segunda-feira, 30 de abril de 2012

AUSTRÁLIA

NOTA 8,0

Tentativa de resgatar a aura
dos antigos romances épicos
é um pouco exagerada, mas
longe de ser um filme ruim
Os tempos dos grandes épicos em longa metragem ficaram no passado junto com as lembranças de grandes atores que abrilhantaram as telas dos cinemas do mundo todo com seu talento, mas tem cineastas tentando trazê-los de volta a tona, porém, dividindo opiniões. Há algumas produções de época mais recentes que merecem uma avaliação melhor por parte do público e que podem dar o empurrãozinho que faltava para encorajar os cinéfilos que ainda preterem obras com mais de duas horas de duração ou com ares de superprodução. Austrália é um dos títulos que merecem uma segunda chance, um grandioso e requintado trabalho que foi achincalhado pela crítica e consequentemente pelo público. O problema é que os críticos consideram que este longa é muito certinho, não ousa em nada, copia a receita direitinho de grandes épicos e é um tanto pretensioso. Sim, verdade, mas qual é o problema? Se nas salas de cinema ele não foi um estouro, no conforto do lar com o controle remoto em mãos para algumas paradinhas de descanso o longa pode funcionar melhor e provar que tem seu valor, embora com ressalvas. Narrado pelo garoto aborígene Nullah (Brandon Walters), a história começa no final dos anos 30 nos apresentando à Lady Sarah Ashley (Nicole kidman), uma aristocrata que deixa a Inglaterra rumo à Austrália para ir ao encontro de seu marido que se preocupa mais em cuidar da propriedade rural da família e da criação de gados, porém, ela também desconfia que está sendo traída. Ao chegar ao continente australiano, Ashley não é recebida pelo companheiro, mas sim pelo rude vaqueiro Drover (Hugh Jackman), com quem desde o primeiro momento passa a trocar farpas. Para sua completa surpresa, a dama descobre que seu marido está morto e que agora terá que tomar conta dos negócios da família antes que vá totalmente à falência. Ela precisará vender sua propriedade a um preço muito baixo caso contrário terá que enfrentar King Carney (Bryan Brown), o responsável pelo comércio de carne da região. Nesse momento difícil em que toda a população local parece estar contra Sarah, ironicamente, é Drover quem a ajudará a superar as dificuldades, assim como a inesperada amizade com Nullah fará com que a aristocrata não se deixe abater. É o garoto que a alerta sobre um complô armado por gente influente para enganá-la. Essa é a premissa do roteiro escrito por Stuart Beattie, Ronald Harwood e Richard Flanagan sob a batuta e a partir da ideia do próprio diretor, o megalomaníaco Baz Luhrman. Tantas mãos e cabeças agindo e pensando em um mesmo trabalho precisam estar completamente em sintonia para o projeto funcionar e é aí que o caldo provavelmente entornou.

domingo, 29 de abril de 2012

CÍRCULO DE PAIXÕES

Nota 5,5 Ambição e amor motivam as relações entre jovens em drama romântico pouco ousado

Um filme que tem como objetivo fazer um retrato da juventude precisa essencialmente seguir os estereótipos que regem a rebeldia, ou seja, mostrar jovens indisciplinados, beberrões e namoradores, enfim pessoas que peitam qualquer regra para mostrarem que cresceram, mas continuam na ingenuidade de acreditarem que a maioridade significa ausência de limites. Muitos filmes que mostram os jovens contemporâneos chegam a ser de difícil digestão por causa de seus conteúdos que batem de frente com qualquer convenção e em momentos assim é comum as pessoas mais velhas relembrarem com saudosismo como era a juventude de antigamente, por vezes pintando um falso retrato como se todos os jovens do passado fossem santinhos. Entre os anos 50 e 60, por exemplo, o mundo todo começava a experimentar a força rebelde dos adolescentes e é justamente esta época que serve como pano de fundo para a trama do drama-romântico Círculo de Paixões. Baseado em um conto de Sue Miller, o roteiro de Ken Hixon enfoca os ritos de passagem da adolescência para a vida adulta e também aborda a questão da importância da ascensão social, um sonho talvez inerente a qualquer ser humano e independente da época. Quando eram crianças, os irmãos Holt, Jacey (Billy Crudup) e o caçula Doug (Joaquim Phoenix, cujo personagem é o narrador da história), ficaram órfãos de pai e desde então passaram a ajudar a mãe, vivendo assim suas vidas de forma humilde. Porém, um segredo do passado sustenta a ira do irmão mais velho em relação à família de Lloyd Abbott (Will Patton), clã conhecido na pequena cidade de Haley por suas finanças abastadas. Os filhos da Sra. Helen (Kathy Baker) acreditam que esse homem aplicou um golpe neles, já que a mãe vendeu para ele uma patente de uma invenção, que o ajudou a acumular fortuna, e também crêem que ele foi o responsável pela morte do pai deles. São as divergências de classes sociais e os sentimentos de inferioridade e obsessão que desencadeiam as histórias de amor do longa.

sábado, 28 de abril de 2012

VAMPIROS DO DESERTO

Nota 2,0 Produção moderninha e teen sobre vampiros é trash do primeiro ao último minuto

Os vampiros são figuras míticas, sinistras e enigmáticas que aguçam a imaginação de muita gente e por isso mesmo suas histórias já inspiraram diversos filmes, desde os de estilo mais clássico até verdadeiras loucuras como ter o famoso Conde Drácula assombrando no espaço ou dentuços que literalmente preferem negar o sangue do dia-a-dia. Entre o trash e o luxuoso, o épico e o moderno, a figura vampiresca já sofreu inúmeras variações físicas e de personalidade, só o que não muda é o seu instinto de morte, sarcasmo e o poder de sedução (ok, a saga Crepúsculo quebrou as regras), mas às vezes nem mesmo o mais cruel representante das temidas criaturas da noite salva uma produção, ainda mais quando ela já nasce com todos os requisitos básicos para ser classificada como trash como é o caso de Vampiros do Deserto. Não há muito que se falar sobre essa produção fraca e que faria qualquer vampiro tentar cometer suicídio de tanta vergonha. Eles já estão mortos, mas mesmo assim tentariam se matar novamente. Na trama, Sean (Kerr Smith) está indo de Los Angeles para Miami em uma tranquila viagem de carro, mas tudo na sua vida muda quando, após relutar, dá carona para Nick (Brendan Fehr). O rapaz é um caçador, mas suas presas não são animais e sim vampiros, pois ele mesmo já foi contaminado e a única forma de se livrar deste mal é matando o chamado "Abandonado", o responsável por transformá-lo em um ser sedento por sangue. Nick está no momento no encalço de alguns jovens vampiros que se alimentam de viajantes imprudentes. Eles são comandados por Kit (Johnathon Schaech), que pode ser o responsável indireto pela contaminação do jovem caçador que está conseguindo retardar o processo de vampirismo graças a um coquetel de remédios. Durante a viagem, Sean e Nick encontram Megan (Izabella Miko), uma jovem que também foi contaminada. Eles tentam salvá-la, mas Sean inesperadamente também é mordido. Agora, o trio precisa correr contra o tempo para matar Kit e se salvarem, porém, isto precisa ser feito em solo sagrado e os vampiros estão dispostos a acabar com quantas vidas forem necessárias para detê-los. E pensar que todo esse enredo é bolado em cima de uma lenda do tempo das Cruzadas, porém, ela fica só numa explicação verbal a certa altura do longa, não existindo uma cena sequer que a ilustre.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

MANUAL DO AMOR

NOTA 8,0

Comédia italiana discute o
amor através das quatro
etapas pelas quais uma
relação fracassada passa
Infelizmente vivemos em uma época em que as locadoras passam por uma fase muito difícil vendo seu público trocando o ambiente físico pelo virtual para assistirem filmes. Por outro lado, existem apaixonados por cinema que continuam investindo nesta atividade e compondo um acervo invejável para atender aquelas pessoas que não se entregam a modismos e trocam assistir o super lançamento da semana que está sendo divulgado na internet por uma boa dica de um atendente ou cliente ou ainda pela surpresa de encontrar um título desconhecido ou raro entre as prateleiras da loja. É nessas oportunidades que realmente encontramos os verdadeiros cinéfilos, aqueles que gostam de fuçar cada canto de uma locadora e que se encantam pelos títulos menos procurados que, diga-se de passagem, podem ser bem melhores que os mais comentados do momento. Cansado das comédias românticas americanas? Com um pouco de esforço para encontrar você pode se deliciar com Manual do Amor, produção italiana que certamente poucos depositariam expectativas a primeira vista. O diretor Giovanni Veronesi consegue fazer uma divertida obra fragmentada que amarra quatro histórias acerca da busca pelo amor, mas sem que necessariamente uma dependa das outras para fazer sentido, embora sempre exista um gancho para ligá-las. Cada uma das tramas é como um curta-metragem anunciadas por um título que resume em uma única palavra o tema principal das sequências. Cada episódio tem um casal protagonista específico, mas o cineasta foi esperto ao adicionar ao menos uma cena em que os personagens do próximo segmento têm contanto com os do anterior, assim o espectador não fica com a sensação de que viu uma obra picotada. Além da estrutura narrativa diferenciada, o longa também se beneficia com uma narrativa que prende a atenção usando artifícios muito simples para reproduzir momentos com os quais os espectadores podem se identificar facilmente.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

AS AVENTURAS DE AGAMENON - O REPÓRTER

NOTA 1,5

Longa é um vexame para
o cinema nacional do início
ao fim apoiando-se em
piadas sem pé nem cabeça
Quantas pessoas você já viu na fila do cinema ou em uma locadora apontando um ou mais títulos e dizendo que eles devem ser bons porque suas propagandas passam toda hora na TV ou em praticamente todos os sites existem banners divulgando-os? É se aproveitando dessa inocência do público que muitas empresas tentam lucrar. O artifício da publicidade é usado a exaustão desde os primórdios da televisão para vender margarina, sabonetes e coisas do tipo. Na realidade querem te iludir com a idéia de que o produto que estão oferecendo é ótimo e essencial. Da mesma forma que um bebê aprende a falar e certos gestos na base da repetição, o mesmo impulso as empresas querem despertar em pessoas com a mentalidade já desenvolvida reforçando cada vez mais uma marca ou produto. A Globo Filmes faz praticamente a divulgação de oito a cada dez lançamentos nacionais e desde a campanha de sucesso de Se Eu Fosse Você no final de 2005 adotou a estratégia de inserir anúncios dos filmes em seus intervalos comerciais cerca de dois meses antes da data de estréia, assim conseguindo criar o efeito desejado: cativar o seu espectador para ir ao cinema. Por um bom tempo isso funcionou e os lançamentos de verão brazucas fizeram fortuna, mas quando uma produção é ruim não há santo que ajude. Por alguns dias até pode ser que o público se sinta instigado a assisti-las, mas logo o boca-a-boca negativo mostra seus efeitos. Pior ainda quando um elenco capenga é a bola da vez. Com um enredo sofrível e interpretações de doer de atores misturados a modelos, peças de museu e profissionais do tipo topo tudo, Muita Calma Nessa Hora até fez seu pé de meia, por exemplo, mas os espectadores não caíram na mesma armadilha com As Aventuras de Agamenon – O Repórter e deram às costas à produção. Embora a campanha publicitária fosse muito eficiente, também colocada no ar com antecedência e com direito a um funk tipo chiclete, o elenco reunido já trazia desconfianças. O que dizer de um personagem que é dividido por Hubert,um membro do grupo Casseta e Planeta, diga-se de passagem, em franca decadência, e o onipresente Marcelo Adnet? Besteirol na certa. Idolatrados por destilarem um humor ácido e crítico, os atores falharam ao tentar fazer no cinema o que fazem há anos na TV.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

DE CORPO E ALMA

NOTA 7,0

Robert Altman documenta
a preparação de um
espetáculo de dança com
olhar distanciado
Anos antes de uma obra em preto-e-branco, francesa e muda ganhar o Oscar de Melhor Filme em pleno século 21 e bem antes também do público mais elitizado se interessar em assistir óperas em sessões especiais em cinemas de shopping que pareciam fadados a sobreviver da demanda em busca de produções com efeitos especiais de última geração, já tinham cineastas interessados em inovar e lançar produtos pouco convencionais. Alguns construíram suas carreiras em cima de projetos alternativos, seja para sacudir o mercado ou puramente para satisfazerem desejos pessoais, mas em ambos os casos a certeza é uma só: prestígio pode ser atrelado à ousadia, mas fortuna é algo bem distante. O cultuado e saudoso Robert Altman já tinha uma carreira consolidada quando resolveu se arriscar a dirigir De Corpo e Alma, uma obra muito difícil de classificar em gênero específico. A bailarina Ry (Neve Campbell) está vivendo intensamente a rotina de ensaios de balé para um grande espetáculo que a companhia de dança a qual pertence está organizando. O ambiente deveria exalar alegria já que o evento é muito aguardado por todos os alunos, mas na realidade o clima é uma mistura de melancolia e ansiedade, isso porque a disputa pelos papéis nas diversas sequências de dança, em geral contemporâneas, está muito acirrada. Os professores exigem o máximo de dedicação dos candidatos e o mínimo deslize pode significar sua ausência no espetáculo ou o mesmo ser relegado a uma participação sem destaque. Todos são observados com muita atenção pelo diretor e líder da companhia, Alberto Antonelli (Malcolm MacDowell), mais conhecido como Sr. A. Querendo muito agradá-lo e ter um grande destaque no espetáculo, Ry se esforça o máximo que pode, mas durante o processo de seleção ela se apaixona por Josh (James Franco), uma distração que pode atrapalhá-la neste momento que pode ser crucial em sua profissão. Pensando no dilema que a protagonista vive, a vida profissional ser mais importante que a pessoal, pode parecer que estamos diante de um pré Cisne Negro. Até que podem ser feitas comparações entre as duas obras, mas certamente a de Altman parecerá bem mais modesta, porém, esta afirmação não deve ser encarada como algo depreciativo. Simplicidade e realismo eram justamente os objetivos do diretor que se cercou de bailarinos de verdade e utilizou sua câmera de forma livre e onipresente para seguir os passos dos dançarinos durante os ensaios e também acompanhar um pouco de suas vidas íntimas, mas as histórias dessas pessoas não chegam a ser desenvolvidas de forma satisfatória. Até os atores mais conhecidos aparecem despercebidos praticamente, quase como figurantes, já que Neve e Franco vivem um relacionamento frio que não consegue envolver o espectador.

terça-feira, 24 de abril de 2012

O FANTÁSTICO SR. RAPOSO

NOTA 8,0

Diretor especialista em
temáticas sobre famílias
excêntricas leva seu olhar
crítico para a animação
Os primeiros trabalhos da marca Disney encantavam adultos e crianças com suas imagens coloridas à mão e histórias clássicas. Depois Hanna-Barbera driblou a falta de recursos recorrendo a técnicas que movimentavam o mínimo possível os personagens em cenários estáticos, geralmente figuras que cativavam o público mesmo tendo as vezes atitudes dignas de anti-heróis. O campo de animação então foi ampliado e os mais variados tipos de desenhos foram surgindo até que a animação totalmente computadorizada chegou para dominar o mercado do gênero no século 21, principalmente porque agora os espectadores mais velhos estavam até mais interessados em produções do tipo que o próprio público-alvo. Ainda bem que existem cineastas com crédito na praça para poderem inovar, ou melhor, recorrer as técnicas do passado para conseguir um resultado magnífico e original em um cenário onde a mesmice impera. Wes Anderson é bastante famoso entre os adeptos de produções alternativas e cults e construiu sua carreira em cima de uma temática constante: as relações familiares entre pessoas excêntricas e problemáticas. Sempre recrutando um elenco recheado de nomes famosos e talentosos, em 2009 resolveu inovar utilizando apenas as vozes dos intérpretes, como George Clooney e Meryl Streep, mas deixando a tela livre para as peripécias de personagens criados e movimentados através do stop-motion, a mesma técnica de animação com massinha dos sucessos A Fuga das Galinhas e A Noiva Cadáver. O diretor trouxe seu olhar dissecador e crítico, já conhecido por obras como Os Excêntricos Tenembaums e Viagem à Darjeeling, de forma mais branda para o simpático e inteligente O Fantástico Sr. Raposo, produção com uma plasticidade magnífica e chamativa, mas cujo conteúdo pode não entreter as crianças ou nem interessá-las. É curiosa a opção de Anderson em trabalhar com uma técnica quase em extinção e que seria estranha à sua filmografia, mas de certa forma faz sentido sua escolha. É comum em seus filmes os atores ficarem estáticos e com olhar paralisado como se esperassem uma ordem para se movimentarem. Na animação, os humanos são trocados por raposas que agem de forma estranha, mas ainda assim irresistível.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

AMIZADE COLORIDA

NOTA 8,0

Comédia começa as avessas
e até de forma arriscada,
mas trata de voltar atrás e
honrar as leis do gênero 
A liberdade e as possibilidades que a juventude propicia sempre foram muito exploradas pelo cinema investindo principalmente no lado sexual da situação, o que acabou sendo confundido com libertinagem e resultando em pérolas como American Pie e uma porção de títulos estrelados por Ashton Kutcher e contemporâneos. Os atores e o público-alvo crescem e assim os estilos de filmes precisam ser reciclados também. Hoje homens e mulheres quarentões já estão bem representados nas comédias cuja faixa etária dos protagonistas é de meia-idade e conquistam espectadores de variadas épocas. Agora os “novos jovens maduros”, aquela turma que já passou dos 25 anos, mas ainda está um pouquinho longe dos 40, quer se ver representada. Eles em geral (pelo menos no cinema) são pessoas com um bom emprego, moram sozinhas, vão a festas frequentemente e estão abertos a relacionamentos rápidos, até mesmo de poucas horas, mas o curto tempo para se conhecerem não os impede de ir aos finalmentes.  Em 2011, Kutcher estrelou ao lado de Natalie Portman Sexo sem Compromisso, que deixa no título de forma escancarada as intenções dos protagonistas. De um jeito mais sutil (só no título) meses depois surgiu Amizade Colorida que traz Mila Kunis e Justin Timberlake encabeçando o elenco. Coincidência ou não, as duas atrizes atuaram em Cisne Negro e escolheram projetos com temas semelhantes para aliviarem a tensão do trabalho anterior e nas duas propostas o relacionamento liberal do início abre lugar para o moralismo do meio para o final. Neste caso, a introdução aparentemente vende a idéia de que vamos assistir a um daqueles filmes em que o casalzinho briga o tempo todo e no final se acerta. O final é esse mesmo (todos sabemos o que esperar na conclusão de uma comédia romântica), mas o que importa é como chegar a esse final feliz e nisso o roteirista e diretor Will Gluck é bem esperto desde a primeira cena. Responsável pelo sucesso teen A Mentira, parece que ele está se especializando em histórias cujos protagonistas tem comportamentos fora dos padrões e até mesmo surreais, mas consegue fazer com que eles cativem o espectador.

domingo, 22 de abril de 2012

A FAMÍLIA BUSCAPÉ

Nota 7,5 Embora não siga à risca a série de TV original, comédia diverte com seus clichês 

Caipiras, desbocados, ingênuos, atrapalhados, bondosos, decentes e divertidos. Que atire a primeira pedra aquele que nunca se sentiu um pouquinho parecido com algum membro do clã protagonista de A Família Buscapé ou jamais vivenciou alguma situação em que se sentiu um peixe fora d’água ou deu uma bola fora. É comum em momentos descontraídos as pessoas se referirem a seus familiares usando o título desta comédia, um costume que começou bem antes do filme ser lançado. O longa é baseado no seriado de TV homônimo (nos EUA chamado de "The Beverly Hillbillies") que fez muito sucesso entre os anos 60 e 70. A premissa do filme é a mesma da série. A diretora Penelophe Spheeris faz humor com situações previsíveis de um simpático e simplório grupo acostumado a vida sem luxo do campo tentando se adaptar ao agitado cotidiano de uma cidade grande, com o diferencial que eles agora têm muito dinheiro e são um prato cheio para golpistas e bajuladores. A família Clampett leva uma vida calma e simples na roça, mas uma reviravolta está prestes a acontecer para eles e mudar tudo da noite para o dia. O patriarca Jed (Jim Varney) um dia vai caçar em suas terras e descobre algo inesperado. Ao tentar acertar em um animal, ele acaba atirando no chão e um gêiser borbulhante de petróleo bruto surge. Agora milionário, o simplório homem é convencido pelo senhor Milburn Drysdale (Dabney Coleman) a deixar que ele cuide de seus negócios em seu banco e que toda a sua família se mude para a agitada cidade de Beverly Hills. Desde o início da mudança o clã se mete em muita confusão para se adaptar ao ritmo e novidades da cidade grande, mas os contratempos do dia-a-dia não são nada perto do que está por vir. Ingênuos, eles caem na conversa de Laura Jackson (Lea Thompson), que se apresenta como professora de boas maneiras, justamente o que a estabanada Elly May (Erika Eleniak) precisa, mas na realidade essa refinada mulher tem um plano com Woodrow Tyler (Rob Schneider) para roubar os Clampetts. Ainda bem que a vovó Granny (Cloris Leachman) e Jane Hathaway (Lily Tomlin), funcionária exemplar do senhor Drysdale, são bem vivas e não se deixam levar pela simpatia da golpista. O roteiro de Lawrence Konner, Mark Rosenthal, Jim Fisher e Jim Staahl é calcado nos argumentos dos primeiros episódios do seriado, abrindo mão de um vasto arsenal de ideias, provavelmente imaginando futuras continuações.

sábado, 21 de abril de 2012

RUMO AO PARAÍSO

Nota 6,5 Esta é a história de Paul Gauguin, mais um artista que penou para alcançar o sucesso

O mundo das artes plásticas é uma rica fonte de inspiração para a sétima arte e já rendeu muitas histórias maravilhosas, outras curiosas, algumas sobre superação e até dramas trágicos. Ao abordar a vida de um pintor, um diretor de cinema provavelmente deve encontrar algum ou vários pontos em sua trajetória que o instigaram a lhe prestar uma homenagem, apresentando assim detalhes de sua vida pessoal e profissional, podendo apostar em uma biografia que pontue os principais momentos das mesmas ou fixar-se em um ou mais períodos determinado. Seja como for, obras desse tipo não documentam apenas a História de alguma personalidade, mas servem também como um registro da época e lugares em que estes artistas viveram. Por exemplo, nos livros escolares temos algumas pinceladas de como foi o século 19 em solo americano, em alguns países da Europa, obviamente no Brasil e por tabela em Portugal, mas alguém tem alguma informação de como foi esse período no Taiti? Essa pode ser uma das curiosidades reservadas pelo longa Rumo ao Paraíso, mas seu chamariz é revelar um pouco do histórico de vida do artista plástico Paul Gauguin, reconhecido por suas obras multicoloridas que retratam as riquezas naturais e os nativos da América Central. Alguns nomes de pintores famosos intitulam suas cinebiografias e se encarregam de fazer um convite ao público, como Os Amores de Picasso e Frida, porém, outras produções praticamente passam despercebidas quando encobertas por títulos que não fazem alusão a seus homenageados como neste caso, aliás, com o agravante do título escolhido ser um tanto genérico e quando lançado não haver publicidade para ajudar sua carreira. Uma pena, afinal Gauguin não é um artista tão divulgado quanto Van Gogh ou Picasso, mas sua trajetória merece ser conhecida. A trama escrita e dirigida por Mario Andreacchio acompanha em paralelo duas épocas distintas da vida do artista interpretado por Kiefer Sutherland. Em Paris, em 1874, este homem é um bem-sucedido corretor de ações da bolsa de valores que vive feliz ao lado de sua esposa Mette (Nastassja Kinski) e seus quatro filhos. Colecionador de quadros e arriscando pintar algumas telas, ele resolve abandonar a sua carreira ao ter seus trabalhos elogiados por Camille Pissarro (Alun Armstrong), um artista frustrado na profissão, mas que incentiva o rapaz a continuar a se dedicar a arte.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

ED WOOD

NOTA 10,0

Longa homenageia um
verdadeiro entusiasta do
cinema que não media
esforços para viver da arte
Tim Burton é uma grife do cinema. Seu nome é sinônimo de criatividade e excentricidade e praticamente todos os seus filmes são conhecidos nos mínimos detalhes pela maior parte de seus fãs, mas um título muito curioso e especial em sua trajetória é pouco conhecido pelo público, mas aclamado pela crítica. Ed Wood é uma verdadeira homenagem ao cinema a partir da retrospectiva de parte da biografia pessoal e profissional do cineasta que dá título a esta obra baseada nos registros do escritor Rudolph Grey. Conhecido como o pior diretor de cinema de todos os tempos, curiosamente sua estranha filmografia foi reconhecida devidamente algum tempo depois após a sua morte. Johnny Depp interpreta de forma vigorosa Edward D. Wood JR., um jovem sonhador e entusiasmado que sonhava em ser famoso fazendo filmes e para tanto não media esforços. Dirigia, produzia e até atuava, mas sempre acabava se decepcionando com as recusas de ajuda de investidores ou até mesmo com os estúdios que não queriam distribuir suas produções ou colaborar com novos projetos. O motivo para tal depreciação é o fato de que seus filmes eram toscos visualmente e com argumentos pouco convencionais ou explorados de maneira superficial, porém, boa vontade nunca lhe faltou. Até mesmo aceitou filmar uma produção erótica sonhando em fazer dela uma obra-prima que marcasse época e fosse além da expectativa do público mostrando o lado dramático e psicológico que afeta um travesti. Foi com Glen ou Glenda que Wood tomou coragem para assumir que embora fosse heterossexual adorava se vestir com roupas femininas desde criança, fato que estremeceu sua relação com a namorada Dolores Fuller (Sarah Jessica Parker). É nesta época também que ele estreita laços de amizade com seu ídolo, o ator Bela Lugosi (Martin Landau). Pouco antes da década de 1940 ele era um grande astro graças as clássicas fitas de horror lançadas pela Universal, mas sua carreira entrou em declínio e ele se entregou ao vício da morfina. A força da amizade com o jovem diretor tratou de resgatar em partes sua vontade de viver, mas era comum que seu nome fosse ouvido com espanto já que a maioria pensava que ela havia falecido há tempos.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

DESVENTURAS EM SÉRIE

NOTA 10,0

Junção de enredos de três
livros infanto-juvenis resulta
em excelente filmes que mescla
comédia e suspense com perfeição
Existem estilos de filmes que marcam determinadas épocas e sem dúvida a primeira década do século 21 foi marcada pelo gênero fantasia e adaptações de uma literatura que dificilmente cai no gosto dos críticos especializados, mas encontra as atenções que merece por quem realmente importa: o público. Os longas acerca de circunstâncias fantasiosas e oníricas bombaram nos anos 80, como A História Sem Fim e A Princesa Prometida, e em pleno início do século 21 eles continuam com tudo tendo como suporte a literatura. Visando lucrar não só no escurinho do cinema e com a venda de mídias domésticas, mas também com bugigangas e produtos alimentícios, por exemplo, muitas produtoras e estúdios bancaram as adaptações de livros que não raramente caíram no gosto popular, porém, nem todos os filmes representantes dessa corrente foram sucesso ou alguns precisaram da ajuda do tempo para consolidar-se. Desventuras em Série é um título de destaque desta safra, ainda que sua publicidade não tenha tido o alicerce de um conglomerado extra de produtos como mochilas e lancheiras para garantir sua longínqua vida. Contudo, até hoje ele permanece vivo na memória de quem o viu e aguçando a vontade de novos espectadores simplesmente com sua história deliciosa e criativa que mescla fantasia, humor e suspense em doses generosas para agradar crianças e adultos. Baseado na série de livros “A Series of Unfortunate Events”, de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), o longa conta a história dos irmãos Baudelaire, Klaus (Liam Aiken), Violet (Emily Browning) e Sunny (Kara e Shelby Hoffman, gêmeas que se alternaram nas filmagens), que repentinamente recebem a notícia de que seus pais morreram em um incêndio. Como são menores de idade eles não podem herdar a fortuna da família até que Violet, a mais velha dos três, completar a maioridade. Enquanto isso, eles devem ficar sob a tutela de algum parente. Assim, as crianças são levadas pelo Sr. Poe (Timothy Spall), um amigo da família, para morar com o Conde Olaf (Jim Carrey), um parente distante, muito ganancioso e esquisito, que deseja tomar a fortuna deles. Para isso, ele não medirá esforços para se livrar do trio. Começa assim a peregrinação das crianças em busca de uma vida digna de casa em casa de parentes excêntricos e desconhecidos, mas sempre com Olaf por perto preparando alguma armadilha afinal se nenhuma das crianças existissem um outro parente poderia usufruir do benefício legalmente.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A MORTE E A VIDA DE CHARLIE

NOTA 7,0

Zac Efron busca provar
que é bom ator investindo
em drama com temática
espírita para adolescentes
Filmes que abordam o tema espiritismo geralmente pertencem aos gêneros de terror e suspense, mas parece que a onda dos dramas acerca dos mistérios do além ultrapassou as fronteiras brasileiras. As obras adaptadas ou sobre a vida do médium Chico Xavier viraram uma febre nacional, mas a relação entre vivos e mortos levada a sério ganhou caráter internacional e chegou até o público adolescente com A Morte e a Vida de Charlie tendo como garoto propaganda o ídolo teen Zac Efron. Ele vive Charlie, um jovem que sempre se deu muito bem com Sam (Charlie Tahan), seu irmão mais novo. Ambos compartilhavam a paixão pelos esportes e eram grandes amigos. Prestes a passar por mudanças em sua vida, Charlie firma um compromisso com o caçula da família: todos os dias no final da tarde eles iam se encontrar em uma clareira na floresta para treinarem beisebol. Porém, um trágico acidente de carro vitimou Sam e os separou fisicamente, mas não espiritualmente. A ligação entre eles é tão forte que ainda conseguem manter contato mesmo após o fatídico acidente sempre no mesmo local de encontro combinado ainda em vida. Charlie se sente responsável pela tragédia e tornou-se recluso, abandonando seu futuro para trabalhar no cemitério da pequena cidade. Ao reencontrar uma amiga do passado, Tess (Amanda Crew), ele sente uma forte atração por ela e sua vontade de viver ganha um impulso, mas a atenção que dispensa à garota desagrada o espírito do irmão que se sente então abandonado. Agora, Charlie precisa se decidir entre manter a promessa que fez ao seu grande parceiro de nunca mais o abandonar ou aproveitar a chance que ganhou do amor para dar um novo rumo para a sua vida. Porém, outra surpresa será reservada ao jovem pelo destino.

terça-feira, 17 de abril de 2012

FANTASMAS DE MARTE

NOTA 1,0

Mescla de terror, aventura
e ficção acerca de um
mistério no planeta Marte
resulta em péssimo filme B
Hollywood sempre teve fascínio pelos mistérios do sistema solar e seus planetas. O próprio Sol e a Lua já foram os principais cenários de alguns filmes, mas fora os perigos que rondam a Terra, foi Marte o assunto mais explorado pelo cinema. O problema é que não se sabe muito sobre o tema e então cineastas, redatores e produtores deixam a imaginação rolar solta para criar uma história que se passe no planeta vermelho, como ele ficou popularmente conhecido. Os resultados são sempre fracos e até hoje nenhuma produção conseguiu passar uma visão que possa ser crível (coisa difícil) ou ao menos que cause impacto no espectador. Em geral as obras do tipo acabam sendo classificadas como filmes B devido ao seu conteúdo pouco desenvolvido e plasticidade tosca. Quando falamos de uma produção sobre Marte parece que estamos querendo desenterrar lá do fundo do baú alguma produção científica, mas no início dos anos 2000 o tema ainda rendia, ou melhor, tentava render algo. Chegaram a lançar com a diferença de poucos meses Planeta Vermelho e Missão Marte, ambos pessimamente recepcionados por público e crítica. Naqueles tempos, embalados pelas crenças tolas acerca do fim do mundo, muitos estúdios deram sinal verde para diversos produtos que colocavam em discussão a possibilidade do destino da humanidade a salvo estar em solo vermelho. E o que esperar de um trabalho que reúne ficção e terror aliados a tal tema? Produção trash sem dúvidas. Fantasmas de Marte é uma reciclagem capenga de alguns trabalhos de John Carpenter, como O Enigma de Outro Mundo, mas não foi um diretor qualquer que decidiu lhe fazer uma homenagem. Foi o próprio que atuou atrás das câmeras e escreveu o roteiro em parceria com Larry Sulkis. A história se passa em 2176, quando Marte já está sendo colonizada pelos seres humanos há um bom tempo, mas o número de pessoas já está excedendo o limite e as diversas expedições para extrair as reservas naturais deste solo desconhecido podem acarretar grandes problemas.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

MONTE CARLO

NOTA 8,0

Prevista como comédia
para um público mais
velho, história foi reescrita
para agradar adolescentes
Um dos gêneros que mais movimentam Hollywood é o da comédia que foi dividido em diversas subcategorias para agradar a públicos específicos. Até mesmo nestes subgêneros acabam acontecendo novas repartições. Classificar um filme como comédia adolescente, por exemplo, já não faz mais tanto sentido. Dependendo do conteúdo e da forma que ele é apresentado, involuntariamente a própria produção trata de se auto-intitular como destinada a certos nichos. Sabemos que o humor pastelão e que investe em piadas de duplo sentido ou até mesmo explícitas fazem mais a cabeça dos teens do sexo masculino. Já as meninas preferem cultivar o sonho do príncipe encantado e até seus vinte e poucos anos ou até com mais idade apreciam as narrativas repetitivas do casal que passa o filme todo se desentendendo ou lutando contra empecilhos até que tenham direito ao seu final feliz. A fórmula pode sofrer variações, mas a conclusão dificilmente pode ser alterada. É isso o que acontece com Monte Carlo, uma comédia romântica que não tem apenas uma mocinha sonhadora e sim três. Não há um vilão declarado e maquiavélico, mas existem certos obstáculos a serem vencidos para chegar ao final previsível, mas ainda assim aguardado. Além da narrativa esculpida para agradar as adolescentes, o longa se beneficia de uma das protagonistas ser Selena Gomez, um dos nomes mais quentes na praça para atuar neste tipo de produção. Ela atua, canta e já participou de diversos seriados de TV, seguindo passos de jovens estrelas de um passado recente como Hilary Duff e Vanessa Hudgens. Embora seja a atriz mais conhecida do trio, o roteiro é atencioso ao tratar todas elas com a mesma importância e dar a seus personagens momentos de destaque em pé de igualdade.

domingo, 15 de abril de 2012

O DESAFIO DE DARWIN

Nota 4,5 Polêmica sobre estudos de Darwin são expostos em longa que esquece da dramaticidade

Filmes que fazem questão de destacar que são baseados em fatos reais já carregam a difícil tarefa de procurar não fugir muito das histórias que os inspiraram, mas quando os acontecimentos e os personagens fazem parte da História mundial os cuidados precisam ser redobrados. Quem se habilita a realizar produções que enfocam a vida e as realizações de pesquisadores, personalidades históricas e afins provavelmente não sonha com o sucesso, mas visa primeiramente realizar trabalhos que satisfaçam seus próprios desejos e que com o tempo podem acabar ganhando visibilidade no meio acadêmico. Sim, existem centenas de filmes que involuntariamente ou não tornaram-se opções que dificilmente um espectador de fim de semana se interessaria em ver, porém, são importantes materiais de apoio para estudantes, professores e porque não para alguns curiosos em determinados assuntos. O problema é que essa rotulagem passa a ideia de que produtos do tipo são chatos e extremamente didáticos, embora muitos sejam verdadeiras superproduções (ou pelo menos eram para os padrões de suas épocas). O Desafio de Darwin é um produto atípico nesta linhagem. Com direção de John Bradshaw, esta é uma produção de época caprichada nos detalhes visuais e técnicos produzida pela National Geographic Television associada a outras produtoras menores, o que explica seu aspecto documentário realçado, visto que em termos de dramaturgia o longa deixa muito a desejar. A trama se desenvolve a partir de meados de 1858, quando as vidas pessoal e profissional do pesquisador Charles Darwin (Henry Ian Cusick) pareciam estar desmoronando. Na Inglaterra vitoriana, sua revolucionária teoria da evolução das espécies está sendo contestada pela comunidade religiosa e até mesmo pela científica visto que outro pesquisador teria publicado ideias parecidas com a de seus estudos. Sua esposa Emma (Frances O’Connor), uma devota cristã, o surpreende com a ajuda que ela lhe oferece fazendo-o perceber que aquilo que ele chamava de mistérios da vida é afinal a verdade escondida há milhares de anos sobre a evolução das espécies e com provas científicas, não apenas palavras vagas. Paralelo a esse problema, alguns dos filhos de Darwin ficam gravemente doentes, o que traz a tona as lembranças da filha que ele perdeu alguns anos antes.

sábado, 14 de abril de 2012

MORTOS DE FOME

Nota 6,5 Longa ousa ao usar canibalismo para criticar as sociedades, mas público rejeita temática

Todos os anos muitos filmes com pegada de horror são produzidos, mas entre refilmagens e sequências, os poucos títulos inéditos que sobram acabam sumindo no mapa ou curiosamente se destacando pelos seus repetitivos roteiros. Porém, quando alguém tenta fazer algo diferente o público acaba rejeitando como é o caso de Mortos de Fome, longa do final dos anos 90 que passou em brancas nuvens pelos cinemas, aterrissou na surdina nas locadoras e nem na televisão encontrou espaço. O repúdio é compreensível. Existem produções muito difíceis de serem classificadas em um gênero específico e aqui está um bom exemplo. Embora vendido como filme de terror, o tema central ser o canibalismo e apresentar algumas cenas repletas de sangue e restos mortais, o longa não assusta de forma surpreendente ou tradicional. Apesar do título também não é comédia, nem de humor negro embora nesse quesito este produto seja um prato cheio. Drama poderia ser uma rotulagem válida visto que a obra explora as dificuldades de um grupo de homens em uma época conturbada, mas passa longe de levar o espectador as lágrimas. No fundo esta é uma produção alternativa que reúne um elenco respeitável e características de diversos gêneros, mas uma obra que sofre para achar seu público. O fato é que este trabalho da cineasta inglesa Antonia Bird, que antes havia causado certo burburinho com o polêmico O Padre, não é de fácil digestão. O roteiro de Ted Griffin acompanha o Capitão John Boyd (Guy Pierce), condecorado por sua bravura nas lutas na fronteira com o México, porém, mais tarde decepcionando seus superiores e assim sendo transferido para um isolado forte na Califórnia em 1847 que servia de assistência para os viajantes que atravessavam a perigosa região das Serras Nevadas Ocidental. Ele passa a conviver então com um excêntrico grupo formado pelo chefe da liderança do local, o Coronel Hart (Jeffrey Jones), alguns oficiais, como o religioso Toffler (Jeremy Davies), o esquentadinho Reich (Neal McDonough), o viciado em ervas alucinógenas Cleaves (David Arquette) e o alcoólatra Knox (Stephen Spinella), e com dois ajudantes, os irmãos indígenas George (Joseph Runningfox) e Martha (Sheila Tousey).

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A HORA DO ESPANTO (1985)

NOTA 9,0

Filme deu sobrevida aos
vampiros no cinema e o
passar dos anos ajudou a
acentuar o clima de terror
O gênero de terror raramente é visto com bons olhos pelos críticos, mas alguns filmes do tipo acabam alcançando certo respeito com o passar dos anos e para o público que curte permanecem na memória como uma agradável lembrança de uma época. Quem já era uma criança crescidinha ou adolescente na década de 1980 certamente se divertiu a beça com as produções de arrepiar que fizeram fama e fortuna. O boom desse tipo de produção outrora se deve muito a rápida aceitação que as fitas VHS tiveram no mundo todo. Se nos cinemas apenas os maiores de idade podiam curtir um terrorzinho, com as videolocadoras as coisas ficaram mais fáceis. Antigamente esse comércio era basicamente composto por lojas pequenas de bairro, o que facilitava a relação entre cliente e atendente e o que antes era proibido em tela grande tinha boas chances de qualquer guri levar para casa. Não é uma prática correta, mas era um caso bastante comum. Entre os filmes que bombaram na época está A Hora do Espanto, longa que redefiniu a imagem do vampiro que já estava desgastada e ainda ajudou a popularizar as produções com títulos iniciados com “a hora...”. O cardápio é bastante extenso e repleto de filmes trash, além de várias continuações inferiores à própria matriz, mas a obra escrita e dirigida por Tom Holland conseguiu se destacar justamente por causar impacto muito mais por sugestionar o medo do que escancará-lo por completo. Ok, a conclusão já investe mais em sangue e sustos previsíveis, mas de qualquer forma tornou-se o primeiro produto de terror diferenciado a peitar a concorrência dos seriais killers Freddy Krueger, Michael Myers, Jason Voorhees e companhia. Para muitos essas produções hoje em dia podem ser tolas e desprezíveis, mas é inegável que elas tiveram sua importância na história do cinema e felizmente ainda há público novo querendo experimentar o gostinho do horror de antigamente. Pois é justamente sobre experiências que a maior parte dos clássicos juvenis dos anos 80 tratava. Os medos, sonhos, alegrias e tristezas dos adolescentes foram personificados no cinema sempre colocando jovens no centro das histórias que geralmente mesclavam realidade e fantasia. O cotidiano dos teens estava sempre presente adornado por referências da época como neste caso em que Charley Webster (William Ragsdale) tem como programa predileto aquele que também era a primeira opção de nove a cada dez adolescentes da época: assistir um bom filme de terror tarde da noite.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

ZOHAN - O AGENTE BOM DE CORTE

NOTA 2,0

Adam Sandler se supera no
quesito mau gosto e é o
protagonista de comédia
apelativa e de pouca graça
Adam Sandler construiu sua carreira tendo como alicerce os projetos humorísticos. Já se arriscou no drama com o subestimado Reine Sobre Mim, mas foi com comédias simpáticas do tipo Como se Fosse a Primeira Vez e Click que ele projetou seu nome de vez. Infelizmente a cada bom projeto que aceita participar em contrapartida ele assume também um papel em uma produção de gosto duvidoso em seguida. Ele já estava em um bom patamar da carreira em 2008 e certamente não deviam lhe faltar convites para bons trabalhos, mas então o que o motivou a protagonizar o besteirol Zohan – O Agente Bom de Corte? A resposta só pode ser uma proposta milionária ou agenda vazia de compromissos na época. Só assim para explicar tamanha decadência. O ator faz o papel-título, um agente do alto comando militar israelense que teve suas férias na praia interrompidas pelo chamado de uma nova missão. Ele fica sabendo que Fantasma (John Turturro), um terrorista palestino que havia capturado há pouco tempo, conseguiu escapar mais uma vez e precisa ser encontrado o mais rápido possível. Porém, esse serviço tão importante não é o trabalho dos sonhos de Zohan. Na realidade ele deseja ser cabeleireiro e este novo confronto veio em boa hora para ele colocar um plano em prática: fingir sua própria morte e partir para Nova York, o local onde tudo acontece. Apesar de querer deixar para trás sua vida de guerras e batalhas, rapidamente ele descobre que não é tão fácil escapar das suas raízes. Até aí a história caminha de maneira aceitável e com as piadas grotescas já esperadas, mas as coisas mudam quando ele consegue um emprego em um salão de beleza. Algumas poucas piadas inteligentes e realmente engraçadas são diluídas no meio de uma avalanche de situações vexatórias que vem a seguir que exploram ao máximo o apelo sexual inserido forçosamente ao enredo.   

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O BANHEIRO DO PAPA

NOTA 9,0

Enredo mescla drama e
comédia com perfeição
acerca de um fato real que
mexeu com os uruguaios
Muita gente escolhe o filme que deseja assistir a partir do seu título que deveria deixar bem claro sobre o que o conteúdo da produção trata, mas nem sempre isso fica bem identificado em poucas palavras. Os longas estrangeiros costumam ter títulos curiosos e até engraçados que também nem sempre vendem bem o peixe. Temos desde expressões refinadas do tipo Como Água Para Chocolate até frases que deixam o espectador com um ponto de interrogação na cabeça como A Teta Assustada. Igualmente engraçado e atrativo, O Banheiro do Papa cai como uma luva para a história de um homem simples que viu a chance de melhorar de vida com a visita ao seu país de um dos maiores ícones da Igreja Católica do século 20. Em 1988, a cidade de Melo, na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, está agitada com a notícia de que o Papa João Paulo II em breve estará por lá. A população do local é muito carente e se empolga acreditando que a chegada do religioso abrirá as portas para um novo tempo em que a prosperidade reinará. Na expectativa de que muitas pessoas de toda a América do Sul irão até lá para ver tal santidade, os moradores se animam e começam a fazer planos para lucrar com a venda de bebidas, comidas e lembrancinhas. Beto (César Trancoso), um homem que vive de levar na sua bicicleta bugigangas e produtos de contrabando para abastecer pequenos comércios, decide inovar e cria em seu quintal o “Banheiro do Papa”, um lugar para as pessoas fazerem suas necessidades durante o evento. Para tanto, ele precisa se arriscar em viagens de trabalho, enfrentar a esposa Carmem (Virginia Mendez) e o descontentamento da filha Silvia (Virginia Ruiz). Porém, o mais difícil para concretizar a idéia é conseguir o vaso sanitário, mas este sonhador empreendedor amador fará de tudo para consegui-lo nem que seja no último minuto.

terça-feira, 10 de abril de 2012

ARISTOGATAS

NOTA 8,5

Animação ainda preserva
a ingenuidade, as cores
e traços suaves que são
marcas do passado Disney
Desde Branca de Neve e os Sete Anões os estúdios Disney se transformaram no Midas do mundo do cinema e tudo que lançavam imediatamente se tornava sucesso. O status da empresa só foi balançado no final dos anos 90 quando as animações computadorizadas se tornaram populares e novos estúdios passaram a investir no filão dos desenhos. Não é bem assim. Muitas das produções da casa do Mickey Mouse que hoje consideramos clássicas tiveram problemas de aceitação por parte da crítica e até mesmo do público quando estrearam, sendo que só tiveram seus valores reconhecidos anos mais tarde com a popularização das fitas VHS. Um dos períodos mais críticos para todos os envolvidos nesse mundo mágico certamente foi o final dos anos 60 até meados da década de 1980, época em que a empresa sobreviveu pouco do cinema e mais da TV com séries animadas e telefilmes. Dessa safra faz parte Aristogatas, animação envolvendo uma família de felinos vivendo forçosamente uma aventura. Nos anos 30, na França, madame Adelaide Bonfamille, uma excêntrica milionária, resolve fazer um testamento para beneficiar sua gata de estimação Duquesa e seus filhotes, Marie, Berlioz e Toulouse. Porém, após a morte dos bichanos, toda a fortuna seria repassada a Edgar, o mordomo da casa e única companhia humana da velha senhora. Sabendo disso por um acaso, ele resolve apressar as coisas e arma um plano para desaparecer com os gatinhos. Após dopá-los, ele os leva para um lugar afastado, mas seu plano é atrapalhado pelos zelosos cães Napoleon e Lafayette. Perdidos no meio do mato, os gatos tem a sorte de encontrarem um esperto felino, Thomas O´Malley, e seus amigos. Acostumados com a vida de malandragem das ruas, essa trupe irá ajudar seus semelhantes de fino trato a voltarem para casa e confrontar o malvado mordomo. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

AS PATRICINHAS DE BEVERLY HILLS

NOTA 8,0

Comédia adolescente que
marcou a geração dos anos
90 envelhece bem e ainda
diverte novas gerações
Existem filmes que nascem com o simples intuito de agradar ao público juvenil, mas que acabam extrapolando os limites da faixa etária visada e até mesmo do tempo. O que poderia parecer uma produção bobinha para aproveitar uma mania passageira pode acabar surpreendendo e marcando época. Esse é o caso de As Patricinhas de Beverly Hills que faturou alto sem investir em alguma campanha de marketing pesada, apenas o boca-a-boca foi o bastante para fazer o longa cair no gosto popular instantaneamente. Lançado bem nos tempos do auge dos seriados de TV americanos para adolescentes no estilo “Barrados no Baile” e “Melrose”, esta comédia foi extremamente elogiada e tira sarro da vida dos jovens ricos ao mesmo tempo em que adiciona um pouco de humanidade e vulnerabilidade a estes personagens que vivem em um mundo de sonhos, ao menos para os olhos dos mais humildes que os enxergam como pessoas fúteis que medem o valor de alguém pelo seu poder aquisitivo. O tempo passou e tal pensamento não mudou, pelo contrário, as novas gerações só trataram de reforçar a cultura do status através das marcas famosas e produtos da moda. É nisso que se apega a protagonista desta comédia aparentemente exclusiva para platéias femininas, mas que também pode entreter os rapazes. Cher (Alicia Silverstone) vive uma realidade a parte na qual tudo tem seu preço e está ao seu alcance através de seu cheque ou cartão de crédito. Jovem, esperta, loura e milionária, mesmo não sendo ainda maior de idade ela já tem seu próprio carro e até um avançado programa de computador que escolhe cada uma de suas combinações de roupas. Apesar de parecer muito fútil, ela tem bom coração e gosta de fazer benfeitorias e é a própria quem dá as boas-vindas à nova aluna do colégio, Tai (Brittany Murphy), uma garota que pelo seu jeito e maneira de se vestir está fadada a viver excluída da vida social dos riquinhos, mas a patricinha lhe dá um banho de loja e ensina boas maneiras a nova amiga. Todo esse tempo dedicado aos outros é porque ela não tem mais nada para se preocupar na vida, a não ser ficar linda e bem vestida.  

domingo, 8 de abril de 2012

HOP - REBELDE SEM PÁSCOA

Nota 7,5 Produção infantil recicla com sucesso a fórmula do bichano quer quer ser famoso

Se existem aos montes filmes a respeito da época do Natal ou do Dia das Bruxas, por que não dar chance também para o feriado de Páscoa? Pegando o gancho na popular data festiva em que as trocas de chocolates são as principais marcas, o diretor Tim Hill conduziu Hop – Rebelde Sem Páscoa, mistura de produção live-action com animação nos mesmos moldes da franquia Alvin e os Esquilos, projeto do próprio cineasta. O roteiro de Brian Lynch, Cinco Paul e Ken Daurio tem dois protagonistas vivendo em universos completamente opostos. Junior é um coelho adolescente que adora tocar bateria e sonha em fazer sucesso no mundo da música, mas seu pai deseja que ele dê continuidade à tradição milenar de sua família e se torne o seu sucessor no cargo de Coelho da Páscoa oficial. Ele tenta convencer o pai de que seu caminho é outro, mas não tem sucesso e assim parte para a cidade grande onde acredita que poderá enfim se tornar um grande astro. Ao chegar lá, por pouco ele não é atropelado por Fred Lebre (James Marsden), um trintão que tem sido pressionado pela família para que enfim consiga um emprego e deixe a casa dos pais. Após a surpresa inicial por encontrar um coelho falante, Fred aceita levá-lo até a mansão onde está trabalhando como vigia enquanto o dono está viajando. Apesar dos problemas iniciais de adaptação, eles se tornam amigos, assim Fred topa ajudar Junior a conseguir espaço no cenário musical. Enquanto isso, uma conspiração está sendo organizada contra o pai do coelhinho rebelde organizada pelo ganancioso Carlos que deseja tomar o controle da produção de doces todo para ele. Para quem presta atenção em detalhes, é inegável que surjam ideias que gerem comparações entre o citado filme dos esquilos e o do coelhinho, a começar pelo fato dos bichinhos de ambas as produções adorarem música pop e terem um humano meio perdido na vida como agente e grande amigo. O sucesso dos músicos também é a glória de seus tutores, assim como a fofura e a tagarelice dos protagonistas se equiparam. Porém, as semelhanças não atrapalham o resultado final e só mesmo os mais chatos devem resmungar.

sábado, 7 de abril de 2012

CÃO DE GUARDA

Nota 4,0 Produção modesta envelheceu e nem mesmo o protagonista lhe dá muito valor

Suspense, ameaças, intrigas e até um sequestro. Esses são elementos bastante típicos de tramas policiais, mas em Cão de Guarda são diluídos em um roteiro que pretende mais fazer humor do que deixar o espectador roendo unhas ou brincando de detetive. Pretende é a palavra certa. Esta comédia até que funciona na telinha (bem hoje em dia pode ser no telão de casa também), mas na época do lançamento não rendeu nas bilheterias e foi um tremendo fiasco também de críticas. É um trabalho pouco lembrado do grande Jack Nicholson, o próprio não exalta essa obra em sua filmografia, todavia um filme que merece uma revisão por parte do público. Realmente o ator neste caso não faz um trabalho excepcional e ocupa um papel que poderia ser entregue a qualquer um com fama de coadjuvante, todavia, não é nada mal ver o veterano em sua época áurea, mesmo que em uma produção menor, ainda mais em tempos em que o ator praticamente se aposentou. O enredo de Carole Eastman nos apresenta à soprano Joan Spruance (Ellen Barkin) que tem motivos de sobra para temer seu futuro, pois está se separando do marido e precisa aprender a lidar com sua nova vida de solteira. Para piorar, o seu apartamento é invadido e totalmente destruído. O episódio não parece ser apenas uma coincidência que ocorreu em um momento ruim de sua vida e está convencida de que alguém que ela conhece provocou isso, só não sabe quem. Ela acredita se dar bem com todo mundo, mas, por via das dúvidas, resolve deixar sua casa e vai morar com a irmã, Andy Ellerman (Beverly D´Angelo), uma mulher um tanto atrapalhada que também não está se sentindo segura, pois foi ameaçada pelo ex-marido Redmond Layls (Harry Dean Stanton), um dos homens mais ricos do território norte-americano. Ela não precisaria nem se lembrar dele, exceto por um detalhe: ela escreveu um livro sobra a intimidade e os negócios escusos do ex-marido e ameaçou publicar tudo na íntegra. Assim, para não ser perseguida, ela prefere sair de casa e a residência agora fica na responsabilidade da irmã, esta que passa a receber telefonemas e notícias informando sobre um serial killer que está assassinando mulheres na região de Los Angeles.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A PAIXÃO DE CRISTO

NOTA 8,0

Apesar do roteiro frágil e
com muitas falhas, filme
prende a atenção com
cenas de dor e violência
Sexta-feira Santa é a data em que as emissoras de TV resgatam do fundo do baú títulos bíblicos que fazem muito sucesso entre os religiosos, mas que acabam também conquistando uma parcela de público extra graças ao empurrãozinho do feriado. Existem dezenas de filmes do tipo, mas um em especial chama a atenção por ser uma superprodução que levou milhões de espectadores do mundo todo aos cinemas no ano de 2004, mesmo parecendo que o tema já tivesse sido explorado além da conta. Pegando pesado na explicitação da violência de seres humanos contra outros semelhantes, mas que são vistos como diferentes e ameaças, A Paixão de Cristo foi lançado em torno de muitas polêmicas e marketing gratuito. Primeiro foi Mel Gibson que declarou que estava cansado de atuar em seus habituais filmes de ação e decidiu se dedicar naquele momento apenas a carreira de diretor, embora até então só tivesse feito dois trabalhos ocupando a função. Sua proposta de trabalho era um tanto extravagante e nenhum grande estúdio de Hollywood queria dar um tiro no escuro. Será que um épico violento a respeito de um tema religioso e totalmente legendado, já que todos os diálogos seriam em latim e aramaico, poderia faturar alto a ponto de cobrir seus custos? Ninguém quis investir e o próprio cineasta tirou dinheiro de seu bolso para bancar um projeto pessoal. Católico fervoroso, Gibson não quis repetir o que já existe na praça, por isso preferiu concentrar a narrativa no epílogo, quando Jesus Cristo é crucificado e executado. As últimas doze horas de vida deste homem que sacrificou-se em nome de suas idéias é revista nesta obra de forma dolorosa, sem poupar o protagonista, fazendo com que os espectadores vivam literalmente a sensação deste calvário. Por isso esta produção gerou muita expectativa e também opiniões contrastantes. Para alguns não passa de um filme feito para os adeptos do fetiche da violência extrema só que vendido em embalagem luxuosa. Para outros é um projeto sem sentido algum e seu sucesso se deve as polêmicas que suscitou. Até mesmo entre os mais religiosos não existe aprovação unânime. 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A MENTIRA

NOTA 7,0

Comédia adolescente com
roteiro acima da média é
prejudicada por excesso de
coadjuvantes e subtramas
Para variar, mais uma vez a escolha do título brasileiro não foi muito feliz. Será mesmo? A Mentira é muito genérico e poderia sugerir um drama ou suspense, mas quando batemos o olhos em algumas imagens do filme percebemos na hora de que se trata de uma comédia adolescente cuja protagonista tem ares de sósia da atriz Lindsay Lohan, o que convenhamos não é muito animador. A julgar pelos primeiros minutos desta produção também será difícil alguém confiar que ela vá longe. O tema mentiras já foi usado em centenas de filmes, algumas vezes para denegrir imagens, outras para poupar sofrimentos, mas aqui ela é usada para dar um upgrade na vida social de dois adolescentes não muito populares no colégio, sendo o foco principal a garota que ganha fama de mulher fácil de conquistar. Olive (Emma Stone) era uma daquelas estudantes cuja presença ninguém notava até que ela contou uma mentira para Rhiannon (Alyson Michalka), sua melhor amiga, sobre um encontro amoroso e quente com um calouro da faculdade, quando na verdade ela é virgem. O boato sobre o ato promíscuo se espalha rapidamente despertando a ira de Marianne (Amanda Bynes), uma patricinha fanática religiosa, mas Olive não se importa e até gosta da popularidade repentina. Tal fama levou seu amigo Brandon (Dan Byrd), que estava sofrendo horrores na escola pelas desconfianças de ele ser homossexual, a pedir sua ajuda para reverter essa situação e melhorar sua reputação. Eles tiveram a genial idéia de simular em uma festa que transaram. Todos os convidados da escola se amontoaram na frente da porta do quarto para tentar ouvir e espiar o que acontecia lá dentro. Olive e Brandon capricharam nos gemidos e diálogos e de uma hora para a outra passaram a ser o assunto do colégio. No início tudo ia bem, mas aos poucos aquela mentira passou a ganhar outros contornos. A moça acabou levando a sério sua farsa de mulher fatal e viu sua liberdade acabar e os garotos se aproximando dela apenas para se aproveitarem. Definitivamente a mentira foi longe demais. Pronto, o título nacional agora faz todo sentido e cai como uma luva. 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

VERÔNICA

NOTA 8,0

Thriller nacional tem
estilo próximo de filmes
americanos em termos de
agilidade e narrativa
O cinema nacional já deixou há muito tempo de ser sinônimo de filmes bobos ou de conteúdo duvidoso e cada vez mais está conseguindo se destacar em diversos gêneros. Algumas pessoas reclamam da repetição de temas como miséria e violência expostos em cenários de periferia ou tendo a aridez nordestina ou a paisagem rural como fundo. Bem, realmente vira e mexe as nossas produções enfocam personagens que retratam as pessoas marginalizadas que vivem em áreas com condições de vida precária, sejam elas de boa ou má índole. Grandes sucessos já surgiram a partir dessas temáticas, como Central do Brasil e Cidade de Deus, mas é muito maior o número de fracassos de público que surgiram visto que alguns cineastas enveredam pelo caminho da violência e da sexualidade exageradas em busca de reconhecimento da crítica sem se preocupar se realmente é isso que os espectadores esperam. Esses profissionais tendem a criticar aqueles que trabalham com um cinema mais comercial e cuja estética até se aproxime do que se espera de uma produção estilo Hollywood, guardada as devidas proporções obviamente. O fato é que existem diversos filmes muito bons em nossa filmografia que acabaram sendo prejudicados pela overdose de títulos com temas semelhantes que foram lançados em um passado recente e é claro que o preconceito com o cinema brasileiro ainda existe e continua causando impactos negativos. Verônica é uma vítima disso. Mesmo trazendo à tona um enredo que toca no tema violência e pobreza, tudo é tratado de forma menos chocante, porém, sem perder o foca na realidade. Fazendo denúncia social, a história é centrada em uma mulher do povão que vive em um pequeno apartamento do subúrbio, tem um jeitão de valentona e fala o que lhe vem a cabeça. Professora frustrada, de repente ela se vê em meio a uma intriga envolvendo um menor de idade e perigosos bandidos. Por estas poucas palavras já dá para sentir a inspiração nos filmes policiais americanos. Por que quando os ianques reciclam a fórmula pela centésima vez ainda tem pessoas prestigiando e na vez do Brasil tentar fazer sua versão o público apedreja? 

terça-feira, 3 de abril de 2012

SEXO SEM COMPROMISSO

NOTA 7,5

Premissa indica que esta
comédia sairá do lugar
comum do gênero, mas
diretor dá meia-volta
As comédias românticas são produzidas com foco em público certo que gosta de ver as mesmas histórias com apenas algumas sutis diferenças. Casal se conhece por acaso, se apaixona, uma pedra surge no meio do caminho deles, mas no final o tradicional felizes para sempre tem que existir. Apesar de agradar as platéias femininas, o gênero comumente peca pelo machismo implícito, sendo a mulher quase sempre retratada como submissa ou infeliz e que só é capaz de encontrar a felicidade ao lado de um homem, este que provavelmente pintou e bordou o quanto pôde antes de se entregar a um relacionamento sério. Bem essa fórmula não funciona em Sexo Sem Compromisso ou pelo menos não completamente. O título aparentemente pode vender de forma errada o conteúdo do filme, dando a idéia de que este poderia ser um novo American Pie com adolescentes que só pensam em sexo e estudar que é bom nada. Bem, os protagonistas realmente são compulsivos sexuais, porém, estão longe da fase da adolescência, já são adultos que fazem o que bem entenderem de suas vidas. Adam (Ashton Kutcher) está sofrendo com a decepção de ter sido largado por Vanessa (Ophelia Lovibond), com quem namorou por oito meses. Para piorar a situação, descobre que ela é a nova namorada de seu pai, Alvin (Kevin Kline), um astro da TV das antigas. Desejando esquecê-la e seguir em frente, ele acaba se acostumando a sair com diversas garotas apenas por diversão, sem envolvimento emocional, mas tudo muda em uma noite de bebedeira. Quando acorda, ele está em um apartamento que não é o seu e descobre que quando não estava sóbrio se encontrou com Emma (Natalie Portman), uma jovem com quem se encontrou algumas vezes, mas há muitos anos. Durante a noite nada aconteceu entre eles, mas na manhã seguinte não conseguiram resistir. A moça quer o mesmo que ele, apenas sexo sem cobranças e assim eles marcam encontros constantes durante um bom tempo e em qualquer hora do dia ou da noite. Porém, a relação começa a mexer com os sentimentos de Adam, mas convencer Emma de que ela também está se apaixonando não será nada fácil. 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

MELANCOLIA

NOTA 8,0

Polêmico cienasta acerta
ao abordar a extinção da
humanidade de forma
intimista e sem firulas
Pode ser intencional ou não, mas é um fato comprovado que o cineasta Lars Von Trier se beneficia da aura que sua filmografia carrega: reflexiva, polêmica e original. Ele tem seu público e consegue a cada novo lançamento se manter em evidência de alguma forma, sempre gerando certo burburinho que colabora para a campanha do filme. As vezes ele exagera com materiais excessivamente fortes e em outras derrapa com histórias que basicamente se apóiam em olhares e gestos que tomam o lugar dos diálogos. Seja como for, um projeto com a assinatura deste profissional, embora destinada a platéias seletas, certamente consegue com mais facilidade sair do papel e até chegar ao circuito de exibição simplesmente porque falam por si só. Não precisam de um título, elenco e tampouco sinopse definidos para que ganhem o aval de algum estúdio, basta o nome do cineasta atrelado. Ele é como um Midas do cinema alternativo. Tudo que toca vira ouro. Pode não reluzir seu brilho imediatamente, mas com o passar dos anos suas obras tornam-se cultuadas e chamam a atenção de cinéfilos, inclusive de jovens. Foi assim com Ondas do Destino, Dançando no Escuro e Dogville. O mesmo efeito deve se repetir com Melancolia, produção que chegou com muita expectativa aos cinemas graças ao marketing extra gerado pelas polêmicas que o diretor instaurou com algumas infelizes declarações sobre o nazismo que disparou durante o Festival de Cannes, evento que deu o prêmio de Melhor Atriz para Kirsten Dunst, atriz mais conhecida por papéis insossos em produções hollywoodianas ou, na melhor das hipóteses, lembrada como a namorada do Homem-Aranha. Ela é uma das protagonistas. A outra é Charlotte Gainsbourg, que já havia trabalhado com Trier no impactante Anticristo. Elas vivem irmãs, respectivamente Justine e Claire, e o filme se divide em dois atos, cada um enfocando uma delas e levando seus nomes. Apesar disso, a personagem de Kirsten tem uma participação ativa em ambas as sequências. Como de costume, o enredo é um tanto excêntrico e provocativo, porém, no conjunto a obra é irregular apesar de um fato ligar os dois episódios. Pode ser incômoda numa visão geral ou quando vista separadamente, mas a produção ao mesmo tempo possui elementos que seduzem os adeptos do cinema reflexivo, sendo possível até enxergar de forma linear tal narrativa. A interpretação do conteúdo de um filme, seja ele alternativo ou extremamente comercial, varia e dificilmente se chega a um parecer unânime, ainda mais quando se trata de um produto de um diretor que gosta de provocar e não mastigar as coisas. 

domingo, 1 de abril de 2012

ESPÍRITO SELVAGEM

Nota 3,5 Mesmo com várias qualidades técnicas, longa deixa a desejar em sua narrativa e ritmo

Para quem gosta de um cinema mais alternativo ou mais puxado para o estilo clássico, é comum a revolta ao se depararem com a programação dos cinemas cada vez mais voltada a projetos comerciais e a mesma situação se repetir nas opções das locadoras, mas tal situação não é novidade. Centenas de bons projetos todos os anos chegam ao público de forma extremamente tímida e rapidamente caem no ostracismo. Todavia, entre os títulos que se encaixam nesta longa lista alguns parecem involuntariamente clamar por esse esquecimento como é o caso de Espírito Selvagem que curiosamente reúne diversas características que ao menos lhe garantiriam certa visibilidade mesmo com o passar dos anos, porém, sua extrema lentidão impressa em cada cena é seu calcanhar de Aquiles. Adaptado do premiado livro “All The Pretty Horses”, de Cormac McCarthy, um best-seller do início dos anos 90, a trama tem pedigree, mas o roteirista Ted Tally, vencedor do Oscar por O Silêncio dos Inocentes, não soube segurar as rédeas da história que tem como protagonistas John Cole (Matt Damon) e Lacey Rawlins (Henry Thomas), dois jovens texanos que estão em busca de uma vida melhor no final da década de 1940. Decididos a encarar novos desafios, a dupla sai do Texas à cavalo rumo ao México. No meio do caminho eles conhecem Jimmy Blevins (Lucas Black), um jovem problemático que está roubando os cavalos de propriedades privadas, mas sem saberem desse seu desvio de conduta os amigos acabam aceitando o rapaz para seguir viagem junto. Blevin é o responsável pela maior parte dos problemas que os dois caubóis vão enfrentar, mas Cole também irá encontrar um amor nessa trajetória. Ele se apaixona por Alejandra (Penélope Cruz), filha de um rico fazendeiro, mas essa união está ameaçada, pois até preso o rapaz irá ser, além de perder a companhia do amigo de cavalgada Rawlins. Após a captura de Cole, a trama ganha mais fôlego mostrando seu amadurecimento diante das adversidades, mas principalmente por causa do empenho de seu intérprete que já demonstrava ser um grande ator, mesmo não repetindo um desempenho semelhante a que apresentou em Gênio Indomável, até então seu principal trabalho. 

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