Nota 2,0 Parecendo que foi pinçado dos anos 80, longa de ação é vazio e com atuações sofríveis

Filmes de ação basicamente se
equilibram entre a luta do Bem e do Mal, dos mocinhos e dos vilões, mas tal fórmula
básica já foi usada e abusada a perder de vista. Os heróis que fazem jogo duplo,
ou seja trabalham para os dois lados, então surgiram para dar um novo gás para
a receita, mas logo também se tornaram obsoletos como prova
Brincando
com a Morte que parece reunir todas as características necessárias para
afirmarmos que foi produzido com anos de atraso, mas parece que os filmes B
nunca saem de moda, ou melhor, tem sempre algum produtor louco para jogar
dinheiro fora bancando projetos que desde a premissa já tem atrelado a palavra
fracasso. A trama escrita por Mark Haskell Smith parece criada para servir de
publicidade ao ator David Duchovny que já fazia sucesso na TV com a cultuada
série “Arquivo X”. Ele dá vida a Eugene Sands, um médico-cirurgião que apesar
do vício em drogas sempre procurou levar a profissão a sério. Sua desgraça foi
justamente se dedicar demais ao trabalho. Após muitas horas de plantão, certa
vez ele precisou operar uma paciente que acabou falecendo, assim sendo acusado
de erro médico por estar sob efeito de substâncias alucinógenas e perdendo sua
licença para atuar na área. Contudo, ele terá a chance de voltar à ativa,
porém, literalmente de forma ilegal. Alguns meses após seu afastamento do
trabalho, Sands salva a vida de um desconhecido que foi baleado em um barzinho.
No dia seguinte ele é procurado por Raymond Blossom (Timothy Hutton), um
contrabandista de bens de consumo que ficou sabendo de seu feito e lhe oferece
dinheiro e drogas caso aceite uma proposta. Ele deve operar Vlad (Peter
Stormare), um de seus comparsas que está gravemente ferido, mas que obviamente
não pode ir a um hospital para que a polícia não seja envolvida no caso e
desmantele a quadrilha. Bondade no mundo dos vilões? Claro que não, tudo com
segundas intenções. O ferido sabe onde está escondida uma valiosa mercadoria de
contrabando e pressionado acaba revelando o segredo para depois ser assassinado
friamente por Blossom.
Sabendo demais, mas também não
tendo um passado totalmente limpo, Sands aceita viajar com Blossom em busca da
tal mercadoria, tornando-se assim praticamente um membro de sua quadrilha.
Todavia, logo ele também recebe a visita de Thomas Gage (Michael Massee), um
agente do FBI que sabendo das ligações estreitas do ex-médico com o
contrabandista quer que ele sirva como informante para que todos os envolvidos
no esquema sejam capturados, com a promessa de que assim o livraria de
acusações como prática ilegal de medicina e associação com o crime organizado.
Completando o pacote, temos Dimitri (Max Lazar), rival de Blossom no crime, e a
ainda desconhecida Angelina Jolie surge como Claire a namorada do bandidão,
obviamente que também se tornará o interesse amoroso do nosso anti-herói. O
diretor Andy Wilson fazia sua estreia como diretor e felizmente deve ter tomado
ciência de que não tem competência para o cinema e se refugiou logo de imediato
na TV onde realizou muitos seriados.
Brincando com a Morte respira o
clima de produção dos anos 80 do início ao fim. Interpretações canastronas,
personagens bobos, ritmo e visual datados, além de diálogos mal construídos,
por exemplo, quando Sands está fazendo seu terceiro salvamento ilegal, ele é
pressionado por um dos comparsas do ferido a não usar luvas, pois isso seria
sinal de medo da Aids e uma afronta a masculinidade do moribundo. Filmado em
1997, coisas do tipo até seriam toleráveis dez anos antes devido a falta de
informações, mas em tempos em que as lutas de homossexuais e aidéticos já davam
sinais de vitória, isso significa um retrocesso. Bem, o que também se poderia
esperar de uma produção com título tão genérico? Poderia ter sido sucesso nos
tempos áureos de Chuck Norris e companhia bela. Hoje em alta, Jolie deve se
envergonhar de ter participado de tal lixo, já Duchovny deve até lembrar com
carinho da produção por ter sido chamado para protagonizá-la, mas deve quebrar
a cabeça para compreender como sua carreira no cinema não deslanchou. Será que
ele inveja George Clooney?
Ação - 94 min - 1997
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