quarta-feira, 30 de abril de 2014

AMOR IMPOSSÍVEL

NOTA 5,5

Plasticamente belo, longa é
uma irregular mistura de
gêneros que no final das contas
não convence em nenhum
Quem se sentir atraído pelo singelo título certamente vai se decepcionar com esta produção assinada por Lasse Hallström, diretor de Querido John e Sempre ao Seu Lado, recentes sucessos entre o público feminino. Existe sim um gancho romântico em Amor Impossível, mas ele demora a ser desenvolvido e não conquista emocionalmente o espectador, assim muitas pessoas podem ficar com a sensação de ter comprado gato por lebre. O título original, “Salmon Fishing in the Yemen” (Pescando Salmão no Iêmen), já dá a dica de que o foco da produção é outro: contar a história insólita de um milionário que desejou ter uma criação de salmão em uma região desértica para praticar seu esporte favorito, a pesca. Baseado no livro homônimo de Paul Torday, o pontapé inicial da história é dado por Muhammed (Amr Waked), um xeique visionário que acredita que a pesca pode transformar a vida de seu povo e para tanto não mede esforços, ou melhor, dinheiro afinal ele está disposto a gastar o quanto for necessário, mas as dificuldades quanto a implantação de seu sonho não são de sua alçada. A consultora de investimentos Harriet Chetwode-Talbot (Emily Blunt) é então chamada para levar a ideia até o Dr. Alfred Jones (Ewan McGregor), um especialista britânico no assunto e o único capaz de fazer água surgir no deserto literalmente e ainda dar cria de peixes. Na realidade, o cientista deve oferecer o embasamento técnico, dizer o que precisaria ser feito para adequar o clima árido ao sonho do contratante, mas a princípio o rapaz acha a história absurda e faz pouco da oferta. Todavia, quando Patricia Maxwell (Kristin Scott Thomas), a assessora de comunicação do Primeiro Ministro da Inglaterra, toma conhecimento do projeto faz de tudo para que ele seja levado adiante por motivos políticos. Os britânicos e os povos do Oriente Médio estão vivendo um momento pouco amistoso por conta de uma ocupação no Afeganistão e uma notícia como a da iniciativa do xeique poderia apaziguar os ânimos e desviar a atenção daqueles que condenavam a participação dos ingleses no conflito. A assessora pode ser vista como uma vilã, mas na realidade é apenas uma pessoa que sabe tirar proveito das situações. Em uma ideia autêntica e inocente enxerga a possibilidade de benefícios, talvez até financeiros, e por isso ela está ocupando um cargo alto e de confiança. É esperta e perspicaz como só ela.

terça-feira, 29 de abril de 2014

O NÚCLEO - MISSÃO AO CENTRO DA TERRA

NOTA 1,0

Mais uma bomba cinematográfica
acerca de catástrofes peca em
vários aspectos, além de testar a
paciência com sua longa duração
Durante os anos 50 e 60 o cinema temia a concorrência e a popularidade da televisão e começou a ousar mais para atrair público. Dessa forma, milhares de pessoas do mundo inteiro experimentaram a até então inédita sensação de terror e impotência diante do desconhecido com produções como O Dia em que a Terra Parou e Guerra dos Mundos. Filmes do tipo traziam como publicidade extra o uso de efeitos especiais revolucionários, além de narrativas que faziam alusões a problemas da época usando elementos alegóricos, como a invasão de extraterrestres, e que já diziam que os próprios seres humanos seriam os responsáveis pela degradação da Terra. Anos mais tarde, tornaram-se populares os filmes-catástrofes, produtos que também colocavam as pessoas em situações de risco, perigos ocasionados pela revolta da natureza ou por falhas técnicas de meios de transportes ou construções que prometiam modernidade e segurança. Com o tempo, produções dos tipos citados acabaram se tornando raros lançamentos, pois todas as possibilidades de destruição do mundo já haviam sido exploradas, contudo, sempre tem um desocupado de plantão e assim o diretor Jon Amiel resolveu cometer um insulto chamado O Núcleo – Missão ao Centro da Terra. Realmente, o longa é um dos piores lançados na década de 2000, quiçá da História do cinema. Foi mal, isso é exagero. Se tivesse sido lançado no mínimo trinta anos antes (ele é de 2003) talvez este imbróglio poderia ter sido um sucesso, pois se encaixa razoavelmente ao estilo das produções populares da época, todavia, não há motivos para um filme desse tipo ter sido produzido em pleno século 21 e nem adianta dizer que foi preciso esperar tecnologia avançada para tornar o projeto realidade, pois os efeitos especiais são para lá de toscos. Às vésperas do lançamento, um ônibus espacial sofreu um desastre e obrigou o diretor a cortar uma importante cena em que coincidentemente os fatos fictícios faziam alusões aos reais, mas nem isso ajudou o longa que não conseguiu recuperar nem metade de seu orçamento nas bilheterias. Antes de continuar com as críticas negativas rasgadas, vamos ao mirabolante enredo escrito por John Rogers e Cooper Layne. Estranhos fenômenos começam a chamar a atenção dos cientistas, desde o comportamento estranhos de animais, passando por mudanças climáticas bruscas até as mortes simultâneas e inexplicáveis de pessoas com problemas cardíacos, problemas que parecem atingir o mundo inteiro. Para analisar o caso, é chamado o geólogo Josh Keyes (Aaron Eckhart) que chega a conclusão de que o núcleo da Terra parou de girar inexplicavelmente e isso afetou o campo eletromagnético que envolve e protege o planeta.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

SECRETÁRIA

NOTA 8,5

Longa segue viés original para
contar a história de duas pessoas
mal compreendidas pela sociedade
que tiveram a sorte de se encontrar
Cansado das histórias de amor convencionais? Talvez então você possa gostar ou no mínimo achar original o argumento e os caminhos traçados pelo romance com toques de humor e drama Secretária, produção vencedora do prêmio especial do júri no Festival de Sundance em 2002 e que fez ligeiro sucesso no circuito alternativo. A premissa pode vender a ideia de que é uma obra que objetiva falar sobre o abuso sexual em ambiente de trabalho, principalmente pelo título trazer a célebre figura que mexe com a fantasia de muitos patrões, mas felizmente a obra não segue esta trilha tão óbvia e preconceituosa. Conforme nos envolvemos com a trama vamos nos surpreendendo com os rumos. Baseado no conto homônimo de Mary Gaitskill, o roteiro de Erin Cressida Wilson gira em torno de Lee Holloway (Maggie Gyllenhaal), uma moça masoquista que tem como grande hobby ferir seu próprio corpo em busca de prazer. Após passar algum tempo em um hospital psiquiátrico, ela volta para a casa dos pais e tem que se readaptar ao estilo de vida de uma pessoa comum. Acostumada a horários regrados, o tempo livre agora poderia ser um grande vilão, ainda mais o dispensando junto a sua família disfuncional, o que poderia lhe deixar ainda mais fora de órbita. No entanto, ela decide ocupá-lo trabalhando e mesmo não tendo experiência alguma como secretária, apenas certa intimidade com a datilografia que lhe rendeu um prêmio regional, ela tenta uma vaga de trabalho no escritório de E. Edward Gray (James Spader). A primeira vista, o advogado é ríspido, exigente, mal humorado e excêntrico. Sim! Para a surpresa da moça, seu possível chefe é tão maluquinho quanto ela e deixa isso já em evidência logo na entrevista, já que dedicou boa parte do tempo preocupando-se em fazer perguntas de cunho pessoal a candidata, inclusive algumas questões de apelo sexual, algo improvável para a ocasião. Só por este cartão de visitas, já seria difícil alguma garota em sã consciência aceitar o trabalho, ainda mais se refletisse melhor quanto ao aviso de perigo implícito que se encontra na porta do estabelecimento. A fuga das secretárias já se tornou um problema tão comum na vida de Grey que ele já afixou um letreiro luminoso na entrada solicitando funcionária, assim limitando-se a acender ou apagar conforme a necessidade.

domingo, 27 de abril de 2014

PERDIDOS EM NOVA YORK

Nota 5,0 Comédia é datada e com piadas previsíveis apoiando-se no carisma dos protagonistas

Você já viu essa história. Turistas atrapalhados visitam cidade desconhecida e o destino parece estar contra eles, colocando em seus caminhos diversos obstáculos que vão tirá-los do sério, provocar brigas, mas no final tudo dará certo. Essa é uma das tramas mais corriqueiras em comédias e típicas de produções realizadas entre meados dos anos 50 e 80, uma fórmula que não tem erro. O que pode justificar seu sucesso ou fracasso é seu elenco. Será mesmo? Perdidos em Nova York prova que bons intérpretes realmente são necessários, mas eles não podem fazer nada sem um bom texto. Refilmagem de Forasteiros em Nova York, obra de 1970 estrelada por Jack Lemmon e Sandy Dennis, esta comédia foi lançada sem grandes alardes até mesmo nos EUA onde filmes do tipo costumam ter audiência cativa (devem se divertir vendo estrangeiros perdidos em suas ruas, que dirá os próprios americanos aloprados). A discrição tem justificativa. A produção é baseada no roteiro de Neil Simon, considerado um dos grandes nomes do humor na Broadway, mas o que podia ser divertido no passado tornou-se datado em sua versão modernizada. Se em 1999 o fracasso já podia ser creditado ao humor capenga, imagina hoje em dia. Não há problema algum em apostar em uma comédia com ares mais nostálgico e ingênuo, é uma opção até bem-vinda para fugir das piadas escatológicas e vexatórias que parecem ter tomado conta do gênero há pelo menos duas décadas, mas é preciso fazer alguns ajustes para elas funcionarem. Marc Lawrence é o responsável pela adaptação do roteiro original, mas a sensação que se tem é que ele simplesmente transcreveu a trama antiga palavra por palavra. Após mais de vinte anos de união, finalmente Nancy (Goldie Hawn) e Henry Clark (Steve Martin) estão a sós após seus filhos tomarem os rumos de suas vidas. Há tempos o casamento caiu na rotina e a situação só parece piorar a cada dia, mas as coisas estão prestes a mudar. Publicitário experiente, o veterano acaba inesperadamente perdendo o emprego, porém, já tem em vista um novo, mas para tanto terá que viajar de Ohio para Nova York sem levantar suspeitas da esposa que nada sabe sobre a demissão.

sábado, 26 de abril de 2014

A ÚLTIMA APOSTA

Nota 6,0 Apostadores e bandidos têm suas vidas ligadas em drama que podia render mais

Todas as pessoas estão em busca de algo. Amor, felicidade, saúde, dinheiro ou, em outras palavras, simplesmente mais vida. Contudo, estes objetivos exigem cautela, pois se não tomar cuidado você pode acabar ficando com menos do que já tem. É basicamente com este pensamento que o diretor Mark Rydell abre seu drama A Última Aposta, obra em estilo mosaico na qual as vidas de pessoas completamente diferentes acabam se cruzando por causa de um ponto em comum: a obsessão por apostas. Carol (Kim Basinger) é uma escritora viciada em jogos de máquinas caça-níquel, embora quando ganhe sejam apenas alguns trocados insignificantes. Sua obsessão por sempre tentar ganhar mais acaba atrapalhando sua vida profissional, já que gasta muito tempo em cassinos e não se concentra para escrever, e também sua vida particular, visto que suas incessantes desculpas para chegar tarde em casa já estão chamando a atenção de Tom (Ray Liotta), seu marido. Certo dia, ela acaba conhecendo por acaso Walter (Danny DeVito), um mágico frustrado e trambiqueiro que se aproveita da compulsão da escritora para incentivá-la a lhe ajudar a apostar em um campeonato de basquete universitário cujo resultado ele sabe que já foi arranjado. Neste jogo irá participar o jovem Godfrey (Nick Cannon), uma promessa do esporte e a tábua de salvação para seu irmão mais velho, Clyde (Forest Whitaker), este que exige esforços do rapaz, pois tem certeza que olheiros estarão acompanhando a partida e irão oferecer um contrato milionário para o melhor jogador. Clyde deve muito dinheiro à Murph (Grant Sullivan) e Augie (Jay Mohr), dois rapazes que ganham a vida realizando apostas clandestinas via telefone e não medem esforços para cobrarem suas dívidas, mesmo que seja necessário matar. De olho na dupla está o empresário do submundo Victor (Tim Roth), que usa da corrupção para controlar e lucrar com apostas e pode estar envolvido em uma misteriosa morte que está sendo averiguada pelo detetive Brunner (Kelsey Grammer).

sexta-feira, 25 de abril de 2014

MADRUGADA DOS MORTOS

NOTA 7,5

Apesar de ser mais uma história
sobre humanos fugindo de zumbis,
longa injeta ânimo com humor,
adrenalina e mortos-vivos repaginados
Quem decide assistir um filme a respeito de zumbis quer ver essas criaturas bizarras aos montes e o máximo de tempo possível na tela, então para que perder tempo com blá-blá-blá? Recém-saído da posição de espectador, o diretor Zack Snyder fazia sua estreia com Madrugada dos Mortos em grande estilo e justamente atendendo aos anseios dos fãs de terror: partindo direto para a ação. Em menos de cinco minutos a protagonista Ana (Sarah Polley) já é vítima de uma adolescente zumbi, ou melhor, seu marido é atacado e transformado também em um morto-vivo, mas ela consegue escapar do ataque. Tanta agilidade pode ser justificada como uma forma de inserir os zumbis em uma nova realidade. George Romero é considerado até hoje o mestre dos filmes de terror desse tipo e ele é quem criou o estereótipo de que estas criaturas bizarras deveriam andar vagarosamente, tropeçando entre as próprias pernas e com olhar entorpecidos, modelos que assombraram filmes como Zombie – O Despertar dos Mortos, do próprio cineasta lançado em 1979. Snyder, certamente na esteira do sucesso um ano antes de Extermínio de Danny Boyle, decidiu fazer uma refilmagem do longa de Romero, mas acabou fazendo muito mais que uma homenagem a esse homem e conseguiu desvincular a imagem de que terror com zumbis é sinônimo de filme trash, algo conquistado com criatividade e também um bom orçamento disponibilizado pelo estúdio Universal que enxergava a possibilidade de resgatar um gênero de nicho que andava adormecido. A produção foi bem nas bilheterias mundiais, mas mesmo assim não gerou uma continuação e produtos similares que vieram depois não causaram barulho. Talvez tenha sido melhor assim, pois dessa forma a obra de Snyder conseguiu manter-se em evidência e hoje já pode ser visto como uma pequena joia do terror lançado nos anos 2000, um produto diferente que ousou brigar pela preferência do público enfrentando a avalanche de remakes de horror orientais tão em alta na época. Além da repaginada no comportamento dos zumbis, o diretor, egresso do mercado publicitário e de videoclipes, injetou dinamismo e humor e por trás de toda a correria, jatos de sangue e vísceras o longa esconde uma crítica social. O que decepciona é que ao término não encontramos uma justificativa plausível para o título nacional, mas isso é o de menos.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

MÁSCARA DA ILUSÃO

NOTA 8,5

Bom enredo merecia um melhor
desenvolvimento, mas acaba sendo
suplantado pelo visual colorido,
arrebatador e inovador da obra
A fuga da realidade através de um passeio por um mundo imaginário. Tal argumento já serviu de base para muitos filmes e não ficou restrito ao universo dos títulos infantis e juvenis, sendo expandido à temáticas mais adultas, como no premiadíssimo O Labirinto do Fauno. É uma pena que o casamento entre um visual fantástico e uma narrativa consistente seja difícil de ser concebido e muitas obras que tentaram a junção acabaram sendo esquecidas ou apreciadas por um pequeno nicho de público, como é o caso da aventura Máscara da Ilusão. Bem, o longa certamente não nasceu com pretensões de arrebatar multidões, pelo menos por parte de seus criadores diretos, mas sim agradar a uma plateia específica, os fãs da graphic novel “Sandman”. Essas pessoas não só apreciavam as histórias criativas do escritor Neil Gaiman, mas também eram atraídas pelas belas capas boladas pelo designer gráfico Dave McKean que ajudavam os leitores a imaginar as ambientações dos contos. A vontade de levar esse universo fantástico para a linguagem cinematográfica era um projeto antigo da dupla, portanto, para que mexer em time que está ganhando? Assim, eles criaram juntos o argumento e depois cada um tratou da sua alçada, Gaiman trabalhou no roteiro e McKean na direção e no visual arrebatador e surrealista que une com perfeição efeitos especiais artesanais e atores de carne e osso. A criatividade já é servida desde os créditos iniciais embalados por uma bela trilha sonora que gruda nos nossos ouvidos com sua melodia exótica e vibrante. A trama guarda resquícios do clássico O Mágico de Oz, mas nada que abale seu espírito de originalidade. A adolescente Helena (Stephanie Leonidas) é filha de um casal de artistas circenses e está cansada da vida que leva, sempre mudando de endereço e sendo obrigada a participar de apresentações para alguns poucos gatos pingados que ainda apreciam esse tipo de espetáculo. Ela desejava viver como uma adolescente normal e constantemente discutia com seus pais, Morris (Rob Brydon) e Joanne (Gina Mckee). Em uma dessas brigas, sua mãe acaba passando mal seriamente, fruto de uma doença que a filha desconhecia, e terá que ser submetida a uma delicada cirurgia na cabeça. Helena, no entanto, acredita que a culpa é sua por causar tantos aborrecimentos e traumatizada acaba indo parar sem saber como em um universo paralelo, um lugar onde as estranhas figuras que costumava rabiscar em papéis e paredes ganham vida.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O DITADOR (2005)

NOTA 9,0

Fatos verídicos e ficcionais
casam-se com perfeição em
drama que expõe os podres da vida
de um ditador pouco conhecido
Quando você vota em um político, principalmente para presidente e outros cargos de alto escalão, você sabia que estará definindo não só o futuro do seu país como também pode ajudar a interferir nos rumos da História mundial? Para tomarmos conhecimento disso é que são de suma importância filmes como O Ditador que revela particularidades a respeito da vida de Rafeal Leonidas Trujillo. Quem? Pois é, seu nome dificilmente consta nos livros escolares e tampouco é mencionado quando a ditadura é destaque em retrospectivas e especiais da imprensa, mas sua carrasca atuação no comando da Republica Dominicana por três décadas seguidas, tendo seu auge em meados dos anos 50, interferiu também nos caminhos traçados por outros países. Baseado no romance “A Festa do Bode”, do peruano Mario Vargas Llosa, o longa apresenta de forma dinâmica momentos acerca da vida pública e pessoal do governante, interpretado brilhantemente por Tomas Milian, que lançava mão de arrogância, autoritarismo, cinismo, chantagem e até mortes para se manter no poder, bradando aos quatro ventos que só deixaria a política quando estivesse morto. Assim como todas as suas ordens eram acatadas, o destino se encarregou de mais esse pedido. Ele foi assassinado no final de maio de 1961, mas conhecer seu desfecho não anula o potencial do longa dirigido por Luis Llosa, primo do autor do livro. Os méritos da obra, adaptada pelo próprio cineasta em parceria com Zachary Sklar, estão em falar sobre os sujos bastidores da política de forma a envolver o espectador em uma trama dividia em três partes que se intercalam. A primeira é protagonizada por Urania Cabral (Isabella Rossellini) que em 1992 estava voltando ao seu país-natal após 31 anos de ausência. Ela vai direto para a casa do pai, Augustín Cabral (Paul Freeman), um homem que um dia chegou a ser o Presidente do Senado, mas hoje é apenas um velho esquecido e doente. As empregadas e parentes dele acreditam que a filha voltou por conta de seu aniversário de 80 anos, mas na verdade ela finalmente criou coragem para confrontar seu passado. Sem marido e nem filhos, ela é uma advogada ávida por justiça e História de seu país, porém, ela não acha na literatura local detalhes sórdidos sobre a vida de Trujillo e aqueles que o cercavam. Cabral era o braço direito do ditador e muitas vezes compactuou com seus crimes, que incluíam pedofilia, para conseguir status e bens materiais, mas uma única vez que o afrontou foi o bastante para  o político se irritar e o banir de seu grupo, chegando a acusa-lo de desfalque na imprensa.

terça-feira, 22 de abril de 2014

PROTEGIDA POR UM ANJO

NOTA 5,0

Repetindo clichês e buscando
um toque de filme europeu,
suspense meia-boca entretém,
mas parece uma obra datada
Já vivenciando a decadência do longo período de sucesso dos filmes de horror orientais, refilmagens ou originais, não importa, Hollywood tentava pegar carona nos últimos passos dessa esteira e lançou muitas produções com temáticas sobrenaturais procurando algum viés “inédito”, algo diferente dos fantasminhas de cabelos escorridos tapando os rostos tão comuns nos longas asiáticos. O excesso de produtos do tipo acabou fazendo com que o mercado norte-americano selecionasse com mais cautela aqueles que seriam exibidos nos cinemas, o que explica o fato de Protegida por um Anjo ter sido lançado diretamente em DVD por lá. Ele está longe de ser ruim, cumprindo seus objetivos de entretenimento rasteiro e oferecer alguns sustos, mas é relativamente fraco para lutar por bilheterias, tanto que no Brasil passou pelas telonas em um estalar de dedos, encontrando um espaço mais confortável nas telinhas de casa. O problema é que encabeçando o elenco está Demi Moore. Embora estivesse há anos de distância de seu auge artístico, seu nome continuava chamando a atenção, ainda mais atrelado ao meloso título que automaticamente nos faz lembrar de Ghost - Do Outro Lado da Vida, ainda o maior sucesso da atriz. Todavia, o romance proposto aqui não vinga e a intérprete mostra-se comum, não está com seu habitual brilho. Na trama escrita e dirigida pelo australiano Craig Rosemberg, de Ladrão de Diamantes, ela dá vida à Rachel Carlson, uma famosa e premiada escritora de livros de mistério radicada na Inglaterra que fica abalada com a morte de Thomas (Beans El-Balawi), seu único filho que com apenas sete anos faleceu afogado no lago ao lado de sua casa. Sentindo-se responsável pelo acidente, um ano depois ela ainda não está em condições de voltar a escrever e até seu casamento com Brian (Henry Ian Cusick) está abalado e eles preferem dar um tempo. Sozinha, Rachel resolve aceitar o adiantamento de uma editora como forma de incentivo e também a ideia de sua amiga Sharon (Kate Isitt) para alugar uma cabana em Ingonish Cove, uma pequena e remota ilha na Escócia, para assim poder relaxar e se inspirar a voltar ao trabalho. O povoado parece um lugar esquecido pelo tempo. Muito calmo e com poucos habitantes, pouco a pouco a escritora vai se adaptando a melancólica rotina e recobra a vontade de escrever ao se deparar com um isolado e antigo farol, contudo, as visões com o filho ainda a perturbam.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

AS AVENTURAS DE BOBBY

NOTA 7,0

Apesar do título e inocência do
enredo, longa é baseado em uma
tocante história real e propõe
reflexões e fatos históricos
Um cachorrinho meigo e um garotinho estampam a capa do DVD cujo título é o sugestivo As Aventuras de Bobby. Eis aí mais um típico filme para divertir a criançada e dar um pouco de sossego aos adultos enquanto elas estão entretidas. Bem, na realidade ta aí um produto que vem para desmitificar preconceitos. Sem falar uma palavra sequer, felizmente, o cãozinho é a arma para fisgar o público infantil, porém, a essência da história pode ser tediosa aos pequenos, principalmente por não ter muito humor ou aventura. A base do roteiro de Richard Mathews e Neville Watchurst traz certos pontos mais comuns ao universo dos adultos, tais como poder e dinheiro, mas por outro lado o filme pode ser inocente demais para o público mais velho, ainda que traga mensagens universais como fidelidade e solidariedade. De qualquer forma, o diretor John Henderson, também co-roteirista, consegue equilibrar de maneira satisfatória elementos que conjugam bem com estes dois universos distintos, resultando em um agradável filme-família. Logo no início acompanhamos o cachorrinho Bobby salvando seu dono, o vigia noturno John Gray (Thomas Lockyer), do ataque de um touro e sendo aplaudido pelos populares que elogiam a coragem e a força de um bichinho tão pequeno e aparentemente frágil. Ele é o xodó também de Ewan Adams (Oliver Golding), garotinho que, embora muito inteligente, está desperdiçando sua infância trabalhando no moinho do arrogante Sr. Duncan Smithie (Sean Pertwee), um empresário mau caráter que quer lucrar explorando seus funcionários com jornadas e condições de trabalho proibitivas. Gray gostaria muito de ajudar o menino a mudar os rumos de sua vida, assim como o Reverendo Lee (Greg Wise) que há tempos tenta com seus sermões mudar os pensamentos provincianos da população de Edimburgo, na Escócia, também conhecida como a Cidade Velha. Gray estava com a saúde debilitada e veio a falecer antes de ver qualquer tipo de mudança, mas conseguiu ter tempo para dar à Ewan um livro sobre homens que ajudaram a mudar a História do mundo, um incentivo para o menino procurar fazer o que ele não conseguiu. Bobby sentiu muito a perda do dono e diariamente, inclusive a noite, fugia para o cemitério e permanecia próximo ao túmulo. James Brown (James Cosmo), o zelador do local que se encontra nas terras da igreja, bem que tentava afastá-lo seguindo as normas de que animais eram proibidos, mas o cãozinho sempre voltava.

domingo, 20 de abril de 2014

A BUSCA PELA HONRA

Nota 4,5 Mais centrado na história dos mórmons, drama não consegue envolver os leigos

Dando continuidade ao argumento de Tempo de Glória, o drama A Busca Pela Honra segue contando a saga da família fictícia Steed traçando um paralelo com o desenvolvimento inicial de um novo culto religioso. Talvez pela necessidade de estar por dentro do conteúdo do primeiro filme, a obra se torna um pouco maçante até mesmo para aqueles que já conhecem o tema e o excesso de personagens e nomes citados no decorrer da película tendem a dar um nó na cabeça do espectador. Contudo, o roteirista Matt Whitaker toma o cuidado de nos primeiros minutos resgatar rapidamente a trama original recordando a chegada da família protagonista à Nova York e as consequências da aproximação de Nathan (Alexander Carroll), um dos herdeiros do clã, com Joseph Smith (Jonathan Scarfe), um jovem que afirmava ter sido destinado a traduzir escritos sagrados de placas de ouro e fundar uma nova religião. Da disputa pelo valor destes artefatos ao preconceito de acreditarem que o rapaz tinha pacto com forças demoníacas, muita discórdia foi semeada até que o suposto predestinado decidiu partir para outra cidade para fundar definitivamente a religião dos mórmons. Estamos em meados de 1830 e Nathan está para se casar com Lydia (Sarah Bastian) sob as bênçãos de Smith e sua Igreja então já endossada pelo governo, porém, o religioso continuava sofrendo perseguições acusado de ter ligações com entidades satânicas. Mesmo assim, pouco tempo depois ele decide se mudar para Ohio onde teria recebido a incumbência divina de construir um templo e junto com ele também seguem seus fiéis seguidores, entre os quais a família Steed em peso. Todos acreditavam que o lugar teria melhores condições de vida e seria protegido pela força do culto, ou melhor, quase todos. Benjamin (Sam Hennings), o patriarca, continua nutrindo preconceitos quanto aos mórmons, mas acaba indo junto apenas o tempo suficiente para Nathan e sua esposa grávida se acomodarem. É nesse momento que chegam notícias sobre Joshua (Eric Johnson), o filho mais velho da família, que agora vive na fronteira da região de Missouri após ter perdido seu grande amor para o irmão e amargar o fato de seus planos de enriquecer por meios torpes terem falhado.

sábado, 19 de abril de 2014

TEMPO DE GLÓRIA (2004)

Nota 6,0 Dedicado a mostrar o surgimento da religião mórmon,  longa perde foco de trama fictícia

Religião é uma benção, mas também pode ser um martírio. Muitos acontecimentos tristes da História mundial aconteceram por causa de conflitos entre crenças e o filme Tempo de Glória usa essa inspiração para narrar os dramas vividos por um pequeno vilarejo no início do século 19. A família Steed está de mudança para Nova York em busca de melhores oportunidades na área de agricultura. Eles são bem recebidos na nova cidade, mas a mesma situação não é vivida por Joseph Smith (Jonathan Scarfe) um jovem que é mal visto por todos os moradores por dizer que certa vez teve a visão de Deus e de Jesus Cristo e que um anjo o avisou sobre um tesouro escondido, barras de ouro nas quais estavam escritas mensagens do evangelho, porém, ele só poderia ir resgatá-las em uma determinada data para então traduzi-las e as distribuir para tentar salvar a humanidade. No entanto, a fama de que tem uma missão divina a cumprir acaba causando reações negativas nas pessoas que chegam a dizer que toda a família de Joseph é adoradora do Diabo. Antes de saber destas histórias, Benjamin Steed (Sam Hennings) já havia contratado para ajudar em sua fazenda alguns homens do clã dos Smith. No início as descobertas nada afetam a opinião do fazendeiro, mas aos poucos os pensamentos de Joseph e os boatos que o cercam passam a tirá-lo do sério, principalmente quando vê seus filhos mais velhos envolvidos em intrigas religiosas. Joshua (Eric Johnson) faz amizade e futuramente se alia a um valentão da cidade, Will Murdoch (John Woodhouse), que zomba das histórias do jovem missionário, no entanto, não descarta a possibilidade de que ele realmente possa saber onde exista ouro escondido. Já Nathan (Alexander Carrol) acredita em Joseph e o defende, mas seu envolvimento com a fé do rapaz acaba levando-o a se desentender com outros habitantes e até mesmo com sua família, mais especificamente com seu pai que observa abismado que até Mary Ann (Brenda Strong), sua esposa, está inclinada a seguir os ensinamentos do Livro dos Mórmons, a religião que o missionário decide fundar quando abandona Nova York.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO

NOTA 9,0

Drama que enfureceu católicos
no final dos anos 80 ainda tem

potencial para impactar, mas parece
que suas chagas foram esquecidas
Todo e qualquer filme com conteúdo religioso ou mais especificamente que evoque a imagem de Jesus Cristo de alguma forma costuma gerar polêmicas assim que surgem as primeiras notícias de que alguém terá coragem de mexer com esse vespeiro, principalmente quando tal figura cristã será retratada com toques mais realistas e desprovida do semblante de ser iluminado e livre de pecados que a maioria dos católicos se apegam em suas preces. Mel Gibson deu a cara para bater assumindo a direção do polêmico e angustiante A Paixão de Cristo em 2004 e lucrou alto, mas dezesseis anos antes Martin Scorsese não teve a mesma sorte. Grupos conservadores atacaram ferozmente A Última Tentação de Cristo, drama literalmente longo baseado no romance homônimo de Nikos Kazantzákis publicado originalmente em 1951. Lançado nos EUA de maneira estratégica em poucas salas 40 dias antes da data prevista para gerar burburinho na mídia e consequentemente enfraquecer os comentários negativos dos cristãos, o filme começa já com o aviso de que não é baseado nas escrituras do Evangelho e que seu real objetivo é falar do conflito entre o espírito e a carne ou em outras palavras da razão versus o desejo tomando como instrumento Jesus Cristo imaginando como seria sua vida se caísse em tentação. O ator Willem Dafoe dá vida ao protagonista, um carpinteiro da Judeia que vive um grande dilema, pois é ele quem faz as cruzes com as quais os romanos crucificam seus oponentes, os judeus, assim ele se sente um traidor perante seu povo. Sua revolta interior o faz se sentir constantemente inquieto e o leva a se autopenitenciar sem piedade. Além disso, ele tem plena fé de que Deus tem um plano traçado que justificaria sua presença entre os mortais, mas ao mesmo tempo não se vê como um messias e sim um homem comum que tem necessidades carnais e precisa relutar contra seus desejos, ainda que não saiba bem o porquê. Judas Iscariotes (Harvey Keitel) havia sido designado a matar Jesus, mas ao suspeitar que ele é um enviado do Senhor pede para liderar uma revolução contra os romanos, porém, recebe como resposta de que o amor é a sua grande mensagem para a humanidade. Procurando resolver seu conflito interior, o carpinteiro decide ir para o deserto vivenciar uma espécie de retiro espiritual, mas antes pede perdão a Maria Madalena (Barbara Hershey), uma prostituta que acreditava que o relacionamento entre eles podia ser sua salvação. Mesmo brigados, mais tarde o rapaz a salva de uma multidão que se reuniu para apedrejá-la lembrando que todos tem seus pecados e merecem perdão.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

O TANGO E O ASSASSINO

NOTA 5,5

Robert Duvall aposta em trama
policial com menos ação e mais
conteúdo, mas acaba se perdendo
nos passos de dança e na lentidão
Robert Duvall é um intérprete que possui um currículo extenso e ganhou em 1983 o Oscar de Melhor Ator pelo drama A Força do Carinho, mas quem se lembra disso hoje em dia? Infelizmente o passar dos anos não foi generoso com ele ao contrário do que aconteceu com Jack Nicholson ou Robert De Niro, por exemplo, que foram agraciados com a maturidade, ainda que alternando bons projetos com outros esquecíveis e períodos de ócio. Já o nome de Duvall não é tão popular, pouco encabeçou elencos nos últimos anos, mas é certo que seu rosto é conhecido, o problema é que seu tipo comum o faz se perder em meio a multidão que quer conquistar ou manter espaço no cinema. Pode não contar com nenhuma característica física que o faça se destacar, mas felizmente seu talento está acima disso, pena que não é merecidamente reconhecido. Talvez pela falta de bons papeis para sua idade, em 2002 o veterano criou literalmente o filme perfeito para tentar voltar aos holofotes. Em O Tango e o Assassino ele não é só o astro principal, mas também assinou a direção, o roteiro e a produção deste suspense policial que acabou não fazendo muito barulho. Aqui ele dá vida a John J., um assassino profissional nova-iorquino que esconde a profissão da atual namorada, Maggie (Kathy Baker), e da filha dela, a pequena Jenny (Katherine Micheaux), garota por quem ele se dedica como se fosse seu pai verdadeiro e com quem compartilha o gosto pela dança de salão. Ele frequenta o salão de baile de Frankie (Frank Gio), que tem como atividade paralela ser uma espécie de empresário para o matador, aquele que articula suas missões. O plano do momento é que John vá para a Argentina assassinar um ex-general que serviu à ditadura militar e à repressão que assolou o povo nos anos 70, um servicinho de no máximo três dias. O problema é que o alvo sofreu um acidente caseiro e não chegará ao país na data prevista, assim o matador precisará ficar mais duas semanas longe de casa e se enfurece, mas não demora a seu ânimo mudar. Para passar o tempo ele decide passear pelos pontos turísticos de Buenos Aires e entra por um acaso em um salão de tango onde conhece Manuela (Luciana Pedraza) com quem passa a aprender o legítimo tango argentino com toda a sua sensualidade implícita.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O FANTASMA DE LUCY KEYES

NOTA 3,0

Monótono, previsível e sem
sustos, analisando o conjunto
é possível perceber ganchos e
até mesmo clichês desperdiçados
Entre os temas mais comuns dos filmes de horror e suspense temos as casas assombradas, os zumbis, as almas penadas, as crianças endemoniadas, os monstros clássicos, o amor materno e... Epa! A pura e singela relação de amor e carinho entre mãe e filho pode causar calafrios? A resposta é sim e a tendência vem de longa data. A Profecia e Halloween já demonstravam isso nos anos 70, mas nos últimos anos esse improvável casamento de ideias ganhou força e cada vez mais é oferecido ao público de forma banal, culpa das fitas de terror orientais que tornaram corriqueiras as histórias de espíritos de crianças brutalmente assassinadas em busca de um carinho de mãe, como em O Chamado e Água Negra. Talvez tentando adicionar um novo gostinho a essa receita o diretor e roteirista John Stimpson resolveu inverter a ordem dos fatores, mas sem alterar o resultado. No suspense O Fantasma de Lucy Keyes é a alma de uma mãe desesperada em busca da filha desaparecida que tira o sono dos vivos, mas o longa repete os erros e clichês de outros filmes semelhantes. O casal Guy (Justin Theroux) e Joanne Cooley (Julie Delpy) estão de mudança para a pequena cidade de Princeton, na Inglaterra, com as filhas pequenas, Molly (Kathleen Regan) e a caçula Lucy (Cassidy Hinkloe). Eles compraram uma antiga casa localizada aos pés de uma montanha cujas terras podem abrigar futuramente oito moinhos de ventos para geração de energia que trariam vários benefícios para a região em termos financeiros e para o meio ambiente. Guy é o responsável por implantar tal projeto, mas logo no primeiro encontro para explanações ao público encontra resistência da população extremamente tradicionalista e avessa a mudanças. Uma das manifestantes mais fervorosas é a Sra. Gretchen Caswell (Jamie Donnelly) que dá a entender que existe algum empecilho para a retirada da mata que envolve e cobre a montanha, algum tipo de crença que fez com que até hoje a região se privasse do progresso. Samantha Parker (Brooke Adams), a prefeita, diz que uma lenda boba cerca o local, algo envolvendo os antigos donos da fazenda vizinha a propriedade dos Cooley, mas Joanne não fica tranquila, ainda mais porque na noite anterior a reunião ela teve estranhos pesadelos e afirma ter ouvido vozes do lado de fora da casa.

terça-feira, 15 de abril de 2014

VIGARISTAS

NOTA 7,0

Comédia tem estilo inovador
misturando referências a vários
 gêneros, mas resume-se a uma
tentativa de fazer algo diferente
Filmes a respeito de golpistas é o que não falta. Desde os saqueadores dos faroestes, passando pelos ladrões de banco e obras de arte até chegarmos a pirataria virtual, o cinema esgotou a temática e não se pode culpar Hollywood. O mundo todo usou e abusou dos clichês para contar histórias que no fundo nada mais são que o eterno duelo do Bem contra o Mal ou que falam descaradamente de pessoas que querem se dar bem na vida doa a quem doer. O problema é que a maioria dessas produções se preocupa tanto na elaboração dos planos de roubos para que não fique uma só pontinha solta (o que é muito difícil) que se esquecem de desenvolver as personagens e é nesse quesito que leva vantagem Vigaristas, segundo longa do diretor Rian Johnson que fez ligeiro sucesso entre os adeptos de cinema alternativo com o drama A Ponta de um Crime lançado no Festival de Sundance de 2005. Nesta sua nova empreitada, o cineasta quis investir em uma comédia, mas com traços pouco convencionais mantendo o estilo de produção independente, apesar do elenco de peso que conseguiu atrair. Roteirizada pelo próprio Johnson, a trama começa nos apresentando a infância de dois irmãos órfãos que cresceram pulando de lar em lar adotivo e foram se aperfeiçoando na arte da malandragem a ponto de transformá-la em profissão. Obviamente a repulsa dos pais adotivos era por conta dos desfalques dentro de casa, mas isso não mudou o caráter da dupla. Assumidamente trapaceiros, quando adultos aplicam golpes em ricos ingênuos ou deslumbrados, não importa onde a vítima resida, afinal as recompensas justificam todos os esforços. Stephen (Mark Ruffalo) é quem teve a iniciativa e elabora os planos minuciosamente para que tudo saia perfeito como em um roteiro de livro ou filme, com direito a esboços visuais, dessa forma ele sempre tenta fazer a vida do irmão mais novo Bloom (Adrien Brody) mais interessante do que realmente é oferecendo-lhe bons personagens para enganar os trouxas. O caçula aproveitou quando criança a inteligência e a criatividade do irmão para enganar os coleguinhas da escola que perdiam muito dinheiro com lendas de tesouro, mas ainda pequeno já se questionava sobre como poderia viver uma vida realmente sua, porém, a tentação de aplicar um novo golpe era mais forte que o desejo de se libertar.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

ANACONDA

NOTA 3,0

Trash do início ao fim, suspense
tosco consegue entreter literalmente
causando risos involuntários, seja
pelos diálogos ou pelo visual da cobra
Vítimas de mutações genéticas ou geradas pela própria natureza em decorrência das ações em nome do progresso, animais tornam-se ferozes, com força descomunal e passam a atacar aos humanos. Essa é uma das premissas mais clássicas dos filmes trashs e coisas do tipo bombavam nos anos 80 até mesmo nas salas de cinema, mas com o tempo a repetição da fórmula acabou gerando produtos de nicho para atender exclusivamente o mercado de home vídeo. Ninguém mais queria pagar um dinheirão para ver em tela grande cães assassinos, ratos endemoniados, aranhas gigantes, vermes malditos, cobras superdesenvolvidas... Epa! Para esse último tipo de besta tinha público sim, caso contrário Anaconda não teria chegado aos cinemas com pinta de superprodução às portas do século 21. Na época do lançamento, enquanto Steven Spielberg aperfeiçoava sua técnica para dar vida novamente aos dinossauros e George Lucas preparava o resgate da franquia Star Wars apoiado em novas tecnologias, por exemplo, o diretor Luis Llosa (quem?) tentava fazer seu grande blockbuster com uma cobra gigantesca feita de borracha e partes mecânicas. Claro que há emprego de efeitos especiais, mas no caso eles parecem defeitos na maioria das cenas realçando a qualidade fake da produção que surpreendentemente chegou ao Brasil com a publicidade de que os americanos gostaram desta aventura capenga que no final das contas conseguiu cobrir seu orçamento e ainda gerar uma boa margem de lucro. O estilo exótico adotado deve ter ajudado. Nós pobres tupiniquins mais uma vez tivemos nossa pátria retratada como uma terra hostil e selvagem e não é exagero. As locações escolhidas e o modo de Llosa usar sua câmera passam a impressão de um país ainda não desbravado e o pior de tudo é a sensação de que a qualquer momento um índio, jacaré ou macaco vai tomar de assalto a tela, mas a estrela da festa é a cobrona que empresta seu nome ao título desta aventura, uma gigantesca e feroz espécie que é quase uma lenda do folclore nacional. Muitos dizem que ela realmente existe e em grandes quantidades embrenhadas nas regiões de mata fechada da Amazônia, enquanto outros afirmam que cobras do tipo fazem parte da família de espécies já conhecidas, mas que acabaram superdesenvolvidas por diversos fatores. Bem, para que se preocupar com detalhes quando os próprios envolvidos na produção do longa não se esforçaram para imprimir credibilidade à obra, afinal ao que tudo indica este produto foi lançado com o intuito de devolver status a um subgênero esquecido e que tem seu público fiel que consegue enxergar no lixo o luxo.

domingo, 13 de abril de 2014

TUDO PELA HONRA

Nota 6,0 Comédia de época faz críticas à burguesia, mas na reta final perde o ritmo das piadas

Quando falamos dos tempos áureos dos reis, duquesas, palacetes e afins é comum nos lembrarmos dos países europeus, principalmente da França que vivenciou tal época com muito luxo e festas, mas em contrapartida também com vários escândalos e corrupção comendo solta. O cinema francês já explorou temáticas acerca desses fatos históricos em muitos dramas e épicos, mas também costuma brincar com esses assuntos seguindo uma tendência mundial de fazer a História não parecer tão chata e torná-la mais facilmente assimilável por todos os tipo de públicos. Tudo Pela Honra segue tal caminho apresentando uma trama leve e com toques de aventura tendo como pando de fundo a caótica e irreverente situação que se encontrava a França no ano de 1745, mas obviamente com várias liberdades tomadas pelo diretor Gerard Krawczyk e pelo produtor Luc Besson, este que foi alçado a diretor de renome com a aventura O Quinto Elemento, mas, diga-se de passagem, parece ser mais repeitado como o multiprofissional que é em seu país natal. O filme começa situando o espectador que deve estar atento ao tom sarcástico da obra para não compreender tudo ao pé da letra. Na época a guerra era o esporte coletivo mais praticado em território francês e o progresso trouxe a artilharia, o que acarretou empolgação e ao mesmo tempo temor. Com armas mais potentes seria possível atingir inimigos mesmo estando a muitos metros de distância, mas de que elas adiantariam sem soldados bem treinados para utilizá-las? O Rei Luis XV (Didier Bourdon) é egocêntrico, fútil e não tem punhos firmes para conduzir o país, não sabendo nem mesmo qual a cor dos uniformes dos homens que representam sua pátria em combate. Sem o mínimo de planejamento, ele quer aumentar o poder de impacto de seu exército recrutando um número bem maior que o necessário de soldados, não importando suas habilidades ou porte físico, assim bêbados, mendigos e até anões são incorporados à milícia, mas ficou faltando uma vaga a ser preenchida mesmo com todos os benefícios oferecidos  como roupas e algumas moedas de ouro. Seria uma alusão aos políticos atuais e seus presentinhos aos eleitores?

sábado, 12 de abril de 2014

O DIA PERFEITO

Nota 2,5 O final, embora esquemático demais, é o que se salva de longa repulsivo e estranho

Romance, comédia, drama, ação ou simplesmente um lixo. É difícil dar um rótulo específico para O Dia Perfeito, estreia na direção de Mitch Rouse, que divide os créditos do roteiro com Jay Leggett. Nem a última opção citada seria indicada, pois o filme não é necessariamente ruim, mas é esquisito demais. A trama começa com David Walsh (Matt Dillon) andando de ônibus e refletindo sobre os rumos que sua vida tomou e o medo que estava sentindo ao ter ao seu lado um homem com o rosto parcialmente queimado, o que lhe conferia um aspecto amedrontador. Todavia, o próprio protagonista sofre com esse problema, ainda que não de forma tão grave, e deveria pensar duas vezes antes de tecer comentários maldosos, mas essa introdução é irrelevante. Sim, a narração em off de Walsh diante deste estranho já denuncia que coisa boa não vem por aí e é o que vamos constando a cada nova cena. A trama volta no tempo, mais especificamente 36 horas antes desta cena no ônibus, quando o rapaz comemorava seu noivado com Sara Goodwin (Christina Applegate), moça de família tradicional e bem financeiramente, o que impedia o noivo de expor certos hábitos como fumar, beber e falar palavras chulas para não desagradar os sogros, justamente àquilo que ele tinha total liberdade para fazer junto com o amigo Jack (Steve Zahn), um bobalhão que se esqueceu de crescer e é declaradamente contra casamentos e responsabilidades, mas uma coisa que diz é certa: Walsh está vestindo um personagem para agradar a sua nova família. Sua presença na festa sem ser convidado já gera certo estresse entre o casal, mas o inferno do noivo só está começando. Há quase dois anos ele trabalha em um prestigiado banco e parece se relacionar bem com todos e ser um funcionário exemplar, assim ele contava com uma promoção, mas para sua surpresa acaba sendo despedido faltando apenas um dia para completar o tempo mínimo de casa para ter direito a benefícios. Ele então terá que dar a péssima a notícia à Sara que logo mais a noite planeja um jantar com seus pais. Lá vem mais bomba. Chegando no restaurante, a moça lê uma estranhíssima e constrangedora carta na qual revela intimidades do casal para no final romper o noivado por conta de uma suspeita calcinha que encontrou no meio das roupas do rapaz.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

SPLASH - UMA SEREIA EM MINHA VIDA

NOTA 8,5

Mesmo envelhecida, comédia
romântica com toques de fantasia
conquista com sua inocência,
humor leve e simpatia dos atores
Qualquer adulto tem guardada a memória de alguns filmes que marcaram sua infância ou adolescência e o pessoal que está na casa dos 20, 30 e poucos anos tem o bônus de ter vivido o período áureo das videolocadoras e da combalida “Sessão da Tarde” da Rede Globo, isso sem falar no finado “Cinema em Casa” do SBT. Para o pessoal vidrado hoje em dia nas facilidades de canais pagos e serviços de download pode parecer loucura que teve uma época em que a centésima reexibição de um filme na TV aberta ou a locação repetida de uma fita tornavam-se um evento e tanto. Pode parecer mais doido ainda que os títulos mais famosos da época transbordem uma ingenuidade que não é compatível com os dias atuais, mas ainda bem que continuam existindo nostálgicos para manterem vivo esse espírito e pessoas das novas gerações com vontade de descobrir qual o segredo do sucesso de tais produções como a famosa comédia romântica com toques de fantasia Splash – Uma Sereia em Minha Vida, produção que se tornou tão popular que o nome da protagonista, Madison, tornou-se um dos mais escolhidos pelos pais norte-americanos para batizar as garotas que nasceram na segunda metade da década de 1980. Com direção de Ron Howard, que anos mais tarde viria a conquistar o Oscar com o sério Uma Mente Brilhante, o início pode não soar muito interessante, principalmente porque já existe uma natural repulsa ao áudio e imagem que por mais que passem por remasterizações ainda guardarão resquícios que revelam sua idade, o que para muitos felizmente não são empecilhos, pelo contrário, tornam o programa ainda mais especial, um respiro à perfeição contemporânea que por vezes escamoteia a total falta de conteúdo. Desabafos quanto a mediocridade de nossos tempos à parte, quem quiser mergulhar nesta opção já deve estar ciente de sua previsibilidade e reunião de clichês. O filme começa com cenas em tom sépia mostrando um garoto que durante uma viagem de navio com a família acaba caindo no mar e é salvo por uma sereia adolescente, mas provavelmente ninguém acreditou no que seus olhos viram. Allan Bauer (Tom Hanks), 25 anos depois, é um responsável homem de negócios que trabalha com o irmão Freddie (John Candy), mas está estressado com o trabalho, o abandono repentino da namorada e então decide tirar um dia de folga e ir para o litoral. Mesmo com o acidente na infância, este era o único lugar que julgava lhe tranquilizar.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

CHERI

NOTA 7,5

Michelle Pfeiffer empresta sua
beleza natural acrescida de algumas
rugas para drama acerca do amor
de uma cortesã madura e um jovem
Stephen Frears é um diretor bastante conhecido e suas produções, geralmente marcadas pelo requinte visual, costumam marcar presença em festivais e premiações. Comparável a uma grife, seu nome é sinônimo de trabalhos de qualidade e não é a toa que sempre consegue reunir elencos talentosos e com pelo menos uns dois astros de peso para atrair o público que então pode conhecer rostos menos conhecidos. Na primeira década do século 21, sua obra de maior repercussão foi A Rainha pela enorme quantidade de prêmios recebidos pela atriz Helen Mirren e a natural curiosidade acerca de um episódio delicado vivido pela família real britânica, mas sem dúvida seu filme mais famoso até hoje é o clássico Ligações Perigosas lançado no fim dos anos 80 e que abordava a perversidade escondida por trás da beleza de fachada da vida dos nobres. Talvez tentando recuperar o prestígio daquela época, mais uma vez o diretor se uniu a atriz Michelle Pfeiffer e ao roteirista Christopher Hampton para realizar Cheri, drama romântico com pitadas ácidas de crítica social passado em Paris antes da Primeira Guerra Mundial, período conhecido como Belle Époque, tempo de exaltação das artes, costumes mais liberais e apogeu da hipocrisia da burguesia. Infelizmente, poucos conhecem a obra no Brasil, quiçá até mesmo em seu próprio país de origem. Baseado no livro homônimo escrito em 1920 pela francesa Sidonie-Gabrielle Colette, já adaptado para o cinema outras três vezes, o longa começa com uma belíssima arte para ilustrar os créditos iniciais mostrando várias mulheres de vida fácil que se tornaram famosas ou que se deram bem na vida para então conhecermos Lea de Lonval (Pfeiffer), uma cortesã que desde muito jovem estava acostumada a participar da alta sociedade, com direito a pitacos em intrigas sociais, mas que está tomando consciência de que está envelhecendo e seu prestígio declinando, principalmente quando se apaixona de verdade, algo impensável para uma acompanhante. Sempre dedicada a oferecer prazer e fazer companhia a homens muito ricos, geralmente por um encontro apenas, sentir a necessidade de criar laços com alguém é sinal de que sua aposentadoria está próxima. Lea se aproxima de Fred, a quem apelidou carinhosamente de Cheri (Rupert Friend) ainda na infância, jovem de 19 anos muito saliente e que acha muito divertido ser desejado por uma mulher mais velha que já teve aos seus pés os homens mais bonitos e ricos da região. Juntos eles vão passar alguns anos no campo, tempo suficiente para o rapaz se divertir, mas ao mesmo tempo amadurecer, descobrir pormenores do amor pelas mãos de uma mulher experiente.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A PROMESSA (2001)

NOTA 7,0

Apesar da introdução poder
indicar um típico suspense
policial, longa explora a solidão
e a paranoia de seu protagonista
Policial prestes a se aposentar se envolve no caso da morte de uma garotinha prometendo a sua família fazer de tudo para capturar o assassino, assim tomando a responsabilidade de um último trabalho para honrar sua carreira. A premissa é tão genérica quanto o título, mas A Promessa é um suspense que envereda mais pelo caminho do drama fugindo do lugar comum. Esqueça aqueles mirabolantes roteiros em estilo quebra-cabeça para se chegar a identidade do criminoso ou o famoso jogo de gato e rato entre policial e bandido. O roteiro de Jerzy e Mary Olson Kromolowski opta por desnudar a alma de um homem atormentado por uma promessa, o dilema moral de cumprir o juramento que fez quando iniciou sua vida profissional de sempre lutar pela proteção dos inocentes e buscar a verdade custe o que custar. Será isso mesmo? O caminhar da história sugere outra interpretação. Em um pequeno vilarejo no Estado de Nevada, nos EUA, Jerry Black (Jack Nicholson) é um policial veterano que está prestes a se afastar do trabalho após décadas de serviços, mas em seu último dia na instituição recebe uma incumbência que adiará a sua aposentadoria, ou melhor, ele mesmo é quem decide posicionar-se no caso. Durante a festa de despedida promovida pelos colegas, chega a notícia do assassinato de uma garotinha de apenas oito anos, estuprada e violentamente mutilada, e ele insiste para averiguar a cena do crime, mas também usa toda a sua experiência para dar a notícia triste para a família da vítima. Comovido com o desespero da mãe, A Sra. Larsen (Patricia Clarkson), Black promete que assumirá as investigações e não sossegará enquanto não ver o responsável sendo punido. Para tanto, ele será auxiliado pelo policial Stan Krolak (Aaron Eckhart) e juntos eles chegam até o nome de Toby Jay Wadenah (Benicio Del Toro), um descendente de índios com problemas mentais e antecedentes criminais que sob pressão assume a autoria do estupro e logo em seguida se suicida na própria delegacia, mas Black não está convencido que o caso está encerrado. Mesmo com a recusa do colega, investigador mais “relaxado” e que usou seu poder de persuasão e aproveito-se da mentalidade fraca do suspeito morto par dar um ponto final o mais breve possível nesta história, o veterano decide levar o caso adiante por conta própria. Em meio a averiguações de pistas e momentos de reflexão enquanto pratica a pescaria, o passatempo predileto do protagonista, é nesse ponto que a obra deixa de ser um suspense comum para ganhar força dramática e psicológica.

terça-feira, 8 de abril de 2014

UMA FAMÍLIA EM APUROS

NOTA 6,0

Ícones das comédias no passado

protagonistas tentam achar 
espaço em meio ao mundo moderno
na ficção e na realidade
Conflitos entre gerações são boas matérias-primas para filmes e quando usadas no campo de humor costumam gerar ótimas produções familiares. Bem, a visão otimista fica por conta do público-alvo que gosta justamente de rever piadas e situações, mas é sempre bom lembrar que o que é previsível para os mais velhos pode ser uma grande novidade para as crianças que ainda estão em contato com suas primeiras experiências cinematográficas e se familiarizando com os clichês. Uns quatro ou cinco filmes de temática semelhante e provavelmente eles já conseguirão narrar um longa baseando-se em uma breve sinopse sem necessariamente precisar assistir. Contudo, se produções do tipo ainda são realizadas é porque existe público e, diga-se de passagem, um filme-pipoca bobinho e sem um pingo de apelação às vezes faz uma falta danada. Para assistir com os pais ou os avós, e ninguém chegar ao fim constrangido, uma boa opção é Uma Família em Apuros, fortíssimo candidato a futuro clássico da “Sessão da Tarde”. A trama escrita por Lisa Addario e Joe Syracuse reúne dois grandes astros do humor de um passado não muito distante, mas parece que Billy Crystal e Bette Midler estão tendo dificuldades para encontrar espaço no cinema contemporâneo e é justamente essa adaptação à modernidade o ponto principal do enredo e que eleva esta comédia de patamar. Os veteranos astros dão vida a Artie e Diane Decker, um casal pré-terceira idade que apesar de muita disposição percebe na marra que estão desatualizados, praticamente peças de museu para os tempos atuais. Ele dedicou a sua vida a narrações esportivas, mas inesperadamente foi demitido com a justificativa de que seu estilo de trabalho, piadas e linguajar não condizem mais com a realidade, o que reflete diretamente em sua popularidade nas redes sociais. Hoje o talento pouco importa, o que vale é a quantidade de curtidas no Facebook.  Sempre muito amável, sua esposa tenta consolá-lo e uma proposta inesperada cai dos céus para animar os dois: cuidar dos três netos por uma semana. Bem, na realidade a vovó se mostra muito mais entusiasmada, ainda que saiba que eles foram a segunda opção após a recusa dos avós paternos. Como ela mesma diz, a filha não mantém nem mesmo fotos dos pais em cima da lareira, apenas dos sogros felizes com os netinhos. 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O INFERNO DE DANTE

NOTA 7,0

Apesar de algumas falhas e
situações inverossímeis, longa
cumpre o que promete, divertindo e
fazendo o espectador roer as unhas
Os filmes-catástrofes tornaram-se populares nos anos 70 com produções que narravam histórias acerca de naufrágios e desastres de aviões, por exemplo, mas bem antes disso a segurança da humanidade já era colocada em xeque com invasões alienígenas. Conforme a indústria dos efeitos especiais avançava, tal subgênero também ia se aperfeiçoando e então foi possível investir em tramas que mostravam a fúria da natureza contra o desrespeito e a ganância do homem, algo bem-vindo para ajudar discussões a respeito de preservação de recursos naturais e afins. O problema é que tudo que é demais enjoa e logo a fórmula se esgotou, assim muitas produções literalmente fizeram jus ao seu rótulo e tornaram-se retumbantes catástrofes de críticas e bilheterias. Escapando dessa maré de azar, mas não chegando a ser um super sucesso, podemos citar O Inferno de Dante, suspense com toques de ação que ajudou a consolidar o ator Pierce Brosnan como astro e chamariz de audiência. Após vários tipos coadjuvantes, ele assumiu dois anos antes o lendário papel de James Bond e já se preparava para estrelar a sua segunda aventura como o Agente 007 e nesse intervalo protagonizou este filme onde deu vida a Harry Dalton, um perito em fenômenos vulcânicos que junto com seu chefe, Paul Dreyfus (Charles Hallahan), e sua equipe de pesquisadores vão para a pequena cidade de Dante’s Peak verificar os arredores de um vulcão que parece estar dando sinais de atividade. Quando chegam, o local está festejando a boa fase. Após a cidade ter sido destruída por fenômenos da natureza, ela conseguiu ser reconstruída e agora ostenta posição de destaque nas pesquisas oficiais de qualidade de vida, tudo isso graças aos esforços de Rachel Wando (Linda Hamilton), a prefeita que está recebendo uma equipe de empresários interessados em instalar uma indústria na região, o que geraria muitos empregos e consequentemente outros benefícios como publicidade para o turismo. A cidade fica aos pés do vulcão que está inativo há quase uma década, mas mesmo assim Rachel atende atenciosamente a equipe de geólogos que passam alguns dias por lá para certificarem-se da segurança da região.

domingo, 6 de abril de 2014

NO MUNDO DO PODER

Nota 6,0 Drama aborda o mundo político de forma de fácil assimilação, mas perde a mão no final

Com tantas críticas negativas e ofensas, como pode ainda existir pessoas com desejo de entrarem para a política? Os salários exorbitantes, regalias, respeito de uma minoria, porém, de pessoas influentes, enfim a sensação de poder é inebriante e até mesmo aqueles que têm o sonho de mudar as coisas acabam se sucumbindo a essa pressão, afinal quem não entra no jogo político tem de sair por vontade própria bem caladinho ou é expulso na marra, vivo ou morto. No Mundo do Poder é um drama francês que retrata uma realidade universal: o cotidiano sujo daqueles que deveriam zelar pelo bem estar da população que os elegeu. O longa começa no final dos anos 70 quando um jovem aspirante a carreira política está dando os primeiros passos para aprender a arte da falsidade e a travar suas primeiras conexões com pessoas influentes graças a ajuda que recebe de Frédéric Saint-Gullaume (Claude Rich), uma cobra criada no mundo em que o céu é o limite. Anos mais tarde, o presidente (Albert Dupontel) já é um homem experiente no meio e está empenhado na criação de uma arma limpa revolucionária, um truque para conseguir sua reeleição, mas alguns problemas podem atrapalhá-lo. Um avião cai e somem centenas de envelopes contendo dinheiro suspeito e o fato de um amigo seu ser o chefe da empresa contratada para o desenvolvimento da tal arma podem arruinar sua imagem de homem honesto, marketing construído ao longo de muitos anos com a ajuda de uma equipe brilhante e determinada liderada pelo seu antigo mentor que mesmo afastado da política ainda mantém seu poder de persuasão. Todavia, a grande ameaça pode ser a inesperada entrada de um jovem em sua vida. Sua filha Nahema (Melanie Doutey) está namorando Mathieu (Jérémie Renier), um rapaz muito inteligente e com habilidades com números. O presidente quer conhecê-lo, mas antes consegue toda a sua documentação social, assim descobrindo que ele tem ficha na polícia devido a uma prisão que durou alguns poucos meses por conta de anarquismo. O genro justificou o episódio como uma reação negativa e imatura de um adolescente pego de surpresa com a notícia da morte do pai e assim parece conquistar a confiança do sogro que lhe oferece um cargo na área econômica do governo.

sábado, 5 de abril de 2014

ENTRE A VIDA E A MORTE (2008)

Nota 5,0 Condenado a morte ganha uma segunda chance, mas precisa esquecer seu passado 

Voltar no tempo para reparar os erros do passado. Ter uma segunda chance para colocar em prática o que se aprendeu com os equívocos ou ter a oportunidade de ter uma vida completamente diferente. Estes são temas corriqueiros no cinema e nos mais variados gêneros, tendo produções excelentes e outras que literalmente viajam na fantasia. Entre a Vida e a Morte tem sua dose de fantasia, mas constrói um clima bem realista para contar a história de Ben Garvey (Paul Walker), um rapaz que leva uma vida simples ao lado da esposa Lisa (Piper Perabo) e da pequena filha Katie (Brooklyn Proulx), esta que só conheceu quando já estava com três anos por estar preso devido a negócios ilegais, mas agora que sua liberdade condicional está chegando ao fim deseja viver dignamente. Para tanto, ele se dedica ao máximo ao trabalho que conseguiu, mas mesmo assim acaba sendo despedido quando os donos tem acesso a sua ficha de antecedentes criminais. Poucos dias antes ele havia recebido a visita de Ricky (Shaw Hatosy), seu irmão que também estava preso, porém, ele não se resignou e oferece a Ben a oportunidade de participar do roubo de uma quantidade considerável de ouro em pó pertencente a um laboratório. Inicialmente o jovem chefe de família recusa a proposta, mas quando se vê sem dinheiro volta atrás prometendo que este seria seu último passo em falso. Mesmo com tudo muito bem planejado, o assalto dá errado e resulta em três mortos e na captura de Ben que deixa de ser um ex-condenado para se tornar um réu sentenciado à execução, embora afirme não ter matado ninguém. Dois anos se passam e todos os recursos do condenado foram negados pela Justiça e assim ele é submetido a uma injeção letal, no entanto, estranhamente ganha uma segunda chance. Ben subitamente se vê em uma região campestre e afastada onde trabalha como caseiro de uma instituição para doentes mentais comandada pelo padre Ezra (Bob Gunton) que o alerta que sua vida antiga ficou para trás e que agora seu foco deve ser trilhar um novo caminho.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

SPEED RACER

NOTA 6,5

Adaptação de famoso desenho
para os cinemas tem premissa
boa, mas detonada pelo excesso de
cores e sons que dispersam atenção
Um filme infanto-juvenil de sucesso pode gerar um seriado live-action ou de animação que corresponda expectativas. O caminho inverso também pode acontecer, sendo totalmente possível uma série de desenhos animados produzidos para TV ganhar sua versão com atores reais para as telonas. A moda não é recente, por exemplo, nos anos 80 o brucutu Rambo já havia ganhado sua versão abrandada em animação com episódios curtos e He-Man deu uma passadinha pelos cinemas em uma produção trash. Na época produtos do tipo eram lançados a toque de caixa para aproveitar a moda, mas anos mais tarde em meio a crise de criatividade hollywoodiana as atenções foram voltadas para a nostalgia do público, assim voltaram a cena os heróis uniformizados, carros que se transformam em robôs e até os ingênuos Smurfs. A justificativa para escamotear a falta de ideias originais é que agora com tecnologia avançada é possível recriar com perfeição o mundo dos desenhos para o live-action e vice-versa. Bem, se tomarmos como exemplo Speed Racer comprovamos tal explicação. Esse é o primeiro filme dirigido pelos irmãos Andy e Larry Wachowski após o fim da trilogia Matrix em 2003, assim não é de se espantar que a adaptação do anime japonês “Mach Go Go Go” criado nos anos 60 por Tatsuo Yoshida (o título homônimo ao filme foi dado quando a série animada chegou aos EUA, o que proporcionou sua popularidade mundo a fora tirando o foco do automóvel e jogando sobre o piloto)  seja apoiada em uma avalanche de efeitos especiais que tem como objetivo ludibriar o espectador para que ele não perceba o roteiro fraco também criado pela dupla de diretores. A intenção era trabalhar em um projeto de apelo popular, um filme-família cujo universo fosse de mais fácil identificação por plateias distintas. É fato que os Wachowski são fãs assumidos do material original e procuraram respeitar ao máximo a essência da trama, mas ao mesmo tempo tinham que trazer na película algum diferencial que sacudisse o cenário cinematográfico tal qual fizeram nos final da década de 1990. O problema é que o feitiço voltou contra os feiticeiros e justamente o visual supercolorido e a frenética edição fizeram com que a aventura colhesse críticas negativas e amargasse uma baixa bilheteria. Só os primeiros minutos já são um verdadeiro teste para a saúde dos olhos, ouvidos e nervos dos espectadores, principalmente para aqueles que nunca tiveram contato com sua versão em animação, mas para quem conseguir se transportar para este universo a diversão pode ser razoável, afinal claramente a intenção era fazer um casamento entre atores reais e elementos de desenhos animados, uma ambientação onde absolutamente tudo é possível.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

NEM POR CIMA DO MEU CADÁVER

NOTA 5,5

Com piadas e personagens
clichês, comédia romântica
irregular cumpre razoavelmente
seu propósito de diversão ligeira
Se todas as ideias possíveis para comédias românticas em plano físico já foram usadas e abusadas, o jeito é imaginar uma história de amor envolvendo o além. Bem, a temática não é nada original e já serviu de inspiração também para dezenas de dramas e até mesmo para desenhos animados, mas o então novato diretor e roteirista Jeff Lowell acreditava que poderia tirar leite de pedra e assim surgiu Nem Por Cima do Meu Cadáver, uma grande reunião de clichês que no final das contas não é o lixo que se podia esperar. Até que é um entretenimento leve e que deve agradar aos fãs do gênero que adoram um repeteco. Para os chatos de plantão, um filme bobinho de vez em quando não faz mal a ninguém. A trama começa com os preparativos do casamento do veterinário Henry (Paul Rudd) com a perua escandalosa Kate (Eva Longoria Parker), um casal que obviamente não daria certo e Deus quis dar uma forcinha para evitar mais um divórcio relâmpago para inflar as estatísticas. Enquanto verifica cada detalhe da festa pessoalmente, a noiva surta ao receber a sua tão sonhada estátua de gelo em formato de anjo que adornaria o evento em local de destaque. O problema é que o artista a moldou sem asas para fazer uma obra mais estilizada, porém, Kate queria o modelo tradicional. Após um breve e insano bate boca, a pesada estátua cai sobre a dondoca que é então convidada a comprovar com seus próprios olhos que os anjos não precisam necessariamente ter asas. Ela demora um pouco a compreender o que lhe aconteceu, mas acaba aceitando sua morte repentina. O tempo passa e era de se esperar que Henry demorasse a se recuperar do baque, mas sua irmã Chloe (Lindsay Sloane) está disposta a acelerar seu retorno a vida normal de um jovem solteiro. Certo dia ela o convence a ir com ela até a casa de Ashley (Lake Bell), uma moça trambiqueira que banca a médium nas horas vagas. Chloe já sabia que a consulta resultaria em fracasso, mas está disposta a convencer o frustrado ex-noivo de que Kate esteja onde estiver deseja que ele seja feliz e arranje uma nova companheira. Eis que ela tem a ideia de roubar o diário da falecida e convence Ashley a fingir manter contato com a cunhada para instigar Henry a dar novos rumos para sua vida.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

THE KING

NOTA 8,0

Drama aborda religião, amor,
verdade, família e justiça de
forma envolvente e realista,
abrindo caminhos de reflexão
Estamos acostumados a assistir filmes cujos argumentos giram em torno de mentes perturbadas que bolam planos para fazer justiça ou concluir vinganças, aquelas velhas desculpas para filmes de seriais killers, mas como julgar quando uma pessoa acaba fazendo mal a outra sem a real intenção? Longe da carnificina hollywoodiana, tal temática é um prato cheio para produções independentes que focam suas atenções no desenvolvimento dos personagens. Por trás do silêncio de um homem, por exemplo, pode estar escondido um frio assassino ou simplesmente alguém suportando o peso da culpa de uma fatalidade. O espectador pode até saber de antemão a resposta, mas o filme se sustenta pelas dúvidas que cercam os personagens, assim quem assiste acaba participando da trama passivamente como uma figura onipresente e que sabe de tudo, mas impossibilitado de interferir nos rumos da ação. É essa sensação que temos ao assistir o drama The King que apesar da tímida projeção é protagonizado pelo astro latino Gael García Bernal, na época já um nome quente. Ele dá vida à Elvis Valderez, um jovem que após ser dispensado pela Marinha americana decide ir em busca de suas origens para entender seu presente, já que é uma pessoa um pouco instável. Para tanto, ele viaja para a pequena cidade de Corpus Christi no interior do Texas a fim de se encontrar com David Sandow (William Hurt), um pastor evangélico muito radical e conservador. O rapaz quer simplesmente que o religioso reconheça que é seu pai, mas logo no primeiro encontro o pedido é negado e justificado pelo fato de Sandow hoje levar uma vida completamente diferente da que tinha no passado, inclusive alegando que precisa preservar sua imagem perante Twyla (Laura Harring), sua atual esposa, e os filhos do casal, os adolescentes Malerie (Pell James) e Paul (Paul Dano), além de não poder em hipótese alguma frustrar sua comunidade religiosa, já que é visto como um homem legitimamente íntegro. Mesmo assim, os dois acabam se cruzando várias vezes e o pastor justifica os encontros dizendo a todos que o jovem quer apenas se tornar um membro da igreja, mas para o filho faz a promessa de que assumirá suas responsabilidades paternas, precisa apenas de um tempo para preparar o espírito dos mais próximos para receber a notícia.

terça-feira, 1 de abril de 2014

IRONIAS DO AMOR

NOTA 6,5

Apesar do início estranho,
romance encontra seu caminho,
embora previsível e deixando
piadas de lado para apostar no drama
É comum que as pessoas consolem alguém que está sofrendo por amor ou por nunca o ter experimentado de verdade dizendo que quando menos se espera uma grande paixão pode surgir em seu caminho. Quem se apega a tal pensamento pode achar ridículo, mas inevitavelmente passa a idealizar o momento desse encontro com toda pompa de filme hollywoodiano, sendo capaz até de se imaginar vivenciando situações e diálogos um tanto clichês. Alimentadas por essas fantasias, milhares de pessoas vão tocando suas vidinhas até que o grande dia chega. O amor da sua vida finalmente está próximo, mas você nem percebe devido as circunstâncias que não lembram em nada seus sonhos. É dessa forma que começa o amor do casal protagonista de Ironias do Amor, baseado no romance de Ho-sik Kim que investe no humor sutil para conquistar o espectador, mas na reta final apela para o melodrama. O filme começa nos apresentando a Charlie Bellow (Jesse Bradford), um jovem que está sozinho em meio a uma paisagem outonal dizendo que para entender como ele chegou até lá é preciso conhecer sua história desde o início. Ele cresceu em uma pacata cidade e seus pais fizeram de tudo para lhe dar uma boa educação a fim dele ingressar em uma universidade de renome para estudar administração e quem sabe seguir os mesmos passos profissionais do pai. Educado em ambiente tradicionalista e com seu futuro parcialmente traçado, não havia muito com o que Charlie se preocupar, mas e quanto a sua vida pessoal? Ele deixa os pais no interior de Indiana e vai morar sozinho em Nova York sonhando com uma colocação melhor no mercado, mas ao contrário da maioria dos solteiros não é um cara namorador e tampouco adepto do sexo casual, o que soa estranho para muitos como seu amigo Leo (Austin Basis) que tenta incentivar o rapaz a se divertir e ser mais descolado. Certa vez questionado sobre qual tipo de garota o faria perder a cabeça sem pensar duas vezes, coincidentemente Charlie bate os olhos aleatoriamente em Jordan Roark (Elisha Cuthbert), uma loirinha que parece cheia de atitude e personalidade. Já diz o ditado popular que os opostos se atraem, assim ela seria a garota perfeita para um jovem mais pacato e pé no chão.

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