segunda-feira, 1 de abril de 2013

CRY-WOLF - O JOGO DA MENTIRA

NOTA 3,5

Apesar de um início
diferenciado, longa recicla
fórmula consagrada e tem
um pretensioso final 
Os sádicos assassinos de Halloween, O Massacre da Serra Elétrica, A Hora do Pesadelo e Sexta-Feira 13 deixaram muitos jovens sem dormir e roendo as unhas por muitas noites entre as décadas de 70 e 80, mas o termo serial killer só ficou popular mesmo a partir de 1996 quando o criativo Wes Craven reinventou este subgênero do terror em Pânico. De lá pra cá muitos outros títulos copiaram a risca tal fórmula de sucesso, gerando inclusive franquias, mas quantas destas produções estrearam em brancas nuvens e hoje em dia ninguém se lembra? A resposta são dezenas de títulos. Então porque ainda produções do tipo são produzidas? Simplesmente porque elas têm seu público cativo e sempre estão criando novas plateias para curti-las. A qualidade destes trabalhos em geral é duvidosa, mas que atire a primeira pedra quem hoje está com seus 20, 30 e poucos anos e nunca curtiu com os amigos na adolescência uma sessão de terror do tipo em casa ou no cinema regada a muita pipoca e refrigerante. Ruim com eles, pior sem eles. Podemos tecer quantos comentários negativos quisermos, mas o fato é que os filmes de seriais killers ainda rendem grana e servem para matar o tempo com a galera ou em uma noite chuvosa e se sumissem do mercado certamente gerariam revoltas. Apesar de a grande maioria ser totalmente previsível e esquecível é preciso dar um voto de confiança para os profissionais que ainda procuram dar um gás a esse combalido nicho cinematográfico, como é o caso do diretor Jeff Wadlow que procurou fazer de seu Cry-Wolf – O Jogo da Mentira um produto diferenciado. A trama começa com o assassinato de uma garota nos arredores de um prestigiado colégio. É nessa instituição que a partir de agora irá estudar Owen (Julian Morris), mais um a se juntar a um bando de filhinhos de papai que matam o tempo livre fazendo joguinhos para testar o poder de persuasão e ingenuidade de cada um. Quem lidera esse grupo é a impetuosa Dodger (Lindy Booth) que dá a ideia de aproveitarem a tal tragédia da introdução para pregarem uma peça e testarem as emoções e reações dos demais colegas de escola. Juntos eles criam uma identidade visual, psicológica e até um “método de trabalho” para o suposto assassino da garota e inventam um trajeto de crimes que o mesmo cometeu em outra cidade dando a entender que agora ele faria as mesmas atrocidades no novo endereço como se fosse um ritual. Tal história é enviada por email para os alunos e logo o tal serial killer está na boca do povo, mas obviamente o que era ficção acaba se tornando realidade e o assassino batizado de Lobo passará a perseguir Owen e seus amigos, mas ele tem certeza que por de trás do gorro laranja que esconde a identidade do vilão está um de seus companheiros de grupo pregando-lhe uma peça na sugestiva época do Halloween.

Pelo enredo fica claro que o longa recicla os sustos de Lenda Urbana, Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, Uma chamada Perdida e tantos outros. Será mesmo? Quem gosta do banho de sangue e muitos sustos propostos por tais títulos pode se decepcionar neste caso. Não há uma só morte interessante e até os momentos de tensão não exalam adrenalina. O início já não é muito animador. A apresentação dos personagens não é das mais interessantes e quando estão montando o perfil do assassino ideal já imaginamos o banho de sangue que vem por aí, mas podemos estar enganados. Por quase uma hora não parece que estamos vendo um filme de terror teen. Há muitos diálogos, especulações, mas não sentimos aquela tensão de que a qualquer momento algo de estarrecedor irá acontecer. E realmente não vai até que a ação é transportada para uma festa a fantasia onde várias pessoas escolheram se vestir com a mesma vestimenta do assassino misterioso e é lógico que o próprio estará infiltrado lá. Seria ele mesmo? O roteiro do próprio cineasta em parceria com Beau Bauman joga várias pistas falsas para o espectador brincar de detetive e usa os modernos meios de comunicação para tocar o terror, como as mensagens de texto enviadas para celulares ou chats na internet. Com ares de produção inteligente, este filme na realidade é só uma variação dos filmes de horror teen, mas que tem como ponto positivo investir mais na história em si do que em chocar com sangue aos montes e corpos extirpados. Todavia, ao que tudo indica é a carnificina que o público-alvo quer, mas valeu a tentativa de mudar o jogo, ainda que o longa conte com certos elementos que nos remetem a trama de Intrigas, outra produção protagonizada por jovens que usa uma mentira como matéria-prima, mas com viés bem mais maduro, crível e interessante. O que também não colabora muito para prender a atenção nessa primeira parte, digamos mais racional que emocional, é por conta do elenco de novatos (na época) um tanto inexpressivo. Nem mesmo o clima de sedução que deveria existir entre os personagens Owen e Dodger chega a causar alguma sensação. O único nome famoso é o de Jon Bon Jovi interpretando um professor de jornalismo e que terá importância no desfecho, mas no fundo todos os personagens são rasos e desinteressantes.

Para realizar esta produção mediana foram gastos simplesmente um milhão de dólares, mas a história deste orçamento é bem curiosa. Em 2001, a montadora de veículos Chrysler criou em parceria com a Universal Pictures um concurso para premiar o melhor roteiro inscrito e bancar sua transformação em película. “Living the Lie” foi o escolhido, mas pela sinopse do filme ficamos na dúvida se Wadlow já era uma carta marcada no concurso ou se o nível da concorrência era muito baixo. Com uma falsa aura de inovador, que pelo menos não ficou estampada nem no título e tampouco no material publicitário brasileiro, Cry Wolf – O Jogo da Mentira é uma reunião de clichês apresentada de forma enganosa ao espectador e infelizmente muitos caem na armadilha de estar vendo algo inovador simplesmente porque no final, após um longo bloco de mortes, sustos e perseguições em ritmo acelerado, é revelada uma conclusão um tanto pretensiosa. Pode-se ficar boquiaberto com tal revelação, mas passada a emoção e colocando a razão em primeiro lugar percebemos que essa reviravolta que deveria dar ao longa um grand finale marcante é na realidade uma baboseira inverossímil, um elaborado plano de um dos personagens para justificar e culpar alguém pelo assassinato apresentado na introdução, algo tão bem planejado que tudo ocorreu como previsto nos mínimos detalhes. Wadlow, então estreando na direção de longas-metragens, tal qual sua plateia já viu a história que contou das mais variadas maneiras, mas arquitetou seu trabalho acreditando tanto na hipótese dele ser mais inteligente que os outros que acaba convencendo a alguns afinal de contas seu público-alvo é um tanto sugestionável e pobre em repertório cinematográfico. Todavia, com alguns momentos inspirados e até abrindo mão da sanguinolência exagerada, o filme até serve para entreter aqueles que já são formados no gênero e sabem de trás para frente as suas manhas e truques, mas bem que a “reviravolta esporta” aos 45 minutos do segundo tempo poderia ter sido cortada na edição final. Para alguns a cereja do bolo é tal conclusão, para outros uma verdadeira tortada na cara. Assista e tire suas conclusões.

Terror - 90 min - 2005 

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