quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A NOIVA CADÁVER

NOTA 9,0

Conto romântico conquista o
espectador com seu visual
simplório, porém, arrebatador,
e trama inteligente e irônica
Filmes sobre almas de outro mundo e cadáveres que saem de suas tumbas para voltar ao mundo dos vivos são coisas para adultos. Bem, para Tim Burton isso não é verdade e tais criaturas apavorantes podem tranquilamente habitar o imaginário infantil. Conhecido pela sua excentricidade e adoração ao gótico, o cineasta imprime seu estilo em uma animação de stop-motion (aquela que anima bonecos quadro a quadro) e chama a atenção não só dos pequenos, que encontram a mistura ideal de humor e suspense que tanto curtem, mas também do público mais velho que se depara com uma história inteligente tingida praticamente de tonalidades escuras e frias. Terror, suspense, comédia, drama, romance, fábula ou fantasia? A Noiva Cadáver é uma mistura perfeita de referências a todos esses gêneros e a opção pelo desenho animado para amarrar tudo isso casa bem com a ideia, ainda mais com a técnica de animação em desuso que dá todo um charme a mais à produção. A narrativa se passa em meados do século 19 e gira em torno do franzino Victor Van Dort, um rapaz atrapalhado e muito inseguro que deseja se casar com Victoria Everglot, uma jovem de famíia tradicional e que é tão tímida quanto o noivo. Na realidade, as famílias de ambos é que fazem mais questão desta união arranjada. As duas estão em decadência e enxergam a solução para seus problemas financeiros neste casamento, pois ambas desconhecem a real situação das finanças uma da outra.  Sem estes pensamentos egoístas, os jovens realmente acabam se apaixonando, mas Victor coloca tudo a perder quando ensaia seus votos de casamento em um local afastado da cidade. Muito azarado, ele acaba fazendo sua declaração próximo onde repousava o corpo de uma jovem que foi assassinada justamente no dia de seu casamento, assim não realizando seu grande sonho. Emily, conhecida como a tal Noiva Cadáver, então encasqueta que o rapaz deve cumprir seu juramento de amor eterno e se unir a ela. Relutante inicialmente, ele acaba conhecendo um mundo divertido junto aos mortos e surge a dúvida se ele deve abdicar de sua vida sem graça e aderir a um descanso eterno e feliz ou voltar e cumprir o desejo da família, o que pode significar sua infelicidade e mais uma decepção para a noivinha pálida e gelada. Aliás, a defunta é uma super criação. Ao mesmo tempo em que é bizarra com seu corpo semi-decomposto, ela também é adorável e passa ares de melancolia e ingenuidade irresistíveis através de seus grandes olhos adornados por uma maquiagem chamativa. É curioso que sempre que está em cena ela é envolta por uma espécie de aura, um efeito de iluminação obtido com trucagens caseiras com a intenção de retratar a personagem como uma espécie de diva. Outra curiosidade sobre Emily é que uma minhoca vive literalmente em sua cabeça, uma espécie de consciência como se fosse o Grilo Falante de Pinóquio, embora bem menos inteligente e astuta.

domingo, 27 de outubro de 2013

NELLY

Nota 1,5 Mais uma vez a atriz Sophie Marceau mostra que tem de dedo podre para escolhas

Sophie Marceau é uma das atrizes mais famosas e requisitadas da França e até Hollywood já esteve de olho na moça, todavia, ultimamente ela está precisando parar para pensar melhor em suas decisões profissionais. Embora mais apreciadas e divulgadas nos últimos, é certo que as produções francesas ainda costumam sofrer com o preconceito, o estigma de serem chatas e cheias de simbolismos, e ao que tudo indica os últimos trabalhos de Marceau querem reforçar tal negativismo com o agravante de serem confusas como é o caso de Nelly, um estranho drama com toques de humor (prêmio para quem achar algum momento de graça) que marca a estreia da atriz Laure Duthilleul como diretora e roteirista, este último crédito que divide com Jean-Pol Fargeau e Pierre-Erwan Guillaume. Teoricamente, com mais de uma pessoa na função, seria possível ver os possíveis erros uns dos outros e acrescentar melhorias ao roteiro, mas alguém teria que fazer a revisão final, a limpeza do texto. Duthilleul, atribulada com as funções de direção, pode não ter tido tempo para tanto e o que se vê é uma reunião de cenas que parecem não ter muita conexão. Quando encontramos um eixo para nos situar, infelizmente percebemos que nada demais acontece para justificar a existência desta obra. A história começa apresentando alguns personagens desesperados a procura de Manuel (Sébastien Derlich), médico de um pequeno vilarejo e cuja secretária eletrônica está lotada de recados. Ao mesmo tempo, Nelly (Marceau) está em meio aos preparativos para levar seus filhos para passar o dia na praia. Outros personagens surgem, pessoalmente ou só ouvimos seus nomes, desestimulando o espectador tamanha a insanidade da introdução, mas é perceptível que a diretora não queria contar uma história com tudo mastigadinho e sim aguçar a curiosidade para pouco a pouco serem revelados detalhes e a trama ser completada na cabeça de quem assiste. Então, mais a frente, ficamos sabendo que Nelly, além de secretária, também era a esposa de Manuel que é descoberto morto em sua casa.

sábado, 26 de outubro de 2013

TOQUE DE RECOLHER (2006)

Nota 3,5 A partir de situação caótica, longa coloca em xeque os sentimentos de um casal

Epidemias, tsunamis, terremotos, tufões, erupções de vulcões, doenças sem precedentes e eventos inexplicáveis da natureza. O cinema já achou as mais variadas formas de exterminar a humanidade e destruir o mundo, mas sempre tem algum cineasta de plantão para voltar ao tema. Quando são superproduções, o negócio é investir em efeitos especiais para atrair público, ainda mais em tempos que os cinemas se renderam e se sustentam por conta de firulas tecnológicas, mas quando o orçamento é limitado o jeito é se virar como pode. Existe a opção pelo trash apelando para efeitos precários para ilustrar um provável fiapo de história ou o caminho mais inteligente de focar a atenção no enredo e se preocupar em mostrar como as pessoas reagem diante do desconhecido ou da iminência da morte. Ensaio Sobre a Cegueira e Contágio são bons exemplos desta segunda alternativa com o bônus de contar com um elenco de estrelas e cineastas renomados. O diretor e roteirista Chris Gorak não teve a mesma sorte com seu Toque de Recolher, mas nem por isso quis fazer um lixo qualquer, optando por uma abordagem mais intimista de uma temática tão grandiosa. A trama começa com o início de mais um dia aparentemente normal para a cidade de Los Angeles e para o casal Lexi (Mary McCormack) e Brad (Rory Cochrane). Eles estão vivendo uma fase difícil do relacionamento, mas a aproximação vem ironicamente de uma situação que também implica a separação. Logo após a moça ir para o trabalho, o marido escuta no rádio a notícia de que a cidade está sendo atacada por bombas químicas, verdadeiras armas de materiais radioativos cujos malefícios para os humanos não são totalmente conhecidos. Como prevenção, o governo implanta o toque de recolher, medida para que as ruas sejam evacuadas o mais rápido possível diminuindo ao máximo os riscos a saúde da população até que existam dados mais consistentes a respeito dos efeitos negativos do episódio. Todos devem permanecer trancados em casa e vedar todas as janelas e portas para evitar a inalação do ar contaminado. A deflagração deste conflito é feita de forma rápida e eficiente e o espectador participa do caos a medida que Brad vai colhendo novas informações através das mídias. Ao primeiro sinal de alerta ele tenta ir atrás da esposa, mas é impedido por policiais.

domingo, 20 de outubro de 2013

ENTÃO VEM O AMOR

Nota 4,0 Mulher independente conhece tardiamente o amor, mas nunca é tarde para se apaixonar

Mulher na casa dos 30 anos, bonita, independente, destemida, realizada profissionalmente, porém, lhe faltava alguma coisa para ser completamente feliz. Um marido certamente. Não! Um filho é o que ela quer, realmente um homem que lhe amaria incondicionalmente e jamais a abandonaria. Todavia, anônimo ou não, todo mundo tem que ter um pai e é óbvio que mais cedo ou mais tarde a criança fruto de uma produção independente vai querer conhecer suas origens e o destino pode pregar uma peça na mamãe que tanto prezava sua individualidade. Quem nunca ouviu uma história assim? Mudam os atores, uma coisinha aqui outra ali, mas a essência continua a mesma. Então Vem o Amor é previsível desde o título. Julie Davidson (Vanessa Williams) é uma colunista de jornal muito bem sucedida, especializada em falar sobre a mulher moderna, e que sempre dedicou muito amor ao filho Jake (Jeremy Gumbs), mas agora que o garoto está começando a entender mais as coisas a relação dos dois começa a ficar estremecida. A falta de dedicação aos estudos pode ser um sinal de déficit de atenção, mas os problemas do garoto, que incluem rompantes de agressividade, também podem estar ligados a falta de uma figura paterna em sua vida, ainda que sua mãe esteja namorando a algum tempo com Ted (Michael Boatman), um premiado foto jornalista. Mesmo se esforçando para suprir todas as necessidades de Jake, Julie começa a ficar incomodada com o filho inventando coisas a respeito de um pai que idealizava para os colegas e até mesmo pelos constantes comentários de que o garoto não parece muito com ela, assim a jornalista decide rever a ficha do doador de esperma e começa a desconfiar que suas características e seu perfil são bons demais para ser verdade. Ela então decide contratar os serviços de um detetive que a leva até o nome de Paul Cooper (Kevin Daniels), aparentemente o pai que não sonhava para seu filho.

sábado, 19 de outubro de 2013

MARCAS DO PASSADO (2006)

Nota 4,0 Drama aborda de forma superficial tentativas de homem comum mudar seu futuro

Muitos filmes já investiram na fórmula da pessoa que descobre que seu futuro não é lá muito auspicioso e corre contra o tempo para tentar mudar seu destino. Geralmente tais produções são ligadas ao gênero fantasia, horror ou suspense e garantem um filme razoavelmente divertido, tudo o que Marcas do Passado não é. Seguindo a linha de um drama policial, o longa dirigido por Mark Fergus, roteirista de Filhos da Esperança e Homem de Ferro, é um tanto arrastado, desinteressante e repleto de personagens sem função que apenas servem para confundir o espectador. O roteiro de Scott Hastings nos apresenta a Jimmy Starkys (Guy Pearce) que está viajando sozinho por uma estrada deserta quando tem um problema no carro. No pequeno vilarejo mais próximo ele consegue auxílio, mas terá que aguardar praticamente o dia todo até que o veículo fique pronto. Para passar as horas, o rapaz começa a vagar pelas redondezas e encontra o vidente Vacaro (J. K. Simmons) e só por distração paga por uma consulta mediúnica, embora não acredite em visões e caçoe a cada novo comentário que o homem faz. Sua atenção muda quando é avisado que em breve uma grande quantia de dinheiro chegará até ele de Dallas, mas subitamente o vidente começa a se sentir mal e interrompe a consulta. De volta a sua casa, Jimmy, que é vendedor, logo se vê envolvido em um negócio lucrativo, a venda de jukeboxes (tipo de toca-músicas antigos e próprio para estabelecimentos comerciais). O negócio começaria justamente por Dallas por ser um importante centro comercial, mas junto com essa novidade ele também passa a receber misteriosas correspondências e seu telefone quando toca fica mudo. Não demora muito para que o rapaz descubra que quem está por trás dessas pequenas brincadeiras é Vincent (Shea Whigham), um antigo parceiro de comércio ilegal que passou um bom tempo na cadeia por conta de um episódio mal explicado envolvendo Jimmy, este que ligando as evidências se apavora ao perceber que pode ser morto pelo ex-amigo que está sob liberdade condicional e cheio de ódio. Segundo a profecia, confirmada por uma cigana, o rapaz estaria a salvo apenas até a primeira nevasca do ano.

domingo, 13 de outubro de 2013

SEREIAS (1993)

Nota 7,5 Sexo versus religião, este é o tema central de suposta homenagem à pintor australiano 

No outro lado do globo terrestre também tem cinema. A Austrália é um país que não tem uma filmografia expressiva, mas vez ou outra surge algum produto de lá. Inclusive já tivemos um filme com o mesmo nome deste território popularmente conhecido como a terra dos cangurus e dos coalas, embora fosse uma produção americana dirigida pelo cineasta Baz Luhrmann e estrelada por Nicole Kidman, ele natural do continente enquanto a atriz apenas naturalizada. Daquelas longínquas terras, no passado, recebemos o romance Sereias. O diretor e roteirista John Duigan se inspirou na história do pintor Norman Lindsay, artista praticamente desconhecido no Brasil, que ousou nas suas obras e foi criticado por cutucar a moralidade de seu tempo. Sexo versus religião. Este é o conflito que serve como pano de fundo para narrar a história do pastor inglês Anthony Campion (Hugh Grant) e sua esposa Estella (Tara Fitzgerald) que em meados da década de 1930 chegam a Austrália a pedido de um bispo local. A missão dada é barrar os trabalhos do pintor Norman Lindsay (Sam Neill) cujas obras supostamente atentam a moral e os bons costumes ao reunir mensagens eróticas e religiosas em uma mesma tela. O jovem pároco deveria convencê-lo a retirar de uma exposição internacional seu quadro “A Vênus Crucificada”, no qual uma mulher nua é retratada se balançando na cruz enquanto aos seus pés se rebaixam membros da Igreja. O casal visita o artista para convencê-lo a mudar o foco de seus trabalhos, mas acaba descobrindo o porquê do apelo sensual de seus quadros. Ele vive em um ambiente rodeado de belas mulheres. Além de sua esposa Rose (Pamela Rabe), eles conhecem Sheela (Elle MacPherson), Gidia (Portia de Rossi) e Pru (Kate Fischer), três belas modelos que lhe servem como fonte de inspiração. No momento em que os Campion chegam elas estão justamente posando para uma nova tela intitulada “Sereias”. Neste universo exuberante e aparentemente de luxúria ainda há espaço para Lewis (Ben Mendelsohn), um camponês deficiente visual que também faz as vezes de modelo.

sábado, 12 de outubro de 2013

UMA AVENTURA ANIMAL

Nota 3,0 Apesar dos esforços dos animadores, não há desenho que se sustente sem boa trama

O cinema italiano é conhecido por bons dramas, romances e comédias, algumas produções inclusive tornaram-se clássicas na História da sétima arte. Nos últimos anos o país também passou a investir em filmes de suspense, policiais e até no campo da animação, contudo, pelo que se vê em Uma Aventura Animal, a turma de lá ainda precisa comer muita macarronada e beber muito vinho para chegar a um mercado competitivo do gênero. Fora a tentativa de forjar em vários momentos uma interação entre os personagens e quem assiste, a produção não traz nada de novo, pelo contrário, é um amontoado de equívocos. A trama escrita por Francisco e Sergio Manfio, este último também diretor, acompanha as aventuras de uma turma de animaizinhos em busca de um segredo secular. Aldo, para variar uma sábia coruja que cuida de uma importante biblioteca na cidade de Veneza, está muito interessado em saber mais sobre o chamado “Código de Marco Polo”, escritos feitos pelo lendário viajante após uma viagem à China. Alda, a irmã do bibliotecário, já está em campo na cidade de Kebab em busca deste material histórico e em breve ganhará a ajuda do irmão e seus amigos nesta expedição. Contudo, gente do mal também está atrás desta misteriosa informação. Cambaluc e Cuncun, dois furões um tanto atrapalhados, descobrem os planos da turminha e avisam a bruxa Gralha que também está interessada no tal código. Ela vive com seu fiel escudeiro Ambrósio no Himalaia em uma região isolada literalmente sob as trevas. Sua casa é o Palácio da Magia, local descoberto pelo próprio Marco Polo há 800 anos. Fascinado pela construção, local que abrigava os mais antigos feitiços orientais, seus escritos após seu regresso da China tratam justamente sobre a construção de um palacete idêntico na Itália, mas desconhecido. Tal segredo está contido em uma pedra desaparecida a qual Alda estava prestes a encontrar, mas Rajin, um macaco a serviço da bruxa, consegue colocar as mãos primeiro no objeto que quando posicionado sobre o piso da mais antiga biblioteca de Veneza revela o código. Obviamente tal local é onde trabalha Aldo o que o obriga a viajar rapidamente com seus amigos para voltar a tempo de evitar que Gralha tenha a revelação só para si.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O FADA DO DENTE

NOTA 5,5

Com lições de moral e superação
batidas, longa faz graça com jeito
brucutu do protagonista que literalmente
precisa fazer mágica para voltar a ser feliz
Filmes de ação cheios de pancadarias e tiroteios sabemos que não são feitos para agradar famílias e sim o público masculino, mas sabe como é. O papai começa a assistir, logo a mamãe está do lado no sofá e as crianças colam junto por tabela vidradas em adrenalina. Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone e Bruce Willis foram alguns dos astros fortões que se viram forçados a procurar alguns roteiros mais amenos para agradar a uma parcela de público com o qual não sonhavam. Foram vários os tropeços saindo do campo da ação, sendo que o primeiro grandalhão se saiu ligeiramente melhor encabeçando clássicos sessão da tarde como Um Tira no Jardim Da Infância e Irmãos Gêmeos. Os representantes da nova geração movida a energéticos também se aventuraram como Vin Diesel em Operação Babá, mas quem defende com fervor a bandeira dos valentões de bom coração é Dwayne Johnson, a muito tempo sem precisar acrescentar ao nome artístico a alcunha "The Rock", seu apelido nos tempos em que era lutador de vale-tudo. Assim como seus predecessores, o ator começou no gênero da pancadaria, mas seu sucesso extrapolou o campo da testosterona angariando fã clube feminino e infantil, assim não demorou muito para seu nome ser atrelado a comédias-família, geralmente tirando um sarro de seu jeito brucutu forçosamente tendo que aprender a lidar com crianças. O Fada do Dente deixa isso bem explícito. Ele interpreta Derek Thompson, uma ex-super estrela do hóquei no gelo, mas por conta de uma contusão acabou ficando afastado do esporte por um bom tempo e desacreditando em seu potencial. Quando volta acaba se atrapalhando nas partidas e quase sempre arrancando um dente dos adversários sem querer, assim ganhou o apelido de "o fada dos dentes", alusão a lenda que diz que a criança que perde um dente e deixa debaixo do travesseiro ao acordar ganha um dinheirinho. Contudo, ele faz questão de jogar por água abaixo tal história arruinando os sonhos de Tess (Destiny Whitlock), a filha de apenas seis anos de Carly (Ashley Judd), sua namorada, que estava empolgadíssima com a perda de seu dente de leite, mas ele esqueceu de deixar a recompensa.

domingo, 6 de outubro de 2013

11:59 - CORRIDA CONTRA O TEMPO

Nota 6,5 Produção modesta e com elenco desconhecido cumpre razoavelmente sua missão

Um bom argumento e até razoavelmente bem trabalhado pode acabar se tornando um projeto obscuro por conta de atores desconhecidos e/ou empresa distribuidora raquítica? O adjetivo negativo no caso de 11:59 – Corrida Contra o  Tempo não é usado no sentido pejorativo, mas sim para destacar que um suspense que cumpre seus objetivos de entreter e intrigar o espectador e que acabou sendo esquecido desde o seu lançamento feito pela pouco conhecida Ocean Pictures, empresa especializada em resgatar faroestes antigos e que raramente tem algum bom produto contemporâneo em seu catálogo. Quando tem a própria não se esforça para divulgá-lo. Escrito e dirigido por Jamin Winans, a trama começa mostrando um dia atribulado na redação de um telejornal que está se esforçando para dar um furo de notícia exclusivo e ao vivo.  Thomas Hastings (Chris Kelly) é suspeito de matar duas crianças e está sendo perseguido pela polícia e pela repórter Lisa Winders (Laura Fuller) que só deve entrar no ar no momento exato em que o criminoso for pego. Todavia, o cinegrafista Aaron Daugherty (Raymond Bailey) acaba levando a melhor e consegue encontrá-lo antes mesmo da polícia flagrando a sua declaração de inocência e logo em seguida sua prisão. Embora atrás das câmeras, o rapaz acaba sendo saudado na redação por sua coragem e profissionalismo e sua chefe Adele (Liz Cunningham) até sinaliza a possibilidade de em um futuro próximo ele vir a ser promovido, o que deixa Lisa enciumada acusando o colega de fazer um jornalismo apelativo e sensacionalista. Contudo, a moça ainda tem a chance de vir a ser reconhecida profissionalmente caso encontre alguma ligação estranha entre Hastings e um político para o qual prestava serviços coordenando eventos pré-eleição. Na noite anterior ao julgamento do prisioneiro, Aaron sente-se mal em uma boate, escuta um zumbido estranho e quando acorda está em um campo deserto. Ele pega uma carona para retorna à cidade e então descobre que esteve desaparecido por 24 horas, mas nada se lembra sobre este período. Sua única certeza é que sua vida está um caos. Adele pede explicações para o sumiço e apenas lhe dá uma suspensão por levar em consideração seu ato heroico um dia antes, mas o avisa que ele perdeu a matéria de sua vida e consequentemente a emissora saiu perdendo.

sábado, 5 de outubro de 2013

EM SUAS MÃOS (2005)

Nota 5,0 Argumento frágil compromete narrativa que compensa com clima de mistério envolvente

Quer coisa pior que um filme que sugere um suspense e o mesmo é desvendado rapidamente? Pode parecer um ato suicida dos responsáveis pela produção, mas isso não é visto como um problema para diretores fora de Hollywood. Existem muitos exemplos de histórias que poderiam ser intrigantes no cinema europeu, mas que na realidade são dramas. Enquanto os americanos tentam confundir o espectador com mil e uma pistas e ainda deixar para o final uma revelação surpresa que geralmente acaba sendo uma grande decepção, algumas produções européias preferem revelar para o público rapidamente qual o segredo da trama e concentrar seus esforços em analisar as personalidades e comportamentos dos personagens, sejam eles vítimas, suspeitos ou criminosos. Talvez por isso não cause impacto produtos como Em Suas Mãos, mescla de drama e suspense oriundo da França lançado diretamente em DVD no Brasil. Inspirado no romance “Les Kangourus” de Dominique Barberis, o roteiro de Julien Boivent em parceria com Anne Fontaine, também diretora da fita, não é dos mais atraentes. Claire Gautier (Isabelle Carré) trabalha no departamento de reclamações de uma companhia de seguros e se vê envolvida com o problema de um cliente, o veterinário Laurent Fessier (Benoit Poelvoorde) que reclama que uma inundação aconteceu em seu estabelecimento e o seguro que fez não cobre tal imprevisto. Muito prestativa, a moça vai até a clínica veterinária para fazer uma inspeção, faz uma nova proposta de contrato e eles voltam a se ver para assinar a papelada. Nestes encontros, Laurent acaba seduzindo a corretora mesmo ela já sendo casada e até com uma filha. Ele diz que tem predisposição as tragédias e que seu passatempo favorito é conhecer mulheres e ouvir as histórias, sonhos e pensamentos delas. Obviamente a atração será tanta que Claire não irá resistir certa noite que o marido não está e vai marcar um encontro com o sedutor, o problema é que na região onde vive existe um serial killer agindo e que já matou quatro mulheres com a ajuda de um bisturi. Pronto! Ligue os pontos e em meia hora de filme (ou até mesmo em cinco minutos) você já desvendou o mistério.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

OS AMORES DE PICASSO

NOTA 7,5

Com apuro técnico digno de
clássicos,  cinebiografia de um dos
maiores gênios das artes perde pontos
com o maniqueísmo dos personagens
As histórias sobre artistas das mais diversas áreas sempre foram uma excelente fonte de inspiração para o cinema. A trajetória ou determinado período da vida de vários atores, diretores, músicos e cantores já ganharam suas versões cinematográficas, mas quando o destaque vai para artistas plásticos tais produções ganham um charme a mais devido ao colorido das telas desses gênios da pintura. Assim, a vida artística e profissional de Frida Kahlo, Jackson Pollock, Michelangelo “Caravaggio”, Francisco Goya entre tantos outros ganharam suas versões em película carregando em seus títulos nomes de pesos que já se encarregariam de atrair público, porém, muitas dessas obras não fizeram o sucesso esperado, nem de crítica tampouco comercial. Este é o caso de Os Amores de Picasso, obra que acompanha dez anos conturbados da vida de um dos maiores representantes da arte cubista. A narrativa concentra-se entre os anos de 1943 e 1953, período em que Pablo Picasso (Anthony Hopkins) se envolveu com a aristocrata francesa Françoise Gilot (Natascha McElhone). Toda essa história é contada pelo ponto de vista desta mulher cerca de quarenta anos mais jovem que o seu mestre que tanto idolatrava, diga-se de passagem, então já um sexagenário. Contentando-se em se tornar pupila do pintor e ficar mais próxima do mundo das artes, a garota aceita as traições do companheiro, afinal ela própria ocupava um dos papéis de amante, assim concomitantemente Picasso manteve relacionamentos com outras damas como Dora Marr (Julianne Moore), Marie-Therese Walter (Susannah Harker) e Olga Khokhlova (Jane Lapotaire), então sua legítima esposa. Coincidência ou não, nenhuma delas teve uma vida feliz e certamente isso tem a ver com seus relacionamentos com o espanhol este que, por sua vez, abandonou todas elas sem cerimônias. Apenas Françoise teve coragem de dispensá-lo, sendo que imediatamente ao fim deste romance ele se juntou à Jacqueline Roque (Diane Venora), que mesmo sendo tratada como uma serviçal permaneceu com o artista até ele vir a falecer em 1973.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

LIÇÃO DE AMOR

NOTA 5,5

Comédia romântica italiana tenta
se aproximar ao estilo de Hollywood,
mas peca ao rechear a trama com
personagens e situações em excesso
Na Itália não se faz apenas dramas de época ou comédias escrachadas sobre relações familiares. Comédias românticas contemporâneas também têm espaço e isso é provado pela simpática produção Lição de Amor. Ela não é revolucionária e não apresenta novidade alguma que já não tenha sido visto e revisto em similares feitos em Hollywood, mas para os padrões de cinema italiano que estamos acostumados ela acaba se tornando um produto diferenciado, para o bem ou para o mal. É claro que chega a ser um crime querer fazer comparações entre este pequeno enlatado e obras primas de cineastas renomados como Frederico Fellini e Lucino Visconti ou até mesmo do contemporâneo Nanni Moretti, não há possibilidade alguma de identificar possíveis inspirações no trabalho dos mestres, mas é preciso constatar que para esta indústria de entretenimento funcionar é preciso ter algumas engrenagens defeituosas. Só assim para entrar dinheiro que possivelmente irá financiar projetos mais criativos e de melhor conteúdo. A situação é parecida com a que o cinema brasileiro vive. A sétima arte em solo italiano também está ensaiando uma fusão com o estilo televisivo e para cada trabalho relevante, mesmo que de pouca projeção popular, devem surgir mais uns oito ou dez descartáveis, porém, lucrativos, para pagar a conta dos “excessos”. Baseado no livro “Scusa ma ti Chiamo Amore” (ago como “desculpa se te chamo de amor” – também título original do filme) escrito por Federico Moccia, grande sucesso entre as adolescentes de lá, a obra aborda um romance vivido por um homem maduro e uma colegial. Falando assim parece que é a história de um aproveitador e uma menina inocente, mas não é nada disso e a diferença de idade entre eles é de 20 anos, o bastante para a relação ser contestada por sociedades conservadoras e muitas vezes hipócritas. Nikki Cavalli (Michela Quattrociocche) é uma alegre jovem de 17 anos que divide seu tempo entre os estudos e os momentos de diversão com os amigos. Já Alessandro Belli (Raoul Bova), ou simplesmente Alex, é um publicitário de sucesso que adora levar uma vida organizada e sem solavancos. Eis que ironicamente o destino lhe prepara duas surpresas. Abandonado pela namorada Elena (Veronica Logan), a mulher que julgava ser sua alma gêmea, o rapaz entra em uma profunda crise pessoal e sua vida social se restringe aos convites dos seus velhos amigos que tentam tirá-lo da fossa.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A QUEDA DO PODER

NOTA 8,0

Readaptação feita para a TV de
obra pouco conhecida de Orson
Welles tem mensagem universal e
atemporal sobre tolerância e caráter
Manter a tradição de um nome e consequentemente o status financeiro e social não é uma tarefa fácil. Hoje em dia ainda há muitas famílias espalhadas por aí que tentam sobreviver as custas do sobrenome do clã, mas embora a tática ainda engane alguns ingênuos, é certo que praticamente todo mundo sabe que elogios e prestígio não pagam contas. O problema é quando os próprios “novos pobres” não fazem questão alguma de deixar a ficha cair e além de tentarem manter um padrão de vida que não lhes convém mais ainda não perdem o velho hábito de pisotearem nos outros. Pois é essa lição de vida que recebe o protagonista de A Queda do Poder, drama de época baseado no roteiro adaptado pelo cultuado Orson Welles para um conto clássico europeu, “The Magnificent Ambersons”, de Booth Tarkington, que em 1942 ganhou versão cinematográfica sob o título Soberba. Dizem que os melhores perfumes estão nos menores frascos e talvez isso tenha chamado a atenção do cineasta Alfonso Arau a investir no remake de um longa que ficou esquecido com o passar dos anos, porém, sua mensagem continua super atual. O diretor foi fiel a essência do texto de Welles, mas precisou ampliá-lo para atender as exigências do porte do projeto. Apesar de todo o requinte para reconstruir cenários do final do século 19 e início do 20, a produção não foi feita para o cinema. Sua duração um pouco acima do normal e forma de edição denunciam suas raízes televisivas, como se fosse uma série de alguns poucos capítulos compilados posteriormente para lançamento em DVD ou simplesmente um telefilme mais pomposo. Com visual caprichado equiparável a produções de época cinematográficas, Arau, que infelizmente não conseguiu cravar outros sucessos após o premiadíssimo Como água Para Chocolate, mostra que um trabalho de televisão não precisa necessariamente ser de qualidade inferior e tampouco ser encarado como um rebaixamento aos profissionais que migram das telonas. É possível sim fazer um belo produto, mas quebrar barreiras dos preconceitos dos espectadores são outros quinhentos, ainda que neste caso a trama seja bastante atrativa com enlaces românticos ameaçados pela empáfia de um rapaz que ficou cego pela ambição, inveja e apego as tradições. Enquanto procurava provocar a infelicidade dos outros, não percebeu que estava destruindo a sua família e a si mesmo, mas enquanto se está vivo sempre há tempo para consertar os erros. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A PROVA (2005)

NOTA 5,5

Drama adaptado de elogiado
texto teatral fica devendo em
emoção e por vezes acaba
distanciando o espectador
Loucos no cinema só servem para distrair platéias protagonizando cenas cômicas ou amedrontando personagens em filmes de terror e suspense. Será mesmo? Este é um pensamento antiquado e que só deve ser profanado por pessoas com memória muito curta ou nenhum conhecimento da sétima arte, pois a lista de produções que levam a sério a temática ou que registram a vida de pessoas com mentes brilhantes mesmo com algum tipo de deficiência mental é bastante extensa. Filósofos, escritores, pintores, músicos, enfim uma rica galeria de personagens do tipo, geniais e ao mesmo tempo problemáticos, sejam eles reais ou ficcionais, trataram de emocionar pessoas no mundo todo como no caso dos longas Gênio Indomável e Uma Mente Brilhante, por exemplo. Pois é justamente no quesito emoção que derrapa o drama A Prova que tinha praticamente todos os elementos necessários para ser um sucesso. Na direção John Madden repetindo a dobradinha do premiado Shakespeare Apaixonado com a atriz Gwyneth Paltrow, contudo, o cineasta parece pouco inspirado estendendo-se demais em cenas com longos diálogos que por vezes podem parecer sem sentido ao espectador. Mesmo assim a protagonista se esforça para transmitir sentimentos com sua atormentada Catherine, personagem que ela já havia interpretado anteriormente em uma montagem teatral de sucesso em Londres (também ganhou versão brasileira nos palcos). O roteiro original foi adaptado para as telas por Rebecca Miller em parceria com o próprio autor David Auburn, uma forma de tentar preservar a essência e a qualidade do aclamado e premiado texto. Por fim, um elenco respeitável para interagir com Paltrow, no entanto, o resultado final é enfadonho e a conclusão deixa a desejar. A trama gira em torno de Catherine, uma moça que abdicou de sua vida por cerca de cinco anos para poder cuidar de seu pai, Robert (Anthony Hopkins), um gênio da matemática que passou a sofrer com os males da esclerose no final da vida. Autor de centenas de manuscritos e teorias inovadoras, o estudioso dizia que sua loucura não era devido a velhice, mas já era um mal que lhe acompanhava desde seus vinte e poucos anos, quase como uma maldição a qual estavam sujeitas praticamente todas as mentes brilhantes. Catherine receia vir a sofrer também com a loucura já que está chegando na tal idade crítica e os anos em que viveu isolada com o pai em uma casa afastada parecem não terem lhe feito bem.

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