A Dama de Ferro narra a vida pessoal e política de Thatcher dando atenção especial ao episódio das Malvinas, mas o longa, apesar dos prêmios à arrasadora performance de Meryl Streep, colheu críticas negativas por parte de especialistas que afirmam que os fatos foram “floreados” para colocar a então Primeira Ministra Britânica na posição de heroína. A disputa da Inglaterra pelo controle das Ilhas Malvinas ocorreu em um sangrento conflito com a Argentina, país que por conhecimento de causa tinha todo o direito de expor sua versão dos fatos e assim foi feito no emocionante e pouco conhecido Iluminados Pelo Fogo, baseado no livro homônimo de Gustavo Romero Borri e Edgardo Estevan, este que foi um dos homens que serviu como soldado no conflito deflagrado em 1982.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

OPERAÇÃO BABÁ

NOTA 7,0

Vin Diesel seguiu os passos de
Schwarzenegger procurando
diversificar seu currículo e cativar o
futuro público de seus longas de ação
Alguns atores desde o início da carreira buscam diversificar os estilos de filmes que participam para não se tornarem sinônimo de um gênero e ampliarem suas possibilidades. Procurar explorar diferentes perfis de personagens também é essencial. A garota acostumada a fazer o papel da gostosona tem que ter consciência que por mais que cuide da estética o tempo passa e mais cedo ou mais tarde sua própria idade poderá traí-la. Os bombados dos filmes de ação também correm risco. Podem cultivar seus músculos a base de suplementos e exercícios e até se manterem no gênero, mas não irão escapar de se tornarem alvo de chacotas quando ficarem reféns das plásticas, que o diga Sylvester Stallone que se desse mais atenção aos desenhos de caricaturas que fazem de sua pessoa já tinha se aposentado faz tempo por depressão. Um dos grandes astros do cinema de adrenalina dos anos 2000, e cuja fama deve demorar a esgotar, Vin Diesel quando estava no auge surpreendeu a todos com algumas escolhas. Colhendo os frutos de trabalhos como Velozes e Furiosos e Triplo X, ele apareceu ostentando uma sinistra cabeleira no drama de tribunal Sob Suspeita e munido de brinquedos e mamadeiras na simpática comédia Operação Babá, cuja premissa e escolha do protagonista deixam clara a tentativa de resgatar o espírito de Um Tira no Jardim da Infância, famosa sessão tarde que coloca o brucutu Arnold Schwarzenegger para cuidar de um bando de pestinhas, mas mantendo sua pose de justiceiro. O astuto careca dá vida à Shane Wolfe, um graduado oficial da marinha que inesperadamente é designado para proteger uma família com nada menos que cinco crianças. Após fracassar na missão de resgate que culminou na morte do cientista do governo Howard Plummer (Tate Donovan) envolvido no projeto de um programa secreto chamado “Ghost”, ele faz um acordo com a recém-viúva Julie (Faith Ford) de cuidar da segurança da prole por um fim de semana enquanto ela faria uma rápida viagem. Contudo, alguns imprevistos acontecem e o grandalhão terá que permanecer mais tempo na casa, inclusive se encarregando de tarefas domésticas e até mesmo paternas.

domingo, 14 de setembro de 2014

NA PONTA DOS PÉS

Nota 6,0 Longa procura quebrar preconceitos contra anões, mas esbarra na superficialidade

Um rapaz bonitão e de estatura alta esconde da namorada que sua família é composta por nanicos, mas será forçado a contar a verdade em nome de um bem maior. Por esta sinopse simplificada é bem provável que muitos torçam o nariz ou façam comentários irônicos, mas o conflito destacado no drama Na Ponta dos Pés merece respeito e reflexão. Obviamente a trama escrita por Bill Weiner aborda o preconceito praticado contra os anões, um mal que pode existir até mesmo dentro do próprio núcleo familiar. Steven (Matthew McConaughey) é um homem bem sucedido profissionalmente, bonito, de porte atlético e que está feliz da vida namorando a jovem e carismática Carol (Kate Beckinsale), mas ele evita falar de seus parentes alegando que eles são problemáticos. O casal se entende tão bem que nem rola ciúmes quando ele sai para passear e deixa a companheira em casa, mas ele não vai a procura de diversão com outras garotas. Com mais de 1m80 de altura, Steve inevitavelmente chama a atenção quando vai a uma festa familiar, uma espécie de comemoração particular realizada anualmente pelos anões onde ele reencontra seu irmão gêmeo Rolfe (Gary Oldman – com seu tamanho impressionantemente reduzido e crível) que chega em companhia do amigo Maurice (Peter Dinklage), este que descolou no caminho uma namorada “tamanho família”, a espevitada Lucy (Patricia Arquette). Apesar de esconder suas origens, Steven tentava viver em harmonia com seus parentes e amigos baixinhos, mas as coisas tomam outro rumo quando descobre que sua garota está grávida. Ao receber a visita surpresa de seu desconhecido cunhado, Carol demonstra educação e compreensão, tanto que decide por conta própria se encontrar com a família do namorado, mas não consegue esconder sua preocupação em colocar um anão no mundo. Todavia, a parentada leva numa boa a situação, pois por mais bem resolvidos que sejam eles sabem que o mundo é preconceituoso e até a aconselham a procurar tratamentos para tentar fazer com que o bebê nasça completamente “normal”. O problema é convencer o pai que existe essa possibilidade. Steven até tenta encarar a situação com maturidade em nome do amor que sente pela namorada, mas não seria o nascimento de um filho que o faria superar anos de assuntos mal resolvidos, uma espécie de bloqueio que o impede de aceitar o nanismo de sua família.

sábado, 13 de setembro de 2014

CICATRIZES DA GUERRA

Nota 5,5 Mais um drama sobre traumas da guerra do Vietnã,  mais um filme razoável e esquecível

Morrer em combate numa guerra ou sobrevivê-la e carregar o fardo das memórias tristes do período, o que é pior? Muitos filmes abordam a temática sobre como as imagens torturantes de conflitos influenciam negativa e decisivamente na vida daqueles que escapam da morte nos campos de batalha. Cicatrizes da Guerra é mais um drama a somar nesta lista e assim como tantos outros é apenas mais uma produção repleta de boas intenções, mas cujo resultado é no máximo regular. Com direção de Gabrielle Savage Dockterman, que também assina o roteiro em parceria com Ken Miller, o filme tem como protagonista Jake Neeley (Danny Glover) um veterano da Guerra do Vietnã que vive atormentado pelas lembranças de um passado nada honroso quando comandava uma equipe de soldados que eram obrigados a exterminar famílias inteiras, inclusive crianças inocentes pelo simples fato de serem vietnamitas. Abandonado pela esposa que provavelmente não aguentou seus dilemas morais, o ex-tenente vive recluso em uma casa no meio do mato tendo como companhia apenas os animais que cria. Avesso ao contato com pessoas, somente com Kate (Linda Hamilton), a dona de um mercadinho na cidade mais próxima, ele parece gostar de conversar, até porque aparentemente tem uma quedinha por ela, mas seu jeito turrão de ser impede que o relacionamento avance. Contudo, ele será obrigado a olhar a vida com um olhar mais brando quando recebe a inesperada visita de Henry Hocknell (David Strathairn), um dos soldados que ele comandou no Vietnã e que apesar dos horrores que vivenciou acabou voltando tempos depois ao país para reatar os laços com uma paixão dos tempos da juventude. Da união nasceu a esperta e carismática Ling Ing ou simplesmente Lenny (Zoë Welzenbaum) que já é órfã de mãe, mas corre o risco de em pouco tempo também perder seu pai por conta de um câncer. Na manhã seguinte a visita, simplesmente o ex-soldado some sem deixar vestígios e sua filha fica aos cuidados de Neeley que com razão se irrita com a responsabilidade que caiu em suas mãos de uma hora para a outra.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A CASA

NOTA 4,5

Apesar dos poucos recursos longa
compensa com a criatividade, mas na
reta final derrapa tentando explicar
 o que era melhor deixar em suspenso
Para fazer um filme basta uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Será mesmo? A famosa frase até faz sentido, mas deveria ter um elemento acrescido: também é preciso ter uma boa estratégia de marketing a seu favor. O terror A Casa já tinha como diferencial o fato de ser uma produção do Uruguai, país de pouca produção cinematográfica, mas também contou com a publicidade de ser o primeiro filme do gênero filmado em um único plano-sequência. Aos leigos, isso quer dizer que a obra foi inteiramente filmada com a câmera ligada ininterruptamente, mas na verdade trucagens foram realizadas para dar essa sensação de que nada escapou aos atentos olhos do diretor estreante Gustavo Hernández que mesmo com poucos recursos e até mesmo experiência levou adiante seu sonho de fazer um filme afinal criatividade não lhe faltava. De qualquer forma, a sensação do plano único é preservada boa parte do tempo graças ao envolvente clima de tensão crescente, mas quando o cineasta se lembra do detalhe que todo o filme precisa ter uma conclusão o macabro encanto se esvai. A trama, a primeira também escrita por ele, conta com apenas três personagens. A jovem Laura (Florencia Colucci) e Wilson (Gustavo Alonso), seu pai, foram contratados por Néstor (Abel Tripaldi) para fazerem a limpeza e a manutenção de uma velha e isolada casa de campo pertencente a sua família, mas que agora será colocada à venda. Com janelas praticamente sem uma fresta aparente por conta de tábuas e sem energia elétrica, pai e filha dependem de lampiões para enxergarem alguma coisa em meio ao breu, mas nem terão tempo de começar o serviço. Chegaram no finzinho da tarde e pretendiam dormir cedo na sala mesmo, mas estranhos barulhos vindos do segundo andar da residência despertam a curiosidade da garota que acorda seu pai para verificar. Como ele demora a voltar, ela mesma resolve explorar os cômodos, mas a cada passo que dá mais seu medo aumenta diante do desconhecido, um pesadelo que terá de enfrentar sozinha provavelmente até o dia clarear. O enredo é baseado em fatos reais ocorridos em meados da década de 1940 no interior do Uruguai quando foram encontrados em uma casa de fazenda os corpos de dois homens brutalmente torturados. No local também existiam fotografias de forte impacto que ajudaram a polícia a solucionar o caso. Com esta ideia estrategicamente elaborada para ampliar a tensão, Hernández pegou uma câmera digital emprestada com um amigo e em apenas quatro dias filmou uma produção que possui certas características que o aproximariam do estilo do elogiado terror espanhol Rec, mas sua repercussão foi bem menor e justificável.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

VOO UNITED 93

NOTA 9,0

Apostando no realismo, suspense
resgata as tristes lembranças dos
atentados terroristas de 2001, sendo
um importante registro histórico
Por mais que o tempo passe o dia 11 de setembro provavelmente jamais deixará de lado sua aura negra e ainda por várias décadas as lembranças desta data permanecerão vivas graças as memórias de quem vivenciou as dores, choques e incertezas quanto aos ataques terroristas que marcaram não só o ano de 2001, mas toda a História dos EUA e também mundial. Além de sofrer com as notícias truncadas e atualizadas minuto a minuto pela televisão e internet, muitos brasileiros também vivenciaram o pânico por ter parentes e amigos morando nos grandes centros urbanos norte-americanos e naquela fatídica manhã nenhum lugar por lá parecia estar a salvo. Somente quando a poeira literalmente abaixou é que o mundo teve a real dimensão dos ataques e suas consequências. Se as famosas Torres Gêmeas do World Trade Center permanecem em nossas memórias como símbolo da tragédia por conta da segunda aeronave que foi flagrada por câmeras de TV do mundo todo atingindo em cheio seu alvo e chocando a todos, o diretor e roteirista Paul Greengrass nos mostra algo tão impactante quanto no suspense Voo United 93, produção com abordagem extremamente realista e que narra a trajetória do único dos quatro aviões sequestrados naquele dia que não conseguiu cumprir seu destino, ou melhor, o objetivo dos terroristas. Depois de adotar um estilo documental para o pouco visto Domingo Sangrento (dramatização de um protesto irlandês nos anos 70 que acabou em massacre pelas tropas britânicas), mais uma vez ele optou por narrar fatos verídicos a seco, com edição rápida, mínimo de trilha sonora e sem maniqueísmos para estereotipar ou julgar personagens. O filme começa mostrando um grupo de muçulmanos rezando e se lavando como se buscassem a purificação para a missão a que viriam cumprir. Enquanto isso, outras pessoas cumprem suas rotinas sem imaginar que aquele não seria um dia comum, muito menos que elas fariam parte de um triste e histórico episódio. No aeroporto, executivos estão às voltas com o trabalho, famílias fazem planos a curto prazo e pilotos e comissários se preparam para mais um voo com destinos e hora certos. Bem, antes de mais nada, é bom frisar que o filme já nasceu com uma dificuldade a ser driblada: todos sabiam o destino do United 93 de antemão. Terroristas a bordo tinham o plano de sequestrar o avião e com ele atingir o Capitólio (o Congresso Nacional dos EUA), mas graças a coragem dos passageiros e parte da tripulação o plano não deu certo. O trajeto foi desviado e a nave caiu em um local afastado do alvo, mais especificamente na Pensilvânia, mas não evitou que todos que estivessem no voo morressem. De qualquer forma, evitou-se uma tragédia ainda maior. Suspeita-se que o verdadeiro alvo era a Casa Branca em Washington, símbolo máximo da soberania ianque, mas o cineasta limitou-se aos fatos tidos como verídicos para manter a narrativa quase como um trabalho jornalístico e sem espaço para especulações.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

MÁS COMPANHIAS

NOTA 6,5

Comédia de humor negro tem
início irônico e perversamente
realista, mas a certa altura o
diretor viaja e perde seu foco
Diga-me com quem andas e te direi quem és. O velho ditado cai como uma luva para sintetizar a ideia discursada em Más Companhias, comédia com estilo alternativo que visa se comunicar com o público mais jovem, mas não exclui as plateias mais maduras, embora os personagens adultos sejam retratados como verdadeiros neuróticos que circulam entre adolescentes aparentemente sérios e introspectivos. O grande lance é discutir que a falta de comunicação é uma problemática séria dos tempos atuais (e em alguma época deixou de ser um empecilho?). Da dependência química ao desenvolvimento de problemas psicológicos, passando pela soberba e egocentrismo que ajudam as pessoas a fugir de certos assuntos temporariamente, o interessante é que o roteiro de Zac Stanford propõe um mosaico divertido e levemente dramático envolvendo personagens pertencentes à classe-média, uma desconstrução da ilusão de que todos que vivem em casarões com jardins desprovidos de cerca são realmente felizes. E quem ainda acredita que as drogas são um problema das periferias ou de países de terceiro mundo? Está mais do que na hora de rever seus conceitos então. São justamente as substâncias alucinógenas que funcionam como a pólvora prestes a explodir um condomínio de luxo cujos habitantes têm suas rotinas completamente transformadas de uma hora para a outra. Tudo começa com uma visita do adolescente Dean Stiffle (Jamie Bell) ao amigo Troy (Josh Janowicz), mas quando entra em seu quarto descobre que ele cometeu suicídio. O falecido era um dos caras mais descolados do colégio e todos queriam sua amizade por conta de suas famosas “pílulas da felicidade” que faziam a alegria dos jovens da engessada cidade de Hillside. Não havia motivo para ele se enforcar, mas Dean, que o considerava seu único amigo, se já era um sujeito caladão passou a ficar ainda mais introspectivo. Tentando entender como não percebeu que Troy estava infeliz, o que poderia ter evitado a tragédia, o rapaz simplesmente procurou ignorar o que aconteceu, não contou nem mesmo à mãe do suicida, Carrie (Glenn Close), que foi o primeiro a vê-lo morto. Sua reação inerte chama a atenção do seu pai, Bill (William Fichtner), um terapeuta e escritor que adora propagar teorias de que nada é por acaso, tudo tem um propósito. Coincidência ou não, o comportamento de Dean é um de seus objetos de estudos prediletos.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

ALIEN VS. PREDADOR 2

NOTA 0,5

Passado o frustrante impacto do
esperado encontro entre dois dos
mais famosos alienígenas do cinema,
não há razão para uma segunda parte
Quando assumiu a direção e o roteiro de Alien vs. Predador, Paul. W. S. Anderson tinha consciência de que não importava o quanto se esforçasse para criar uma narrativa mirabolante ou procurasse arrancar boas interpretações do elenco, o objetivo do público-alvo da fita era um só: ver os dois grandes ícones do cinema de ficção científica se engalfinhando. Mesmo assim, o cineasta se esmerou para montar um palco adequado para aquela que deveria ser a maior batalha de todos os tempos da sétima arte, mas que no frigir dos ovos revelou-se um tremendo engodo. Colecionando críticas negativas e claramente não tendo mais o truque de marketing em mãos, por que insistir em uma sequência? A ganância realmente cega às pessoas. Mesmo com bilheterias fracas, certamente executivos acreditavam que os custos de um segundo filme seriam cobertos pela venda de DVDs e produtos licenciados aos personagens, mas Alien vs. Predador 2 revela o esgotamento de ideias para manter tais alienígenas em evidência, tanto que a fraca repercussão na terra do tio Sam levou a 20th Century Fox a simplesmente jogar o longa nos cinemas em vários países sem um mínimo da pompa que envolveu o filme anterior. Embora mais violenta, a obra tem sérios problemas narrativos e de direção revelando-se uma desavergonhada desculpa para capitalizar em cima de personagens consagrados, mas a ganância acabou por aniquilar seus futuros nas telonas. Fica um gancho para um terceiro capítulo, mas felizmente ele não foi realizado, porém, Hollywood é imprevisível e parece não aprender com seus erros, portanto, não se surpreenda caso ainda venha existir mais um filme desta franquia. Para começar a difamação, o roteiro de Shane Salerno, um dos responsáveis pelo texto de Armageddon, é vergonhoso trazendo os extraterrestres mais uma vez à Terra, porém, bem no meio de um ambiente urbano. Após a nave dos Predadores ter sua tripulação massacrada pelos Aliens, resta apenas um da espécie para contar história, ou melhor, um PredAlien, um híbrido dos alienígenas que acaba caindo em nosso planeta, mais especificamente em Gunnison, uma pequena cidade do Colorado nos EUA. A criatura consegue produzir um número incontrolável de filhotes, mas um Predador solitário chega de seu planeta natal para exterminar os monstrengos e evitar a proliferação de algozes, mas em meio a essa guerra de outro mundo estarão os humanos que servem como aquecimento para a grande batalha entre as raças.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

ALIEN VS. PREDADOR

NOTA 4,0

Embate entre os alienígenas mais
medonhos do cinema é tedioso, mas
ao menos há o cuidado em oferecer
uma desculpa razoável para o encontro
Para alimentar a indústria do consumo vale tudo, até mesmo ludibriar o consumidor. No caso do cinema, além das refilmagens, tornaram-se comuns produções alicerçadas sob a expectativa dos encontros de personagens ícones, principalmente de desenhos animados e super-heróis. Não coincidentemente, eles também costumam protagonizar curtas vendidos diretamente em DVD com pompa de longa-metragem, rendem como jogos de videogames, brinquedos, vestuário e material escolar e suas vidas parecem não ter fim no mundo dos quadrinhos. Quando Alien vs. Predador foi lançado um vasto arsenal de produtos secundários já tratava de propagar a imagem de dois dos mais famosos alienígenas do cinema e alimentava a esperança de fãs de vê-los juntos em um filme. Mesmo sendo uma produção de ficção científica com pegada de horror, gênero em baixa há algum tempo, eram esperados lucros fáceis nos cinemas e em homevideo, quem sabe até o surgimento de uma nova franquia de sucesso. Baseando-se em experiências anteriores, além do histórico de sucesso de seus filmes individuais, os personagens já haviam se enfrentado em games e nas HQs, mas o embate no cinema soou decepcionante. De fato as cifras alcançadas foram satisfatórias, mas as críticas negativas surgiram em quantidades bem mais generosas. Com roteiro e direção de Paul W. S. Anderson, baseando-se em história própria criada em parceria com Shane Salerno e Dan O’Bannon, a trama começa com o milionário Charles Bishop Weyland (Lance Henriksen) que ao descobrir uma pirâmide na Antártida convoca rapidamente uma equipe de cientistas e técnicos de segurança para explorá-la. Logo descobrem que o monumento reúne características de três culturas ancestrais distintas e, segundo hieróglifos que cobrem as paredes, o local servia para a realização de cerimônias de iniciação nas quais guerreiros precisavam enfrentar uma espécie de violentas serpentes para conseguirem ganhar uma marca que os rotulasse como adultos corajosos. Na verdade, os tais répteis são criaturas da espécie Alien. O lugar foi construído pelos Predadores, uma raça guerreira interplanetária que era reverenciada pela humanidade no passado como deuses, e dentro das paredes da pirâmide está escondida uma gigantesca alienígena pronta para gerar filhotes que servirão de teste para a nova prole dos donos da casa.

domingo, 7 de setembro de 2014

O PEQUENO VAMPIRO

Nota 7,0 Longa conquista crianças e adultos com trama divertida, ligeira e nostálgica

Grandes ideias podem surgir inesperadamente e geralmente impulsionadas por algum tipo de necessidade. Foi isso que aconteceu com Angela Sommer-Bodenburg que de uma simples professora passou a ser uma escritora de sucesso. Ao perceber a carência do setor literário europeu para atender as expectativas do público infanto-juvenil local (certamente bem antes de Harry Potter, as aventuras nas terras de Nárnia e companhia bela caírem no gosto universal), ela mesma decidiu escrever histórias que incentivassem seus alunos ao hábito da leitura. O filme O Pequeno Vampiro é inspirado em seu livro homônimo, um sucesso editorial que gerou pelo menos mais quinze outras obras literárias narrando as aventuras do protagonista de dentinhos afiados e traduzida para mais de vinte idiomas. Um sucesso desse porte não seria ignorado pelos ianques e logo profissionais de Hollywood se aliaram a produtores alemães e holandeses para adaptar a obra para as telas. Com roteiro de Larry Wilson e Karey Kirkpatrick, este também responsável pelo argumento de A Fuga das Galinhas lançado pouco tempo antes, o longa nos apresenta ao pequeno Tony (Jonathan Lipnicki), um garoto que todas as noites tem estranhos sonhos com um clã de vampiros, nada mais natural já que ele vive em um gigantesco e antigo casarão na Escócia onde circulam lendas de que no passado a região era berço das criaturas sanguinárias. Recém-chegado da Califórnia, ele está tendo dificuldades para se adaptar à nova vida e constantemente é humilhado na escola, mas ganhará um improvável amigo. Brincando em seu quarto, certa noite ele chama a atenção do jovem vampiro Rudolph (Rollo Weeks) que o confunde com um de sua espécie. Desfeito o mal entendido, eles acabam fazendo amizade e não demora muito para Tony conhecer a família do amigo e o drama que vivem. Contrariando expectativas, as temidas criaturas da noite revelam-se não ser cruéis como nas histórias de terror. Frederick (Richard E. Grant) e Freda (Alice Krige), os pais de Rudolph, são evoluídos e querem deixar de lado a imagem ruim que os vampiros têm. A dieta a base de sangue humano é trocada por mordidas nos pescoços de bovinos, mas isso ainda é muito pouco para eles viverem com liberdade entre os humanos.

sábado, 6 de setembro de 2014

O HOMEM DAS SOMBRAS

Nota 4,0 Com reviravoltas que transformam suspense em drama, longa é confuso e com falhas

Uma pequena e pacata cidade onde crianças misteriosamente estão desaparecendo e suspeita-se de que um homem encapuzado está rondando a região. Você já viu quantas produções do tipo? Certamente dá até para perder as contas, mas apesar do ponto de partida comum O Homem das Sombras é daqueles filmes onde a certa altura ocorre uma reviravolta e subverte expectativas e clichês. Contudo, isso não significa necessariamente que é um suspense de primeira linha, tanto que no Brasil foi diretamente lançado em DVD o que já revela a falta de confiança da distribuidora em seu produto. Com direção e roteiro de Pascal Laugier, de O Pacto dos Lobos, a história se passa na pequena Cold Rock, mais uma daquelas cidades norte-americanas que parecem paradas no tempo, que está sofrendo com o fato de diversas crianças estarem desaparecendo nos últimos tempos sem deixar qualquer rastro, mas nem esse problema conseguiu atrair atenção da mídia ou das autoridades, até por conta do comodismo dos próprios moradores. Os adultos que lá vivem em sua maioria são ignorantes e levam uma vida miserável, assim são supersticiosos e creem fervorosamente na lenda urbana sobre o Homem Alto, uma figura estranha que dizem somente ser avistada nas noites em que menores coincidentemente somem. Mesmo morando em uma casa isolada, no entanto, o pequeno David (Jakob Davies) não escapou de aumentar as tristes estatísticas. Ao testemunhar o rapto do garoto na calada da noite, sua mãe, a enfermeira Julia (Jessica Biel), passa a perseguir o tal sequestrador, até consegue provocar um acidente com o caminhão que ele dirigia, mas todos seus esforços são em vão e ela acaba desacordada em uma área de matagal. Algum tempo depois de ser socorrida, de uma hora para a outra a moça passa de vítima a suspeita e então é caçada incansavelmente pela população local. O curioso é que seu recém-falecido marido, o médico local, era uma pessoa adorada e respeitada por todos. Por que a rebeldia contra sua esposa de repente? A resposta pode estar com sua amiga Christine (Eve Harlow) cuja participação na trama merece ficar em segredo para não estragar algumas das reviravoltas desta história. Mesmo com a premissa que recicla velhas lendas para assustar a molecada, no fundo as intenções era discutir o descaso dos pais alienados e caipiras no trato com seus filhos, estes que dada as circunstâncias talvez devessem implorar pelo sequestro.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O CLOSET

NOTA 9,0

A França prova que sabe fazer
boas comédias e com conteúdo, só não
leva nota máxima porque seu estilo
enxuto nos dá gostinho de quero mais
Infelizmente ainda tem gente que rotula o cinema francês como dramático demais, feito para intelectuais ou erotizado, reminiscências do estereótipo que criamos já que as produções do país costumam chegar ao Brasil graças a mostras de cinema ou salas de exibição alternativas. As coisas mudaram um pouco já faz um bom tempo, até surpreende a quantidade de filmes franceses que são lançados diretamente para consumo doméstico, mas ainda tem ótimas opções que infelizmente continuam relegadas a uma pequena faixa de espectadores. O Closet poderia ter sido um grande sucesso de público em qualquer país, mas o passar dos anos mostra que ele acabou involuntariamente ganhando uma aura de sofisticação, ainda mais por ser uma obra rara de ser encontrada a venda ou locadoras. O diretor e roteirista Francis Veber, de A Gaiola das Loucas (versão original é francesa e datada de 1978), provou que seu país tem sim condições de fazer comédias divertidas e sem abrir mão do conteúdo e da emoção. O início já mostra uma situação universal. Quem nunca viveu ou já viu alguém passando pelo constrangimento de ser esquecido em algum evento de trabalho ou até mesmo em ambiente escolar? Que atire a primeira pedra aquele que realmente se sente a vontade ou que acha divertido ficar caçando a si mesmo em meio a multidão nas ridículas fotos de publicidade empresarial. François Pignon (Daniel Auteuil) se arrumou todo para a fotografia anual de sua empresa, mas o excesso de funcionários acabou fazendo com que ele ficasse fora do quadro da câmera e até desistisse de participar da celebração. Não sair literalmente bem na foto poderia ser uma tola frustração, isso se logo em seguida ele não ficasse sabendo por acaso que em breve seria demitido no corte de despesas e tal notícia não tivesse saído da boca de Félix Santini (Gérard Depardieu), o diretor do RH que claramente não gosta dele. A grande preocupação não é tanto ficar com tempo ocioso ou ter que procurar uma nova ocupação, o que poderia levar um bom tempo, mas sim não ter como pagar a pensão para o filho adolescente Franck (Stanislas Crevillén) e à ex-mulher Christine (Alexandra Vandernoot), de quem está separado há dois anos, mas ainda apaixonado. Mãe e filho não fazem muita questão de manter contato com Pignon por considerá-lo um chato e agora que os boatos que será demitido já circulam por todos os departamentos ele também descobre que seus colegas de trabalho compartilham da mesma opinião.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

IGUAL A TUDO NA VIDA

NOTA 6,5

Procurando renovar seu público
e exaltar seu estilo, Woody Allen
oferece uma comédia leve, mas que
a certa altura perde o encantamento
Gostem ou não de suas obras, não se pode desrespeitar a trajetória do cineasta Woody Allen que poderia ter se aposentado ainda nos anos 90, mas continua sua carreira com mesmo ritmo da juventude. Lançando praticamente um filme por ano, é natural que a maioria deles fique restrita aos seus fãs que já estão acostumados e apreciam seu estilo característico de contar histórias. Não é a toa que Igual a Tudo na Vida é lembrado com carinho por muitos “woodymaníacos”, mas passou longe de ser um sucesso de repercussão. Na verdade nem os mais aficionados consideram um dos melhores trabalhos dele, mas após uma sucessão de filmes medianos, que se valiam mais pelo elenco, ele voltava a mostrar equilíbrio entre a direção de atores e o texto afiado, talvez até porque de certa forma se inseriu na narrativa duplamente. Além de atuar, ele tem um improvável alter-ego: Jason Biggs. Sim, aquele cara que protagonizou os três primeiros filmes American Pie e mais um punhado de comédias que não vingaram entrou para a seleta lista de Allen. Ele interpreta Jerry Falk, um roteirista em início de carreira que não está vivendo um bom momento em vários aspectos. Ironicamente, o trabalho de Falk é justamente voltado ao campo da comédia, mas sua vida sem graça em nada o inspira. Ele é apaixonadíssimo por Amanda (Christina Ricci), mas a garota não “o procura” há meses e mesmo entre tantas idas e vindas não consegue esquecê-la, assim como também não tem coragem de abandonar seu empresário Harvey (Danny DeVito) que não lhe arranja bons contratos, porém, ele é seu único cliente e o baixinho lhe apoia toda vez que rompe com a namorada. O jovem na realidade sofre de sérios problemas afetivos e esquiva-se de terminar relações, sejam amorosas ou de amizade, por medo de se sentir sozinho, tanto que nem mesmo consegue abandonar a terapia com um incompetente psiquiatra (William Hill). Para completar o inferno astral, sua sogra Paula (Stockard Channing), uma cantora decadente de barzinhos, mudou-se provisoriamente para sua casa e não o deixa se concentrar para escrever, mas por que aguentá-la se a sua própria companheira o rejeita? Para reafirmar que o problema é indiscutivelmente ele mesmo, Amanda o libera para dormir com outras mulheres e não perde a chance de sair casualmente com homens que lhe atraem para ver o que acontece com sua libido.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

CORAÇÕES APAIXONADOS

NOTA 5,0

Narrativa-mosaico para falar
de amor falha ao destacar tramas
desinteressantes que não cativam o
espectador, mesmo com bons atores
As narrativas do tipo mosaico, aquelas que paralelamente desenvolvem várias histórias e personagens, viraram moda entre as produções dos anos 2000, sendo que tal opção aparentemente é quase como meio caminho andado para um filme colher elogios ou concorrer a prêmios. Realmente é preciso ter muito talento para conduzir roteiros do tipo, um estilo cujo maior expoente é o saudoso diretor Robert Altman. Muitos atores renomados ou em evidência em sua época aceitavam participar de seus trabalhos mesmo que ficassem em cena menos de cinco minutos, mas só o fato de ter o nome vinculado a um projeto com embalagem mais sofisticada já era recompensador. Se realmente é essa relação de status que os astros buscam está justificado o bom elenco reunido para o drama romântico Corações Apaixonados, estreia na direção do diretor Willard Carroll que narra os conflitos de onze personagens principais, todos residentes em Los Angeles, que desfilam pela tela aparentemente sem relação alguma um com o outro. Melhor dizendo, todos buscam a felicidade em relações amorosas, mas cada um vivencia tal sentimento de uma maneira diferente. Paul (Sean Connery) e Hannah (Gena Rowlands) formam um casal unido há quatro décadas, mas alguns fantasmas do passado precisam ser exorcizados para manter a relação saudável. Milfred (Ellen Burstyn) vai redescobrir o que é ser mãe agora que reencontrará seu filho Mark (Jay Mohr) que vivencia um momento delicado por conta das complicações da AIDS. Gracie (Madeleine Stowe) é uma mulher que mesmo casada busca constantemente carinho e diversão na companhia de Roger (Anthony Edwards) que também trai sua esposa, mas no fundo tal situação não a agrada. Já Meredith (Gillian Anderson) é uma diretora de teatro que por conta de um pequeno acidente acaba conhecendo Trent (Jon Stewart) por quem demonstra interesse e é correspondida, no entanto, uma experiência traumatizante em seu passado acaba a impedindo de vivenciar o amor novamente, mas ao mesmo tempo ela anseia por isto. Representando os mais jovens, Joan (Angelina Jolie) é uma moça extrovertida que conhece Keenan (Ryan Phillippe) em uma balada, se apaixona imediatamente e é do tipo que não mede esforços para ter o que quer, porém, o rapaz teme o amor por conta de sua última namorada que teve um fim trágico. Por fim, Hugh (Dennis Quaid) é um homem de meia-idade cujo passatempo é contar mentiras sobre sua vida íntima para estranhos.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

QUEM É CLARK ROCKEFELLER?

NOTA 7,0

Biografia narra de forma
ligeira a trajetória de um dos
maiores golpistas dos EUA, mas
curta duração deixa a obra a desejar
Um homem consegue trocar de identidades com facilidade várias vezes ao longo de toda a sua vida e até alcança o feito de enganar a própria esposa por muitos anos, esta que não estranha o comportamento atípico do marido. Argumento ótimo para uma telenovela? E se ele fosse baseado em fatos reais renderia um bom filme? O diretor Mikael Salomon, da série de TV “Bando f Brothers”, ficou em cima do muro entre as mídias para contar uma história que de tão mirabolante é difícil de acreditar. O telefilme Quem é Clark Rockefeller? pelo capricho  técnico da produção e premissa poderia muito bem ser um produto de cinema, mas sua duração enxuta e mal aproveitamento de um material extremamente instigante acabam tornando a fita uma opção melhor para matar o tempo livre em casa. O roteiro de Edithe Swensen narra a história de Christian Karl Gerhartsreiter, um alemão impostor condenado a cumprir uma sentença de 27 anos de reclusão em solo norte-americano acusado de assassinato, mas sua ficha criminal é extensa. Na adolescência ele se mudou para os EUA e desde então viveu assumindo diversas identidades. Colecionador de arte, capitão de navio, astrofísico, executivo de fama internacional, aristocrata inglês, médico e, por fim, contador com inclinação à filantropia. O ator Eric McCormack, famoso pelo seriado “Will e Grace”, assume o papel do falsário quando ele passa a usar a identidade de Ckark Rockefeller e o enredo se concentra primeiramente nos eventos que aconteceram em sua vida a partir de 1995, ano em que ele se casou com Sandra Boss (Sherry Stringfield), uma bem-sucedida executiva. Eles tiveram uma única filha e durante anos este homem levou uma vida próspera às custas do dinheiro da esposa. Contudo, chegou um momento em que a mulher se cansou de sustentar um marmanjo, ainda mais diante de estranhos fatos que começou a notar em relação ao marido, e assim começou a decadência de um dos maiores golpistas que já habitaram a terra do tio Sam. Resumidamente a trama é essa, mas é nos detalhes do passado obscuro do protagonista e na maneira como ele foi desmascarado que reside o ponto de interesse da fita, ainda que em se tratando de um filme feito para a TV é de se esperar a economia e pudores do enredo que opta por aglomerar o máximo de informações possíveis em um curto espaço de tempo. Mesmo assim é uma opção acima da média para o formato.

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