quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

MULHERES PERFEITAS

NOTA 7,0

Antigo filme de suspense
ganha um remake
calcado no humor, mas a
idéia não é das melhores
É possível uma idéia que foi concebida para um gênero ser transformada para outro completamente oposto? Bem, um romance virar um drama ou vice-versa ou um policial ganhar doses de adrenalina e passar a ocupar uma vaga na categoria de ação dá certo, mas o que dizer de um suspense modificado para ser uma comédia? A tentativa do diretor Frank Oz mostra que não dá certo ou ao menos foi isso que os lucros de Mulheres Perfeitas acusaram. Muita gente torceu o nariz para a adaptação cômica do filme Esposas em Conflito, um suspense com toques futuristas datado da década de 1970. Como ele não passou nos cinemas brasileiros e foi muito mal lançado em DVD no embalo do remake, não há muito como fazer comparações, até porque o longa é uma raridade e pouca gente assistiu. O intuito da antiga obra literária era discutir como os homens estavam encarando as conquistas das mulheres em um período de grandes transformações e fazer uma reflexão sobre como uma ação para barrar esses avanços poderia acabar virando um pesadelo. Todavia, resta nos atermos a análise da produção estrelada por Nicole Kidman que não vai a fundo na discussão original. A premissa básica da história homônima do livro de Ira Levin, o mesmo que escreveu O Bebê de Rosemary, foi mantida, mas muitos elementos foram adicionados para deixar o projeto mais comercial e provocar um humor bem no estilo sessão da tarde, cheio de piadas visuais e personagens estereotipados. A mulher de negócios mostra sua determinação nas roupas e no estilo do cabelo. Seu marido é tão submisso que até suas vestimentas ajudam o próprio a se diminuir. Temos um casal que a mulher rebelde usa roupas escuras e é desbocada enquanto seu companheiro transparece seu espírito bonachão através de camisas coloridas, embora sua cara já seja o bastante para tanto. Ah, e obviamente não falta um gay para trocar idéias sobre decoração e moda que acaba provocando risos involuntariamente com suas falas bem divertidas. 
 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

LISBELA E O PRISIONEIRO

NOTA 9,0

Comédia reúne elementos
típicos da TV, do teatro e
do cinema americano para
um conto brasileiríssimo
Há quem detesta e condena a idéia de que o cinema nacional para fazer sucesso precisa ter sua imagem atrelada à televisão ou no mínimo alguns elementos de fácil identificação pelas platéias populares, o que nos remete automaticamente ao bom e velho televisor. Essa visão do mercado cinematográfico ainda continua, embora algumas produções longe desse modelo atinjam relativo sucesso, mas é no início da primeira década do século 21 que essa idéia criou raízes, muito graças ao empenho do cineasta Guel Arraes, um experiente diretor que fez e ainda faz diversos humorísticos e projetos especiais para a Rede Globo. Ele criou em 1999 e em 2000 duas microsséries para a emissora que pouco mais de um ano após suas exibições foram compiladas para se tornarem alguns dos maiores sucessos da história recente do nosso cinema. Após a boa aceitação dos longas O Auto da Compadecida e Caramuru – A Invenção do Brasil (tudo bem, este segundo não fez tanto barulho quanto o anterior), Arraes decidiu se manter em solo nordestino e emplacou mais uma grande história em uma pequena cidade do interior, mas desta vez um trabalho desenvolvido inteiramente com o foco de chegar primeiro às telas grandes. Lisbela e o Prisioneiro traz uma divertida narrativa que de certa forma faz uma homenagem ao cinema de antigamente, com direito a um toque especial narrativo, e ao mesmo tempo uma leve crítica ao modelo hollywoodiano de produção de filmes. O resultado é uma obra divertida, muito interessante e que evidenciou o quanto é importante o trabalho das equipes de fotografia e edição. Esses dois elementos colaboram e muito para dar o tom satírico dessa produção desde a primeira cena na qual a protagonista narra como é a estrutura clássica de um filme ao mesmo tempo em que seu discurso já interage com as imagens intertextuais presentes a partir dos créditos do elenco. De quebra, a trilha sonora escolhida a dedo e interpretada por grandes nomes da nossa música ajuda o espectador a compreender a personalidade de cada peça do enredo, evidenciando assim o espírito leve e sapeca do protagonista, o romantismo da sonhadora mocinha e o caráter duvidoso do vilão que não sente vergonha de acender uma vela e fazer uma oração para cada alma que manda para o céu ou para o inferno, como se buscasse o perdão pelos seus atos. 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A BELA E A FERA

NOTA 10,0

Clássico Disney sobrevive a
ação do tempo e mantém o
frescor, a emoção e a
magia da obra intactos
A Disney sempre foi uma fértil fábrica de desenhos animados, sejam eles produções para a TV, curtas ou longas metragens. Todas as animações do estúdio foram feitas com muito capricho, mas após a morte de seu fundador na década de 1960 a empresa entrou em declínio. Hoje as produções desse tempo são lembradas com orgulho, mas na época de seus lançamentos não trouxeram bons frutos, embora o período tenha sido marcado por produções com roteiros originais ou baseados em contos pouco conhecidos. O prestígio voltou a bater na porta do estúdio em 1989 com A Pequena Sereia e embalados pelo sucesso os criadores e animadores da casa adaptaram e modernizaram outro conto clássico para as telas em seu projeto seguinte. A Bela e a Fera só por sua história e visual já merecia lugar de destaque na história do cinema, mas a obra foi além e honrou o privilégio de ocupar a vaga de 30º longa de animação da Disney. Baseado no conto homônimo escrito por Jeanne-Marie Le Prince de Beaumont, a obra alia perfeitamente romance, drama, suspense, aventura e certa dose de ousadia, além de terem sido utilizadas técnicas de computação gráfica (hoje simplórias) aliadas ao desenho tradicional para criar cada fotograma desta história que não só conquista a atenção de crianças como de adultos também. Não é a toa que se tornou a primeira animação a ultrapassar a barreira dos cem milhões de dólares nas bilheterias mundiais e foi a única a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme até 2010, quando a Academia de Cinema ampliou o número de concorrentes permitindo que um desenho animado bem sucedido ocupasse uma vaga independente de também estar entre os concorrentes em sua categoria específica. Além disso, também foi o primeiro longa animado a receber o Globo de Ouro de Melhor Filme Musical ou Comédia e a ganhar o Annie Award.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

KATE E LEOPOLD

Nota 6,0 Carisma dos protagonistas ajuda a manter interesse por comédia romântica fantasiosa

Meg Ryan tem uma trajetória profissional mais ou menos como a de Julia Roberts. Seu terreno seguro é o gênero romântico e seus filmes já tem público cativo, talvez por isso elas tenham se tornado símbolo do cinema lucrativo da década de 1990, mas ambas hoje em dia já não estão no mesmo patamar de outrora. A diferença é que a loira de olhos claros não conseguiu transitar bem por outros estilos de filmes e acabou criando raízes em um mesmo, motivo que talvez explique o porquê de sua presença nas telas nos últimos anos ser quase nula. Chegam novas safras de atrizes para ocupar sua vaga e ela sofre com a escassez de bons papéis para mulheres maduras. Todavia, mesmo repetindo um personagem que ela praticamente passou a vida toda interpretando, em Kate e Leopold a balzaquiana prova mais uma vez que faz bem aquilo a que se propõe. Ela dá vida a Kate, uma bela e bem-sucedida executiva do mundo da publicidade que vive brigando com seu ex-namorado Stuart (Liev Schreiber). Eles vivem no mesmo prédio e ela implica com as loucuras do rapaz que se dedica a pesquisas científicas. Um dia, ele descobre um portal que acaba acidentalmente transportando de uma época antiga para os tempos contemporâneos Leopold (Hugh Jackman), um nobre do século 19. Sem saber como mandá-lo de volta para o passado e enfrentando alguns problemas pessoais, Stuart abriga em seu apartamento o rapaz que precisa enfrentar as mudanças radicais existentes entre a época que vivia e a que passou a habitar de uma hora para a outra. Kate inicialmente evita contato com Leopold por achar que ele está fazendo algum tipo de brincadeira já que ele se comporta, fala e se veste estranhamente, mas logo ela passa a se sentir atraída pelo seu jeito gentil e romântico. Um homem do tipo é artigo raro e ela obviamente não poderia deixar passar a chance de literalmente ter um príncipe ao seu lado.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O OBSERVADOR

Nota 4,5 Keanu Reeves tentou, sem êxito, reciclar sua imagem testando um personagem do mal

O gênero de suspense vira e mexe entra em crise e presenteia o público com verdadeiras pérolas que poderiam nunca ter sido feitas, pois foram tempo e dinheiro jogados fora por parte de seus realizadores. Por tabela, significam prejuízos semelhantes aos espectadores desavisados. Quando O Observador foi lançado nos cinemas, a crítica especializada detonou o filme e ele bem que poderia ser encaixado na descrição acima, mas é preciso se fazer justiça. O longa não é tão horrível como diziam, porém, carecia de um roteiro melhor construído e que apresentasse ao espectador revelações ou cenas impactantes para justificá-lo como um projeto para cinema. A história adaptada de um conto de Darcy Meyers e David Elliot (este último também autor do roteiro em parceria com Clay Ayers) gira em torno do agente do FBI Joel Campbell (James Spader) que após anos perseguindo assassinos psicóticos e lidando com casos de mortes na agitada cidade de Los Angeles agora está abandonando este trabalho e se mudando para outra cidade. Todavia, seu arquiinimigo, o serial killer David Allen Griffin (Keanu Reeves), seguiu seus passos até seu novo endereço em Chicago apenas para atormentá-lo de forma peculiar. Antes de cada morte que planeja, Griffin vigia minuciosamente todos os passos de sua vítima, sempre uma mulher, a seduz com uma conversa melosa e consegue fotos da mesma e as envia para Campbell junto com um desafio: ele precisa encontrar a tal pessoa até certo horário senão ele a matará. O jogo mórbido atinge o ápice quando, não por coincidência, Griffin promete matar Polly (Marisa Tomei), a terapeuta do agente. O jogo de gato e rato esquenta ainda mais a partir disto.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O DISCURSO DO REI

NOTA 9,5

Drama traz a tona um fato
prosaico acerca da História da
família real britânica através de
narrativa e visual clássicos 
Um futuro rei gago que se submete a uma estranha terapia na qual mais parece que ele está participando de uma aula de teatro ou tendo algum tipo de ataque. Por esta premissa dificilmente alguém diria que ela renderia um bom drama e muito menos que é um fato verídico que aconteceu com um antigo membro da família real da Inglaterra. Contrariando expectativas, não é que esta ideia bizarra realmente é baseada em fatos reais e rendeu um bom filme. Deixando de lado a pompa que se tornou marca registrada do épico Elizabeth ou o apelo polêmico e nostálgico que gerou o interesse pelo drama A Rainha, o roteirista David Seidler foi buscar inspiração em um fato prosaico da realeza britânica que poderia ser ligeiramente cômico se não fosse tratado com seriedade pelo escritor e também pelo diretor Tom Hooper na condução de O Discurso do Rei, um título que não era o favorito da temporada de prêmios, mas acabou se tornando a zebra das festas dos melhores do ano de 2011 no meio cinematográfico. Com doze indicações ao Oscar, vencendo em quatro delas, e acumulando outros tantos troféus e menções em diversas premiações, o longa fez sua fama pouco a pouco e acabou atropelando outras excelentes produções. Digamos que este trabalho é o que teria mais a cara de premiável entre os selecionados do período por ser uma produção de época, o que já lhe garantiria alguns prêmios pela parte técnica e visual, mas é curioso que justamente estes atributos não chamaram tanto a atenção e os votantes dos eventos miraram nas categorias principais para laureá-lo. A obra foi a escolhida para ser a queridinha dos críticos na temporada por ser uma obra correta que pode não ser inovadora, mas consegue apresentar com elegância e competência o que se propõe, uma produção acadêmica e irretocável. A trama se passa na década de 1930 e gira em torno de Albert Frederick Arthur George (Colin Firth), ou simplesmente George VI, que desde a infância sofreu com a gagueira, muito devido aos traumas que sofreu com as severas punições de seu pai, o rei George V (Michael Gambon). Este é um sério problema para um integrante da família real britânica que frequentemente precisa fazer discursos. Apesar de ter procurado diversos médicos, nenhum deles trouxe resultados eficazes, mas as coisas mudam quando sua esposa Elizabeth (Helena Bonham Carter) o leva até Lionel Logue (Geoffrey Rush), um terapeuta especializado em distúrbios da fala que utiliza métodos pouco convencionais para a época, como gritar palavrões repetidas vezes, mas os benefícios do tratamento compensariam o esforço e a quebra de protocolos. O médico se coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo, assim com o passar do tempo acaba tornando-se seu amigo e confidente. Os exercícios e métodos aplicados no tratamento fazem com que o paciente adquira autoconfiança para cumprir o maior desafio de sua vida: assumir a coroa após a morte de seu pai e a abdicação de seu irmão David (Guy Pearce), o primeiro nome na linha de sucessão que teve coragem suficiente de renegar tamanha responsabilidade.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

BULLYING - PROVOCAÇÕES SEM LIMITES

NOTA 8,0

Longa espanhol trata com
seriedade um problema que
tem se agravado a cada dia,
principalmente nas escolas
Cada vez mais tem se tornado frequente acompanharmos nos noticiários tristes episódios que envolvem a falta de respeito ao próximo que parece imperar na era contemporânea pretensiosamente chamada de moderna, mas parece que muita gente ainda é dos tempos das cavernas tamanha a ignorância que demonstra rotineiramente. Desde um simples xingamento até agressões físicas nas ruas, ambiente escolar ou no trabalho podem ser considerados casos de bullying, palavra estrangeira que acabou sendo incorporada ao nosso vocabulário e que dá nome a algo que não é nenhuma novidade. Ninguém sabe há quantas dezenas de anos ou até mesmo séculos começaram os atos de humilhação e exploração de semelhantes, talvez no Brasil isso ocorra desde o primeiro dia em que a família real portuguesa colocou os pés em nossas terras. O histórico de sofrimento de índios, pardos e negros mostra que sempre existiram pessoas que gostavam de se colocar numa posição superior na comparação do nível intelectual, poder financeiro ou até mesmo de cor de pele. Os anos passaram, mas os preconceitos do passado ainda continuam no presente e infelizmente devem permanecer em evidência no futuro. Parece que faz parte da natureza de grande parte da população mundial essa mania de superioridade. Quando conseguem exercer poder sobre alguém aproveitam para assediar, persuadir, humilhar e agredir, podendo chegar a resultados extremos e perigosos. Uma das manifestações desse tipo de violência que mais preocupa ocorre nas escolas e envolve desde crianças pequenas até marmanjos cursando a faculdade. Até professores sofrem e por incrível que pareça também podem praticar os atos discriminatórios travestidos de brincadeirinhas que aos poucos podem se tornar grandes problemas e virar casos de polícia e de tribunal.  Bullying – Provocação Sem Limites é um registro cinematográfico digno do tema e que aparenta ser um filme americano independente, mas na verdade é uma produção da Espanha dirigida por Josecho San Mateo que demonstrou coragem ao colocar o dedo em uma ferida social apresentando um retrato realista do drama vivido por aqueles que são humilhados constantemente. Não seria exagero dizer que é uma obra que define bem uma geração, mas devido a sua baixa popularidade infelizmente isso não é possível. A repercussão razoável do título na internet se deve a palavra bullying que quando jogada em sites de busca fatalmente apresentará arquivos a respeito do filme, mas se o longa fosse made in Hollywood e com alguma estrelinha do momento encabeçando o elenco o papo seria outro. Poderia gerar cifras generosas, mas dificilmente o conteúdo seria tão bom.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

PARA SEMPRE CINDERELA

NOTA 8,5

Versão mais pé no chão do
conto da Cinderela já
nasceu para se tornar um
clássico adolesente 
Os contos de fadas sempre foram fontes inesgotáveis para o cinema. Do romance, passando pelo drama e a comédia, chegando até o terror e obviamente servindo de inspiração para animações, as histórias clássicas infantis já sofreram diversas modificações e hoje é até difícil afirmar com certeza quais são as versões originais. Costumamos encarar as antigas produções da Disney como as fiéis transposições dos contos para o formato de película, mas estas talvez sejam as versões mais floreadas e distantes dos textos reais. Sempre o bem tem que triunfar e animais fofinhos e prestativos nunca faltam. Outros estúdios ao longo do tempo investiram em diversas fitas no mesmo estilo, mas também passaram a readaptar velhas fórmulas e textos, o que nem sempre resulta em filmes satisfatórios. Ainda bem que existem exceções. O diretor Andy Tennant resolveu dar uma outra visão da bela e romântica história de Cinderela injetando realismo à fábula e conseguiu ótimos resultados. Provavelmente, Para Sempre Cinderela já nasceu para se tornar um clássico das sessões da tarde e assim o tempo confirmou. O longa mantém o cenário da narrativa em um passado medieval, mas algumas mudanças consideráveis foram feitas para aumentar o interesse do público e aproximar o texto de certa modernidade. As principais modificações foram nos perfis e conflitos dos personagens. Por exemplo, a mocinha é corajosa, enfrenta a vida e vai a busca de seus objetivos sem ajuda de uma fada-madrinha, enquanto o seu príncipe não tem nada de encantado e parece mais preocupado em se manter protegido sob os cuidados da família real. Os dois vivem em mundos diferentes, mas também são contrários na maneira de agir e encarar os desafios. Mesmo assim eles se apaixonam, portanto, a regra dos opostos se atraem é mantida.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O TURISTA

NOTA 4,0

Aguardado encontro de
Angelina Jolie e Johnny
Depp decepciona e
resulta em um filme fraco
Quando dois grandes astros se reúnem em um mesmo filme e existe um diretor respeitável por trás das câmeras, público e crítica se agitam e aguardam ansiosos uma produção que promete marcar época, mas nem sempre as expectativas se confirmam como é o caso de O Turista. A tão aguardada união de dois símbolos de beleza e talento resultou em algo apático e a combustão esperada no encontro de Angelina Jolie e Johnny Depp não aconteceu. A culpa não é dos atores, mas sim do projeto em si, mal estruturado e super valorizado. Esperava-se mais deste trabalho do diretor alemão Florian Henckel Von Donnersmarck, o mesmo do premiadíssimo e vencedor do Oscar de filme estrangeiro A Vida dos Outros. O cineasta se rendeu as propostas milionárias de Hollywood e topou dirigir esta refilmagem do filme francês Anthonny Zimmer – A Caçada. O roteiro é assinado por ele próprio com a colaboração de outros dois roteiristas muito premiados, Christopher McQuarrie e Julian Fellowes, respectivamente responsáveis pelos enredos de Os Suspeitos e Assassinato em Gosford Park. Por que o resultado desta reunião de talentos resultou em uma obra frustrante? O público foi com muita sede ao pote e se decepcionou e a indefinição de gênero e o ritmo irregular desta película são um tanto incômodos. Em geral é um suspense com certas características que lembram produções antigas devido ao seu porte elegante e ritmo mais lento, mas há pitadas de ação, romance e comédia. Sim o humor aqui também marca presença em certos diálogos terríveis para preencher o tempo, como no caso do primeiro encontro dos protagonistas, momento que deveria ser crucial e que acaba se tornando uma cena um tanto amadora. Em alguns sequências parece que o diretor está perdido ou deslumbrado com o que tem em mãos. Fica nítido nas cenas de ação e suspense a sua falta de experiência em tais gêneros e a preocupação constante em capturar de forma clara e bonita as imagens do casal principal. Por outro lado, cada fotograma parece ter sido estudado em detalhes para mostrar os detalhes dos cenários e, obviamente, as belas paisagens de Paris e Veneza, os palcos das ações.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

PASSE LIVRE

NOTA 7,5

Os irmãos Farrelly deixam
o anarquismo um pouco de
lado e investem em trama
com temática familiar
Comédias enfocando adolescentes em busca de aventuras amorosas existem aos montes, se popularizaram na década de 1980 e até hoje encontram seu público, afinal jovens que só pensam naquilo é o que não falta independente da época. Recentemente, temos observados que talvez um novo subgênero está nascendo e ganhando cada vez mais força, mas ele ainda não foi batizado. É uma corrente que investe em comédias que tem como pano de fundo os relacionamentos, porém, com temáticas mais maduras ou ao menos o seu elenco representa tal maturidade, afinal de contas Jason Biggs, Adam Sandler e Vince Vaughn não ficariam eternamente jovens e agora encarnam com certa regularidade personagens que ainda guardam os sonhos e bom humor da juventude, mas já precisam se preocupar com o avanço da idade e o futuro, sozinhos ou formando uma família. Owen Wilson também faz parte desse grupo de trintões ou quarentões que precisou se readaptar a uma nova linha de humor para se manter em atividade. Apesar de ter trabalhado sua veia cômica de forma mais refinada com Woody Allen em Meia-Noite em Paris, no mesmo ano ele caiu nas mãos dos irmãos cineastas Peter e Bobby Farrelly e embarcou nas loucuras da dupla em Passe Livre. Conhecidos por trabalhos anárquicos e politicamente incorretos, os diretores também amadureceram e decidiram realizar um filme com temática um pouco mais familiar, talvez até coincidindo com o momento pessoal deles. De certa forma conseguiram, porém, a crítica não gostou muito da mudança de ares. Muitos jornais, revistas e sites publicaram, em outras palavras, que se continuarem nesta linha os Farrellys serão apenas mais dois nomes no inflado mercado hollywoodiano, deixando para trás o diferencial que os consagraram.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

VOCÊ DE NOVO

Nota 8,5 Dupla de estrelas do passado encabeça o elenco de comédia leve e despretensiosa

Existem centenas de filmes que são lançados diretamente em DVD sem o respaldo de uma publicidade extra de passagem pelos cinemas. Tais produções dificilmente ganham resenhas em revistas e jornais e por vezes seu próprio título ou capa não ajuda a estimular a vontade de assistir, sendo que você acaba escolhendo por indicação ou por não ter coisa melhor na locadora. Uma produção do tipo já pode deixar muita gente com o pé atrás, porém, elas podem surpreender positivamente como no caso de Você de Novo. O roteiro de Moe Jelline tem como mote um tema já bastante explorado pelo cinema: a rivalidade dos tempos do colégio ultrapassando as barreiras do tempo. Para muita gente as lembranças da época da escola podem ser muito agradáveis, mas para outras pessoas são verdadeiros pesadelos, como para a jovem Marni (Kristen Bell). Se achando feia, desengonçada e atrapalhada ela era alvo fácil para sofrer brincadeiras de mau gosto e ganhar apelidos. Porém, esse período triste de sua vida ficou para trás e ela até recuperou sua autoestima quando adulta se transformando em uma atraente mulher e com um ótimo emprego. Tudo ia bem até que o passado bateu na sua porta, ou melhor, entrou em sua casa literalmente com planos de criar raízes. A noiva de seu irmão Mark (Victor Garber) é Joanna (Odette Annable), ninguém menos que a garota que mais infernizava a vida de Marni. A cunhada aparentemente não se lembra dela e Gail (Jamie Lee Curtis), a mãe do noivo, aprova a relação, mas também vai levar um susto. A sogra de seu filho é Ramona (Sigourney Weaver), a ex-melhor amiga de Gail no colégio. Na realidade, esta mulher é tia de Joanna, mas cuida da sobrinha desde que ela perdeu os pais. De agora em diante, ou pelo menos até a hora do casamento, está aberta uma guerra particular e de egos entre essas duas duplas rivais dos tempos de escola. Mãe versus mãe. Filha versus filha.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O CASTELO DE CAGLIOSTRO

Nota 8,5 Um dos primeiros filmes de Hayao Miyazaki é um tesouro a ser redescoberto

Como profissional do ramo do cinema de animação, podemos dizer que Hayao Miyazaki tem uma posição no Japão semelhante a que Walt Disney ocupou em solo americano, porém, só tardiamente ele veio a ter reconhecimento mundial graças aos diversos prêmios e indicações conquistados por A Viagem de Chihiro, mas infelizmente mesmo com tanta publicidade importantes e curiosas obras daquele que é considerado um mestre da animação japonesa ainda são desconhecidas em boa parte do mundo, ainda que algumas tenham sido lançadas no mercado na época das fitas de vídeo. Temos hoje em dia acesso a obras mais recentes do diretor, como O Castelo Animado, mas obras anteriores a 2001 não são encontradas em mídias originais, provavelmente por questões jurídicas. Ou a ausências de tais títulos seriam por falta de interesse do público? Bem, uma tentativa de comercializar as obras do início da carreira de Miyazaki foi feita com o desconhecido O Castelo de Cagliostro, mas parece que os resultados de repercussão e venda não foram satisfatórios. Uma pena. A produção é na realidade o segundo e mais bem-sucedido de seis longas-metragens baseado em uma famosa série de TV que narra as aventuras de Lupin III, um bandido que comete um grande roubo em um cassino, mas logo descobre que todo o dinheiro que pegou é falso e que sua origem é de um país chamado Cagliostro. Contudo, ele não se deixa abalar e já começa a planejar um novo golpe, desta vez de olho em um tesouro que estaria escondido no castelo do citado país, mas envolto em uma misteriosa história. Seus objetivos mudam quando descobre que a adorável princesa Clarisse está sendo forçada a se casar com o dono da propriedade e consequentemente o governante daquelas terras. Com a ajuda de seu fiel companheiro Jigen e do mestre espadachim Goemon, Lupin vai tentar resolver o mistério que envolve o castelo ao mesmo tempo em que deseja salvar a princesa, porém, o inspetor Zenigata estará sempre em seu encalço para atrapalhar seus planos. Em questões visuais e até mesmo narrativas, o projeto lembra um pouco as séries de desenhos orientais produzidos para exibição contínua na TV e que vira e mexe viram febre, só não espere a mesma agilidade e uso de violência. Ainda bem!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

GRITO DE HORROR

NOTA 8,0

Filme sobre o mito do
lobisomem é beneficiado
por seu envelhecimento e
por trucagens caseiras
A década de 1980 foi uma época muito fértil para o gênero terror e muito do que foi produzido naquela época rende frutos até hoje, mas os grandes filmes não são esquecidos. Muitos consideram que as melhores produções de horror são datadas deste período, desde as mais trashs até as mais elaboradas. As novidades da época conspiravam a favor. Os jovens, o público alvo, estavam mais independentes e liberais e mais a frente a popularização dos videocassetes e videolocadoras só vieram a ajudar a fortalecer a crescente corrente dos produtos de terror e suspense. Se o cinema proibia a entrada de menores de idade para ver esses tipos de filmes, as locadoras, outrora chamadas de videoclubes, eram a solução já que não havia uma fiscalização e regras claras para este tipo de estabelecimento. Na base da amizade, sempre os atendentes davam um jeito de liberar uma fita para adolescentes fazerem aquela sessão de cinema no sabadão a noite com direito a muitos sustos e roer de unhas. Bem, esses são fatos marcantes e nostálgicos do final daquela década, mas certamente filmes lançados no início desse período colaboraram para chegarmos a tal resultado e Grito de Horror é um deles. A produção é lembrada como um dos melhores e mais assustadores terrores do cinema e até hoje seu argumento e narrativa continuam muito bons e perfeitamente aceitáveis, apesar de que o visual envelheceu bastante, mas longe disso ser um problema, pelo contrário, a atmosfera de suspense foi até acentuada.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

72 HORAS

NOTA 7,5

Paul Haggis, diretor e roteirista
premiado, faz sua estreia em um
filme legitimamente comercial
reciclando velhos clichês
Tudo que é demais uma hora enjoa. Filmes que misturam ação e suspense hoje em dia dificilmente surpreendem ou podem ser classificados como excelentes. A reciclagem de temas e até a estagnação de certos atores repetindo papéis nestes gêneros levaram as produções desses estilos para o limbo. Felizmente, vez ou outra surge algum nome em potencial para dar uma sacudida nesse cenário e quem sabe trazer de volta os bons tempos em que perseguições e tiroteios rendiam boas bilheterias e elogios e não eram apenas um amontoado de cenas de ações sem propósitos definidos. Um nome quente para o restabelecimento da saúde deste campo é o de Paul Haggis que tem visto sua carreira ascender de forma meteórica depois de se envolver em projetos sérios e premiados, como Crash - No Limite e No Vale das Sombras. Seja como roteirista, diretor ou ainda acumulando as duas funções, este profissional decidiu se aventurar em algo no melhor estilo hollywoodiano: um filme que entretém, com um enredo interessante, um ator de peso encabeçando o elenco e no fim um produto que provavelmente será esquecido algum tempo depois. Assim é 72 Horas, um thriller de ação cuja trama recorre ao recurso da perseguição de inocentes para tanto. E o resultado neste caso é até acima da média. O enredo gira em torno de um homem comum que se mete a cometer verdadeiras loucuras para fazer justiça com as próprias mãos, ou melhor, com o próprio cérebro, já que seus planos são um tanto mirabolantes. O professor universitário John Brennan (Russell Crowe) levava uma vida perfeita até que sua esposa Lara (Elizabeth Banks) foi presa acusada de um crime que alega não ter cometido. Após três anos de vários recursos negados pela justiça, a mulher acaba se tornando uma pessoa suicida por não suportar a distância de seu filho que está crescendo longe dela. Brennan percebe que só há uma saída: elaborar um plano de fuga meticuloso para tirá-la da prisão correndo todos os riscos. Ele recorre ao que pode para aprender, por exemplo, a arrombar carros e abrir fechaduras e consegue conversar com o ex-prisioneiro Damon Pennington (Liam Neeson) que escapou inúmeras vezes da carceragem e lhe dá dicas do que vai ter de enfrentar. É um caminho sem volta e é preciso estar disposto a tudo, inclusive a matar. Agora, Brennan e Lara terão apenas 72 horas para fugir e tentar ir o mais longe possível levando com eles o filho.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

CORAÇÃO DE TINTA - O LIVRO MÁGICO

NOTA 4,5

Apostando em trama com
personagens e histórias
fantásticas, esta aventura
não empolga e é tediosa
Explorar os limites da fantasia e da imaginação é um dos principais objetivos do cinema e Hollywood sempre apostou no gênero fantasioso para lucrar. Nos últimos anos a febre aumentou devido ao sucesso das séries Harry Potter, O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia e até outros países embarcaram na onda de histórias sobre bruxos, fadas, duendes e companhia, geralmente frutos de livros infanto-juvenis de sucesso. Assim vira e mexe algum filme do tipo chega aos cinemas ou é lançado diretamente em DVD conquistando atenções de imediato ou a longo prazo, mas nem sempre a receita mágica dá certo e é isso que prova Coração de Tinta - O Livro Mágico. Baseado na obra homônima da romancista alemã Cornelia Finke, o longa conta com um elenco invejável e efeitos especiais e cenários de encher os olhos. A trama também deve ser boa. Isso mesmo, deve ser. No livro o enredo pode funcionar as mil maravilhas, mas a versão cinematográfica deixa a desejar graças a direção fraca de Iain Softley que parece disparar para todos os lados tentando acertar em algo que até ele mesmo desconhece. Acostumado a experimentar gêneros variados, no de fantasia ele não se deu bem. Projetado para ser uma trilogia (o que dificilmente ocorrerá), o filme conta a história do restaurador de livros Mo Folchart (Brensan Fraser), um pai solteiro que viaja com a filha Meggie (Eliza Bennett) por livrarias obscuras procurando algo em especial. A mãe da garota sumiu misteriosamente e desde então a pequena sonha com a vida de aventuras e descobertas que encontra em suas leituras e seu desejo será atendido. Eliza não sabe que seu pai esconde um grande segredo: ele tem o dom de trazer os personagens ou qualquer outra coisa dos livros para a vida real quando lê alguns trechos em voz alta, porém, para cada elemento que salta das páginas um da realidade deve entrar em seu lugar. O fato está ligado ao sumiço da esposa de Fochart e é justamente uma nova edição do livro "Coração de Tinta" que ele busca de sebo em sebo para conseguir ter sua família completa novamente.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

DEMÔNIO

NOTA 3,0

Suspense tem premissa
interessante, mas peca por
sustos previsíveis e roteiro
pouco desenvolvido
Já se passou mais de uma década desde que O Sexto Sentido foi lançado, mas até hoje ele é considerado por muitos o filme mais apavorante dos últimos anos e marcou definitivamente a carreira de M. Night Shymalan. A prova disso é que ele virou um cineasta de um filme só e seus projetos seguintes foram massacrados por crítica e público. Com exceção de Corpo Fechado, que conquistou bilheterias na cola do sucesso anterior do diretor indiano, todos os outros filmes realmente deixaram a desejar, ainda que A Vila sofra seu desprezo por causa da falta de massa encefálica de grande parte do público que não compreendeu a mensagem implícita. Com tanto bombardeio, Shymalan preferiu se esconder um pouco e passar a produzir ou ceder argumentos. Sorte dele que dessa forma escapou de mais um massacre, mesmo que a idéia e a produção de Demônio seja do próprio. A premissa é a seguinte: em um dia comum, cinco pessoas que não se conhecem têm suas vidas viradas do avesso ao entrar em um elevador que simplesmente para de funcionar de uma hora para a outra. E o que para muitos já seria motivo de tensão, piora ainda mais quando estranhos e violentos acontecimentos começam a acontecer dentro daquele cubículo. O que eles não se dão conta é de que o demônio está entre eles. O detetive Bowden (Chris Messina) está no mesmo prédio atendendo a um chamado de emergência e ao perceber a movimentação através das câmeras de segurança tenta controlar a situação. O problema é que ninguém consegue abrir o elevador e a única ajuda possível é através do sistema de áudio. Enquanto faz o monitoramento do local através de monitores, Bowden e outros funcionários do edifício passam a ver cenas assustadoras, incluindo mortes.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A VIDA É BELA

NOTA 10,0

Escondendo os horrores da
guerra através de uma
criativa desculpa, o filme já
nasceu para ser um clássico
A Itália tem seu cinema reconhecido tanto por parte do público quanto pela crítica e vem conquistando diversos prêmios e legiões de fãs mundo afora há várias décadas. Além de títulos de sucesso, o país também gerou ídolos mundiais das artes dramáticas como Sophia Loren, Marcello Mastroiani e... Roberto Benigni. Bem, ele alcançou a fama na década de 1990 através de comédias simpáticas, mas teve seu ápice quando armou o maior estardalhaço na cerimônia do Oscar para comemorar seu merecido prêmio de Melhor Ator por A Vida é Bela. Podem passar anos e mais anos, mas o nome desse ator certamente ainda será lembrado pelo público brasileiro com ressalvas ou até mesmo raiva. Justamente no ano em que parecia que finalmente ganharíamos o nosso tão sonhado Oscar levamos uma rasteira. É praticamente impossível falar deste marco do cinema sem lembrar do brasileiro Central do Brasil, duas grandes produções que disputaram praticamente todos os principais prêmios de cinema da época, mas a Academia de Cinema decidiu agraciar o épico italiano, fato que deixou o pessoal aqui na terrinha com um sabor amargo de tristeza e decepção. Muita gente até hoje se nega a assistir o concorrente, mas não há como negar que ele tem um visual de encher os olhos e uma trama muito emocionante, o que certamente seduziu os votantes que avaliam as produções estrangeiras, geralmente profissionais de mais idade e defensores de um cinema tradicional e romanceado. Os dois longas, apesar de possuírem diferentes estruturas e narrativas, têm em comum a idéia de envolver em suas histórias um garoto cativante e sonhador e a personagem principal feminina ter o mesmo nome, mas as coincidências terminam por aí. É preciso deixar o espírito patriota de lado para poder esmiuçar ambas as obras e descobrir o que há de tão especial em um que o outro não tenha. Não é fácil fazer análise de produções que praticamente empatam no quesito emoção e enredo, mas a resposta pode estar mesmo no orçamento refletido nas telas. O filme de Walter Salles é bem realizado, mas apresenta um cenário muito comum, quase sem vida, um cotidiano pobre estampado a cada nova cena. Já Benigni investiu pesado em ambientações, figurinos e objetos cenográficos para conferir uma aura de conto de fadas a um trabalho que começa realmente com um jeitinho encantador, mas depois abre espaço para uma dura realidade onde as cores tristes e acinzentadas predominam, porém, os diálogos e situações tratam de manter o lúdico em evidência até o último take que, diga-se de passagem, é bem tocante, mas um tanto apressado. No final das contas, digamos que o nosso representante, visualmente falando, era um produto desnudo perante o outro vestido em trajes finos para festa. 

domingo, 12 de fevereiro de 2012

PLANO B

Nota 6,0 Para variar, Jennifer Lopez sonha com grande amor pela enésima vez no cinema

Existem atrizes que irremediavelmente se tornaram sinônimos de comédias românticas e Jennifer Lopez é uma delas. Seu perfil dócil combina com o estilo, mas ao mesmo tempo ela tem algo de mulher determinada dentro de si que se encaixa muito bem para viver personagens destemidas. Em Plano B ela encontrou um papel que une as duas características, embora envolta em situações previsíveis e um tanto açucaradas propostas pelo ligeiro roteiro de Kate Angelo. Ela interpreta Zoe, uma mulher que está cansada de aguardar pelo seu príncipe encantado e realizar seu sonho de ser mãe afinal de contas já está beirando a idade limite para ter uma gravidez normal e sem riscos. A falta de companhia masculina é um problema que realmente ela não tem como resolver, mas a vontade de se tornar mãe sim. Ela resolve recorrer a um médico especializado em fazer inseminação artificial, no entanto, no dia em que realiza o procedimento, o destino lhe coloca finalmente um homem que vale a pena em seu caminho. Stan (Alex O’Loughlin) também se apaixona por ela e eles começam a se relacionar seriamente, mas Zoe acaba descobrindo que a inseminação deu certo e ela está grávida de verdade de um completo desconhecido. A notícia surpreende o namorado, porém, ele topa criar a criança como se fosse o pai biológico, mas até ela nascer muita coisa pode acontecer. Logo vem a descoberta de que eles serão pais de gêmeos e a convivência começa a ficar difícil para ambos, principalmente por causa das particularidades que envolvem a chegada de um bebê. Neste caso tudo em dobro necessitando sempre literalmente de um plano b.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

BEM-VINDO AO JOGO

Nota 1,0 Vendido como romance, filme é desinteressante e o amor é substituído pela jogatina

Sorte no jogo, azar no amor. Esse pensamento resume o espírito de Bem-Vindo ao Jogo, produção vendida como um romance, mas que deve decepcionar os fãs do gênero. Aqui há muito mais jogatina do que romantismo e quem não é adepto de carteado provavelmente vai achar um tédio esta produção assinada por Curtis Hanson. O diretor tem um currículo com trabalhos bem interessantes e chegou ao ápice da carreira quando recebeu muitos elogios e indicações a prêmios por Los Angeles – Cidade Proibida. Pouco tempo depois ainda chamou atenção com seu Garotos Incríveis, mas desde então ele tem escolhidos histórias tolas para filmar. Neste caso, ele optou por um simpático e atraente casal de protagonistas e tentou enveredar pelo lado do romantismo para no fundo contar uma história em que vencer no jogo de cartas é o que interessa, uma metáfora ao desejo universal de vencer na vida. Em Las Vegas, o jogador profissional Huck Cheever (Eric Bana) continua investindo nos jogos de cartas, principalmente o pôquer, e sabe como ninguém as artimanhas para sair vencedor. Sua técnica é simples: ele usa a emoção, faz o que manda seu coração, enquanto os adversários usam a lógica. Porém, na vida pessoal ele não é bem sucedido, mas as coisas mudam quando ele conhece Billie Offer (Drew Barrymore), uma encantadora jovem que o ensinará a tratar do amor da mesma forma que ele lida com o carteado. Enquanto aprende essa lição, ele também tenta juntar o dinheiro necessário para poder participar de um lucrativo torneio onde poderá jogar com uma lenda da jogatina, L. C. Cheever (Robert Duvall), que na realidade é seu pai biológico que ele nunca conheceu e agora tem a chance de enfrentar literalmente no jogo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A CASA DE CERA

NOTA 9,0

Com cenografia perfeita e
um roteiro bem amarrado,
longa consegue disfarçar os
clichês e dar bons sustos
Um grupo de jovens vagando em um lugar isolado precisa correr contra o tempo para sobreviver aos ataques de um serial killer. Essa linha poderia resumir grande parte das produções de terror não só contemporâneas, mas também de várias décadas atrás. Porém, felizmente, sempre existe algum ser pensante que consegue dar uma cara nova a uma fórmula desgastada. O diretor espanhol Jaume Collet-Serra mostra-se seguro e cheio de boas idéias nesta sua estréia em Hollywood. Alguns anos depois ele se daria bem novamente comandando A Órfã. O segredo das obras do cineasta é o investimento em roteiro e ambientação, pontos geralmente esquecidos em filmes sobre assassinos em série que mais parecem feitos a toque de caixa. A trama realmente poderia ser resumida como a primeira linha deste texto, mas no caso o espectador não se depara com um monte de atrocidades logo de cara. Existe um longo prólogo para nos situarmos a respeito do grupo de jovens e termos subsídios suficientes para mais a frente sofrer ou se alegrar com suas mortes. Aqui também já é revelado um pouco do passado e da vida que leva o assassino da vez, coisa que geralmente só acontece nas conclusões, isso se ainda a produção tiver um mínimo de respeito com o público. Muitas fazem um show sanguinolento o filme todo para no final não haver revelação alguma, apenas o tradicional gancho para uma sequência. A história de A Casa de Cera traz algumas sutis diferenças em relação a outros projetos semelhantes como os protagonistas que não formam um casal de namorados. Carly (Elisha Cuthbert) e Nick (Chad Michael Murray) são irmãos e estão indo com os amigos acompanhar um jogo de futebol americano em uma região afastada. Durante a viagem, eles têm problemas com um dos carros e aceitam a ajuda de um estranho homem que os leva até Ambrose, uma pitoresca cidade que abriga um museu de cera. Ao invés de celebridades, o lugar possui estátuas que representam cidadãos comuns, obras perfeitas de um grande artista local. Porém, quem faz todas elas usa métodos de arrepiar para chegar a tal perfeição.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A REDE SOCIAL

NOTA 9,0

Longa aborda questões
éticas e psicológicas
através de um caso real e
define uma nova geração
Estamos em plena época em que a tecnologia invadiu literalmente o cotidiano das pessoas de uma maneira absurda. Tem gente que praticamente não coloca mais os pés para fora de casa e tudo que precisa fazer ou adquirir é por intermédio do computador e os relacionamentos não ficam atrás. As comunidades que promovem encontros e amizades cada vez se tornam mais populares e vira e mexe alguma nova surge. O Orkut, a febre do início dos anos 2000, hoje é considerado ultrapassado e para a elite o site ficou muito popular, qualquer zé ninguém tem seu perfil por lá. Para essa turma caiu dos céus o Facebook, o objeto de discórdia do filme A Rede Social, um dos filmes mais comentados e elogiados dos últimos tempos principalmente pelo público jovem e usuário assíduo de internet. Ganhador de muitos prêmios mundo a fora, acabou ficando sem o Oscar de Melhor Filme já que a Academia de Cinema não se deixou seduzir pelo semblante moderninho da obra e preferiu premiar uma obra mais tradicional, mas nada que desmereça esta produção. O enredo começa a ser desenvolvido no ano de 2003 quando o jovem Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), um gênio da programação de computadores, sofre uma decepção amorosa, surta e em uma única noite monta o esquema de um site para avaliação das garotas de sua universidade. O sucesso foi tanto que atraiu a atenção de outras pessoas para investir no projeto, como do brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield). Porém, o site acabou se revelando um excelente investimento apenas para o seu principal entusiasta, já que aos poucos ele conseguiu passar a perna em cada um de seus companheiros nessa empreitada, impulsionado também pelos conselhos do arrogante Sean Parker (Justin Timberlake), outro criador de sites. O caso acabou indo parar na justiça e Zuckerberg, milionário antes de mesmo de chegar à casa dos 30 anos, colecionou um grande número de inimigos e continuou na solidão que sempre o perseguira, embora através de sua criação tenha conseguido fazer com que milhares de pessoas no mundo todo fizessem amizades

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

VAMPIROS DE JOHN CARPENTER

NOTA 8,5

Sem firulas, mestre do
terror resgata imagem dos
vampiros com sucesso em
longa que assusta e diverte
John Carpenter já foi conhecido como o mestre do terror. Criador do Halloween original na década de 1970, ele já deu belas escorregadelas com alguns de seus trabalhos, mas em compensação fez platéias se arrepiarem com uma neblina misteriosa, um carro com más intenções, crianças medonhas e com poderes sobrenaturais e até abordando um futuro apocalíptico. Usando artifícios criativos para causar medo, é de se estranhar que ele tenha se interessado em trabalhar com criaturas clássicas do cinema de terror. Porém, esqueça tudo o que você sabe sobre vampiros. Uma frase do tipo é dita por James Woods e deve ser encarada como o grande slogan de Vampiros de John Carpenter. O cineasta não quis inovar e sim resgatar o que o tempo deturpou. Os vampiros há anos são personagens muito explorados pelo cinema desde o sinistro Nosferatu, clássico expressionista da década de 1920, passando pelas mais diversas facetas do Conde Drácula, inclusive cômicas, outros trabalhos deram espaço para as vampiras sedutoras brilharem e até os dentuços teens em conflitos românticos já ganharam as telas. Com tantas versões variadas e a maioria romantizando o conto, os temíveis seres da noite foram pouco a pouco perdendo a essência e se descaracterizando. Essas figuras na realidade são malvadas e não pensam duas vezes antes de saciar a sede de sangue. Se apaixonar por suas vítimas nem pensar. É por esse pensamento que Carpenter optou para realizar uma obra que faz uma excelente mistura entre terror e faroeste e que causa arrepios ao mesmo tempo em que faz rir. Sim, o longa tem ótimas tiradas graças aos desbocados personagens de Woods e de Daniel Baldwin, mas nada que o transforme em um legítimo trash movie, pelo contrário, mas certamente ele flerta com o estilo de fazer filmes B com boas intenções.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

TRAÍDOS PELO DESTINO

NOTA 6,5

Drama coloca dois homens
em lados opostos de uma
mesma situação, um caso
complexo e reflexivo
Hoje em dia em que acompanhamos pela televisão, jornais e internet tantas tragédias em tempo real, inclusive várias que são cometidas por pessoas da própria família e envolvendo crianças, é difícil desligar a mente e não pensar em tais situações. Todos já devem pelo menos uma vez na vida ter imaginado como iriam reagir diante de um acidente fatal com algum familiar ou, pior ainda, se fosse o responsável pelo mesmo. A fúria da pessoa que sofre a ação ou a culpa do possível responsável, mesmo que o ocorrido fosse sem intenção alguma de causar a morte de alguém, pode transformar radicalmente suas vidas e a de outras pessoas que os cercam. É por esse viés que o roteiro de Traídos Pelo Destino trafega. O casal Ethan (Joaquin Phoenix) e Grace Learner (Jennifer Connelly) está voltando para a casa com seus filhos Josh (Sean Curley) e Emma (Elle Fanning) após um evento escolar. No caminho, eles fazem uma parada e o menino aproveita para sair do carro. Ao mesmo tempo, Dwight Arno (Mark Ruffalo), um advogado divorciado, está levando seu filho Lucas (Eddie Alderson) de volta para a casa da ex-esposa, Ruth (Mira Sorvino), após passarem o dia juntos. Num momento de distração, Dwight acaba perdendo a direção do carro e atropela Josh, mas no desespero segue sua viagem e não presta socorro. Ethan vê em um relance qual era o automóvel, mas corre para socorrer o filho, que acaba não resistindo e morre. Como a polícia não está tendo bons resultados com as investigações, este desesperado pai de família decide procurar uma empresa de advogados particulares e, por obra do destino, acaba sendo encaminhado para ser auxiliado pelo próprio assassino do filho que tenta se esquivar da punição.  

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

STELLA

NOTA 8,0

Drama tem enredo de fácil
identificação e prova que a
cultura e certas relações
podem mudar vidas
A integração, ensinamentos de disciplina e de respeito e a motivação que o esporte proporciona a uma criança ou a um adolescente podem torná-lo um adulto vencedor e exemplo de vida. Isso o cinema já mostrou inúmeras vezes, mas as vezes o foco é no argumento das artes e das amizades como forças motivadoras para despertar potenciais e dar verdadeiras guinadas em rotinas desordenadas ou tristes. Geralmente só enxergamos isso em produções cujos protagonistas são pessoas pobres, mas ainda bem que existem variações como o longa francês Stella. A garota do título (Léora Barbara) não tem uma existência paupérrima, aos mais desatentos até pode ser considerada uma privilegiada, mas na realidade ela vive na periferia de Paris no final da década de 1970. É uma pré-adolescente que mora com seus pais Roselyne (Karole Rocher) e Serge (Benjamin Biolay) em um edifício decadente que fica em cima do bar da família, local que não reúne os melhores exemplos de comportamento. Assim, Stella cresceu em um ambiente que lhe ensinou certas malandragens e a tocar a vida do jeito que pode e é assim que ela faz com tudo, inclusive com a escola. A menina é extremamente desatenta e tem as piores notas possíveis na instituição que a admitiu. A garota sente que sua origem humilde é alvo de humilhações por parte de professores e alunos da escola acima da média para seus padrões de vida, o que lhe desperta certos instintos mais violentos. Sua mãe finge não se importar com a situação da filha, mas bate na tecla que se ela não estudar seu destino será atender clientes no bar. As coisas mudam quando Stella faz amizade com a nova aluna de sua classe, a judia argentina Gladys (Mélissa Rodriguez). Através desta amizade, a francesinha rebelde conhece um mundo diferente de tudo o que conhecia até então. Por influência da nova companhia, ela descobriu um novo caminho a seguir na vida entrando em contato, por exemplo, com a música e a literatura, enquanto as coisas no ambiente em que vive estão em ruínas, tanto no bar quanto em sua casa.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

QUANDO EM ROMA

Nota 4,5 Diretor de filmes de ação experimenta o campo do romance, mas comete muitos erros

As comédias românticas cujo casal protagonista não é lá muito conhecido ou a introdução da história não é satisfatória fatalmente não empolgam o espectador que acredita estar assistindo a mais um daqueles filmes que causam risos não por seu conteúdo, mas sim por serem mal feitos. Bem, Quando em Roma não é maravilhoso, mas também não é o pior filme já feito. Ele está no mesmo patamar da maioria de seus colegas de gênero: regular, apenas um passatempo que não irá mudar sua vida e tampouco piorá-la. A história criada por David Diamond e David Weissman é protagonizada por Beth (Kristen Bell), uma jovem que trabalha no ramo das artes organizando exposições e é muito bem sucedida no que faz, porém, no amor ela é uma fracassada. Todos seus relacionamentos não dão certo e parece que sempre é ela o problema do casal. Sua sorte muda literalmente quando viaja para Roma para o casamento de sua irmã. Na festa ela conhece o jornalista Nick (Josh Duhamel), por quem se interessa e a recíproca parece verdadeira, mas em poucas horas seu encanto acaba ao flagrá-lo com outra mulher em atitudes suspeitas. Meio perturbada, ela entra em uma fonte de água em uma praça e começa a caçar as moedas que as pessoas jogam acreditando no folclore da fonte dos desejos. Voltando a Nova York, como num passe de mágica, ela começa a ser perseguida por vários homens que se declaram apaixonados, inclusive pelo próprio rapaz por quem se encantou no casamento. Esse repentino interesse de Nick era tudo o que ela mais queria, mas será que o jornalista estaria realmente apaixonado por Beth ou seria apenas o efeito da magia da fonte? Se for o caso, quanto tempo o feitiço duraria?

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O MISTÉRIO DA LIBÉLULA

Nota 4,5 Com sustos previsíveis e enredo frouxo, suspense com Kevin Costner decepciona

Ele começou a carreira tardiamente e emplacando diversos sucessos e em pouco tempo já estava na frente e atrás das câmeras em uma mesma produção. Por seu primeiro trabalho como diretor faturou o Oscar com seu longo épico Dança com Lobos. Tanto prestígio precocemente aflorou em Kevin Costner a soberba e a megalomania. A partir de então, começou a embarcar em projetos fracassados, outros ele próprio tratou de afundar e colecionou um ou outro filme que não manchasse seu currículo. O Mistério da Libélula não é nada memorável em sua filmografia. Simplesmente é um trabalho que poderia ter sido protagonizado por qualquer ator de meia idade, mas para se manter na ativa vale tudo. Costner interpreta o Dr. Joe Darrow, um respeitado especialista em traumas que é chefe do serviço de emergências de um importante hospital em Chicago. Ele carrega a dor de não saber o que aconteceu com sua esposa, a também médica Emily (Susanna Thompson). Ela estava em uma missão beneficente em uma região montanhosa na Venezuela quando sofreu um acidente, mas seu corpo nunca foi encontrado. Seis meses depois de seu sumiço, seu marido começa a perceber pequenos sinais ligados a imagens de libélulas, inseto cujo formato lembra uma marca de nascença que Emily tinha no ombro. Além disso, ao visitar os antigos pacientes da esposa, crianças do setor de oncologia, Darrow começa a receber estranhas mensagens por meio delas. Muito atormentado diante dos acontecimentos e com seu luto, o médico consegue apoio de outras pessoas, apesar das visões opostas sobre o caso, como a vizinha Miriam (Kathy Bates), que quer ajudá-lo a se libertar das lembranças do passado, e da Irmã Madeline (Linda Hunt), uma estudiosa a respeito das pessoas que estiveram perto da morte. De qualquer modo, juntando as pistas, Darrow tem certeza que sua esposa está tentando entrar em contato do além.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

AMOR OBSESSIVO (2004)

NOTA 6,5

Drama segue caminho do
mistério para falar sobre
obsessão em diversos níveis
a partir de um acidente
O ser humano é um bicho esquisito. Todos provavelmente já ouviram ou mencionaram esta frase várias vezes e o cinema, por sua vez, tratou de transformar o seu sentido em imagens e isso não é uma referência aos inúmeros filmes infantis que usam o tema humano encarnado em animal. Os conflitos psicológicos já ganharam espaços em comédias, dramas, suspense, enfim já trafegaram em todos os gêneros, afinal de contas, uma história só acontece se os seus personagens tiverem um mínimo de memórias ou referências, ainda que sejam as mais toscas possíveis. Felizmente, existem enredos que seguem o viés de se aprofundar no mundo misterioso dos pensamentos e emoções e Amor Obsessivo é um deles, abordando o tema obsessão de várias formas. A premissa é a seguinte: em um agradável dia ensolarado, o professor e escritor Joe Rose (Daniel Craig) vai com sua namorada Claire (Samantha Morton) fazer um piquenique em um parque. Tudo corria bem até que ocorre um acidente de balão nos arredores e o rapaz tenta ajudar assim como outro frequentador do parque, Jed Perry (Rhys Ifans), mas o ocupante do balão, um médico, não se salva. O rápido e casual encontro entre esses dois homens acaba se transformando em um pesadelo, pelo menos para um deles. Jed passa a seguir Joe por onde ele vá e em todos os locais tem uma desculpa na ponta da língua para explicar porque estava lá. Com o tempo, a situação passa dos limites tirando a concentração do professor e atrapalhando sua vida pessoal, enquanto Jed demonstra sinais claros de perturbações mentais que podem levá-lo a atitudes extremas. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

BELLA

Nota 7,0

Diretor mexicano estréia
com drama eficiente que
emociona público e crítica
apesar de não inovar
Dramas feitos fora dos padrões hollywoodianos costumam decepcionar muita gente. Muitas vezes eles são carregados de mensagens e histórias interessantes, mas em geral não estabelecem uma unidade narrativa e são extremamente contemplativos a certos períodos da vida de seus personagens, além de serem encerrados geralmente deixando questões no ar e sem o tradicional felizes para sempre. Justamente por estas diferenças no modo de contar uma história, estes trabalhos tendem a agradar mais aos críticos e acabam ficando restritos a nichos de público específicos, mas nem tudo que é feito fora de Hollywood necessariamente precisa ser esculpido para ser laureado em festivais e excluir, ainda que sem querer, a maior parte da população mundial, ou falando claramente, afastar os adeptos de cinema só por distração. Isso é o que prova o longa mexicano Bella. A história se passa em uma movimentada área de Nova Iorque onde Manny (Manny Perez) é o bem-sucedido dono de um restaurante de comida mexicana. Ele tentou estender a chance que teve de subir na vida a seu irmão José (Eduardo Verástegui) e o nomeou chef da cozinha, mas o clima entre os dois não é dos melhores. A gota d'água ocorre quando o empresário despede Nina (Tammy Blanchard) por causa de seus constantes atrasos. Solidário, José a convida para passear com ele e ir conhecer seus pais e lhe conta sobre seu doloroso passado. Jogador de futebol de sucesso, o rapaz interrompeu a carreira no ápice após matar acidentalmente uma criança e ser condenado à prisão. A tristeza que José carrega até hoje o toca profundamente, enquanto Nina também sofre com os erros que cometeu na sua vida como a sua indesejada gravidez.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

SPLICE - A NOVA ESPÉCIE

NOTA 8,0

Com todo jeitão de filme B,
produção consegue ser
intrigante graças a uma
bizarra relação
O gênero ficção científica já teve seus tempos de glória. O contato com seres de outros planetas, as naves espaciais ou criaturas geradas através de experiências genéticas outrora causavam impacto, mas ainda hoje existem aqueles aficionados por tais temas. Deve ser por isso que vez ou outra uma produção do tipo é feita, porém, a maioria lançada diretamente para locadoras e venda ao consumidor. A categoria acabou ganhando características de filme B e causam geralmente mais risos do que espanto ou qualquer coisa do tipo. Neste cenário Splice - A Nova Espécie surpreende, até por ter sido exibido em cinemas, embora rapidamente. Apesar de ser mais um trabalho baseado no velho clichê do monstro se voltando contra seu criador, ele ganha pontos ao não se transformar em um nojento filme de terror ou de pura carnificina. A história envolve a nova experiência de um casal de cientistas, Clive Nicoli (Adrien Brody) e Elsa Kast (Sarah Polley), ambos muito famosos no meio científico por investirem nas pesquisas a respeito da combinação do DNA de diversos animais que resultam em criaturas bizarras. Agora eles querem ir além e revolucionar a ciência combinando o código genético de bichos com o de seres humanos, porém, seus financiadores vetam a idéia, apesar de seu intuito ser para estudos sobre novos medicamentos para graves doenças. Mesmo assim eles levam o projeto adiante em segredo e assim nasce Dren (Delphine Chanéac), um ser humanóide com fortes características de um réptil cujo ciclo de vida é extremamente rápido e a fase adulta é atingida em questão de meses, mas não se pode prever quanto tempo poderá se manter viva. Seus criadores tentam escondê-la no laboratório para estudar seu comportamento e evolução, mas logo precisam transferi-la para um lugar mais seguro, assim Dren passa a ter contato com um mundo novo que desperta nela sentimentos e reações diversas e inesperadas.

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...