segunda-feira, 30 de setembro de 2013

ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO

NOTA 8,0

Último filme do cultuado diretor
Sidney Lumet é cruel do início ao
fim, mas presenteia o público com
boa história e interpretações fortes
Em tempos em que se discutem os absurdos caminhos que parte da humanidade está trilhando, o cinema tem seguido a tendência e cada vez mais abordando a temática das ações desesperadas. O que nos leva a realizar certos atos que mesmo calculando seus riscos no fundo sabemos que são errados e que inevitavelmente trarão consequências negativas para alguém? É esse dilema entre ética e ambição o foco central de Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, suspense com toques dramáticos dirigido pelo cineasta Sidney Lumet na época já bastante idoso, aos 84 anos (morreu alguns anos depois sendo este seu último trabalho), mas demonstrando ainda ter talento para dar e vender. Diretor de clássicos como 12 Homens e uma Sentença, Serpico e Um Dia de Cão, ele não só se mostrava totalmente lúcido para tratar de temas polêmicos como também em sintonia com o estilo de produções que andavam fazendo sucesso em meados dos anos 2000, aquelas tramas que vão e voltam no tempo deixando para o espectador o prazer de juntar as peças do quebra-cabeça e brincar de detetive, ainda que neste caso a única dúvida seja acerca do destino dos personagens, visto que desde o início sabemos de seus atos. Embora a primeira sequência possa causar repulsa para muitos, ela já serve para nos situar a respeito do caráter do protagonista Andrew “Andy” Hanson (Philip Seymour Hoffman), um executivo de meia idade cuja vida profissional está desmoronando ao mesmo tempo em que ele próprio se afoga no vício das drogas e do sexo. A quem não se importar com este detalhe do início, uma surpresa está por vir. A narrativa desenvolvida pelo estreante Kelly Masterson já revela o ponto crucial do longa antes de 15 minutos de projeção: um assalto mal fadado. A partir de então por meio de longos flashbacks ficamos conhecendo o cotidiano dos envolvidos dias antes do plano ser executado e depois temos as consequências do ato. Andy deseja oferecer uma vida de luxos para sua esposa Gina (Marisa Tomei), mas também precisa se livrar de uma auditoria que acometerá sua área de trabalho e que revelará um grave problema financeiro, um desfalque promovido por ele. Seu irmão mais novo Hank (Ethan Hawke) também está em situação difícil e deve três meses de pensão para a filha pequena, o pagamento do colégio dela entre outros apuros. Um homem com profissão aparentemente estável e problemas fúteis. O outro que inspira insegurança, mas com problemas bem mais sérios. As necessidades de ambos os levaram à perdição.

domingo, 29 de setembro de 2013

BRIGADAS DO TIGRE

Nota 4,0 Excesso de nomes e diálogos prolixos prejudicam obra tecnicamente perfeita

O cinema francês costuma investir em vários gêneros, mas os dramas e os romances ainda são o carro-chefe de sua cinematografia. Contudo, é preciso valorizar as tentativas de surpreender com algo diferente. É uma pena que as vezes nem com muita vontade isso seja possível como no caso de Brigadas do Tigre, produção de época até difícil de classificar em uma categoria específica. Tem drama, romance, toques de ação e de thriller policial e um visual caprichado digno de épicos, porém, é enfadonho do início ao fim. A história roteirizada por Xavier Dorison e Fabien Nury é baseada em um seriado de TV de Victor Vicas que foi sucesso na França entre meados dos anos 70 e 80, mas inédita no Brasil. A trama começa no ano de 1907 durante a chamada Belle Époque, período em que uma onda de crimes sem precedentes estava aterrorizando o território francês. Os anarquistas entram em ação promovendo atos criminosos como forma de protestar contra a assinatura da Tríplice Aliança, um pacto entre a França, a Inglaterra e a Rússia a fim de combater o perigo alemão, a gota d’água para o início da Primeira Guerra Mundial. Para combater os vândalos, o Ministro do Interior George Clemenceau, conhecido como Tigre, decide criar uma força policial móvel. Brigadas do Tigre era um grupo formado por homens bem treinados para usar a força e manusear armamentos que não mediam esforços para cumprir seus objetivos de proteger a população. O príncipe russo Radetsky Bolkonski (Aleksandr Medvedev) está prestes a chegar a Paris acompanhado de sua esposa Constancia (Diane Kruger) para assinar o acordo político entre os países e obviamente é um alvo potencial dos anarquistas liderados por Jules Bonnot (Jacques Gamblin). A Brigadas do Tigre então é chamada para fazer a segurança do nobre casal, mas conforme o comissário Valentin (Clovis Cornillac), o mais destemido do grupo, começa a ficar mais próximo dos seus protegidos ele vai descobrindo segredos que o envolvem em uma perigosa trama política e de traição. Resumidinho assim o enredo é compreensível e poderia indicar um bom filme, mas infelizmente o resultado final é confuso e desinteressante. Pelo menos é uma ação que nos poupa de banhos de sangue, mas por outro lado a pancadaria rola solta.

sábado, 28 de setembro de 2013

SEDE DE VINGANÇA

Nota 6,0 Obsessão por vingança leva homem comum a atos extremos em obra simples e eficiente

O nome do escritor Stephen King ajuda a vender um filme aos produtores e consequentemente é certeza absoluta de retorno financeiro. Bem, nem sempre os resultados são satisfatórios. A trajetória do autor no cinema é repleta de altos e baixos. O próprio já chegou a ser diretor da adaptação de uma de suas obras decepcionado com os resultados que outros cineastas ofereceram em outras oportunidades. O fato é que as vezes menos é mais e é isso que prova o suspense Sede de Vingança que está longe de ser uma das melhores adaptações cinematográficas do escritor e tampouco uma obra memorável de seu gênero, mas de qualquer forma prende a atenção do início ao fim. Baseado em um curto conto de King, a trama começa com um discurso vingativo de um homem enquanto a câmera capta a aspereza de um asfalto de estrada. Ele é Robinson (Wes Bentley), um professor de ciências que vivia muito feliz com a esposa Elizabeth (Emmanuelle Vaugier) que não vê a hora de engravidar. A vida do casal muda completamente quando presenciam uma chocante cena em uma região desértica dos EUA. Um caminhão repleto de mulheres traficadas para fins de prostituição é interceptado por Jimmy Dolan (Christian Slater), o maior mafioso da região. Ele promove uma verdadeira chacina, o casal observa tudo e depois denuncia à polícia, esta que já está saturada de denúncias do tipo e parece até compactuar que tragédias assim aconteçam para amedrontar novos possíveis imigrantes ilegais que desejam invadir o território norte-americano para roubar as terras e empregos que por direito seriam da população ianque. Mesmo com o absurdo descaso da polícia local, que preconceituosa creditava o tal crime a um negro, o casal segue em frente com a denúncia e então passa a viver sob a proteção do FBI até que chegue o dia do julgamento de Dolan. O problema é que nem preso ele está ainda.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

TUDO POR DINHEIRO (2005)

NOTA 6,0

Longa mostra o começo, a
ascensão e a decadência de
um profissional do ramo das
apostas, um mundo vicioso
Todos sabem que o cinema de Hollywood tem um caso de amor com o mundo dos esportes e praticamente todas as modalidades já serviram como temática para algum tipo de filme seja drama, ação, suspense, comédia e até romance. Algumas atividades já serviram tantas vezes como pano de fundo para histórias clichês que qualquer nova produção do tipo acaba sendo automaticamente rotulada como desinteressante e as coisas tendem a piorar quando o esporte em questão é intimamente ligado a cultura ianque, como é o caso do futebol americano. É praticamente impossível não fazer pré-julgamentos negativos de obras que geralmente não passam de um amontoado de imagens de jogos cujas regras desconhecemos acompanhadas de diálogos boa parte incompreensíveis e que no fundo servem de adorno para um conflito tolo ou previsível. Já estamos acostumados a ver histórias de superação e até de tramóias que acontecem nos bastidores das competições, mas Tudo por Dinheiro procura um viés diferente: o submundo das apostas. Sim, não é apenas nos jogos de azar que uma pessoa pode ir do céu ao inferno e vice-versa. De uma hora para a outra, ou apenas o tempo de duração de uma partida de jogo, a vida de uma pessoa pode mudar completamente de acordo com suas apostas. Vejam a contradição. Nos EUA, apostar em resultados esportivos é ilegal, mas oferecer consultoria aos interessados em prever resultados das partidas é permitido. O roteiro de Dan Gilroy parte de uma história real para contar a história de Brandon Lang (Matthew McConaughey), rapaz que desde a infância foi incentivado a se dedicar ao futebol americano, mas um problema no joelho fez com que ele abandonasse o esporte temporariamente, acreditando que ainda teria chance de futuramente ser convocado para atuar em algum time profissional, embora todas as suas tentativas para chegar a isso tenham sido frustradas. Enquanto alimenta este sonho, ele trabalha em um pequeno serviço de orientação a apostadores. Com sua experiência de campo, sua função é avaliar as chances de vitória dos times de futebol americano em determinados confrontos, assim direcionando os apostadores a fazerem investimentos mais seguros. Sua habilidade para tal atividade e sua simpatia para lidar com as pessoas chamam a atenção de Walter Abrams (Al Pacino), responsável pelo maior serviço de esportes dos EUA. Oferecendo um salário bem alto, o executivo deseja que Lang vá para Nova York para trabalhar em um programa de TV voltado ao público amante das apostas esportivas. É óbvio que o rapaz aceita e o que vemos a seguir é um filme previsível que segue uma fórmula conhecida e muito eficiente: busca pela felicidade, conquista, decadência e a redenção.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O OUTRO LADO DA NOBREZA

NOTA 8,0

Drama de época tem mensagem
atual com protagonista que
almeja vida de luxúria e riquezas,
mas se decepciona com seu sonho
O que é ser um nobre? Uma pessoa que não tem nada para fazer e que gasta seu tempo ocioso com festas, bebedeiras, comendo de tudo do bom e do melhor, além de estar sempre adornado por belas roupas e jóias? Talvez esta fosse a visão de Robert Merivel, o protagonista do drama de época O Outro Lado da Nobreza. Interpretado pelo ator Robert Downey Jr. em um momento em que os excessos de sua vida pessoal ainda não chamavam mais a atenção que seus trabalhos, o personagem é um jovem e talentoso estudante de medicina londrino do século 17, época em que sua profissão estava sendo muito requisitada, mas a ciência era desafiada pela superstição visto que até os mais ricos eram em sua maioria desprovidos de cultura. Merivel acabava se destacando entre seus colegas da área por sua coragem em realizar tarefas com total naturalidade, como tocar o coração de um paciente que estava com o órgão exposto, porém, o que ele tinha de competente também tinha de mulherengo, tanto que até penhorou sua caixa de instrumentos para pagar suas diversões. Observando atentamente o citado episódio do toque no coração, o rei Charles II (Sam Neil) resolve chamá-lo para ajudar a salvar a vida de alguém que está morrendo e sem a qual não pode viver. Se conseguir curá-la ele se tornaria o médico oficial da corte. Aceito o desafio, Merivel se espanta ao descobrir que a tal Lulu não é uma mulher e sim a cadela de estimação do rei. Seus conhecimentos de medicina não eram tão amplos a ponto de recuperar um animal, mas a sorte estava do seu lado e repentinamente a paciente dada como morta começa a gemer e a latir. A partir desse dia sua vida muda completamente deixando sua vocação de lado e permitindo que a cegueira da ambição o atingisse. Vivendo de luxo, diversão e fazendo todas as vontades do rei, inclusive diverti-lo com palhaçadas, há quem diga que o médico se tornou um bobo da corte sem se dar conta, todavia, dos mais bem pagos. Seu amigo de faculdade, John Pearce (David Thewlis), tentou lhe abrir os olhos sobre a realidade da vida entre os nobres, mas Merivel preferiu virar as costas e ir morar no palácio. Mal sabia que a vida de regalias lhe custaria um preço alto.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

SONHANDO ALTO

NOTA 7,0

Através da história de um
homem que sonhava ir à Lua,
longa traz importantes lições.
realçando que sonhar é preciso
Qual criança nunca imaginou poder viajar para outro planeta ou até a Lua? O problema é quando o pequeno sonhador cresce e leva consigo tal desejo sem perceber que ele é praticamente impossível de ser realizado, mas para Charlie Farmer (Billy Bob Thornton) o impossível não existe. Ele é o protagonista de Sonhando Alto, drama leve e com mensagem edificante, não a toa se tornando famoso entre grupos religiosos. A grande mensagem deste trabalho escrito pelos irmãos Mark e Michael Polish, este último também diretor da fita, é de jamais desistir de um sonho, pois mais cedo ou mais tarde ele irá se realizar. A ideia de um pode acabar contagiando outras pessoas e a partir da mobilização de um grupo se tornar realidade como é o caso de Farmer que contou com o apoio incondicional da família boa parte do tempo. Logo no início temos a típica cena da apresentação escolar onde os pais devem falar sobre suas profissões e assim inspirarem as crianças a sonharem com o que desejam ser no futuro. Vestido de astronauta, Farmer acabou sendo alvo de chacota entre os alunos, mas a professora elogiou sua atitude e seu espírito esportivo, porém, ela não captou bem as intenções deste homem considerando sua apresentação lúdica. Ele realmente é obcecado pelo espaço e se dedica diariamente à construção de um foguete, mas lhe falta dinheiro e nem empréstimos no banco consegue mais já que sua própria fazenda está a perigo por conta de débitos atrasados. Seu crédito é péssimo, mas seu caráter é ótimo dizem os mais chegados a este pai de família que já teve a oportunidade de trabalhar na NASA, no entanto, precisou deixar o emprego para cuidar das terras do pai que faleceu a pouco tempo, o único patrimônio que ele dispõe realmente. Mesmo com problemas, este homem não perde a alegria e adora se divertir inventando histórias de viagens à Lua com os filhos, o adolescente Shepard (Max Thieriot) e as pequenas Stanley (Jasper Polish) e Sunshine (Logan Polish), e a esposa, Audrey (Virginia Madsen). Quando informado que sua fazenda será executada pela justiça, Farmer perde a cabeça e decide que é hora de lançar seu foguete rapidamente.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

JOGOS MORTAIS

NOTA 7,0

Marco do terror, longa aposta em
violência gráfica, estética suja e
vilão que não mata, apenas provoca
e assiste com prazer suicídios
Toda geração merece um grande filme de terror para marcá-la. Quem não tem um exemplar do gênero como uma recordação da juventude, seja pelas noites de insônia que ele lhe causou, a terapia forçada que exigiu, a zoeira com os amigos ou a desculpa para poder dar uma namoradinha? A turminha dos anos 2000 estava fadada a não ter essa lembrança em meio a tantas produções fracas, sequências desnecessárias e muitas refilmagens, mas eis que em 2004 um diretor estreante tomou de assalto o mundo todo com Jogos Mortais, um verdadeiro fenômeno do cinema em diversos sentidos, a começar por suas raízes.  Recém-formados no curso de cinema, o diretor James Wan que assina o roteiro em parceria com seu colega de faculdade Leigh Wahnnell, também ator, rodaram uma única cena do filme e com ela buscaram o apoio de um estúdio para financiar o projeto. Recepcionados com reticências na maioria das visitas, eles conseguiram alcançar seus objetivos, mas o longa inicialmente seria lançado diretamente em DVD, porém, exibições-teste comprovaram o potencial do material. De trabalho amador desacreditado o filme acabou ganhando a honra de encerrar o Festival de Toronto e faturou muito mais que seu baixo orçamento que foi consumido em inacreditáveis 18 dias de filmagens. Essa é a prova que dinheiro não é tudo no cinema. Criatividade ainda vem em primeiro lugar e abusando de uma trilha sonora pesada, estética suja, câmera tremida e violência gráfica Wan praticamente fez um projeto amador com pompa para se tornar inspiração para outros cineastas, o que de fato aconteceu, embora projetos com repercussão bem menor. A história é das mais claustrofóbicas possíveis, coisa que a muito não se via no cinema de horror. Dois estranhos, Dr. Lawrence Gordon (Cary Elwes) e o fotógrafo Adam (Wahnnell), despertam atordoados dentro de uma banheiro imundo e cheio de sangue por todos os lados, ambos acorrentados e sem a menor ideia de onde estão e do que aconteceu. Esta cena não é o ápice do longa, pelo contrário, é só a primeira sequência torturante entre tantas outras que virão a seguir. Cada personagem está de um lado do banheiro preso a canos das paredes, o que limita bastante seus movimentos, e entre eles existe o cadáver de um homem que aparentemente atirou contra sua própria cabeça e junto do corpo existe um gravador e em seu bolso uma fita cassete na qual existem instruções para um macabro jogo de tensão psicológica. Conforme as horas passam e suas verdadeiras personalidades e segredos são revelados, a dupla descobre a automutilação como forma de tentar saírem com vida de lá, porém, apenas um restaria para contar história. Esta é uma obra que parece ter sido concebida a partir de sua conclusão. Tendo o fim já delineado em suas mentes, Wahnnell e Wan foram construindo um quebra-cabeça engenhoso capaz de fazer o espectador ter vontade de rever imediatamente o filme a fim de juntar as peças mais cautelosamente após o primeiro impacto.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

VERONIKA DECIDE MORRER

NOTA 4,0

Embora respeite a obra literária
de Paulo Coelho, longa parece
arrastado demais e dificilmente
cria vínculos com o espectador
Infelizmente os brasileiros têm mania de se menosprezar. Fora o futebol, parece que em absolutamente tudo somos vistos como fracassados por outros países, porém, esses são comentários de pessoas que se dizem espertas, mas no fundo não passam de intelectuais frustrados que só fazem levar adiante pensamentos contrários as massas, uma forma ilusória de se sentir acima dos populares. Não é de hoje que alguns brasileiros tem se destacado internacionalmente. Pelé, Xuxa, Caetano Veloso, Fernando Montenegro e em uma fase mais recente Ronaldinho, Rodrigo Santoro, Ivete Sangalo e o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva são alguns dos exemplos de personalidades que construíram fama fora de nossos limites. Independente de suas realizações serem boas ou ruins, o fato é que eles ajudaram a desfazer a imagem que o Brasil é um país predominantemente habitado por índios (parece esquisito, mas até pouco tempo ainda alguns países tinham tal visão). Um nome que há décadas já está em evidência internacionalmente é o do escritor Paulo Coelho, conhecido pela predileção por temáticas místicas, de autoajuda e afins. Suas obras, algumas já vendidas para mais de 150 países, são questionadas por muitos que a consideram uma literatura sem valor, no entanto, elas parecem atrair a atenção de muitos produtores de cinema, ainda mais em tempos em que vivemos um boom do casamento entre filmes e livros. Contudo o autor não parece seduzido facilmente por cifras milionárias e faz jogo duro para vender os direitos para adaptações cinematográficas. Após uma mal sucedida experiência de adaptação de uma de suas obras para uma telenovela, Coelho finalmente cedeu, ou melhor, vendeu a um bom preço os direitos de Veronika Decide Morrer, lançado sem grandes alardes. Produção norte-americana, o longa não causou barulho em seu território, mas curiosamente nem mesmo no Brasil foram feitos esforços para seu sucesso, provavelmente uma previsão de que seu ritmo lento não agradaria e uma gama de curiosos poderia espalhar críticas negativas. Bem, realmente este é um filme para quem gosta de produções mais contemplativas ou no mínimo seja fã de Coelho ou tenha lido a obra que serviu de inspiração. O problema é que fica difícil se concentrar em um trabalho composto basicamente por cenas longas e muitos momentos silenciosos que deixam a amarga sensação de que nada acontece durante toda a projeção, ainda mais para aqueles que assistem com muita expectativa e aos poucos precisam lutar contra a decepção. A impressão é que o filme dura muito mais que o divulgado, algo que uns bons cortes na sala de edição resolveriam facilmente adicionando ritmo e melhorando consideravelmente o envolvimento do público com o longa.

domingo, 22 de setembro de 2013

AS ROSAS SÃO VERMELHAS, AS VIOLETAS SÃO AZUIS

Nota 7,0 Presidiários buscam a redenção na jardinagem, mas é duro vencer o preconceito

O sistema carcerário é um assunto bastante polêmico. Muitos acreditam que são remotas as chances de alguém sair regenerado de um lugar onde ódio, mágoas e violência acabam fazendo parte do dia-a-dia dos prisioneiros, mas não custa sonhar que coisas boas podem acontecer. As Rosas São Vermelhas, As Violetas São Azuis surpreende logo no início. Pelo título literalmente florido seria difícil acreditar que o longa dirigido e roteirizado por Joel Hershman é protagonizado por um presidiário, mas não é que essa plantação dá bons frutos? Na Inglaterra, Colin Briggs (Clive Owen) é um presidiário que está enclausurado desde muito jovem, mas após muitos anos ele pode curtir a liberdade condicional, porém, pelo seu bom comportamento ele é escolhido para participar de um programa experimental para cumprir o restante de sua pena. A prisão de Egdfield só possui o sistema de vigilância comum para evitar algum tipo de incidente, mas é desprovida de grandes artefatos de segurança, nem mesmo grades existem. Ao mesmo tempo em que os presos são submetidos a uma prova de resistência diante de todas as facilidades para uma fuga, eles também participam de algumas atividades que os ajudam a se reabilitar para serem integrados novamente à sociedade. Colin passa a dividir o quarto com o simpático idoso Fergus Wilks (David Kelly) e apesar do estranhamento inicial eles se tornam amigos. É graças a este senhor, que devido a idade avançada não tem mais esperanças de viver em liberdade, que o rapaz descobre um talento que jamais imaginou ter: o dom para a jardinagem. Aos poucos outros detentos se interessam pela atividade que passa a ser integrada no currículo da instituição e logo a prisão está repleta de campos floridos. Não demora muito para que o tal jardim se torne famoso, chame a atenção da imprensa e a notícia chegue aos ouvidos de Georgina Woodhouse (Helen Mirren), uma renomada paisagista que se interessa pela proposta inusitada da reabilitação de criminosos através do cultivo de plantas. Com o apoio desta mulher, acreditando estar em meio a homens que cometeram pequenos delitos, Colin e seus companheiros tem a chance de participar de uma importante exposição de jardinagem que acontece anualmente no palácio de Hampton Court.

sábado, 21 de setembro de 2013

RAPTO DE SANGUE

Nota 5,0 Apesar da boa premissa, longa é superficial no trato das emoções das personagens

É justo condenar um filme simplesmente por ele ser previsível e/ou simplório mesmo quando ele alcança seus objetivos? Pois é, Rapto de Sangue é uma produção que nos faz pensar um pouco sobre essa questão. É fato que muitos nunca ouviram falar dele, foi lançado no Brasil por uma distribuidora pequena, hoje raramente é encontrado em locadoras ou magazines e não tem a seu favor nomes conhecidos no elenco, todavia, é um trabalho correto do diretor Brian Trenchard-Smith que adotou estética e estilo narrativo típicos de telefilmes para contar uma história policial com toques dramáticos. A história criada pelo roteirista Richard Blade tem início 14 anos antes da época da ação principal. A jovem Kristen (Gabrielle Anwar) está recém-separada de Quinn (Craig Sheffer), mas eles ainda precisam manter uma convivência pacífica por conta do filho pequeno, mas sempre que se encontram discutem. Certo dia ele decide ir dar um passeio de barco com o filho e a ex-mulher permite, mas com ressalvas por conta de uma tempestade que está para passar pela região litorânea. Coração de mãe não se engana e no dia seguinte ela recebe a informação que a embarcação de Quinn emitiu um pedido de socorro para a administração do porto no início da noite e depois não fez mais contato. Os dias passam e junto se esvai as esperanças de Kristen rever seu filho. Muitos anos depois assistindo a um vídeo caseiro das férias no litoral de um casal de amigos ela reconhece Quinn e junto dele um adolescente que jura ser seu filho. Agora ela está disposta a viajar e tentar reatar os laços com Mark (Chace Crawford) que ganha alguns trocados levando turistas para passearem de barco ou mergulharem. Já que se trata de um pequeno trabalho com jeitinho de feito para a TV já sabemos de antemão que o final feliz está garantido. A atração da fita seria ver os percalços da protagonista para atingir seus objetivos e é aí que as coisas desandam. Embora percebemos boas intenções, tudo é apresentado de forma muito superficial, sem as emoções necessárias e que a premissa permitiria. Orçamento curto e falta de empenho de seus realizadores implicam direto nesse resultado fraco, o que também justifica sua curta duração. Contudo, ao que tudo indica, o projeto já nasceu com pretensões de ser apenas um passatempo rápido.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

UM NOME NA LISTA

NOTA 6,0

Suspense se torna cansativo ao
enveredar pelo caminho da
conspiração política, mas ainda
assim 
entretém com qualidade
O cinema desde os seus primórdios apresenta histórias fascinantes ao público, todavia algumas de suas melhores tramas podem não estar na tela e sim em seus bastidores, ironicamente as vezes bem mais interessantes que os filmes em si. A metalinguagem é um recurso que costuma agradar os espectadores. O cinema falando sobre cinema é instigante, mas no caso de Um Nome na Lista a receita não deu certo. Fracasso nos EUA, o longa infelizmente chegou na surdina ao Brasil e certamente em tantos outros países, ainda que supostamente trate de um caso real envolvendo o famoso Orson Welles, o diretor do clássico Cidadão Kane. Quem? Pois é, talvez a monossilábica pergunta seja a resposta para o fracasso do longa do cineasta Oliver Parker, de O Marido Ideal. Embora se exalte que vivemos na era dos conectados, o que fica cada vez mais claro é que em meio a tanta informação o público quase não absorve conteúdo algum e tem muita gente que se diz cinéfila que sequer ouviu falar em Welles que aqui é personificado com vigor por Danny Huston, não por acaso um ator que cresceu entre os sets de filmagens (ele é filho do saudoso cineasta John Huston, pai da também atriz Anjelica Huston). A trama roteirizada pelo próprio Parker, baseada no romance de Davide Ferrario, se passa em 1948, época ruim na vida de Welles que sofria com baixa popularidade, havia se separado recentemente da atriz Rita Hayworth, outra figura lendária de Hollywood, e para sobreviver estava aceitando qualquer convite ligado ao meio cinematográfico, inclusive atuar em um filme B rodado em Roma, na Itália. “Memórias de um Mágico” era uma produção um tanto obscura, com roteiro e direção duvidosos, o que irritava Lea Padovani (Paz Vega), a estrela feminina do elenco, atriz um tanto temperamental que se estranha com Welles logo no primeiro encontro. Este por sua vez não se sentia muito a vontade protagonizando um projeto que não confiava nem um pouco e ainda sentia a pressão da imprensa local que só queria saber das fofocas a respeito de seu mal fadado casamento. Contudo, ele não podia imaginar o que iria acontecer durante as filmagens. Alessandro Dellere (Frano Lasic), um dos atores, acabou falecendo misteriosamente enquanto atuava e sua última palavra ele sussurrou ao pé do ouvido de Welles, mas o rapaz acabou omitindo esse detalhe da polícia que acredita que a morte foi ocasionada por overdose de drogas.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

UM DIA MUITO ESPECIAL (2005)

NOTA 6,0

Produção de país pouco conhecido
surpreende com seu visual, mas
seu estilo narrativo e o próprio
enredo são irregulares
Com o sucesso de mostras de cinema, a imprensa dando destaque a premiações menores ou praticamente desconhecidas e distribuidoras especializadas em garimpar títulos raros mundo a fora, tem se tornado cada vez mais acessíveis obras de países distantes e de cultura pouco difundida como Croácia, Finlândia, Nova Zelândia entre tantos outros. Nessa onda de cinema globalizado, que tal curtir uma produção do Tadjiquistão? De onde? Pois é, este país provavelmente a maioria sequer sabe que existe, que dirá que lá também são feitos filmes? Localizado na Ásia Central e fazendo fronteira com o Afeganistão, o país até compartilha diversas características com o seu vizinho cuja imagem nos acostumamos afiliar ao sentido da palavra devastação, mas o que vemos em Um Dia Muito Especial é uma paisagem bem diferente, uma região com belas paisagens outonais, talvez o verdadeiro trunfo do projeto que é um tanto irregular. Falado no idioma local, o tadjique, este filme na realidade também é uma co-produção com a França e o Irã, um drama romântico leve, porém, por vezes estranho e que coloca em discussão a paixão e a possessão em uma sociedade onde homens e mulheres não dividem as mesmas regras. Contudo, esqueça a imagem da mulher asiática submissa para conhecer perfis femininos bem mais próximos do comportamento das ocidentais. A trama começa nos apresentando o protagonista Jân (Daler Nazarov) que no dia de seu aniversário de quarenta anos resolve fazer, em suas palavras, uma revolução contra si mesmo. Ele quer revelar um grande segredo que mudará sua vida para sempre e então marca um encontro com quatro mulheres em sua escola de dança. Mariam (Mariam Gaibova), Farzaneh (Farzona Beknazarova), Tahmineh (Tahmineh Ebrahimova) e Malahat (Malohat Abdulloev) comparecem no horário marcado, mas nunca se viram e nem esperavam se encontrar. Certamente estavam esperando um encontro romântico com o namorado. Sim, todas elas estavam se relacionando com Jân, este que finalmente decidiu abrir o jogo e tentar explicar seus sentimentos. Ele ama a todas elas, cada uma de uma forma, mas só agora ele se deu conta que seu tempo é limitado para se dedicar o suficiente e corresponder a esses amores, embora seus encontros sempre fossem cronometrados com um antigo relógio.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

LUZES, CÂMERA, AÇÃO!

NOTA 5,0

Ironizando a obsessão pela fama
e brincando com o gênero policial,
longa tem boa premissa, mas é apenas
pontuado por momentos divertidos
A metalinguagem é um grande aliado da sétima arte e existem vários exemplos de obras que se utilizam desse recurso para homenagear, criticar ou ironizar o cinema, mas é uma pena que algumas boas ideias não vinguem totalmente como é o caso da comédia Luzes, Câmera, Ação! que brinca com o gênero suspense. Os créditos iniciais dispostos sobre imagens que fazem alusão ao mundo cinematográfico e o policial, como letreiros, sacos de pipoca e manchetes de jornais, são tão bem bolados que instigam a curiosidade do espectador, mas no final das contas o que temos é um filme pontuado por momentos de humor, porém, que não chegam a arrancar gargalhadas. A trama começa apresentando Joe Diamond (Alec Baldwin – cujo personagem revela ter vários sobrenomes, tudo para evitar que sua verdadeira identidade seja revelada) que está devendo dinheiro para criminosos e implorando um tempo extra para pagar. Na realidade ele preparou uma emboscada em um cinema para a polícia pegá-los em flagrante e serem condenados, estando disposto inclusive a perder um dedo para não correr riscos de que alegassem que não existem provas contra eles. Planos mirabolantes como esse fazem parte da rotina deste agente do FBI que após seu último caso resolvido com sucesso é selecionado para investigar um esquema de propina envolvendo um sindicato que negocia motoristas e caminhões para equipes de cinema. Para chegar ao chefão desse tipo de crime, Tommy Sanz (Tony Shalhoub), Diamond decide se passar por produtor de cinema e planeja fazer um filme que na verdade jamais seria realizado, apenas um plano para dar mais veracidade e não levantar suspeitas. Para tanto ele precisa contratar equipe técnica, atores, diretor e principalmente ter um roteiro em mãos. Steven Schats (Matthew Broderick) é um roteirista fracassado que está tentando desesperadamente vender o script de “Arizona”, história baseada em fatos reais sobre uma mulher que sofre de câncer de mama e segue em uma jornada espiritual em busca de uma lendária caverna habitada por espíritos indígenas que supostamente poderiam curá-la. Profundo não? Sem sucesso na profissão, o escritor se dedica a cuidar de um canil nos fundos de sua casa e é assim que ele conhece Diamond que o procura para conseguir um cachorrinho que substitua a sua cadelinha que cometeu suicídio na banheira de hidromassagem por não receber quase atenção do policial.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

SANTOS E PECADORES

NOTA 7,0

Apesar de soar confuso em alguns
momentos pelo excesso de nomes
mencionados, longa tem trama bem
amarrada e adrenalina em altas doses
Como sempre dito neste blog, os filmes de ação já tiveram sua fase áurea, tempos em que Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone, Jean-Claude Van Damme e companhia bela eram sinônimos de lucros. Como tudo que é demais enjoa era batata que o gênero uma hora entraria em declínio. Os brucutus então tiveram que se contentar em esquecer as altas bilheterias do cinema e migrar para o campo do vídeo doméstico, área que os aceitou de braços abertos e criando um novo público cativo. E se engana quem pensa que apenas pessoas mais simplórias são adeptas das correrias, tiroteios e sopapos para todos os lados. Uma boa parcela do público de filmes de ação é composta por pessoas de nível intelectual elevado. Dedicados as suas profissões e estudos, essas pessoas na hora do lazer procuram opções mais amenas, portanto, nada de colocar o cérebro para funcionar. O negócio é relaxar, mas não a ponto de se contentar com filmes que se equilibram sob um fiapo de história. Talvez por isso algumas produções calcadas na adrenalina procurem transformar um argumento simples em algo mais elaborado como é o caso de Santos e Pecadores. Embora previsível, o longa dirigido e escrito por William Kaufman ganha pontos por pegar pesado na violência gráfica, algo raro em tempos de produções que seguem a cartilha do politicamente correto, ou quase isso. Os ferimentos expostos e os golpes comumente são substituídos por diálogos tensos ou grotescos e pelo consumo de drogas, talvez agressões que provoquem muito mais impacto no espectador que uma luta corporal. Kaufman filma de modo mais tradicional e investe nos clichês, mas graças a um pequeno detalhe salva seu trabalho do ostracismo: corpos em chamas (ficção imitando a realidade ou o contrário?). A trama começa apresentando uma das batidas policiais comandadas pelo corajoso Sean Riley (Johnny Strong) em uma área dominada por criminosos fortemente armados em Nova Orleans. A operação resulta na morte de um companheiro de trabalho deste tira durão que não pensa duas vezes antes de atirar nos bandidos. Como em qualquer boa produção Hollywoodiana do tipo, é óbvio que não sobra um vilão para contar história, todavia, Riley também não termina como herói, pelo contrário.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

CONFIAR

NOTA 7,0

A pedofilia através da internet
é tratada neste drama através de
um único caso, mas o suficiente
para levar jovens e adultos ao debate
Com dois anos de idade já tem crianças atualmente brincando com a tecnologia. Os quebra-cabeças e os jogos de memórias materiais foram substituídos pelos virtuais. Escolas já ampliam o uso do computador nas mais diversas disciplinas e muitos alunos estudam e fazem trabalhos em grupo sem sair de casa, apenas trocando ideias através de chats na internet. Da dúvida sobre matemática para um bate-papo erótico bastam alguns poucos cliques. Qual pai realmente pode afirmar o que seu filho está fazendo nas horas que passa debruçado sobre o computador ou qualquer outra bugiganga que tenha conexão com a rede mundial de computadores? E não venha dizer que os programas que oferecem bloqueios funcionam as mil maravilhas. Com a sexualidade despertada cada vez mais cedo a molecada não mede esforços para fuçar no que for preciso e dar um jeito de encontrar o mundo proibido que a internet oferece. Você pode dizer meu filho só entra em chats sobre futebol ou a filha só que saber de conversar sobre moda, não há riscos. Será mesmo? Uma rápida busca por alguma palavra-chave ligada ao sexo e você verá que a maioria dos frequentadores de bate-papo só pensa naquilo. Muitos utilizam a internet como uma forma de extravasar frustrações e atingir o prazer virtualmente, mas outros se utilizam desta ferramenta com reais e más intenções. Além dos roubos e sequestros, é preocupante o número de abusos sexuais que só aumentam a cada ano e em todo o mundo por conta de encontros marcados com desconhecidos.  É esse o ponto de partida de Confiar, drama com toques de suspense dirigido por David Schwimmer, ator famoso pelo seriado “Friends”. Após estrear na direção pisando em terreno seguro na comédia Maratona do Amor, o ator surpreendeu com a temática de seu segundo trabalho atrás das câmeras realizando uma espécie de filme-denúncia. Há anos ele apóia uma organização que ajuda vítimas de assédio sexual, principalmente garotas em idade escolar. Dessa forma não é de se estranhar que seu filme procura abordar os mais variados lados do tema, desde a abordagem dos criminosos, o envolvimento da vítima antes e depois do encontro, passando pela reação da família ao assédio e culminando no caso chegando ao conhecimento das autoridades especializadas. Tudo isso é apresentado em cima de um único caso, mas o bastante para envolver o espectador e fazer com que ele sinta as emoções de cada uma das personagens, visto que a grande qualidade desta obra está justamente em seu elenco competente e que encontra espaço para desenvolver seus perfis de maneira totalmente convincente, principalmente depois que o crime é consumado e a relação dos pais com a filha adolescente que já não eram boas ficam ainda mais estremecidas. Exibido nos EUA em circuito restrito por conta da classificação da censura, o longa já chegou a outros países como um produto qualquer, mas não merece tal desprezo, ainda mais pela coragem de trazer uma protagonista de apenas 14 anos para tratar de uma temática em que teoricamente ela também poderia ser uma vítima na vida real, o que explica a ausência de cenas fortes de sexo.

domingo, 15 de setembro de 2013

O SEGREDO DO IMPERADOR

Nota 4,0 Animação finlandesa tem visual chamativo, mas narrativa é insossa e falta humor

É tão raro termos acesso a animações produzidas fora do território norte-americano que é quase irresistível para os cinéfilos conferirem quando alguma é lançada nos cinemas ou diretamente em DVD, mas é uma pena que na maioria das vezes tais produtos não correspondem nossas expectativas como é o caso de O Segredo do Imperador, desenho animado oriundo da Finlândia. Só pelo fato de ser uma produção de um país cuja filmografia é pouco difundida já seria motivo suficiente para dar aquela vontade de conferir este trabalho com direção de Riina Hyytiä, mas o colorido vibrante e os traços atípicos para a era das animações digitais também instigam a curiosidade, todavia, o roteiro de Aleksi Bardy não empolga em momento algum. A trama se passa em um pequeno vilarejo localizado na fronteira de um império cujo antigo imperador renunciou e cedeu lugar para Kostiainen, um tirano que ordena que todos os povoados adjacentes lhe enviem um presente de boas-vindas, mas obviamente ele deve escolher o que deseja ganhar. Paavo é naturalmente o líder popular da tal vila por ser o mais forte entre todos e por conta de sua posição exige que seus familiares e amigos sirvam de bons exemplos, mas o ferreiro Sauli ousa certo dia desacatá-lo e é banido do local. Paralelo a tristeza de perder a companhia de um amigo, Paavo terá que defender a roda-gigante do parque que o novo imperador exigiu como presente, mas o brinquedo além de divertir as crianças também é a base do sustento de todos na vila. Um dos habitantes, o senhor Erkki, protesta contra a exigência e acaba sendo condenado a passar dez anos na prisão, mas o líder do povo não vai deixar barato e pela primeira vez resolve desobedecer ordens superioras. Paavo decide ir pessoalmente falar com o imperador para salvar o amigo, porém, sem querer acaba colocando todos os demais habitantes em maus lençóis já que correm o risco de serem deportados para um local isolado de tudo caso o grandalhão de bom coração não se entregue por livre e espontânea vontade e desista de contrariar as ordens do soberano.

sábado, 14 de setembro de 2013

A MORTE E A VIDA DE BOBBY Z

Nota 3,5 Caça a famoso traficante é repleta de clichês, além de situações e diálogos sofríveis

Filmes que abordam o submundo do crime já têm suas características conhecidas. Golpistas atacando golpistas, drogas, bebidas, palavrões e gírias a vontade, mulheres liberais, além dos tradicionais corre e corre e tiroteios, tudo servido geralmente sob uma atmosfera pesada e escura realçando o aspecto de mundo negro em que vivem os criminosos e aqueles que os sustentam através da compra de contrabandos e drogas. Todavia, a alta sociedade também tem seus podres como mostra A Morte e a Vida de Bobby Z, mas neste caso esqueça os ambientes sujos, escuros, as bebidas baratas, os palavrões pesadões e as prostitutas de esquina. Só mesmo uma ambientação diferenciada para não tornar este título totalmente esquecido. As ensolaradas praias da Califórnia ficaram conhecidas como o território do lendário traficante Robert Zacharias, mais conhecido como Bobby z (Jason Lewis), que fez fortuna enquanto surfava e tomava banhos de sol, além de se divertir com as mulheres que desejava, mas misteriosamente ele sumiu. Alguns acreditam que ele agora atua em um novo território e muitos outros juram que ele está morto, assassinado ou por overdose. Tim Kearney (Paul Walker) é um criminoso que foi preso por pequenos deslizes, mas acabou cometendo seu grande crime na própria cadeia ao matar um valentão que o perturbava. Jurado de morte pelos demais presos, o rapaz estaria em risco em qualquer outra prisão, o que veio a calhar com os planos do detetive Tad Gruzsa (Laurence Fishburne) que aposta na semelhança física de Kearney com Bobby para que ele o ajude a liberar seu parceiro de trabalho que está em poder de Don Huertero (Joaquim de Almeida), o maior traficante do norte do México. Esse magnata do tráfico deseja uma sociedade com Bobby para levar seu comércio ilegal para Los Angeles e só vai entregar o policial quando se encontrar pessoalmente com o jovem traficante. O plano seria ótimo, pois Kearney se livraria da cadeia pelo favor prestado, mas ao aceitar não imaginava no que estava se metendo. Em um primeiro momento, passar-se por outra pessoa parecia fácil. Ele corta os cabelos, decora detalhes da vida do suposto morto, ganha roupas bacanas e é recebido no vinhedo de Brian Cervier (Jason Flemyng), um homem com ligações estreitas com Huertero. Comendo do bom e do melhor, tendo vinho a vontade e curtindo um dia de sol a beira da piscina na companhia de belas mulheres deslumbradas pelo dinheiro, não demora muito para o falso Bobby entrar em apuros.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

SEXTA-FEIRA 13 (2009)

NOTA 4,5

Tentativa de resgatar um dos
ícones do cinema dos anos 80
soa frustrante, não agradando fãs
antigos e tampouco novas plateias
Falar que é apaixonado por cinema, mas simplesmente dedicar atenção apenas aos filmes lançamentos é um dos maiores pecados daqueles que desejam a alcunha de cinéfilo de carteirinha. Para fazer uma análise mais profunda de qualquer filme, mesmo os mais recentes, é preciso se informar sobre seus bastidores, tentar descobrir o que levou produtores a investir em determinado produto. São inúmeros fatores que influenciam nessa decisão e quanto as refilmagens, embora sempre previamente massacradas pela crítica, não se pode negar que elas têm histórias curiosas por trás das câmeras para serem contadas. Nesses casos talvez a melhor maneira para apreciá-las seja esquecer a contemporaneidade e imaginar o que aquele filme significou em sua época de lançamento original. Só assim (e com muito esforço) para encontrar alguma graça em Sexta-Feira 13 lançado em 2009, produção que para alguns é uma refilmagem, para outros mais um capítulo da série de terror oitentista ou ainda para as novas gerações um filme de horror carregado de novidades. Sim, para alguns o formato é um tanto desgastado, mas há quem tenha visto algo novo neste trabalho do diretor Marcus Nispel, o mesmo que relançou O Massacre da Serra Elétrica em 2003 em grande estilo. Pena que nesta reinvenção de outro clássico do terror o cineasta erre em diversos pontos resumindo-se a um festival de clichês. Para entender o porquê de tentarem resgatar a franquia vamos a um breve histórico da obra. O filme original foi lançado em 1980, está longe de ser uma obra-prima do gênero, mas serviu para saciar a sede de sangue e masoquismo dos fãs de Halloween, do cultuado John Carpenter, lançado dois anos antes. Começava assim a moda dos slasher movies ou dos filmes sobre seriais killers, assassinos psicopatas que por onde passavam deixavam dezenas de vítimas. O sucesso foi enorme e com a invenção dos videocassetes e das videolocadoras o gênero estourou, pois o que era proibido para menores de idade nos cinemas ou só passava na TV tarde da noite então estava disponível para qualquer um e a qualquer hora. Bastava fazer amizade ou ter lábia para falar com o atendente da loja que os adolescentes faziam a festa e assim o personagem Jason Vorhees, que morreu afogado ainda criança, mas retornou do além já bem crescido e fortão para matar quem estivesse na sua frente, tornou-se popular e protagonizou outros nove longas-metragens, fora seu retorno pelas mãos de Nispel. Olhando toda sua saga cinematográfica, é possível perceber que o famoso assassino do acampamento de Crystal Lake não surgiu por acaso. Provavelmente já se pensava em continuações, talvez uma trilogia. No primeiro filme era a mãe de Jason quem tinha o instinto assassino, sendo que apenas no segundo ele toma o posto de vilão propriamente dito usando um saco para esconder seu rosto deformado. A icônica e amedrontadora máscara de hóquei só foi incorporada ao personagem no terceiro capítulo.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

HOPE SPRINGS - UM LUGAR PARA SONHAR

NOTA 2,5

Premissa renderia ao menos
uma comédia romântica clichê,
mas a a falta de química dos atores
e certas situações decepcionam
Comédia romântica é igual a restaurante de comida por quilo. Todo mundo sabe que o cardápio é composto por elementos básicos e repetitivos, mas ainda assim tem sempre alguém a fim de repetir o prato. O problema é quando o menu servido é um tanto requentado e, pior, com ingredientes que não combinam. Essa é a sensação que temos ao assistir Hope Springs – Um Lugar Para Sonhar, produção “solar” que visualmente pode trazer algo de bom ao espectador, mas se prestar atenção no conteúdo narrativo a decepção é quase certa. A trama gira em torno de Colin Ware (Colin Firth), um artista plástico que ficou muito decepcionado quando recebeu o convite de casamento de sua noiva, a sofisticada Vera (Minnie Driver). Sim, isso mesmo. A mulher com quem ele se relacionava já a algum tempo estava prestes a se casar com outro. Para esquecer tal problema e se inspirar para continuar se dedicando a arte, ele decide sair da Inglaterra e partir rumo aos EUA, mais precisamente para a pequena cidade de Hope Springs, ou em bom português Fonte da Esperança, bem sugestivo não? Foi justamente a palavra positiva no nome da cidade que o atraiu e após muitas horas de viagem ele se hospeda no melhor hotel do local que é mantido pelo casal Fisher (Frank Collison) e Joanie (Mary Steenburger), esta que percebendo o estado arrasado do hóspede decide pedir o auxílio de Mandy (Heather Graham), terapeuta corporal que trabalha no lar de velhinhos da cidade. Mais que aliviar as tensões do rapaz na base de massagens, a espirituosa jovem também tem ótimos conselhos a dar e o convence que não adianta nada ficar preso em um quarto de hotel. É preciso passear, ver paisagens bonitas, conhecer gente nova e respirar ar puro. Até aí tudo bem, nada de anormal, mas não tarda para que comecem os tropeços da trama. Mandy apenas parecia uma moça ajuizada, mas na verdade é beberrona, impulsiva e logo está dando em cima do artista. É constrangedor ver a personagem se despindo sem pudor algum diante de um desconhecido e dizendo que sua felicidade só é plena quando está nua, assim incentivando Ware a fazer o mesmo, obviamente uma tentativa de levá-lo para cama. Já dá para imaginar que o filme não é lá grande coisa, mas aos que quiserem se aventurar...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

LEÕES E CORDEIROS

NOTA 7,5

Longa atípico promove a reflexão
através de três tramas paralelas a
respeito da guerra ao terror, mas
excesso de diálogos incomoda
Redford. Streep. Cruise. Usando os sobrenomes de seus principais nomes do elenco para a publicidade, Leões e Cordeiros prometia ser um daqueles filmes que marcam época e conquistam todos os prêmios, contudo, revelou-se uma grande frustração para o público que, desculpe o trocadilho, sentiu-se comprando gato por lebre. É compreensível seu fracasso de repercussão entre os populares, assim como também é justificável a considerável quantidade de elogios que a obra colheu da crítica especializada. A primeira coisa que é preciso saber é que este é um filme diferente, um estilo narrativo e uma proposta incomuns no cinema americano. Será mesmo? Há muitas pequenas produções ianques que não tem medo de mexer em feridas, mas ainda é preciso que nomes fortes ou o apoio da mídia ajudem tais mensagens a chegarem ao grande público. Robert Redford, um dos responsáveis por atrair os holofotes para o cinema independente, quis neste caso chamar a atenção das pessoas para o rumo que os EUA estava tomando. O ator parecia estar disposto a causar barulho e espantar os fantasmas da fria recepção que teve seu último trabalho como diretor, Lendas da Vida, filmado sete anos antes, e adotou como temática a discussão política sobre a participação de seu país na guerra contra o terror priorizando a reflexão. Todavia, justiça seja feita, o pontapé inicial do projeto foi dado pelo roteirista Matthew Michael Carnahan, de O Reino, que teve inspiração para escrever quando certo dia assistindo aos noticiários da TV se indagou de que forma as pessoas estavam percebendo os acontecimentos da guerra no Iraque sendo que as notícias volta e meia estavam sento entrecortadas por fatos esportivos entre outros. Provavelmente apenas um pequeno número de telespectadores conseguiria refletir com precisão sobre o assunto e era muito importante que tal temática se popularizasse. Inicialmente pensado como um roteiro para o teatro, o que justifica o excesso de diálogos e pouquíssimas mudanças de cenários, o texto chegou às mãos de Tom Cruise, então iniciando sua carreira como manda-chuva em uma produtora de cinema. Bem relacionado, conseguiu facilmente que Redford se interessasse em dirigir e atuar e este agregou Meryl Streep ao projeto, sua amiga de longa data. Longe de ser um entretenimento qualquer, esta é uma obra verborrágica e que exige atenção redobrada do espectador, inclusive mais de uma sessão para aqueles que tiverem a inteligência de perceberem que a falta de ação é substituída pela abundância de conteúdo e interpretações fortes e marcantes. Foi uma tentativa arriscada de Cruise que assumiu um estúdio de cinema estreando com um projeto claramente de baixo potencial para bilheterias, embora seu título possa indicar algo interessante. Força versus submissão? Na realidade a junção dessas palavras é uma alusão a impressão que alemães tinham de suas posições em relação aos soldados britânicos na Primeira Guerra Mundial, o que já indica que essa obra faz mais jus a atenção de aficionados por História que certamente sabem identificar as raízes dos problemas contemporâneos no passado.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O CORTE

NOTA 9,0

Drama sobre desempregado a
beira do desespero envolve o
espectador com toques de humor
e temática universal e atemporal
Uma das reclamações mais frequentes dos brasileiros é quanto ao desemprego, um problema que já dura várias décadas, e isso fez com que boa parte da população depositasse suas esperanças no tal sonho americano, a doce ilusão de que a vida nos EUA seria mais fácil e com emprego garantido. Boa parte dos sonhadores se decepcionou quando comprovou que o mercado de trabalho americano é tão acirrado quanto o brasileiro e então voltaram seus olhares para outros países, principalmente os europeus, mas a situação não difere muito como mostra o longa francês O Corte, drama com pitadas de humor negro dirigida pelo grego Costa-Gavras. O cultuado cineasta não tem medo de criar polêmicas e cutucar problemas de alcance universal, assim suas obras conseguem dialogar perfeitamente com os mais diferentes públicos, independente do país que escolha para ser o cenário de suas tramas. Entre tantos filmes que assinou, ela já tratou de política em Desaparecido, criticou o trabalho da imprensa manipuladora em O Quarto Poder, falou sobre a omissão da Igreja quanto ao Holocausto em Amém e no trabalho em questão escolheu falar sobre o mundo capitalista através da ótica de um desempregado. Bruno Davert (José Garcia) é um competente engenheiro da indústria de papéis que trabalhou em uma mesma empresa durante 15 anos, mas nem toda sua experiência e dedicação foram suficientes para livrá-lo da lista de cortes quando a fábrica precisou passar por uma reestruturação para manter-se em atividade. Com um currículo invejável ele leva numa boa a demissão, pois acredita que não terá problemas para conseguir um novo emprego, no entanto as coisas são muito difíceis e quando se dá conta já está a mais de dois anos em casa esperando algum telefonema, email ou correspondência a respeito de alguma entrevista de trabalho. Além da vergonha de não ter uma ocupação e se tornar extremamente anti-social, pesa o fato dele e dos filhos Maxime (Geordy Monfils) e Betty (Christa Theret) estarem sendo sustentados por sua esposa Marlène (Karin Viard) que se divide entre dois empregos. A situação chega a um nível desesperador quando ele assiste a um DVD promocional de uma empresa de papel concorrente a qual trabalhava e sente uma raiva incontrolável de Raymond Machefer (Olivier Gourmet), engenheiro porta-voz da companhia que faz exatamente o serviço que Davert era especialista, ou seja, em sua mente perturbada pelo ócio do desemprego esse homem estaria ocupando uma vaga que julgava ser por direito sua.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

CÃO DE BRIGA

NOTA 4,5

Apesar do título e da presença
de ator conhecido por sua aptidão
para lutas, longa procura gancho
dramático para se sustentar
Um garoto órfão foi criado para ser uma verdadeira máquina de matar e seu instinto cruel é despertado toda que vez é libertado de sua coleira. A premissa poderia cair como uma luva para um longa de pancadaria trash ou uma comédia pastelão, mas não é que Cão de Briga até que é uma diversão razoável e com toques bem-vindos de drama? Pois é preciso dar o braço a torcer. O gênero de ação, embora tenha uma legião gigantesca de fãs, raramente escapa de críticas e rotulagens. Temas repetitivos e violência gratuita colaboram para essa má impressão de antemão. Os longas de lutas orientais fazem sucesso quando tem o respaldo de contexto históricos, como os famosos épicos de tempos imperiais, mas quando os chutes e sopapos coreografados como se fosse um balé são oferecidos em uma trama contemporânea a tendência também é o público rejeitar. Com a já citada premissa somada ao nome de Jet Li como protagonista era quase certo que este trabalho do diretor Louis Leterrier, de Carga Explosiva 2, seria um fracasso total, mas até que ele passou suavemente pela crítica e até recebeu o aval de boa parte do público. Obviamente não é uma obra-prima, mas tem a honra de ser um dos melhores filmes do ator natural de Hong Kong que então buscava seu lugar ao sol em Hollywood. Após muitas atuações fracas em produções obscuras americanas, neste caso Li, já consagrado em seu país, conseguiu o projeto perfeito para comprovar que pode atuar (disfarça bem) e ainda mostrar o que sabe fazer melhor: lutar. Ele dá vida a Danny, um rapaz que desde a infância foi privado de qualquer tipo de educação tradicional para ser treinado como um cão de guarda que no futuro deveria fazer a segurança do criminoso Bart (Bob Hoskins), que vive repetindo que ele lhe deve gratidão por ter sido salvo de morrer nas ruas após ser abandonado pela mãe. Sentindo-se acuado e sem saber como se comportar em sociedade, Danny conformou-se em viver acatando as ordens de Bart, este metido até o topo da careca com negócios ilícitos, e conseguia acabar com um bando de homens somente na base de golpes e chutes, sem a necessidade de armas de qualquer tipo.  A coleira era o símbolo da submissão. Quando a usando ele era um ser humano aparentemente normal, mas quando livre dela era como se junto fosse libertada uma raiva incontrolável. Além da segurança, Bart também explora seu “protegido” para ganhar dinheiro em lutas clandestinas colocando-o para brigar com valentões com fama de invencíveis. Certa vez, ao recusar um duelo, ele compra uma briga feia com aquele que diz que sempre o protegeu.

domingo, 8 de setembro de 2013

LUTA E GLÓRIA

Nota 3,0 Drama sobre boxeador que vence na carreira não traz novidade alguma à temática

Além do tênis, golfe e do beisebol, o cinema americano parece ter verdadeiro fetiche pelo boxe, tanto que produções cujo pano de fundo são os ringues de luta existem em quantidade consideráveis e os críticos parecem gostar da temática e não poupam elogios. Bem, nem sempre. A cada um Menina de Ouro ou O Vencedor que surge, temos pelo menos uns dez títulos menores como Luta e Glória lançado diretamente nas locadoras ou na TV. O filme dirigido por Eddie O’Flaherty não é de todo ruim, tem algumas boas passagens, mas no fundo é vazio, dispensável. A trama é roteirizada pelo ator J. P. Davis que também a protagoniza vivendo o rebelde Tommy Riley. Ele foi descoberto por acaso pelo caçador de talentos Marty Goldberg (Eddie Jonnes), um veterano treinador que está desmotivado e com saudades da época áurea do boxe. O rapaz tem habilidade para o esporte, mas treina sozinho e apenas como distração. Na realidade ele é técnico de informática desde que foi eliminado das Olimpíadas de 1999. Diana (Diane M. Tayler), sósia de Goldberg, mostra a ele um vídeo de Riley e imediatamente ele decide investir na carreira do jovem. O problema é que o rapaz também parece desmotivado. Treinado pelo padrasto que não tinha paciência, ele foi colocado para fora de casa quando perdeu uma importante luta e desde então desanimou do esporte, mas o veterano treinador consegue enxergar dentro dele potencial para ser um lutador renomado e não quer deixar que essa chama se apague. A partir daí a narrativa segue um caminho comum. Rilley inicialmente rejeita a proposta de voltar aos ringues, Goldberg insiste, o início da relação pupilo e aprendiz é difícil, mas como manda a cartilha dos filmes sobre esportes é preciso que o protagonista seja vitorioso como incentivo a espectadores que não precisam necessariamente serem esportistas, mas devem enxergar na fita um exemplo de superação e estímulo para buscarem seus objetivos seja na vida profissional ou afetiva.

sábado, 7 de setembro de 2013

MATADORES DE ALUGUEL

Nota 3,5 Enfadonho e desperdiçando talentos, mescla de drama e suspense é um bom sonífero

Quais critérios você utiliza para avaliar se um filme é ruim, regular ou excelente? Teoricamente, um filme minimamente bom deveria deixar alguma lembrança positiva em sua memória ao seu término, podendo a mesma perdurar ativamente por tempo indeterminado. Porém, o que não faltam são filmes que prometem muito, mas no final das contas nos deixam com uma sensação estranha, de desagrado, ainda que um ou outro ponto relevante positivamente possa ser identificado. No caso de Matadores de Aluguel o destaque estaria na premissa, mas é uma pena que o enredo aos poucos vai ficando desinteressante, perde o foco e quando percebemos estamos contando ansiosamente os minutos para que o filme termine logo. O roteiro de William Lipz começa de uma forma clichê. Vemos um pouco da difícil infância de um garoto negro que mais a frente saberemos que sofreu um grande trauma, um problema que certamente o influenciou a entrar para a vida criminosa. Ele é Mickey (Cuba Gooding Jr.), ou simplesmente Mike, um matador de aluguel que conta com a parceria de Rose (Helen Mirren), uma mulher mais velha e que está enfrentando um período difícil por conta de um câncer. Certo dia a dupla recebe uma nova tarefa: matar Vicky (Vanessa Ferlito), esposa do inescrupuloso Clayton (Stephen Dorff) que acredita ter sido traído. Na emboscada, Rose não pensa duas vezes antes de atirar friamente na moça, mas se arrepende ao perceber que ela estava grávida. Com o coração amolecido por conta de seu estado de saúde, ela acaba fazendo o parto e abrigando o bebê e a mãe em sua casa, aliás, residência comprada exclusivamente para se tornar realmente um lar feliz e saudável para uma criança crescer. O tempo passa, Mike e Vicky acabam se apaixonando, mas fatalmente chegará a hora em que Clayton descobrirá que o serviço que contratou não foi bem feito e vai querer cobrar. A trama é tipicamente de produções menores e super previsível, mas o trabalho do diretor Lee Daniels, estreando no cargo, acaba ganhando certo status por trazer dois nomes de atores consagrados encabeçando o elenco (Dorff poderia ser o terceiro, mas acabou sendo apenas um projeto de sucesso esquecido). Todavia, Gooding e Mirren ganharam papéis sem brilho, assim como a história no conjunto deixa muito a desejar. Talvez seja por isso que foi tão difícil fechar o elenco após muitas especulações de possíveis nomes como Anjelica Houston e Ryan Phillipe para os papéis principais.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

VÍRUS (2009)

NOTA 7,0

Apostando em temática
apocalíptica, longa surpreende
por dispensar sustos fáceis e
apostar em situações reflexivas
Ameaças a saúde humana que podem provocar o extermínio da população, seja em um pequeno vilarejo ou um problema de grandes proporções que pode acometer várias partes do mundo, sempre foi um terreno fértil para o cinema explorar, algumas produções inclusive extrapolando os limites do bom senso e abusando da escatologia transformando seres humanos em verdadeiros monstros. O resultado é que esse subgênero que serviria bem a dramas, suspenses e longas de terror acabou rotulado como produções trashs e afastando o público automaticamente. Todavia, vez ou outra surge uma boa obra do tipo que por trás do verniz superficial esconde uma boa proposta: colocar em discussão como a raça humana, ou melhor, como os poucos sobreviventes de um surto de doença misteriosa faria para sobreviver em um ambiente devastado e onde ninguém estaria totalmente a salvo de ser a próxima vítima fatal. Para ficar nos exemplos mais recentes, entre Ensaio Sobre a Cegueira e Contágio, dois títulos que abordaram de forma eficiente a degradação do ser humano diante da tragédia (entenda-se a deterioração no caso como egoísmo e a loucura), foi lançado de forma muito discreta Vírus, um interessante trabalho escrito e dirigido pelos irmãos espanhóis Alex e David Pastor que chegou aos cinemas bem na época em que o mundo estava vivendo o pânico do H1N1, a super gripe que assolou o mundo entre 2009 e 2010 (se bem que a sigla ainda causa tensão até hoje). A trama fala sobre um vírus mortal que se espalhou por todo o planeta fazendo com que ninguém mais seja confiável. Qualquer um poderia estar contaminado e passar adiante a doença sem necessariamente apresentar algum tipo de sintoma nas primeiras horas. Bobby (Piper Perabo) e Kate (Emily VanCamp) são algumas das sobreviventes que percorrem as estradas rumo a uma praia isolada, um dos poucos lugares ainda a salvo da epidemia e que remete a infância dos irmãos Danny (Lou Taylor Pucci) e Brian (Chris Pine) que também as acompanham na viagem. Eles acreditam que lá estarão seguros, mesmo que por tempo indeterminado, só que no meio do caminho o carro quebra, o que faz com que fiquem à beira de uma estrada abandonada. Logo eles encontram um carro estacionado e conhecem Frank (Christopher Meloni), um homem que precisa de ajuda para conseguir o remédio contra o vírus para sua filha, a pequena Jodie (Kiernan Shipka). É o início de uma jornada onde os jovens precisarão enfrentar não apenas o vírus mortal, mas também a desconfiança existente entre eles em uma luta desesperada para sobreviver.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

PARANOIA AMERICANA

NOTA 6,5

Incentivado pelo ócio e pela mídia,
americano declara guerra a vizinho
árabe e sem perceber cai em uma
espiral de loucura que só o prejudica
Desde os ataques de 11 de setembro de 2001, os EUA entraram em uma nova era, um período marcado pela insegurança, suspeitas e aversão a estrangeiros, principalmente aqueles com traços de etnia árabe. O clima de tensão passava a ser observado diariamente em espaços públicos, como em aeroportos e shoppings centers que redobraram os cuidados com segurança, mas nestes casos ainda existe a justificativa de que isso é uma preocupação pelo bem social, regras básicas para uma sociedade se manter íntegra, ainda que em alguns casos as investigações sobre suspeitos foram absurdamente abusivas. E quando o pânico individual torna-se mais ameaçador que o medo coletivo, o que fazer? É sobre esse tema que se sustenta o suspense Paranoia Americana que procura retratar a situação psicológica dos norte-americanos diante do medo de novas ameaças. Se nem mesmo dois dos mais altos e pomposos edifícios do mundo escaparam de se tornar alvos fatais dos terroristas, episódio em que centenas de pessoas faleceram, o que impediria novos ataques a outros símbolos da soberania dos EUA ou até mesmo a violência em massa para atacar civis através de atos aparentemente inofensivos? Quem diria que uma simples carta poderia conter substâncias mortais? Não é coisa de cinema. O mundo todo já viveu esse período do pânico das correspondências adulteradas, assim o receio de que o perigo poderia estar em qualquer lugar realmente tornou-se algo perturbador e é por esse viés que segue a trama escrita por Andrew Joiner. O protagonista Terry Allen (Peter Krause) é o responsável por envolver o espectador em um crescente clima de tensão conforme ele abdica de seus interesses pessoais para tratar de uma especulação que se torna uma obsessão. Profissional da área de contabilidade, o rapaz acabou perdendo seu emprego por conta de um corte de gastos da empresa e isso dias antes de mais um aniversário da tragédia ocorrida com as Torres Gêmeas. Com a recessão do mercado ele não consegue emprego e com tempo livre de sobra acaba se entretendo com os inevitáveis noticiários a respeito de terrorismo afinal sempre existe o temor de que com a proximidade da fatídica data algo de ruim possa novamente acontecer. Morador de um condomínio de classe média, certo noite observando a vista lhe chama a atenção seu novo vizinho, Gabe Hassan (Khaled Abol Naga), um jovem cujos traços físicos não negam sua descendência árabe, o bastante para fazer o desempregado ficar com a pulga atrás da orelha.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

DOCES ENCONTROS

NOTA 3,0

Drama reúne bons ganchos
dramáticos, mas desperdiça
todos em trama superficial e
talhada para mocinha brilhar
Um ator depende de um bom filme para agregar algo a mais ao seu currículo ou é o longa em si que precisa de um nome de um artista de peso ou em evidência para tornar-se realidade? São inúmeros os exemplos de produtos que nasceram da junção destas duas necessidades e Doces Encontros é um deles. Com a Saga Crepúsculo ainda dando seus primeiros passos cinematográficos, mas já ostentando uma enorme legião de fãs, a atriz Kristen Stewart não dormiu no ponto e procurou participar paralelamente de projetos menores e independentes, assim não comprometeria sua imagem de ídolo dos teens e teria a chance de interpretar papéis mais densos que seriam importantes para sua experiência profissional, mesmo que fossem fracassos de bilheteria, seguindo assim os passos de atrizes consagradas como Nicole Kidman e Cate Blanchett, mas é óbvio que ainda tem chão para a jovem chegar aos pés delas. Todavia, ela se esforçou chegando ao ponto de cortar suas longas madeixas para dar mais veracidade ao sofrimento de Georgia Kaminski, uma adolescente de 15 anos que sofre de um tipo de atrofia neuromuscular que compromete sua locomoção, dicção e com o tempo pode causar sérios problemas cardíacos e até levar a morte. Ciente de seu estado de saúde delicado, ela leva uma vida melancólica ao lado dos pais. Sua mãe, Violet (Talia Balsam) é fotógrafa e adora que a filha pose para ela como modelo, assim documentando com imagens a progressão ou as vezes as leves regressões de sua doença sonhando que um dia esse trabalho seria reconhecido internacionalmente lhe trazendo fama travestida de serviço social. Enquanto esse dia não chega, Geórgia ajuda a avó Marg (Elizabeth Ashley) a vender fotos  e bugigangas em uma feirinha e é lá que ela conhece Beagle Kimbrough (Aaron Stanford), um jovem um pouco mais velho que ela que trabalha na mesma escola em que ela estuda, mas até então eles nunca haviam conversado. Afoita, a garota acaba pedindo ajuda do rapaz para fazer a lição de casa já que nem sempre consegue escrever, mas na realidade ela tem segundas intenções. Sabendo que sua vida é curta ela não vê a hora de saber como é se apaixonar. Beagle reage bem a investida da moça, mas seu momento de vida não parece oportuno para começar um relacionamento. Há pouco tempo sua mãe faleceu e parece haver um conflito velado entre os outros membros de seu clã.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

VALE PROIBIDO

NOTA 6,5

Confusão de gêneros incomoda
um pouco, mas ideia principal é
envolvente e Edward Norton cativa
com personagem esquisitão
Qual o limite da loucura da mente humana? Bem, talvez nem mesmo a ciência tenha essa resposta, sendo o mais provável que a insanidade é infinita. Longe dos estudos gigantescos e cheios de palavras complicadas, o cinema sempre tenta dar uma mãozinha para esclarecer tal assunto e são inúmeras as produções que procuram desvendar os mistérios que cercam as mentes de pessoas com desvios de caráter, mas já diz o ditado que cada cabeça é uma sentença, logo cada personagem é um tipo específico a ser analisado.  Vale Proibido centra suas atenções no misterioso Harlan (Edward Norton) e seu repentino interesse por uma família. O longa escrito e dirigido por David Jacobson começa nos apresentando à Tobe Sommers (Evan Rachel Wood), uma adolescente rebelde e que gosta de se divertir às custas dos outros, porém, talvez nunca tenha imaginado que uma de suas traquinagens mudaria sua vida e de seus familiares para sempre. Certo dia ela combina com uns amigos de ir à praia, mas antes param em um posto de gasolina onde são atendidos por Harlan, figura que chama a atenção por seu visual de caubói em uma região onde as fazendas já começavam a ser raridades. Pelo perfil diferente, preferindo montar a cavalo a usar um carro, Tobe acredita que escolheu a vítima perfeita para uma brincadeira, começa a paquerá-lo e o convida para ir a praia, local onde ele nunca esteve, mas não hesita em aceitar o convite mesmo perdendo o emprego por abandono. Enquanto os amigos se divertem por levar um caipirão para passear, a adolescente parece olhá-lo de outra forma, ele teria a ingenuidade e a doçura que faltava a ela, e rapidamente eles começam a namorar. A relação vai se encaminhando bem, inclusive porque o irmão mais novo da jovem, Lonnie (Rory Culkin), logo faz amizade com o cunhado, este que usa seu estilo ingênuo, fala mansa e artimanhas para conquistá-lo. Harlan seria o amigo que o garoto sempre quis ter, ou melhor, o pai que desejava. Todavia, Wade (David Morse), o pai dos adolescentes, não cai na lábia do rapaz desde a primeira vez que o viu. Profissional da área policial, a certa altura ele afirma para o próprio caubói que ele lida diariamente com pessoas como ele, tipos que são um zero a esquerda e que fariam de tudo para conseguirem ser algo na vida ou suprirem suas necessidades. Viúvo, mas praticamente ausente na criação dos filhos, Wade consegue deixar a rebeldia da filha ainda mais latente proibindo o namoro, mas não esperava que até Lonnie estaria contra ele nessa parada.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O REINO DOS GATOS

NOTA 8,0

Animação dirigida por pupilo
de Hayao Miyazaki preserva
características que consagraram
sua carreira e seu estilo de cinema
Desde que conquistou uma penca de prêmios por A Viagem de Chihiro, incluindo o Urso de Ouro no Festival de Berlim e o Oscar de Melhor Filme de Animação, o nome Hayao Miyazaki se transformou em uma grife, uma marca que inspira confiabilidade, criatividade e credibilidade e por tabela os mesmos predicados se estendem ao seu estúdio de cinema, o Ghibli. Desde então cinéfilos aguardam com ansiedade cada trabalho novo do animador, embora já esteja com bastante idade, e ficam na expectativa de que suas obras antigas venham ainda a ser relançadas para novas gerações apreciarem. Com a boa receptividade de O Castelo Animado, mais um de seus projetos que ganhou projeção em parte por conta de mais uma indicação da Academia de Cinema, chegou a ser lançado diretamente em DVD no Brasil o simpático e agradável O Reino dos Gatos que contou com a publicidade de ser uma realização dos mesmos criadores do citado vencedor do Oscar. Todavia, Miyazaki neste caso cedeu o cargo de direção para um de seus pupilos, Hiroyuki Morita, um dos animadores que há anos colaborava com seu estúdio. Realmente as características do mestre da animação oriental estão em cada cena deste desenho, guardadas as devidas proporções obviamente, provando que seu estilo foi perpetuado e continuará encantando novas gerações através do talento e criatividade de novos profissionais. O roteiro de Reiko Yoshida é bastante simples, mas agregado ao estilo visual tradicional, praticamente uma novidade em tempos da febre dos desenhos digitais, o resultado final é delicioso e com potencial para agradar a todas as idades. Haru é uma garota que leva uma vida normal como qualquer outra da sua idade, porém, considera sua rotina um tanto monótona e parece não gostar muito da escola. As coisas mudam completamente a partir do dia que ela encontra na rua um lindo gato carregando uma caixinha de presente na boca. Distraído, ele quase é atropelado, mas a jovem o salva e como agradecimento ele fica de pé sustentado por suas duas patas traseiras e desanda a falar. Assustada ela foge, mas na mesma noite fatos estranhos passam a ocorrer, por exemplo, quando está indo dormir Haru escuta barulhos do lado de fora de sua casa, sons provocados por um cortejo felino que parece querer chamar sua atenção.

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