domingo, 30 de setembro de 2012

OS VAMPIROS QUE SE MORDAM

Nota 1,0 Paródia de filme de sucesso repete fórmula e erros comuns a este subgênero do humor
 
Sinopse: A garota Becca Crane (Jenn Proske) é uma adolescente que está recomeçando sua vida ao lado de seu pai em uma nova cidade e está extremamente ansiosa, pois terá de enfrentar os problemas de mudar de colégio. Logo no primeiro dia de aula ela se depara com tipos estranhos e fica sabendo de histórias sobrenaturais que acontecem por lá, mas nada que a impressione mais que o pálido Edward Sullen (Matt Lanter) por quem se apaixona imediatamente. A atração é recíproca, mas o rapaz esconde um segredo que o impede de se aproximar da moça. Enquanto isso, Becca também faz amizade com Jacob White (Christopher N. Riggi), outro garoto um tanto estranho, mas que também mexe com os sentimentos dela. Entre seus dilemas amorosos, a fase de adaptação à escola nova e o fato de ter de aprender a lidar com a falta de noção de seu pai, Becca mal sabe que algo pior pode lhe acontecer.

sábado, 29 de setembro de 2012

ALMAS CONDENADAS

Nota 2,0 Mesmo tentando fazer algo levemente diferenciado, longa tropeça no acúmulo de clichês

Os filmes de fantasmas com certeza eram mais atraentes antigamente quando suas almas vagavam pelos cemitérios ou se recusavam a abandonar suas antigas casas. Com a invasão dos filmes de horror asiáticos, infelizmente parece que virou regra que as assombrações aparecessem em tudo que é canto, independente de o Sol estar brilhando, e que as histórias sempre envolvam crianças e algum mistério mal resolvido pinçado do fundo do baú. Embora Almas Condenadas não seja a refilmagem de nenhum produto oriental, é nítido que sua existência se deve a tal febre, ainda que tenha sido lançado quando os fantasminhas de olhos puxados e suas versões americanizadas começavam a dar seus últimos suspiros. O fracasso então é justificado, ainda mais pela premissa que parece inspirada em programas sensacionalistas que exploram crendices populares. O roteiro escrito por Brian e Jason Clevenland gira em torno de Melanie (Leah Pipes), uma jovem que acaba de escapar da morte por conta de uma overdose de drogas. Após passar um tempo em uma clínica de reabilitação, ela decide retornar à sua pequena cidade natal no Texas para voltar a conviver com sua família. Além de se readaptar a rotina, a garota vai fazer novas amizades que a levam a conhecer uma lenda urbana local que vai deixá-la ainda mais perturbada. Há cerca de 50 anos um terrível acidente envolvendo um trem matou grande parte da população infantil da cidade e depois que Melanie esteve pessoalmente no mesmo lugar da tragédia passou a ter visões dos mortos que parecem querer se comunicar com ela. Para agravar a situação, uma sequência de misteriosos assassinatos começa a ocorrer e parece querer encobrir detalhes do fatídico episódio, assim a jovem se sente no dever de investigar as relações entre as mortes do passado e as do presente. Como diz o ditado, quem procura acha e Melanie vai acabar se envolvendo em uma perigosa situação que pode não ser uma história totalmente do além e correr grandes riscos.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

MALDIÇÃO (2005)

NOTA 0,5

Boa premissa é desperdiçada
por roteiro tedioso e repleto de
clichês que ainda por cima são
mal utilizados e provocam risos
Febre nos anos 70 e 80, os filmes sobre casas mal assombradas hoje em dia não surpreendem mais, no máximo conseguem não denegrir a imagem de seus antecessores, mas em geral tais produções são decepcionantes, salvo raras exceções como Os Outros e O Orfanato. Se o excesso de clichês é apontado como o principal fator responsável pela repulsa de boa parte dos espectadores, o que dizer quando tais situações repetitivas são ainda mal utilizadas? Esse é apenas um dos problemas de Maldição, produção cuja premissa é polêmica e inspiradora, mas seu resultado final é extremamente decepcionante. A trama se passa no começo do século 19 e gira em torno da família Bell, pessoas comuns que veem suas vidas alteradas completamente da noite para o dia. John (Donald Sutherland), o patriarca, é um homem respeitado e que leva uma vida harmoniosa ao lado da esposa Lucy (Sissy Spacek) e dos filhos, mas os bons tempos são interrompidos quando ele entra em conflito por causa da posse de um terreno com uma moradora da região, Kathryn Batts (Gaye Brown), conhecida por ser adepta da feitiçaria e que teria conjurado forças demoníacas para se vingar do clã. De uma hora para a outra a casa dos Bells passa a ser aterrorizada por eventos sobrenaturais que atingem principalmente Betsy (Rachel Hurd-Wood), a filha adolescente de John. Barulhos estranhos, objetos que se movem sozinhos e a garota flutuando no ar, sendo espancada ou arrastada brutalmente pela casa por forças ocultas. Realmente a rotina da casa torna-se um verdadeiro pesadelo, principalmente durante a noite. Os Bells tentam desesperadamente encontrar uma forma de limpar a casa dessas energias malignas, com a ajuda da racionalidade do professor da menina, Richard Powell (James D’Arcy), e da religiosidade do amigo James Johnston (Matthew Marsh), mas parece que tudo é em vão e os ataques se tornam cada vez piores, levando John também a um estado de loucura. O enredo é esse, básico e nada mirabolante, apenas o mínimo exigido de uma história que pretende gerar calafrios no espectador. O problema é que a tensão esperada não demora a dar lugar a risos, bocejos ou sinais de impaciência. Além da narrativa tediosa e confusa, os péssimos efeitos especiais colocam a jovem Betsy em situações ridículas de possessão, nada assustadoras e sendo até possível encontrar falhas de aparatos usados para sustentar a personagem no ar, coisas que deveriam ter sido apagadas na pós-produção. O filme não era para ser assim afinal de contas a fonte de inspiração é das boas.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

COINCIDÊNCIAS DO AMOR

NOTA 7,0

Enfocando mais o protagonista
masculino e dando ênfase ao seu
amadurecimento forçado, longa
oferece certo conteúdo reflexivo
É possível um intérprete levar adiante sua carreira basicamente reciclando um mesmo personagem? A trajetória de Jennifer Aniston prova que sim, basta saber incorporar ao perfil das criações características compatíveis a sua faixa etária. Ela já viveu a sua fase de sonhar com príncipe encantado, curtir a vida trocando de namorado como quem troca de roupas, mas chegou a hora do estereótipo da quarentona que se preocupou mais com a vida profissional que com a pessoal estampar seu currículo (coincidindo com os rumos de sua vida pessoal). Em Coincidências do Amor ela dá vida à Kassie Larson, uma mulher que sempre sonhou em ser mãe, mas as preocupações para conseguir sua independência financeira e o perfil de homem ideal (entenda-se bonito, rico, culto e tudo o mais que possa elevar a moral do pretendente) acabaram a cegando a ponto de não ver que o tempo passa rápido. Quando se deu conta já estava próxima de uma idade limite para engravidar e decidiu partir para uma produção independente. Recorrendo a um banco de esperma, ela teve a oportunidade de selecionar um doador levando em consideração o que ela esperava do futuro do filho, mas por tabela baseou-se em características que formariam o perfil do parceiro ideal. Assim, cerca de sete anos mais tarde ela resolve voltar para sua antiga cidade, a agitava Nova York, e aproximar o pequeno Sebastian (Thomas Robinson) de seu pai biológico, Roland (Patrick Wilson). A intenção era evitar que o garoto se tornasse um adulto complexado, algo que já se manifestava na infância, e de antemão ter a resposta para uma inevitável pergunta a respeito de quem seria seu pai. É claro que tentando fazer essa aproximação ela acaba também tendo contato com o homem dos seus sonhos e o interesse é correspondido, tudo para atacar o ciúmes de Wally Mars (Jason Bateman), um dos melhores amigos desta mulher, mas que não concordava com a ideia dela ser mãe solteira, uma decisão que mudaria a vida dela irremediavelmente. A surpresa é que para este tímido apaixonado, que desperdiçou algum tempo antes a chance de assumir o papel de marido dela, a existência de Sebastian também mudaria seus planos para o futuro. Quando estava tudo certo para a inseminação, Kassie fez uma festa para comemorar e Mars, já demonstrando um interesse além da simples amizade por ela, bebeu todas para suportar a decepção e acabou aprontando no banheiro.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

PLANETA VERMELHO

NOTA 0,5

Mais uma desnecessária
viagem cinematográfica à
Marte resulta em um tremendo
e merecido fracasso
Filmes sobre viagens intergalácticas já tiveram seu período de auge em um passado distante, mas as tentativas de ressuscitar este subgênero da ficção científica entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000 já mostrava que esse tipo de produção não tinha futuro. Mesmo assim vira e mexe Hollywood volta a investir no tema, até porque existe sim um nicho de público fã dessas aventuras, mas não em número suficiente para gerar dinheiro e ressuscitar o gênero. Em tempos em que a população mundial respirava aliviada que o mundo não acabou na virada do milênio, alguns produtores desatinados ainda acreditavam que o público sonhava que a salvação da humanidade era reconstruir a vida em outro planeta e investiram grana em Planeta Vermelho, produção que já tinha desde sua concepção todos os ingredientes necessários para dar errado e o resultado não foi diferente. Em primeiro lugar estreou pouco tempo depois dos mal sucedidos Supernova e Missão: Marte, o que já afugenta uma parcela de público que não curte repetecos de temas, ainda mais quando as palavras fracasso ou bomba parecem estar de formas invisíveis atreladas à obra. Como já dito, o gênero desta fita andava para lá de capenga. Por fim, quem quer brincar de astronauta precisa de disposição e interesse para tanto e o que vemos na tela são efeitos especiais e cenários precários o que automaticamente tacham a produção como um legítimo produto trash, embora a produtora Warner tenha lançado mão de um polpudo orçamento. A trama se passa no ano de 2050, para variar em um futuro apocalíptico quando os recursos naturais da Terra estão se esgotando e a humanidade precisa buscar um novo lugar onde possa sobreviver. O local em vista é o planeta Marte. O engenheiro Robby Gallagher (Val Kilmer), a comandante Kate Bowman (Carrie-Anne Moss), o Dr. Quinn Burchenal (Tom Sizemore), o Dr. Bud Chantillas (Terence Stamp) e os cientistas Ted Santen (Benjamin Bratt) e Chip Pettengill (Simon Baker) formam a tripulação da sonda de astronautas que é convocada para uma expedição para explorar as condições do desconhecido satélite e torná-lo um lugar habitável. Quantas dezenas de anos de pesquisas seriam necessárias para tanto? No caso temos que engolir que tal tarefa seria a jato.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

DO QUE AS MULHERES GOSTAM

NOTA 7,0

Garanhão machista ganha o
dom de ouvir os pensamentos
das mulheres e assim rever
seus conceitos e condutas
Depois que se enveredou pelo caminho da direção em A Paixão de Cristo e Apocalypto, duas produções caras, complicadas e arriscadas, parece que os convites para Mel Gibson atuar começaram a ficar cada vez mais raros ou o próprio ator tornou-se mais seletivo. Seus trabalhos como diretor possivelmente criaram uma espécie de barreira para ambos os casos, afinal quem recriou as últimas horas de Jesus Cristo e se aventurou a explorar o cotidiano de uma extinta civilização certamente não poderia aceitar fazer qualquer papel, ele estaria em um patamar acima em sua carreira, isso sem falar no Oscar que já havia conquistado como diretor por Coração Valente. As constantes declarações polêmicas do ator a respeito de grupos sociais e religiões, por exemplo, também contribuíram para seu gradual afastamento do mundo do cinema, mas ainda assim o público não esquece seu rosto e os filmes dos quais participou e que marcaram época como a quadrilogia Máquina Mortífera. Símbolo de grandes bilheterias nos anos 80 e 90, praticamente na virada para o século 21 o ator ainda provava que podia transitar tranquilamente pelos mais variados gêneros e garantir bons lucros, como é o caso da comédia romântica Do que as Mulheres Gostam, longa que também marcou o retorno de Helen Hunt em um papel de destaque após os vários prêmios que recebeu cerca de dois anos antes por Melhor é Impossível. O casal tem química instantânea e contagiante. A história criada por Josh Goldsmith e Cathy Yuspa tem como pano de fundo o mundo da publicidade. Propagandas de cerveja, por exemplo, visam fisgar principalmente o público masculino com mulheres bonitas em trajes mínimos ou a boa e velha isca do jogo de futebol, aquela desculpa para se reunir com amigos. Antigas propagandas de cigarros vendiam uma falsa sensação de liberdade investindo pesado em viagens para captar imagens de belas paisagens, também visando a atenção dos homens. E as mulheres? Como elas eram retratadas nas propagandas? Os anos passaram e pouca coisa mudou. A maioria não se reconhece como as gostosonas da praia, as modelos que sorriem ao se besuntar de cremes hidratantes e também não querem ser retratadas como a dona de casa perfeita que sorri ao limpar um vaso sanitário. Justamente pelo fato da publicidade não compreender a alma feminina é que a empresa de marketing onde trabalha Nick Marshall (Gibson) está passando por maus momentos. Como chefe do departamento de criação ele acredita estar com seu emprego assegurado, mas quem cochila acaba sendo passado para trás.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

GNOMEU E JULIETA

NOTA 8,0

Clássico de Shakespeare é
adaptado para o universo
infantil com modificações e
protagonizado por anões de jardim
Tragédia não combina com o universo infantil, isso é fato, porém, quem disse que uma história triste não pode ser adaptada para ao universo dos pequenos? Baseado no romance “Romeu e Julieta” de William Shakespeare, Gnomeu e Julieta é mais uma animação a provar que o gênero pode ajudar as crianças a se aproximarem de uma literatura mais madura e clássica, tal qual a Disney já fez com Pocahontas e O Corcunda de Notre Dame, por exemplo, mas no caso o diretor Kelly Asbury muniu-se de um arsenal de piadas visuais e no roteiro para chamar a atenção da criançada. Co-diretor de Spirit – O Corcel Indomável e Shrek 2, o cineasta procurou nesta nova incursão no campo das animações não ser tão sério quanto na aventura do cavalinho, porém, sua incursão pelo mundo shakespeariano também não se revela tão divertida quanto seu passeio pelo reino de Tão Tão Distante, ou melhor dizendo, não se revela tão anárquica. Apesar de carregado de citações a filmes de sucesso e a referências populares e modernas, Asbury pegou mais leve no humor desta vez até porque tinha a preocupação de manter a essência do conto original, ainda que modificando o texto em vários pontos para atenuar a dramaticidade. A primeira cena traz um gnomo avisando que a história que está prestes a ser contada não é inédita, pelo contrário, já ganhou centenas senão milhares de adaptações mundo a fora seja em forma de filmes, especiais de TV, espetáculos teatrais, histórias em quadrinhos, enfim todas as plataformas midiáticas já usufruíram da essência daquele que é considerado o conto mais romântico de todos os tempos. Só para nos atermos no campo da sétima arte, considerando desde os tempos dos filmes mudos é uma conta trabalhosa somar o número de versões que tal narrativa já rendeu, mas é uma pena que a maioria das versões peca pela falta de originalidade, mas o desenho em questão surpreende positivamente. A rivalidade entre os Capuletos e os Montecchios continua sendo o mote principal, mas os visuais dos personagens e da ambientação da história mudaram bastante. Saem de cena as pessoas e os suntuosos cenários originais para entrarem em seus lugares os anões de jardim que vivem em gramados cercados de vegetação abundante e de cores vibrantes. Tais adornos de quintal conseguem conquistar logo a primeira vista com suas aparências simpáticas e personalidades bem delineadas, mas a opção por eles foi um risco assumido por Asbury visto que eles estão em desuso, uma ousadia ainda maior subvertendo a tragédia a um ambiente fantasioso onde tudo pode acontecer.

domingo, 23 de setembro de 2012

JOGADA CERTA

Nota 4,0 Com o intuito de lançar ex-esportista como ator, longa é limitado e super previsível

O basquete é uma paixão dos norte-americanos, um esporte tão respeitado e que angaria tantos fãs quanto o futebol no Brasil. A modalidade também parece fazer a cabeça do roteirista Michael Elliot que explorou os conflitos das quadras no infantil Pequenos Grandes Astros e voltou ao mesmo cenário para a comédia romântica Jogada Certa. Bem, o longa protagonizado por Queen Latifah deveria divertir e emocionar, mas é tão esquemático que perde toda a graça em poucos minutos. A atriz dá vida à Leslie Wright, uma fisioterapeuta muito dedicada ao trabalho que não tem tempo nem mesmo para namorar, embora tenha sempre boas companhias masculinas por perto. Muito carismática e compreensível, ela mesma afirma que é a boa amiga que todo o homem quer ter, mas por ter passado dos 35 anos acredita que não tem mais chance de desencalhar. Fã de basquete, um dia ela tem a sorte de ajudar um grande astro do esporte, Scott McKnight (Common), que em retribuição lhe convida para ir a sua festa de aniversário. Pela primeira vez em muito tempo ela se sentiu animada e ter a certeza de que algo de bom poderia acontecer, no entanto, cometeu o erro de levar na noitada a tiracolo Morgan (Paula Patton), uma amiga com quem divide a casa. O rapaz se encanta pela moça e depois vai pessoalmente procurá-la para um convite mais íntimo. Muito educada como sempre, Leslie deixa o caminho livre para a amiga e passa a torcer pelo sucesso do relacionamento, embora saiba que Morgan é uma pessoa fútil e gananciosa. Quando já estavam até de casamento marcado, após um rápido namoro de três meses, Scott acaba sofrendo uma grave lesão durante um jogo que o afastaria das quadras por várias semanas, o que o impediria de jogar na temporada e até mesmo atrapalharia a negociação de um novo contrato com o time. Diante da iminente derrocada do esportista, Morgan o abandona e Leslie tem a chance de se aproximar de seu ídolo. Inicialmente por solidariedade, ela até pede licença do trabalho para se dedicar em tempo integral a recuperação de Scott visando seu retorno às quadras muito antes que o previsto.

sábado, 22 de setembro de 2012

13 - O JOGADOR

Nota 1,0 Apostando em um jogo perverso e masoquista, longa sobrevive por fiapo de roteiro

Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris entre outros astros brucutus fizeram fama e fortuna com seus filmes de ação que bombaram entre os anos 80 e 90, mas o terreno teve que ser repassado a novos donos. Will Smith e Denzel Washington, por exemplo, fazem sucesso no gênero, mas já provavam que podem atuar em produções dramáticas e surpreender. Vin Diesel e Dwayne Johnson indiscutivelmente são lembrados como grandes ícones do cinema de ação dos anos 2000 e sem data para o abandonarem, mas são obrigados a dividir as honras com Jason Stathan, o protagonista da trilogia Carga Explosiva entre outros tantos filmes repletos de adrenalina ou que exalam misoginia como é o caso deste 13 – O Jogador. Todavia, apesar de sua presença ser destacada no material publicitário, o astro com cara de poucos amigos surge aqui em um papel praticamente coadjuvante. Teoricamente a trama gira em torno do jovem Vince Ferro (Sam Riley) que de uma hora para a outra tem a sorte (ou seria azar?) de conseguir acessar um material confidencial com algumas instruções para participar de um tipo de jogo do qual poderia sair milionário, porém, isso estava destinado para outra pessoa que acabou falecendo. Com problemas financeiros, Vince assume o lugar do desconhecido e nem imagina que estaria colocando sua vida em perigo em prol da ganância. Ao chegar no lugar indicado, o rapaz descobre do que o tal jogo se trata. Um grupo de homens poderosos, como Jasper Bagger (Statham), gasta seu tempo ocioso com um estranho hobby: eles fazem apostas valendo um bom dinheiro em uma espécie de roleta russa. Cada apostador escolhe um humano que poderia sair vivo ou morto de um tiroteio proposital. São várias as rodadas do jogo e entre um dos mais sortudos a continuarem vivos está Patrick Jefferson (Mickey Rourke), um grande adversário para Vince. O que esperar de uma produção dessas? Muito tiro, blá-blá-blás estratégicos e praticamente zero de emoção, a não ser que você seja um masoquista como os tais apostadores que poderiam estar gastando a grana com caridade. Ops! Se gostam desse joguinho estúpido é óbvio que ninguém ali é flor que se cheire.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O RITUAL (2011)

NOTA 7,5

Mesmo abordando as possessões
demoníacas por uma ótica
mais realista, longa não deixa
de fazer uso dos clichês
Filmes inspirados em fatos reais têm um forte apelo junto ao público, mas também podem despertar desconfianças. Quando os tais acontecimentos envolvem assuntos do além, as dúvidas quanto a veracidade dos fatos são ainda maiores, embora o número de curiosos pelo tema seja grande. Produções do tipo foram e continuam sendo lançadas aos montes diretamente em DVD e muitas são produzidas exclusivamente para canais de TV, o que já sugere que os argumentos não são dos melhores assim como os produtos também não inspiram confiança em suas partes técnicas, tanto que o subgênero dos longas sobrenaturais vira e mexe está em crise, mas ainda bem que sempre algum produto do tipo ao menos razoável pode ser encontrado em meio ao lixo e dar certo ânimo para confiarmos em sua recuperação. O Ritual é um bom exemplo disso, embora a primeira vista pareça algo descartável. Tendo como grande chamariz o nome do ator Anthony Hopkins nos créditos, a obra é baseada no livro homônimo de Matt Baglio, jornalista que conviveu alguns anos com padres exorcistas, entre eles Gary Thomas, protagonista da trama cujo nome foi trocado. Com tal experiência, o escritor aprendeu a distinguir uma possessão de uma doença mental e acompanhou dezenas de exorcismos. A trama roteirizada por Michael Petroni nos apresenta a Michael Kovak (Colin O’Donoghue), um rapaz que cresceu acompanhando de perto o fim da vida de dezenas pessoas em uma maca sendo arrumados para o enterro pelo seu pai Istvan (Rutger Hauer). Isso o fez crescer sem acreditar que existe algo depois da morte, assim ele se tornou um seminarista cético e decidido a abandonar seus trabalhos na igreja, mesmo após ter aulas sobre os sinais de possessão. Para não se arrepender mais tarde, seu superior o orienta então a passar um período no Vaticano para estudar rituais de exorcismo e quem sabe mudar de ideia e recuperar sua fé. Porém, suas dúvidas e questionamentos só aumentam na medida em que estreita seu contato com o Padre Lucas (Anthony Hopkins), um famoso jesuíta exorcista, e este o apresenta ao lado mais obscuro da religião. É quando Michael conhece a jornalista Angeline (Alice Braga), que investiga as atividades do religioso e as suas reflexões sobre a crença no Diabo e em Deus não param de crescer. Juntos, os dois jovens vão acompanhar os duros trabalhos do padre para tentar tirar o demônio do corpo de Rosaria (Marta Gastini), mas os conhecimentos de psicologia do rapaz o impedem de acreditar no que vê.
               

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

PLANO DE VOO

NOTA 7,0

Jodie Foster segura a atenção em
suspense claustrofóbico tenso
do começo ao fim requentando
clichês que intrigam o espectador
Tramas de suspense desenvolvidas dentro de aviões costumam render bons filmes (excluindo obviamente coisas do tipo Serpentes a Bordo), talvez por conta do ambiente claustrofóbico que não raramente sufoca tanto os espectadores quanto os personagens, ainda que muitos evitem produções do tipo por medo desse tipo de viagem ou justamente por viverem na ponte aérea. Após os atentados de 11 de setembro de 2001, filmes assim sumiram do mercado, mas não demoraram mais que três anos para voltarem com força total. Um dos primeiros a ser lançado após o jejum foi Plano de Voo, que também marcava a volta de Jodie Foster às grandes bilheterias. O diretor alemão Robert Schwentke, no entanto, quis fugir do lugar comum e não colocou a turbulência como vilã do longa e também evitou tocar na ainda recente ferida da História americana (quer dizer, tocou levemente, não tinha como resistir a tentação). O roteiro de Peter A. Dowling e Billy Ray coloca a atriz duas vezes vencedora do Oscar para dar vida à Kyle Pratt, uma mulher que no momento está sofrendo com a recente morte de seu marido decorrente de um acidente doméstico. Junto com a filha Julia (Marlene Lawston), de apenas seis anos, ela está fazendo uma viagem de Berlim à Nova York para levar o caixão do marido para ser velado e enterrado junto a sua família. O início pode parecer um pouco confuso pela falta de informações que temos sobre as personagens, mas tais detalhes vão sendo oferecidos conforme as conversas que surgem dentro do avião, uma forma do espectador criar empatia com os coadjuvantes, alguns de suma importância para a trama enquanto outros nada mais fazem que embaralhar a história mais adiante.  Mãe e filha acabam cochilando durante a viagem, mas quando Kyle acorda se desespera ao não ter mais a garotinha ao seu lado. Nenhum funcionário ou membro da tripulação tem alguma pista de onde ela estaria, pior, sequer viram ela embarcando ou sentada ao lado da mãe. Com a aeronave em pleno voo, ela não teria para onde fugir, o que leva as suspeitas de que a menina teria sido sequestrada e escondida em algum compartimento da nave. Ou teria sido tudo fruto da mente da recente viúva que chegou a imaginar estar acompanhada de uma criança? O longa então é dedicado as inúmeras tentativas desta mulher provar que não está louca ao mesmo tempo em que tenta encontrar a desaparecida.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

LONGE DELA

NOTA 9,0

Atriz estréia na direção e
assina roteiro de drama
com tema difícil, mas de
leve digestão neste caso
Um casal que consegue manter ao menos o carinho e o respeito desde a juventude até a velhice é algo digno de admiração em tempos em que a instituição do casamento já não é levada mais a sério e muitos compromissos são desfeitos até mesmo na hora de dizer o tão esperado sim diante das famílias e amigos. Infelizmente os relacionamentos duradouros uma hora precisam ser encerrados e nesses casos é a própria vida que se encarrega de cortar os laços. É nessa ruptura que está a força dramática de Longe Dela, elogiado trabalho de estréia como diretora da atriz canadense Sarah Polley que também assina o roteiro. Ela não tem nenhum grande sucesso de público em seu currículo, sendo mais conhecida por sua atuação no terror Madrugada dos Mortos, porém, ela já participou de bons títulos independentes e foi dirigida por cineastas de renome, acumulando assim experiências diferenciadas sobre o ato de filmar, preferindo muito mais destacar uma troca de olhares sinceros a um texto rebuscado que poderia não exprimir tudo o que ela gostaria de dizer. É seguindo esse método que Sarah conseguiu cativar a crítica que certamente colaborou para que seu primeiro trabalho atrás das câmeras viesse a participar de festivais e premiações, chegando a festa do Oscar concorrendo nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz para a veterana Julie Christie que também conquistou merecidamente o Globo de Ouro de atriz dramática pelo papel de Fiona Anderson, uma senhora que vive um casamento feliz há mais de quatro décadas com Grant (Gordon Pinsent), responsável pela visão que temos dos fatos que levou este casal a se afastar. Suas vidas tranquilas são drasticamente alteradas quando sua esposa passa a apresentar sintomas constantes de perda de memória. Grant desconfia que ela está sofrendo do mal de Alzheimer, mas Fiona não acredita até o momento em que passa a se informar mais sobre a doença e percebe que aos poucos o seu problema não tiraria apenas a sua qualidade de vida, mas também a do companheiro de tantos anos. Sendo assim, ela decide ser internada em uma clínica para pessoas com problemas degenerativos. Uma das regras do local é que os pacientes não podem receber visitas durante o primeiro mês para facilitar a sua adaptação, mas quando Grant finalmente consegue reencontrá-la vem a decepção, pois ela já não o reconhece mais. Fiona está agora muito próxima de Aubrey (Michael Murphy), outro paciente da instituição, o que faz com que Grant tenha que se contentar com sua nova condição de amigo ao mesmo tempo em que tenta ajudá-la a se lembrar do passado e de quem ele realmente é. A chance de se reaproximar de seu grande amor é quando a esposa de Aubrey, Marian (Olympia Dukakis), o retira subitamente da instituição também temendo a aproximação do marido e de Fiona.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

ANTES DO ANOITECER

NOTA 8,5

Cinebiografia de poeta cubano
que sofreu com autoritarismo do
governo de Fidel Castro é aula
de história e de cinema cultural
Existe um grande número de pessoas no mundo todo que fazem ou fizeram a diferença através de seus atos, sejam eles voluntários, de rebeldia ou através de suas manifestações artísticas, mas poucas dessas histórias ficam conhecidas fora de seu país de origem. Ainda bem que tem o cinema para enaltecer os nomes delas, por outro lado, é uma pena que muitas vezes tais homenagens só despertem a atenção de um seleto grupo de espectadores, até por que geralmente elas já chegam até nós brasileiros rotuladas como produções elitizadas. É fato que a maioria das cinebiografias feitas fora dos padrões hollywoodianos (aquelas que tentam escamotear o máximo possível o sofrimento dos protagonistas e caprichar nas conclusões edificantes) realmente não são de fácil compreensão e as vezes até mesmo de difícil digestão como é o caso de Antes do Anoitecer, drama que sintetiza em pouco mais de duas horas a história de vida, profissional e de batalhas contra preconceitos do poeta e escritor cubano Reinaldo Arenas (Javier Barden) que sentiu na pele e no coração as dificuldades impostas por um regime governamental autoritário que proibia as pessoas de viverem da maneira que achavam mais adequado e também fiscalizava as manifestações culturais. Ele foi um homem que viveu exilado boa parte de sua curta existência, de certa forma mesmo quando estava em liberdade, e amando profundamente suas raízes, sua terra, sua gente e seus ideais. Desde a infância sofrida em região campestre, nos anos 40, já se mostrava sensível e que tinha intimidade com as palavras, o que causou repulsa em seus familiares e o levou a fugir de casa para se unir aos rebeldes do período pré-revolucionário de Cuba. No entanto, seus planos acabam frustrados e ele é obrigado a amadurecer diante das dificuldades que a vida lhe impõe no caminho. Na juventude despertava olhares atentos de meninas e meninos, o que para ele era algo natural e pouco relutou quanto a esses desejos assumindo sua homossexualidade publicamente, decisão que só veio a agregar negativamente a seu perfil perante a sociedade, já que os intelectuais eram vistos como seres desvirtuados que através dos seus trabalhos tentavam desviar a atenção dos populares do caminho correto, ou seja, as regras impostas pelo governo comunista de Fidel Castro que vigiava ferrenhamente os passos dos desencaminhados. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A PRINCESA DE NEBRASKA

NOTA 5,5

Com protagonista insossa,
drama é extremamente frio e
não cativa o espectador com
narrativa sem aprofundamentos
O tão aguardado século 21 está em andamento, porém, não trocamos os carros por aeronaves e nossa alimentação não é servida em práticos tubinhos como os de creme dental (felizmente só uma coisinha ou outra chega a nós nesse tipo de embalagem, mas com seus substitutos correspondentes). Bem, esse novo tempo tão aguardado não trouxe a tecnologia fantasiosa que esperávamos, mas é evidente que a modernidade está presente em todos os instantes influenciando a vida de todos, e não só de forma positiva. A primeira vista pode parecer inadequado fazer algum tipo de associação do conteúdo de A Princesa de Nebraska com os vícios da vida moderna, mas tal relação faz todo o sentido quando descobrimos o universo no qual está imersa a protagonista. Sasha (Li Ling) é uma jovem estudante chinesa que está vivenciando os primeiros meses de uma inesperada gravidez. Ela abandona o namorado em Pequim e viaja para São Francisco com o intuito de realizar um aborto. Já na cidade de destino, nos EUA, Sasha encontra um amigo de seu namorado, Boshen (Brian Danforth), e a jovem May (Lin Qing), com quem troca confidências e experiências. Entre momentos de prazer e outros de pura reflexão, cada passo dessa viagem de autoconhecimento é registrado pela gestante com a câmera de seu celular, como se ela fizesse um diário a respeito desse acontecimento único em sua vida, um registro dessas 24 horas decisivas nas quais as vastas possibilidades de uma cidade e os conselhos de estranhos podem mudar seus pensamentos e sua trajetória deste ponto em diante. Interromper a gravidez ou levá-la adiante? Gerar uma criança e aceitá-la com todas as alegrias e obrigações que ela exige ou aproveitar para ganhar um dinheiro com sua venda? Produzido em solo e com recursos americanos, o longa carrega em sua essência a estética dos filmes orientais. Tomadas intimistas, closes estendidos, muitos momentos de silêncio e até mesmo a ausência da trilha sonora em longas sequências, as grandes características do cinema que faz sucesso no circuito alternativo estão presentes aqui, mas não é todo mundo que consegue enxergar ou compreender o conceito de arte empregado neste caso pelo cineasta natural de Hong Kong Wayne Wang, famoso pelo delicado O Clube da Felicidade e da Sorte.

domingo, 16 de setembro de 2012

BARRY E A BANDA DAS MINHOCAS

Nota 4,0 Animação protagonizada por minhocas vale mais a pena por sua trilha sonora

Sinopse: Barry é um jovem minhoca que está cansado de ver sua espécie ser motivo de zombaria por parte de outros animais, principalmente alvo de chacota pelos insetos, e não aceita o futuro ao qual está destinado: trabalhar em uma empresa de fertilizantes, a sina de todas as minhocas. Seu pai não gosta deste trabalho, mas se conformou com seu destino. Já a mãe de Barry o pressiona e ele acaba seguindo o mesmo caminho, mas ele ganha um novo sentido para sua vida quando encontra discos dos anos 70 de seu pai,a época áurea da disco music. Contagiad pelo ritmo, imediatamente ele tem a idéia de montar uma banda de minhocas para participar de um show de talentos e provar que estes seres rastejantes tem seu valor, mas encontrar a turma que embarcará junto com Barry em seu sonho não será fácil.

sábado, 15 de setembro de 2012

TEMPO ESGOTADO (1995)

Nota 7,0 Suspense em "tempo real" é eficiente e ligeiro, mas poderia render muito mais

Então já famoso por encarnar tipos estranhos em filmes como Edward – Mãos de Tesoura e Ed Wood, muita gente deve ter estranhado lá no distante ano de 1995 ver Johnny Depp protagonizando o suspense Tempo Esgotado vivendo um dos papéis mais convencionais de sua carreira até hoje. Na trama escrita por Patrick Sheane Duncan, que no mesmo ano acumulava o sucesso Mr. Holland – Adorável Professor, o ator dá vida à Gene Watson, um jovem viúvo que poderia perfeitamente ser só mais um em meio a uma multidão, mas seus cuidados e carinhos com Lynn (Courtney Chase), sua filha de seis anos, chamam a atenção dos criminosos Mr. Smith (Christopher Walken) e Srta. Jones (Roma Maffia) que precisam de alguém com algo muito valioso a perder para assim se sujeitar a fazer um servicinho sujo para eles. A dupla sequestra a garota e entrega ao pai uma arma junto com a fotografia de quem ele teria que matar, ninguém menos que a governadora Eleanor Grant (Marsha Mason) que está em Los Angeles para a realização de um evento em prol da sua reeleição. Ele terá pouco mais de uma hora para cumprir a tarefa caso contrário Lynn será assassinada. Mesmo com a maior parte de suas tentativas de pedir ajuda ser frustrada, ele conseguirá apoio de Krista (Gloria Reuben), a assessora da candidata, e de Huey (Charles S. Dutton), um bondoso e esperto engraxate, mas descobrirá que existe um grande número de pessoas envolvidas nesta conspiração. O interessante é que o filme é feito imitando o tempo real, ou seja, os quase 90 minutos de arte correspondem a mesma quantidade da realidade como se uma câmera ligada ininterruptamente gravasse os passos do protagonista, recurso muito antes já utilizado pelo mestre Alfred Hitchcock em Festim Diabólico. O diretor John Badham, do sucesso Os Embalos de Sábado a Noite, trabalha o artifício com bastante destreza e consegue manter a tensão em altos níveis, mas ainda assim fica a sensação de que o filme rende apenas o razoável, não almeja ir além disso.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

OU TUDO O NADA

NOTA 8,5

Comédia britânica traz
temática sexual leve aliada
a um pano de fundo social
e histórico dos anos 90
Todos os anos o Oscar trata de jogar uma luz em cima de diversos títulos e os cinéfilos de plantão tentam fazer de tudo para conseguir assistir a todos os concorrentes. O tempo passa e muitos desses filmes continuam povoando o imaginário dos espectadores fazendo parte de suas listas do que desejam ainda assistir ou rever, mas algumas produções acabam sendo esquecidas mesmo colecionando algumas indicações da Academia de Cinema e de outras organizações. Da safra de premiáveis de 1998, quando certo navio tratou de massacrar a concorrência tanto nas bilheterias quanto nas festas, Ou Tudo ou Nada envelheceu sem sorte. Comédia britânica elogiadíssima na época, o longa concorreu a quatro Oscars, incluindo Melhor Filme, mas seu nome está longe da ponta da língua dos populares, uma injustiça ao trabalho de estreia do cineasta Peter Cattaneo. A história se passa em Sheffield localizada no norte da Inglaterra e conhecida como a cidade do aço devido ao elevado número de empresas do ramo instaladas por lá. Após uma fase próspera o local está em declínio, fábricas fechando as portas e muitas pessoas foram pegas de surpresa com suas demissões. Um dos mais novos desempregados é Gaz (Robert Carlyle) que está desesperado com a iminente perda da custódia do filho por não ter como sustentá-lo. Seus amigos também se encontram em situação difícil. Dave (Mark Addy) está com depressão e teme perder sua esposa; Lomper (Steve Huison) cuida da mãe e tem tendência suicida; e Gerald (Tom Wilkinson) está desempregado há seis meses e não tem coragem de contar à mulher. Esse jogo tem tudo para mudar quando Gaz tem uma idéia. Ao saber do sucesso que um show de strippers masculino está fazendo na cidade ele decide convencer sua turma a fazer o mesmo para arrancar bons trocados da mulherada. O problema é que eles não são malhados e belos como os dançarinos profissionais e precisam então encontrar um diferencial para o show. Juntam-se à trupe Horse (Paul Barber), que está disposto até a aumentar a sua “ferramenta” de trabalho para fazer jus ao seu nome, e também Guy (Hugo Speer), que não sabe dançar, mas possui uma qualidade importantíssima para o espetáculo.
 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

EM UM MUNDO MELHOR

NOTA 8,5

A intolerância e a violência
é discutida por duas vias
diferentes, porém,
intimamente conectadas
Todos sabem que vivemos em uma época de intolerância, individualismo e nos acostumamos a conviver com a violência e o ódio. Falar que as coisas vão melhorar e que o ser humano precisa respeitar seu semelhante viraram frases de uso religioso ou de praxe para serem espalhadas na virada de ano. A dinamarquesa Susanne Bier procurou discutir a utopia da paz do mundo tratando o problema em duas vertentes: dentro de um restrito núcleo e outro mais universal. Não se pode esperar que a população mundial mude seu comportamento se cada um não realizar a sua parte e procurar mudar também. Em Um Mundo Melhor é uma obra que pelo título pode vender seu peixe de forma errada. Não é uma draminha edificante qualquer. Seu conteúdo, embora transmita mensagens aos espectadores, pode não ser do agrado de grandes platéias. Um dos protagonistas, por exemplo, confia que um dia os seres humanos passarão a ser mais corretos, respeitosos e éticos, mas sabe que o caminho para chegarmos a esse paraíso na Terra não é fácil e tampouco rápido. A trama nos apresenta à Anton (Mikael Persbrandt), um médico que trabalha em um campo de refugiados na África, mas quando pode ter folga volta para seu país natal, a Dinamarca. Ele tem dois filhos com Marianne (Trine Dyrholm), de quem está se separando, embora contrariado. Elias (Markus Ryggard), seu filho mais velho, sofre com a perseguição no colégio de um garoto maior que ele que se aproveita para humilhá-lo como pode. As coisas mudam quando ele conhece Christian (William Johnk Nielsen), um menino que perdeu a mãe recentemente e agora vive com o pai, Claus (Ulrich Thomsen). Ele acaba de ingressar no mesmo colégio que Elias, mas não se comporta como um novato na turma. Geralmente os recém-chegados se mostram tímidos e um ótimo alvo para chacotas e brincadeiras cruéis, mas com ele a banda toca de outra maneira. Após defender seu novo amigo em uma confusão, Christian é agredido e como vingança dá uma surra no agressor e o ameaça com uma faca. Assim, os garotos criam um forte laço de amizade, mas um episódio com possíveis consequências trágicas pode colocar essa relação em risco assim como suas vidas.
 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

MORTE NO FUNERAL (2007)

NOTA 9,5

Embora com piadas previsíveis
e personagens estereotipados,
comédia inglesa recicla clichês
e simpatia do elenco conquista
Comédias americanas investem em humor pastelão e visual. O humor inglês é ácido, baseado em críticas e geralmente é demonstrado nos diálogos. Muitas pessoas têm essas visões simplistas de um gênero por vezes menosprezado, o que facilita a divisão entre o que é fuleiro e o que se adéqua a um estilo mais refinado. Os dois estilos juntos é possível? A resposta é sim como mostra Morte no Funeral, produção que infelizmente passou discretamente nos cinemas e chegou ao home vídeo na surdina, mas sem dúvidas um dos melhores produtos do gênero lançados na década de 2000. No conjunto, o longa não apresenta absolutamente nada de novo, mas compensa a previsibilidade com personagens cativantes propositalmente estereotipados e situações divertidíssimas que carregam certo ar nostálgico. A trama apresenta uma família numerosa, problemática e cheia de segredos, um tipo de enredo cômico muito comum nos anos 70 e 80. É como se assistíssemos as férias frustradas do ator Chevy Chase só que aqui o cenário é o de um velório e os protagonistas são ingleses e com piadas concentradas na ponta da língua ao invés de investirem no humor de caras e bocas, embora momentos do tipo não sejam descartados. O momento é (ou deveria ser) de emoção e tristezas, mas desde a chegada do corpo do falecido as confusões não param nem por um minuto. A história criada por Dean Craig no fundo quer mostrar que em um velório o defunto é o que menos importa em tempos modernos, cada convidado e até mesmo possíveis estranhos estão mais preocupados com seus problemas ou em “fazer uma social”. O filme já começa bem pelos créditos iniciais mostrando uma animação em que um caixão anda meio desgovernado sobre um mapa como se estivesse trilhando o caminho para o cemitério. Em seguida, Daniel (Matthew Macfadyen) está apreensivo por ser o primeiro ao ver o pai no caixão, mas toda a sensação de melancolia se esvai em uma única mudança de expressão facial: a cara de tristeza vira de espanto. Ele se surpreende ao ver que o serviço funerário trocou o corpo do seu pai pelo de outro homem. Por aí já podemos perceber o que nos espera. Escândalos, confusões, revelações, lamentações exageradas e até um drogado por acaso entra em cena no funeral do patriarca de uma tradicional família inglesa de classe média alta. Bem, a educação e fineza deles são de fachada e a oportunidade de reunir toda a família, amigos e até algumas pessoas que só o defunto conhecia é ideal para lavar a roupa suja.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

TÃO FORTE E TÃO PERTO

NOTA 7,5

Abordagem diferenciada
sobre fatídico episódio e suas
consequências trazem certo
frescor e leveza à drama
As tristes e chocantes lembranças do fatídico dia 11 de setembro de 2001 envolvendo o ataque às Torres Gêmeas nos EUA ainda estão presentes na memória de todos aqueles que acompanharam as notícias inacreditáveis que iam sendo informadas minuto a minuto pela imprensa mundial e continuam sendo perpetuadas já que servem como uma grande fonte de inspiração para os diretores de cinema. Entre documentários, grandes produções e outras de proporções modestas, são vários os exemplos de filmes que retrataram de forma realista, amena ou com forte apelo dramático este episódio marcante da História moderna. Dez anos após a tragédia, foi a vez do cineasta Stephen Daldry, especialista em dramas e três vezes indicado ao Oscar, abordar o tema em Tão Forte e Tão Perto. Sem dúvidas esta obra está longe de ser um dos seus melhores trabalhos, mas está acima da média de outros produtos que trataram desta temática, tanto que surpreendentemente foi indicada pela Academia de Cinema ao prêmio de Melhor Filme, embora tal feito em nada ajudou em sua repercussão e bilheteria. Todavia, é uma obra a ser descoberta pelo grande público. A trama gira em torno de Oskar Schell (Thomas Horn), um garoto que tem um ótimo relacionamento com o pai, Thomas (Tom Hanks), este que sempre estimulou o lado aventureiro e lúdico do filho. Infelizmente, ele perde esta figura paterna no citado atentado terrorista e tal fato foi um grande baque em sua vida e também na da sua mãe, Linda (Sandra Bullock), de quem ele procura esconder a última mensagem que o pai deixou na secretária eletrônica a qual até ele mesmo recusa-se a ouvir.  Algum tempo depois, Oskar encontra em meio aos pertences do pai uma chave dentro de um envelope. O menino então desconfia que este é mais um dos costumeiros enigmas que seu pai lhe propunha e parte para uma expedição pela cidade de Nova York em busca de pessoas cujo sobrenome seja Black, a única palavra escrita no tal envelope que encontrou. Assim, ele passa a entrar em contato com os mais diversos tipos de pessoas e situações, certamente amizades e aprendizados que mais cedo ou mais tarde farão diferença na vida do garoto.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

SOMBRAS DE UM DESEJO

NOTA 6,0

Inspirado em suspense coreano,
versão americana tenta fugir da
temática espiritual, mas outros
clichês tornam a obra previsível
Devem existir espalhados pelo mundo milhares de filmes praticamente desconhecidos, mas muitos deles provavelmente podem surpreender e serem bem melhores que alguns títulos cheios de banca lançados por grandes estúdios. Contudo, é triste constatar que a maioria até conta com boas premissas, mas perde-se no meio do caminho, ainda que existam produções como o suspense Sombras de um Desejo que não chegam a ser um completo engodo. Não é revolucionário e tampouco algo para marcar a vida de alguém, aliás, para os mais críticos deve parecer muito mais uma colcha de retalhos que alinhava situações previsíveis e já vistas em tantas outras produções do tipo, porém, este modesto filme merece certo reconhecimento por cumprir bem seu objetivo de deixar o espectador intrigado e entretido por pouco mais de uma hora. A trama roteirizada por Michael Petroni é protagonizada por Sarah Michelle Gellar que parece nunca encontrar seu espaço no meio cinematográfico, ainda que tenha participado de projetos visados como Segundas Intenções e Scooby-Doo e sua continuação. De qualquer forma ela parece se contentar com produtos menores e convence na pele de Jess, uma jovem advogada que leva uma vida perfeita ao lado do marido Ryan (Michel Landes) até o dia em que o problemático e ex-presidiário Roman (Lee Pace), seu cunhado, chega para passar uns dias com eles, mas sem data para ir embora. Com o novo hóspede, a harmonia da casa é quebrada, Jess se sente desconfortável com os olhares indiscretos de outro homem, mas entende que o marido se sente na obrigação de ajudar o irmão. As coisas se complicam drasticamente quando estes dois homens sofrem um grave acidente de carro e ambos entram em coma. O tempo passou e Roman reage e acorda, mas surpreendentemente assumiu a personalidade de Ryan, este que ainda encontra-se imóvel e dependente de sedação. Seria uma confusão mental passageira ou um golpe do rapaz? Desorientada, Jess aceita receber a contragosto o cunhado em sua casa, pois é a única parente próxima, mas desconfia de seu problema de personalidade. O fato é que pouco a pouco Roman começa a dar indícios de que conhece detalhes íntimos da vida de casado de seu irmão, o que leva a advogada a admitir que de alguma forma inexplicável o espírito ou a memória de seu marido tenha sido incorporado por outro, ainda que ele não estivesse oficialmente morto.

domingo, 9 de setembro de 2012

ECOS DO ALÉM 2

Nota 5,0 Feito para a TV, história de fantasmas e drama de guerra se fundem em filme razoável
 
Sinopse: O soldado veterano Ted Cogan (Rob Lowe) acaba de voltar de uma missão no Iraque muito perturbado. Os acontecimentos que teve que presenciar durante a guerra foram aterrorizantes e as imagens de mortos e mutilados parecem persegui-lo. Aos poucos, ele passa a ter visões cada vez mais constantes e reais dos feridos. São os espíritos de todos os inocentes mortos acidentalmente durante o fogo cruzado no Oriente Médio. Eles desejam vingança e não vão descansar. Enquanto foge das imagens assustadoras, Cogan começa a perder a sua própria sanidade. Com a ajuda dos poderes psíquicos de um estranho, ele descobre como se livrar desses fantasmas, mas sabe que pagará um preço alto por isso, colocando as vidas de sua esposa Molly (Marnie McPhail) e de seu filho Max (Ben Lewis) em perigo. Aliás, Cogan acaba descobrindo que seus problemas com habitantes do além não estão relacionados exclusivamente com os fatos da guerra, mas também podem estar ligados com um ato criminoso cometido por seu próprio filho.

sábado, 8 de setembro de 2012

ECOS DO ALÉM

Nota 7,0 Longa aposta mais em um clima amedrontador do que impactar com bizarrices
 
Sinopse: Tom Witzky (Kevin Bacon) é um pacato pai de família que aceita ser hipnotizado pela cunhada Lisa (Illeana Douglas) durante uma reunião de amigos, mas o que deveria ser uma simples brincadeira acaba fazendo com que ele passe a ser assombrado por estranhas visões e sons. Obcecado, Tom tenta descobrir o que causou esta mudança em sua vida e o porquê de ver em sua casa as aparições de uma jovem que ele nunca conheceu. Algum tempo depois, ele vê a mesma garota em uma foto e descobre que ela se chama Samantha (Jennifer Morrison) e que está desaparecida já há algum tempo. O fantasma dela também passa a fazer contato com filho de Tom, o pequeno Jake (Zachary David Cope), assim esse pai atormentado passa a agir como um louco até conseguir descobrir quem é e o que aconteceu a ela. Para tanto, ele passa a cavar todo o quintal de sua casa para tentar achar o corpo de Samantha, pois acredita que ele está enterrado naquele terreno e que a morte da garota está intimamente ligada com sua residência.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

REVELAÇÃO

NOTA 7,0

Mesmo com boa premissa e entrecho
final eletrizante, suspense é recheado de
situações clichês forçosamente amarradas
e se sustenta sobre o carisma de seus astros
Depois do estrondoso sucesso de O Sexto Sentido Hollywood insistentemente buscou manter em alta o gênero suspense com toques de espiritismo, atraindo a atenção inclusive de alguns profissionais sem intimidade alguma com o assunto. O diretor Robert Zemeckis sempre gostou de desafios e experimentar coisas novas, não a toa leva sua assinatura obras como Uma Cilada Para Roger Rabbit e a trilogia De Volta Para o Futuro. Apadrinhado por Steven Spielberg, ele também buscou trilhar caminhos semelhantes aos de seu mestre e do cinema espetáculo rapidamente pulou para o time de respeito da sétima arte. No entanto, após faturar o Oscar por Forrest Gump, Zemeckis tentava manter sua reputação profissional em alta, porém, a sorte parecia não acompanha-lo. O suspense Revelação mostrava-se ideal para mais uma vez comprovar que era um profissional sério e competente, mas faltou pouco para constatarmos isso. Por outro lado, é inegável seu faro para projetos que podem render generosas bilheterias, ainda mais contando com a ajuda de dois grandes astros. Michelle Pfeiffer e Harrison Ford na época amargavam anos de projetos fracassados ou medianos, contudo, seus nomes ainda causavam impacto, ainda mais porque os dois iriam trabalhar juntos pela primeira vez e interpretando papéis ligeiramente atípicos em suas carreiras. Eles dão vida ao casal Claire e Norman Spencer que começam a trama se despedindo da única filha que vai estudar em outra cidade. Casados há um bom tempo e levando uma vida confortável em um belo casarão isolado a beira de um lago, suas pacatas rotinas mudam consideravelmente de uma hora para a outra, ou melhor, há cerca de um ano Claire sofreu um acidente de carro e desde então vive em estado de alerta e com sobressaltos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

AMOR AOS PEDAÇOS

NOTA 5,5

Apesar de buscar algo novo, incluindo

um casal principal diferenciado, comédia
romântica aposta em receita tradicional 
repleta de clichês para não trair paladares

Você já foi a uma doceria e sentiu vontade de provar pelo menos um pedacinho de cada bolo, mas acabou escolhendo o mesmo sabor de sempre? Pois é, da mesma forma que muitos podem se deliciar com um mesmo sabor, não falta quem aprove e deseje repetir a boa e velha receita de uma típica comédia romântica. Quanto mais açucarada melhor. Com o sugestivo título Amor aos Pedaços (e involuntariamente fazendo uma pequena propaganda grátis para uma famosa rede alimentícia), esta produção modesta é devorada de forma rápida e prazerosa, mas infelizmente sem deixar um gostinho de quero mais. O ponto de partida é bem simples. A trama gira em torno de Kate Welles (Famke Janssen), uma jornalista que está frustrada com seu trabalho já que é obrigada a escrever matérias fúteis e nada inspiradoras para ela própria. Contudo, ela novamente se motiva quando tem a chance de preparar uma reportagem sobre as diferenças entre o amor e o sexo em tempos em que os relacionamentos são travados através da comunicação à distância e para o prazer a dois (ou até mesmo em grupo) não é necessário sequer identificação, basta estar disponível. Para ajudar em seu trabalho, Kate passa a relembrar antigos casos amorosos de sua vida, desde o primeiro namoradinho de infância até seu mais recente ex-namorado, Adam Levy (Jon Favreau), que a dispensou há três anos e agora está fazendo de tudo para reatar a relação, mas ela está cheia de dúvidas quanto a essa reaproximação. Valeria a pena oferecer uma segunda chance a um relacionamento mal fadado?

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

OS GIRASSÓIS DA RÚSSIA

NOTA 8,5

Considerado hoje em dia uma
obra-prima, longa foi criticado
na época do lançamento devido
ao sentimentalismo exagerado
O cineasta italiano Vittorio De Sica tem um currículo repleto de obras hoje consideradas clássicas, como Ladrões de Bicicletas e Matrimônio à Italiana, mas algumas delas curiosamente sofreram repúdio da crítica quando lançadas, como é o caso do belíssimo drama Girassóis da Rússia, obra injustiçada nos anos 70 sendo acusada de apelativa e de sentimentalismo barato, algo inaceitável na visão dos especialistas para fazer parte do currículo de um grande diretor. Também há boatos de que o passado de estilo neorrealista deste profissional foi deixado de lado neste caso com o único objetivo de fazer um filme que valorizasse a personagem feminina central, interpretada por Sophia Loren, não por acaso esposa do produtor da fita, Carlo Ponti. Picuinhas à parte, felizmente o tempo passou e fez muito bem à produção que ao longo dos anos acabou conquistando a atenção do público e criando fãs cativos que hoje querem que as novas gerações se encantem com esta história. Com argumento e roteiro de Tonino Guerra e Cesare Zavattini, com a colaboração de Gheorghij Mdivani, a trama se passa em plena época da Segunda Guerra Mundial, quando Giovanna (Sophia Loren) e Antonio (Marcello Mastroianni) se apaixonam perdidamente e partem em lua-de-mel, porém, a felicidade dura pouco. Os perigos dos tempos de confronto se aproximam e o rapaz é obrigado a ir à Rússia para lutar. Os anos passam e quando os sobreviventes retornam Giovanna se enche de esperanças, mas seu amado não regressa. Ela é avisada por um soldado que a última vez que ele viu Antonio seu estado físico estava muito debilitado e dificilmente teria conseguido sobreviver. Todavia, confiante de que ele está vivo, ela parte para a Rússia com toda a coragem para encontrá-lo ou ao menos conseguir notícias. Chegando lá, ela consegue descobrir onde o marido está, mas acaba tendo uma desagradável surpresa. Ele agora vive na casa de uma moça russa chamada Mascia (Ludmila Savelyeva) e está levando uma vida muito diferente, justamente um homem que se declarava inimigo irremediável dos russos. Neste momento, Giovanna precisa se decidir entre lutar pelo seu amor ou seguir seu caminho sem ele.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

PRONTA PARA AMAR

NOTA 5,0

Longa tragicômico é ligeiro,
não aprofunda conflitos e
conta com um casal cujo
romance não empolga
Existem dois tipos de filmes que costumam garantir boas bilheterias ou repercussão mesmo quando lançadas diretamente em home vídeo e ainda demonstrar força para se tornarem aquelas produções que ficam eternizadas nas mentes do público. Dramas acerca de doenças e comédias românticas sem dúvidas são paixões universais e a junção destes gêneros só poderia trazer resultados positivos. Bem, Pronta Para Amar prova que nem sempre tal fórmula mágica funciona. O grande problema se encontra no roteiro da estreante Gren Wells que cria uma protagonista carregada de conflitos, mas a maioria mal explicados, pouco explorados e vistos até com certa naturalidade pelas pessoas que a cercam. Marley Corbett (Kate Hudson) é realizada profissionalmente e vive a vida intensamente. Ela faz questão de propagar a ideia de que a mulher poder ser muito feliz sozinha e tem os mesmos direitos que o homem de se divertir o quanto quiser, incluindo rápidos relacionamentos, mesmo que eles durem apenas uma noite. Sua vida muda completamente quando descobre estar com câncer de cólon e que a doença está se espalhando rapidamente por seu corpo todo. A partir de então ela passa a se submeter a sofridos tratamentos e sua doença a aproxima mais dos amigos e da família, inclusive de seus pais que estão separados, mas a grande mudança é o fato de finalmente ela se apaixonar de verdade por alguém. O problema é que o tal homem é seu próprio médico, o latino Julian Godstein (Gael Garcia Bernal), que além da timidez coloca como barreira para esse amor o fato de sua profissão proibir o envolvimento mais íntimo com seus pacientes. A premissa é piegas, mas um drama verossímil e que merece sempre uma revisão, afinal de contas infelizmente todos os dias novas pessoas se encontram na mesma situação que a protagonista. Simplesmente de uma hora para a outra podem ser diagnosticadas com uma doença que por mais boa vontade que se tenha para encará-la com valentia inevitavelmente ela trará sempre algum pensamento triste. Abordar tal tema é importante, mas a forma de conduzir a narrativa é algo ainda mais preocupante e é nesse ponto que o caldo entorna neste longa. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O DIA EM QUE A TERRA PAROU (2008)

NOTA 3,0

Refilmagem de clássico de
ficção científica traz mensagem
ambiental, mas ela se perde entre
trama enfadonha e efeitos visuais 
Existem muitos títulos de sucesso do passado que para as novas gerações são motivos de muita curiosidade, principalmente aqueles que marcaram época e cujo conteúdo tinha algum tipo de ligação com a realidade ou mensagem necessária para aquele momento. Guerra dos Mundos, por exemplo, foi uma bem sucedida ficção científica que usou o conflito entre os humanos e os extraterrestres como uma alusão a um conflito bélico (quando o conto foi redigido) e posteriormente como uma metáfora ao comportamento dos humanos que diante de uma ameaça abandona qualquer tipo de princípio visando seu bem estar. Steven Spielberg resolveu refazer o clássico em 2005 e acabou colhendo muito mais comentários negativos que o esperado, mas em compensação engordou em bons punhados de milhões de dólares sua conta bancária e a de sua produtora. Já o diretor Scott Derrickson, de O Exorcismo de Emily Rose, se deu mal tanto em bilheterias quanto em repercussão com o seu O Dia em que a Terra Parou, refilmagem da ficção homônima datada de 1951 na qual um alienígena vinha para a Terra com as melhores intenções, impedir que a violência humana se espalhasse pela galáxia (era o tempo das famosas bombas atômicas e a exploração do espaço avançava a passos largos), porém, é óbvio que sua recepção não foi nada amigável. Mais de meio século separa a obra assinada por Robert Wise e sua refilmagem e embora a violência só tenha se intensificado, a nova versão optou por levantar a bandeira do ambientalismo, mas sem deixar de criticar a conduta dos seres humanos com seu inerente ar superior, o que inevitavelmente gera conflitos nos mais variados campos. Sim, por trás de todo o verniz de blockbuster made in Hollywood existe um conteúdo a ser amplamente discutido, mas infelizmente ele acaba sendo sucumbido pelos efeitos especiais que, diga-se de passagem, neste caso parecem um tanto exagerados em vários momentos. Keanu Reeves é o cabeça do elenco interpretando Klaatu, o alienígena que aterrissa em pleno Central Park, em Nova York, junto com um gigantesco robô, batizado pelos americanos de Gort, ambos saídos de uma estranha esfera colorida. Na realidade, logo de cara não vemos o astro, mas nos deparamos com uma criatura envolta em uma espécie de gordura protetora, algo que mais a frente é comparado a um material que se assemelha a placenta de um bebê. Faz sentido afinal é essa camada nojenta que está protegendo o extraterrestre que para surpresa de todos se apresenta como um humano comum. A explicação, bem criativa, é de que os seres de outros planetas já estavam de olho nos terrestres há muito tempo e provavelmente já estiveram entre nós e realizando experimentos. Assim conseguiram recolher DNA humano para criar uma “armadura” para Klaatu, o que também justificaria sua rápida adaptação a nossa atmosfera e o poder de se comunicar normalmente em idioma local.

domingo, 2 de setembro de 2012

A FERA

Nota 1,5 Adaptação de conto clássico para a modernidade e platéia jovem é tola e monótona
 
Sinopse: Kyle (Alex Pettyfer) é considerado o garoto mais bonito da escola e adora se gabar disso, assim ele julga as pessoas pela aparência e não pensa duas vezes antes de humilhar alguém considerado feio. Para completar ele é filho de um famoso apresentador de TV, o que lhe garante certo status. Para lhe dar uma lição, certo dia Kendra (Mary-Kate Olsen), uma feiticeira adolescente, cruza o seu caminho e lança um feitiço. Kyle perde os cabelos e começa a ficar com o corpo marcado por tatuagens e cicatrizes que o deixam feio. Agora ele tem o prazo de um ano para conseguir ser amado de verdade por alguma mulher caso contrário ficaria aquele monstro para sempre. Preocupado com os comentários, o jovem se refugia na casa de campo de sua família e passa a viver com a companhia de dois empregados, mas não demora para que uma moça surja para fazer ressurgir sua vontade de viver. Lindy (Vanessa Hudgens) acaba sendo forçada a viver com Kyle, mas não sabe quem é ele de verdade, pensando se tratar do filho de um amigo de seu pai. 
 

sábado, 1 de setembro de 2012

DE CORAÇÃO PARTIDO

Nota 6,5 Drama sobre disputa de casais pelo amor de uma criança poderia render muito mais

Nada melhor para levar o público as lágrimas do que uma história que tenha no centro das atenções uma criança em meio a um drama familiar. São inúmeros os exemplos de filmes que se valeram deste artifício, sempre com uma ou outra novidade, mas em geral são produções comumente chamadas de piegas pelos críticos, trabalhos realizados sem grandes ambições, abusando dos clichês e da previsibilidade e que dependem da propaganda boca-a-boca para terem alguma projeção. Curiosamente, a maioria destas obras pode ser massacrada pelos cinéfilos, porém, costumam agradar ao público-alvo, pessoas principalmente do sexo feminino e já com certa maturidade e que não ligam para ver o blockbuster do momento, mas sim assistir bons filmes, independente da época que foi lançado ou se tem elenco famoso. De Coração Partido é uma produção americana modesta que teve dificuldades para ser lançada, talvez justamente pelo ar simplista exalado por seu enredo. No passado, Wendy (Mira Sorvino) viveu um romance conturbado com o marido Rip Porter (Barry Pepper), um alcoólatra que constantemente a agredia. Certo dia ela levou o caso para as autoridades policiais e o rapaz acabou sendo preso e condenado a participar de um programa de reabilitação em regime fechado. Sete anos se passaram e Rip agora está em liberdade, regenerado e procura a ex-mulher afirmando que se transformou em uma pessoa melhor e que está decidido a construir uma família com ela, porém, a moça revela que estava grávida quando ele foi preso, mas que acabou entregando a criança para adoção. Joey (Maxwell Perry Cotton) foi criado por um casal com uma vida financeira e emocional muito mais estável e promissora. Jack (Cole Hauser) e Molly Campbell (Kate Levering) ficam desesperados quando recebem a visita de uma assistente social dizendo que os pais verdadeiros entraram com pedido de guarda do menino, algo possível já que Rip não deu seu consentimento na época para adoção. Começa assim uma batalha judicial e emocional que abalará as duas famílias.

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