terça-feira, 3 de janeiro de 2012

NUNCA É TARDE PARA AMAR

NOTA 7,5

Uma boa idéia é mal
desenvolvida e resulta em
um filme previsível, porém,
divertido do início ao fim
Pelo título piegas você já deve pensar: lá vem mais uma comédia romântica bobinha e com final previsível. Bem, a forma como esta história acaba não foge às regras da cartilha que rege o gênero comédia romântica, mas o bobinha fica por conta da interpretação de cada um. Nunca é Tarde Para Amar pode surpreender e esconder algo mais por trás do verniz de produção escapista e engraçadinha. A história gira em torno de Rosie (Michelle Pfeiffer), uma mulher já quarentona que impressiona pela sua beleza, mas que está passando por momentos conturbados tanto em sua vida pessoal quanto profissional. Ela é a mãe de Izzie (Saoirse Ronan), uma pré-adolescente que está vivendo sua primeira paixão. Coincidentemente, o mesmo sentimento está sendo vivido por Rosie, que até então nunca havia tido um relacionamento com alguém mais jovem, mas cai de amores por Adam (Paul Rudd), um ator que não chegou nem na casa dos trinta anos ainda. Eles se conhecem durante a escolha de elenco para um seriado de TV do qual ela é a produtora e o rapaz a conquista com seu extremo bom humor e maneira leve de viver a vida. Ele então se torna a arma secreta para conquistar a audiência do público adolescente antes que o horário seja tomado por um reality show. Se as coisas vão bem no trabalho para ambos, a vida pessoal só não está melhor porque esse relacionamento entre uma mulher mais velha e um homem mais jovem é motivo de inveja para alguns. 
 
Fora o bom humor explícito de Paul Rudd, ator que depois de vários papéis coadjuvantes finalmente conquistou a vaga de protagonista e se deu muito bem, o enredo esconde piadas acerca das quarentonas e cinquentonas nos anos 2000. Apesar de moderninhas, elas ainda se prendem a preconceitos do passado e tendem a se afastar da chance de serem felizes com alguém mais jovem, já que a sociedade ainda não vê com bons olhos tais relacionamentos. No longa, a protagonista se arrisca a viver esta paixão, mas vira e mexe põe o pé no freio ora por causa de se achar ridícula vivendo os mesmos sentimentos que sua filha adolescente e ora por achar que a relação pode atrapalhar no campo profissional, até porque tem gente nos bastidores querendo atrapalhar o casal. A produtora de TV ainda enfrenta o peso da idade ao ver que suas idéias de seriados parecem ultrapassadas perante os reality shows, praga que se alastrou por todo o mundo rapidamente. Em meio a tantos conflitos, o roteiro obviamente é muito focado no papel de Michelle Pfeiffer, atriz que curiosamente também sentiu o peso da idade na vida real. Estrela consagrada e lindísssima perto dos cinquenta anos, ela ficou longe dos cinema por cinco anos. A escassez de convites só veio cessar em 2007 quando, além desta produção, ainda brilhou em Stardust - O Mistério da Estrela como uma feiticeira e soltou a voz como uma megera no musical Hairspray - Em Busca da Fama.
Responsável por cults de críticas sociais na década de 1980 e 1990, respectivamente Picardias Estudantis e As Patricinhas de Beverly Hills, ambos acerca do universo dos adolescentes da época retratada, a diretora Amy Heckerling tentou fazer aqui um retrato de uma nova geração, mas sem se esquecer daqueles que nasceram no século passado, mas que continuam cheios de disposição para as próximas décadas. Aqui entram em cena os conflitos de uma geração que manteve a aura inocente até pelo menos os quinze anos de idade com uma nova prole que aos doze já não deseja mais brincar com bonecas, já que aqui prevalece a ótica feminina sobre os assuntos. É uma pena que a diretora desta vez não conseguiu o mesmo nível de eficiência na crítica quanto nos título citados de sua filmografia. O enfoque poderia render uma história mais reflexiva, mas parece que houve medo em afugentar o público-alvo que certamente só busca distração momentânea. Porém, vale a ressalva que as várias referências a ídolos do momento e do passado e o próprio artifício do programa de TV dentro do filme são muito eficientes para datar a obra e criticar a ditadura da beleza sobrepondo o talento real. É uma alfinetada leve na própria indústria de cinema de Hollywood, o próprio nicho que gerou este produto. Em resumo, Nunca é Tarde Para Amar é calcado em clichês, mas cheio de boas intenções que, infelizmente, não foram bem desenvolvidas talvez até por imposições da própria produtora do longa. Quem se dispor a assistir com boa vontade e atenção pode conseguir pescar as mensagens implícitas e desenvolver os temas em sua mente por conta própria, assim constatando que este trabalho está um pouco acima do convencional do gênero, mas ainda assim abaixo do que poderia ser.
Comédia Romântica - 98 min - 2007 - Dê sua opinião abaixo.

Um comentário:

renatocinema disse...

Apesar de ser realmente prevísivel, essa comédia me agradou. Acho que estava num bom dia para o gênero, passou bem o tempo.

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