domingo, 17 de maio de 2015

UM RATINHO ENCRENQUEIRO

Nota 7,0 Simples e previsível, ainda assim longa infantil consegue divertir e cativa com seu roedor

O estúdio DreamWorks hoje é sinônimo de boas produções no campo da animação, mas seus primeiros anos não foram fáceis. Tendo Steven Spielberg como principal nome na diretoria, a intenção sempre foi lançar arrasa-quarteirões, mas os lançamentos iniciais decepcionaram nas bilheterias, como O Pacificador Amistad. Já Um Ratinho Encrenqueiro cumpriu sua missão de ficar em cartaz durante o período de férias da criançada. Não foi um êxito, porém, ao menos já apontava um caminho para direcionar os futuros lançamentos da empresa: produções para toda a família era a chave do negócio. Hoje a comédia já é até apontada por alguns como um clássico no melhor estilo sessão da tarde. Exageros à parte, o fato é que realmente nos divertimos como poucos longas envolvendo animais conseguiram na década de 1990. A trama começa com o funeral do solitário Rudolph Smuntz (William Hickey), mas seu corpo mal esfriara e seus sobrinhos já estão fazendo planos e discutindo sobre a herança. A decepção é inevitável quando descobrem que o tio deixou apenas uma decadente fábrica de barbantes e uma velha mansão caindo aos pedaços. Quis o destino então reaproximar os irmãos que há tempos mantinham uma fria relação. Lars (Lee Evans) se recusa a vender a fábrica e sua esposa o expulsa de casa enquanto Ernie, que então era o proprietário de um conceituado restaurante, viu sua fama ruir de uma hora para a outra graças a um inseto encontrado na refeição do prefeito. Sem terem para onde ir, eles resolvem ir morar no casarão do tio e se animam ao descobrir que apesar de estar em ruínas ela vale uma fortuna por seu valor histórico. Basta que ela ganhe um tapa no visual em tempo hábil. Assim, eles decidem colocá-la em leilão, mas enquanto fazem uma reforma para valorizá-la percebem que lá vive um morador secreto, simplesmente um esperto ratinho que passa a infernizar a vida dos herdeiros no intuito de expulsá-los.

O roedor, apesar de endiabrado, é de uma doçura cativante e de imediato conquista as crianças, ainda mais quando começa a colocar em prática seus planos para amedrontar seus rivais, tudo no melhor estilo Esqueceram de Mim. Estreando na direção, Gore Verbinski, que anos depois inflaria sua conta bancária com os milhões faturados pelos três primeiros filmes da saga dos Piratas do Caribe, certamente deve ter visto uma dezena de vezes as peripécias de Macaulay Culkin para se livrar de uma dupla de bandidos apatetados. Não há como deixar de relacionar as comédias. Os escorregões, trombadas e quedas provocadas por mirabolantes armadilhas arquitetadas pelo personagem-título funcionam pelo cima nonsense acentuado pelas atuações de Evans e Lane. Eles tem consciência de que estão em cena apenas para serem humilhados e topam a brincadeira sem problemas. Quem também topa ser ridicularizado pelo pequeno roedor é o veterano e consagrado Christopher Walken que interpreta Caeser, um exterminador de pragas que nem com todas as traquitanas possíveis que carrega consegue derrotar a astúcia do astro de Um Ratinho Encrenqueiro. O tom de fábula e a interpretação exagerada do elenco garantem a diversão do público infantil e o roteiro de Adam Rifkin, desde o início com o caixão do tio rolando escada abaixo, deixa claro também inspirações nos desenhos de Tom e Jerry e no seriado dos lendários Gordo e Magro. E é claro que não falta um felino de plantão, batizado com o sugestivo nome de Catzilla, para dar um pouquinho de emoção caçando o velho inquilino da mansão. Os adultos precisam se esforçar um pouco mais para se entreterem, mas ao menos o diretor capricha na movimentação de câmeras, muitas vezes colocando o foco como se estivéssemos vendo tudo pelos olhos do roedor, e também oferece um ritmo vertiginoso graças a um minucioso trabalho de edição que condensa em pouco mais de uma hora e meia o estritamente necessário para narrar a trama.

Comédia - 97 min - 1997

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