segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

ENROLADOS

NOTA 9,0

Disney reencontra o caminho
do sucesso voltando a investir
em conto clássico, mas com
uma boa dose de modernidade
A delicada Branca de Neve, a adormecida Aurora, a borralheira Cinderela, a sonhadora Ariel, a amorosa Bela, a indiazinha Pocahontas e corajosa chinesinha Mulan. A Walt Disney Pictures já presenteou o mundo com obras inesquecíveis protagonizadas por mulheres. Histórias clássicas ou inseridas em contextos históricos, cada uma dessas heroínas tem seus próprios conflitos e características, mas todas têm em comum carisma e beleza. Fazer um desenho animado não é fácil. O que dizer então de realizar 50 animações? Pois o estúdio do Mickey Mouse alcançou essa inacreditável marca (excluindo produtos lançados diretamente para venda e locação e os que apenas distribuiu para a Pixar) voltando as suas origens, mas com um toque de modernidade. Curiosamente, quase um século após a fundação do maior estúdio de animação do mundo é que um clássico conto de fadas ganhou sua versão animada feita na casa. Trata-se de "Rapunzel". Para as novas gerações esse nome pode não significar nada, mas é só falar na moça dos longos cabelos que vive presa em uma torre que vem o estalo. Enrolados é a versão moderna e descolada para o texto de origem alemã de autoria dos Irmãos Grimm sobre uma jovem que passou muitos anos presa em um quarto e que cultivou uma longa cabeleira que por fim era usada por sua mãe para conseguir chegar até ela. Posteriormente a moça descobriu que seus cabelos também poderiam levá-la ao mundo que tanto desejava conhecer. Desde Branca de Neve e os Sete Anões, da longínqua década de 30, o primeiro desenho animado de longa-metragem da história, já se percebia as características que marcariam o estilo Disney de fazer animação. Uma história baseada em um famoso conto de fadas, com mocinhos e vilões bem delineados, animais fofinhos e outros endiabrados com o poder de se comunicar pela fala ou dotados de inteligência, canções que ajudam no desenvolvimento do enredo e belos e perfeitos traços. A mistura desses ingredientes fez com que o estúdio enfrentasse a passagem do tempo com sucesso e cada vez mais ganhando a atenção e o carinho de novas gerações. O modelo foi copiado a exaustão por diversas produtoras que também realizaram belas obras, mas não atingiram o mesmo nível da concorrente. Curioso que algumas dessas empresas apostaram em uma nova receita para animações computadorizadas, deram certo e aí foi a vez da pioneira correr atrás das novas tecnologias para não ficar perdida no tempo. Após recuperar seus cofres com projetos em parceria com a Pixar, era então o momento da empresa olhar com carinho para suas origens e tentar reformular a receita caseira.

A história original da Rapunzel poderia resultar em um fracasso de bilheterias e repercussão por ser manjada e a criançada de hoje em dia desejar altas doses de adrenalina e humor afiado. Cerca de um ano antes deste lançamento, a Disney amargou críticas e resultados fracos com a adaptação de outro conto infantil, A Princesa e o Sapo. A dúvida era: será que as histórias clássicas ainda poderiam agradar a criançada moderninha? A resposta é sim, desde que a versão cinematográfica ganhe um tratamento especial e um verniz para parecer algo novo e divertido e escamoteie o romantismo excessivo, uma receita para agradar os baixinhos e os grandinhos. Os diretores Nathan Greno e Byron Howard acordaram a tempo e refizeram os esboços do projeto. O título foi trocado, o perfil da protagonista alterado, cores vivas foram adicionadas e doses generosas de humor e aventura foram agregadas ao roteiro de Dan Fogelman. Pronto! Eis aí mais um sucesso de crítica e público do estúdio. Os contos clássicos infantis já sofreram diversas transformações ao longo dos anos nas páginas dos livros, nas telas de cinema, nos palcos e nas adaptações para especiais de TV. Hoje é muito difícil identificar quais são as versões reais ou aquelas que mais se aproximam das obras originais. No filme em questão, mais um trabalho para ampliar a lista das reinvenções do conto da Rapunzel, os criadores optaram por uma introdução inesperada. A trama não começa dando destaque para a mocinha, mas sim para o mocinho com pinta de vilão. Flynn Ryder é o bandido mais procurado e sedutor do reino, mas no fundo é dono de um bom coração, talvez uma espécie de Robin Hood. Por isso mesmo o personagem recebeu esse nome, uma homenagem ao ator Errol Flynn que fez sucesso na década de 30 interpretando o famoso anti-herói no cinema.  Certo dia, em mais uma de suas fugas, ele acaba se escondendo em uma torre e conhece Rapunzel, uma linda jovem prestes a completar 18 anos que é mantida, disfarçadamente, como prisioneira no local. A jovem deseja deixar seu confinamento nem que seja por uma única vez para poder ver de perto as luzes que sempre surgem no dia de seu aniversário. Para tanto, faz um acordo com Flynn: ele a ajuda a fugir e ela lhe devolve a valiosa tiara que ele tinha roubado. Só que a mãe de criação da moça, a narcisista Gothel, não quer que ela deixe o local de jeito nenhum, pois a garota com seus longos cabelos dourados é a responsável por manter a beleza eterna desta cruel mulher. Por isso, a moça nunca pôde cortar suas madeixas, que já chegaram a impressionantes 21 metros de comprimento. Com sua voz doce e fazendo chantagem emocional, Gothel consegue manipular a garota que acredita que ela seja sua mãe verdadeira e seus atos de rebeldia seriam uma afronta para aquela que só deseja o seu bem. Se ela soubesse a verdade... 

Com um visual extremamente colorido e belas canções, a Disney conseguiu agregar ao seu velho e bom estilo certas novidades que fazem a diferença e que podem se tornar referências para novas adaptações em desenho de contos clássicos infantis. Quem se arriscaria a resgatar histórias conhecidas simplesmente para fazer mais do mesmo? As alterações nas características dos personagens podem ser uma boa alternativa. Rapunzel ganhou dons especiais que são muito importantes na condução do roteiro e um perfil que a conecta às adolescentes contemporâneas, deixando para trás a submissão e o recato da princesinha original. O herói passa longe de ser o estereótipo do príncipe encantado, todavia, consegue ser bem mais cativante que os tradicionais com seu jeito malandro de ser. Outra novidade bem-vinda é que a reinvenção do conto agrega a explicação de que quando estava grávida a verdadeira mãe da Rapunzel tomou um remédio feito de uma flor mágica criada por uma gota de sol, o que justifica o fato da filha ter um cabelo dotado de poderes, podendo crescer rapidamente e recuperar ou garantir a juventude de quem tocar em seus fios. Enrolados representa a volta da Disney aos bons tempos. O estúdio já passou por diversas crises e é certo que após O Rei Leão a empresa não conseguiu mais emplacar sucessos, excluindo os lançamentos em parceria com a Pixar. Tudo que foi produzido entre 1995 e 2010 foi recebido com repercussão modesta ou se confirmando em fracasso. Técnicas de animações tradicionais, avanço no uso do computador, histórias de adultos adaptadas para crianças e outras criações originais. A produtora tentou de várias formas encontrar seu público em uma nova era em que os desenhos devem agradar as mais variadas idades. Para o longa de animação que comemora um invejável recorde da empresa foram usadas técnicas avançadas de tecnologia de ponta que dão um aspecto de desenho feito a mão, o que mantém um estilo nostálgico, mas de nada adiantaria imagem de primeira se o roteiro não fosse a altura. Equilibrando muito bem ação, humor e o lúdico do texto original, a produção ainda conta com uma trilha sonora caprichada e investe em doses leves de violência e tensão psicológica para deixar o enredo mais atrativo para os mais velhos. É a Disney conseguindo agregar ao seu bom e velho estilo certas novidades que fazem a diferença. Ainda há muitos outros contos clássicos que merecem ganhar cores e movimentos nas telas de forma digna e a fórmula consagrada aqui poderia ser um fator animador.

Animação - 100 min - 2010

-->
ENROLADOS - Deixe sua opinião ou expectativa sobre o filme
1 – 2 Ruim, uma perda de tempo
3 – 4 Regular, serve para passar o tempo
5 – 6 Bom, cumpre o que promete
7 – 8 Ótimo, tem mais pontos positivos que negativos
9 – 10 Excelente, praticamente perfeito do início ao fim
Votar
resultado parcial...

2 comentários:

Silvia Freitas disse...

Eu gostei do filme, achei que ficou muito bonitinho

marcosp disse...

Enrolados, eu amoooooooooooooo... me enrolei no roteiro, na trilha sonora, alias até agora não entendo porque I see the light, não ganhou o Oscar, enfim, o filme é alegre, divertido e muito romantico... ja vi no minimo umas 15 vezes e me encanta sempre: RECOMENDÁDISSIMO!

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...