domingo, 3 de junho de 2012

QUERIDINHO DA VOVÓ

Nota 2,0 Comédia sofre do mesmo mal que tantas outras: o trailer esvazia o humor da trama

Steve Carell é o grande símbolo das comédias destinadas a um público maduro, certamente por ele próprio ter surgido para as massas quando já era um quarentão e com projetos bacanas que se não são fenômenos de bilheteria ao menos não mancham seu currículo. Adam Sandler e Jim Carrey também já estão neste caminho, mas alternam bons trabalhos com outros duvidosos. A onda das “comédias maduras” ganhou força nos últimos anos, mas com um pouco de garimpagem podemos descobrir que antes já aconteceram tentativas do tipo, o problema é que elas sempre pendiam mais para o lado adolescente e babaca do enredo. É este o caso de Queridinho da Vovó, uma produção assinada por Nicholaus Goossen com premissa razoável, mas que acaba constrangendo os espectadores a certa altura ao assumir o estilo American Pie de fazer cinema. Alex (Allen Covert) já tem 35 anos de idade, mas ainda vive e se comporta como um adolescente. Até sua profissão é o sonho de qualquer garotão: testar diariamente jogos de vídeo game. Ele ainda não está completamente certo, mas já demonstra vontade de finalmente crescer e por isso está desenvolvendo em segredo nas suas horas vagas um novo e revolucionário jogo virtual que um dia pretende oferecer à sua empresa para comercializá-lo. Em um golpe de azar, Alex acaba tendo que deixar o apartamento que dividia com amigos e vai morar com sua avó, Lilly (Doris Roberts), uma simpática velhinha que vive com mais duas amigas de idades próximas. Elas passam a explorar o rapaz deixando muitas tarefas domésticas para ele fazer, o que o deixa tão cansado que provoca constantes cochilos quando ele está no trabalho. A explicação do rapaz é que ele vive com três mulheres maravilhosas e insaciáveis que acabam com ele na cama, o que aguça a curiosidade de seus colegas de trabalho, incluindo Samantha (Linda Cardellini), sua superiora.

Um bobalhão que realiza trabalhos para um trio de velhotas e justifica seu cansaço inventando que passa suas horas vagas satisfazendo os desejos sexuais de lindas mulheres renderia boas piadas investindo mais nas especulações e fantasias acerca do assunto, mas o roteiro de Barry Wernick, Nick Swardson e do próprio Allen Covert é tão raso quanto um pires e desarma a armação rapidamente e de um jeito bem constrangedor. O problema começa já pelo estereótipo do tal queridinho, um trintão que sabe tudo sobre o mundo dos games, mas é um boçal para qualquer assunto alheio a isso, exceto mulheres. Sua idiotice é tanta que até J.P. (Joel David Moore), o cara diferentão e excluído da sua turma de trabalho, diga-se de passagem, com uma voz robotizada um tanto irritante, consegue lhe passar a perna e roubar seu tal projeto secreto. Outro furo é quanto ao interesse romântico do protagonista, a irreconhecível Linda Cardellini, a Velma de Scooby-Doo, que não demonstra sentir qualquer sentimento mais carinhoso pelo rapaz, mas repentinamente é forçada uma relação entre eles quase nos minutos finais para justificar que sempre o amor vencerá e mais cedo ou mais tarde todos encontram um par. Para arrematar o show de clichês, uma festa regada a drogas, bebidas, bizarrices e hormônios em ebulição trata de matar a pontinha de esperança que ainda poderíamos ter que essa comédia surpreenderia afinal o trailer denunciava ao menos um filme razoável, embora a presença de um macaco e de um gordinho com cara de palerma já seriam indícios suspeitos do que viria por aí. De qualquer forma, este é mais um exemplo em que a publicidade é bem melhor que o filme em si. Um resumão de dois ou três minutos tratou de pinçar as poucas piadas boas para turbinar o marketing de Queridinho da Vovó, mas no final das contas a decepção será inevitável a quem acompanhar o conjunto. É uma pena. Geralmente comédias com idosos costumam render piadas manjadas, mas ainda assim divertidas. Neste caso elas funcionam quase como um remédio para a insônia. Quem já está na casa dos trinta anos ou mais, é viciado em vídeo game, internet e afins e as sextas e sábados a noite ainda são sinônimos de bebedeira e pegação, favor não assistir em consideração a sua própria autoestima. A vergonha de se sentir retratado como um idiota no filme será inevitável.

Comédia - 94 min - 2006 - Dê sua opinião abaixo.

 

2 comentários:

renatocinema disse...

Nota 2,0 não deixa nem eu ver a capa do filme. kkk

Luís disse...

Ne o título me motiva a ver, nem mesmo sutilmente.

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