sábado, 31 de agosto de 2013

END GAME

Nota 1,0 Presidente dos EUA é vitimado mais uma vez em suspense repetitivo e desenecessário

Ganhar um Oscar pode ser positivo e também negativo. Alguns artistas após um elogiado e premiado trabalho acabam caindo em uma espiral de fracassos e outros em contrapartida só ganham ou acumulam ainda mais prestígio. E tem aqueles atores que mesmo atuando em verdadeiras bombas acabam alimentando a fama de que “é o cara”. Esse é o caso de Cuba Gooding Jr. que ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Jerry Maguire – A Grande Virada, mas depois disso fez pouquíssimos filmes que escaparam de serem duramente criticados ou até mesmo caindo no ostracismo de imediato ao lançamento. Todavia, não é difícil encontrar aqueles que ao verem seu nome estampado em um cartaz de cinema ou na capa de um DVD logo dispararem algo do tipo “esse filme deve ser bom, ele só faz coisa boa”. Coisa boa? Só peneirando duas ou três vezes sua filmografia para ver o que ela tem de bom. O fato é que seu jeito de cara malandro acaba criando empatia com o público e talvez por isso o ator não funcione em papéis mais sérios como o que ele encarna no chato suspense policial End Game. Aqui ela dá vida a Alex Thomas, um agente do Serviço Secreto responsável pela segurança do Presidente dos EUA (Jack Scalia). Certo dia, logo que chega a um evento público em uma universidade o político é atingido por um tiro certeiro e morre. Thomas passa a se sentir culpado pelo ocorrido, já que ele tentou desviar a bala de seu percurso original (super-herói com visão biônica?) e talvez esse pequeno detalhe possa ter provocado a tragédia. Agora o rapaz está obcecado pela ideia de resolver o crime e ganha uma importante aliada, a repórter Kate Crawford (Angie Harmon), mas cada novo suspeito ou pessoa ligada ao presidente que conseguem ter contato logo em seguida acaba morrendo em condições violentas. Logo os dois também passam a ser alvos de criminosos. Resumidinho dessa forma, até que o filme roteirizado e dirigido por Andy Cheng, ator de A Hora do Rush experimentando novos caminhos profissionais, daria para ser encarado afinal a premissa comum é perfeita para matar o tempo sem precisar usar o cérebro, mas infelizmente o longa tenta ser mais inteligente que suas reais possibilidades adicionando a suspeita de uma empresa ilegal estar ligada ao assassinato e até que o político poderia ser dependente de uma droga. O problema é que a maioria dos tiros do roteiro não estilhaça alvo algum, simplesmente somem no ar sem contribuir em nada para a história, apenas ajudam a torná-la pior.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

PAPARAZZI

NOTA 6,5

A falta de escrúpulos dos
paparazzi é colocada em xeque,
mas longa de ação não se
aprofunda na discussão
Como diz o ditado, uma imagem vale mais que mil palavras. Desde o primeiro dia em que a fotografia passou a fazer parte dos jornais impressos, um elemento chamativo e que muitas vezes funciona melhor que um longo texto, certamente fotógrafos profissionais e amadores começaram a se espalhar por todos os cantos para conseguirem aquele flagra inesperado de um acidente, de uma situação bizarra ou de uma cena comprometedora de alguém público. A atividade passou a ganhar cada vez mais importância, principalmente após o surgimento da televisão e das revistas de fofoca, e hoje em dia vivemos o ápice do ataque dos fotógrafos de plantão já que vivemos tempos em que celebridades não preservam suas intimidades e subcelebridades chegam ao cúmulo de enviar comunicados aos membros da imprensa avisando sobre coisas prosaicas, como avisar que estarão em tal festa ou salão de cabeleireiros. Tudo vale para ter aquela foto que vai causar burburinho, mas nem sempre o resultado é positivo tanto para o famoso quanto para o anônimo que se encontra atrás dos flashes. É justamente essa relação conturbada que no fundo move o longa de ação Paparazzi, produção que infelizmente não fez muito sucesso, mas é divertida, levemente reflexiva e apesar de datada de 2004 continua super atual. Escrito por Forrest Smith, o filme conta a história de Bo Laramie (Cole Hauser), um ator que está em ascensão em Hollywood e virando um astro dos filmes de ação graças a um projeto que está para ser lançado e com possibilidades de se tornar uma rentável franquia cinematográfica. Logo na noite de pré-estreia de “Adrenaline Force”, seu mais novo trabalho, ele já sente o peso da fama e o incômodo dos flashs dos paparazzi, mas parece lidar bem com o assédio dos fãs e da imprensa. O problema é que por tabela sua mulher Abby (Robin Tunney) e seu filho pequeno Zach (Blake Bryan) também deverão aprender a ter jogo de cintura com toda fama repentina de Bo. As coisas complicam quando momentos íntimos e cotidianos do astro passam a estampar revistas e jornais com manchetes em tom de fofoca. Após ver publicadas fotos suas e da família nus em uma praia e a imagem de um abraço de uma fã descrita como uma possível amante de Bo, o bicho pega quando ele flagra Rex Harper (Tom Sizemore) fotografando seu filho durante um treino de futebol na escola. Sempre tentando contornar a situação da melhor maneira possível, ele tenta conversar amigavelmente com o fotógrafo, mas acaba perdendo a cabeça e lhe agredindo. Para sua surpresa, muitos outros paparazzi surgem inesperadamente de dentro de uma van e flagram mais essa situação. Do céu ao inferno, de uma hora para a outra Bo passa a ser acusado nas mídias como agressor e o caso vai parar nos tribunais, rendendo-lhe a sentença de uma grande quantia de indenização ao agredido e a obrigação do ator passar a frequentar a terapia.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

SEU AMOR, MEU DESTINO

NOTA 3,0

Romance feito para adolescentes
é repleto de clichês, mas o que
incomoda é a apatia dos atores e
as relações pouco críveis
Quem disse que falar de amor para adolescentes só funciona atrelado ao gênero da comédia? Bem, se levarmos em consideração o exemplo de Seu Amor, Meu Destino realmente é melhor acreditarmos que a paixão só nasce mesmo após alguns micos ou umas intrigas, quando finalmente caem as fichas dos interessados que eles foram feitos um para o outro. Com uma passagem relâmpago pelos cinemas, o trabalho do diretor estreante Mark Piznarski realmente é esquecível porque no fundo parece uma colcha de retalhos mal feita. Excluindo cenas escatológicas, de humor pastelão e de apelo sexual tão comuns em produções destinadas aos jovens (ainda bem), o cineasta teve a boa vontade de fazer algo diferente para este público, mas infelizmente se perdeu pelo caminho deixando o amor em segundo plano e exaltando a redenção adicionando exemplos edificantes ao enredo. O roteiro de Michael Seitzman conta a história de três jovens que tiveram suas vidas mudadas por completo quando seus caminhos se cruzaram. Prestes a se formar no colégio, o arrogante Kelley Morse (Chris Klein) ganhou um carro caríssimo do pai e certa noite resolve sair às escondidas com os amigos para comemorar e, obviamente, se exibir passeando por uma cidade vizinha a sua escola. Ele acaba arranjando confusão com alguns moradores em uma lanchonete de beira de estrada e provoca a ira do humilde Jasper (Josh Hartnett) quando começa a paquerar sua namorada, a recatada Samantha (Leelee Sobieski). Os rapazes então começam a disputar uma corrida de carros em alta velocidade que termina com a explosão de uma bomba de gasolina e a destruição da tal lanchonete que pertence a família da moça que sem querer motivou tudo isso. A velha regrinha do quebrou pagou é então aplicada. Como castigo, os dois marrentos precisarão reconstruir o estabelecimento, o que significa que por um bom tempo eles terão que conviver juntos e deixar o orgulho de lado, mesmo se odiando e pertencentes a mundos completamente diferentes. Contudo, a convivência com os mais simples, principalmente com Samantha, faz com que Kelley aprenda que dinheiro não é tudo na vida e passe a ver as coisas com um olhar mais otimista, inclusive deixando aflorar seus sentimentos pela moça. Já para Jasper a situação só deve ter lhe trazido dores no corpo, pois seu relacionamento com a adolescente é um tanto frio.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

VELOZES E MORTAIS

NOTA 6,0

Embora previsível e com carga
mínima de suspense, longa
prende atenção com atmosfera
claustrofóbica e boas cenas de ação
No momento em que um filme é lançado nem sempre é possível fazer uma avaliação correta, pois há muitos fatores que o cercam que podem influenciar ou afastar o público. Com o passar do tempo os efeitos negativos ou positivos das estratégias comerciais ainda podem exercer poder de persuasão e manipular a opinião dos espectadores. Um bom exemplo da ação do marketing pode ser verificada em “Highwaymen”, algo como os bandidos da estrada, que estreou no Brasil com o título Velozes e Mortais, escancaradamente uma alusão à franquia Velozes e Furiosos que em meados de 2004 ainda estava em seus primeiros capítulos, mas já somava uma grande quantidade de fãs. Essa jogada publicitária na época não surtiu efeito, o longa passou pelos cinemas sem causar furor, e certamente hoje em dia a forçada ligação entre as produções soa como truque para enganar trouxas. Outro ponto que poderia ter beneficiado a carreira do filme é que ele é estrelado por Jim Caviezel. Quem? Realmente o tempo passou e o ator não vingou como se esperava, mas na época ele estava em evidência por ser o protagonista de A Paixão de Cristo, um dos filmes mais polêmicos e de maior bilheteria daquele ano. Na verdade este projeto era um tanto desacreditado por seus realizadores e Caviezel nem aparecia no pôster original que dava destaque para a mocinha da trama vivida por Rhona Mitra. O rapaz filmou este trabalho sem grandes pretensões pouco antes de interpretar Jesus Cristo sob a batuta do diretor Mel Gibson, mas certamente a obra só viu a luz do dia após o mundo aplaudir o sofrimento do ator sentindo na pele as dores das chibatadas e da crucificação. Todavia, seria injusto dizer que este suspense só existe por conta de oportunismos. Embora não seja memorável, este road movie consegue prender a atenção do espectador com uma trama bastante simples e previsível. Roteirizado por Craig Mitchell e Hans Bauer, a narrativa segue a obsessão que rege o cotidiano de Rennie Cray (Caviezel), um homem amargurado e movido pelo sentimento de vingança que deseja encontrar o homem que há cinco anos atropelou propositalmente sua esposa. Vendo claramente o assassinato, ele não pensou duas vezes antes de perseguir o criminoso e acabou provocando um grave acidente que o levou a ser preso por três anos e a abandonar a carreira de médico, enquanto para James Fargo (Colm Feore), o verdadeiro bandido da história, sua pena foi ficar quase dois anos internado em um hospital, mas não para tratar de sua saúde mental e sim do seu físico que teve várias partes comprometidas que foram substituídas por peças mecânicas. No final das contas estes dois homens acabam se tornando inimigos mortais e por motivos semelhantes. De uma forma ou de outra, ambos tiveram suas vidas modificadas para sempre quando seus caminhos se cruzaram.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O SOM DO TROVÃO

NOTA 2,5

Aventura futurista faz uma
metáfora da relação do homem
e a natureza, mas comete falhas
e tem visual retrô e tosco
Poder viajar no tempo é uma fantasia comum a todas as pessoas, desde pensamentos infantilizados como poder voltar a época dos homens das cavernas ou objetivos mais maduros como ter a chance de corrigir algum erro que por ventura tenha cometido, e o cinema sempre se aproveitou do fascínio que tal ideia exerce universalmente. Grandes clássicos do passado nos mais variados gêneros beberam nessa fonte, mas é óbvio que os suspenses e as aventuras com um quê de ficção científica levam vantagem nessa área, um campo fértil e propício para testar novas tecnologias em busca de imagens e efeitos visuais cada vez mais impressionantes. Bem, é muito agradável imaginar que uma simples mudança no passado pode tornar a vida de um indivíduo no presente ou futuro bem melhor, mas esse é um pensamento mesquinho, um tanto individualista. Sabia que essa alteração poderia influenciar a vida de outras pessoas em menor ou maior grau também? Agora pegue esse conceito e aplique em uma situação mais abrangente, como aquele copinho plástico que vez ou outra você acaba jogando na rua. Pois é, esse simples ato somado ao de outras pessoas pode significar a enchente do próximo verão, aquele transtorno que te fará ficar parado na rua, destruirá o lar de alguém e pode até provocar mortes. Pode parecer algo muito apocalíptico, mas é uma teoria que tem fundamentos e que serve como base para a narrativa de O Som do Trovão, mescla de aventura e ficção científica dirigida por Peter Hyams, o mesmo que já havia explorado a extinção da humanidade sob uma ótica mais supersticiosa em Fim dos Dias. Neste caso o cineasta deixou de lado as crenças para buscar inspiração na ciência, mais especificamente na chamada Teoria do Caos que pode ser resumida como o passar dos anos justificando nossos atos. Se hoje o mundo sente frequentemente a fúria da natureza através de tsunamis, furacões e outras manifestações do tipo não devemos considerar que tudo acontece por acaso. Felizmente boa parte da população mundial já tomou consciência de que o ser humano há anos interfere drasticamente no clima, relevo e transformações de animais, por exemplo, sempre em busca de melhores condições de vida para si mesmo o que inerentemente envolve lucros e tecnologia. Pensamentos do tipo certamente passaram pela cabeça do renomado romancista Ray Bradburt quando escreveu o conto homônimo e visionário que originou este longa-metragem. Publicado originalmente em 1952 em uma revista, a temática do texto é extremamente atual, faz uma metáfora ao comportamento humano em relação a natureza, mas é uma pena que sua adaptação cinematográfica jogue por água abaixo as chances de seu conteúdo ser bem aproveitado. A precariedade da produção infelizmente salta aos olhos e é difícil alguém prestar atenção na narrativa quando o incômodo visual se faz presente do início ao fim.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE LENA BAKER

NOTA 7,5

Drama relembra a história de
mulher que foi condenada a
morte por conta do preconceito,
injustiça "corrigida" anos depois
Uma mulher é condenada a morte por conta do assassinato de um homem, mesmo alegando que agiu em legítima defesa. Esse realmente é o desfecho de A Verdadeira História de Lena Baker, mas saber como essa produção acaba não tira o prazer e a emoção de acompanhar a dramatização da história real da primeira e única mulher a ser condenada a cadeira elétrica no estado da Georgia, nos EUA. Se hoje em dia o preconceito racial ainda gera muitas discussões em todo o mundo, imagine como as coisas eram no início do século 20, principalmente em solo americano que serviu de palco para alguns dos principais conflitos étnicos da História mundial, em especial a região sul do país que virou uma espécie de refúgio dos negros. Lena Baker (Tichina Arnold) nasceu no dia 08 de junho de 1901 em uma família humilde, mas o longa escrito e dirigido por Ralph Wilcox não conta a história desta sofrida mulher de forma linear. Baseado no livro de Lela Bond Philips e Karam Pittman, a narrativa na verdade começa na noite de 30/04/1944, data que mudaria o destino de Lena radicalmente. Seu choro sincero já denuncia que ela fez algo de muito grave, mas descobrir o que a levou a cometer um ato de loucura é o que importa nesta produção que constantemente vai e volta no tempo. Quando criança, Lena era uma garota muito ajuizada, religiosa e esforçada que ajudava a mãe Annie (Bevery Todd) na colheita de algodão nas fazendas da região, mas já demonstrava sua indignação quanto ao preconceito que os negros sofriam. Assim como ocorreu no Brasil, a libertação dos escravos em terras americanas teoricamente foi cumprida, mas na prática as coisas continuaram na mesma, pois não haviam alternativas para os recém-libertos trabalharem fora das lavouras ou serviços domésticos nas casas dos brancos. Contudo, Lena chegou a conhecer patrões muito bondosos, embora sua mãe sempre recomendasse que a garota tomasse conhecimento de sua posição na sociedade. Quando adolescente, seu grande amigo de infância Royal (Laman Parkins Jr.) acabou se metendo em uma confusão por ter matado um homem e decidiu abandonar o campo e fugir para a cidade grande e foi no desespero que Lena também resolveu jogar tudo para o alto e tentar mudar os rumos de sua vida, assim com sua Netty (Jasmine Farmer). Contudo, as garotas não conseguem mais achar Royal e as coisas se mostram mais difíceis do que pareciam. Lena sonhava em ter seu talento como cantora reconhecido nos clubes noturnos, habilidade que já demonstrava nos corais da igreja, mas acabou tendo que se prostituir, situação que encarava com mais dificuldades que sua amiga. Lena detestava o que fazia e não aguentava mais ser alvo de fofocas nas ruas, proibida de frequentar a igreja e ser rejeitada pela mãe.

domingo, 25 de agosto de 2013

NO RITMO DO AMOR

Nota 4,0 Drama reúne diversos temas interessantes, mas nenhum é explorado satisfatoriamente

Em meados da década de 2000 houve um boom de filmes em que a dança era a grande protagonista. Valsa, tango, lambada, salsa, hip hop, balé, praticamente todos os ritmos e estilos de dança viraram inspiração para diretores que exploraram tal onda, mas tudo que é demais cansa. Com o tempo os enredos começaram a ficar muito parecidos, geralmente histórias de amor e/ou superação, o que levou os números musicais a ganharem maior destaque sobre a própria trama. Tentando equilibrar história e dança o roteirista e diretor Eitan Anner recheou de boas intenções o seu No Ritmo do Amor, um leve drama que procura abordar muitos assuntos, mas o resultado final fica aquém do esperado, ainda mais por se tratar de uma produção diferenciada, um produto vindo de Israel cuja filmografia não tem grande projeção. A trama gira em torno do pré-adolescente Chen (Vladimir Volov) que vive em um lar sem harmonia na pacata cidade de Ashdod. Lena (Oxana Korstyshevska), sua mãe, é de origem russa, é culta e estava acostumada a levar uma vida confortável e a diversões como ir ao teatro ou jantar fora, mas agora sofre com o descaso do marido, Rani (Avi Kushnir), um homem mais rudimentar, tradicional e contraditório. Ao mesmo tempo em que nunca se lembra do aniversário de casamento ele também tem a pretensão de fazer de seu filho uma pessoa melhor do que a idealizada futilmente pela esposa. Todavia, Chen pode fugir do caminho traçado pelo pai. Ele troca os golpes de judô pelos passos de dança quando conhece Natalie (Valeria Volvodin) numa escola cujos bailes sua mãe gosta de frequentar. Para se aproximar da garota ele resolve se matricular nas aulas apesar de não ter jeito para o bailado. No início parece que a professora Yulia (Evgenya Dodino) não bota fé no garoto e sabe bem por qual motivo ele está nas aulas, mas ainda assim resolve lhe dar uma chance, porém, o obriga a dançar com Sharon (Thalya Raz), aparentemente uma garota pouca popular da turma e que se estranha com o menino logo de cara. Adotando o tom açucarado e clichê típico de produções semelhantes made in Hollywood é óbvio que o final feliz está garantido e que Chen com o passar do tempo enxergará Sharon com outros olhos, mas o que deixa um gostinho incômodo no final das contas é que haviam boas subtramas desprezadas.

sábado, 24 de agosto de 2013

O VISITANTE (2006)

Nota 4,0 Reciclando conto do falso milagreiro, longa perde rumo tentando ser mais do que pode

A perda da fé abrindo portas para as forças do mal penetrarem é um dos temas mais corriqueiros das fitas de terror e suspense, mas a crença exagerada também pode se tornar um problema. A enganação de populares através de cultos religiosos é o cartão de visitas do suspense O Visitante. Baseado no livro homônimo de Frank Peretti, a história roteirizada por Brian Godawa tem suas ações concentradas na pequena cidade de Antioch que há alguns anos teve sua aparente tranquilidade abalada por causa da morte de uma mulher em circunstâncias estranhas. Sabe-se que ela foi assassinada, mas o crime acabou sendo arquivado por falta de pistas, o que levou o pastor Travis Jordan (Martin Donovan) a se decepcionar e abandonar a religião afinal Deus o desamparou no momento em que mais clamava por justiça. Anos depois, o jovem Michael Eliot (Noah Segan) sofre um grave acidente de carro a noite numa estrada deserta, mas milagrosamente escapa da morte. Ele se lembra que enquanto estava no local do incidente teve uma visão. Três homens surgiram do nada e um deles o avisa que “ele” está chegando à cidade. Na mesma noite o trio também é visto na igreja e o zelador do local que sofria com problemas nos joelhos repentinamente se cura. Novamente é dita a frase de que “ele” está chegando. Tais notícias se espalham com rapidez pela região e a população fica alvoroçada. Travis é procurado por outros membros religiosos para debater o assunto e seu ceticismo é colocado em xeque, ainda mais depois que ele próprio teve a visão misteriosa. Enquanto o grupo conversa a portas fechadas um novo milagre ocorre dentro da própria igreja e em um curto espaço de tempo também acontece em uma loja de conveniências. As evidências apontam que os eventos inexplicáveis coincidem com a chegada de um novo morador à cidade, o jovem Brandon Nichols (Edward Furlong), que trabalha em uma fazenda nas redondezas. O rapaz parece conhecer bem os moradores locais e não demora muito para que consiga reunir um grande número de pessoas em um mesmo local em busca de suas mensagens de fé e curas milagrosas. Até o xerife Brett Henchle (Richard Tyson) passa a acreditar em tudo isso, mas Travis tem certeza de que existem coisas erradas nesta história e não vai deixar de investigar até o fim e vai contar com a ajuda de Morgan (Kelly Lynch), a mãe de Michael que também não está convencida de que um profeta enviado dos céus está entre eles.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A VÍTIMA PERFEITA

NOTA 7,5

Longa relata fato real sobre
uma jovem descontente com a
vida que tinha e que buscou a
solução almejando a vida de outra
Que atire a primeira pedra aquele que nunca desejou em algum momento viver a vida de uma outra pessoa, seja ela uma personalidade ou um indivíduo comum? A vontade de ter alguma coisa ou ser como alguém pode ser benéfico, uma alavanca para determinar metas em busca de um objetivo que traga satisfação, mas infelizmente na maioria dos casos tais vontades podem se transformar em sentimentos ruins como inveja e obsessão levando alguém angustiado ou com raiva a atos contraditórios que não raramente traem até seus próprios princípios. Claro que em casos que chegam a situações extremas de loucura as pessoas em questão não são normais e sofrem de distúrbios psicológicos, problemas que podem ser nutridos desde a infância e que muitas vezes são omitidos por quem sofre e imperceptíveis aos que convivem com elas. Não é de se estranhar que existam tantos casos de crimes bizarros envolvendo a inveja e o longa A Vítima Perfeita relata um deles, uma mescla de drama e suspense baseada em fatos reais que conta a história de uma jovem que odiava a própria vida e por isso decidiu tomar a de outra pessoa. Com roteiro e direção de Simone North, o filme narra a história de Caroline Reid (Ruth Bradley), uma moça solitária e que vê problemas em sua forma física e na maneira como sua vida se desenrola, mas que deseja intensamente mudar seu cotidiano radicalmente. O problema é que em sua mente perturbada a solução não seria ela própria encontrar o que está errado consigo mesma e tentar mudar, mas sim tirar uma garota de seu caminho, Rachel Barber (Kate Bell), uma jovem que ela julga ser perfeita em todos os aspectos. Literalmente ela deseja trocar de lugar com a vizinha de bairro e assumir sua rotina, mas até onde ela poderia em busca desse insano desejo? Tomada pela obsessão, Caroline dá um jeito de se aproximar de sua vítima e estreitar laços de amizade, embora já se conhecessem a algum tempo. Com o contato estabelecido, logo Rachel demonstra confiar na nova amiga, partilha segredos e compactua em não revelar a ninguém sobre a amizade entre elas. Pode parecer muita ingenuidade, mas a garota aparentemente super popular não leva a vida feliz que Caroline acredita e vê nessa relação a amiga que ela sempre quis ter, portanto nada mais natural que tentar preservá-la ao máximo.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

MATEMÁTICA DO AMOR

NOTA 3,5

Jovem que cresceu em meio a
números e problemas mal
resolvidos repentinamente
precisa se adaptar ao mundo real
O título é bem simpático, poderia ser uma alusão a algo do tipo quando um não quer dois não brigam, mas na realidade o filme em si é estranhíssimo. As operações matemáticas já estiveram presentes em alguns filmes como os premiados Gênio Indomável e Uma Mente Brilhante, mas a diretora Marilyn Agrelo se perdeu entre os números e a poesia em Matemática do Amor, sua estreia nos cinemas. Baseado no livro “An Invisible Signo f My Own” de Aimee Bender, o longa é mais um a explorar o filão dos filmes sobre professores que inspiram e transformam a vida de alunos, uma lista extensa que tem como principais expoentes Ao Mestre com Carinho e Sociedade dos Poetas Mortos, por exemplo. Todavia, este aqui está longe de ser comparado aos grandes trabalhos do gênero, interessando mesmo (com esforço) a apenas aficionados por draminhas românticos. O roteiro criado por Pam Falk e Mike Ellis apresenta uma inversão narrativa sendo a professora no caso quem precisa de ajuda. O filme narra a história de Mona Gray (Jessica Alba), uma jovem que desde a infância demonstrava uma grande capacidade para lidar com números, algo que aprendeu com seu pai (John Shea), a quem idolatrava e o seguia na paixão pela matemática e pelas corridas ao ar livre. Certo dia, durante uma das práticas do esporte, seu pai acabou sentindo-se mal e tal episódio transformou a vida da garota completamente. Debilitado por uma espécie de colapso nervoso e afetado por um distúrbio mental, o matemático fica submetido aos cuidados de sua esposa (Sonia Braga) e Mona acaba sentindo-se desmotivada e sem rumo a seguir na vida. Ela simplesmente abdica de tudo o que gostava de fazer, restando-lhe apenas os números como companhia e distração, como se fosse um pacto com o universo ou uma promessa a algum santo em troca da recuperação da saúde de seu pai, mas infelizmente tudo é em vão. Tal ideia estapafúrdia surgiu das memórias que ela tinha sobre um conto de fadas que seu pai costumava lhe contar. Aliás, a sequência que abre a obra é justamente uma animação que ilustra tal história, uma fábula sombria na qual um rei ordena que cada família tenha um de seus membros executados como forma de sacrifício para o bem de todo o reino que sofria com a falta de espaço e o excesso de habitantes, mas uma em especial consegue “abrandar” a exigência, assim cada pessoa do clã perdeu apenas uma parte do corpo. Bizarro demais? Ao menos a introdução já dá mais ou menos ideia do que vem por aí. Se assistir com mente aberta à fantasia dá para engolir aos trancos. Se levar a sério demais...

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A VIÚVA DE SAINT-PIERRE

NOTA 8,5

Drama épico aborda a questão
da pena de morte e ao mesmo
tempo narra a história de um
casal que afronta a hipocrisia
A condenação de uma pessoa a morte para pagar pelos crimes que cometeu até hoje é um assunto polêmico e que divide opiniões, porém, tal discussão já dura séculos. Se hoje em dia a pena de morte pode ser sinônimo de câmaras de gás, injeções letais e cadeiras elétricas, há séculos atrás ser condenado era ser sentenciado a ser guilhotinado em praça pública, um pequeno show masoquista para o pessoal a favor da execução e uma tortura para os demais que eram obrigados a ver tais cenas para as assimilarem como forma de punição para aqueles que infringissem as leis, assim forçando-os a seguir padrões rígidos de moral e costumes. Tratar de tal temática não é tarefa fácil, mas o cineasta francês Patrice Leconte encontrou uma forma razoavelmente mais amena para abordá-la aliando-a ao poder que a paixão exerce sobre uma pessoa e ao secular embate entre os defensores da sinceridade e os adeptos da hipocrisia. Co-produção entre a França e o Canadá, A Viúva de Saint-Pierre é um épico que praticamente divide-se em dois atos que se relacionam intimamente. No primeiro temos o nascimento de um excêntrico triângulo amoroso que coloca seus integrantes na mira das pessoas mais conservadoras, embora consiga atiçar a curiosidade de algumas delas. Já da metade para o final vemos o drama de um homem prestes a ser guilhotinado cujo fim trágico pode mudar radicalmente a vida de outros. O roteiro criado pelo cineasta em parceria com Claude Faraldo conta uma história que começa a ser desenvolvida em 1849 na até então tranquila e pequena ilha de Saint-Pierre, território francês perto da costa canadense (na época parte do Canadá era possessão da França). A calma do lugar é rompida quando dois marinheiros bêbados, Ariel Neel Auguste (Emir Kusturica) e Louis Ollivier (Reynald Bouchard), matam de forma insensata Coupard (Michel Daigle), um morador do vilarejo. Ambos são sentenciados a morte, mas Ollivier, que tinha sido condenado a trabalhos forçados, morre em um acidente a caminho da prisão. Já o outro réu, que confessou ter dados os golpes de faca fatais na vítima por um motivo tolo, fica aguardando a chegada de uma guilhotina, pois a República exige que qualquer civil que tenha recebido a pena capital tem de ter a cabeça decepada para servir de exemplo. Além do instrumento de execução, também é necessário um carrasco, pois não há ninguém na ilha que queira exercer esta função. Enquanto aguarda que os problemas para sua execução sejam resolvidos, Neel fica confinado em uma cela que é muito próxima da casa de Jean (Daniel Auteuil), o capitão que controla a polícia e o presídio. Logo sua esposa, Pauline (Juliette Binoche), também conhecida com Madame La (chamada de Madame A na tradução em português), sente vontade de conhecer o prisioneiro e lhe pede que a ajude a cuidar de seu jardim, claro que com o consentimento de seu marido que jamais lhe negou pedido algum.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

TESTEMUNHAS DE UMA GUERRA

NOTA 7,5

Mais um filme procura expor os
horrores da guerra tendo como
protagonista um homem cuja
obsessão se tornou seu pesadelo
Os horrores da guerra já foram retratados das mais variadas formas pelo cinema e desde os mais famosos até relativamente desconhecidos conflitos já tiveram espaço na sétima arte. O resultado é que com tantas produções com temáticas parecidas muitas acabam passando despercebidas, principalmente se não tiverem ao menos um ator de peso encabeçando o elenco e/ou um diretor renomado assinando o projeto. Por isso chama a atenção o ostracismo vivenciado por Testemunhas de Uma Guerra, drama protagonizado por Colin Farrell, então já reconhecido por seus dotes dramáticos e com aval da crítica, e dirigido pelo bósnio Danis Tanovic cujo nome teve projeção internacional após a conquista do Oscar de Filme Estrangeiro por Terra de Ninguém, mais uma produção com a temática guerra. Abordar conflitos do tipo parecem a especialidade do cineasta que neste caso conseguiu fazer um eficiente drama que reflete duas realidades que por vezes não são noticiadas pelos veículos de comunicação: a dura vida de quem precisa registrar as atrocidades das guerras e o dia-a-dia de quem deveria estar lá para salvar vidas, mas diante das dificuldades se vê obrigado a escolher quem terá direito a uma segunda chance. Triagem (“Triage” é o título original) é o nome dado ao processo de seleção que os médicos usam em situações de emergência para priorizar o atendimento dos mais necessitados. Geralmente quem procura atendimento em pronto-socorros passa por essa pré-seleção e os doentes mais graves têm preferência de atendimento (teoricamente as coisas deveriam funcionar assim), mas nas guerras as coisas funcionam diferentes. Com recursos escassos, os médicos acabam atendendo os feridos com maiores chances de sobrevivência e deixando os de estado grave por último na fila de atendimento para não desperdiçarem material, o que fatalmente os levam ao óbito. Situações como essas é que servem de base para o roteiro criado pelo próprio cineasta que coloca Farrell na pele do fotógrafo Mark que é viajo ao Kurdistão na companhia do amigo também fotógrafo David (Jamie Sives). A trama se passa em meados dos anos 80, época marcada no país pelos conflitos entre a classe trabalhadora e o governo turco, este que não reconhece a existência da etnia curda. Durante semanas a dupla registrou com suas câmeras os processos de triagem e conversaram com os médicos a respeito. Além das imagens estarrecedoras, os depoimentos também eram assustadores, alguns profissionais inclusive relatando que não bastava excluir os doentes mais graves da lista de atendimento, precisavam eles mesmos sacrificar homens para poupar seus sofrimentos de esperar a morte que poderia ocorrer em questão de pouquíssimos dias ou até mesmo minutos.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

CHUMBO GROSSO

NOTA 7,0

Longa faz sátira aos filmes de
ação apostando em uma mescla
de gêneros, personagens
caricatos e edição diferenciada
Houve um tempo em que parodiar filmes de sucesso era uma fórmula mágica de Hollywood, mas tudo que é demais cansa e hoje parece que estamos estagnados neste subgênero, sendo que vira e mexe surge alguma produção caça-níquel para ganhar alguns trocados em cima da publicidade de outros títulos de destaque da época. Foi assim com Espartalhões, Super-Herói – O Filme, Os Vampiros que se Mordam e Inatividade Paranormal, lembrando é claro que nunca é descartada a hipótese de um novo produto da série Todo Mundo em Pânico. Entre tanto lixo que rapidamente cai no gosto popular e com a mesma rapidez é esquecido, infelizmente razoáveis trabalhos como Chumbo Grosso acabam passando despercebidos. Esta produção não tem o objetivo de reunir o maior número possível de piadas previsíveis sobre meia dúzia de sucessos do cinema, mas sim satirizar um gênero específico como um todo: os longas de ação, passando obviamente por alguns clichês das obras de suspense e policiais. Escrito por Edgar Wright e Simon Pegg, que atuam também respectivamente como diretor e astro da fita, a obra reúne mais uma vez a dupla responsável pelo divertido e criativo Todo Mundo Quase Morto, uma paródia aos longas de zumbis, mas infelizmente nesta segunda parceria o resultado final não chega ao mesmo nível de sucesso, não só em termos de repercussão, mas também a narrativa deixa um pouco a desejar apesar da ótima premissa. Ou melhor, deixa a desejar para quem está acostumado a histórias com estruturas extremamente rígidas, mas para quem é aberto a novidades este aqui é um prato cheio, uma salada e tanto de referências, críticas, ironias e parte técnica pouco usual como edição de cenas ultra-rápidas e efeitos sonoros que funcionam como gags. Nicholas Angel (Pegg) é um policial que se dedica muito a profissão e é considerado o melhor da corporação de Londres, mas sua dedicação e reconhecimento é tanto que acaba gerando inveja e revolta entre os seus colegas de trabalho que se sentem diminuídos e sem chance de superá-lo. Para evitar grandes problemas, seus superiores decidem transferi-lo para a pequena e pacata vila de Sandford considerado o lugar mais seguro da Inglaterra por vários anos consecutivos. Para se ter uma ideia, nenhum assassinato é registrado por lá a cerca de duas décadas. O objetivo da mudança faz todo sentido. Com poucos crimes e a maioria um tanto banais, Angel não teria a possibilidade de mostrar todo o seu potencial e aos poucos acabaria alcançando o mesmo nível de excelência que a maioria dos policiais ingleses, assim evitando rusgas entre os membros da corporação que poderiam acabar com a imagem respeitável da polícia. Já para o esforçado rapaz a situação é um tanto incômoda afinal ele estará trocando as batidas de trânsito e os roubos de carros pela fiscalização de estradas quase desertas e o desaparecimento de animais de estimação.

domingo, 18 de agosto de 2013

CAÇADORES DE TRÓIA

Nota 6,0 Produção alemã tem clima de aventura dos anos 60 e explora lenda estrangeira

Em 2007 o cineasta Julio Bressane ousou ter a ideia de fazer uma versão da história de Cleópatra filmada em solo e com elenco brasileiro. Preconceituosos como somos, obviamente o longa teve uma passagem relâmpago pelos cinemas e hoje desfruta do pleno ostracismo. Por que isso? Na escola é costume aprendermos um pouco sobre a cultura de boa parte dos países que ajudaram a construir a história e a linha evolutiva das civilizações, portanto, não há nada de errado em um diretor brasileiro ter a ousadia de filmar sua visão sobre algum mito característico de outra nação, mas infelizmente nos acostumamos que é a turma norte-americana que pode usar e abusar de temáticas alheias, isso porque nas aulas de História por lá o patriotismo é exagerado e parece que só existe os EUA no mundo. Por causa desse conceito errado bons trabalhos acabam passando em brancas nuvens como é o caso da aventura Caçadores de Tróia, produção da Alemanha caprichada em termos visuais que aborda um mito da cultura grega. Na trama roteirizada por Don Bohlinger, Heinrich Schliemann (Heino Ferch) desde a infância tem seus sonhos povoados por aventuras passadas na cidade de Tróia e não por acaso quando adulto ele se tornou um especialista em antiguidades. Em Berlim, em 1868, durante uma conferência ele é achincalhado pelos colegas por causa de suas teorias de que a mítica cidade grega realmente existiu e poderia ser encontrada. Como um homem de posses, Heinrich resolve jogar tudo para o alto e se aventurar numa expedição, mas apaixonado pela cultura grega ele tem o excêntrico desejo de se casar com uma legítima mulher desta nacionalidade para ostentar como um troféu quando encontrasse seu tesouro e triunfasse sobre aqueles que um dia o humilharam. Assim ele consegue um casamento arranjado com a jovem Sophia (Mélanie Doutey), cujos pais estão de olho no que podem lucrar com essa união. O problema é que a moça namora escondido um rapaz de idade compatível e tão pobre quanto ela, o que faz com que ela trate com rispidez e rebeldia seu noivo. Todavia a união acontece e ambos partem juntos rumo a expedição.

sábado, 17 de agosto de 2013

TEMPO DE APRENDER

Nota 4,0 Mais um drama explora a temática do mestre e aprendiz sem trazer novidades

Os americanos são apaixonados por esportes, sendo o beisebol um dos mais tradicionais, e levam a sério a crença de que investindo em atividades do tipo é possível transformar um ser humano através do trabalho em grupo e os conceitos da responsabilidade e da determinação. Tal ideia explica a grande quantidade de filmes com mensagens edificantes atreladas a temáticas esportivas que existem e continuam sendo lançadas todos os anos, embora dificilmente tragam alguma novidade. Virou um produto de nicho. Existe uma quantidade razoável de público para tais produções por isso elas continuam sendo feitas, geralmente lançadas diretamente em DVD, salvo raras exceções como o caso de O Homem que Mudou o Jogo que traz como respaldo Brad Pitt como protagonista, é baseado em fatos reais e ainda conquistou algumas indicações a prêmios, inclusive ao Oscar. Contudo, em geral, o destino destes filmes é juntar poeira na prateleira das locadoras ou na melhor das hipóteses tapar buracos nas programações da TV a tarde ou nas madrugadas. Tempo de Aprender é um bom exemplo de tal teoria. Cheio de boas intenções, simpático e com uma premissa bacana, simplesmente o longa chega ao fim deixando o espectador com cara de paisagem. Escrito e dirigido por James Ponsoldt, a trama gira em torno de dois homens de idades completamente diferentes, porém, cujas formas de encarar a vida são semelhantes. O adolescente Dave Tibbel (Trevor Morgan) é um desacreditado jogador de beisebol e seu treinador, Ray Cook (Nick Nolte), um sessentão com cara de poucos amigos e que não cria mais expectativas quanto sua carreira e talvez nem mesmo quanto a sua vida pessoal. Após perderem um jogo e culpando a falta de apoio do professor, alguns jovens do time decidem invadir a casa dele para lhe darem um susto, mas acabam surpreendidos pelo próprio e fogem causando alguns estragos do lado de fora da propriedade. Todos menos Dave que não consegue e acaba tendo que se entender com o treinador. Eles fazem o seguinte trato: se o rapaz reparar os estragos no jardim e pagar um novo vidro para substituir o quebrado do carro Ray não o denunciará à polícia. O convívio diário dos dois acaba fazendo com que nasça uma amizade entre eles de forma que ambos se sentem a vontade para falar de seus problemas um com o outro.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

ENCONTRO DE AMOR

NOTA 5,0

Longa recicla a fórmula do
romance entre a garota pobre
e o homem rico, mas no fundo é
mais do mesmo e com falhas
O velho e conhecido conto da “Cinderela” escrito em meados do distante século 17 pelo francês Charles Perrault continua sendo uma fértil fonte de inspiração para o cinema, mesmo em tempos em que tal história já foi contada e recontada das mais variadas formas por todos os cantos do mundo seja em forma de peças teatrais, programas de TV e até mesmo releituras literárias. O problema é que cada vez que o texto ganha uma nova versão mais batido o tema fica, porém, as comédias românticas contemporâneas adoram requentar a fórmula da garota pobre que se apaixona por um homem rico e até o avesso dessa relação (o rapaz humilde conquistando uma ricaça) já está se tornando saturado no mundo cinematográfico. Produtos do tipo não costumam gerar bilheterias exorbitantes, mas contam com um público cativo e fiel que adora assistir um filme já sabendo como ele terminará, comprovando que não são apenas as crianças que gostam de ouvir repetidas vezes a mesma história. Encontro de Amor é mais uma comédia romântica a investir na citada fórmula previsível, mas que hoje já pode se dar ao luxo de contar com o status de clássico estilo sessão da tarde. Nada mais apropriado para uma produção leve, descontraída e que agrada crianças e o público feminino, mas os homens também podem se entreter desde que entrem no espírito do programa, ou seja, cérebro desligado e embarcando sem preconceitos nesta história de uma das primeiras Cinderelas representantes do século 21. O repúdio ou o envolvimento imediato dos espectadores é intimamente ligado com a sensação “já vi esse filme”, e isso não é por acaso. O argumento original é do finado John Hughes, criador de populares sucessos do passado destinados a entreter a todas idades como Curtindo a Vida Adoidado e Esqueceram de Mim, mas no trabalho em questão ele deixou as peripécias e anarquias infanto-juvenis de lado para mergulhar de cabeça em uma piscina de água com açúcar, porém, o material acabou tendo o roteiro desenvolvido por Kevin Wade, que pouco antes havia feito sucesso com o texto de Encontro Marcado.  O pupilo soube fazer a lição de casa direitinho e nem mesmo o clichê da protagonista trocando de roupa várias vezes até encontrar o modelito perfeito para viver sua noite de sonhos foi descartado. A trama gira em torno de Marisa Ventura (Jennifer Lopez), uma mãe solteira que mora em Nova York e como tantas outras latinas trabalha como camareira em um dos mais famosos e requintados hotéis da cidade. Um dia ela é incentivada por uma colega de trabalho a provar as roupas de uma hóspede muito rica, Caroline Lane (Natasha Richardson), e graças ao seu filho Ty (Tyler Posey) a vida de Marisa está prestes a sair da monotonia por causa de um encontro inesperado que o garoto inocentemente provoca.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

UMA VIDA MELHOR

NOTA 8,0

Sem fazer críticas ou propor
soluções, drama emociona com a
história de imigrante ilegal que
deseja um futuro melhor ao filho
A festa do Oscar sempre foi muito criticada por aclamar o cinema norte-americano e raramente lembrar-se de que existe produção cinematográfica fora da terra dos ianques com fôlego para competir de igual para igual em outras categorias da premiação, não precisando ficarem restritas ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. Para quem conhece a linha do tempo dos trabalhos da Academia de Cinema de Hollywood sabe que as coisas não são tão radicais. Entre as categorias técnicas é comum estrangeiros saírem vitoriosos da cerimônia, ainda que trabalhando em produções hollywoodianas na maioria das vezes, e também tem sido cada vez mais corriqueiras as indicações de atores fora da panelinha americana para concorrerem aquele que é considerado o prêmio máximo da sétima arte. As chances deles ganharem são poucas, dificilmente figuram nos bolões de apostas, mas só o fato de serem indicados já é muito significativo para suas carreiras e também para os filmes que defendem na ocasião. Uma Vida Melhor poderia ser apenas mais um filminho qualquer a ser lançado diretamente nas locadoras e sem publicidade, mas a indicação ao Oscar do então desconhecido ator Demián Bichir mudou tudo. Aclamado pela crítica em vários países, esta é um produção independente americana com elenco predominantemente latino, salvo algumas poucas exceções, o que confere a obra um estilo diferenciado. É um ligeiro passeio pelo mundo a parte ao qual parecem fadados a viverem aqueles que ousaram a atravessar a fronteira dos EUA munidos apenas de coragem e força de vontade. Estranhamente o longa teve pouca repercussão no Brasil, embora sua temática seja universal e até mesmo aqui casos de imigração ilegal e de preconceito a estrangeiros, principalmente dos países vizinhos, não sejam raros. São muito comuns histórias de pessoas que foram tentar melhorar de vida iludidas pela famosa propaganda do sonho americano, a terra das oportunidades e onde todo mundo que se esforce pode sagrar-se vencedor. Se as coisas não são fáceis para quem muda de país seguindo os trâmites legais, imagine a dureza de vida que levam os imigrantes ilegais, como é o caso de Carlos Galindo (Bichir), um mexicano que vive no subúrbio de Los Angeles, ambiente pouco hostil e de má fama, na companhia de seu filho adolescente Luis (José Julián). Este pai trabalha como jardineiro em casas luxuosas e se esforça ao máximo para dar um futuro diferente ao filho que há anos cria sozinho, inclusive prefere dormir no sofá da sala para deixar o conforto da cama para o garoto ficar mais descansado e assim se dedicar aos estudos com afinco, mas parece que todo esse empenho é em vão. Os dois não conseguem dialogar convenientemente, Luis não gosta da escola e a delinquência está muito perto de seduzi-lo visto que seus amigos ou já fazem ou desejam fazer parte de gangues que usam a violência sem pudor para resolverem ou até mesmo causar problemas.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

BONS COSTUMES

NOTA 7,0

Comédia de época faz uma
crítica a hipocrisia da elite
decadente e sobre a difícil
aceitação de novos costumes
Desde pequenos somos educados a seguir alguns padrões de comportamento para não criarmos problemas e constrangimentos em família, na escola ou em público. São regras básicas para podermos viver em sociedade, mas sempre existem os rebeldes de plantão para contestar tais imposições. Viver de aparências vale a pena? É difícil fugir da mesmice, mas quem tem coragem de afrontar a moral e os costumes sabe que está comprando uma briga e tanto. Se hoje em dia a guerra entre as normas de conduta pré-estabelecidas pelas sociedades e o direito a liberdade inerente a cada indivíduo é um tanto acirrada imagine o quanto era rígido e difícil viver no começo do século 20, época em que as tradições e os padrões engessados de comportamento eram normas aprendidas desde o berço e qualquer desvio de conduta era severamente repugnado e corrigido mesmo que na marra. Contudo, mesmo com tanta vigilância, é óbvio que nem todo mundo era santinho. Muitos homens davam suas puladinhas de cerca fora do casamento e gastavam horrores em jogatinas, por exemplo, mas tinham a desculpa que tais vícios faziam parte da natureza de seu sexo, uma constatação de virilidade, mas o que dizer de uma mulher que trocasse as saias por calças, falasse o que viesse a sua cabeça e gostasse de assuntos teoricamente restritos ao mundo masculino? É justamente essa a premissa da comédia Bons Costumes que narra as dificuldades de uma jovem a frente do seu tempo para se adequar ao estilo da família de seu noivo, mas quanto mais ela tenta ser perfeita mais mete os pés pelas mãos. Na década de 1920, a americana Larita Huntington (Jessica Biel) decidiu casar-se repentinamente com o inglês John Whittaker (Ben Barnes). Jovens, bonitos e afinados um com o outro o casal não poderia ser mais perfeito, porém, a sensualidade, a extroversão e o gênio forte da moça podem se tornar empecilhos para essa união dar certo. Não que o noivo se importe com o jeito moderninho da garota, mas as coisas complicam por conta da família dele, ingleses extremamente tradicionalistas e cerimoniosos e é justamente com estas pessoas que a moça precisará aprender a conviver pacificamente visto que após o casamento John deseja morar com a esposa na mansão dos Whittakers no subúrbio londrino. Quando os jovens fazem a primeira visita como casal à família dele, Larita se depara com seu pior pesadelo, a sogra Verônica (Kristin Scott Thomas) que imediatamente não faz questão alguma de esconder que não gostou do tipo de nora que seu filho lhe arranjou, ao contrário do pai do rapaz, Jim (Colin Firth), um veterano de guerra que aprendeu forçosamente o valor da vida diante de tantas atrocidades que acompanhou e que despreza o jogo de aparências que sua esposa tenta manter, porém, tenta não deixar transparecer sua frustração com os rumos que sua vida tomou, mas sua apatia diante de tudo denuncia seu estado emocional fragilizado.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

TEMPOS DE VIOLÊNCIA

NOTA 7,0

Com personagens difíceis de
despertarem simpatia, longa
é um tanto indigesto, mas ganha
o espectador com final clichê
Existem alguns filmes que só mesmo tendo muito boa vontade para conseguir acompanhá-los até o final, principalmente aqueles que se propõe a retratar a realidade sem maquiagem alguma. Produções do tipo não poupam o espectador e são digeridas com muita dificuldade, mas quem tiver a garra de quebrar seus próprios preconceitos ou receios e seguir até o último minuto pode acabar sendo razoavelmente recompensado como é o caso do drama Tempos de Violência que lá pelos seus quinze minutos de duração já está testando os limites da tolerância do público. Como diz a publicidade estampada no DVD, esta é “uma visão dura sobre amizade, lealdade e ambição nas violentas ruas de Los Angeles”. O longa marca a estreia como diretor de David Ayer, o roteirista do premiado Dia de Treinamento, que pouco tempo depois investiria novamente na temática violência no policial Os Reis da Rua. Abordar o mundo dos crimes é sem dúvida a praia deste profissional que conseguiu neste caso compilar em pouco menos de duas horas alguns dos principais problemas urbanos contemporâneos e de ordem social, com o agravante de que quem deveria zelar pela segurança e a moral de todos é justamente de caráter pra lá de duvidoso. A trama roteirizada pelo próprio diretor começa um tanto clichê. Em tons esverdeados, como se fosse a visão de uma câmera escondida, temos rapidamente uma noção do que o fuzileiro Jim Davis (Christian Bale) vivenciou enquanto combateu na guerra do Iraque. Dispensado pelo exército, o rapaz procurou refúgio em terras mexicanas e acabou se apaixonando por Marta (Tammy Trull), a quem jurou amor eterno quando decidiu voltar aos EUA para tentar a carreira na polícia. Ele promete voltar para casarem e assim ela poderia entrar legalmente em solo norte-americano. Até aí Jim parece um típico herói, mas não tarda para sua imagem de bom moço desmoronar. De volta a Los Angeles, ele vai procurar seu antigo amigo Mike (Freddy Rodriguez), mas é mal recebido pela esposa do mesmo, Sylvia (Eva Longoria), que está nervosa por conta do marido que está desempregado e passa o tempo todo em casa bebendo, fumando e assistindo TV. Se as coisas já estavam ruins para o casal agora vão piorar. Jim e Mike são violentos, mulherengos, usuários de drogas, alcoólatras, contrabandistas e corruptos. Quem teria estômago para assistir a um filme cujos protagonistas são da pior espécie? Ayer acredita que tem público para o vandalismo e investe pesado na temática e em pequenas cenas consegue nos passar a ideia de como o submundo funciona.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O ÚLTIMO TREM

NOTA 5,5

Com premissa razoável,
infelizmente longa não tarda
a se tornar refém de cenas
violentas e efeitos especiais
Muitos filmes de terror não se levam a sério, isso é fato, e parecem fazer questão de efeitos especiais precários, mortes estupidamente divertidas ou bizarras e litros de sangue falso percebidos a olhos nus. Já outras produções do gênero realmente se esmeram em tentar fazer o espectador roer as unhas e suar frio, o problema é quando o perfeccionismo acaba causando o efeito inverso ao desejado. É justamente isso que acontece com O Último Trem, longa com premissa interessante, bem feitinho tecnicamente, mas que peca pelos excessos de computação gráfica que tiram qualquer sensação de asco ou comoção quando alguém é morto por um assassino mal encarado que ataca nas madrugadas no metrô. Adaptado da obra “Livro de Sangue”, mais especificamente do conto “O Trem de Carne da Meia-Noite” de Clive Barker, o responsável pela publicação que deu origem ao cultuado Hellraiser – Renascido do Inferno, o roteiro de Jeff Buhler conta a história de Leon Kaufman (Bradley Cooper) um fotógrafo acostumado a captar com sua câmera fatos cotidianos, até mesmo os mais banais, porém, ele deseja ser um profissional conceituado. Graças ao amigo Jurgis (Roger Bart) ele conhece Susan Hoff (Brooke Shields), uma conceituada organizadora de exposições, mas infelizmente ela esnoba seu trabalho aconselhando-o a ser mais ousado. Perdendo o sono por conta do comentário, certa noite o rapaz decide sair para fotografar Nova York sob uma nova ótica, a do submundo marcado pela criminalidade e comportamentos fora dos padrões, e no metrô acaba salvando uma jovem prestes a ser estuprada por uma gangue, não perdendo a oportunidade de registrar as imagens do episódio obviamente. Todavia, logo que a moça embarca no trem da meia-noite seu fatídico fim está traçado e no dia seguinte Kaufman vê a foto dela no jornal. Identificada como Erika (Nora), uma modelo, ela estaria desaparecida e quando o fotógrafo revela seus filmes encontra um importante indício: a imagem de um misterioso homem. Intrigado, ele decide voltar ao metrô na noite seguinte e novamente vê o tal figurão. Ele é Mahogany (Vinnie Jones), um grandalhão que está sempre bem vestido e segurando uma maleta, mas com cara de poucos amigos. Obcecado em desvendar o caso da modelo e para desespero de sua namorada Maya (Leslie Bibb), Kaufman transforma em hábito rotineiro as visitas noturnas ao metrô e diariamente encontra o suspeito sozinho ocupando o último vagão da condução.

domingo, 11 de agosto de 2013

GOLPE DE GÊNIO

Nota 3,5 Longa sobre jovens inventores que conquistaram sucesso peca pelo ritmo irregular

Existem alguns filmes baseados em fatos reais cujas tramas parecem absurdas, mas para todos os efeitos aconteceram realmente. Um desses casos é o longa Golpe de Gênio que narra a trajetória profissional de dois jovens inventores que ganharam muito dinheiro e fama, ao menos em solo americano, idealizando bugigangas. Matt (Dallas Roberts) é um inventor fracassado que comanda junto com Sam (Jeremy Renner), seu amigo e sócio e vendedor, uma empresa especializada em brindes e presentes, mas os negócios vão de mal a pior. Mesmo assim eles não param de ter novas ideias, acreditam que suas criações têm algum potencial, só faltam serem descobertas pelo público e investidores, e procuram lidar com otimismo a todas as adversidades que cruzam seus caminhos. Entre invenções tolas como uma escova de dentes para apressadinhos, a sorte parece bater na porta da dupla quando eles criam um relógio para cachorros no qual os números são substituídos por desenhos que indicam as necessidades do animal, uma forma de ajudar os seus donos a administrarem melhor o seu dia sem se esquecer dos bichanos. Como para muita gente o animal de estimação é como uma pessoa da família, eles acreditam que há demanda para o produto e empolgados com a criação eles começam a contar aqui e ali sobre a novidade até que caem na lábia de um inescrupuloso investidor que no final das contas rouba a ideia dos rapazes e os pega de calça curta quando repentinamente lança o produto em um programa de vendas da TV. A ingenuidade, mas também a força de vontade de Matt e Sam é que compõem a fina linha que prende a atenção do espectador à frágil narrativa criada pelo roteirista estreante Mike Cram, um ex-profissional da área de marketing e inventor amador nas horas vagas. É sua própria história de vida profissional que o inspirou a escrever o roteiro, inclusive diversas invenções que aparecem no longa são suas, como o relógio loteria da sorte, artefato dotado de uma roleta parecida com a de máquinas de jogatinas que cada vez que é acionada oferece uma nova sequência de números para o apostador (essa poderia fazer sucesso).

sábado, 10 de agosto de 2013

TRÁFICO DE ÓRGÃOS

Nota 8,0  Mercado clandestino de órgãos é revelado através de um pai tentando salvar a filha

As regiões que ficam na fronteira do México com os EUA são conhecidas pelas altas taxas de produção industrial visto o grande número de multinacionais que se instalam por lá em busca de benefícios fiscais e mão-de-obra barata, mas as mesmas áreas também carregam a fama de serem territórios perigosos e com grande concentração de atividades ilegais. Uma das cidades mais famosas da região é Juarez, local que já serviu como palco das ações de diversos filmes que procuraram denunciar os crimes que por lá ocorrem e são encobertos pela polícia e governantes. Drogas, prostituição, trabalho escravo, estupros e mutilações são alguns dos delitos comuns por lá, mas o longa Tráfico de Órgãos escancara mais uma chocante realidade. Como o próprio título deixa claro, o diretor Baltasar Kormákur explora a temática do comércio de órgãos humanos que chocantemente não se restringe a violentar cadáveres vítimas de morte natural. Para escancarar os podres deste submundo o roteiro de Christian Escario, John Clafim e Walter A. Doty III mantém o foco em um pai desesperado para salvar a vida de sua filha pequena. O promotor público Paul Stanton (Dermot Mulroney) está sofrendo com a piora do estado de saúde da garotinha que tem uma doença degenerativa pulmonar. O tempo para salvá-la está se esgotando e ele se revolta quando descobre que surgiu um pulmão compatível e que está aguardando em uma unidade hospitalar próxima a eles, mas segundo a lista de cadastrados a espera de um transplante o órgão deveria ser destinado a um garoto que se encontra em uma cidade afastada, correndo inclusive o risco de a doação perder a viabilidade. É nesse período que ele descobre que o político Jim Harrison (Sam Shepard) provavelmente furou a fila de espera e conseguiu um coração de forma ilegal, o que o faz viajar até Juarez em busca do médico que realizou esta cirurgia, mas parece que o tal Dr. Navarro é uma lenda. O que é realidade é que Stanton acaba se envolvendo com pessoas barra pesada, gente que está acostumada a tirar proveito dos visitantes e não pensa duas vezes se precisar matar alguém. Por outro lado, o promotor também encontra gente do bem como o médico Hector Martinez (Vicent Perez), um dos voluntários de um hospital dedicado a atender a população carente local. Todavia, este profissional pode não ser tão bonzinho assim e acaba fazendo uma proposta tentadora a Stanton para salvar sua filha, porém, se aceitá-la ele estará em meio a um conflito ético afinal alguns dos lemas de sua profissão é preservar ao máximo a verdade e não infringir leis. Contudo, caso pense em seu próprio bem-estar o promotor terá uma desagradável surpresa.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O SEGREDO DE VERA DRAKE

NOTA 8,5

Prática do aborto é discutida
a partir dos atos de senhora de
idade que só queria fazer o bem,
mas acabou taxada como criminosa
O aborto é um dos temas mais polêmicos que o mundo enfrenta já há muitos séculos. Moral, religião, família, honra, criminalidade, enfim são vários os aspectos em que uma gravidez indesejada pode interferir e até hoje o assunto de interromper propositalmente uma gestação gera discussões, sendo crimes gravíssimos em alguns países enquanto outros optaram por um relaxamento das leis para ao menos permitir tal ato no caso de uma criança concebida através de um ato sexual criminoso. Todavia, parece que esse problema jamais terá uma solução definitiva, mas podem vir a ser atenuado graças a trabalhos como O Segredo de Vera Drake que trazem uma visão mais intimista e detalhista do dilema. Embora a trama se passe durante a década de 1950, período pós-guerra ainda marcado por mazelas e conservadorismo, o conteúdo exposto, além de nos proporcionar uma visão dos costumes da época, ainda suscita reflexões. A personagem do título é interpretada brilhantemente por Imelda Staunton. Vera Drake é uma gentil senhora que vive em um bairro operário de Londres ao lado do marido Stanley (Philip Davis) e seus filhos já adultos, o extrovertido Sid (Daniel Mays) e a tímida Ethel (Alex Kelly). Apesar de não viverem de luxos e contarem moedas para sobreviverem, o clã vive em harmonia e não se nega a ajudar os necessitados. Vera é faxineira em casas de pessoas de posses, seu marido é mecânico, o filho trabalha numa alfaiataria e a filha testa lâmpadas e dedica seu tempo livre ao tricô, caracterizando a típica família de classe média baixa que sabe viver com o que tem e não sonha alto. Porém, aos poucos, vamos descobrindo que a solidariedade de Vera chega a limites extremos. Sem receber dinheiro algum, há vinte anos ela sai escondida de casa para ajudar moças grávidas que não poderiam criar seus filhos realizando abortos caseiros. Como se fosse uma enfermeira especializada, ela recebe com todo carinho e atenção as mulheres que lhe pedem socorro através de Lily (Ruth Sheen), uma espécie de contato secreto que agenda os encontros, e com sua voz doce e calma procura tranquilizá-las enquanto prepara o material para o procedimento. Utilizando uma bomba de sucção, uma mistura de desinfetante, sabonete e água quente era introduzida dentro do corpo da grávida e dentro de dois dias o embrião seria expelido. A benfeitora não gostava de usar o termo aborto, pois para ela tal situação era apenas mais uma forma de prestar caridade, no caso ajudando jovens carentes, esposas que deram um mau passo e mulheres que já eram mães e não podiam arcar com as despesas de mais um filho. A prática só foi legalizada na Inglaterra cerca de vinte anos depois deste episódio, ato provavelmente impulsionado pelos diversos casos de pessoas que sofreram consequências graves devido a sua ingenuidade e falta de discernimento.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

CAKE - A RECEITA DO AMOR

NOTA 3,0

Além de apostar em clichês e
personagens estereotipados,
longa fica devendo em humor e
seu romantismo não convence
Geralmente o ingrediente básico de uma comédia romântica é uma mocinha a procura de seu príncipe encantado, mas o gênero está tão saturado que nem mesmo as donzelas rebeldes conseguem mais injetar algum ânimo em histórias do tipo. Isso acontece porque o comportamento fora dos padrões delas só vai até a página dois, ou melhor, até lá pelos vinte ou trinta minutos do filme quando fatalmente elas encontram os amores de sua vida. Obviamente elas vão se fazer de difícil ou até se entregam ao amor rapidamente, mas não tardam a cometer algum erro para os mocinhos darem o fora da relação, mas nada que não se resolva nos cinco minutos finais. Quantas produções seguem uma estrutura semelhante? Pois é, Cake – A Receita do Amor não foge a regra, porém, peca por ter raros momentos engraçados e uma protagonista que não é das mais cativantes. Pippa (Heather Graham) é uma solteira convicta que adora levar uma vida completamente livre de regras e limites, o que implica poder ter a companhia íntima de um ou mais homens por noite procurando nunca repetir o cardápio. Para demarcar sua personalidade, o longa começa com ela chegando atrasada ao casamento de uma amiga, provavelmente após mais uma noitada daquelas finalizada com um salto de pára-quedas. Como madrinha da noiva ela deveria respeitar a cerimônia, mas a todo o momento faz questão de expor seus comentários irônicos quanto ao conceito do que é um casamento e tudo o que o envolve, até que chega no fim da festa completamente bêbada e tentando encontrar ao menos um convidado com quem ela já não tivesse dormido. Todavia, sua vida louca está com os dias contados. Seu pai, o Sr. Malcolm (Bruce Gray), acaba sofrendo um enfarte e terá que ter um substituto no comando de uma revista justamente sobre casamentos. Embora deteste o tema, Pippa, que é formada em jornalismo, resolve se oferecer para ser a diretora temporária com o intuito de melhorar seu relacionamento com o pai que nunca aprovou sua vida sem limites. Com ideias revolucionárias que no fundo iriam contra os objetivos da publicação, a moça acaba conseguindo convencer seus colegas de trabalho que o foco deveria ser falar sobre e para a mulher moderna que está mais preocupada em ser livre e bem sucedida profissionalmente. Para ela, escolher docinhos, decoração ou trajes de gala é uma forma que o mercado encontrou para lucrar e iludir as pessoas que não param para pensar que estão prestes a se unirem a estranhos.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

UMA PROVA DE AMOR

NOTA 8,0

Apesar de falhas na construção
de alguns personagens e a perda
de um bom gancho narrativo, longa
cumpre seu objetivo de emocionar
Muita gente condena os filmes lacrimejantes, aqueles feitos propositalmente para levar o espectador ao choro fácil, mas se o cinema não é feito para emocionar qual sua finalidade? Bem, sonhar pode ser uma resposta válida, mas infelizmente a realidade não é feita de terras habitadas por seres fantásticos e na hora de um tiroteio ou incêndio nossos heróis reais não são brucutus indestrutíveis, mas mesmo assim arriscam suas vidas em troca da sobrevivência de outras. Será o medo de bater de frente com a realidade a resposta ao preconceito que o gênero drama sofre? Sim, embora produções do tipo sejam populares e vários de seus títulos vençam a barreira do tempo permanecendo ativos na memória de muitos, a quantidade de pessoas que detratam os dramalhões é assustadora. Pior ainda é constatar que críticos especializados colaboram para alimentar tal rejeição taxando sem dó nem piedade de lixo muitas obras excelentes. Com Uma Prova de Amor a crítica ficou em cima do muro, mais tendenciosa aos comentários negativos, mas o público aparentemente gostou do que viu e hoje este longa já goza de uma posição privilegiada na memória afetiva, quase como um novo clássico popular, ainda que a temática seja um tanto perturbadora. Abordar uma doença como o câncer não é muito original, mas até que o diretor Nick Cassavetes, filho do renomado ator e cineasta John Cassavetes com a atriz Gena Rowlands, encontrou um interessante gancho a ser trabalhado. Todos os trabalhos a esse respeito obviamente não deixam de mostrar o sofrimento da família, mas neste caso a ótica é ainda mais íntima e emotiva. Baseado em um best-seller de Jodi Picoult, a trama roteirizada pelo próprio cineasta em parceria com Jeremy Leven opta por mostrar como a doença de um parente acabou influenciando a vida de toda uma família detalhadamente, principalmente o sofrimento da caçula do clã, a esperta Anna (Abigail Breslin). Ela não é enferma e sim a solução do problema. Kate (Sofia Vassilieva), sua irmã mais velha, era ainda um bebê quando foi diagnosticada com leucemia e com poucas perspectivas de viver com qualidade e por bastante tempo. Sara (Cameron Diaz) e Brian Fitzgerald (Jason Patric), seus pais, infelizmente por incrível que pareça não eram doadores compatíveis e seguindo conselhos médicos decidiram ter um novo filho que pudesse compartilhar com a irmã tudo que ela precisasse. Um bebê de proveta potencializaria as chances da compatibilidade se concretizar e assim Anna foi concebida e até o sangue colhido de seu cordão umbilical foi doado.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

QUERIDA WENDY

NOTA 7,0

Pequena e pacata cidade é
usada para discutir importantes
temas sociais ligados aos jovens,
armas, medo e violência
Embora não tenha um currículo muito extenso o diretor Lars Von Trier se tornou uma grife cinematográfica, um nome que pode não render milhões, mas que tem platéia cativa e o poder de suscitar discussões, reflexões e expectativas. Thomas Vintenberg é um nome menos conhecido, porém, ambos são profissionais que têm importância singular na História do cinema. Eles foram alguns dos cineastas que levantaram a bandeira do movimento Dogma 95, uma corrente que defendia a produção de filmes sem grandes preocupações com a parte técnica, mas sim atenção focada na narrativa e na criatividade, quase como produções caseiras com um tantinho mais de esmero. O movimento não vingou, mas curiosamente seu conceito até hoje é perpetuado, ainda que raramente seja colocado em prática. Todavia, após anos sem trabalhar juntos, a dupla lançou Querida Wendy, obra que passa longe dos ideais da manifestação que defendiam, porém, ainda bem distante da estética de um filme comum. Equilibrando-se entre o alternativo e uma leve vontade de se aproximar das massas, o diretor Vintenberg, recuperando-se então do retorno negativo de Dogma do Amor, conseguiu criar uma obra que não chega a ser excepcional, mas pode ter a honra de se intitular como um trabalho único. É difícil encontrar algum outro produto similar para fazer comparações, a começar pela abordagem do tema principal: a relação do homem com as armas de fogo. No caso, a paixão de um rapaz por um revólver. Sim, a tal Wendy do título não é uma mulher e sim a arma pela qual o Jovem Dick (Jamie Bell) está apaixonado, inclusive o longa se sustenta com uma narrativa em off como se fosse uma declaração de amor e despedida dele para o objeto que muitos não gostariam de ter em casa nem em forma de brinquedo. Bem, não se podia esperar algo convencional de um roteiro de Von Trier. O tímido rapaz vive em Estherslope, uma pequena e pacata cidade no interior dos EUA, não se encaixa no estilo de vida do local e tampouco tem perspectivas de vida, mas tudo muda quando certo dia acaba comprando uma arma de brinquedo em uma loja a beira da falência para presentear um garoto que ao que tudo indica não lhe despertava os melhores dos sentimentos. Na última hora ele decide dar outra coisa de presente e quando vai devolver o revólver descobre que ele é de verdade. Fascinado por sua nova companheira, ele lhe dá um nome, a leva junto para onde quer que vá e passa a demonstrar autoconfiança, uma sensação que até então desconhecia. Todavia, ele se diz um pacifista nato.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

SOBRENATURAL (2004)

NOTA 6,0

Diretamente do Vietnã, longa
não se preocupa em causar
sustos fáceis, mas sim em criar
uma atmosfera envolvente
Uma das marcas mais fortes da produção cinematográfica da década de 2000 foram os remakes de produções de horror orientais, onda que acabou abrindo as portas do mercado mundial para receber os filmes originais e outros inéditos oriundos de países como o Japão e a China. A diversificação de opções é válida, mas a consequência negativa é que o inflado número de títulos disponíveis acabou enjoando o espectador e alguns bons títulos acabaram não tendo o destaque que mereciam como é o caso do praticamente desconhecido Sobrenatural, suspense com pegada espírita realizado no Vietnã. Sim, este país não sobrevive apenas as custas das memórias do auge de seu período de guerras e tampouco se tornou um cenário totalmente devastado e inabitável. Bem, quem espera ver neste filme as paisagens vietnamitas esqueça. A ação se concentra praticamente em um único cenário, uma velha e abandonada casa com um grande quintal cheio de mato, uma propriedade aparentemente esquecida em uma região campestre e isolada. É lá que certa noite procura refúgio o escritor Loc (Tuan Cuong), especialista em livros de suspense com pitadas de romance que deseja um lugar calmo e que lhe inspire a escrever sua nova obra. Pensando que a casa estava abandonada, ele se surpreende ao ser recebido educadamente por Hoa (Kathy Nguyen) que diz que o proprietário havia viajado a algumas semanas e ela estava tomando conta do local. Logo na primeira noite, Loc começa a ouvir barulhos estranhos e a sentir a presença de mais alguém, sensações que vão se intensificando a cada nova madrugada ao mesmo tempo em que ele vai se afeiçoando por Hoa, uma garota que lembra muito as mocinhas de suas obras, jovens sonhadoras e frágeis, sempre dependentes dos homens, traídas e abandonadas. Hoa aparentemente é sozinha no mundo, um tanto misteriosa e desperta ainda mais a curiosidade do escritor quando ele recebe a visita do pai dela, o Sr. Huy (Dang Hung Son) dizendo que há tempos não consegue entrar em contato com a filha. Essa é a trama de “O Visitante”, o primeiro dos três capítulos que compõem o longa dirigido por Victor Vu, histórias que são intimamente ligadas.

domingo, 4 de agosto de 2013

UM DIA ESPECIAL

Nota 7,0 Longa açucarado, mas correto, parece feito sob encomenda para seus protagonistas

Uma mulher e um homem que se estranham ao se conhecerem pouco a pouco vão descobrindo afinidades e sentimentos e de quebra recebem a ajudinha de seus filhos-cupidos. Quantos enredos do tipo existem na praça? Bem, hoje tal historinha é para lá de batida, mas será que em meados dos anos 90 seria alguma novidade? Provavelmente não, mas a fórmula consagrada era perfeita para os propósitos dos protagonistas, de seus agentes ou dos produtores da fita. Em plena fase do auge do gênero água-com-açúcar tendo como principais representantes Julia Roberts, Meg Ryan e Sandra Bullock, não poderia ficar de fora da onda a bela e talentosa Michelle Pfeiffer. George Clooney era o galã da série de TV “Plantão Médico” e almejava o sucesso nas telonas, então nada mais natural que investir em uma produção destinada ao público feminino para dar os primeiros passos rumo ao estrelato. Podemos justificar desta forma a existência de Um Dia Especial, produção simplória em seu conteúdo e visual, mas cuja temática universal e melódica a ajudou a se tornar um clássico estilo sessão da tarde. Melanie Parker é uma arquiteta de sucesso, muito firme em suas decisões, uma mulher independente e extremamente dedicada ao trabalho. Jack Taylor é um colunista de jornal bastante prestigiado, que não tem medo de ir a fundo nos assuntos para conseguir sempre se superar, é muito carismático e faz sucesso entre as mulheres. Em comum, além da dedicação à profissão e o apreço por falas irônicas, ambos são separados e tem um filho pequeno. Melanie é mãe de Sammy (Alex D. Linz) e Taylor é o pai de Maggie (Mae Whitman). Certo dia, devido a um acaso do destino, estes pais se encontram na porta colégio das crianças que acabaram perdendo um passeio de barco. Agora eles estão com o dia cheio e não tem com quem deixar os filhos e Taylor propõe que ela vá a uma importante reunião de trabalho enquanto ele cuida das crianças. Ao término, ela assumiria as funções de babá e ele atenderia seus compromissos na redação do jornal. Obviamente o assunto não acaba assim rapidamente. Orgulhosa, a arquiteta desconsidera a proposta e ambos acabam carregando os filhos para o trabalho, mas eles são muito curiosos, fica impossível tal situação e não é que o destino fez com que os dois tivessem a ideia de colocar a molecada para passar um dia em uma creche... E na mesma!

sábado, 3 de agosto de 2013

VILA DAS SOMBRAS

Nota 6,0 Suspense francês tem bom argumento, mas seu ritmo e sustos suaves comprometem

Os elementos do cinema de horror são tão enraizados à cultura americana que fica difícil imaginar os mesmos em um filme italiano, argentino ou português. Certamente só pelo lançamento da ideia de que um produto do tipo seria feito no Brasil já seria alvo de chacotas e desconfianças, que dirá o nosso famoso Zé do Caixão que mesmo tendo sua filmografia hoje em alta estima viu seu último projeto cinematográfico (lançado em meados da década de 2000) amargar o ostracismo. Por outro lado, China, Japão e outros países da cultura oriental e até a Espanha tem um histórico de sucesso na produção de terror e suspense. E o que dizer de um filme do tipo francês?  Vila das Sombras reúne diversas características do gênero, mas esbarra no preconceito do público. Realmente, com uma narrativa mais lenta e imagens extremamente escuras é natural que muitos desistam de acompanhar este trabalho em seus dez minutos iniciais, mas não é que o longa surpreende no conjunto? Obviamente não vai mudar os rumos do cinema e tampouco é excepcional, mas é uma prova de que todos os países podem e devem apostar nos mais variados gêneros cinematográficos, não visando lucros, mas sim para vivenciar a experiência e aprimorá-la, caso contrário a produção local fica estagnada como no caso da França que para muitos ainda hoje é sinônimo de filmes chatos e complexos. A trama começa mostrando dois soldados armados dentro de uma residência aparentemente abandonada, mas existe algo estranho lá dentro os perturbando. Tal história faz parte de um livro sobre lendas e crenças que Mathias (Jonathan Cohen) está lendo durante uma viagem de carro que está fazendo com um grupo de amigos. Como estão em nove pessoas, o grupo se dividiu em dois veículos, mas na escuridão da noite eles acabam se colidindo, porém, um dos carros simplesmente parou na estrada e seus integrantes sumiram. Coincidentemente, Lucas (Axel Kiener) diz que eles estão próximos a uma vila onde seus pais possuem uma casa, mas no momento ela está vazia e poderiam passar a noite lá. O local é extremamente sinistro, vive sob uma escuridão absoluta e obviamente não demora muito para que fatos estranhos aconteçam. Lucas parece ter mudado de personalidade de uma hora para outra e agride Mathias; Lila (Barbara Goenaga) passa a ter estranhos delírios com eventos que se passaram no vilarejo há séculos atrás; e Marion (Ornella Boulé), que estava desaparecida, é encontrada, mas sua irmã Emma (Christa Theret) não gosta nada de seu comportamento em transe.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

MISSÃO BABILÔNIA

NOTA 3,0

Interferência de estúdio
certamente comprometeu o
resultado de ficção mal
estruturada e sem graça
Quando um filme estreia nos cinemas ou é lançado em DVD sem publicidade isso pode significar um mau sinal afinal de contas é um tanto suspeito uma distribuidora esconder seu produto da mídia quando ela poderia ser uma aliada para aumentar a procura do mesmo, embora não seja raro que excelentes produções dispensem os gastos com marketing e confiem na propaganda boca-a-boca positiva do público. Agora o que dizer de uma obra que aparentemente tem toda a pompa de superprodução, mas seu próprio diretor e até mesmo o protagonista não ficaram satisfeitos com o resultado final? Pois é, essa é a situação de Missão Babilônia que não chega a ser uma ficção científica cafona cheias de engenhocas e naves espaciais (pelo menos não em números exagerados), porém, não foge do clichê de imaginar um futuro apocalíptico.  Com muitos problemas na fase de finalização, o longa tem um visual chamativo e uma ótima parte técnica, mas o conceito do imagem é tudo aqui não funcionou. Sem uma boa história não há efeito especial ou som estridente que segure a atenção do espectador. Bem, em tempos de febre do 3D e outras firulas talvez essa máxima não tenha valor, mas isso é outra discussão. Baseado no livro “Babylon Babies”, escrito por Maurice Georges Dantec e muito popular na França, a trama até que começa de forma instigante. Um mercenário está correndo apressadamente pelas ruas sob uma forte chuva até que encontra seu alvo, um asiático que lhe vendeu uma arma que não funciona e agora ele quer seu dinheiro de volta. Parece uma introdução tola? Somando-se a outros detalhes que percebemos nesta e em algumas cenas seguintes tomamos conhecimento da visão de futuro que o longa quer apresentar. O mundo não está totalmente devastado com alguns poucos sobreviventes como estamos acostumados a ver em outras produções com temática semelhante, porém, está caminhando para isso. O individualismo impera, o comércio ilegal dita as regras, militares armados ocupam em peso as ruas, os efeitos do aquecimento global já são plenamente perceptíveis, alguns animais como os tigres estão extintos há anos, a violência cresceu espantosamente e tantos outros detalhes negativos visuais vão pouco a pouco situando o espectador e substituem aquele manjado truque do pequeno resumo por escrito que geralmente abre produções do tipo. A ideia de introdução do diretor francês Mathieu Kassovitz, de Rios Vermelhos, já mostra seu respeito em manter o espírito da obra literária que o inspirou, todavia é quase impossível não ficar com o pé atrás com a produção desde os minutos iniciais por um motivo crucial: Toorop, o tal mercenário, é interpretado por Vin Diesel. Astro de filmes de ação, novamente ele surge inexpressivo, quase como um robô contratado para escoltar a jovem Aurora (Mélanie Thierry) e sua protetora Rebeka (Michelle Yeoh) do Cazaquistão para Nova York. No percurso eles acabam tendo que enfrentar alguns contratempos com indivíduos que estão de olho na moça que por anos viveu reclusa em um convento e que aos poucos revela ser uma pessoa incomum, alguém com inteligência e intuição acima do normal.

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