quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A NOIVA CADÁVER

NOTA 9,0

Conto romântico conquista o
espectador com seu visual
simplório, porém, arrebatador,
e trama inteligente e irônica
Filmes sobre almas de outro mundo e cadáveres que saem de suas tumbas para voltar ao mundo dos vivos são coisas para adultos. Bem, para Tim Burton isso não é verdade e tais criaturas apavorantes podem tranquilamente habitar o imaginário infantil. Conhecido pela sua excentricidade e adoração ao gótico, o cineasta imprime seu estilo em uma animação de stop-motion (aquela que anima bonecos quadro a quadro) e chama a atenção não só dos pequenos, que encontram a mistura ideal de humor e suspense que tanto curtem, mas também do público mais velho que se depara com uma história inteligente tingida praticamente de tonalidades escuras e frias. Terror, suspense, comédia, drama, romance, fábula ou fantasia? A Noiva Cadáver é uma mistura perfeita de referências a todos esses gêneros e a opção pelo desenho animado para amarrar tudo isso casa bem com a ideia, ainda mais com a técnica de animação em desuso que dá todo um charme a mais à produção. A narrativa se passa em meados do século 19 e gira em torno do franzino Victor Van Dort, um rapaz atrapalhado e muito inseguro que deseja se casar com Victoria Everglot, uma jovem de famíia tradicional e que é tão tímida quanto o noivo. Na realidade, as famílias de ambos é que fazem mais questão desta união arranjada. As duas estão em decadência e enxergam a solução para seus problemas financeiros neste casamento, pois ambas desconhecem a real situação das finanças uma da outra.  Sem estes pensamentos egoístas, os jovens realmente acabam se apaixonando, mas Victor coloca tudo a perder quando ensaia seus votos de casamento em um local afastado da cidade. Muito azarado, ele acaba fazendo sua declaração próximo onde repousava o corpo de uma jovem que foi assassinada justamente no dia de seu casamento, assim não realizando seu grande sonho. Emily, conhecida como a tal Noiva Cadáver, então encasqueta que o rapaz deve cumprir seu juramento de amor eterno e se unir a ela. Relutante inicialmente, ele acaba conhecendo um mundo divertido junto aos mortos e surge a dúvida se ele deve abdicar de sua vida sem graça e aderir a um descanso eterno e feliz ou voltar e cumprir o desejo da família, o que pode significar sua infelicidade e mais uma decepção para a noivinha pálida e gelada. Aliás, a defunta é uma super criação. Ao mesmo tempo em que é bizarra com seu corpo semi-decomposto, ela também é adorável e passa ares de melancolia e ingenuidade irresistíveis através de seus grandes olhos adornados por uma maquiagem chamativa. É curioso que sempre que está em cena ela é envolta por uma espécie de aura, um efeito de iluminação obtido com trucagens caseiras com a intenção de retratar a personagem como uma espécie de diva. Outra curiosidade sobre Emily é que uma minhoca vive literalmente em sua cabeça, uma espécie de consciência como se fosse o Grilo Falante de Pinóquio, embora bem menos inteligente e astuta.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÃO

NOTA 8,5

Busca pela mãe e o contato
com um mundo novo são
os temas de saga de um
personagem diferente
Existem cineastas que preferem seguir uma linha de trabalho metódica e evitam explorar diversos gêneros do cinema, mas alguns conseguem manter algumas características de sua filmografia independente de estar trabalhando com drama, humor ou suspense. O diretor Neil Jordan é um exemplo que se encaixa nessa definição. Dono de um currículo bem diversificado, suas obras tem em comum o apreço por personagens excêntricos ou marginalizados pela sociedade. Com essa fórmula conseguiu fazer fortuna com Entrevista Com o Vampiro, obra que tenta humanizar e dramatizar um pouco o cotidiano de um ser condenado ou presenteado com a vida eterna, e também ela é um dos alicerces de A Premonição, trabalho irregular do diretor que tenta explicar a mente e as atitudes de um psicopata usando o manjado truque dos problemas enraizados na infância. Embora ele tenha trabalhos muito famosos datados da década de 1980, sem dúvida seu ápice profissional foi na década seguinte com o lançamento de Traídos Pelo Desejo, um trabalho muito respeitado pela crítica e que trazia como um dos personagens principais um travesti. O homossexualismo é novamente a fonte de inspiração do cineasta em Café da Manhã em Plutão, projeto repleto de bons atores em pequenas participações e uma parte técnica e artística de primeira, porém, desta vez as premiações e críticos não foram muito generosos com o diretor. O filme praticamente passou em brancas nuvens em quase todo o mundo, mas merece um voto de confiança. Baseado em um livro de Patrick McCabe, aqui a figura escolhida para protagonizar a trama é um jovem travesti em busca de suas raízes durante a década de 1970, momento em que liberação e repressão se fundiam em um mundo conturbado, ou seja, um cenário não muito diferente do que o mundo é hoje. Em 1997, Jordan já havia adaptado outro livro do autor e conquistou o Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim por Nó na Garganta.  

terça-feira, 29 de outubro de 2013

TÁ TODO MUNDO LOUCO!

NOTA 9,0

Apostando em piadas
esdrúxulas e outras muito
inteligentes, longa resgata
humor típico dos anos 80
Whoopi Goldberg, Cuba Gooding Jr, John Cleese, o eterno Mister. Bean, o ator Rowan Atkinson, e mais um punhado de artistas que você não sabe o nome, mas tem certeza de que já os viu em diversas comédias. Imaginem todos eles juntos em um mesmo filme. Seria o circo dos horrores?  Para muitos sim, mas não há como negar que Tá Todo Mundo Louco! provoca boas gargalhadas. Assumidamente uma comédia do tipo besteirol, a julgar pelos créditos iniciais com o manjado truque de bonequinhos animados para apresentar o elenco, prestando bem atenção podemos encontrar piadas inteligentes jogadas em meio a amalucada narrativa sobre uma excêntrica gincana. Um grupo de bilionários liderados por Donald Sinclair (Cleese), que adora jogatinas e apostas, resolve inventar um novo jogo, uma espécie de reality show. Eles escolhem aleatoriamente algumas pessoas que se hospedaram em um hotel-cassino, como Owen (Gooding Jr.), Vera (Whoopi) e Enrico (Atkinson), e propõem a elas um caça ao tesouro. A vários quilômetros do hotel, no Novo México, está escondida uma grande quantia de dinheiro em uma estação do metrô e ela será dada a quem chegar ao local primeiro. Assim os escolhidos, junto com amigos ou familiares, partem em uma louca disputa, cada grupo seguindo um caminho diferente, mas enfrentando situações igualmente bizarras. Enquanto isso, os ricaços se divertem acompanhando o trajeto de cada um através dos chips que colocaram nas chaves que foram dadas aos participantes. A partir do sinal da largada, tudo pode acontecer e entram em cena todos os tipos de piadas. Escatológicas, surreais, inteligentes, sarcásticas e inocentes. Desde o duplo sentido da introdução mostrando um rapaz sendo cobrado em voz alta por ter pedido filmes adultos no hotel, deixando no ar se ele realmente os pediu ou era uma cobrança abusiva, até um personagem que de uma hora para a outro começa a dormir, a única certeza é que as pessoas de todas as idades irão se deparar com um farto cardápio de humor.  

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

WALLACE E GROMIT - A BATALHA DOS VEGETAIS

NOTA 10,0

Com visual chamativo e retrô,
animação prende a atenção com
história divertida e inteligente,
além de personagens carismáticos
Já faz algum tempo que a animação se transformou em um dos gêneros mais rentáveis do cinema graças as técnicas avançadas de computação gráfica que permitem desenhos mais perfeitos, o que chama muito a atenção dos adultos que não usam mais as desculpas de ter que levar os filhos ao cinema ou alugar tais filmes para eles. Desenho animado virou coisa de gente grande também, tanto é que já existem até longas totalmente animados com temáticas adultas, mas ainda são as produções do tipo família que conquistam melhores resultados. Claro que além de uma excelente qualidade de imagem, também é preciso um bom roteiro para captar a atenção dos baixinhos e dos grandinhos e visando tal responsabilidade os estúdios têm caprichado nesse quesito cada vez mais. Mas será que em meio aos produtos de animação digital ainda há espaço para obras em estilo mais tradicional, como a simpática técnica do stop-motion, aquela que anima bonecos de massinhas? A resposta é sim e o estúdio inglês Aardman prova isso com Wallace e Gromit - A Batalha dos Vegetais, um trabalho com um colorido vivo, detalhista, criativo, ingênuo, divertido, enfim são muitos os adjetivos que podem ser empregados para classificar esta deliciosa animação que preserva em seu visual um irresistível tom nostálgico, mas aplica no texto conceitos que regem os modernos desenhos, como a sátira. Criados por Nick Park, os personagens principais, diga-se de passagem, extremamente carismáticos, já existiam antes do longa-metragem co-dirigido por Steve Box e protagonizaram uma série de curtas premiados, inclusive dois deles conquistaram o Oscar da categoria. Porém, antes de ganharem as telas grandes, o estúdio já havia surpreendido com o excepcional A Fuga das Galinhas que aliava com perfeição técnicas antigas e alguns retoques por computação para movimentar os personagens, um casamento perfeito que permite a produção ter vida em tempos em que muitas animações digitais naufragam justamente por parecerem trabalhos mortos, ainda que envoltos em esmerados cuidados com a parte visual, todavia, sem alma. 

domingo, 27 de outubro de 2013

NELLY

Nota 1,5 Mais uma vez a atriz Sophie Marceau mostra que tem de dedo podre para escolhas

Sophie Marceau é uma das atrizes mais famosas e requisitadas da França e até Hollywood já esteve de olho na moça, todavia, ultimamente ela está precisando parar para pensar melhor em suas decisões profissionais. Embora mais apreciadas e divulgadas nos últimos, é certo que as produções francesas ainda costumam sofrer com o preconceito, o estigma de serem chatas e cheias de simbolismos, e ao que tudo indica os últimos trabalhos de Marceau querem reforçar tal negativismo com o agravante de serem confusas como é o caso de Nelly, um estranho drama com toques de humor (prêmio para quem achar algum momento de graça) que marca a estreia da atriz Laure Duthilleul como diretora e roteirista, este último crédito que divide com Jean-Pol Fargeau e Pierre-Erwan Guillaume. Teoricamente, com mais de uma pessoa na função, seria possível ver os possíveis erros uns dos outros e acrescentar melhorias ao roteiro, mas alguém teria que fazer a revisão final, a limpeza do texto. Duthilleul, atribulada com as funções de direção, pode não ter tido tempo para tanto e o que se vê é uma reunião de cenas que parecem não ter muita conexão. Quando encontramos um eixo para nos situar, infelizmente percebemos que nada demais acontece para justificar a existência desta obra. A história começa apresentando alguns personagens desesperados a procura de Manuel (Sébastien Derlich), médico de um pequeno vilarejo e cuja secretária eletrônica está lotada de recados. Ao mesmo tempo, Nelly (Marceau) está em meio aos preparativos para levar seus filhos para passar o dia na praia. Outros personagens surgem, pessoalmente ou só ouvimos seus nomes, desestimulando o espectador tamanha a insanidade da introdução, mas é perceptível que a diretora não queria contar uma história com tudo mastigadinho e sim aguçar a curiosidade para pouco a pouco serem revelados detalhes e a trama ser completada na cabeça de quem assiste. Então, mais a frente, ficamos sabendo que Nelly, além de secretária, também era a esposa de Manuel que é descoberto morto em sua casa.

sábado, 26 de outubro de 2013

TOQUE DE RECOLHER (2006)

Nota 3,5 A partir de situação caótica, longa coloca em xeque os sentimentos de um casal

Epidemias, tsunamis, terremotos, tufões, erupções de vulcões, doenças sem precedentes e eventos inexplicáveis da natureza. O cinema já achou as mais variadas formas de exterminar a humanidade e destruir o mundo, mas sempre tem algum cineasta de plantão para voltar ao tema. Quando são superproduções, o negócio é investir em efeitos especiais para atrair público, ainda mais em tempos que os cinemas se renderam e se sustentam por conta de firulas tecnológicas, mas quando o orçamento é limitado o jeito é se virar como pode. Existe a opção pelo trash apelando para efeitos precários para ilustrar um provável fiapo de história ou o caminho mais inteligente de focar a atenção no enredo e se preocupar em mostrar como as pessoas reagem diante do desconhecido ou da iminência da morte. Ensaio Sobre a Cegueira e Contágio são bons exemplos desta segunda alternativa com o bônus de contar com um elenco de estrelas e cineastas renomados. O diretor e roteirista Chris Gorak não teve a mesma sorte com seu Toque de Recolher, mas nem por isso quis fazer um lixo qualquer, optando por uma abordagem mais intimista de uma temática tão grandiosa. A trama começa com o início de mais um dia aparentemente normal para a cidade de Los Angeles e para o casal Lexi (Mary McCormack) e Brad (Rory Cochrane). Eles estão vivendo uma fase difícil do relacionamento, mas a aproximação vem ironicamente de uma situação que também implica a separação. Logo após a moça ir para o trabalho, o marido escuta no rádio a notícia de que a cidade está sendo atacada por bombas químicas, verdadeiras armas de materiais radioativos cujos malefícios para os humanos não são totalmente conhecidos. Como prevenção, o governo implanta o toque de recolher, medida para que as ruas sejam evacuadas o mais rápido possível diminuindo ao máximo os riscos a saúde da população até que existam dados mais consistentes a respeito dos efeitos negativos do episódio. Todos devem permanecer trancados em casa e vedar todas as janelas e portas para evitar a inalação do ar contaminado. A deflagração deste conflito é feita de forma rápida e eficiente e o espectador participa do caos a medida que Brad vai colhendo novas informações através das mídias. Ao primeiro sinal de alerta ele tenta ir atrás da esposa, mas é impedido por policiais.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

MATILDA

NOTA 9,0

Produção infantil também
consegue agradar aos
adultos com trama com
boas lições e críticas
As crianças prodígios já foram temas de diversos filmes destinados a divertir toda a família, mas é uma pena que na maioria das vezes elas sejam retratadas de forma estereotipadas que acabam tornando-as chatinhas e pouco críveis. Foi preciso o olhar anárquico de Danny DeVito para ganharmos um novo e simpático modelo de menor super inteligente no cinema. Conhecido por suas atuações cômicas e geralmente secundárias, o baixinho com cara de palerma se dá muito bem atrás das câmeras unindo humor inocente ao negro e ainda adicionando em seus trabalhos generosas doses de sarcasmo e crítica à sociedade, embora as pessoas comumente se refiram apenas ao longa A Guerra dos Roses como um bom trabalho de direção do ator. É preciso dar um voto de confiança e reavaliar seu desempenho segurando as rédeas de Matilda, um verdadeiro clássico da "Sessão da Tarde" que diverte e traz ensinamentos para crianças e adultos.  A garota do título é interpretada com vigor e graciosidade pela talentosa Mara Wilson, literalmente uma criança prodígio. Desde muito novinha ela já atuava no cinema, tendo participado de filmes como Uma Babá Quase Perfeita e de uma refilmagem do clássico natalino Milagre na Rua 34, e era apontada como uma das grandes promessas de Hollywood, mas não foi o que aconteceu, embora ela ainda se dedique as artes dramáticas em projetos teatrais. Ela acabou virando um símbolo de nostalgia para muita gente e vivendo a menina esperta e com dons especiais desta produção infantil chegou ao ápice de sua carreira. Matilda é uma criança brilhante que ainda bebê já demonstrava uma inteligência acima da média, ainda mais considerando os pais que tem. Zinnia (Rhea Perlman) é uma deslumbrada dona de casa que só pensa em futilidades. Já seu pai Harry (DeVito) é um vendedor de carros que na realidade é um adepto dos trambiques para lucrar alguns trocados a mais. O casal é realmente perfeito. Combinam tanto nos hábitos rudimentares quanto na ignorância, características que também foram passadas ao primogênito. Com uma família dessas nem parece que Matilda faz parte do clã e é exatamente assim que ela se sente, passando a maior parte do tempo sozinha, ou melhor, na companhia dos livros. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

TUDO ACONTECE EM ELIZABETHTOWN

NOTA 6,0

Demasiadamente longo e
com uma mistura irregular
de gêneros e referências,
esta obra divide opiniões
O tempo é o senhor da razão e para o cinema ele age da mesma forma. O que era um sucesso estrondoso quando lançado pode se tornar algo totalmente esquecível no futuro ou pode ocorrer o contrário, assim o que passou em brancas nuvens ou foi criticado negativamente pode se tornar o filme cult de amanhã. Para termos esses resultados podemos ser influenciados por inúmeros fatores como pouca experiência de vida para compreender um enredo, ser convencidos por críticas que lemos em jornais, revistas, internet ou que recebemos de amigos e parentes e até a adoração exagerada por algum artista ou diretor pode apontar qual caminho seguiremos na hora de formar uma opinião. O que é certo é que dificilmente em qualquer assunto em discussão é possível se chegar a um pensamento unânime, apenas é possível argumentar o máximo possível para defender uma idéia e deixar as outras pessoas tirarem suas próprias conclusões. Seguindo essa linha de pensamento podemos concluir que Tudo Acontece em Elizabethtown é um título excelente para suscitar discussões do tipo. Quando lançado não fez sucesso e foi malhado pela crítica, mas é comum passado alguns anos encontrar comentários na internet defensores a este trabalho do diretor Cameron Crowe, elogiado pela crítica e público por filmes como Jerry Maguire – A Grande Virada e Quase Famosos. Bem, nesta mistura de romance, drama e comédia que se desenrola em uma pequena cidade americana de caráter tradicional e interiorano é difícil entender como alguns apontam a obra como redondinha, jargão utilizado para denominar algo perfeito. Antes de qualquer coisa vamos à trama.  Drew Baylor (Orlando Bloom) está vivendo uma fase de inferno astral. Perdeu o emprego, foi abandonado pela namorada e está sem saber o que fazer da vida. Prestes a cometer suicídio ele recebe a notícia de que seu pai morreu o que o obriga a voltar à pequena Elizabethtown para o velório e assim confrontar memórias do passado de sua família e até mesmo conhecer parentes que não fazia a menor idéia que existiam. No caminho, mais especificamente dentro do avião, ele faz amizade com a aeromoça Claire (Kirsten Dunst), que pouco a pouco passa a se aproximar do jovem entre uma viagem e outra e tenta ajudá-lo a reorganizar sua vida. Resumidamente, essa é a sinopse e renderia um bom filme de uma hora e meia no máximo, mas o problema é que o desenrolar da trama ora é lento e ora é agitado, tem excesso de personagens secundários e uma duração de duas horas aproximadamente. O resultado é irregular e nem todo mundo deve se sentir satisfeito ao subir na tela os créditos finais. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

MELANCOLIA

NOTA 8,0

Polêmico cienasta acerta
ao abordar a extinção da
humanidade de forma
intimista e sem firulas
Pode ser intencional ou não, mas é um fato comprovado que o cineasta Lars Von Trier se beneficia da aura que sua filmografia carrega: reflexiva, polêmica e original. Ele tem seu público e consegue a cada novo lançamento se manter em evidência de alguma forma, sempre gerando certo burburinho que colabora para a campanha do filme. As vezes ele exagera com materiais excessivamente fortes e em outras derrapa com histórias que basicamente se apóiam em olhares e gestos que tomam o lugar dos diálogos. Seja como for, um projeto com a assinatura deste profissional, embora destinada a platéias seletas, certamente consegue com mais facilidade sair do papel e até chegar ao circuito de exibição simplesmente porque falam por si só. Não precisam de um título, elenco e tampouco sinopse definidos para que ganhem o aval de algum estúdio, basta o nome do cineasta atrelado. Ele é como um Midas do cinema alternativo. Tudo que toca vira ouro. Pode não reluzir seu brilho imediatamente, mas com o passar dos anos suas obras tornam-se cultuadas e chamam a atenção de cinéfilos, inclusive de jovens. Foi assim com Ondas do Destino, Dançando no Escuro e Dogville. O mesmo efeito deve se repetir com Melancolia, produção que chegou com muita expectativa aos cinemas graças ao marketing extra gerado pelas polêmicas que o diretor instaurou com algumas infelizes declarações sobre o nazismo que disparou durante o Festival de Cannes, evento que deu o prêmio de Melhor Atriz para Kirsten Dunst, atriz mais conhecida por papéis insossos em produções hollywoodianas ou, na melhor das hipóteses, lembrada como a namorada do Homem-Aranha. Ela é uma das protagonistas. A outra é Charlotte Gainsbourg, que já havia trabalhado com Trier no impactante Anticristo. Elas vivem irmãs, respectivamente Justine e Claire, e o filme se divide em dois atos, cada um enfocando uma delas e levando seus nomes. Apesar disso, a personagem de Kirsten tem uma participação ativa em ambas as sequências. Como de costume, o enredo é um tanto excêntrico e provocativo, porém, no conjunto a obra é irregular apesar de um fato ligar os dois episódios. Pode ser incômoda numa visão geral ou quando vista separadamente, mas a produção ao mesmo tempo possui elementos que seduzem os adeptos do cinema reflexivo, sendo possível até enxergar de forma linear tal narrativa. A interpretação do conteúdo de um filme, seja ele alternativo ou extremamente comercial, varia e dificilmente se chega a um parecer unânime, ainda mais quando se trata de um produto de um diretor que gosta de provocar e não mastigar as coisas. 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

ZOHAN - O AGENTE BOM DE CORTE

NOTA 2,0

Adam Sandler se supera no
quesito mau gosto e é o
protagonista de comédia
apelativa e de pouca graça
Adam Sandler construiu sua carreira tendo como alicerce os projetos humorísticos. Já se arriscou no drama com o subestimado Reine Sobre Mim, mas foi com comédias simpáticas do tipo Como se Fosse a Primeira Vez e Click que ele projetou seu nome de vez. Infelizmente a cada bom projeto que aceita participar em contrapartida ele assume também um papel em uma produção de gosto duvidoso em seguida. Ele já estava em um bom patamar da carreira em 2008 e certamente não deviam lhe faltar convites para bons trabalhos, mas então o que o motivou a protagonizar o besteirol Zohan – O Agente Bom de Corte? A resposta só pode ser uma proposta milionária ou agenda vazia de compromissos na época. Só assim para explicar tamanha decadência. O ator faz o papel-título, um agente do alto comando militar israelense que teve suas férias na praia interrompidas pelo chamado de uma nova missão. Ele fica sabendo que Fantasma (John Turturro), um terrorista palestino que havia capturado há pouco tempo, conseguiu escapar mais uma vez e precisa ser encontrado o mais rápido possível. Porém, esse serviço tão importante não é o trabalho dos sonhos de Zohan. Na realidade ele deseja ser cabeleireiro e este novo confronto veio em boa hora para ele colocar um plano em prática: fingir sua própria morte e partir para Nova York, o local onde tudo acontece. Apesar de querer deixar para trás sua vida de guerras e batalhas, rapidamente ele descobre que não é tão fácil escapar das suas raízes. Até aí a história caminha de maneira aceitável e com as piadas grotescas já esperadas, mas as coisas mudam quando ele consegue um emprego em um salão de beleza. Algumas poucas piadas inteligentes e realmente engraçadas são diluídas no meio de uma avalanche de situações vexatórias que vem a seguir que exploram ao máximo o apelo sexual inserido forçosamente ao enredo.   

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

VERÔNICA

NOTA 8,0

Thriller nacional tem
estilo próximo de filmes
americanos em termos de
agilidade e narrativa
O cinema nacional já deixou há muito tempo de ser sinônimo de filmes bobos ou de conteúdo duvidoso e cada vez mais está conseguindo se destacar em diversos gêneros. Algumas pessoas reclamam da repetição de temas como miséria e violência expostos em cenários de periferia ou tendo a aridez nordestina ou a paisagem rural como fundo. Bem, realmente vira e mexe as nossas produções enfocam personagens que retratam as pessoas marginalizadas que vivem em áreas com condições de vida precária, sejam elas de boa ou má índole. Grandes sucessos já surgiram a partir dessas temáticas, como Central do Brasil e Cidade de Deus, mas é muito maior o número de fracassos de público que surgiram visto que alguns cineastas enveredam pelo caminho da violência e da sexualidade exageradas em busca de reconhecimento da crítica sem se preocupar se realmente é isso que os espectadores esperam. Esses profissionais tendem a criticar aqueles que trabalham com um cinema mais comercial e cuja estética até se aproxime do que se espera de uma produção estilo Hollywood, guardada as devidas proporções obviamente. O fato é que existem diversos filmes muito bons em nossa filmografia que acabaram sendo prejudicados pela overdose de títulos com temas semelhantes que foram lançados em um passado recente e é claro que o preconceito com o cinema brasileiro ainda existe e continua causando impactos negativos. Verônica é uma vítima disso. Mesmo trazendo à tona um enredo que toca no tema violência e pobreza, tudo é tratado de forma menos chocante, porém, sem perder o foca na realidade. Fazendo denúncia social, a história é centrada em uma mulher do povão que vive em um pequeno apartamento do subúrbio, tem um jeitão de valentona e fala o que lhe vem a cabeça. Professora frustrada, de repente ela se vê em meio a uma intriga envolvendo um menor de idade e perigosos bandidos. Por estas poucas palavras já dá para sentir a inspiração nos filmes policiais americanos. Por que quando os ianques reciclam a fórmula pela centésima vez ainda tem pessoas prestigiando e na vez do Brasil tentar fazer sua versão o público apedreja? 

domingo, 20 de outubro de 2013

ENTÃO VEM O AMOR

Nota 4,0 Mulher independente conhece tardiamente o amor, mas nunca é tarde para se apaixonar

Mulher na casa dos 30 anos, bonita, independente, destemida, realizada profissionalmente, porém, lhe faltava alguma coisa para ser completamente feliz. Um marido certamente. Não! Um filho é o que ela quer, realmente um homem que lhe amaria incondicionalmente e jamais a abandonaria. Todavia, anônimo ou não, todo mundo tem que ter um pai e é óbvio que mais cedo ou mais tarde a criança fruto de uma produção independente vai querer conhecer suas origens e o destino pode pregar uma peça na mamãe que tanto prezava sua individualidade. Quem nunca ouviu uma história assim? Mudam os atores, uma coisinha aqui outra ali, mas a essência continua a mesma. Então Vem o Amor é previsível desde o título. Julie Davidson (Vanessa Williams) é uma colunista de jornal muito bem sucedida, especializada em falar sobre a mulher moderna, e que sempre dedicou muito amor ao filho Jake (Jeremy Gumbs), mas agora que o garoto está começando a entender mais as coisas a relação dos dois começa a ficar estremecida. A falta de dedicação aos estudos pode ser um sinal de déficit de atenção, mas os problemas do garoto, que incluem rompantes de agressividade, também podem estar ligados a falta de uma figura paterna em sua vida, ainda que sua mãe esteja namorando a algum tempo com Ted (Michael Boatman), um premiado foto jornalista. Mesmo se esforçando para suprir todas as necessidades de Jake, Julie começa a ficar incomodada com o filho inventando coisas a respeito de um pai que idealizava para os colegas e até mesmo pelos constantes comentários de que o garoto não parece muito com ela, assim a jornalista decide rever a ficha do doador de esperma e começa a desconfiar que suas características e seu perfil são bons demais para ser verdade. Ela então decide contratar os serviços de um detetive que a leva até o nome de Paul Cooper (Kevin Daniels), aparentemente o pai que não sonhava para seu filho.

sábado, 19 de outubro de 2013

MARCAS DO PASSADO (2006)

Nota 4,0 Drama aborda de forma superficial tentativas de homem comum mudar seu futuro

Muitos filmes já investiram na fórmula da pessoa que descobre que seu futuro não é lá muito auspicioso e corre contra o tempo para tentar mudar seu destino. Geralmente tais produções são ligadas ao gênero fantasia, horror ou suspense e garantem um filme razoavelmente divertido, tudo o que Marcas do Passado não é. Seguindo a linha de um drama policial, o longa dirigido por Mark Fergus, roteirista de Filhos da Esperança e Homem de Ferro, é um tanto arrastado, desinteressante e repleto de personagens sem função que apenas servem para confundir o espectador. O roteiro de Scott Hastings nos apresenta a Jimmy Starkys (Guy Pearce) que está viajando sozinho por uma estrada deserta quando tem um problema no carro. No pequeno vilarejo mais próximo ele consegue auxílio, mas terá que aguardar praticamente o dia todo até que o veículo fique pronto. Para passar as horas, o rapaz começa a vagar pelas redondezas e encontra o vidente Vacaro (J. K. Simmons) e só por distração paga por uma consulta mediúnica, embora não acredite em visões e caçoe a cada novo comentário que o homem faz. Sua atenção muda quando é avisado que em breve uma grande quantia de dinheiro chegará até ele de Dallas, mas subitamente o vidente começa a se sentir mal e interrompe a consulta. De volta a sua casa, Jimmy, que é vendedor, logo se vê envolvido em um negócio lucrativo, a venda de jukeboxes (tipo de toca-músicas antigos e próprio para estabelecimentos comerciais). O negócio começaria justamente por Dallas por ser um importante centro comercial, mas junto com essa novidade ele também passa a receber misteriosas correspondências e seu telefone quando toca fica mudo. Não demora muito para que o rapaz descubra que quem está por trás dessas pequenas brincadeiras é Vincent (Shea Whigham), um antigo parceiro de comércio ilegal que passou um bom tempo na cadeia por conta de um episódio mal explicado envolvendo Jimmy, este que ligando as evidências se apavora ao perceber que pode ser morto pelo ex-amigo que está sob liberdade condicional e cheio de ódio. Segundo a profecia, confirmada por uma cigana, o rapaz estaria a salvo apenas até a primeira nevasca do ano.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A CASA DE CERA

NOTA 9,0

Com cenografia perfeita e
um roteiro bem amarrado,
longa consegue disfarçar os
clichês e dar bons sustos
Um grupo de jovens vagando em um lugar isolado precisa correr contra o tempo para sobreviver aos ataques de um serial killer. Essa linha poderia resumir grande parte das produções de terror não só contemporâneas, mas também de várias décadas atrás. Porém, felizmente, sempre existe algum ser pensante que consegue dar uma cara nova a uma fórmula desgastada. O diretor espanhol Jaume Collet-Serra mostra-se seguro e cheio de boas idéias nesta sua estréia em Hollywood. Alguns anos depois ele se daria bem novamente comandando A Órfã. O segredo das obras do cineasta é o investimento em roteiro e ambientação, pontos geralmente esquecidos em filmes sobre assassinos em série que mais parecem feitos a toque de caixa. A trama realmente poderia ser resumida como a primeira linha deste texto, mas no caso o espectador não se depara com um monte de atrocidades logo de cara. Existe um longo prólogo para nos situarmos a respeito do grupo de jovens e termos subsídios suficientes para mais a frente sofrer ou se alegrar com suas mortes. Aqui também já é revelado um pouco do passado e da vida que leva o assassino da vez, coisa que geralmente só acontece nas conclusões, isso se ainda a produção tiver um mínimo de respeito com o público. Muitas fazem um show sanguinolento o filme todo para no final não haver revelação alguma, apenas o tradicional gancho para uma sequência. A história de A Casa de Cera traz algumas sutis diferenças em relação a outros projetos semelhantes como os protagonistas que não formam um casal de namorados. Carly (Elisha Cuthbert) e Nick (Chad Michael Murray) são irmãos e estão indo com os amigos acompanhar um jogo de futebol americano em uma região afastada. Durante a viagem, eles têm problemas com um dos carros e aceitam a ajuda de um estranho homem que os leva até Ambrose, uma pitoresca cidade que abriga um museu de cera. Ao invés de celebridades, o lugar possui estátuas que representam cidadãos comuns, obras perfeitas de um grande artista local. Porém, quem faz todas elas usa métodos de arrepiar para chegar a tal perfeição.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

72 HORAS

NOTA 7,5

Paul Haggis, diretor e roteirista
premiado, faz sua estreia em um
filme legitimamente comercial
reciclando velhos clichês
Tudo que é demais uma hora enjoa. Filmes que misturam ação e suspense hoje em dia dificilmente surpreendem ou podem ser classificados como excelentes. A reciclagem de temas e até a estagnação de certos atores repetindo papéis nestes gêneros levaram as produções desses estilos para o limbo. Felizmente, vez ou outra surge algum nome em potencial para dar uma sacudida nesse cenário e quem sabe trazer de volta os bons tempos em que perseguições e tiroteios rendiam boas bilheterias e elogios e não eram apenas um amontoado de cenas de ações sem propósitos definidos. Um nome quente para o restabelecimento da saúde deste campo é o de Paul Haggis que tem visto sua carreira ascender de forma meteórica depois de se envolver em projetos sérios e premiados, como Crash - No Limite e No Vale das Sombras. Seja como roteirista, diretor ou ainda acumulando as duas funções, este profissional decidiu se aventurar em algo no melhor estilo hollywoodiano: um filme que entretém, com um enredo interessante, um ator de peso encabeçando o elenco e no fim um produto que provavelmente será esquecido algum tempo depois. Assim é 72 Horas, um thriller de ação cuja trama recorre ao recurso da perseguição de inocentes para tanto. E o resultado neste caso é até acima da média. O enredo gira em torno de um homem comum que se mete a cometer verdadeiras loucuras para fazer justiça com as próprias mãos, ou melhor, com o próprio cérebro, já que seus planos são um tanto mirabolantes. O professor universitário John Brennan (Russell Crowe) levava uma vida perfeita até que sua esposa Lara (Elizabeth Banks) foi presa acusada de um crime que alega não ter cometido. Após três anos de vários recursos negados pela justiça, a mulher acaba se tornando uma pessoa suicida por não suportar a distância de seu filho que está crescendo longe dela. Brennan percebe que só há uma saída: elaborar um plano de fuga meticuloso para tirá-la da prisão correndo todos os riscos. Ele recorre ao que pode para aprender, por exemplo, a arrombar carros e abrir fechaduras e consegue conversar com o ex-prisioneiro Damon Pennington (Liam Neeson) que escapou inúmeras vezes da carceragem e lhe dá dicas do que vai ter de enfrentar. É um caminho sem volta e é preciso estar disposto a tudo, inclusive a matar. Agora, Brennan e Lara terão apenas 72 horas para fugir e tentar ir o mais longe possível levando com eles o filho.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

SPLICE - A NOVA ESPÉCIE

NOTA 8,0

Com todo jeitão de filme B,
produção consegue ser
intrigante graças a uma
bizarra relação
O gênero ficção científica já teve seus tempos de glória. O contato com seres de outros planetas, as naves espaciais ou criaturas geradas através de experiências genéticas outrora causavam impacto, mas ainda hoje existem aqueles aficionados por tais temas. Deve ser por isso que vez ou outra uma produção do tipo é feita, porém, a maioria lançada diretamente para locadoras e venda ao consumidor. A categoria acabou ganhando características de filme B e causam geralmente mais risos do que espanto ou qualquer coisa do tipo. Neste cenário Splice - A Nova Espécie surpreende, até por ter sido exibido em cinemas, embora rapidamente. Apesar de ser mais um trabalho baseado no velho clichê do monstro se voltando contra seu criador, ele ganha pontos ao não se transformar em um nojento filme de terror ou de pura carnificina. A história envolve a nova experiência de um casal de cientistas, Clive Nicoli (Adrien Brody) e Elsa Kast (Sarah Polley), ambos muito famosos no meio científico por investirem nas pesquisas a respeito da combinação do DNA de diversos animais que resultam em criaturas bizarras. Agora eles querem ir além e revolucionar a ciência combinando o código genético de bichos com o de seres humanos, porém, seus financiadores vetam a idéia, apesar de seu intuito ser para estudos sobre novos medicamentos para graves doenças. Mesmo assim eles levam o projeto adiante em segredo e assim nasce Dren (Delphine Chanéac), um ser humanóide com fortes características de um réptil cujo ciclo de vida é extremamente rápido e a fase adulta é atingida em questão de meses, mas não se pode prever quanto tempo poderá se manter viva. Seus criadores tentam escondê-la no laboratório para estudar seu comportamento e evolução, mas logo precisam transferi-la para um lugar mais seguro, assim Dren passa a ter contato com um mundo novo que desperta nela sentimentos e reações diversas e inesperadas.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

AS DUAS FACES DA LEI

NOTA 4,0

Encontro de dois grandes
atores revela-se fraco e o
típico filme para preencher
as madrugadas da TV 
O sonho de qualquer diretor e até mesmo do público é ver grandes estrelas em cena e quando é possível reunir dois dos maiores nomes do cinema americano o entusiasmo é ainda maior. Al Pacino e Robert De Niro já dividiram os créditos de um mesmo filme em duas ocasiões, mas em ambas o encontro decepcionou. Não que as produções fossem ruins, pelo contrário, mas a decepção fica por conta de um embate que não aconteceu. Na década de 1970, em O Poderoso Chefão - Parte II, eles estavam dando ainda os primeiros passos na carreira, mas seus talentos para as artes dramáticas já eram notados. Infelizmente, não chegaram a fazer uma cena sequer juntos. Já em 1995 foi anunciado finalmente o grande encontro dos dois super astros em um longa de estilo policial, porém, foi uma propaganda enganosa. Vivendo antagonistas em Fogo Contra Fogo, fizeram apenas uma sequência em conjunto. Bem, enquanto se está vivo tudo pode acontecer e eis que surge o roteiro de As Duas Faces da Lei, a grande chance dos dois atores formarem uma dupla de verdade, daquelas que se tornam inesquecíveis. O resultado mais uma vez foi decepcionante e o vilão é a própria história. Nos outros casos citados, o problema também era a narrativa, mas é porque elas não abriram caminhos para o tal encontro. Já nesta terceira parceria, digamos assim, a coisa pega desde a concepção inicial do projeto. A história é razoável, mas não está a altura de seus protagonistas que mereciam algo bem melhor. Na época, eles já estavam há tempos em um patamar da carreira muito confortável e não precisavam aceitar qualquer tipo de convite. Apesar de ultimamente o currículo de ambos estar capenga, é bem provável que a idéia de finalmente dividirem quase todas as cenas de um filme os seduziu, mas o mesmo não ocorreu com os espectadores. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

SECRETARIAT - UMA HISTÓRIA IMPOSSÍVEL

NOTA 6,5

Através da história do cavalo mais
veloz de todos os tempos, longa
 aborda a superação de uma mulher
em universo predominante masculino
Beisebol, tênis e futebol americano. Estes são alguns dos esportes prediletos do público norte-americano, mas pode ser acrescentado nesta lista o hipismo. Só assim para explicar a quantidade de filmes envolvendo o universo das corridas de cavalos já lançados. Para muitos esse tipo de produção é coisa do passado, mas certamente há nicho de público para a temática. Vira e mexe algum novo título surge, alguns até apadrinhados pela crítica como Seabiscuit - Alma de Herói e Cavalo de Guerra, indicados respectivamente a sete e seis Oscars. Fato é que a maioria das fitas do tipo são lançadas com pouco marketing ou diretamente para consumo doméstico, caso de Sonhadora, Flicka e Alma de Campeão. O destino destas obras denunciam que um roteiro esquemático, batido e lacrimejante não atrai muito a atenção do público para assisti-los nos cinemas, porém, para curti-los no aconchego do lar e em família elas se tornam excelentes opções. Por ironia, em geral, o grande problema destes enredos também se torna seu maior triunfo. As histórias de bichinhos cativantes que não falam uma palavra sequer precisam de algum artifício a mais para chamar a atenção. Geralmente a opção é pelo drama edificante que agrada aos mais velhos e ainda serve para passar algumas boas lições a respeito de amor e solidariedade aos jovens. Melhor ainda se o argumento for baseado em fatos reais e é nesse viés que segue a trama de Secretariat - Uma História Impossível. A personagem-título é uma égua que permanece no posto do equino mais veloz do mundo mesmo muitos anos após sua morte, contudo, ela não é a verdadeira protagonista dessa produção. Na verdade o foco é na história de superação de Penny Chenery (Diane Lane). Em meados da década de 1970, quando sua mãe veio a falecer e seu pai Chris (Scott Glenn - desperdiçado, quase sem falas) adoece, a então dona-de-casa decide que é hora de assumir os negócios da família mesmo nunca tendo muito contato com os assuntos referentes a fazenda onde nasceu e foi criada. O local já rendera muito dinheiro e garantia o sustento do clã, mas suas terras não eram mais férteis e manter o estábulo gerava mais gastos que lucros.

domingo, 13 de outubro de 2013

SEREIAS

Nota 7,5 Sexo versus religião, este é o tema central de suposta homenagem à pintor australiano 

No outro lado do globo terrestre também tem cinema. A Austrália é um país que não tem uma filmografia expressiva, mas vez ou outra surge algum produto de lá. Inclusive já tivemos um filme com o mesmo nome deste território popularmente conhecido como a terra dos cangurus e dos coalas, embora fosse uma produção americana dirigida pelo cineasta Baz Luhrmann e estrelada por Nicole Kidman, ele natural do continente enquanto a atriz apenas naturalizada. Daquelas longínquas terras, no passado, recebemos o romance Sereias. O diretor e roteirista John Duigan se inspirou na história do pintor Norman Lindsay, artista praticamente desconhecido no Brasil, que ousou nas suas obras e foi criticado por cutucar a moralidade de seu tempo. Sexo versus religião. Este é o conflito que serve como pano de fundo para narrar a história do pastor inglês Anthony Campion (Hugh Grant) e sua esposa Estella (Tara Fitzgerald) que em meados da década de 1930 chegam a Austrália a pedido de um bispo local. A missão dada é barrar os trabalhos do pintor Norman Lindsay (Sam Neill) cujas obras supostamente atentam a moral e os bons costumes ao reunir mensagens eróticas e religiosas em uma mesma tela. O jovem pároco deveria convencê-lo a retirar de uma exposição internacional seu quadro “A Vênus Crucificada”, no qual uma mulher nua é retratada se balançando na cruz enquanto aos seus pés se rebaixam membros da Igreja. O casal visita o artista para convencê-lo a mudar o foco de seus trabalhos, mas acaba descobrindo o porquê do apelo sensual de seus quadros. Ele vive em um ambiente rodeado de belas mulheres. Além de sua esposa Rose (Pamela Rabe), eles conhecem Sheela (Elle MacPherson), Gidia (Portia de Rossi) e Pru (Kate Fischer), três belas modelos que lhe servem como fonte de inspiração. No momento em que os Campion chegam elas estão justamente posando para uma nova tela intitulada “Sereias”. Neste universo exuberante e aparentemente de luxúria ainda há espaço para Lewis (Ben Mendelsohn), um camponês deficiente visual que também faz as vezes de modelo.

sábado, 12 de outubro de 2013

UMA AVENTURA ANIMAL

Nota 3,0 Apesar dos esforços dos animadores, não há desenho que se sustente sem boa trama

O cinema italiano é conhecido por bons dramas, romances e comédias, algumas produções inclusive tornaram-se clássicas na História da sétima arte. Nos últimos anos o país também passou a investir em filmes de suspense, policiais e até no campo da animação, contudo, pelo que se vê em Uma Aventura Animal, a turma de lá ainda precisa comer muita macarronada e beber muito vinho para chegar a um mercado competitivo do gênero. Fora a tentativa de forjar em vários momentos uma interação entre os personagens e quem assiste, a produção não traz nada de novo, pelo contrário, é um amontoado de equívocos. A trama escrita por Francisco e Sergio Manfio, este último também diretor, acompanha as aventuras de uma turma de animaizinhos em busca de um segredo secular. Aldo, para variar uma sábia coruja que cuida de uma importante biblioteca na cidade de Veneza, está muito interessado em saber mais sobre o chamado “Código de Marco Polo”, escritos feitos pelo lendário viajante após uma viagem à China. Alda, a irmã do bibliotecário, já está em campo na cidade de Kebab em busca deste material histórico e em breve ganhará a ajuda do irmão e seus amigos nesta expedição. Contudo, gente do mal também está atrás desta misteriosa informação. Cambaluc e Cuncun, dois furões um tanto atrapalhados, descobrem os planos da turminha e avisam a bruxa Gralha que também está interessada no tal código. Ela vive com seu fiel escudeiro Ambrósio no Himalaia em uma região isolada literalmente sob as trevas. Sua casa é o Palácio da Magia, local descoberto pelo próprio Marco Polo há 800 anos. Fascinado pela construção, local que abrigava os mais antigos feitiços orientais, seus escritos após seu regresso da China tratam justamente sobre a construção de um palacete idêntico na Itália, mas desconhecido. Tal segredo está contido em uma pedra desaparecida a qual Alda estava prestes a encontrar, mas Rajin, um macaco a serviço da bruxa, consegue colocar as mãos primeiro no objeto que quando posicionado sobre o piso da mais antiga biblioteca de Veneza revela o código. Obviamente tal local é onde trabalha Aldo o que o obriga a viajar rapidamente com seus amigos para voltar a tempo de evitar que Gralha tenha a revelação só para si.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

CISNE NEGRO

NOTA 10,0

Obra alia drama, suspense,
psicologia, arte e
entretenimento para falar
sobre a busca da perfeição
Buscar a perfeição em tudo o que fazemos é um objetivo que provavelmente todos sempre querem alcançar, mas muitos passam dos limites e acabam enlouquecendo. A obsessão desloca a pessoa da realidade e a leva a um mundo onde o real e o fictício se misturam e não se sabe onde um termina e o outro começa. O cultuado cineasta Darren Aronofsky não deve ter enlouquecido, mas buscou e conseguiu a perfeição com Cisne Negro, um trabalho que reuniu drama e suspense nas doses certas e que é um ótimo exemplo de que arte e entretenimento podem caminhar juntos. O longa é praticamente um thriller psicológico que divide opiniões. Muitos o cobrem de elogios e outros o insultam sem piedade, inclusive apontando erros onde não tem, por exemplo, ao tocar no assunto homossexualismo, um preconceito um tanto ultrapassado. Quem recrimina esta produção precisa assisti-la com mais atenção e livre de pré-julgamentos. É bem diferente analisar um filme pelo que os outros dizem e quando podemos julgar por aquilo que nós mesmos constatamos. Declaradamente artística esta obra conta com um trabalho de iluminação e edição essenciais para dar o clima de tensão que combinado com a bela e relativamente escura fotografia levam o espectador a um passeio por um mundo perturbador e angustiante, principalmente nos minutos finais quando a trama ganha uma forte densidade dramática e uma dose extra de adrenalina. Poucos diretores conseguem envolver o espectador usando histórias relativamente simples, mas que se tornam complexas conforme o andamento da trama, um verdadeiro turbilhão de emoções. Aronofsky, acostumado a narrativas de conteúdo forte e reflexivo como Réquiem Para um Sonho, parece gostar de explorar o quanto elementos externos influenciam um indivíduo para chegar ao sucesso de forma sadia ou degradando-o física e mentalmente. Em O Lutador, por exemplo, ele mostra o resgate da carreira de um boxeador que há muitos anos sofria com a rejeição da filha e a incapacidade de manter relacionamentos estáveis. Ainda em busca de esmiuçar o ápice de um profissional, aqui o cineasta aponta sua câmera para o mundo do balé, mais precisamente para uma bailarina em específico que deixou que as cobranças para que ela atingisse resultados excepcionais em sua arte a levassem a adquirir um quadro de problemas psicológicos sérios.  

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O TERNO DE 2 BILHÕES DE DÓLARES

NOTA 4,0

Tirando uma onda de James
Bond, mescla de aventura e comédia
não favorece Jackie Chan que não se
joga literalmente neste trabalho
Há quem despreze os filmes de Jackie Chan rotulando-os como grandes bobagens e dotados de humor raso. Mesclas de ação e comédia, não importa o enredo, sempre serão as fitas do chinesinho com cara de paspalho e que voa nas cenas de lutas. O ator sempre deixou bem claro que trabalha exclusivamente para entreter o público e de quebra ele próprio se divertir a beça. Sua cara de criança feliz e curiosa deixa explícito seu constante alto astral. Ele pode não ser um exímio ator, exagerar em caretas e expressões corporais, cansar com sua hiperatividade e ao falar ter uma péssima pronúncia do idioma inglês (algo contornado nas versões dubladas de seus filmes), ou seja, ele tem todos os requisitos de um chato de galochas. Entretanto, enche a tela e conquista com um carisma ímpar somado ao já citado bom humor vitalício. Chan é o cara boa praça que todos queriam como amigo nos momentos difíceis, aquele que consegue animar até velório. De olho em sua popularidade na China e no sucesso de suas fitas em outros países, Hollywood não perdeu tempo e o seduziu com contratos milionários, pena que o desejo de uma conta bancária mais robusta viria a descaracterizar seu trabalho. Bem, pelo menos a grande maioria concorda que em O Terno de 2 Bilhões de Dólares o verdadeiro Chan não está em cena. Ele interpreta Jimmy Tong, um simples chofer de táxi que de uma hora para a outra é contratado para ser o motorista particular do espião Clark Devlin (Jason Isaacs), um homem cheio de segredos, astuto e repleto de habilidades para luta, seu modo de defesa, quanto para dança, sua arma de sedução. Todavia, não são exatamente méritos próprios e sim qualidades proporcionadas por um smoking que usa, uma peça exclusiva e dotada de recursos tecnológicos. Quem a veste pode realizar as mais diversas peripécias e é claro que Tong terá o privilégio de usá-la, mas sem consciência de todos os poderes do traje. Tal gancho abre caminho para os roteiristas Michael J. Wilson e Michael Leeson satirizarem a vontade os filmes de James Bond.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O TERMINAL

NOTA 7,5

Tom Hanks carrega nas costas
produção inteligente e divertida
até sua metade, mas que ultrapassa
o tempo de paciência do espectador
Um aeroporto é um local por onde passam centenas de pessoas todos os dias, das mais diferentes culturas e países. Muitos acabam vivendo mais na ponte aérea do que em suas próprias casas e justamente pensando nisso o diretor Steven Spielberg se inspirou para fazer O Terminal, um trabalho atípico em seu currículo e, por mais incrível que pareça, baseado no caso real de um iraniano impedido de voltar ao seu país e que foi obrigado a viver por mais de quinze anos nas dependências de um aeroporto na França. O cineasta voltou a se unir a Tom Hanks, com quem já havia trabalhado em O Resgate do Soldado Ryan e Prenda-me Se For Capaz, para uma produção que deseja levar o público às lágrimas, mas escamoteia o roteiro com pitadas sutis e deliciosas de humor. Mesmo assim, é preciso advertir que o longa sofre com um ritmo inadequado e uma duração excessiva, dessa forma a primeira hora realmente entretém, é bem divertida e muito criativa, mas a segunda decepciona pela sua lentidão, excesso de drama e clichês e conclusões que deixam a desejar. O protagonista da trama é Viktor Navorski (Tom Hanks), um cidadão da Europa Oriental, mais especificamente da Krakozhia, que viaja rumo a Nova York justamente quando seu país sofre um golpe de estado, o que faz com que seu passaporte fique inválido. Ao chegar no aeroporto, ele não consegue autorização para entrar nos EUA, mas não compreende o porquê. Ele também fica impossibilitado de retornar à sua terra natal, já que as fronteiras foram fechadas após o golpe e o governo americano não reconhece a atual situação política do país em conflito. Conforme informado pelo oficial de segurança Frank Dixon (Stanley Tucci), Navorski não pode ser considerado um refugiado político e nem mesmo um turista, simplesmente ele é um homem sem pátria. Sem poder se instalar em solo americano e nem seguir viagem, ele é obrigado a ficar esperando a liberação de seu passaporte dentro das dependências do aeroporto e assim passa muitos dias e noites descobrindo o complexo mundo do terminal onde está preso. 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

LOPE

NOTA 8,5

Cinebiografia de poeta
espanhol é convencional,
mas eficiente e com um
belo visual barroco
O cinema brasileiro está cada vez mais ganhando espaço em outros países, com direito a participações em festivais e não tendo sua distribuição restrita apenas ao período de premiações quando batalhamos por certa cobiçada estatueta dourada. Dessa forma, o talento de nossos atores, diretores e equipes técnicas também têm conquistado o respeito e a admiração do público, crítica e, principalmente, de quem faz cinema em todos os cantos do mundo. A prova disso é que frequentemente encontrarmos nos créditos de muitas produções internacionais os nomes de alguns brasileiros. Este é o caso de Lope, uma requintada produção de época européia dirigida por Andrucha Waddington, o homem por trás das câmeras de Eu, Tu, Eles e Casa de Areia. Mesmo não possuindo uma extensa filmografia, alguns de seus trabalhos chegaram a ser exibidos em importantes festivais internacionais e chamaram a atenção. Nesta co-produção entre Brasil e Espanha o cineasta mantém o mesmo bom nível de seus trabalhos anteriores e sem inovações, mas isso não faz esta obra ser um projeto menor em seu currículo, pelo contrário, ele se mostra maduro e confiante para contar a história de uma personalidade do mundo das artes pouco conhecida fora do território espanhol. Felix Lope de Verga (Alberto Ammann) é um jovem e galanteador poeta que deseja ter seus trabalhos reconhecidos e não mede esforços para conseguir o que quer. Em meados do século 16, o dramaturgo volta da Guerra dos Açores para Madri decidido a não lutar mais pelo seu país natal e querendo seguir seu sonho de com seus textos modificar a cara das produções teatrais unindo humor e drama em uma mesma história. Para tanto ele busca a ajuda do antipático empresário teatral Jeronimo Velázquez (Juan Diego), mas convencê-lo de seu talento não é uma tarefa fácil, porém Elena (Pilar López de Ayala) pode ser a salvação do rapaz. Filha do empresário, ela logo se sente atraída por Lope e começa um romance às escondidas, já que ela é usada pelo pai para conseguir favores de homens ricos e o próprio escritor passa a ter seu trabalho explorado. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O FADA DO DENTE

NOTA 5,5

Com lições de moral e superação
batidas, longa faz graça com jeito
brucutu do protagonista que literalmente
precisa fazer mágica para voltar a ser feliz
Filmes de ação cheios de pancadarias e tiroteios sabemos que não são feitos para agradar famílias e sim o público masculino, mas sabe como é. O papai começa a assistir, logo a mamãe está do lado no sofá e as crianças colam junto por tabela vidradas em adrenalina. Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone e Bruce Willis foram alguns dos astros fortões que se viram forçados a procurar alguns roteiros mais amenos para agradar a uma parcela de público com o qual não sonhavam. Foram vários os tropeços saindo do campo da ação, sendo que o primeiro grandalhão se saiu ligeiramente melhor encabeçando clássicos sessão da tarde como Um Tira no Jardim Da Infância e Irmãos Gêmeos. Os representantes da nova geração movida a energéticos também se aventuraram como Vin Diesel em Operação Babá, mas quem defende com fervor a bandeira dos valentões de bom coração é Dwayne Johnson, a muito tempo sem precisar acrescentar ao nome artístico a alcunha "The Rock", seu apelido nos tempos em que era lutador de vale-tudo. Assim como seus predecessores, o ator começou no gênero da pancadaria, mas seu sucesso extrapolou o campo da testosterona angariando fã clube feminino e infantil, assim não demorou muito para seu nome ser atrelado a comédias-família, geralmente tirando um sarro de seu jeito brucutu forçosamente tendo que aprender a lidar com crianças. O Fada do Dente deixa isso bem explícito. Ele interpreta Derek Thompson, uma ex-super estrela do hóquei no gelo, mas por conta de uma contusão acabou ficando afastado do esporte por um bom tempo e desacreditando em seu potencial. Quando volta acaba se atrapalhando nas partidas e quase sempre arrancando um dente dos adversários sem querer, assim ganhou o apelido de "o fada dos dentes", alusão a lenda que diz que a criança que perde um dente e deixa debaixo do travesseiro ao acordar ganha um dinheirinho. Contudo, ele faz questão de jogar por água abaixo tal história arruinando os sonhos de Tess (Destiny Whitlock), a filha de apenas seis anos de Carly (Ashley Judd), sua namorada, que estava empolgadíssima com a perda de seu dente de leite, mas ele esqueceu de deixar a recompensa.

domingo, 6 de outubro de 2013

11:59 - CORRIDA CONTRA O TEMPO

Nota 6,5 Produção modesta e com elenco desconhecido cumpre razoavelmente sua missão

Um bom argumento e até razoavelmente bem trabalhado pode acabar se tornando um projeto obscuro por conta de atores desconhecidos e/ou empresa distribuidora raquítica? O adjetivo negativo no caso de 11:59 – Corrida Contra o  Tempo não é usado no sentido pejorativo, mas sim para destacar que um suspense que cumpre seus objetivos de entreter e intrigar o espectador e que acabou sendo esquecido desde o seu lançamento feito pela pouco conhecida Ocean Pictures, empresa especializada em resgatar faroestes antigos e que raramente tem algum bom produto contemporâneo em seu catálogo. Quando tem a própria não se esforça para divulgá-lo. Escrito e dirigido por Jamin Winans, a trama começa mostrando um dia atribulado na redação de um telejornal que está se esforçando para dar um furo de notícia exclusivo e ao vivo.  Thomas Hastings (Chris Kelly) é suspeito de matar duas crianças e está sendo perseguido pela polícia e pela repórter Lisa Winders (Laura Fuller) que só deve entrar no ar no momento exato em que o criminoso for pego. Todavia, o cinegrafista Aaron Daugherty (Raymond Bailey) acaba levando a melhor e consegue encontrá-lo antes mesmo da polícia flagrando a sua declaração de inocência e logo em seguida sua prisão. Embora atrás das câmeras, o rapaz acaba sendo saudado na redação por sua coragem e profissionalismo e sua chefe Adele (Liz Cunningham) até sinaliza a possibilidade de em um futuro próximo ele vir a ser promovido, o que deixa Lisa enciumada acusando o colega de fazer um jornalismo apelativo e sensacionalista. Contudo, a moça ainda tem a chance de vir a ser reconhecida profissionalmente caso encontre alguma ligação estranha entre Hastings e um político para o qual prestava serviços coordenando eventos pré-eleição. Na noite anterior ao julgamento do prisioneiro, Aaron sente-se mal em uma boate, escuta um zumbido estranho e quando acorda está em um campo deserto. Ele pega uma carona para retorna à cidade e então descobre que esteve desaparecido por 24 horas, mas nada se lembra sobre este período. Sua única certeza é que sua vida está um caos. Adele pede explicações para o sumiço e apenas lhe dá uma suspensão por levar em consideração seu ato heroico um dia antes, mas o avisa que ele perdeu a matéria de sua vida e consequentemente a emissora saiu perdendo.

sábado, 5 de outubro de 2013

EM SUAS MÃOS

Nota 5,0 Argumento frágil compromete narrativa que compensa com clima de mistério envolvente

Quer coisa pior que um filme que sugere um suspense e o mesmo é desvendado rapidamente? Pode parecer um ato suicida dos responsáveis pela produção, mas isso não é visto como um problema para diretores fora de Hollywood. Existem muitos exemplos de histórias que poderiam ser intrigantes no cinema europeu, mas que na realidade são dramas. Enquanto os americanos tentam confundir o espectador com mil e uma pistas e ainda deixar para o final uma revelação surpresa que geralmente acaba sendo uma grande decepção, algumas produções européias preferem revelar para o público rapidamente qual o segredo da trama e concentrar seus esforços em analisar as personalidades e comportamentos dos personagens, sejam eles vítimas, suspeitos ou criminosos. Talvez por isso não cause impacto produtos como Em Suas Mãos, mescla de drama e suspense oriundo da França lançado diretamente em DVD no Brasil. Inspirado no romance “Les Kangourus” de Dominique Barberis, o roteiro de Julien Boivent em parceria com Anne Fontaine, também diretora da fita, não é dos mais atraentes. Claire Gautier (Isabelle Carré) trabalha no departamento de reclamações de uma companhia de seguros e se vê envolvida com o problema de um cliente, o veterinário Laurent Fessier (Benoit Poelvoorde) que reclama que uma inundação aconteceu em seu estabelecimento e o seguro que fez não cobre tal imprevisto. Muito prestativa, a moça vai até a clínica veterinária para fazer uma inspeção, faz uma nova proposta de contrato e eles voltam a se ver para assinar a papelada. Nestes encontros, Laurent acaba seduzindo a corretora mesmo ela já sendo casada e até com uma filha. Ele diz que tem predisposição as tragédias e que seu passatempo favorito é conhecer mulheres e ouvir as histórias, sonhos e pensamentos delas. Obviamente a atração será tanta que Claire não irá resistir certa noite que o marido não está e vai marcar um encontro com o sedutor, o problema é que na região onde vive existe um serial killer agindo e que já matou quatro mulheres com a ajuda de um bisturi. Pronto! Ligue os pontos e em meia hora de filme (ou até mesmo em cinco minutos) você já desvendou o mistério.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

OS AMORES DE PICASSO

NOTA 7,5

Com apuro técnico digno de
clássicos,  cinebiografia de um dos
maiores gênios das artes perde pontos
com o maniqueísmo dos personagens
As histórias sobre artistas das mais diversas áreas sempre foram uma excelente fonte de inspiração para o cinema. A trajetória ou determinado período da vida de vários atores, diretores, músicos e cantores já ganharam suas versões cinematográficas, mas quando o destaque vai para artistas plásticos tais produções ganham um charme a mais devido ao colorido das telas desses gênios da pintura. Assim, a vida artística e profissional de Frida Kahlo, Jackson Pollock, Michelangelo “Caravaggio”, Francisco Goya entre tantos outros ganharam suas versões em película carregando em seus títulos nomes de pesos que já se encarregariam de atrair público, porém, muitas dessas obras não fizeram o sucesso esperado, nem de crítica tampouco comercial. Este é o caso de Os Amores de Picasso, obra que acompanha dez anos conturbados da vida de um dos maiores representantes da arte cubista. A narrativa concentra-se entre os anos de 1943 e 1953, período em que Pablo Picasso (Anthony Hopkins) se envolveu com a aristocrata francesa Françoise Gilot (Natascha McElhone). Toda essa história é contada pelo ponto de vista desta mulher cerca de quarenta anos mais jovem que o seu mestre que tanto idolatrava, diga-se de passagem, então já um sexagenário. Contentando-se em se tornar pupila do pintor e ficar mais próxima do mundo das artes, a garota aceita as traições do companheiro, afinal ela própria ocupava um dos papéis de amante, assim concomitantemente Picasso manteve relacionamentos com outras damas como Dora Marr (Julianne Moore), Marie-Therese Walter (Susannah Harker) e Olga Khokhlova (Jane Lapotaire), então sua legítima esposa. Coincidência ou não, nenhuma delas teve uma vida feliz e certamente isso tem a ver com seus relacionamentos com o espanhol este que, por sua vez, abandonou todas elas sem cerimônias. Apenas Françoise teve coragem de dispensá-lo, sendo que imediatamente ao fim deste romance ele se juntou à Jacqueline Roque (Diane Venora), que mesmo sendo tratada como uma serviçal permaneceu com o artista até ele vir a falecer em 1973.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

LIÇÃO DE AMOR

NOTA 5,5

Comédia romântica italiana tenta
se aproximar ao estilo de Hollywood,
mas peca ao rechear a trama com
personagens e situações em excesso
Na Itália não se faz apenas dramas de época ou comédias escrachadas sobre relações familiares. Comédias românticas contemporâneas também têm espaço e isso é provado pela simpática produção Lição de Amor. Ela não é revolucionária e não apresenta novidade alguma que já não tenha sido visto e revisto em similares feitos em Hollywood, mas para os padrões de cinema italiano que estamos acostumados ela acaba se tornando um produto diferenciado, para o bem ou para o mal. É claro que chega a ser um crime querer fazer comparações entre este pequeno enlatado e obras primas de cineastas renomados como Frederico Fellini e Lucino Visconti ou até mesmo do contemporâneo Nanni Moretti, não há possibilidade alguma de identificar possíveis inspirações no trabalho dos mestres, mas é preciso constatar que para esta indústria de entretenimento funcionar é preciso ter algumas engrenagens defeituosas. Só assim para entrar dinheiro que possivelmente irá financiar projetos mais criativos e de melhor conteúdo. A situação é parecida com a que o cinema brasileiro vive. A sétima arte em solo italiano também está ensaiando uma fusão com o estilo televisivo e para cada trabalho relevante, mesmo que de pouca projeção popular, devem surgir mais uns oito ou dez descartáveis, porém, lucrativos, para pagar a conta dos “excessos”. Baseado no livro “Scusa ma ti Chiamo Amore” (ago como “desculpa se te chamo de amor” – também título original do filme) escrito por Federico Moccia, grande sucesso entre as adolescentes de lá, a obra aborda um romance vivido por um homem maduro e uma colegial. Falando assim parece que é a história de um aproveitador e uma menina inocente, mas não é nada disso e a diferença de idade entre eles é de 20 anos, o bastante para a relação ser contestada por sociedades conservadoras e muitas vezes hipócritas. Nikki Cavalli (Michela Quattrociocche) é uma alegre jovem de 17 anos que divide seu tempo entre os estudos e os momentos de diversão com os amigos. Já Alessandro Belli (Raoul Bova), ou simplesmente Alex, é um publicitário de sucesso que adora levar uma vida organizada e sem solavancos. Eis que ironicamente o destino lhe prepara duas surpresas. Abandonado pela namorada Elena (Veronica Logan), a mulher que julgava ser sua alma gêmea, o rapaz entra em uma profunda crise pessoal e sua vida social se restringe aos convites dos seus velhos amigos que tentam tirá-lo da fossa.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A QUEDA DO PODER

NOTA 8,0

Readaptação feita para a TV de
obra pouco conhecida de Orson
Welles tem mensagem universal e
atemporal sobre tolerância e caráter
Manter a tradição de um nome e consequentemente o status financeiro e social não é uma tarefa fácil. Hoje em dia ainda há muitas famílias espalhadas por aí que tentam sobreviver as custas do sobrenome do clã, mas embora a tática ainda engane alguns ingênuos, é certo que praticamente todo mundo sabe que elogios e prestígio não pagam contas. O problema é quando os próprios “novos pobres” não fazem questão alguma de deixar a ficha cair e além de tentarem manter um padrão de vida que não lhes convém mais ainda não perdem o velho hábito de pisotearem nos outros. Pois é essa lição de vida que recebe o protagonista de A Queda do Poder, drama de época baseado no roteiro adaptado pelo cultuado Orson Welles para um conto clássico europeu, “The Magnificent Ambersons”, de Booth Tarkington, que em 1942 ganhou versão cinematográfica sob o título Soberba. Dizem que os melhores perfumes estão nos menores frascos e talvez isso tenha chamado a atenção do cineasta Alfonso Arau a investir no remake de um longa que ficou esquecido com o passar dos anos, porém, sua mensagem continua super atual. O diretor foi fiel a essência do texto de Welles, mas precisou ampliá-lo para atender as exigências do porte do projeto. Apesar de todo o requinte para reconstruir cenários do final do século 19 e início do 20, a produção não foi feita para o cinema. Sua duração um pouco acima do normal e forma de edição denunciam suas raízes televisivas, como se fosse uma série de alguns poucos capítulos compilados posteriormente para lançamento em DVD ou simplesmente um telefilme mais pomposo. Com visual caprichado equiparável a produções de época cinematográficas, Arau, que infelizmente não conseguiu cravar outros sucessos após o premiadíssimo Como água Para Chocolate, mostra que um trabalho de televisão não precisa necessariamente ser de qualidade inferior e tampouco ser encarado como um rebaixamento aos profissionais que migram das telonas. É possível sim fazer um belo produto, mas quebrar barreiras dos preconceitos dos espectadores são outros quinhentos, ainda que neste caso a trama seja bastante atrativa com enlaces românticos ameaçados pela empáfia de um rapaz que ficou cego pela ambição, inveja e apego as tradições. Enquanto procurava provocar a infelicidade dos outros, não percebeu que estava destruindo a sua família e a si mesmo, mas enquanto se está vivo sempre há tempo para consertar os erros. 

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...