sábado, 31 de março de 2012

A PASSAGEM (2007)

Nota 3,0 Narrativa tediosa compromete boa premissa e conclusão com teor de denúncia

Diariamente nos chocarmos com notícias sobre atos cruéis praticados pelos próprios seres humanos contra os seus semelhantes, porém, mais chocante ainda é constatarmos que eles são mais comuns do que imaginamos e que em geral são motivados pela ganância financeira. E o que dizer quando este real objetivo ainda é travestido de boa ação, tem como alicerce falsos vínculos religiosos que escamoteiam redes criminosas? Produções que se passam em territórios exóticos costumam ter sua própria cartilha de clichês e explorar o tema exposto acima é um dos tópicos mais utilizados. Geralmente os filmes que usam os paradisíacos e ao mesmo tempo misteriosos cenários de países do Oriente Médio gostam de beber na fonte das crenças e lendas locais, podendo cair na armadilha de se tornarem aventuras em busca de tesouros escondidos, suspenses acerca de rituais maquiavélicos, entre outros temas já muito explorados. O cineasta Mark Heller optou em A Passagem por uma trama contemporânea e pertinente passada no Marrocos em meio a um cenário que remete ao passado e a histórias misteriosas. O velho e o novo se fundem nesse país como a certa altura constata o protagonista Luke (Stephen Dorff), um fotógrafo americano, e seu amigo inglês Adam (Neil Jackson, também autor do roteiro), estão viajando a passeio pelo território marroquino e encantam-se com a exótica Zahra (Sarai Givaty), uma nativa que seduz a ambos com seu jeito de recatada e beleza. Os rapazes a seguem até um remoto lugar localizado em uma região montanhosa, mas aos poucos sentem um crescente temor. Adam acaba sumindo misteriosamente e Luke se vê perdido em um claustrofóbico labirinto de túneis subterrâneos e passagens secretas que o levam a uma chocante revelação. A nativa logo no primeiro encontro contou ao fotógrafo a história de Aisha Kandisha, uma lenda local sobre uma mulher que usava sua beleza para conquistar os portugueses que no passado maltratavam e abusavam do povo marroquino, principalmente as damas. Quando fascinados ela os matava ou fazia com que eles brigassem entre si pelo seu amor até a morte, uma forma de conseguir vingar seu povo. Por esse fato, se o turista fosse um pouco mais atento já teria consciência de que a amizade com Zahra seria perigosa.

sexta-feira, 30 de março de 2012

COWBOYS E ALIENS

NOTA 3,0

Idéia original desperdiçada
por roteiro confuso poderia
render uma nova franquia
de sucesso, mas decepciona
Hollywood está sempre em busca de alguma novidade para sacudir o mercado, seja um novo viés para um gênero batido ou uma história que possa se tornar uma franquia de sucesso e garantir o sustento de alguns estúdios e produtoras durante alguns anos ou quem sabe até por tempo indeterminado. Melhor ainda quando estas duas possibilidades podem ser reunidas em um único projeto e talvez foi nessa onda que o diretor Jon Fraveau embarcou quando decidiu conduzir Cowboys e Aliens, um longa que no mínimo podemos tachá-lo como criativo e que tem toda a pinta que poderia vir a se tornar uma série cinematográfica marcante. Ficamos com tal impressão até que iniciamos o filme, mas dificilmente não caímos do cavalo quando vemos a realização da idéia. Após o estrondoso sucesso de Homem de Ferro, o diretor procurou inovar e gerar ramificações para o gênero de aventura. Assim, ele teve a idéia de unir passado e futuro em um mesmo longa, uma mistura inusitada de dois gêneros ficcionais totalmente opostos. A ficção faz parte do cinema há muitos anos, mas ainda soa como algo futurista e as pessoas sonham com o dia em que poderão ver de perto naves espaciais e os enigmáticos extraterrestres. Por outro lado, o western marcou o cinema entre as décadas de 1940 e 1960 e hoje em dia é raro surgir um bom filme de homens com hábitos rudimentares, montados em seus cavalos e empunhando suas armas intimando seus inimigos para um duelo onde só um pode sobreviver. A idéia de alienígenas em meio a um cenário de bang-bang é até interessante, mas na prática não funciona. Ao menos neste caso não rolou. Baseada em uma série de quadrinhos homônima que, segundo boatos, nem havia sido lançada quando as filmagens começaram, a narrativa mantém um ritmo irregular e arrastado, ora com momentos cansativos e ora apostando em explosões e efeitos especiais manjados para acordar o espectador. A criatividade da premissa contrasta com os lugares comuns que as situações apresentadas sugerem, além de que o enredo não é lá muito cativante. 

quinta-feira, 29 de março de 2012

INCENDIÁRIO

NOTA 7,0

Michelle Williams
praticamente carrega nas
costas este drama cuja
premissa soa estranha
Existem filmes que se iniciam de forma desinteressante e pouco cativante. Muitos espectadores têm o hábito de assistir alguns poucos minutos de uma produção e se não gostam da introdução não seguem adiante. O estilo de filmagem, o roteiro, o visual, as interpretações e a temática são alguns dos entraves que podem surgir na comunicação entre o filme e o público, mas algumas obras, ou talvez a maioria, que começam mal podem surpreender com o desenvolvimento da narrativa. Esse é o caso de Incendiário, um produto cujo título e premissa não soam como muito interessantes. Uma jovem mãe (Michelle Williams), cujo nome não é revelado, aparentemente vive feliz ao lado do marido, o policial Lenny (Nicholas Gleaves), e do filho (Sidney Johnston), também sem nome mencionado, porém, ela sente falta de amor no relacionamento com seu parceiro. Praticamente vivendo como amigos, o que indica que talvez a união entre eles foi forçada devido a uma gravidez inesperada, a mulher se sente instigada a conhecer um homem que avista pela janela entrando no prédio a frente do seu acompanhado de uma garota. Ele é Jasper Black (Ewan McGregor), um jornalista que gosta da fama de conquistador que tem. Propositalmente, certa noite a jovem vai até um bar em que o rapaz está e ele, obviamente, vê a chance de mais um nome figurar em sua lista de amores rápidos. Eles começam a ter encontros cada vez mais tórridos até que um dia são surpreendidos ao verem na TV ao vivo a explosão de um estádio esportivo enquanto mantinham relações. Era um ataque terrorista que vitimou o marido e o filho da adúltera que tinham ido assistir a um jogo de futebol por insistência dela. A partir de então ela está fadada a carregar, além da dor, a culpa de perder sua família por causa de uma atitude extremamente questionável sua.  

quarta-feira, 28 de março de 2012

A CASA DOS SONHOS

NOTA 2,5

Vendido como um longa de
suspense dos bons e com
elenco de peso, filme acaba
decepcionando
Os títulos de filme frequentemente são motivos para confundir o espectador desavisado. Quem se guia por esse recurso para definir o que deseja assistir deve cair em muita armadilha sem querer. A Casa dos Sonhos é mais um exemplo para engrossar a lista de títulos que indicam diversas possibilidades. Cairia bem para um drama, uma comédia, um romance e até mesmo para um suspense. Foi esse último gênero que o diretor irlandês Jim Sheridan optou ou foi obrigado a escolher, mas não foi muito feliz. Ele é o responsável por obras marcantes como Meu Pé Esquerdo e Em Nome do Pai e tantos outros pertencentes ao chamado circuito de arte, mas tem surpreendido com seus recentes trabalhos já que parece ter abraçado o estilo Hollywood de fazer filmes. A prova disso fica evidente ao aceitar realizar Fique Rico ou Morra Tentando estrelado pelo rapper 50 Cent. Forma mais comercial que colocar um astro da música como protagonista para chamar o público adolescente e freqüentador de cinema de shoppings talvez não exista, mas não deu certo. Quem sabe a fria recepção desse filme o tenha levado a tomar mais cuidado para não chocar o público que aprecia seu estilo intimista e mais elitizado de enxergar o cinema, mas não deu certo quando o cineasta se meteu a fazer um produto com temática sobrenatural. Não assusta como promete a publicidade, mas também a narrativa não envolve o espectador em busca de uma boa história. Will Atenton (Daniel Craig) é um executivo bem-sucedido que pede demissão do emprego para se mudar com a família de Nova York para uma pequena cidade em Connecticut. Sua esposa Libby (Rachel Weisz) e as duas filhas do casal inicialmente gostam da nova casa, mas a alegria dura pouco. Por acaso descobrem que dentro da residência houve o assassinato de uma família e que o pai se salvou, sendo assim acusado de ser o executor do crime. Em busca de mais detalhes sobre o caso, Will recorre a vizinha Ann (Naomi Watts), mas ela demonstra receio em ter contato, embora sempre esteja por perto. 

terça-feira, 27 de março de 2012

PLANETA DOS MACACOS (2001)

NOTA 9,5

Refilmagem de clássica
ficção é divertida, tem bom
ritmo e conta com uma
parte técnica impecável
Fazer um remake de um filme de sucesso e cultuado é uma tarefa de muita responsabilidade e praticamente é como mexer em um vespeiro. Uma coisa fora do lugar ou alguma liberdade de criação e pronto, ferroadas não faltarão. Tim Burton sentiu na pele o peso da crítica ao reinventar um clássico da década de 1960 que mexeu com o mundo todo. Planeta dos Macacos é até hoje um marco do cinema que mistura ficção e aventura em uma trama reflexiva onde os papéis se invertem: os primatas tomam o lugar dos humanos, estes que passam a ser escravizados e tratados como animais. Na era contemporânea, Leo Davidson (Mark Wahlberg) é um piloto que treina chimpanzés para vôos em uma estação espacial. Em um dos treinamentos, um deles se perde e o rapaz resolve ir procurá-lo. O problema é que essas viagens no tempo feitas em meio a tempestades eletromagnéticas são traiçoeiras. Após sofrer um acidente na espaçonave em que estava, Leo chega a um lugar estranho e primitivo, como se estivesse nos primórdios da humanidade, mas logo ele encontra os habitantes da região e se depara com uma inversão de posições. Essa terra é habitada por macacos e gorilas extremamente inteligentes e racionais que escravizam os humanos que lutam para sobreviver à tirania dos primatas. Capturado por Limbo (Paul Giamatti), um traficante de humanos, Leo é entregue ao cruel general Thade (Tim Roth) que o aprisiona para usá-lo como serviçal, mas o rapaz logo se torna uma séria ameaça à soberania dos poderosos do local e arquiteta um plano para conseguir fugir com um grupo de humanos. Para tanto contará com a ajuda da primata de bom coração Ari (Helena Bonham Carter), mas terá que enfrentar a ira de Thade e seus comparsas, como o seu braço direito Attar (Michael Clarke Duncan).

segunda-feira, 26 de março de 2012

QUAL SEU NÚMERO?

NOTA 8,0

Com ótimas piadas e boas
atuações dos protagonistas,
comédia escamoteia teor
moralista do enredo 
Comédias geralmente são os principais alvos de críticas negativas e dificilmente algum exemplar do gênero escapa de levar umas boas ferroadas em jornais, revistas, TV e na internet. As opiniões dos especialistas certamente influenciam os espectadores que após assistirem uma produção do tipo ficam em uma saia justa. Admite-se que deu boas risadas ou banca o intelectual e começa a tecer comentários tão criteriosos quanto aqueles que se lê por aí? Muita gente deve ficar nesse dilema na hora de avaliar um filme como Qual Seu Número?, produção repleta de clichês e cujo final já se anuncia logo no primeiro encontro dos protagonistas. O que chama a atenção neste caso é o moralismo da obra, afinal sua premissa parece evidenciar uma conquista das mulheres: o direito de ser tão “galinha” quanto os homens. A palavra entre aspas quando aplicada ao sexo masculino ganha status positivo, é uma referência ao homem boa pinta que chama a atenção e conquista todas as mulheres. Quando ela é usada para se referir ao sexo feminino, o sentido é bem oposto. Mulher que sai com muitos homens não presta, não serve para casar. Bem, essa pressão negativa é o que sente em determinado momento Ally (Anna Faris) que já está na casa dos trinta anos e ainda é solteira. Entre as amigas ela é a recordista de parceiros de cama. Já contabiliza 19 e segundo pesquisas de uma famosa revista feminina quando uma mulher chega ao ficante de número 20 suas chances de se casar são praticamente nulas e provavelmente o marido ideal ela deixou escapar entre os homens que conheceu e agora estaria condenada a carregar até o fim de seus dias a fama de piriguete. 

domingo, 25 de março de 2012

ANGEL-A

Nota 7,0 Filmado em preto-e-branco, estética acaba sobressaindo ao conteúdo desta obra

O famoso cineasta, roteirista e produtor francês Luc Besson, de O Quinto Elemento, apresenta aqui um trabalho, no mínimo, curioso. Sem filmar desde a enésima versão de Joana D’Arc que lançou em 1999, o diretor retoma seu posto atrás das câmeras investindo em um visual diferenciado para marcar sua volta em grande estilo. Filmado em preto-e-branco e utilizando interessantes ângulos e panorâmicas para capturar as cenas, Angel-A é uma obra que não é de encantar grandes platéias, mas vale a pena dar uma conferida para ter contato com um cinema de qualidade técnica irretocável, divertido e com novas possibilidades, porém, uma opção longe dos “filmes-cabeça” como se costuma rotular tudo que venha do velho continente. A história criada pelo próprio cineasta nos apresenta a André (Jamel Debbouze), um rapaz com quase trinta anos, mas que não tem sorte e vive afogado em dívidas gigantescas, o que o mantém na mira de perigosíssimos gângsteres que agem nos arredores de Paris. Sem ter como renegociar suas pendências e sem crédito na praça, André resolve acabar com sua própria vida. Quando está prestes a se jogar de uma ponte ele nota que uma bela jovem também pretende fazer o mesmo. Ela pula e no impulso o rapaz também se atira na água e a resgata. Ela é Ângela (Rie Rasmussen), uma mulher muito especial, que impressiona por sua altura, que entrou em sua vida para trazer muitas transformações positivas, mesmo que para isso ela precise usar táticas um pouco mais violentas. Os dois acabam descobrindo que têm muito em comum, mas que um relacionamento entre eles pode ser impossível. Assumindo todos os cargos possíveis dos bastidores, Besson continua demonstrando que seu talento é mesmo para criar visuais interessantes, neste caso recorrendo a uma estética considerada ultrapassada curiosamente para captar as mais belas paisagens daquela que é chamada de Cidade-Luz.
 

sábado, 24 de março de 2012

O ENCONTRO

Nota 5,0 Visual datado e premissa interessante não são suficientes para segurar suspense

Mortes misteriosas, um buraco que esconde uma história macabra do passado, alucinações, religião e até um milharal. A maior parte dos clichês dos filmes de terror e suspense que fizeram sucesso nos anos 70 e 80 batem cartão em O Encontro produção que tem uma premissa bem interessante, mas esfria aos poucos culminado em um final pouco original e sem impacto. Nem quando os segredos são revelados percebemos que chegamos ao ápice da história devido a narrativa arrastada. Apesar disso, o recheio deste filme prende bastante a atenção, investindo em uma trama que mistura o sobrenatural com uma espécie de culto macabro do passado, quando algumas pessoas se encontravam em um templo para assistir o sofrimento de outras até morrerem. O roteiro de Anthony Horowitz nos leva para a Inglaterra onde dois jovens caem em um buraco e não resistem. Esse poderia ser só mais um corriqueiro acidente com final trágico, mas o tal buraco esconde segredos. Lá dentro existem diversas esculturas com formas humanas e esculpidas em relevo que parecem olhar para uma cruz. Simon Kirkman (Stephan Dillane), um especialista em religiões, é convocado para inspecionar o local e paralelamente a isso, Marion (Kerry Fox), sua esposa, atropela acidentalmente Cassie Grant (Christina Ricci), uma jovem que parece ter perdido a memória com o choque, apesar de fisicamente não ter sofrido nenhum trauma grave. Ela acaba sendo acolhida na casa dos Kirkman e informalmente se torna a babá das crianças da família. Conforme o tempo passa, a jovem começa a ter visões de pessoas ensanguentadas ou estranhas e a ouvir vozes. Aos poucos, esses acontecimentos vão sendo ligados à descoberta feita dentro do buraco e Dan Blakeley (Ioan Gruffudd), com quem a jovem faz amizade, pode ser uma peça importante para desvendar o mistério.
 

sexta-feira, 23 de março de 2012

O CASAMENTO DO MEU EX

NOTA 3,0

Premissa interessante é
desperdiçada por roteiro
pobre e interpretações
pouco inspiradas
Este é mais um filme cujo título engana o espectador, embora ele se aplique muito bem a proposta do roteiro. Já tivemos tantas comédias românticas batizadas com frases e expressões que utilizavam as palavras ex e casamento, além do tradicional meu ou minha indicando possessão, que é óbvio que quem escolhe assistir O Casamento do Meu Ex espera ver aquela historinha manjada, com final anunciado logo na primeira cena e com aquelas piadinhas bobinhas ou de duplo sentido. Se você é esse tipo de espectador, provavelmente se decepcionará com a escolha. Esta produção é totalmente diferente do que 99 a cada 100 pessoas podem esperar de um produto a julgar pelo seu título, um caso que se assemelha a Namorados Para Sempre, outro filme que ao surgirem os créditos finais deve deixar muita gente com cara de que comeu e não gostou. Ambas são produções aparentemente do tipo comédias açucaradas, mas se revelam histórias dramáticas e nas quais os personagens estão em cena para lavar a roupa suja ou desfazer mal entendidos. É complicado, mas o que fazer quando um título aponta para dois caminhos opostos? Bem, neste caso a diretora estreante Galt Niederhoffer optou pelo viés dramático e não foi muito feliz. O longa é baseado no livro homônimo da própria cineasta, mas fica a dúvida se o conteúdo contido na publicação é tão insosso quanto o visto na versão cinematográfica. Apostando em um enredo em que as vidas de diversas pessoas são entrelaçadas por acaso ou partilhadas intencionalmente, um estilo que já está se tornando corriqueiro no cinema, o longa tem um eixo principal: o casamento de Lila (Anna Paquin) com Tom (Josh Duhamel).  Eles estão a apenas um dia de trocarem alianças a beira-mar, mas até esse momento chegar muita coisa pode acontecer a partir da chegada de Laura (Katie Holmes). Ela é a dama de honra da noiva, mas já teve um relacionamento no passado com o noivo. Esse fato não é guardado a sete chaves. Lila sabe e se mostra incomodada com a possibilidade de Tom ter uma recaída poucas horas antes do casamento, mas não fica claro os motivos que levaram a noiva a querer estreitar laços com a ex do futuro marido. Política de boa vizinhança? Não é o que parece. Talvez ela buscasse justamente essa aproximação entre eles para submeter o noivo a uma espécie de teste de fidelidade. 

quinta-feira, 22 de março de 2012

MILAGRE NA CABANA

NOTA 8,0

Drama religioso pega
espectador de surpresa
com trama emocionante
e belas mensagens
Para muita gente, quando se fala em cinema cristão, evangélico ou qualquer um ligado a um forte culto religioso, logo vem a cabeça a idéia de figuras bíblicas, como os famosos filmes sobre os apóstolos de Jesus Cristo, ou produções que tem o intuito de convencer quem assiste a passar a frequentar a igreja para conseguir a salvação ou melhorias de vida. O preconceito de boa parte do público tem fundamento, afinal hoje em dia a religião ganhou contornos de empresa que necessita das colaborações financeiras dos fiéis, das vendas de álbuns de canções gospel e dos aluguéis de espaço na TV. Deixando esses bastidores polêmicos de lado, o fato é que nos últimos anos tem chegado com mais facilidade ao mercado produções com belas lições de vida que escamoteiam o teor religioso de seus enredos e são vendidas em embalagens de luxo sendo praticamente impossível rotulá-las como produtos religiosos a julgar por seus títulos e materiais publicitários. O mercado está tão animado com os resultados desse nicho que muitas distribuidoras multinacionais estão investindo na importação de títulos do gênero e até empresas nacionais especializadas no ramo já foram criadas. Desafiando os Gigantes, A Virada e À Prova de Fogo são alguns títulos que se tornaram uma febre entre cristãos e evangélicos que trataram de fazer a propaganda boca-a-boca e logo esses filmes passaram a ser alguns dos mais procurados nas locadoras (eles não passaram em cinema). Até mesmo quem não se interessa por religião acaba se sentindo instigado a conferir tais recomendações. O segredo para tanto sucesso é trazer a tona mensagens reconfortantes e bonitas, passando de leve pela intenção de impor a dedicação à religiosidade como algo necessário para vivermos em paz e com felicidade. Milagre na Cabana é mais uma prova que o cinema de cunho religioso está cada vez mais maduro e se tornando universal.

quarta-feira, 21 de março de 2012

UMA BABÁ QUASE PERFEITA

NOTA 9,0

Robin Williams rouba a
cena se disfarçando de uma
simpática senhora em
comédia que marcou época
Existem filmes que foram concebidos para serem automaticamente clássicos para entreter toda a família e marcarem época. Alguns não marcam apenas por causa de uma história bem contada que agrada crianças e adultos, mas os personagens bem construídos e críveis também extrapolam os limites da tela e invadem a mente dos espectadores. Quando a criação é alegórica, ou seja, não aparece de cara limpa e precisa de figurinos e maquiagens especiais para ganhar vida, o sucesso é ainda maior. Na década de 1990 tivemos muitos personagens marcantes no cinema como o Batman, o Máskara e os membros da família Addams, mas uma simpática senhora idosa se transformou no sonho que muitas famílias desejavam ter em suas casas. Prendada, organizada, ótima para lidar na cozinha e defensora das boas maneiras, a senhora Euphegenia Doubtfire, uma babá muito experiente, poderia fazer a alegria de muitos pais, mas tirar o sossego de seus filhos exigindo horários fixos de estudo, para ver TV e ir para a cama dormir. Para compensar a rotina rígida, ela também sabia recompensar os pequenos com alguns momentos de lazer inusitados como passeios de bicicletas e jogos de futebol. Enfim, uma profissional exemplar e que sabe conquistar a todos com sua simpatia e bom humor. Seu único problema é que ela não é mulher e sim um homem travestido. O responsável por esta criação tão verossímil e longe de ser caricatural é Robin Williams vivendo um dos papéis mais significativos de sua carreira. Embora sua veia cômica já tivesse sido testada e aprovada em vários outros trabalhos, foi com Uma Babá Quase Perfeita que o ator virou ídolo do público infantil. A sintonia com essa platéia se deve muito também a experiência do diretor Chris Columbus, um especialista em obras açucaradas e com apelo familiar como os dois primeiros títulos da série Esqueceram de Mim, e que aqui se baseou no livro infantil britânico "Alias Madame Doubtfire", de Anne Fine, para criar um marco do cinema, embora sempre exista um crítico chato para tachar a obra negativamente e desvalorizá-la sem levar em consideração os objetivos do longa e o seu público-alvo.
 

terça-feira, 20 de março de 2012

CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÃO

NOTA 8,5

Busca pela mãe e o contato
com um mundo novo são
os temas de saga de um
personagem diferente
Existem cineastas que preferem seguir uma linha de trabalho metódica e evitam explorar diversos gêneros do cinema, mas alguns conseguem manter algumas características de sua filmografia independente de estar trabalhando com drama, humor ou suspense. O diretor Neil Jordan é um exemplo que se encaixa nessa definição. Dono de um currículo bem diversificado, suas obras tem em comum o apreço por personagens excêntricos ou marginalizados pela sociedade. Com essa fórmula conseguiu fazer fortuna com Entrevista Com o Vampiro, obra que tenta humanizar e dramatizar um pouco o cotidiano de um ser condenado ou presenteado com a vida eterna, e também ela é um dos alicerces de A Premonição, trabalho irregular do diretor que tenta explicar a mente e as atitudes de um psicopata usando o manjado truque dos problemas enraizados na infância. Embora ele tenha trabalhos muito famosos datados da década de 1980, sem dúvida seu ápice profissional foi na década seguinte com o lançamento de Traídos Pelo Desejo, um trabalho muito respeitado pela crítica e que trazia como um dos personagens principais um travesti. O homossexualismo é novamente a fonte de inspiração do cineasta em Café da Manhã em Plutão, projeto repleto de bons atores em pequenas participações e uma parte técnica e artística de primeira, porém, desta vez as premiações e críticos não foram muito generosos com o diretor. O filme praticamente passou em brancas nuvens em quase todo o mundo, mas merece um voto de confiança. Baseado em um livro de Patrick McCabe, aqui a figura escolhida para protagonizar a trama é um jovem travesti em busca de suas raízes durante a década de 1970, momento em que liberação e repressão se fundiam em um mundo conturbado, ou seja, um cenário não muito diferente do que o mundo é hoje. Em 1997, Jordan já havia adaptado outro livro do autor e conquistou o Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim por Nó na Garganta.  

segunda-feira, 19 de março de 2012

TÁ TODO MUNDO LOUCO!

NOTA 9,0

Apostando em piadas
esdrúxulas e outras muito
inteligentes, longa resgata
humor típico dos anos 80
Whoopi Goldberg, Cuba Gooding Jr, John Cleese, o eterno Mister. Bean, o ator Rowan Atkinson, e mais um punhado de artistas que você não sabe o nome, mas tem certeza de que já os viu em diversas comédias. Imaginem todos eles juntos em um mesmo filme. Seria o circo dos horrores?  Para muitos sim, mas não há como negar que Tá Todo Mundo Louco! provoca boas gargalhadas. Assumidamente uma comédia do tipo besteirol, a julgar pelos créditos iniciais com o manjado truque de bonequinhos animados para apresentar o elenco, prestando bem atenção podemos encontrar piadas inteligentes jogadas em meio a amalucada narrativa sobre uma excêntrica gincana. Um grupo de bilionários liderados por Donald Sinclair (Cleese), que adora jogatinas e apostas, resolve inventar um novo jogo, uma espécie de reality show. Eles escolhem aleatoriamente algumas pessoas que se hospedaram em um hotel-cassino, como Owen (Gooding Jr.), Vera (Whoopi) e Enrico (Atkinson), e propõem a elas um caça ao tesouro. A vários quilômetros do hotel, no Novo México, está escondida uma grande quantia de dinheiro em uma estação do metrô e ela será dada a quem chegar ao local primeiro. Assim os escolhidos, junto com amigos ou familiares, partem em uma louca disputa, cada grupo seguindo um caminho diferente, mas enfrentando situações igualmente bizarras. Enquanto isso, os ricaços se divertem acompanhando o trajeto de cada um através dos chips que colocaram nas chaves que foram dadas aos participantes. A partir do sinal da largada, tudo pode acontecer e entram em cena todos os tipos de piadas. Escatológicas, surreais, inteligentes, sarcásticas e inocentes. Desde o duplo sentido da introdução mostrando um rapaz sendo cobrado em voz alta por ter pedido filmes adultos no hotel, deixando no ar se ele realmente os pediu ou era uma cobrança abusiva, até um personagem que de uma hora para a outro começa a dormir, a única certeza é que as pessoas de todas as idades irão se deparar com um farto cardápio de humor.  

domingo, 18 de março de 2012

YES

Nota 8,0 Premissa convencional ganha fôlego com enredo reflexivo sobre rejeição

Embora o cinema independente tenha conquistado público e espaço consideráveis nos últimos anos, ainda existem centenas ou talvez milhares de títulos espalhados por todo o mundo que ainda são desconhecidos e nem mesmo o público cativo desse tipo de produção as vezes toma conhecimento de certas obras. É raro, por exemplo, alguém conseguir encontrar o filme Yes, inédito nos cinemas brasileiros e lançado em DVD sem publicidades, mas se você tiver a sorte de achá-lo e for apreciador de obras reflexivas não pense duas vezes. Dirigido e escrito pela inglesa Sally Potter, que ficou conhecida na década de 1990 por Orlando, este longa aparentemente pode ser apenas mais uma variação do tema triângulo amoroso, mas a trama segue caminhos bem mais profundos. She (Joan Allen) e Anthony (Sam Neil) são duas pessoas muito bem sucedidas na vida profissional, mas na pessoal são fracassados. Há anos eles vivem uma relação desgastante e estão vivendo um casamento de fachada. O que antes era a união de duas pessoas em busca de um relacionamento aberto e sem segredos, acabou se tornando uma relação metódica, melancólica e extremamente fria. Ambos escondem alguns atos e vontades e a comunicação entre eles basicamente é feita através de recados escritos em papel e o contato pessoal é o mínimo possível. Sentindo-se rejeitada, She acaba traindo o marido ao aceitar os galanteios de He (Simon Abkarian), um libanês exilado em Londres. Esta relação extraconjugal acaba se tornando cada vez mais sólida, mas não forte o suficiente para vencer barreiras ideológicas e preconceituosas. O roteiro não coloca em xeque apenas a insatisfação de um casal com o rumo que suas vidas tomaram, mas também é questionada a soberania da cultura americana e o receio quanto a outros povos, principalmente os de origem árabe, embora a cineasta fuja do clichê de tocar na questão do fatídico episódio de 11 de setembro de 2001 para apresentar o pulo do gato de sua história.

sábado, 17 de março de 2012

A FLORESTA

Nota 1,5 Embora recicle diversos clichês do gênero, suspense não empolga em momento algum

Porque cargas d’água alguns pais achariam conveniente colocar suas filhas adolescentes para estudarem num internato só para garotas instalado em meio a uma floresta e a quilômetros da civilização? Achar sarna para se coçar é a melhor resposta. Quando alguém busca a escola ideal geralmente procura o máximo de informações possíveis sobre a instituição e sua localização e o ambiente que a cerca são fatores importantes para fazer a melhor escolha. Só por esse deslize já dá para ficar com o pé atrás com A Floresta que deixa claro em alguns poucos minutos de exibição que compromisso com a realidade é o de menos, o importante é assustar o espectador mesmo recorrendo a elementos batidos no gênero de suspense e terror como uma misteriosa floresta e boatos que envolvem bruxarias para contar uma história que aparentemente pretende causar arrepios à moda antiga. O início até que promete, mas aos poucos o enredo desanda. As ações ocorrem provavelmente em meados da década de 1960 em Falburn, um renomado colégio só para meninas localizado próximo de uma floresta e que agora é o novo endereço de estudo e moradia da jovem Heather Fasulo (Agnes Bruckner). Seus pais, Alice (Emma Campbell) e Joe (Bruce Campbell), a deixaram lá com o intuito de darem uma boa educação para a filha, mas nem imaginavam o que poderia acontecer. Heather logo percebe que nada naquele colégio lembra sua boa fama, a começar pela diretora, a senhorita Traverse (Patricia Clarkson), e sua equipe. A menina percebe que é tratada de forma diferente e sua adaptação é difícil. Ela faz amizade com Marcy (Lauren Birkell), mas precisa manter a calma para aguentar as provocações da maldosa Samantha (Rachel Nichols). Porém, nada é tão torturante para ela quanto as vozes que escuta e que parecem querer atrai-lá para a floresta. Uma história macabra sobre o passado do local envolvendo garotas e bruxas pode ser o segredo por trás desses estranhos chamados. Premissa batida demais? Pois é, até os seus realizadores devem ter concluído que o longa não tinha poder de fogo para brigar por bilheterias e o lançou diretamente em DVD nos EUA e o mesmo aconteceu no Brasil e em outros países.

sexta-feira, 16 de março de 2012

AS FÉRIAS DA MINHA VIDA

NOTA 6,5

Flertando com a comédia e
o drama, longa é previsível,
embora seu roteiro seja
um pouco acima da média
Quando um ator marca em um determinado gênero de filme ou tipo de papel, parece que ele está com a carreira amarrada para sempre. Ou se dedica a fazer o mesmo de sempre ou então aceita o ostracismo eminente. Quando tentam fazer algo diferenciado o público também não dá um voto de confiança e a crítica colabora para espalhar o preconceito. Queen Latifah, embora tenha ganhado destaque mundial ao ser indicada ao Oscar de coadjuvante por seu trabalho no musical Chicago, continua com uma imagem estigmatizada que a atrapalha. Suas formas roliças, por ser negra, cantora com ênfase no estilo black music, por mostrar predileção pelas comédias, enfim ela reúne muitas características que acabaram a enclausurando em um perfil único. Ela seria uma espécie de Whoppi Goldberg dos novos tempos. Ambas já trabalharam em diversos dramas, mas a imagem de humorista as persegue. Talvez para tentar variar e ao mesmo tempo não assustar o público, Queen tenha aceitado protagonizar As Férias da Minha Vida, projeto tragicômico que não fez sucesso ao ser lançado, mas com o tempo caiu no gosto popular, principalmente aos adeptos de filmes que trazem mensagens positivas e de estímulo.  Nesta história a atriz vive a personagem Georgia Byrd, uma simples e tímida vendedora que gozava de uma vida com poucos momentos memoráveis, procurou sempre fazer o melhor para agradar aos outros e nunca conseguiu viver um grande amor. Sua rotina muda completamente quando ela é encontrada desmaiada e levada ao médico. Diagnosticada com uma doença terminal que pode matá-la em poucas semanas, ela então decide jogar tudo para o alto e aproveitar ao máximo o tempo que lhe resta neste mundo. Claro que por se tratar de um trabalho humorístico o final já é previsível. Seria uma atrocidade sem tamanho matar a protagonista se o objetivo maior é fazer o espectador dar risadas. Bem, o lado cômico não é o forte deste produto, mas algumas sequências inspiradas são oferecidas a partir do momento em que a protagonista resolve recuperar o tempo perdido e se hospeda em um hotel europeu de luxo para relaxar e se divertir. Nem os funcionários e hóspedes conseguem se manter na normalidade com a chegada dela. A moral da trama é bem clara: viva intensamente cada minuto como se fosse o último. Pelo menos até quase o final ficamos livres de frases-clichês do tipo. O sentido delas é traduzido em imagens. 

quinta-feira, 15 de março de 2012

ESPOSA DE MENTIRINHA

NOTA 7,0

Jennifer Aniston e Adam
Sandler se unem em
comédia em que mais uma
vez repetem papéis
Falta de opção ou puro comodismo? O que ainda prende Adam Sandler e Jennifer Aniston às comédias bobinhas e sempre repetindo o mesmo papel? Ambos já estão na estrada há um bom tempo e construíram suas carreiras pautados pelo humor e raramente experimentaram algum outro gênero. Tudo bem, até pouco tempo atrás eles conseguiam convencer em papéis repetitivos em histórias idem, mas o tempo passa e hoje as coisas já não são bem assim. Os dois já não estão se adaptando muito bem a personagens que aparentam ter menos idade que seus intérpretes. O que vemos em cena são dois adultos de corpo com mentalidade e atitudes de adolescentes acéfalos. Bem essa é a forma crítica de enxergar os dois astros atualmente, mas analisando com os olhos de espectador de fim de semana e compreendendo que a comédia Esposa de Mentirinha é declaradamente debochada, ai até que as caricaturas que eles representam funcionam, embora se torne chato sabermos o que vamos encontrar em um filme estrelado por eles cujo roteiro também não podemos esperar nada de inovador. Desta vez Sandler interpreta Danny Maccabee, um cirurgião plástico com seus trinta e poucos anos que adora paquerar (que novidade!) e que costuma usar a desculpa de ser casado para se livrar das moças logo depois que passa a noite com elas. A tática vai por água abaixo quando ele finalmente descobre a mulher certa para ser sua esposa, a bela Palmer (Brooklyn Decker). O rapaz então diz que está em meio a um divórcio e consegue engatar um namoro, mas ela faz questão de conhecer a ex-mulher de seu pretendente. Danny então recorre a sua eficiente assistente Katherine (Jennifer) para que ela faça tal papel, mas ela acaba incorporando demais o personagem e até coloca seus filhos, Maggie (Bailee Madison) e Michael (Griffin Gluck), no meio da história, estes que aproveitam as chantagens e trocas de favores para exigirem do médico uma viagem para o Havaí. Em um paraíso tropical onde o clima de romance poderia reinar, o que se encontra são confusões e disputas, principalmente por causa da presença de Devlin Adams (Nicole Kidman), ex-amiga de Katherine que faz de tudo para se mostrar superior.

quarta-feira, 14 de março de 2012

MATILDA

NOTA 9,0

Produção infantil também
consegue agradar aos
adultos com trama com
boas lições e críticas
As crianças prodígios já foram temas de diversos filmes destinados a divertir toda a família, mas é uma pena que na maioria das vezes elas sejam retratadas de forma estereotipadas que acabam tornando-as chatinhas e pouco críveis. Foi preciso o olhar anárquico de Danny DeVito para ganharmos um novo e simpático modelo de menor super inteligente no cinema. Conhecido por suas atuações cômicas e geralmente secundárias, o baixinho com cara de palerma se dá muito bem atrás das câmeras unindo humor inocente ao negro e ainda adicionando em seus trabalhos generosas doses de sarcasmo e crítica à sociedade, embora as pessoas comumente se refiram apenas ao longa A Guerra dos Roses como um bom trabalho de direção do ator. É preciso dar um voto de confiança e reavaliar seu desempenho segurando as rédeas de Matilda, um verdadeiro clássico da "Sessão da Tarde" que diverte e traz ensinamentos para crianças e adultos.  A garota do título é interpretada com vigor e graciosidade pela talentosa Mara Wilson, literalmente uma criança prodígio. Desde muito novinha ela já atuava no cinema, tendo participado de filmes como Uma Babá Quase Perfeita e de uma refilmagem do clássico natalino Milagre na Rua 34, e era apontada como uma das grandes promessas de Hollywood, mas não foi o que aconteceu, embora ela ainda se dedique as artes dramáticas em projetos teatrais. Ela acabou virando um símbolo de nostalgia para muita gente e vivendo a menina esperta e com dons especiais desta produção infantil chegou ao ápice de sua carreira. Matilda é uma criança brilhante que ainda bebê já demonstrava uma inteligência acima da média, ainda mais considerando os pais que tem. Zinnia (Rhea Perlman) é uma deslumbrada dona de casa que só pensa em futilidades. Já seu pai Harry (DeVito) é um vendedor de carros que na realidade é um adepto dos trambiques para lucrar alguns trocados a mais. O casal é realmente perfeito. Combinam tanto nos hábitos rudimentares quanto na ignorância, características que também foram passadas ao primogênito. Com uma família dessas nem parece que Matilda faz parte do clã e é exatamente assim que ela se sente, passando a maior parte do tempo sozinha, ou melhor, na companhia dos livros. 

terça-feira, 13 de março de 2012

TUDO ACONTECE EM ELIZABETHTOWN

NOTA 6,0

Demasiadamente longo e
com uma mistura irregular
de gêneros e referências,
esta obra divide opiniões
O tempo é o senhor da razão e para o cinema ele age da mesma forma. O que era um sucesso estrondoso quando lançado pode se tornar algo totalmente esquecível no futuro ou pode ocorrer o contrário, assim o que passou em brancas nuvens ou foi criticado negativamente pode se tornar o filme cult de amanhã. Para termos esses resultados podemos ser influenciados por inúmeros fatores como pouca experiência de vida para compreender um enredo, ser convencidos por críticas que lemos em jornais, revistas, internet ou que recebemos de amigos e parentes e até a adoração exagerada por algum artista ou diretor pode apontar qual caminho seguiremos na hora de formar uma opinião. O que é certo é que dificilmente em qualquer assunto em discussão é possível se chegar a um pensamento unânime, apenas é possível argumentar o máximo possível para defender uma idéia e deixar as outras pessoas tirarem suas próprias conclusões. Seguindo essa linha de pensamento podemos concluir que Tudo Acontece em Elizabethtown é um título excelente para suscitar discussões do tipo. Quando lançado não fez sucesso e foi malhado pela crítica, mas é comum passado alguns anos encontrar comentários na internet defensores a este trabalho do diretor Cameron Crowe, elogiado pela crítica e público por filmes como Jerry Maguire – A Grande Virada e Quase Famosos. Bem, nesta mistura de romance, drama e comédia que se desenrola em uma pequena cidade americana de caráter tradicional e interiorano é difícil entender como alguns apontam a obra como redondinha, jargão utilizado para denominar algo perfeito. Antes de qualquer coisa vamos à trama.  Drew Baylor (Orlando Bloom) está vivendo uma fase de inferno astral. Perdeu o emprego, foi abandonado pela namorada e está sem saber o que fazer da vida. Prestes a cometer suicídio ele recebe a notícia de que seu pai morreu o que o obriga a voltar à pequena Elizabethtown para o velório e assim confrontar memórias do passado de sua família e até mesmo conhecer parentes que não fazia a menor idéia que existiam. No caminho, mais especificamente dentro do avião, ele faz amizade com a aeromoça Claire (Kirsten Dunst), que pouco a pouco passa a se aproximar do jovem entre uma viagem e outra e tenta ajudá-lo a reorganizar sua vida. Resumidamente, essa é a sinopse e renderia um bom filme de uma hora e meia no máximo, mas o problema é que o desenrolar da trama ora é lento e ora é agitado, tem excesso de personagens secundários e uma duração de duas horas aproximadamente. O resultado é irregular e nem todo mundo deve se sentir satisfeito ao subir na tela os créditos finais. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

UM AMOR JOVEM

NOTA 7,0

O ator Ethan Hawke prova
que tem talento para a
direção e escrita em drama
sobre amor da juventude
O mercado cinematográfico no mundo todo parece ter um pouco de medo em investir em produções cujos idealizadores sejam atores. Kevin Costner e Mel Gibson tiveram sorte e chegaram a conquistar os Oscars de Melhor Filme e Melhor Diretor, mas da mesma forma rápida que chegaram ao ápice em uma profissão que não era a principal deles, também chegaram ao fundo do poço. O autoritarismo e a megalomania de ambos atrás das câmeras, o que gera muitos conflitos de bastidores, certamente influenciam no medo que grandes empresas têm de se envolverem na produção de filmes escritos e/ou dirigidos por atores. Fora estes casos atípicos, são vários os intérpretes que já assumiram as rédeas do roteiro e da câmera e que tiveram seus trabalhos exibidos de forma modesta ou praticamente nula. Uma pena. Geralmente esses filmes são bastante interessantes e mereciam um pouco mais de atenção. A situação é ainda pior quando o ator que pretende testar outras áreas não tem seu talento reconhecido à frente das câmeras como é o caso de Ethan Hawke. Considerado um intérprete de talento limitado, seus únicos trabalhos de grande repercussão são Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol, ambos estrelados e roteirizados por ele próprio em parceria com a atriz Julie Delpy. Será mesmo que ele é um nome qualquer no mundo do cinema? Não é o que ele prova com Um Amor Jovem, drama repleto de elementos autobiográficos o qual ele dirigiu, roteirizou e ainda assumiu um papel pequeno na trama, mas de grande importância para a história do protagonista. Adaptado do livro “The Hottest State” publicado pelo próprio Hawke em 1997, o longa é um daqueles títulos praticamente desconhecidos e que você fica com um pé atrás, mas que pode te surpreender e garantir uma boa sessão de cinema. Pena que a obra teve pouquíssima repercussão em sua terra natal e no Brasil seu lançamento foi feito por uma empresa modesta e especializada em filmes alternativos e participantes de festivais, assim só mesmo chamando a atenção dos ratos de locadora que adoram garimpar tesouros e novidades entre as prateleiras.

domingo, 11 de março de 2012

ATRAÇÃO IRRESISTÍVEL

Nota 6,0 Romance água com açúcar é prejudicado por excesso de personagens e subtramas

Existem alguns filmes que quando não saem lá grande coisa acabam caindo no ostracismo automaticamente depois de prontos, pois nem seus produtores confiam no potencial do que criaram e preferem perder dinheiro a se exporem às críticas negativas. Atração Irresistível foi filmado no início de 1997 e só estreou em circuito comercial no final do ano seguinte e apenas na Austrália. No Brasil, foi muito mal lançado em DVD em 2001, mas perto de tanto lixo que semanalmente vai parar em tela grande ou nas prateleiras de locadoras, até que esta mistura de comédia, romance e drama não passa tanta vergonha nas comparações. Existem similares bem piores, apesar do início bizarro com um pai ensinando o filho pequeno a fazer um parto não indicar um futuro promissor à fita. Após perder o emprego e a namorada, Danny (Jude Law), um restaurador de mosaicos, volta para uma pequena cidade londrina onde viveu no passado. Lá ele vai morar em uma pensão cujos donos também têm uma padaria para qual ele irá realizar entregas para ganhar alguns trocados. Em um desses trabalhos ele se perde e vai pedir auxílio em uma residência que ele repara bem e descobre que já esteve naquele lugar. Atendido por Anna (Gretchen Moll), o rapaz relembra que quando era criança ajudou o seu pai a realizar o parto da jovem e que naquele exato momento ele havia dito profeticamente que um dia iria se casar com a menina. O destino deu uma mãozinha e o aproximou do momento de cumprir sua promessa, porém, ela já está noiva de Eric (Jon Tenney), mas isso não impede que Danny se aproxime do cotidiano da família da jovem e todos respeitam e gostam muito dele. Por fim, ele acaba conquistando o amor da moça a partir do momento em que ela se dá conta da maneira carinhosa que ele lida e encoraja Nina (Jennifer Tilly), a irmã deficiente visual de Anna.

sábado, 10 de março de 2012

O INVISÍVEL

Nota 4,0 Flertando com o espiritismo, longa tem premissa interessante, mas é previsível

Filmes que abordam temas ligados ao espiritismo, como vida após a morte ou a possibilidade de ainda vivenciar o mundo real quando aparentemente a alma já está desvencilhada do corpo, chamam a atenção e já tem público cativo. Nos anos 2000, parece que a onda de longas espíritas pegou o mundo todo, principalmente depois que o suspense O Sexto Sentido aliou com perfeição sustos com mensagens que os interessados na área tanto buscavam. Tal obra reascendeu a procura por produtos do tipo, mas nem tudo que surgiu em seguida conseguiu resultados tão bons. O mesmo produtor que fez o mundo roer as unhas até o último minuto com a história do garoto que podia se comunicar com os mortos não repetiu o feito com O Invisível, suspense com pegada espírita, mas que está longe de ser um estudo profundo do assunto, parecendo mais uma introdução a esse universo para adolescentes. Nick Powell (Justin Chatwin), é um aspirante a escritor que promete trilhar um caminho profissional brilhante e se destaca no colégio com suas redações. Porém, sua vida é inesperadamente interrompida quando é brutalmente atacado numa noite e abandonado praticamente sem vida em um local afastado da cidade onde mora. No dia seguinte, o jovem está de volta à sala de aula, mas estranha o comportamento dos colegas e da professora que parecem ignorá-lo. O mesmo acontece quando chega em casa e ele encontra sua mãe, Diane (Marcia Gay Harden) que também parece não enxergá-lo. Pouco a pouco ele descobre que está preso entre o mundo dos vivos e dos mortos e que a única pessoa que pode entrar em contato com ele é Annie (Margarita Levieva), mas ela mesma pode estar envolvida com os fatos que levaram Powell a esta situação.

sexta-feira, 9 de março de 2012

AMIGOS, AMIGOS, MULHERES À PARTE

NOTA 4,5

Comédia se apóia em
humor de gosto duvidoso
e elenco atua de forma
pouco convincente
Comédias românticas são sempre a mesma coisa. Um casalzinho simpático passa o tempo todo se engalfinhando ou lutando contra as adversidades para no final ser feliz. O destino pode colocar alguns obstáculos no caminho dos amantes ou algum parente ou amigo invejoso faz o papel do diabinho na história. Para completar os coadjuvantes roubam a cena com seus tipos estereotipados como o homossexual bom amigo ou uma garota desengonçada que acaba se dando bem na conclusão. Muita gente reclama dessa fórmula básica que sofre pequenas modificações em dezenas de produções do gênero que são lançadas anualmente, mas no fundo são todas iguais e com final anunciado antes mesmo de assistirmos um minuto sequer e ainda assim elas têm seu público fiel. As vezes é melhor que as coisas fiquem assim mesmo, pois mudanças muito drásticas tendem a render filmes extremamente irregulares como é o caso de Amigos, Amigos, Mulheres à Parte, um produto que passa longe de ser considerado romântico e investe em um humor anárquico e quase sempre vexatório. Porém, não se pode negar que engraçado ele é, isso se você assistir com o botão de bom senso do seu cérebro e o do controle de emoção do seu coração desativados, pois aqui você não aprenderá nada e muito menos conseguirá se emocionar com um triângulo amoroso tão desajustado e libertino. O longa começa nos apresentando a Tank (Dane Cook), um rapaz metido a garanhão que adora sair a cada dia com uma garota diferente e consegue encontros facilmente. Sua tática é conquistar a confiança da jovem, se divertir ao máximo com ela e no final da noite fazer com que a própria o dispense. Para tanto, ele passa a utilizar palavras de baixo calão, fazer críticas ofensivas à companheira, soltar frases sem noção e comprometedoras e até mesmo colocar para tocar no carro uma música para deixar qualquer moça decente com vontade de se enterrar no chão. Descobrindo que a embalagem não corresponde ao conteúdo, as moças reavaliam suas decisões e resolvem voltar para seus antigos namorados.

quinta-feira, 8 de março de 2012

SEMPRE AO SEU LADO

NOTA 9,0

Baseado em um conto
oriental, longa é cercado
de diversos cuidados e
clichês para emocionar
O ditado popular “o cão é o melhor amigo do homem” já foi a fonte de inspiração de dezenas de comédias e dramas ao longo da história do cinema, mas nos últimos anos a participação dos cachorrinhos se restringiu a produções menores e que geralmente eram destinadas ao público infantil e lançadas diretamente no mercado de locação e vendas ao consumidor, muitas delas inclusive eram telefilmes e hoje recheiam as sessões da tarde da TV. Porém, após o extrondoso sucesso de Marley e Eu que lotou as salas de exibição com crianças, adultos e idosos que riram e se emocionaram com a relação de amor e confiança entre um humano e um bichinho de estimação muito sapeca, parece que os produtores acharam um novo filão para explorar. Um animal não precisa necessariamente falar ou ser emperequetado com roupas e acessórios para fazer graça e assim conseguir sucesso, pelo contrário, tal esterótipo só serve para entreter as crianças bem pequenas. Tratar os cachorros em cena com dignidade e naturalidade é o bastante para chamar a atenção dos espectadores infantis e consequentemente de seus pais, irmãos e avós. Seguindo essa linha de pensamento o diretor Lasse Hallström, especialista em lidar com emoções, investiu seu talento em Sempre ao Seu Lado, mais uma singela história de amor e lealdade entre um cão e seu dono. Lançado pouco tempo depois que o simpático Marley ganhou as telonas, este trabalho que segue a mesma cartilha não obteve o mesmo sucesso, embora para muitos já tenha se tornado um novo clássico para de tempos em tempos ser revisto com toda a família. É até fácil identificar o porquê da recepção morna. Faltou um pouco de humor à narrativa, o que fatalmente afasta as crianças e logo seus familiares que as acompanham. O boca-a-boca de “é chato” ou “é  muito triste” pode ter colaborado para as fracas bilheterias em quase todo o mundo.

quarta-feira, 7 de março de 2012

MEDO EM CHERRY FALLS

NOTA 3,0

Diretor tentou dar uma
injeção de ânimo à velha
idéia do serial killer, mas
no fim fez mais do mesmo
A notícia que corre a cidade rapidamente é de que um assassino está matando adolescentes virgens com requintes de crueldade, sejam eles homens ou mulheres, não importa, pois o que ele quer mesmo é o prazer de estirpar corpinhos ainda em desenvolvimento. Uma notícia dessas pode assustar, mas repense nela da forma que foi trabalhada no roteiro de Medo em Cherry Falls. Na pequena cidade do título, um psicótico assassino passa a atacar jovens virgens de uma importante escola local e sempre deixando uma marca registrada em cada vítima. As investigações dos assassinatos ficam a cargo do xerife Brent Marken (Michael Biehn), mas sua filha Jody (Brittany Murphy), que continua pura, resolve iniciar sua própria investigação a fim de encontrar e capturar o assassino. Enquanto isso, o namorado da jovem, Kenny (Gabriel Mann), se entusiasma com a idéia que outros estudantes tiveram de planejar uma grande festa onde todos terão a chance de perderem a virgindade e, assim, se verem livres do risco de serem as próximas vítimas do maluco que assola a cidade. Pode parecer o enredo de uma comédia adolescente e realmente cairia como uma luva para uma produção no estilo paródia de filmes de terror, e olha que poderia fazer muito sucesso, mas o australiano Geoffrey Wright, que conseguiu certa repercussão com o longa Skinheads – A Força Branca, não estava para brincadeiras. O diretor tinha a pretensão de fazer um sanguinolento filme sobre serial killer que só teria a premissa de produções-primas como Pânico ou Lenda Urbana, mas o conteúdo seria bem mais forte e picante. Porém, o resultado acabou sendo um trabalho tão rasteiro quanto tantos outros que investem na linha do assassino mascarado que sente prazer em dilacerar corpos de jovenzinhos que só pensam naquilo. Se em 2000 esse tipo de produção já estava batido hoje então nem se fala.

terça-feira, 6 de março de 2012

DE REPENTE 30

NOTA 8,5

Comédia exala nostalgia do
início ao fim e parece ter
sido encomendada para se
tornar clássico adolescente
Quem nunca imaginou quando era criança crescer rapidamente para poder fazer tudo o que quisesse sem ter que dar satisfações para os outros? Tal fantasia era um tema recorrente nas produções infanto-juvenis da década de 1980 e são essas memórias que provavelmente inspiraram o diretor Gary Winick a assumir as rédeas de De Repente 30, uma deliciosa comédia contemporânea, mas com um ar irresistivelmente nostálgico. O enredo gira em torno de uma pré-adolescente não muito popular no colégio que em um piscar de olhos se transforma em uma linda mulher. No dia do seu aniversário, com a ajuda de um pouco de um pó mágico, Jenna Rink (Jennifer Garner) pula da noite para o dia dos 13 para os 30 anos de idade e se transforma em uma mulher maravilhosa do jeito que sempre sonhou. Linda, com um cotidiano profissional agitado e muitos amigos novos, a vida desta jovem editora de uma popular revista feminina poderia ser a melhor possível, mas aos poucos ela se desanima. Nem tudo são flores. Ela mora sozinha, é muito namoradeira e interesseira, se afastou da família há anos e descobre que perdeu a amizade de Matt (Mark Ruffalo), seu melhor amigo nos tempos da escola. O pior é que ela não se lembra de nada que tenha feito para chegar ao que ela é hoje, uma pessoa ambiciosa e sem escrúpulos. A mágica que fez com que ela pulasse importantes partes da sua vida a impediu de vivenciar momentos que seriam cruciais para determinar seu caráter e personalidade futuros, mas o destino vai dar uma mãozinha para que ela tenha uma chance para consertar tudo que fez de mal em seu passado desconhecido. Ela consegue reencontrar Matt e está disposta a reverter seus erros e compreender melhor sua situação no presente para voltar a ser a mesma Jenna de dezessete anos atrás.
 

segunda-feira, 5 de março de 2012

A PREMONIÇÃO

NOTA 6,5

Maçãs, crianças e um cara
suspeito povoam os
pesadelos de uma mulher
em suspense irregular
Apesar de poucas pessoas assistirem aos comentários dos diretores contidos nos DVDs e a maioria nem mesmo oferecer tal bônus, para o lançamento de alguns filmes deveria ser uma exigência obrigatória as explicações de seu criador cena por cena e este seria o caso de A Premonição, um thriller psicológico que se apóia em um elenco de peso, clima sombrio, passagens interessantes, mas também várias sequências mal encaixadas ou que deixam o espectador com uma eterna incógnita. Partindo da idéia de que um assassino está seqüestrando meninas e uma mulher consegue prever esses acontecimentos, o roteiro trabalha bastante com temas que envolvem perturbações da mente, mas não consegue fugir dos chavões do gênero. Tudo começa quando a escritora e ilustradora de livros infantis Claire Cooper (Annette Bening) passa a ser atormentada por sonhos premonitórios que parecem ter algo a ver com uma onda de assassinatos de meninas e sempre existem maçãs pontuando estes delírios. Quando sua filha Rebecca (Katie Sagona) desaparece, ela descobre estar psiquicamente ligada ao possível responsável pelos crimes que andam ocorrendo na região. As suas perturbações chegam a um nível insuportável que obriga seu marido Paul (Aidan Quinn) a procurar ajuda médica para ela. Internada com um quadro de surtos psicológicos, nem mesmo seu médico, o Dr. Silverman (Stephen Rea), acredita nos pesadelos que a paciente relata, mas quando resolve mudar de idéia já é tarde demais. No próprio hospital novas pistas surgem e Claire finalmente consegue se aproximar de Vivian Thompson (Robert Downey Jr.), o misterioso homem dos seus sonhos.

domingo, 4 de março de 2012

IRMÃOS

Nota 8,0 Drama convida espectador para uma dolorosa jornada de reflexão sobre a vida

Este título é reservado para uma seleta platéia sem dúvidas. Produção francesa, narrativa lenta, poucos diálogos e discussões sobre doença e homossexualismo compõem o cenário deste sensível e reflexivo longa premiado no Festival de Berlim com direção e roteiro de Patrice Chéreau, o mesmo do até hoje muito comentado Rainha Margot. Falar que Irmãos é um drama para poucos não é um sinal de desprezo, mas sim de exaltação das suas qualidades. O espectador é convidado a viver cada momento doloroso junto com os protagonistas e acaba também refletindo sobre sua própria vida graças a mão firme do cineasta que usa sua câmera ora de modo documental ora flertando com o estilo amador com a lente muito próxima ao rosto dos atores para captar detalhes das reações, criando assim um laço afetivo entre os personagens e o público. A trama se passa em meados da década de 1980 quando Thomas (Bruno Todeschini), ao descobrir que possui uma rara doença sanguínea, não procura auxílio dos pais, mas decide pedir ajuda ao seu irmão mais novo, Luc (Eric Caravaca), com quem não falava há anos. O reencontro entre eles é cordial, sem rompantes de emoção, e o irmão pródigo resolve ajudar no que puder o familiar procurando deixar para trás ressentimentos do passado. Em meio a exames e diagnósticos nada animadores, parece mesmo que a tal doença não tem cura, apenas um controle que pode prolongar a vida do paciente. Porém, sem querer, Thomas leva as pessoas que estão em sua volta a refletirem sobre suas próprias existências e os caminhos que suas vidas seguiram. A sua morte iminente faz com que sua companheira Claire (Nathalie Boutefeu) reflita melhor se quer mesmo se relacionar com alguém que pode ter pouco tempo de vida e Luc se ainda quer investir no caso que tem com o jovem Vincent (Sylvain Jacques), motivo que pode ter afastado os irmãos.

sábado, 3 de março de 2012

BRINCANDO COM A MORTE

Nota 2,0 Parecendo que foi pinçado dos anos 80, longa de ação é vazio e com atuações sofríveis

Filmes de ação basicamente se equilibram entre a luta do Bem e do Mal, dos mocinhos e dos vilões, mas tal fórmula básica já foi usada e abusada a perder de vista. Os heróis que fazem jogo duplo, ou seja trabalham para os dois lados, então surgiram para dar um novo gás para a receita, mas logo também se tornaram obsoletos como prova Brincando com a Morte que parece reunir todas as características necessárias para afirmarmos que foi produzido com anos de atraso, mas parece que os filmes B nunca saem de moda, ou melhor, tem sempre algum produtor louco para jogar dinheiro fora bancando projetos que desde a premissa já tem atrelado a palavra fracasso. A trama escrita por Mark Haskell Smith parece criada para servir de publicidade ao ator David Duchovny que já fazia sucesso na TV com a cultuada série “Arquivo X”. Ele dá vida a Eugene Sands, um médico-cirurgião que apesar do vício em drogas sempre procurou levar a profissão a sério. Sua desgraça foi justamente se dedicar demais ao trabalho. Após muitas horas de plantão, certa vez ele precisou operar uma paciente que acabou falecendo, assim sendo acusado de erro médico por estar sob efeito de substâncias alucinógenas e perdendo sua licença para atuar na área. Contudo, ele terá a chance de voltar à ativa, porém, literalmente de forma ilegal. Alguns meses após seu afastamento do trabalho, Sands salva a vida de um desconhecido que foi baleado em um barzinho. No dia seguinte ele é procurado por Raymond Blossom (Timothy Hutton), um contrabandista de bens de consumo que ficou sabendo de seu feito e lhe oferece dinheiro e drogas caso aceite uma proposta. Ele deve operar Vlad (Peter Stormare), um de seus comparsas que está gravemente ferido, mas que obviamente não pode ir a um hospital para que a polícia não seja envolvida no caso e desmantele a quadrilha. Bondade no mundo dos vilões? Claro que não, tudo com segundas intenções. O ferido sabe onde está escondida uma valiosa mercadoria de contrabando e pressionado acaba revelando o segredo para depois ser assassinado friamente por Blossom.

sexta-feira, 2 de março de 2012

NAMORADOS PARA SEMPRE

NOTA 9,0

Com praticamente apenas
dois atores, drama mostra
 o nascimento e a morte de
um romance paralelamente
Muita gente se entusiasma a assistir a um filme apenas pelo título, mas isso é um tanto perigoso no Brasil. Dessa forma comprar gato por lebre é muito fácil. Provavelmente muita gente deve se decepcionar ou já se decepcionou ao constatar que Namorados Para Sempre está longe de ser uma história açucarada e com o tradicional felizes para sempre. O filme originalmente foi batizado com uma expressão que liga o dia dos namorados a tristeza ou algo assim. Bem, analisando o enredo até que a escolha do título nacional não é das piores e se encaixa à mensagem do longa. Para quem gosta de boas histórias e não tem receio de se sentir machucado ao término do filme, aqui temos uma boa opção, mas para quem busca acompanhar um romance belo e a la sonho de adolescente passe longe desta obra escrita e dirigida por Derek Cianfrance, fazendo sua estréia no cinema de ficção com o pé direito. Justamente por sua experiência com documentários, é nítido que neste drama ele não abandonou seu estilo. Quase todo o tempo sentimos a câmera, as vezes tremida, seguindo os atores e procurando gestos e olhares relevantes ou até mesmo detalhes que aparentemente não significam nada, mas quando praticamente só temos dois atores em cena até as respirações podem indicar algo. Porém, a pegada documental e a fórmula do casal que discute a relação relembrando seu passado para enxergar onde erraram não é uma novidade que possa ser creditada ao cineasta. Outros trabalhos de cinema já utilizaram a idéia com sutis variações, sendo os mais famosos Antes do Anoitecer e Antes do Pôr-do-Sol. A diferença é que Cianfrance movimenta sua obra adicionando rápidas passagens de outros personagens que foram ou são importantes na trajetória dos protagonistas, assim o espectador tem um respiro e não se sente dentro de um ambiente claustrofóbico participando de uma discussão, afinal se não fossem os flashbacks e algumas poucas cenas do presente do casal estaríamos condenados a passar quase duas horas sufocantes na companhia de um homem e uma mulher que alternam momentos de carinho, com outros de raiva e muitos de pura melancolia. 

quinta-feira, 1 de março de 2012

MATINÉE - UMA SESSÃO MUITO LOUCA

NOTA 8,0

Comédia homenageia os
filmes trashs e o espírito
nostálgico da obra ajuda a
cativar os espectadores
Quem nunca se divertiu algum dia na vida com um filme trash, aqueles cuja produção é precária e as interpretações amadoras ou canastronas, que atire a primeira pedra. Obras do tipo, por mais que hoje possam ser criticadas, certamente marcaram a infância ou a adolescência de muitas gerações, inclusive a turminha que se divertia em casa nos tempos áureos da “Sessão da Tarde”. Aparentemente tolos, é preciso ressaltar que trabalhos do tipo tiveram seu período de importância na História da sétima arte. Durante as décadas de 1950 e 1960, a população de todo o mundo respirava um pouco mais aliviada com o fim do pesadelo que foi a Segunda Guerra Mundial, embora alguns focos conflituosos ainda existiam em diversos países e a Guerra Fria já dava sinais de vida. Mesmo assim, a época parecia propícia para mudanças e assim muita coisa foi modificada no cotidiano de milhares de pessoas e os modismos americanos se espalharam por todos os cantos do mundo, incluindo o modelo de produções representantes de um cinema escapista que visava atender aos anseios de platéias que desejavam esquecer as tristezas e se divertir sem culpa alguma, afinal de contas não se sabia se no outro dia estaria vivo. Subgênero que há décadas faz sucesso, os populares trash movies antigamente eram os responsáveis por lotar salas de exibição com adolescentes querendo se assustar, dar risadas ou simplesmente ter uma desculpa para namorar. Eram os tempos da liberação feminina e da rebeldia dos jovens e um programinha que para os adultos poderia ser considerado maldito para os adolescentes era um respiro, a maneira que encontravam para extravasar a ansiedade e matar curiosidades. Apesar de parecerem super datadas, as produções B continuam vez ou outra dando as caras, principalmente no mercado de locação, onde ganhou sobrevida nas duas últimas décadas do século 20 com a popularização das fitas VHS. Mesmo hoje em dia, ainda há filmes trash pipocando por aí protagonizados por monstros nojentos, trazendo ao público situações bizarras ou com títulos e enredos engraçados, assim perpetuando a arte de fazer cinema com poucos recursos, simplesmente por amor ao ofício ou para fazer a alegria do público. É justamente este entusiasmo que sentimos na interpretação de John Goodman em Matinée – Uma Sessão Muito Louca, uma divertida comédia com apelo nostálgico. Ele dá vida a um excêntrico cineasta que, apesar de pensar muito nos lucros, deixa transparecer em suas falas e gestos a emoção de se fazer cinema e levar entretenimento a tantas pessoas.

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