sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A SÉTIMA VÍTIMA

NOTA 6,0

Reunindo clichês de diversos
longas de horror e suspense e
revelando segredos logo no início,
obra se sustenta por sua atmosfera
Embora quando pensamos em cinema de terror logo nos vem a cabeça a palavra Hollywood, é certo que nos último anos as produções americanas do gênero têm deixado a desejar. Em contrapartida, países europeus, costumeiros cenários para tramas de horror e suspense, têm despontado como grandes produtores de sustos. Todavia, para cada obra original que surge, pelo menos mais umas três comuns também são lançadas, como é o caso de A Sétima Vítima, do diretor Jaume Balagueró. Coproduzido entre os EUA e a Espanha, seu trabalho é uma reunião de clichês (casa afastada de tudo e com problemas de energia elétrica, noites chuvosas, vultos à espreita por todos os cantos, uma criança com poder mediúnico, um adulto com problemas psicológicos), mas de certa forma ainda consegue prender o espectador caprichando no visual e com uma narrativa envolvente, ainda que um tanto previsível. A trama roteirizada pelo próprio cineasta em parceria com Fernando de Felipe começa com um pequeno prólogo que já entrega um pouco do mistério, embora sem grandes detalhes visuais. Além de choros e lamentos, ouvimos a conversa entre um policial e uma criança, esta que parece nervosa e dizendo coisas desconexas, mas deixando evidente seu temor do escuro. Rapidamente o longa dá um salto de quatro décadas e a primeira imagem destacada é a de um antigo casarão no meio do nada. Para quem já assistiu três ou quatro filmes a respeito de casas assombradas, não há expectativas quanto ao enredo. É óbvio que tal residência foi palco de episódios macabros no passado e que a energia negativa instalada vai influenciar no cotidiano dos novos habitantes, no caso o dia-a-dia da família de Mark (Iain Glen), que se muda dos EUA para a Espanha junto com a esposa Maria (Lena Olin – atuando sem motivação alguma) e seus filhos, a adolescente Regina (Anna Paquin) e o pequeno Paul (Stephen Enquist). Não é estragar surpresa alguma dizer que esse pai de família é o tal sobrevivente do episódio mal explicado do passado, investigação que a própria polícia na época tratou de abandonar. Afinal de contas o que levaria uma pessoa em sã consciência decidir ir viver em uma casa que só pode lhe trazer péssimas lembranças? O problema é que Mark não está com sua saúde mental em perfeito estado e o motivo da mudança de país é justamente para que a família possa recomeçar do zero após um episódio triste, fato que não é esmiuçado, mas fica subentendido que os constantes surtos deste homem trouxeram consequências para todos que o cercam.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A MINHA VERSÃO DO AMOR

NOTA 6,0

Longa acompanha os tropeços da
vida de um homem comum por três
décadas em busca do amor pleno,
 mas trama por vezes é tediosa
Todos fazem planos para o futuro, sejam eles de qualquer espécie, e é ótimo alimentá-los diariamente, mas é duro reconhecer quando eles não se concretizam na época em que deveriam, porém, isso não quer dizer que seja preciso os abandonar, tampouco fechar os olhos para o presente. Esse é o grande foco de Minha Versão do Amor, drama com toques de humor adaptado do romance “Barney’s Version”, do canadense Mordechai Richler que se baseou em suas próprias memórias de vida para escrever uma de suas últimas obras antes vir a falecer em 2001. O projeto de adaptação para o cinema demorou doze anos para se tornar realidade, talvez pela dificuldade em encontrar o tom certo para equilibrar comédia e drama, afinal de contas o essencial deveria ser preservado: a lição de vida de um homem apaixonado e sonhador. O roteiro de Michael Konyves acompanha três décadas da vida de Barney Panofsky (Paul Giamatti), empresário judeu do ramo televisivo no Canadá, mais especificamente ele é produtor de novelas. Aliás, sua vida renderia um belo folhetim. Aos 65 anos de idade ele se vê sozinho, doente e obrigado a relembrar seu passado cheio de tropeços, característica que acaba aproximando o espectador de seu universo, afinal ele é um homem comum com qualidades e defeitos que tentou sempre buscar a plena felicidade, mas descobriu que a vida perfeita é um sonho impossível. Suas memórias são relatadas sob seu próprio ponto de vista, assim o personagem fica livre de julgamentos dos demais, o que também justifica o título nacional. Ele se casou três vezes e em cada relacionamento teve uma versão diferenciada a respeito do amor. A viagem no tempo começa quanto ele tinha seus 30 e poucos anos e vivia na Itália sonhando em fazer sucesso no meio cultural, mas ele acabou indo parar no ramo do comércio. O trabalho em si não era ruim, pelo contrário, uma ocupação digna e que lhe dava um rendimento financeiro razoável, mas a inquietação em ver o seu sonho ficar cada vez mais distante o deixava tristonho as vezes. Se acostumar com tal situação tornou-se ainda mais essencial quando descobriu que sua namorada Clara (Rachelle Lefevre) estava grávida. Muito íntegro, ele não pensou duas vezes antes de pedi-la em casamento e assumir suas responsabilidades, ainda que seus amigos o tivessem alertado que a noiva não era nenhuma santa, aliás, seu comportamento esfuziante já dava dicas de seu real caráter, mas na época seguir convenções da sociedade era primordial para um homem de verdade.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A VOLTA DOS BRAVOS

NOTA 7,0

Através de quatro personagens
fictícios, longa tenta expor os danos
emocionais e psicológicos causados
aos soldados da guerra ao terror
Como era de se esperar, muitos filmes foram realizados abordando os atentados de 11 de setembro de 2001 e o medo e o preconceito que passou a assombrar o cotidiano dos americanos. Paralelo a isso, um outro momento histórico, político e social estava sendo desenvolvido: os plano de ofensiva dos EUA ao Iraque. Obviamente, produtores de Hollywood estavam atentos e não deixaram os fatos esfriarem antes de os usarem como matéria-prima para novos filmes, mesmo sem saberem qual seria o final deste conflito. Muitas produções surgiram abordando principalmente o drama dos soldados americanos que participaram das várias invasões, alguns inclusive sem ao menos saberem o porquê de realmente se alistarem ao exército ou terem sido convocados, mas é uma pena que boa parte destes títulos ficou restrito ao mercado doméstico, assim bons produtos acabaram passando em brancas nuvens pelos olhos do público. Esse é o caso do drama A Volta dos Bravos que apesar do título não faz exaltação à carreira militar, tampouco a denigre, apenas mostra a dura realidade daqueles que são obrigados a assistirem diariamente atrocidades, conviverem com o medo de talvez não voltarem para casa ou ainda sofrerem com a readaptação às suas vidas normais caso tenham sorte de sobreviverem às inúmeras situações de perigo a que são expostos. Com direção de Irwin Winkler, especialista na condução de obras de cunho dramático, a trama co-escrita por Mark Friedman mostra as consquências deste conflito contra o terrorismo para um grupo de soldados americanos e consequentemente para seus familiares e amigos. Will Marsh (Samuel L. Jackson), Vanessa Price (Jessica Biel), Tommy Yates (Brian Presley) e Jamal Aiken (Curtis Jackson) foram informados que no prazo de duas semanas poderiam finalmente deixar o Iraque após meses de dedicação e abdicação de suas vidas pessoais. Logo eles começam a fazer planos para o regresso, mas a alegria não demora muito a cessar. Durante uma ronda por uma cidade devastada pela guerra, o grupo é interceptado por tropas inimigas que os atacam fervorosamente e neste episódio todos sofrem com ferimentos, não só físicos como também emocionais, males de gravidade que talvez até então não os tivessem atingido. É interessante observar que a fotografia utilizada reforça o contraste da situação que será deflagrada. O Iraque é retratado com cores quentes enquanto as ações em solo americano são captadas em tons frios e acinzentados como se fosse uma analogia visual ao fato de que em combate eles se sentiam como heróis e a volta para casa vivos, porém, combalidos de certa forma, representaria uma espécie de fracasso.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O FILHO DO MÁSKARA

NOTA 2,5

Tentando tirar leite de pedra,
longa tenta dar novos rumos à
história de máscara com poderes,
mas peca em diversos pontos
Quando um filme faz sucesso é quase certo que uma continuação já está sendo prevista enquanto os produtores somam os primeiros lucros, sendo que alguns gêneros são privilegiados nesse ponto como as comédias. Quase sempre protagonizadas por personagens carismáticos, suas tramas costumam sempre deixar um gancho para possíveis desdobramentos, alguns lançados em tempo recorde, mas outros demoram alguns anos para serem finalizados, principalmente por problemas envolvendo a contratação do elenco original e/ou a busca por um roteiro decente equiparável ao primeiro. Analisando estes pontos de vista chegamos a conclusão de que O Filho do Máskara jamais deveria ter saído do papel, mas diante da crise de criatividade que Hollywood parece sofrer constantemente encontramos respostas para tal deslize. É uma pena constatar que visando o público infantil e consequentemente atraindo seus familiares mais velhos, o diretor Lawrence Guterman, de Como Cães e Gatos, esperava repetir o sucesso de Chuck Russell com o seu O Máskara. Nada contra a estratégia, mas o problema é que o cineasta subestimou a inteligência de seus espectadores oferecendo um produto fraquíssimo em termos narrativos e nem mesmo tomou cuidado com o visual, afinal de contas para ter uma alternativa para entreter seus anjinhos por algumas horas os pais topam qualquer sacrifício, até mesmo perder dinheiro e tempo com algo que precisam fingir ser legal. Bom ou ruim não importa, com a ajuda do título o projeto já estaria praticamente com suas despesas pagas e esse pensamento medíocre certamente influenciou produtores a investirem nesta bobagem sem avaliar os riscos, a começar pela demora de mais de dez anos para lançar uma continuação e ausência do astro Jim Carrey, o que já não são bons sinais. Na realidade, e para não pegar tão pesado com Guterman e companhia, é preciso dar o braço a torcer e confirmar que pelo menos o enredo tem a decência de não manchar a boa memória que temos do original, esquivando-se de qualquer tipo de alusão direta ao seu predecessor. O tal filho do título não é uma referência ao herdeiro do personagem Stanley Ipkiss que Carrey eternizou, até porque ele termina o filme sem planos de formar uma família, mas sim faz uma ligação com o verdadeiro dono da máscara, o deus Loki.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O MÁSKARA

NOTA 9,0

Com narrativa ágil e divertida,
efeitos especiais caprichados e
protagonista cativante, longa é do
tipo atemporal, sempre vale a pena
Um astro de cinema famoso costuma atrair multidões aos cinemas, tal fato já nem nos surpreende mais, mas como explicar que um desconhecido tenha atraído milhares de pessoas em uma época em que a internet ainda era quase um embrião em gestação? Pois é, a repercussão de O Máskara é um caso a ser estudado. Primeiro trabalho de grande destaque de Jim Carrey, esta comédia surgiu de maneira despretensiosa, mas uma soma de fatores positivos colaborou para o seu sucesso instantâneo, como a aposta em piadas leves e efeitos especiais de ponta para contar a história do homem-borracha. Ele não é um super-herói, pelo menos não se assemelha nem um pouco com a figura clássica de protetor que conhecemos, aqueles com uniforme, capa e escudo de identificação no peito. Nosso amigo tem rosto verde, assim como sua cabeça desprovida de cabelos, e seu traje mais comum é um terno amarelo-ovo. Bem, esse é seu visual clássico, mas ele pode fazer uma infinidade de mudanças de figurinos e até alterar seu corpo e face em questão de segundos. O diretor Chuck Russell, cujos trabalhos de maior destaque até então eram A Hora do Pesadelo 3 e a refilmagem de A Bolha Assassina, foi incumbido de comandar a adaptação de uma HQ homônima dos anos 80 criada por John Arcudi e Doug Mahnke. Inicialmente planejado como uma fita de terror, respeitando a personalidade vingativa e cruel do personagem original, felizmente os produtores foram visionários e acharam melhor aproveitar o fato de que as histórias em quadrinhos que serviram de inspiração eram praticamente desconhecidas e mudar o caráter do protagonista, injetando humor e sarcasmo em sua personalidade. O roteirista Mike Werb baseou-se em diversas situações saída dos gibis, porém, atenuou a violência e deixou a criatividade falar mais alto como forma de agradar a um público mais amplo, desde crianças pequenas até idosos. A trama se passa em Edge City, região agitada dos EUA, onde vive Stanley Ipkiss (Carrey), um sujeito pacato que trabalha como bancário, mas um tanto tímido e atrapalhado, tendo como única companhia fiel seu cãozinho Milo. Ele está acostumado que seu cotidiano seja uma sucessão de equívocos, mas certo dia ele não devia nem ter se levantado da cama. Após muitos eventos que o deixaram triste, a noite ele encontra por acaso uma estranha máscara, mas nem desconfia de suas origens e histórico.

domingo, 26 de janeiro de 2014

RUDY - O PORQUINHO CORREDOR

Nota 6,5 Apesar de apostar em situações previsíveis, a diversão em família está garantida 

Animais fofinhos que fazem amizade com crianças com algum tipo de problema familiar ou com relacionamentos com colegas é um clichezão explorado pelo cinema americano exaustivamente.  A fórmula ganhou uma revitalizada quando Babe – O Porquinho Atrapalhado surgiu propondo o relacionamento amistoso entre um suíno e um ser humano adulto, mas a sua própria continuação não conseguiu segurar a peteca, sendo que esse tipo de produção já há algum tempo perdeu espaço nas salas de cinema, virando filmes de nicho, ou seja, feitos para TV ou para lançamento direto em DVD. O que esperar então de Rudy – O Porquinho Corredor? Bem, o título pode passar a ideia de que este longa acompanha as aventuras de um filhotinho tentando provar seu valor aproveitando-se de sua habilidade para a corrida, algo não muito comum à sua espécie, o que não deixa de ser verdade, mas esse não é o foco principal do roteiro de Karsten Willutzki e Peter Timm, este último também diretor da fita. Um leve drama familiar é na verdade o tema principal. Nickel (Maurice Teichert) é um garoto que perdeu sua mãe precocemente e desde então vive com o pai, Thomas (Sebastian Koch). Certo dia, o menino vai com a escola à uma excursão em uma fazendinha onde se encanta logo a primeira vista pelo porquinho Rudy, famoso por conseguir correr com uma velocidade atípica à sua espécie. Na hora de ir embora, o bichano foge do chiqueiro para seguir Nickel, mas alguns cães de guarda passam a persegui-lo e ele é salvo pelo menino que decide levá-lo escondido para casa, aproveitando-se que seu pai estava viajando a trabalho. É óbvio que o pequeno suíno logo no primeiro dia em seu novo lar vai aprontar muita confusão, como rasgar papéis e quebrar objetos, mas isso não é nada perto do que vai acontecer quando Thomas volta surpreendendo o filho por trazer junto uma nova namorada, Ania (Sophie Von Kessel), acompanhada da filha Feli (Sina Richardt). É previsível que Nickel não aceite que o pai tente colocar alguém no lugar de sua mãe e quando a presença de Rudy é percebida começa o jogo de chantagens: se Ania pode ficar na casa, o porquinho também.

sábado, 25 de janeiro de 2014

MISTÉRIO NA ÍNDIA

Nota 5,0 Trama previsível e ligeira agrada público menos exigente, apesar do suspense ser nulo

Os telefilmes sofrem com o preconceito de muitos espectadores, embora a qualidade de muitos deles sejam equiparáveis à produções de cinema. Bem, isso se nos créditos estiverem nomes experientes, criativos e com poder de sedução junto à financiadores. Quando isso não é possível, é quase certo que o projeto fracassará, mas é preciso perder o preconceito quanto a esse tipo de filmes. Enxutos e com tramas geralmente eficientes para rechear de 70 a 90 minutos de projeção, existem muitos títulos que merecem um pouquinho mais de atenção, mas obviamente com um pouco também de compaixão, como é o caso do suspense Mistério na Índia que cumpre sua função de entreter e convidar o espectador a brincar de detetive. A trama roteirizada por Carl Austin e Sameer Ketkar nos apresenta ao casal Lily Taylor (Tamzin Outhwaite) e Andy Becker (Nicholas Irons), ela uma atriz de novelas de TV e ele um escritor com bloqueio criativo. Desde as primeiras cenas, é perceptível que a mulher é quem controla o marido, isso porque ela é detentora de uma polpuda herança que recebeu do pai, mas não está disposta a bancar as publicações dele. Jason Weeles (Jason Flennyng), seu meio-irmão, não foi contemplado com o dinheiro, mas apóia moralmente o cunhado que está devendo dinheiro a um editor que cobra a entrega do rascunho de um novo livro. Durante uma festa, Andy flagra a esposa na cama com um produtor de cinema, mas já fica latente que o casal não se entende faz tempo e que a carreira para ela é o mais importante. Embriagado, o rapaz na volta para casa acabou perdendo a direção e bateu o carro, acidente que deixou Lily paralisada da cintura para baixo. Seis meses depois, não são encontrados motivos físicos para que ela não tenha o mínimo de sensibilidade nos membros inferiores e é aconselhada a procurar um tratamento alternativo, algo com recursos naturais e a base de massagens, o que poderia ajudar em um possível bloqueio psicológico que a impede de tentar se mover. A Índia é o destino escolhido, até porque uma novela da qual Lily participou está passando lá e o assédio de fãs poderia fazer bem à sua auto-estima. Andy, por sua vez, poderia ter finalmente inspiração para escrever.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O SACRIFÍCIO (2006)

NOTA 5,0

Refilmagem de suspense dos
anos 70 peca por entregar todo
o enredo em poucos minutos e
ser um amontoado de clichês
Nicolas Cage construiu um nome no mundo do cinema com tropeços e acertos, mas parece que os primeiros anos do século 21 não têm sido generosos com o ator que passou a colecionar fracassos. Pelo menos ele pode se dar por satisfeito de não chegar ao patamar de Adam Sandler, um recordista de indicações e prêmios do Framboesa de Ouro, lembrancinha para os piores do cinema. Fale bem ou fale mal, o fato é que enquanto o comediante ainda faz fortunas com seus filmes, por piores que eles sejam, o ex-astro do tipo pau para toda obra não emplaca mais nenhuma produção e os poucos que o assistem parecem já estar predispostos a falar mal de suas atuações seja em drama, comédia, romance ou qualquer outro gênero.  Está certo que O Sacrifício é um trabalho irregular, mas a má fama que Cage atrai contribuiu para que o longa fosse massacrado por público e crítica, mas será que alguém parou para refletir que existem produções bem piores para serem achincalhadas? As raízes do projeto demonstram que ao menos ele não foi realizado como um simples caça-níquel. Este suspense é uma refilmagem de O Homem de Palha, longa inglês dirigido por Robin Hardy lançado em 1973, um dos filmes prediletos do lendário Christopher Lee, ator que praticamente é sinônimo de cinema de horror. O longa não é dos mais famosos do estilo, mas é cultuado por uma grande legião de fãs, além de ter um conteúdo relevante por trás dos sustos. Pensando em suavizar o teor sexual da obra original e adicionar mais sustos, mudanças no remake foram necessárias e justamente elas tornaram a produção de Neil LaBute um mero passatempo que só não é totalmente esquecível por conta de seu final que, embora seja fiel a seu antecessor, é atípico para os padrões hollywoodianos. Contudo não espere sustos sobrenaturais e trama acelerada. A narrativa, apesar de algumas situações dispensáveis, é propositalmente lenta para envolver o espectador que apesar de não encontrar surpresas de certa forma se sente atraído a acompanhar a história até o final, seja para tecer um mínimo elogio ou para juntar mais detalhes que justifiquem suas críticas negativas. Baseado no roteiro original de Anthony Shaffer, o diretor reescreveu praticamente toda a história de Edward Malus (Cage), policial que faz rondas em estradas e que fica arrasado ao ver uma mãe e sua filha morrerem carbonizadas em um acidente sem chances de salvá-las. Essa introdução é uma das liberdades da atualização do texto, diretamente não acrescenta nada à trama, mas talvez a culpa que o protagonista carrega o impulsione a aceitar um desafio. Decidido a se afastar do trabalho por um tempo, ele volta à ativa, mais especificamente como uma espécie de investigador, após receber uma carta de uma antiga namorada, Willow (Kate Beahan), que diz que sua filha pequena Rowan (Erika Shaye Gair) está desaparecida e que só ele poderia ajudá-la.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

UM DIVÃ PARA DOIS

NOTA 8,0

Comédia romântica para maduros
diverte a todas as idades e ainda
traz reflexões pertinentes, questões
que podem atingir certos espectadores
As comédias românticas tendem a privilegiar os amores adolescentes ou as neuroses de jovens adultos que teimam em não crescer ou lutam o quanto podem para se adequar ao perfil das pessoas de sua faixa etária, o que implica muitas vezes em busca desesperadas por um parceiro só para dizer que tem alguém para amar e ser amado. Quando o foco é voltado a conflitos envolvendo casais maduros, automaticamente sentimos um diferencial, mesmo que no fundo as situações clichês se façam presentes e o final feliz esteja garantido. Um Divã Para Dois é um ótimo e raro exemplo de filme que aposta em humor de bom gosto para agradar um público que geralmente sente não ter opção para rir, a não ser que deixe seu espírito teen aflorar e embarque em baboseiras que são lançadas as baciadas mensalmente nos cinemas e locadoras. É certo que a turma de meia ou terceira idade hoje em dia está bem mais animadinha e aceitando certos modernismos, mas ainda privilegiam certas tradições como a manutenção da instituição que é o matrimônio. Isso não significa apenas manter respeito mútuo ou aparentar perante a sociedade que o casal está feliz mesmo após tantos anos de união. Sexo é vital, mas anda em falta em muita união e em alguns casos mais graves nem o amor dá mais sinais de vida, faltando até aquela palavra de carinho diária tão necessária. O diretor David Frankel, de O Diabo Veste Prada, conseguiu realizar uma obra extremamente divertida, sem um pingo de vulgaridade e ainda por cima incômoda. Sim, isso mesmo. Muitos espectadores podem se identificar com o conflito do casal protagonista, até mesmo jovens, e podem se aborrecer ou optar por assistir o longa até o fim e tirar algum proveito dele em benefício próprio. Mirando mais especificamente no público americano mais maduro e de classe média, o roteiro de Vanessa Taylor consegue a proeza de se comunicar com diferentes faixas etárias e nacionalidades, afinal em praticamente todo o mundo quem tem mais idade se sente rejeitado e privado de fazer certas coisas. Qual filho já crescidinho nunca teve a curiosidade de saber se seus pais ainda mantêm uma vida sexual ativa? O problema é descobrir que eles podem gastar suas energias fora de casa e com outros parceiros, o que não é o caso de kay (Meryl Streep) e Arnold Soames (Tommy Lee Jones), casados há pouco mais de trinta anos e cujo inimigo é a rotina que os fez se acostumar com a monotonia.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

BELEZA ROUBADA

NOTA 8,0

Ousado para a época, obra hoje
pode não impactar com sua
temática,  mas se beneficia do
envelhecimento visual e narrativo
Bernardo Bertolucci. Este sonoro nome é um daqueles que ficam marcados em nossas mentes e mesmo aqueles que desconhecem sua profissão dificilmente o esqueceriam. E ao saber que ele é responsável por obras clássicas como O Último Tango em Paris e O Último Imperador, qual sua reação? Ele é o cara! Talvez esta sensação de que tudo que ele faz vale a pena tenha contribuído para que obras menores suas ganhassem um status que pode ser questionado, como é o caso de Beleza Roubada. Este é um daqueles títulos antigos que facilmente figuram nas listas de “prometo que vou assistir” que algumas pessoas fazem a cada ano que se inicia ou como planos para férias, mas não raramente é escolhido como uma das últimas opções ou simplesmente preterido para uma próxima listagem. Bem, o longa realmente vale a pena, mas sendo produzido anos após a incursão no diretor no grandioso e luxuoso universo imperial chinês, a produção realmente parece diminuída, embora comparações entre estes títulos seja covardia. O problema é que dificilmente alguém hoje em dia optaria por assistir esta fita se não fosse atraído pelo nome de Bertolucci e as comparações com outros projetos de seu currículo são inevitáveis. Com argumento do próprio cineasta, o roteiro foi escrito por Susan Minot, o que justifica a predominância de aura feminina em praticamente todas as cenas e diálogos. Depois do suicídio da mãe, a jovem Lucy Harmon (Liv Tyler) viaja para a Toscana, na Itália, para passar algum tempo na fazenda de Diana (Sinéad Cusack) e Ian Grayson (Donal McCann), casal amigo de sua família. A jovem já esteve lá quatro anos antes e desde então nutre um amor exagerado por Niccoló (Roberto Zibetti), com quem apenas trocou seu primeiro beijo, mas seu sonho em reencontrá-lo algum dia a fez preservar sua virgindade até então. Uma jovem americana aos 19 anos e que jamais foi tocada intimamente por um homem já era artigo raro em meados dos anos 90, então já dá para imaginar que sua chegada a tal ambiente bucólico tornou-se um evento que chamou a atenção dos rapazes. Para todos os efeitos, ela está na Itália para ter um retrato seu pintado por Ian tal qual sua mãe tinha, mas na verdade, além de tentar rever seu amor platônico, ela quer descobrir quem é seu pai biológico tentando desvendar uma enigmática mensagem do diário da falecida.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

PULSE

NOTA 1,0

Com situações mal desenvolvidas
e visual manjado, longa perde a
chance de abordar a solidão ou
a comunicação com os mortos
Hollywood já viveu sua fase áurea dos filmes de horror e suspense, passou por momentos de caída de tais gêneros, se reinventou várias vezes, mas os primeiros anos do século 21 certamente ficaram marcados pela falta de criatividade visto que os produtores precisaram bancar continuações desnecessárias e remakes, muitos deles inspirados ou totalmente copiados de produções orientais, o grande sucesso da época. Pulse é um exemplo da segunda opção, mas com o agravante de não atender as mínimas expectativas dos fãs do gênero. Refilmagem do terror homônimo de Kiyoshi Kurosawa lançado em 2001, mas praticamente desconhecido no Brasil, a obra apresenta uma versão modernizada do apocalipse, ou ao menos o objetivo era esse quando resolveram colocar em prática tal projeto. Cinco anos se passaram desde o lançamento original e o diretor Jim Sonzero teve a infeliz ideia de refilmar o longa quando a onda de horror oriental já dava sinais alarmantes de desgaste. De qualquer forma, o produto final certamente fracassaria mesmo com alguns anos de antecedência simplesmente porque falha não apenas em um ou dois aspectos, mas do início ao fim a fita é desastrosa, mesmo tendo como roteirista o experiente Wes Craven que conseguiu revitalizar os slashers movies com Pânico, por exemplo. Nem todo seu conhecimento no campo do terror foi capaz de dar alguma sustância ao longa, ainda que sua premissa seja literalmente conectada aos novos tempos. Estamos acostumados a enredos que ligam o apocalipse a efeitos de radiação ou mutações genéticas, por exemplo, ou em outras palavras a humanidade sendo colocada em risco por suas próprias invenções. Neste caso, a história co-roteirizada por Ray Wright, aposta em fantasmas que espalham o caos através das linhas de comunicação por meio de computadores conectados à internet ou celulares. A trama nos apresenta à Josh Ockmann (Jonathan Tucker), um hacker que ao invadir o sistema de um colega toma conhecimento de um sinal misterioso vindo de uma realidade paralela. Depois disso, o rapaz passa um tempo sumido e quando seus amigos o reencontram percebem que ele está com um comportamento bastante mudado. Ao investigarem as razões disso, o grupo descobre que o tal sinal é um vírus demoníaco capaz de infectar engenhocas eletrônicas destinadas a comunicação e com o poder de dominar pessoas, conseguindo pouco a pouco lhes tirar a vontade de viver e sugar sua energia vital.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

GAROTA DA VITRINE

NOTA 7,0

De forma muito delicada, longa
aborda a busca pelo amor apostando
em triângulo amoroso diferenciado e
Steve Martin com interpretação contida
Steve Martin é um nome que irremediavelmente está sacramentado como sinônimo de comédia rasgada. Desde o início de sua carreira ele se dedica ao gênero alternando ótimos momentos com outros vergonhosos, mas o fato é que é difícil imaginá-lo em outro tipo de filme, mas quem sabe em um romance com pitadas sutis de humor? Pois é, em Garota da Vitrine ele surpreende como um homem de meia-idade sedutor e livre de expressões faciais e corporais talhadas minuciosamente para causar risos. Tal papel poderia cair como uma luva à Richard Gere ou Dustin Hoffman, por exemplo, mas o longa é inspirado no livro “Shopgirl”, de autoria do próprio Martin. Seria muita sacanagem colocar outro ator para viver um papel que certamente foi escrito já pensando em uma possível adaptação cinematográfica. Este trabalho era a chance do comediante provar que pode diversificar seus trabalhos, apresentando talento para a escrita e dar vida a personagens mais sérios. Realmente, ele convence em cena e seu texto flui suavemente, mas é uma pena que o longa tenha tido pouca projeção. Em meio a tantos romances tolos, esta obra é como um sopro de frescor, ainda que não seja inovador, pelo contrário, é até bem previsível, mas a forma como o diretor Anand Tucker, de Hilary e Jackie, conduz a narrativa faz toda a diferença, a começar pelo visual clean e realista adotado para o visual, o que traz certo charme de produção independente à obra.  A protagonista é vivida por Claire Danes, cerca de trinta anos mais jovem que Martin, e a diferença de idade poderia indicar que o filme seguiria o caminho do escracho investindo pesado no conflito entre a liberdade da juventude e a rotina metódica inerente a uma pessoa mais velha, ainda mais a um homem. Vendo por essa ótica, temos aqui uma inversão de papéis e, felizmente, o cineasta optou por fazer um retrato mais realista desta relação amorosa, não deixando de lado uma opção de amor mais jovem para a moça se ver em um dilema. Apesar de bem trabalho, o conceito do triângulo amoroso neste caso não difere muito de tantos outros que o cinema já apresentou, somente há um refinamento maior no tratamento, uma variação do perfil do cara perdedor e do vencedor que exala confiança. No fundo, mais uma vez temos uma mocinha romântica sendo obrigada a decidir por uma dessas opções completamente opostas, ambas com seus benefícios e pontos negativos. Um pode oferecer amor incondicional e um padrão de vida razoável. O outro está acostumado a “comprar” o amor, mas não garante planos para o futuro. Contudo, não há vilão ou mocinho aqui, apenas pessoas normais com qualidades e defeitos em busca da felicidade.

domingo, 19 de janeiro de 2014

VIVENDO NA ETERNIDADE

Nota 7,0 Apesar de curto e sem grande profundidade, drama cativa com sua pureza e belo visual

Quem nunca imaginou viver para sempre e o melhor sem envelhecer? A busca pela receita da juventude eterna é uma grande fonte de inspiração para cineastas e é óbvio que uma temática tão fantasiosa não podia faltar no catálogo dos estúdios Disney, ainda que descartados em partes os aspectos negativos de tal devaneio. Não é só a madrasta da Branca de Neve ou a mãe postiça de Rapunzel que já buscaram esse milagre da vida nos filmes da empresa. Com atores de carne e osso, Vivendo na Eternidade é um adocicado drama típico para uma sessão em família a tarde e apesar da simplicidade do texto chama a atenção pelo seu visual bucólico e nomes consagrados que atraiu para seu elenco. Baseado no livro de Natalie Babbitt, a trama roteirizada por Jeffrey Lieber e James V. Hart tem como ponto de partida as memórias da juventude de Winnie Foster (Alexis Bledel) narradas em off. Ela relembra o tempo que conviveu com uma família completamente diferente da sua, pessoas para quem o passar do tempo literalmente demorava toda a eternidade. A garota vivia em um casarão requintado e levava um cotidiano um tanto formal, mas seus pais (Victor Gaber e Amy Irving) ainda assim queriam mandá-la para um colégio interno distante onde teria uma educação ainda mais rígida, porém, tudo o que ela mais desejava era descobrir o mundo ao seu redor, principalmente visitar as terras de um bosque próximo cujas terras pertencem à sua família. Certo dia ela toma coragem e vai escondida até a floresta e conhece Jesse Tuck (Jonathan Jackson) que parece afoito, diz que ela não deveria estar lá e muito menos tocar na água do riacho que estaria contaminada. É óbvio que Winnie não está disposta a obedecer as ordens de um desconhecido e quando está prestes a se aproximar da água é capturada por Miles (Scott Bairstow), irmão de Jesse. Eles a levam para a casa dos Tucks onde a jovem é bem recepcionada pela mãe dos rapazes, Mae (Sissy Spacek), que diz que ela voltará para sua família assim que possível. Angus (William Hurt), o patriarca, também a recebe bem, mas em suas falas deixa no ar que existe algo muito estranho com essa família, como se sua existência no meio da mata fosse desconhecida por todos na região e assim deveria permanecer.

sábado, 18 de janeiro de 2014

MENTES DIABÓLICAS

Nota 5,5 Suspense psicológico tem boa premissa, mas se perde em seu clímax, um tanto confuso

Adolescentes problemáticos são fontes inesgotáveis de inspiração para o cinema, principalmente aqueles com mentes privilegiadas, mas estado emocional instável. Mentes Diabólicas acompanha o caso do jovem Alex Bennett (Eddie Redmayne) que está preso por conta da morte de Nigel Colby (Tom Sturridge). O rapaz alega que o amigo precisava realmente morrer e que na hora que isso aconteceu ele teve a impressão de ouvir estranhos sons, como se os deuses festejassem tal fato. Apesar de aparentemente confessar o crime e terem sido encontrados resíduos de pólvora em suas mãos, não há provas claras para indiciá-lo, mas o detetive Martin Mckenzie (Richard Roxburgh) está certo que o garoto é um assassino psicótico que não tem remorso de seus atos, porém, trabalha sob a pressão do pai do suspeito (Patrick Malahide), um homem influente disposto a fazer de tudo para abafar o caso. A psicóloga Sally Rowe (Toni Collette) então é chamada para ajudar nas investigações e logo no primeiro encontro com Alex percebe que ele tem conhecimentos a respeito de História e religião que influenciam diretamente em seu cotidiano. Ele fala sobre Gestalt, um grupo organizado no qual cada parte individual influencia a todas as outras, sendo o bem estar do conjunto o mais importante. A morte de Nigel poderia estar ligada a esse conceito de preservação de um bem maior. O longa escrito e dirigido por Gregory J. Read aposta em flashbacks que ilustram as conversas entre o detento e a médica e assim ficamos conhecendo um pouco a respeito do convívio dele com o rapaz assassinado. Alex se interessou por Nigel logo que o novato chegou na escola porque ele era diferente dos outros garotos, nutrindo interesse por assuntos mórbidos e bizarros. Obrigados a dividir o mesmo quarto no colégio interno, inicialmente os dois não se davam bem. O pai de Alex é o diretor do colégio e obrigava seu filho a viver naquele ambiente sufocante e sem lhe oferecer regalias, exigindo que fosse um aluno brilhante e não abria mão de que ele dividisse seu dormitório com outro estudante. Como forma de demonstrar rebeldia, o jovem confrontava os ensinamentos religiosos e históricos das aulas. Tal empáfia justifica a forma agressiva com que ele se comporta na delegacia, tirando do sério os policiais, mas Sally quer conduzir o caso ao seu modo, na base do diálogo e da interpretação.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

PEQUENOS INVASORES

NOTA 6,5

Com piadas manjadas, conflitos
clichês e efeitos especiais que
parecem ultrapassados, comédia
diverte por assumir aura de filme B
A junção de atores reais à criaturas digitais em um mesmo ambiente há muito tempo não é novidade alguma. Alienígenas invadindo o planeta Terra também não servem mais como chamariz de público, pelo contrário, podem até afastá-lo. A fantasia de tal situação já está arcaica para uma época em que a tecnologia permite que o próprio espectador possa brincar de caçar extraterrestres na tela do computador, da TV ou de qualquer outra bugiganga portátil. Então qual a explicação para a existência em pleno século 21 de uma produção como Pequenos Invasores? Assumindo seu lado despretensioso e sua aura de filme B, a fita acaba surpreendendo aos fanáticos pelo estilo nostálgico e sessão da tarde e surge como um respiro em meio a produções tão semelhantes oferecidas ao público infanto-juvenil. Mesmo com a premissa batida e seu visual datado, esta opção acabou se diferenciando de certa forma e caiu no gosto da garotada. O “retrocesso” foi bem-vindo neste caso. A trama escrita por Mark Burton e Adam F. Goldberg se passa em um cenário manjado, em uma casa de campo, afinal existe ambiente mais propício para coisas estranhas acontecerem que uma residência isolada? A família Pearson, embora seus integrantes não se entendam muito bem, está reunida para curtir o feriado de 4 de julho, dia da independência dos Estados Unidos e data que também ficou marcada como símbolo de uma das maiores invasões alienígenas que o cinema já mostrou graças a ficção Independency Day. Por estas informações já é previsível os rumos do roteiro que tem um número elevado de personagens, portanto, não espere profundidade em suas personalidades, apenas o básico para você apontar um como o chato, aquele outro como bobão, o metido a esperto... Stuart (Kevin Nealon) e Nina (Gilliam Vigman) formam um casal harmonioso e com uma vida confortável ao lado dos filhos Hannah (Ashley Boettcher, excelente com suas falas em horas erradas), Tom (Carter Jenkins) e Bethany (Ashley Tisdale), respectivamente uma garotinha inocente, um nerd com problemas de auto-estima e uma adolescente que está naquela fase de não querer se misturar aos parentes para não ficar com o “filme queimado”. A jovem só parece feliz quando está ao lado do namorado Ricky (Robert Hoffman), a quem ela venera e ajuda a alimentar seu ego já um tanto inflado.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O ANO DA FÚRIA

NOTA 8,0

Misturando ficção e realidade,
suspense político prende atenção
com narrativa coesa, envolvente e que
encontra vínculos com a atualidade
Infelizmente temos a cultura de só dar atenção a filmes lançamentos e recorrer a antigos apenas por alguma indicação ou quando precisamos realizar trabalhos escolares ou empresariais e ainda assim a maioria assiste com ressalvas, apenas por obrigação. Bem, vendo por esse lado, O Ano da Fúria seria um título obrigatório para qualquer estudante ou trabalhador da área jornalística, no entanto, sua trama é razoavelmente interessante para agradar espectadores fora deste nicho mesmo sendo uma produção de 1991. O duro é alguém despretensiosamente topar ver um trabalho de Sharon Stone dos tempos em que ela ainda nem tinha dado sua famosa cruzada de pernas em Instinto Selvagem. Sim o filme é velho, mas muito bom. Um jornalista pode se envolver com o assunto de seu trabalho a ponto de interferir nos fatos? Vale a pena se arriscar para ter a matéria de sua vida? É melhor esconder a verdade para não comprar briga com gente influente? Estas são algumas questões que o roteiro de David Ambrose tenta responder com exemplos práticos e inspirados em eventos reais acontecidos a partir de janeiro de 1978, ano em que a Itália estava um verdadeiro caos devido aos intensos e violentos conflitos travados contra o governo, o que justifica o título. Baseado no romance de Michael Mewshaw, este suspense segue os passos de David Raybourne (Andrew McCarthy), jornalista norte-americano que está voltando a Roma para trabalhar no jornal de língua inglesa dirigido por Pierre Bernier (George Murcell), uma suposta conexão da CIA na cidade. Todos que trabalham na publicação são estrangeiros que atuam clandestinamente no país, mas os interesses do repórter vão além de notícias cotidianas. O rapaz deseja escrever um livro inspirado nos atentados terroristas organizados pelas Brigadas Vermelhas, grupo que se infiltrava em ambientes universitários incitando a revolta de estudantes e até de alguns professores com o objetivo de destronar os governantes da época e tomar o poder italiano. Certo do sucesso que sua obra seria, ele sonha com o dia que poderá se casar com Lia Spinelli (Valeria Golino), uma moça que ele conheceu em sua temporada anterior na Itália. Com um filho pequeno, ela não pode abandonar o país diante das ameaças do ex-marido que parece saber algum segredo seu, mas esse gancho a respeito de Lia acaba sendo esquecido quando outra personagem feminina forte entra na trama.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A FAMÍLIA SAVAGE

NOTA 7,0

Irmãos que não se falavam há
anos se reencontram em drama
com toques de humor que aborda a
imperfeição do ser humanao
Todos os anos na época do auge das premiações surgem alguns títulos independentes que podem surpreender e conquistar a crítica e o público. Geralmente com o respaldo de passagens por festivais cults, eles chegam como as zebras de festas como o Globo de Ouro e o Oscar, porém, não há espaço para todos eles nessas disputas. Foi o que aconteceu com A Família Savage que acabou diminuído com a presença de Juno em seu caminho, uma febre que conquistou com sua trama leve e temática jovem, dois itens que o longa protagonizado pelos talentosos Laura Linney e Philip Seymour Hoffman não podem contar. Eles vivem Wendy e Jon Savage, irmãos que se aproximam depois de muitos anos devido ao estado de saúde delicado do pai, Lenny (Philip Bosco). O problema é como dedicar atenção ao idoso sem abdicar de suas próprias vidas. Apesar de alguns momentos cômicos, a roteirista Tamara Jenkins, estreando aqui também no cargo de diretora, optou por abordar um tema que revela o que há de pior no ser humano, o egoísmo, seja na vida profissional ou na particular. A grande surpresa é que ela não tem medo de expor a velhice sob uma ótica diferenciada. Dramas com idosos tendem a reforçar a mensagem de que é uma obrigação dos mais novos cuidar dos mais velhos, porém, aqui é mostrado sem pudor que tal situação é um entrave e tanto para os filhos e o próprio ancião toma consciência de que é um fardo para os outros e que ele próprio não vê mais razão para viver se não pode ter sua independência preservada. Ao começar a escrever com fezes nas paredes, os filhos são imediatamente chamados para ser discutido o que será feito com Lenny diante dos sinais de demência. Para piorar, ele não tem mais um teto já que vivia há cerca de vinte anos com uma companheira que acabara de falecer, aliás, eles já estavam separados por algum tempo devido a problemas de saúde de ambos. Mesmo guardando mágoas dos tempos de infância pela atenção que o pai negou, os irmãos decidem ampará-lo mostrando que um resquício de civilidade ainda há dentro deles. Todavia, isso implica em mudança de estilo de vida para os dois. Wendy é uma quarentona que a essa altura do campeonato ainda não sabe bem o que quer da vida. Vivendo em East Village, ela é amante de um homem casado, se dedica a trabalhos temporários e sonha que ainda terá seu talento como dramaturga reconhecido, mas parece não confiar no que escreve. Jon, por sua vez, vive em Buffalo e trabalha como professor universitário sem grande reconhecimento, além de ter escrito alguns livros esquecíveis. No momento sofre com a separação da namorada polonesa que precisa deixar os EUA por não ter conseguido renovar seu visto de permanência.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

MEU NAMORADO É UM ZUMBI

NOTA 7,0

Comédia com pitadas de crítica
social e romance apresenta um
novo perfil de mortos-vivos,
criatura pensantes e sentimentais
Depois que a saga Crepúsculo tratou de desvincular a imagem de vampiros e lobisomens exclusivamente ao gênero terror, agora chegou a vez dos mortos-vivos invadirem outras categorias. Com a repercussão da franquia cinematográfica baseada nos livros de Stephenie Meyer, os estúdios de cinema começaram a correr contra o tempo para encontrarem outros roteiros com temáticas parecidas (junção de romance teen com figuras medonhas) e nada melhor que um livro de sucesso para atender as expectativas de uma produção feita a toque de caixa para aproveitar uma onda positiva, afinal a história já está pronta, basta alguns retoques de adaptação. Meu Namorado é um Zumbi é baseado na obra “Sangue Quente”, de Isaac Marion, todavia, a relação dos vivo com os mortos já foi tratada pelo cinema fora do campo de horror, como nas comédias Todo Mundo Quase Morto e Zumbilândia, mas o que deve ter chamado a atenção do diretor Jonathan Levine no projeto é que não era simplesmente apostar em um elemento estranho adicionado ao humor, mas também somá-lo a uma veia romântica, uma mistura improvável que no final das contas dá certo, isso se você não esperar nada mais que uma opção descompromissada. A trama se passa em um cenário pós-apocalíptico, quando os poucos humanos que sobreviveram refugiam-se em uma cidade isolada por um grande muro. Liderados pelo general punhos de ferro Grigio (John Malkovich), o grupo realiza diversas missões, armados até os dentes, fora dos limites da área segura para conseguirem o necessário para sobreviverem. Os mortos-vivos são os vilões da história, no entanto, eles próprios não se veem como uma ameaça. Um dos que mais sofre com essa crise existencial é o jovem R. (Nicholas Hoult), responsável por narrar a história sob seu ponto de vista. Ele passa os dias de forma introspectiva vagando por um aeroporto abandonado nos arredores da tal cidade protegida. Quando a fome bate, ele reluta contra seus próprios ideais e precisa ir a caça de algum humano incauto para comer seu cérebro. O problema é que a ingestão desta iguaria também os alimenta com as memórias e sentimentos das vítimas. Certo dia, R. ataca Perry (Dave Franco), namorado de Julie (Teresa Palmer), e imediatamente o amor do rapaz recém-falecido é transmitido para o jovem zumbi que trata de salvar a garota do ataque de outros companheiros esfomeados e a leva para viver com ele dentro de um velho avião.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

PINÓQUIO (1940)

NOTA 9,0

Clássico animado conquista
com história simples, mas
repleta de boas mensagens e
animação primorosa
Para alguns filmes quanto mais o tempo passa melhores eles ficam e as animações da Disney se beneficiam muito disso. Muitos trabalhos orientados de perto ou apenas idealizados por Walt Disney entre as décadas de 1930 e 1960 hoje em dia são verdadeiros clássicos, mas quando lançados foram considerados verdadeiras loucuras e não fizeram sucesso. Depois da boa recepção e repercussão de Branca de Neve e os Sete Anões, projeto desacreditado por muitos que surpreendeu a todos por sua qualidade, avanços em termos de técnicas cinematográficas e rendimento nas bilheterias, o estúdio recebeu carta branca do chefão para investir ainda mais na próxima animação. Em 1940 a equipe de desenhistas do estúdio deu mais um grande salto no campo da criação investindo em cenários e personagens bem detalhados e tomando maiores liberdades para contar a história de Pinóquio, baseado no livro clássico “As Aventuras de Pinocchio” de Carlo Collodi. A trama é bem popular em todo o mundo, mas não custa relembrar. O velho artesão Geppetto consegue adquirir um pedaço de madeira que considera muito especial e decide fazer algo inesquecível: um boneco que fosse o mais próximo possível de um ser humano, como se fosse a idealização do filho que ele nunca teve. Sua criação foi tão perfeita que nem ele próprio podia acreditava no que fez. O senhor que vivia sozinho nem desconfiava que assim ganharia um companheiro de verdade, mas as estrelas atenderam seu pedido. Graças a Fada Azul, Pinóquio, como o boneco foi batizado por seu criador, poderia se tornar um menino de verdade, desde que provasse sua lealdade e coragem, virtudes que ele deveria compreender por conta própria. Todavia, sempre que mentisse automaticamente seu nariz cresceria denunciando sua desobediência e diminuindo as chances de se tornar uma pessoa de carne e osso. Nessa jornada de aprendizados, o garoto conta com a ajuda do esperto Grilo Falante, mas nem assim ele deixa de arrumar confusão ou cair em armadilhas. O mascote da vez, um dos grandes estereótipos das produções Disney, é um dos grandes trunfos desde desenho, um personagem tão interessante e cativante quanto o próprio protagonista. Na realidade, o inseto-conselheiro foi uma liberdade dos criadores, visto que ele não existe no conto original, diga-se de passagem, bem mais soturno que esta sua versão animada. A ideia é que o personagem ensinasse ao garoto noções práticas do que é certo ou errado já que o boneco teria a personalidade parecida com a de um bebê que precisava ser educado passo a passo. A inserção deste mentor foi bem-vinda, dando mais credibilidade à trama, e o sucesso dele foi tão grande que lhe rendeu a participação em mais um longa-metragem futuramente, Como é Bom se Divertir, além de várias aparições em curtas e programas de TV.

domingo, 12 de janeiro de 2014

GRANDE MENINA, PEQUENA MULHER

Nota 6,5 Audiência é conquistada por protagonistas cativantes e de perfis totalmente opostos

O mais natural é que um adulto eduque uma criança e não o contrário, porém, o cinema está aí para provar que tem muito baixinho dando verdadeiras lições de vida aos altinhos e a ex-estrela mirim Dakota Fanning foi extremamente requisitada nos primeiros anos da década de 2000 para protagonizar produções do tipo. A fórmula clichê obviamente desestimula muitas pessoas a assistirem obras água-com-açúcar como Grande Menina, Pequena Mulher, mas é bom lembrar que sempre tem gente nova nascendo e desprovida dos vícios cinematográficos. Seria muito egoísmo dos adultos tirar o prazer de novas gerações experimentarem o que já conhecemos de traz para frente e principalmente privá-los de terem seus próprios clássicos sessão da tarde para guardarem como memória afetiva da infância. Vendo por esse prisma, o longa dirigido por Boaz Yakin, do muito superior Duelo de Titãs, pode ser apreciado com um pouquinho mais de boa vontade, mas de qualquer forma não libera o filme do verniz de feito para menininhas sonhadoras. A previsibilidade e o iminente final feliz é o que seu público-alvo quer e suas expectativas são correspondidas a contento. Mesmo simplório, o roteiro foi escrito por três pessoas, Julia Dahl, Mo Ogrodnik e Lisa Davidowitz, o que explica a farta união de clichês do enredo. Com três mentes trabalhando em um mesmo projeto, parece que nenhum chavão que pudesse se encaixar na proposta foi deixado de fora. Basicamente sustentando-se nos conflitos de duas pessoas completamente diferentes que são obrigadas a conviver diariamente, o humor passa ligeiro pela película, sendo que o drama leve domina boa parte do tempo. A trama começa nos apresentando à Molly Gunn (Brittany Murphy), uma moça muito mimada que vive da fortuna deixada pelo seu pai, um ex-astro do rock. Avoada que só ela, a riquinha não se dou conta que o empresário do falecido estava de olho em sua grana e quando a ficha caiu já era tarde demais. Obrigada a deixar as regalias de lado e trabalhar, ela consegue emprego como babá de Ray (Fanning), uma precoce e neurótica garota de apenas oito anos de idade, mas que parece ter quarenta. Seu perfeccionismo e seriedade constantes acabaram afastando todas as outras candidatas a vaga, mas Molly decide fazer pé firme e domar a garota.

sábado, 11 de janeiro de 2014

VIDAS CRUZADAS (2007)

Nota 3,0 Com histórias dramáticas que se ligam à protagonista, longa não chega a lugar algum

Os filmes que trabalham com várias tramas paralelas apresentadas por diversos personagens antigamente eram sinônimos de cinema alternativo, produções que geralmente terminavam sem uma conclusão arrebatadora, mas trazia a tona muitas situações para o espectador refletir após o término. Obviamente eram obras feitas para um público mais seleto e acostumado a imaginar o destino dos personagens, o chamado final em aberto, mas o modelo começou a ganhar espaço em premiações populares, consequentemente invadiu os cinemas de shoppings e produções do tipo ficaram mais fáceis de serem encontradas em locadoras. O resultado é que de obras singulares tal estilo narrativo acabou sendo usado em demasia e na maioria das vezes utilizado de forma incorreta como é o caso do insosso Vidas Cruzadas. A história criada por Nat Moss gira em torno de Rose Phipps (Heather Graham) uma jovem oftalmologista que ainda vive a dor da perda de seu pequeno filho que não chegou a completar dois anos de idade. Por não saberem lidar com a situação, a médica e o marido Mark (Billy Baldwin) acabaram se separando, mas ainda procuram manter uma relação amistosa. Certa noite em que saem juntos, eles são fotografados de longe sem perceberem. Simon Colon (Victor Rasuk) é um adolescente que trabalha em uma loja de revelações e venda de equipamentos fotográficos e rotineiramente consegue emprestada uma máquina para poder exercitar seu hobby. Ele costuma fotografar pessoas e paisagens aleatoriamente até o dia em que Rose cruza a lente de sua câmera e ele fica obcecado pela imagem desta mulher linda, mas aparentemente triste. Ele passa a segui-la sempre munido de sua máquina, mas esse hábito preocupa sua mãe, Marta (Marlene Forte), que não gosta que seu filho seja tão solitário. Quem também vive sozinho é o Sr. Tommaso Pensara (Dominic Chianese), paciente de Rose que descobriu tardiamente uma doença que pode cegá-lo em menos de dois meses.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

PLATAFORMA DO MEDO

NOTA 6,5

Rápido, amedrontador, bizarro
e claustrofóbico, longa aposta em
situações clichês com eficiência,
mas evita piadas e personagens tolos
Dizem que para fazer cinema basta ter uma ideia na cabeça e uma câmera na mão e tal máxima acaba se confirmando quando analisamos o início das filmografias de alguns cineastas, mais especificamente o período em que ainda não eram corrompidos pela ganância dos grandes estúdios que tratam de recrutar as mentes brilhantes o quanto antes. Esse contraponto entre o antes e o depois do sucesso fica ainda mais evidente nos currículos de diretores apreciadores dos gêneros terror e suspense. A maior parte dos filmes de sucesso e emblemáticos dessas categorias nasceu da criatividade de profissionais desconhecidos e com poucos recursos financeiros, mas infelizmente nem todos os trabalhos do tipo chegam em grande estilo ao público em massa, ficando restritos aos aficionados por sangue e mutilação.  Esse é o caso de Plataforma do Medo, escrito e dirigido por Christopher Smith, que acabou se tornando apenas mais um título em uma extensa lista de produções que o tempo tratou de jogar areia em cima. Não é uma obra-prima, mas cumpre bem sua tarefa de amedrontar o espectador por cerca de uma hora e meia a começar pela premissa. Estamos acostumados com o agitado cotidiano das estações do metrô, mas como elas ficam altas horas da madrugada? Isso é o que vai descobrir Kate (Franka Potente), uma jovem londrina que gosta de curtir a vida sem medo de ser feliz e certa noite vai a uma festa onde bebe e se droga, sendo desafiada pelos amigos se ela teria coragem de invadir o quarto de hotel onde estaria hospedado o astro de Hollywood George Clooney (que lance forçado!). Quando vai pegar o metrô para tentar cumprir o desafio, ela se atrapalha para conseguir o dinheiro da passagem e acaba comprando o bilhete com atraso. Enquanto espera a próxima condução, ela acaba adormecendo e quando desperta percebe que todas as estações já foram fechadas e que ficou presa lá dentro tendo como única companhia alguns mendigos. Mesmo assim ela consegue pegar um último trem, totalmente vazio, mas que pára de repente e não no destino previsto. Para sua surpresa, ela encontra no vagão um conhecido que a seguiu desde a festa, Guy (Jeremy Sheffield), rapaz que nutria por ela uma paixão não correspondida. O encontro no início é um alívio para a moça, mas não demora muito para que o cara tente agarrá-la à força, mas eis que alguma coisa estranha surge e arrasta Guy para fora do veículo.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A CRECHE DO PAPAI

NOTA 6,0

Investindo em piadas previsíveis
e deixando o elenco infantil a
vontade, comédia é rara opção para
família toda sem constranger
A vida moderna exige que homens e mulheres cada vez mais abandonem o desejo de formar famílias, preferindo a liberdade da solteirice ou no máximo a confiança que deve ser compartilhada em uma relação a dois. Agora quando entre um terceiro e pequeno elemento nessa união as coisas complicam. Um casal pode ser feliz só se encontrando a noite e/ou fins de semana, mas os filhos não podem ser prejudicados pela ausência dos pais devido a compromissos de trabalho ou com estudos. É um verdadeiro dilema. A solução nesses casos é colocar as crianças em escolas ou creches onde seriam cuidadas por profissionais especializados e ainda vivenciariam atividades educativas e recreativas, além de tomarem contato com outras pessoas da mesma idade aprendendo no dia-a-dia noções de educação, disciplina e tolerância. Parece perfeito, isso se os pimpolhos não forem matriculados em uma instituição amadora como a que serve de cenário para A Creche do Papai. Bem, pelo menos inicialmente o local não é nenhum exemplo arrebatador, servindo mesmo apenas aos pais desesperados que veem o lugar como última solução. A trama roteirizada por Geoff Rodkey mostra como dois homens com carreiras promissoras se viram de uma hora para a outra numa pior, mas deram a volta por cima aos trancos e barrancos. Charlie (Eddie Murphy) e Phil (Jeff Garlin) trabalhavam na área de publicidade de uma grande empresa alimentícia e tinham pouco tempo para passar com seus filhos, mas após falharem em uma campanha para divulgar um cereal à base de vegetais os dois são demitidos. Agora, enquanto suas esposas saem para trabalhar, eles são obrigados a cuidarem de suas crianças, mas não levam o menor jeito para a coisa. Eles decidem colocá-los em uma creche para poderem se dedicar a busca de um novo emprego, mas na região em que vivem a única disponível é a metódica e rígida instituição Chapman Academy comandada com punhos de ferro pela Srta. Gwyneth Harridan (Anjelica Huston). O modelo de educação opressor é dos males o menor. O preço é o real problema. Cada mês equivale ao pagamento de um ano de uma creche comum. O jeito então é os pais se virarem como podem, embora Ben (Khamani Griffin), filho de Charlie, seja até bastante quietinho, contentando-se com as inúmeras vezes que seu pai brinca com ele de “foguetinho”, ingenuamente acreditando estar cuidando bem do garoto.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

EM MÁ COMPANHIA (2002)

NOTA 5,5

Investindo na velha fórmula
da dupla de policias de perfis
opostos, longa diverte com seu
ar de nostalgia dos anos 80
Dias após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, muitos produtores certamente já estavam impacientes para bancar filmes explorando a fértil temática, mas a comoção que o episódio causou poderia atrapalhar as bilheterias e a própria indústria de Hollywood em caráter respeitoso impôs um período de jejum para que os conflitos entre árabes e americanos ganhassem as telas com força total. Contudo, isso não impediu que fossem realizados trabalhos que tocassem de leve nessa guerra, como é o caso de Em Má Companhia, ação que explora um motivo mais plausível para alguém arquitetar um plano para atacar os EUA do que uma desculpa religiosa ou insana.  Sem optar pelo nacionalismo exagerado, o argumento é simples: bombas nucleares estão prestes a cair nas mãos de terroristas que pretendem detoná-las em solo americano, sem necessariamente um motivo claro a não ser a crueldade exagerada. Embora apostando em um tema quente para a época, quiçá até hoje, o roteiro de Michael Browning e Josn Richman reciclava a fórmula do gaiato que entrou no navio. Kevin Pope (Chris Rock) e Gaylord Oakes (Anthony Hopkins) há anos trabalharam juntos desmantelando quadrilhas, mas a parceria é desfeita quando o jovem agente da CIA é morto durante uma importante negociação envolvendo armas nucleares. A ideia era forjar a compra de uma potente e valiosa bomba para assim capturar Adrik Vass (Peter Stormare), um perigoso criminoso russo que só confia em Pope e prometeu entregar o artefato em nove dias. O negócio foi parcialmente fechado e agora o veterano Oakes terá que localizar o irmão gêmeo do falecido companheiro, Jack Hayes, e treiná-lo para a missão em tempo recorde. Detalhe: os irmãos gêmeos nunca souberam da existência um do outro, foram separados quando ainda eram bebês sendo que o agente foi adotado por uma família de posses e refinada. Hayes acabou sendo criado em um ambiente mais marginal, o que o tornou um típico malandro das ruas, mas de bom coração. O primeiro ato é dedicado a explorar a “construção” do agente já que os irmãos tinham personalidades completamente diferentes. Ele deverá se tornar um homem sofisticado, elegante, culto e aprender o idioma da República Tcheca, local onde a transação será concluída.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

MATADORES DE VELHINHA

NOTA 8,5

Irmãos Coen investem em uma
refilmagem com mescla de humor
negro e pastelão, criando uma obra que
dialoga melhor com diferentes públicos
Os filmes dos irmãos Ethan e Joel Coen costumam gozar de prestígio entre a crítica e o público e seus fãs aguardam ansiosos cada novo lançamento. Todavia, alguns de seus trabalhos acabaram passando em brancas nuvens, não repercutindo como deveriam como é o caso da comédia de humor negro Matadores de Velhinha, o primeiro trabalho não original da dupla. Neste caso eles optaram por readaptar um filme inglês datado de 1955 que no Brasil foi lançado com o título O Quinteto da Morte. Apesar da alcunha sinistra, a obra era uma comédia protagonizada pelos famosos Alec Guiness e um então desconhecido Peter Sellers, que mais a frente faria sucesso em A Pantera Cor-de-Rosa. O batismo da nova versão veio a calhar e vende melhor o conteúdo do filme, uma comédia divertida e com momentos sinistros, mas que infelizmente é considerada um dos trabalhos mais fracos dos Coen, talvez porque seja a obra mais assimilável que realizaram. A premissa é bastante básica e propõe situações previsíveis, o que pode agradar pessoas que ficaram boiando ao assistir outros filmes dos irmãos, geralmente cheio de críticas e significados implícitos. Não que eles abandonem suas características cinematográficas aqui, mas elas estão mais comedidas que de costume. Tom Hanks dá vida ao professor Goldthwait Higginson Dorr, um homem bem apessoado, culto e também um assaltante. Isso mesmo. Por trás do verniz de boa pessoa existe um ambicioso criminoso, mas que evita ao máximo recorrer a violência para conquistar seus objetivos. No momento ele tem arquitetado um plano para roubar o dinheiro da caixa-forte de um barco-cassino, mas para colocar a ação em prática precisa recrutar alguns cúmplices e escolher um local onde possa escavar um túnel e invadir o antro de jogatina sem ser percebido. O porão da senhora Marva Munson (Irma P. Hall) é escolhido para ser a porta de entrada para a busca do dinheiro que fica armazenado em um escritório subterrâneo próximo a área onde o barco está atracado. Esta idosa muito religiosa vive em uma isolada e simpática casa à beira do rio Mississipi e não estranha quando o professor bate à sua porta querendo alugar um quarto. Certamente ficou tocada ao saber que ele deseja se reunir com certa frequência com um grupo de colegas músicos para ensaiarem canções religiosas no porão do lugar.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

À PROCURA DE ERIC

NOTA 7,0

Homem desiludido com a vida
recebe apoio de seu ídolo do
futebol para compreender seus
erros e buscar acertos 
Dizem que em momentos de dificuldades nada melhor que um ombro amigo para chorar as pitangas ou para ver o problema sobre uma nova perspectiva e propor soluções, agora o que dizer quando essa tal pessoa é nada maia nada menos que o seu maior ídolo? Essa é a premissa básica de À Procura de Eric, drama com pitadas de humor dirigido por Ken Loach, figurinha fácil em premiações menos comerciais como o Festival de Cannes. Não por acaso com esta película mais uma vez lá estava ele batendo cartão na festa francesa. Para quem acompanha a carreira do cineasta de obras como Ventos da Liberdade deve se surpreender com este seu trabalho que preza por uma leveza não habitual em seu currículo, porém, sua temática preferida ainda se faz presente: as relações humanas, a forma como um ser humano pode denegrir ou regenerar sua personalidade perante as influências de seu círculo de convivência. Por outro lado, ao saber que o filme fala sobre futebol os ânimos podem vir a esfriar. Existem vários esportes que já serviram de pano de fundo para boas histórias, mas é fato que a prática esportiva considerada a paixão dos brasileiros não goza de muito prestígio no meio cinematográfico, porém, neste caso não há o inconveniente de um leigo no assunto ficar entediado. Os jogos e seus detalhes só entram em cena como adorno, afinal de contas o protagonista é fanático por um time, ou melhor, é fã incondicional de um ex-astro dos campos. Durante a década de 1990, o Manchester United se consolidou como o time de futebol mais importante da Inglaterra e boa parte de sua fama se deve especialmente a um francês, Eric Cantona, jogador que após uma pisada de bola com um torcedor de um time rival amargou um longo período no banco de reservas, mas quando retornou aos campos voltou com toda a garra e levou seu grupo a um patamar invejável. Quando deixado de lado pelo técnico de sua seleção na Copa de 1998 o esportista estava no auge de sua carreira, mas resolveu se aposentar, contudo, deixou uma legião de fãs. Provavelmente avaliando tamanha popularidade, Loach foi procurado por produtores interessados em bancar uma obra que focasse a relação do jogador com um fã, tarefa bem executada pelo roteirista Paul Laverty que conseguiu aliar uma trama ficcional à realidade dos campos sem tornar o filme maçante.

domingo, 5 de janeiro de 2014

REGRAS DO AMOR

Nota 4,0 Romance soa forçado e nem mesmo os clichês são desenvolvidos de forma eficiente

Rapaz arrogante conhece por acaso uma garota que exala felicidade em altas concentrações, ambos se apaixonam, mas logo um fato inesperado surge para estragar o relacionamento. Quantos filmes você já assistiu com tal premissa? A lista é gigantesca sem dúvidas, mas se produções do tipo ainda são feitas é porque existe público a fim de reviver as mesmas emoções. Regras do Amor literalmente segue as normas do subgênero em que se enquadra, os romances dramáticos, mas no final das contas não agrega nada de novo, pelo contrário, até deixa a desejar em alguns aspectos. Os mesmo elementos de sempre estão em cena, é possível prever a sequência de acontecimentos e nem mesmo os momentos “vergonha alheia” no qual algum personagem tenta passar alguma mensagem profunda sem sucesso não foi deixado de fora. A trama começa nos apresentando Jack (Freddie Prinze Jr.), um jovem executivo que não vê a vida como um conto de fadas. Muito dedicado ao trabalho, felicidade para ele sempre foi sinônimo de ostentação. Ter um carro invejável, roupas de marcas famosas e poder pagar jantares em restaurantes finos seriam as armas necessárias para conquistar quantas mulheres quisesse, mas ele nunca entendeu o ditado que diz que as melhores coisas da vida conseguem-se de graça. Seus conceitos começam a mudar quando ele conhece a bela e espirituosa Jill (Taryn Manning), uma aspirante a atriz. Coincidentemente no mesmo dia o rapaz tem uma reunião para definir a garota propaganda de um dos produtos que a empresa em que trabalha cuida da publicidade. Rapidamente os dois acabam ficando amigos e Jack a convida para dividir o apartamento com ele, visto que ela estava morando em um albergue. Todavia ele já deixa claro que o convite não é uma cantada, apenas um gesto de solidariedade. Conversa fiada! É óbvio que eles vão se apaixonar e até fazem um manual com algumas regras que ambos devem seguir para o relacionamento funcionar bem. A primeira e principal lei é sempre ser honesto e é justamente neste quesito que o caldo entorna. Jill esconde do namorado que tem uma grave doença que a obriga a se ausentar de vez em quando para a realização do tratamento internada em um hospital. Com os constantes sumiços da moça, Jack passa a se questionar se não pulou etapas importantes e comuns a qualquer relacionamento a dois.

sábado, 4 de janeiro de 2014

OLHO POR OLHO (2007)

Nota 1,5 Com protagonistas violentados, mas que não cativam, fica difícil torcer pela revanche 

Problemas envolvendo motoristas imprudentes são corriqueiros e diariamente são notícias em jornais, mas é impressionante como nos últimos tempos tem surgido informações de muitos casos de um outro tipo de violência no trânsito: a falta de respeito versus a intolerância. No estresse ou na pressa do dia-a-dia muitas pessoas acabam reagindo de maneira impulsiva e xingam, fazem gestos obscenos, deixam reclamações ou ofensas por escrito ou ainda usam o próprio veículo para fazer vingança. Além de situações extremamente desagradáveis, existe o problema de não se saber quem está no outro carro e como esta pessoa pode reagir a uma agressão física, material ou verbal. Uma simples ultrapassagem no trânsito já pode ser o estopim para uma tragédia. Bem, um filme com tal premissa poderia render um bom caldo, mas não basta ter um bom argumento. É preciso também um bom desenvolvimento narrativo e nesse quesito Olho por Olho peca feio. Com roteiro e direção de Dan Reed, este suspense já começa com uma péssima introdução. Alice (Gillian Anderson) é uma executiva aparentemente bem de vida que contrata os serviços de Adam (Danny Dyer), um instalador de alarmes e câmeras de segurança. Quando ela chega em casa o serviço está pronto, sabe-se lá o porque do rapaz estar repousando na varanda do apartamento como se fosse íntimo do local e em menos de cinco minutos eles já combinam de sair juntos. Bem envolvente, não? Eles então vão a uma festa da empresa de Alice em uma mansão isolada cercada por um bosque e no final acabam transando no meio do mato. No caminho de volta, ela ultrapassa um carro em uma estrada deserta e Adam provoca o motorista com uma piadinha. Infortunadamente, a pressa acaba fazendo com que eles atropelem um veado e quando o rapaz está tentando tirar o animal do caminho o casal é surpreendido por alguns homens mal encarados. Adam é espancado violentamente e Alice é estuprada. No dia seguinte eles retornam para a cidade grande e então passam a alimentar o desejo de vingança. A premissa é até interessante, mas o problema é que não conseguimos nos simpatizar pelos protagonistas e consequentemente não nos impactamos com a violência que sofreram.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

LIGADOS PELO CRIME

NOTA 5,0

Narrativa fragmentada até
alinhava coerentemente a vida
de personagens, mas falta algo
para dar liga à mistura
Cada vez mais tem sido frequente o uso de narrativas fragmentadas no cinema, histórias que interligam a vida de personagens através de sentimentos ou situações e os dramas se beneficiam muito deste estilo. Ligados Pelo Crime aposta em uma gama de personagens que se associam pelo envolvimento com o mundo do crime ou a violência, podendo cada um se entregar ao declínio total ou optar pela redenção. Seguindo o estilo de Crash – No Limite, por exemplo, o longa utiliza um elemento-chave que pode modificar vidas, no caso uma pessoa em específico, um criminoso. Baseado em um antigo provérbio chinês que divide a vida em quatro sentimentos distintos e essências aos seres humanos em todas as fases de sua vida, o longa se divide em capítulos intitulados por estas emoções, mas todos com conexão. Cada ato tem um protagonista que na verdade não recebe nome, com exceção de um que atende por uma nomeação falsa, talvez uma forma simbólica que o diretor Jieho Lee encontrou para dizer que tais personagens são pessoas comuns, qualquer um poderia estar sujeito aos mesmos conflitos. A trama roteirizada pelo próprio cineasta em parceria com Bob DeRosa começa bem com “Felicidade”, ato defendido com vigor por Forest Whitaker interpretando um homem que quando era criança acreditava que sua dedicação à escola lhe traria ainda mais estudos, no entanto, futuramente, todos os seus esforços lhe garantiriam um bom emprego e finanças confortáveis. Na atualidade ele inveja quem pensa dessa forma. Apesar de ter um padrão de vida razoável, este bancário não é feliz e sofre com seu vício em apostas. Depois de ouvir às escondidas o nome do possível campeão de uma corrida de cavalos, ele aposta alto, mas a sorte não estava do seu lado e agora ficou devendo uma grande quantia e cai nas mãos do mafioso Fingers (Andy Garcia), ou na tradução brasileira Dedinhos, apelido que ganhou por só estalar os dedos e todos fazerem o que ele manda. Ameaçado e sem nada mais a perder ele então planeja ironicamente assaltar um banco para saldar sua dívida. “Prazer”, o segundo ato, é protagonizado por Brendan Fraser vivendo um dos capangas do chefão do crime que tem o dom de prever o futuro, porém, sem poder fazer nada para alterá-lo. Ele deve ajudar Tony (Emile Hirsch), o sobrinho aloprado de Fingers, a se familiarizar com o submundo e não demora muito para o jovem se meter em confusão, algo que o vidente já previa, porém, sua previsão estava parcialmente errada pela primeira vez.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

MUITO GELO E DOIS DEDOS D'ÁGUA

NOTA 4,0

Comédia nacional tem boas
intenções, mas tropeça em suas
próprias pretensões exagerando no
visual e situações de humor negro
Daniel Filho se tornou uma espécie de Midas do cinema nacional com o sucesso de Se Eu Fosse Você. Tudo que faz gera lucros. Será mesmo? Embora tenha repetido o feito com a sequência da comédia protagonizada por Glória Pires e Tony Ramos, o diretor tem colecionado mais fracassos que sucessos. Experimentando outros gêneros e formas de fazer cinema, ele se arriscou a lançar o filme de humor negro Muito Gelo e Dois Dedos D’Água, mas a recepção não correspondeu as expectativas. Elenco com nomes famosos e talentosos, direção segura, inovações visuais e narrativas e apelo cômico que parece ser o eixo de sustentação do cinema nacional. A receita não poderia dar errado, mas a opção por piadas pesadas e excessos de palavrões e de atitudes condenáveis dos personagens acabou afastando o público. Bem, quem já acompanhava os seriados de TV assinados pela dupla Fernanda Young e Alexandre Machado, como “Os Normais”, já sabia o que podiam esperar, mas é certo que muitos se surpreenderam com o que encontraram. Se em sua comédia anterior Filho investiu em um humor próximo ao feito na televisão brasileira, desta vez ele entrou no espírito dos roteiristas e procurou trabalhar com o politicamente correto, algo corriqueiro em series e filmes americanos. Se ajudamos a indústria dos besteiróis ianque, por que não podemos ter produtos similares brasileiros? Na teoria faz sentido, mas na prática não. Pelo menos não neste caso. Para expor melhor os problemas vamos primeiro ao enredo. As irmãs Roberta (Mariana Ximenes) e Suzana (Paloma Duarte) possuem personalidades e vivem cotidianos muito diferentes, mas há um detalhe em comum no passado delas que trata de reaproximá-las quando adultas: o desejo de vingar-se dos maus tratos da avó (Laura Cardoso). Quando eram crianças, a idosa as atormentava com conceitos rígidos a respeito de educação e etiqueta e o convívio era ainda mais torturante na época das férias quando costumavam passar vários dias em uma casa de praia. Para exorcizar os demônios do passado, elas armam um plano para sequestrar a avó e a levarem para um “agradável” final de semana na residência que foi palco de verdadeiros pesadelos das garotas. Roberta consegue golpear a avó com um objeto decorativo e a coloca em seu carro desacordada e parte para buscar a irmã para começarem a esperada vingança, mas o trio terá companhia nessa louca viagem.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

MAMMA MIA!

NOTA 9,0

Comédia romântica musical
conquista com enredo simples,
músicas contagiantes e a
alegria e simpatia do elenco
O verão é uma das melhores épocas do ano. Dias mais longos, temperaturas altas, uma incrível sensação de liberdade, muita gente curtindo férias e nada melhor que um filme alto astral e com o clima ensolarado da estação para fazer companhia. Mamma Mia! pode ser considerado a tradução cinematográfica do que um período de descanso significa. Do início ao fim, o espectador é convidado a participar de uma verdadeira festa que parece não ter hora para acabar e de quebra se deliciar com um agradável passeio por belas paisagens gregas, embora a maioria tenha sido inserida através da computação gráfica, mas isso é só um detalhe. Em meio a tanta diversão e descontração quem vai ficar procurando defeitos? Bem, infelizmente não é todo mundo que deixa seu espírito alegre aflorar com esta produção, ou melhor, o gênero musical por si só sofre preconceito, mas neste caso temos um agravante para a repulsa: a trilha sonora do grupo ABBA com hits dos tempos da discoteca. Sucesso no passado, o quarteto sueco hoje é sinônimo de brega e automaticamente tal rótulo foi aplicado ao longa de estreia da diretora Phyllida Lloyd. Fale bem ou fale mal, mas falem de mim. O fato é que esta comédia romântica logo que foi lançada gerou burburinhos e como a maioria dos filmes agradou e desagradou em proporções similares, mas o passar dos anos mostra que a turma de fãs é bem grande, ainda mais com o respaldo do espetáculo teatral que rodou o mundo e ajudou a propagar a fama do longa-metragem. Realmente foi para os palcos que primeiramente o projeto foi pensado ainda na década de 1980, uma forma de aproveitar os últimos resquícios da era da disco music, mas a ideia só foi concretizada em 1999 pelas mãos da própria Phyllida que fez sucesso com o espetáculo em Londres. Apostando na nostalgia do público, logo a peça-show estava em cartaz na Broadway e se tornou um dos produtos do tipo que mais tempo ficou em cartaz. Versões locais também passaram a existir em diversos países, inclusive no Brasil, porém, o espetáculo só foi parar nos palcos de algumas poucas cidades brasileiras graças ao enorme sucesso que o filme fez por aqui. Dirigido pela mesma diretora do espetáculo teatral e mantendo praticamente todo o roteiro original dificilmente as coisas poderiam desandar, pelo menos para aqueles que procuram diversão sem ter que gastar o mínimo de cérebro, contudo, falar que esta produção é acéfala ou destinada a público idem não é correto. A diretora nunca teve a intenção de fazer algo revolucionário ou que colocasse as plateias para pensarem, pelo contrário, o objetivo é simplesmente entreter e ser uma opção escapista. A quem interessar bom proveito.

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