domingo, 30 de junho de 2013

FÉRIAS NO TRAILER

Nota 4,0 Comédia com quê de nostalgia diverte, mas os momentos ruins pesam além da conta

Robin Williams já foi aplaudido em papéis dramáticos como os que teve em Sociedade do Poetas Mortos e Patch Adams – O Amor é Contagioso, aliás ganhou um Oscar de ator coadjuvante por Gênio Indomável. Tentou dar uma guinada na carreira apostando em produções mais sombrias como Insônia e Retratos de uma Obsessão, mas não tem jeito, o ator sempre retorna ao seu porto seguro: a comédia. Por mais que envelheça, ele sempre consegue deixar transparecer em seus trabalhos de humor uma alegria tipicamente infantil e tornou-se um tipo certeiro para viver aquele paizão que toda comédia familiar preza. Em Férias no Trailer, uma variação do saudoso Férias Frustradas, ele dá vida a Bob Munro, um estressado chefe de família que se dedica muito ao trabalho. Decidido a tirar uns dias de descanso, ele quer levar sua esposa Jamie (Cheryl Hines) e seus filhos adolescentes Carl (Josh Hutcherson) e Cassie (Joanna Levesque, mais conhecida como a cantora JoJo) para uma viagem ao Havaí, porém, na última hora Bob decide mudar os planos sem comunicar a família previamente. Para não perder o emprego ele precisa ir a uma reunião no Colorado e então decide matar dois coelhos de uma vez só e levar os parentes junto. A viagem ao paraíso acaba se transformando em um trajeto infernal tendo como veículo um desconfortável trailer que, diga-se de passagem, passeia pelos mais variados ambientes, alternando cenários reais e outros que apelam para terríveis efeitos de computação. O pai faz o que pode para tentar agitar o passeio, mas parece que tudo dá errado e o destino está contra eles. A família então deixa ainda mais evidente que sua desestruturação é um fato consumado, mas passam a rever suas atitudes quando conhecem na estrada outro clã, os adeptos do estilo country Gonickes liderados pelo patriarca Travis (Jeff Daniels), que embora tão atrapalhados e problemáticos quanto os Munros parecem extremamente unidos e encaram a vida com muita mais leveza.

sábado, 29 de junho de 2013

TRÁFICO DE BEBÊS

Nota 7,0 Telefilme presta importante serviço social, mas infelizmente não se aprofunda no tema

Para realizar um sonho vale a pena pagar o preço que for, mesmo que precise abrir mão de princípios e ajudar o crime organizado? É essa a discussão colocada em xeque em Tráfico de Bebês, drama policial feito para a TV, mas bastante eficiente apesar de sua estética e narrativa de novela. A trama de John Wierick é inspirada em fatos reais e gira em torno do casal Nathalie (Dana Delanei) e Steve Johnson (Hart Bochner) que há muito tempo querem ter um filho, mas não conseguiram por vias naturais e tampouco estão acertando investindo na adoção. Movida pelo impulso, Nathalie se entusiasma quando encontra na internet um site que promete facilitar os trâmites para um casal conseguir um bebê legalmente e ela não pensa duas vezes antes de preencher uma ficha, o que irrita inicialmente seu marido, pois agora informações confidenciais do casal podem estar nas mãos de pessoas de má índole. A mesma desconfiança é compartilhada pela advogada deles, Kathy (Ellen David), que acha esquisito as poucas informações disponíveis sobre Gabor Szabo (Bruce Ramsey), também advogado e que passou um email quase que instantâneo para Nathalie falando que deseja entregar para adoção a sua própria filha, a pequena Gitta. O primeiro encontro entre os Johnsons e o doador da criança é bastante amistoso e praticamente deixa acertado que a bebezinha em menos de 24 horas terá um novo lar, porém, na hora da entrega definitiva um golpe é revelado. Szabo não quer discutir os termos legais da adoção e sim quanto ela vale financeiramente. Aproveitando-se das informações sobre o padrão de vida e do estado emocional de seus “clientes”, o inescrupuloso advogado pede uma alta quantia e enquanto os candidatos a pais pensam a respeito ele continua oferecendo Gitta para outras famílias. Na época em que a ação se passa, imperdoavelmente não identificada (talvez 2004, ano da produção), infelizmente negociar uma criança não era considerado crime em Nova Iorque, assim o criminoso costumava fechar seus negócios em lugares neutros na grande metrópole. Mesmo assim, seus passos já estavam sendo vigiados.  Joey Perratta (Romano Orzari) e Laura Jackson (Claudia Besso), dois representantes da polícia, tentam um encontro fingindo estarem interessados em uma adoção, mas Szabo percebe que eles sabem muito sobre o esquema, afinal o rapaz toca no assunto pagamento quando a maioria dos casais se surpreende e se irrita ao saberem que estão fazendo parte de uma espécie de leilão.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

RECÉM-CHEGADA

NOTA 6,0

Vendido como comédia romântica,
longa fica devendo em humor e
romance, mas é uma boa opção como
drama inspirador e para a família 
Renée Zellweger não é nenhuma adolescente, mas seu rosto angelical é perfeito para comédias românticas. Seu nome é quase como um sinônimo do gênero, assim como nos anos 90, guardada as devidas proporções, Julia Roberts ou Sandra Bullock eram suas representantes. Talvez por isso Recém-Chegada não tenha feito sucesso. Embora conte com romance e algumas situações de humor, seu foco se encontra em ambiente empresarial. Isso mesmo, o longa narra a história de uma mulher que chegou desacreditada em um lugar, passou por muitos problemas de ordem pessoal e profissional, mas acabou vencendo na vida. O tema é um dos maiores clichês do cinema, é verdade, é aquela velha fórmula que rege os filmes cujo enfoque é o mundo dos esportes ou o ambiente acadêmico. Treinador ou professor insistente resulta em time campeão ou grupo de estudantes disciplinados e com potencial despertado. A fórmula é essa, não tem erro. Ou melhor, quando há falhas é porque não souberam embalar o produto adequadamente, como é o caso da história de Lucy Hill (Renée), uma ambiciosa executiva da agitada e moderna Miami que aceita ser transferida para uma cidade completamente desconhecida por ela. Na gélida e melancólica região de Minnesota sua tarefa é das mais ingratas: reestruturar uma pequena fábrica local de alimentos, o que implicaria em uma grande quantidade de demissões. Sentiu o drama não? Pequena cidade praticamente depende da economia gerada pela tal empresa e muitos funcionários na rua é igual a revolta contra a responsável por suas demissões. Lucy não se deu conta que não estava lidando com as pessoas cínicas com quem estava acostumada e tampouco com listas onde os funcionários eram simplesmente números que dependendo das somatórias de horas trabalhadas, rendimentos e valores salariais poderiam ser limados da empresa sem pensar nas consequências negativas que isso traria às suas famílias e à economia local.  Agora ela está em um lugar tradicionalista onde a teoria de que o bater de asas diferenciado de uma borboleta pode ser comprometedor faz valer seu poder. Qualquer mudança traz efeitos e as notícias e fofocas se espalham rapidamente, assim como o troca-troca de alimentos entre os vizinhos, e os nomes dos envolvidos nos conflitos não são poupados. Assim, Lucy passa a ser vítima de uma revolta generalizada da diminuta população local, mas em número suficiente para afrontar o poder daqueles que ocuparam antes a vaga que hoje é da executiva.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

ESCOLA DE IDIOTAS

NOTA 5,5

Apesar do título, longa tem um
bom argumento e narrativa
crítica até certo ponto,  mas na
reta final entrega-se aos clichês
Um título deveria teoricamente deixar claro qual a proposta de um filme, mas existem casos em que ele pode expressar mais de uma ideia, podendo colaborar ou atrapalhar a venda de um produto. Um bom exemplo é Escola de Idiotas que logo de cara deve passar a impressão de ser uma comédia típica para adolescentes, ou seja, recheada de baixarias, palavrões e escatologia, conceito reforçado quando tomamos conhecimento do elenco com um enganoso destaque para o nome de Ben Stiller que faz uma rápida participação no longa. Bem, quem espera realmente uma diversão que aposte em trash comedy (o que há de pior em termos de humor), deve se decepcionar, mas para quem não espera muito desta produção pode se surpreender levemente ao perceber que por trás do verniz de bobagens gratuitas existe uma mensagem bacana a ser levada ao público, interessando principalmente àqueles que se sentem um zero à esquerda. A sequência inicial é exagerada, mas certamente fisga a atenção dos espectadores, pois acerta em um ponto-chave: quem nunca se sentiu um completo idiota ao menos uma vez na vida? O problema é que para o jovem Roger (Jon Heder) tal sensação é contínua e já dura muitos anos. Ansioso e com baixa autoestima, ele não só é um fracassado na vida pessoal, morrendo de medo de dar um primeiro passo para começar um relacionamento amoroso com a vizinha Amanda (Jacinda Barrett), como também não se dá bem no campo profissional, chegando a perder até seu uniforme de guarda de trânsito para uma dupla de criminosos gaiatos. Sua chance de mudar de vida pode ser um curso diferente de tudo o que ele já ouviu falar. Ele e uma penca de outros fracassados numa tentativa desesperada se submetem aos ensinamentos nada didáticos do grosseirão e sarcástico Dr. P (Billy Bob Thornton) que promete transformá-los em verdadeiros vencedores, porém, ele é um tremendo picareta que na verdade provoca seus alunos até a última gota de paciência. Contudo, esse tratamento de choque ministrado com a ajuda do fiel ajudante do professor, o grandalhão Lesher (Michael Clarke Duncan), tem fundamentos e o objetivo de mostrar que uma pessoa só pode ser feliz se sair do lugar e lutar pelo que deseja, mas é óbvio que nem todos se saem bem no curso. Um detalhe é que somente homens existem matriculados, talvez uma constatação da máxima que diz que as mulheres são o sexo forte.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO

NOTA 8,0

Duelo de grandes atrizes só
colabora para que trama
forte, envolvente e incômoda
ganhe ainda mais potencialidade
Obsessão, desilusão, curiosidade, perversidade, passividade, desejo, amor e ódio. Notas Sobre um Escândalo tem um amplo leque de opções a serem trabalhadas e o melhor é que o diretor Richard Eyre, da cinebiografia Íris e do drama de época A Bela do Palco, consegue em cerca de 90 minutos alinhavar uma história extremamente interessante e envolvente unindo todos os temas citados e sem precisar usar clichês hollywoodianos tampouco corre-corre ou barulheira para deixar o espectador vidrado no drama com toques de suspense psicológico protagonizado por Cate Blanchett e Judi Dench, ambas indicadas para o Oscar e tantos outros prêmios por suas atuações neste longa. Sempre quando surgem notícias de que uma ou outra está para lançar uma nova produção já começam as especulações sobre possíveis prêmios e neste caso não foi diferente, porém, quem disser que o filme se resume a curiosidade de acompanhar o embate de duas grandes intérpretes é porque é insensível ou em um primeiro momento não conseguiu embarcar nas emoções do roteiro de Patrick Marber, famoso pela autoria da peça que deu origem a Closer – Perto Demais, coincidentemente outro projeto que não conta com momentos arrebatadores em termos visuais, mas que também guarda em seus diálogos e narrativa todos os seus tesouros tal qual a obra assinada por Eyre. A adaptação do romance “What Was She Thinking: Notes on a Scandal”, de Zoë Heller, é uma obra que de certa forma é de difícil digestão e protagonizada por duas mulheres que cada uma a seu modo vivem mergulhadas na solidão e entre sentimentos reprimidos. O encontro delas poderia ser positivo para ambas, contudo, se transforma em um caso que envolve maldade, distúrbios psicológicos e sofrimento. A ação começa em um decadente colégio britânico onde a veterana professora de História Barbara Covett (Judi) procura controlar os alunos com pulso firme, deixando transparecer em seu semblante inerte poucas características de sua personalidade, mas seu jeito enérgico é interpretado como a postura de alguém de muito boa índole pela novata professora de artes Sheba Hart (Cate) que cheia de ideias e acreditando na evolução dos estudantes parece deslocada no grupo dos educadores do local um tanto desiludido e sem ambições. Rapidamente as duas tornam-se amigas, fazendo jus ao ditado que os opostos se atraem, mas por trás do aparente desinteresse de Barbara escondem-se desejos reprimidos que agora poderiam ter a chance de serem exteriorizados, mas a obsessão de uma acaba se tornando a desgraça das duas.

terça-feira, 25 de junho de 2013

CIDADE DO SILÊNCIO

NOTA 8,0

Drama denuncia a exploração do
trabalho e os perigos que rondam
cidade que prefere abafar polêmicas
em nome de interesses financeiros
Embora hoje muitos tenham acesso a tecnologia de ponta, o que indicaria bons níveis econômicos e culturais, e a mídia venda a ideia que o mundo tecnológico abrange as pessoas em níveis semelhantes em todos os países, é extremamente necessário vez ou outra pararmos para pensar que enquanto você e seus amigos se divertem com tablets, iphones e tantas outras bugigangas moderninhas ainda existem milhares de pessoas espalhadas por aí que vivem em condições precárias e nem mesmo podem ter um aparelho de TV. O pior de tudo é constatar que são justamente estas pessoas a margem da sociedade ideal que trabalham na fabricação dos bens de consumo que a elite consome. É fato que poucos hoje em dia acreditam em contos da carochinha, mas ainda assim há muitos poderosos querendo fazer fortunas jogando para debaixo do tapete as sujeiras que envolvem o mundo dos negócios e explorando a mão-de-obra de grupos menos favorecidos intelectualmente e em termos financeiros. É em torno desse jogo de interesses desprovido de direitos básicos aos seres humanos que gira a trama de Cidade do Silêncio, um providencial filme-denúncia que embora tenha tido como primeira vitrine o Festival de Berlim e seja protagonizado por Jennifer Lopez e Antonio Banderas, chegou ao Brasil diretamente para locação e não causou barulho, o que é até curioso visto que, guardadas as devidas proporções, o tema principal bate de frente com situações contraditórias e vexatórias que encontramos no nosso país, escândalos que envolvem até mesmo marcas renomadas que exploram trabalhadores brasileiros e também de outros países que tentam a sorte por aqui. O filme roteirizado e dirigido por Gregory Nava escancara alguns dos podres que existem por trás do chamado Tratado de Livre Comércio. Baseado em fatos reais, ou melhor, sintetizando em uma mesma história centenas de casos semelhantes, o longa revela que o famoso acordo que permite que empresas do mundo inteiro montem fábricas na região de fronteira entre o México e os EUA não é tão próspero quanto parece ser. A cidade de Juarez tem sua economia praticamente toda baseada nos lucros obtidos de empresas fabricantes de equipamentos eletrônicos para exportação. Além da isenção de impostos, os empresários têm como chamariz o fato da mão-de-obra- ser muito barata, basicamente composta por mulheres latinas, muitas delas adolescentes que chegam a deixar suas famílias em outros países para conseguirem um emprego que lhes ofereça algum tipo de estabilidade financeira.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

DRIVE

NOTA 8,0

Longa dá uma reciclada no
gênero thriller com novas
dinâmica e narrativa, incluindo
um protagonista enigmático
Infelizmente hoje em dia muita gente leva em consideração os efeitos especiais e sonoros na hora de escolher um filme, o que dá certa vantagem para as produções de ação e a possibilidade de retornar aos holofotes brucutus característicos dos anos 80 como Sylvester Stallone, e não é mais nem preciso ir ao cinema para curtir imagens e sons inacreditáveis. Para os amantes de produtos desse tipo certamente um enredo que fala sobre um sujeito esquisitão que leva uma vida dupla se dividindo entre o trabalho como dublê em filmes e uns bicos para o mundo da máfia deve soar como adrenalina pura ainda mais quando nos deparamos com o titulo, Drive, assim mesmo sem traduções literais ou estapafúrdias para o português. Porém, basta acompanhar a introdução para que muitos comecem a chiar. Ryan Gosling vive o protagonista cujo nome nunca é revelado, simplesmente ele é o motorista. Logo no início ele está prestando serviços para uma dupla de ladrões que está em fuga após um assalto. A perseguição clássica de mocinhos aos bandidos está em cena, mas esqueça de qualquer barulho ensurdecedor, capotagens e frases idiotas ou manjadas trocadas entre as partes envolvidas. O recado está dado. Apesar do estilo ação hollywoodiana se fazer presente, aqui o conteúdo prevalece sobre o tiroteio e o corre-corre e deve causar estranheza a longa apresentação dos créditos iniciais ao som de uma música melosa e nostálgica em substituição as tão tradicionais batidas do rock, hip hop ou som eletrônico pesado. Quem vencer nos primeiros minutos a resistência quanto a esta estética visual e sonora diferenciada, parabéns! Certamente estará pronto para acompanhar uma trama que dá certa reciclada no gênero ação, mas que infelizmente em seus últimos atos volta a investir em velhos clichês, mas sem deixar a narrativa ficar tediosa. Baseado no livro homônimo de James Sallis, o roteiro de Hossein Amini, do drama de época Asas do Amor, acompanha o cotidiano de um motorista que trabalha como mecânico e dublê em produções de ação de Hollywood, mas nas horas vagas faz alguns servicinhos sujos. Sempre muito calado e sem esboçar sorrisos, o rapaz estranhamente acaba desenvolvendo uma amizade com Irene (Carey Mulligan), sua vizinha que tem um filho pequeno. Eles passam a conviver cada vez mais próximos como se formassem uma família, mas não demora para que Standard (Oscar Isaac), o marido da moça, saia da prisão e queira retomar seu lugar de chefe do clã, todavia ele ainda tem dívidas a serem acertadas com outros prisioneiros. Vendo a situação difícil dos vizinhos, o motorista convence Standard a realizar um último assalto, mas o golpe dá errado e agora todos eles correm risco de vida.

domingo, 23 de junho de 2013

AMOR POR ACIDENTE (2010)

Nota 5,0 Longa repete todos os clichês possíveis de dramas leves e comédias românticas

Há alguns anos produções rotuladas como evangélicas, mas cujos conteúdos e mensagens podem e devem ser apreciados por todos independente da religião, começaram a se popularizar fazendo com que grandes distribuidoras investissem na importação de produtos do tipo e até empresas especializadas nessa filmografia surgiram para abastecer o mercado de vídeo doméstico. A partir de 2012, uma nova onda tomou de assalto as locadoras com títulos que se orgulham de trazer um símbolo que representa os títulos recomendados para toda a família, uma exclusividade que a Focus Filmes traz para o Brasil em parceria com produtoras internacionais que estão investindo pesado neste filão. A essência destes produtos é a mesma que rege o mercado de vídeo evangélico, histórias bonitas de amor e dramas leves envolvendo problemas familiares e do cotidiano que agradam a todas as idades, excluindo qualquer traço ofensivo, porém, não envolvendo necessariamente conceitos religiosos explícitos. Amor por Acidente é um dos exemplos desta seara que tende a conquistar a atenção do público mais sentimentalista com títulos açucarados e artes das capas dos DVD que investem em beleza visual e tons pastéis. A história criada por Charles T. Daniels e Peter Facinelli gira em torno de dois jovens que se conhecem através de um acidente de trânsito e para variar a convivência inicial é das piores já que os dois são um tanto orgulhosos. Eddie Avelon (Ethan Erickson) é um ator frustrado por não ter seu rosto reconhecido nas ruas, afinal ele está sempre coberto pelo pesado e quente figurino do coelho Mulligan, personagem de um popular programa infantil.  Annie Benchley (Jennie Garth) é uma jovem viúva que trabalha como garçonete em uma lanchonete. Após o acidente, eles passam a se esbarrar eventualmente e sempre trocam farpas já que a moça não se conforma que o rapaz praticamente ignorou o acontecido, embora ninguém tenha se ferido. O ponto de equilíbrio entre eles atende pelo nome de Taylor (Dannika Northcott), filha de Annie, uma garotinha de apenas seis anos de idade que é fã incondicional do coelho Mulligan.

sábado, 22 de junho de 2013

ESPANTALHO

Nota 6,5 Terror adolescente se beneficia de ambientação claustrofóbica e narrativa enxuta

Vampiros, lobisomens e múmias fazem parte de um seleto grupo de criaturas míticas que se tornaram símbolos do cinema de horror, principalmente o produzido entre as décadas de 30 e 40 e revigorado nos anos 70, mas a eles já está mais do que na hora de se juntar a figura dos espantalhos, aqueles bizarros bonecos de pano recheados de serragem ou palha presos em estacas de madeira para espantar animais depredadores de plantações, principalmente aves. Eles já estiveram presentes em algumas produções de terror, como o óbvio A Noite do Espantalho e tiveram discretas participações em A Colheita e Olhos Famintos, por exemplo, mas Espantalho foi criado totalmente em torno da curiosidade e suspense inerentes ao boneco cuja função é justamente espantar, mas aos olhos dos humanos o efeito é contrário e a atração fala mais alto. Contudo, não espere uma obra-prima do gênero, apenas um passatempo que cumpre sua função de entreter e assustar com alguns bons momentos propiciados principalmente por causa da exploração bem feita de dois únicos cenários: um milharal e a velha casa que fica em seu centro. A trama escrita e dirigida por Brett Simmons começa apostando em clichês. Grupo de jovens está viajando e precisa atravessar uma estrada deserta quando é surpreendido por um corvo que bate violentamente no vidro do carro e provoca um acidente. Depois de se recuperarem do susto eles se dão conta que Johnny (Ben Easter) sumiu e a única saída para pedir ajuda (cadê o celular nessas horas?) é atravessar o milharal para chegar até a única residência que há pela redondeza que, para variar, está em um estado deplorável e envolta em mistérios. Ao chegarem na casa, Brian (Wes Chatham) e Scott (Devon Grave), representando respectivamente  o valente bonitão e o nerd do grupo, encontram o amigo desaparecido, porém, ele está literalmente em outro mundo. Ao tentarem voltar à estrada, a dupla é atacada por um espantalho. Não demora muito para Chris (C.J Thomason) também criar coragem e atravessar a plantação rumo a tal casa, mas acaba arranjando briga com Brian por ter deixado Natalie (Tammin Sursok), a namorada do rapaz, perdida no meio do caminho, só que ela não tarda a aparecer e de uma maneira bem diferente. É aí que o roteiro traz algumas boas sacadas e que transformam a fita em algo um pouco acima da média.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET

NOTA 9,0

Martin Scorsese mergulha fundo
na fantasia para homenagear os
primórdios do cinema ao mesmo
tempo em que experimenta inovações
No início de 1896 um curto filme intitulado A Chegada do Trem na Estação impactou quem o viu. Em Paris, os irmãos Auguste e Louis Lumière, considerados por boa parte dos historiadores como os criadores da arte cinematográfica, filmaram o veículo do título em perspectiva lateral e isso causou na platéia a impressão de que os vagões estavam realmente seguindo em direção a ela e invadiria a aconchegante sala escura a qualquer momento. O resultado é que os desavisados espectadores ficaram em pânico e uma grande confusão começou. Mais de um século se passou e hoje o público deseja realmente assistir a um filme no qual possa ter a sensação de que o imaginário invadiu a realidade, mas para tanto não basta apenas a imaginação. Agora os efeitos 3D tratam de aproximar ao máximo os espectadores dos elementos cinematográficos, o que em alguns casos pode empobrecer a experiência de ir ao cinema ou até mesmo ver um filme em casa. Todavia, o mercado atual pede tecnologia para gerar lucros e até um dos mais renomados cineastas de vanguarda ainda em atividade aderiu ao sistema. A Invenção de Hugo Cabret marca a estreia de Martin Scorsese no gênero fantasia e também no mundo das inovações. Acostumado há anos a trabalhar com temas fortes, realistas e principalmente o mundo dos gângsteres, Scorsese aceitou realizar este trabalho para agradar a esposa e a filha de 12 anos que lhe apresentou o livro homônimo de Brian Selznick. Já idoso, mas ainda com muito pique e criatividade, o cineasta não fez simplesmente um filme para entreter crianças, muito pelo contrário. Além de a história ser palatável para adultos, Scorsese fez uma bela homenagem à própria sétima arte e a si mesmo de certa forma, pois se o cinema é a arte que transforma sonhos em realidade, faltava em seu currículo um trabalho literalmente fantasioso para dar o último atestado de que ele sem dúvida é um dos maiores e melhores cineastas de todos os tempos. Indicado a onze categorias do Oscar 2012, o longa venceu em cinco merecidas categorias técnicas, mas a Academia de Cinema ficou devendo a estatueta para o diretor, talvez porque ele já tenha uma em sua casa por Os Infiltrados. Na comparação entre as duas produções digamos que o premiaram na época errada acreditando que em 2007 seria a última chance de corrigir injustiças com este profissional que ajudou a escrever a História do cinema e até do próprio Oscar com clássicos como Táxi Driver e Touro Indomável. Pesou também a concorrência com o francês O Artista que coincidentemente também fala dos primórdios da atividade cinematográfica, mas Scorsese vai além em sua empreitada e realizou praticamente uma declaração de amor ao cinema como forma de enriquecimento cultural e emocional.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

AMIGAS COM DINHEIRO

NOTA 6,0

Com alguns diálogos e situações
divertidas e críticas e estética e
narrativa de seriado, longa faz um
ligeiro retrato da classe média
Um grupo de amigas reunidas em torno de uma mesa de jantar e às gargalhadas. Elas não são mais adolescentes em busca de seus príncipes encantados. Já estão entre os 30 e 40 e poucos anos de idade, são bem resolvidas em suas vidas amorosas e realizadas na profissão. Bem, essa é a impressão que nos passa uma das cenas principais de Amigas com Dinheiro, porém, por trás da aparente felicidade todas elas têm seus problemas pessoais, mas suas finanças estão perfeitamente saudáveis. Todavia, uma delas em especial é a patinha feia da turma, ou melhor, a patinha sem dinheiro, já que beleza tem de sobra em Jennifer Aniston, apresentada como o nome principal do elenco, mas que divide a cena com coadjuvantes de peso e no final das contas todos acabam nivelados ao mesmo nível de importância na trama. O título seria perfeito para um enredo que mostrasse os dilemas de adolescentes patricinhas às voltas com compras de roupas e supérfluos, mas felizmente o caminho aqui é outro. A premissa pode vender a falsa ideia de esta ser mais uma simplória e repetitiva comédia romântica, mas em suas entrelinhas encontram-se críticas à classe média norte-americana (que também serve para os riquinhos de outros países, incluindo o Brasil), um retrato que, embora estereotipado em alguns momentos, procura desmascarar a falsa felicidade em que muitas pessoas vivem imersas, mas não espere algo na linha do premiado Beleza Americana por exemplo. Escrito e dirigido por Nicole Holofcener, responsável por alguns episódios de seriados com alma feminina como “Sex and the City” e “Gilmore Girls”, é perceptível que o longa procura repetir a estética e o estilo narrativo televisivo, incluindo um clima leve que para os mais desatentos pode ajudar a resumir a obra como apenas uma bobagem na qual um bando de mulheres sem ter o que fazer procuram nos pequenos detalhes do cotidiano alguma razão para se ocuparem, seja brigando com seus parceiros ou metendo o bedelho na vida das amigas. O roteiro segue o dia-a-dia de quatro amigas de infância que hoje estão numa fase mais madura e vivem em um bairro nobre de Los Angeles. Frannie (Joan Cusack) é uma boa dona de casa e organiza eventos beneficentes, Jane (Frances McDormand) é uma estilista respeitável e Christine (Catherine Keener) é um promissora roteirista.  A quarta mulher do grupo é Olivia (Anniston) que mesmo sendo uma professora formada não consegue ter um emprego fixo e ganha a vida como diarista. Todas elas se encontram com certa frequência, mas temas ligados a finanças ou ostentação procuram ser evitados, porém, sempre rola alguma saia justa que Olivia acaba levando na esportiva.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

SUPER 8

NOTA 8,5

Aventura resgata a inocência e
a diversão típicas das produções
dos anos 80 unindo nostalgia e
originalidade para novas gerações
Hoje quando rotulamos um filme como do tipo sessão da tarde é preciso lembrar que estamos fazendo uma alusão e um elogio ao que já foi um dia a sessão vespertina homônima há décadas exibida pela Rede Globo cujo estilo foi copiado por outras emissoras, até mesmo fechadas. Os títulos segregados como recomendáveis para toda a família atualmente são desenhos, produções Disney, romances água-com-açúcar e comédias com animais falantes, mas onde estão as aventuras clássicas dos anos 80 ou similares? Steven Spielberg era um nome que geralmente estava atrelado a tais produções, seja na direção, roteiro ou produção e seus trabalhos marcaram gerações, mas infelizmente os mais novinhos não tiveram a oportunidade de conhecê-los no calor do momento. Atualmente, só mesmo nostálgicos para perderem alguns preciosos minutos do seu tempo para viverem ou reviverem tais emoções, mas seria muito injusto que a criançada e os adolescentes dos primeiros anos do século 21 crescessem sem experimentarem a sensação de acompanharem uma deliciosa aventura a moda antiga. Em tempos em que a nostalgia está em alta e as refilmagens pipocam aos montes, Super 8 é um produto extremamente bem-vindo e uma forma original de se homenagear o passado que de quebra ainda pode trazer a tona o gostinho de uma legítima sessão da tarde. Esta aventura fantasiosa desde o título deixa em evidência seus objetivos, uma referência a um antigo modelo de câmera e que muitos cineastas hoje renomados usavam na infância e adolescência para fazerem seus próprios filmes, um indício do que seriam no futuro, como é o caso de Spielberg e de J. J. Abrams, respectivamente produtor e diretor da aventura em questão. Aliás, esta obra é cheia de homenagens ao homem que concebeu E.T. – O Extraterrestre e tantos outros sucessos infanto-juvenis, o que confere um atrativo a mais para chamar a atenção dos adultos que certamente vão curtir reconhecer as referências e influências de outros títulos. As lembranças de um passado cinematográfico ainda vivo na memória de muito marmanjo podem não surtir o mesmo efeito nas novas gerações que provavelmente não conhecem algumas das obras homenageadas, mas nada que impeça a diversão. Porém, é preciso ressaltar que a aventura não tem o ritmo frenético das produções atuais. Existe ação, mas tudo segue uma linha diferenciada de narrativa, o que pode impactar negativamente alguns espectadores mais jovens. Bem, um respiro de vez em quando não faz mal a ninguém e ninguém deve ficar se sentindo um peixe fora d’água, muito pelo contrário. Como a maior parte das produções, há alguns furos no roteiro que não comprometem a trama e o sentimentalismo impresso no final deve gerar algumas reclamações, mas já que a obra é uma homenagem ao estilo "spielberguiano", certa dose de emoção no final não poderia faltar.

terça-feira, 18 de junho de 2013

TERAPIA DO AMOR

NOTA 7,0

Longa se revela uma agradável
surpresa apresentando trama
madura sobre o amor e as suas
dificuldades, como o peso da idade
É incrível que ainda hoje os casais com diferenças de idades mais visíveis sofram preconceito. Ou será que é o próprio casal que acaba impondo a si mesmo limites? A segunda opção não corresponde a casos raros, mas é certo que os olhares curiosos ou acachapantes dos outros continuam sendo os principais obstáculos para que romances do tipo sejam levados adiante. Portanto, é sempre bom que filmes como Terapia do Amor tenham suas mensagens revistas. Protagonizado por Uma Thurman e Meryl Streep, é curioso que a produção sobreviva de indicações boca-a-boca, não tendo feito carreira de sucesso nos cinemas e tampouco quando lançado em locadoras. Bem a resposta pode ser definida pela expressão comprar gato por lebre. O título vende a ideia de que o filme em questão é uma comédia romântica bem açucarada, por isso deve causar espanto quando algumas pessoas se deparam com uma história realista, de certa forma polêmica, contudo, temperada com um humor irresistível e de bom gosto. Mãe possessiva faz de tudo para afastar seu querido filhinho (na verdade um cavalão já) de uma namorada com idade para ser sua mãe (que exagero!). Essa breve sinopse também poderia aguçar aos adeptos de humor pastelão, pois lembra muito a premissa de A Sogra, mas decepções também seriam inevitáveis. Se você é do tipo que desiste de assistir algo quando logo nos primeiros minutos não tem suas expectativas atendidas, azar o seu. Estará perdendo uma excelente comédia romântica e porque não dizer uma pequena aula particular de psicologia para tentar melhorar sua compreensão dos seres humanos no tocante aos relacionamentos afetivos. Com roteiro e direção de Bem Younger, o enredo nos apresenta à Rafi Gardet (Thurman), uma mulher de 37 anos recém-divorciada adepta da terapia para esclarecer seus problemas e dúvidas, entre eles se deve ou não manter um relacionamento com um rapaz bem mais jovem que conheceu. A terapeuta, a judia Lisa Metzger (Streep), sempre solícita e incentivando seus pacientes a serem felizes, a aconselha a levar o namoro adiante. O tempo passa e a relação médica e paciente vai muito bem, até que juntando os detalhes das conversas Lisa descobre que seu próprio filho Dave (Bryan Greenberg), com 23 anos de idade, é o namorado de quem Rafi fala com tanto entusiasmo.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

SHAME

NOTA 8,5

O vício do prazer do sexo é o fio
condutor de drama ousado que
desnuda a libertinagem para
mostrar seu lado doentio e triste
Esse filme é sobre como a liberdade de alguém pode aprisioná-lo. Essas palavras ditas pelo diretor Steve McQueen em algumas das várias entrevistas na época do lançamento de Shame é a que melhor define este seu trabalho. Boa parte das pessoas que desejam viver sozinhas almeja apenas ter a liberdade de ir e vir para onde quiser, estabelecer os horários de suas refeições, decidir se arruma ou não a cama antes de ir para o trabalho entre outras atividades cotidianas inofensivas que não raramente tornam-se pontos conflitantes na vida em família. Porém, verifica-se que a liberdade sexual já é um ponto considerável na decisão de sair da casa dos pais e assumir responsabilidades. Conhecer alguém na rua, levá-la para sua casa, desfrutar de momentos prazerosos e depois que ela se despedir poder fechar a porta e esquecer que a conheceu ainda é visto por muitos como um comportamento marginal, todavia, verifica-se um número cada vez maior de pessoas adeptas do sexo casual e que não fazem questão de esconder suas preferências, um assunto inflamável que coloca em xeque a situação das sociedades, o poder de influência dos meios de comunicação, o tipo de criação de cada indivíduo e sobra até mesmo para o campo da saúde afinal o que era para ser uma diversão pode se tornar uma dependência. O ator Michael Fassbender (injustamente esquecido pelo Oscar por este trabalho) vive Brandon Sullivan, um rapaz bem apessoado e com um bom nível de vida que sofre de um distúrbio psicológico que gera compulsão pelo ato sexual. Nos minutos iniciais, ele está em um vagão de metrô com olhar fixo em uma bela mulher que lhe retribui com um sorriso, mas se espanta ao perceber que o rapaz não esboça nenhuma outra reação. A sedução não foi estabelecida simplesmente porque este homem não flerta em busca de sentimentos, ele só quer o prazer sexual. E olha que Brandon não precisa necessariamente estar com uma mulher (aparentemente homens não fazem parte de seus fetiches) para sentir prazer, podendo se satisfazer com pornografia na internet ou acariciando a si mesmo no banho ou até mesmo em banheiros públicos. Todavia ele não chega a ser um tarado ou sofrer socialmente com seu vício, sabendo se controlar e vivendo bem com sua solidão a maior parte do tempo. Será mesmo? Antes da cena citada do metrô, a introdução mostra o personagem após uma sessão de sexo. Mesmo com a câmera revelando rapidamente sua nudez explícita, o personagem espanta com seu aspecto cansado e melancólico, quase como um drogado. E é essa a imagem que Fassbender carrega por todo o longa. Aos interessados nas cenas de sexo e nudez serve o aviso de que o erotismo ou a perversão são nulos nesta obra. A impressão que fica é que o ato sexual para o protagonista é um martírio com o qual ele tenta lidar diariamente.

domingo, 16 de junho de 2013

MAX E COMPANHIA

Nota 6,0 Animação tem trama madura e com elementos diferentes, mas peca pelo ritmo irregular

Já faz tempo que desenho animado não é mais coisa só para crianças, mas é curioso ver como algumas técnicas antigas de animação hoje em dia só sobrevivem mirando no público adulto. Max e Companhia é um bom exemplo disso. Seus personagens do bem são simpáticos e fofinhos e seus vilões medonhos, mas não se engane pelo aspecto simplório desta produção feita em stop-motion (animação com massinhas). Embora o público infantil, tendo boa vontade, possa se encantar com seu visual, seu conteúdo na realidade é repleto de ironias e críticas e deve ser mais bem compreendido por platéias com mais idade e esclarecidas. Produzido entre Estados Unidos, Bélgica, Suíça e a França, a trama gira em torno de Max, um adolescente que está em busca de seu pai que jamais conheceu, o outrora famoso músico Johnny Bigoude. A caminho da cidade de Saint-Hilare, o garoto pega carona com Sam, um artista decadente que parece levar uma vida sem preocupações com o futuro, importando apenas o presente. Quando chega ao seu destino, Max é acolhido pela Madame Doudou, uma simpática professora aposentada que lhe consegue um emprego na fábrica de um de seus ex-alunos, o bon-vivant Rodolfo. Esse cara adora aproveitar tudo o que a vida tem de melhor a lhe oferecer e não soube cuidar do patrimônio que recebeu de herança de um finado tio e agora a fábrica de mata-moscas Bzzz&Co está correndo o risco de encerrar suas atividades. Os acionistas então decidem nomear um ambicioso e intratável novo administrador, o excêntrico Martin, um cientista que acredita que as poucas moscas que restaram na região aprenderam a se esquivar dos efeitos nocivos dos inseticidas da empresa e assim decide fazer experimentos para criar novas subespécies resistentes ao veneno e assim impulsionar novamente as vendas dos produtos. O problema é que sua ganância o cega e ele não pensa nos efeitos negativos de tal ação.

sábado, 15 de junho de 2013

MISTÉRIO EM RIVER KING

Nota 7,0 Morte de um jovem levanta discussões sobre bullying, rejeição e relações de poder

As sinopses publicadas nos encartes dos DVDs deveriam vender corretamente as histórias dos filmes, mas muitas delas só se limitam a elogiar atores e realizadores ou sintetizar em pouquíssimas palavras o enredo. O pior é quando vendem a trama de forma errada como é o caso de Mistério em River King, cuja distribuidora vende como um suspense policial acerca do assassinato de um adolescente e seu próprio espírito ajudaria nas investigações. Bem, até existe um ensaio para seguir tal caminho, mas parece que quem redigiu o texto publicitário não assistiu o filme todo. A trama começa mostrando o detetive Abel Grey (Edward Burns) e seu companheiro de polícia Joey (John Kapelos) encontrando um jovem morto congelado dentro de um lago e com estranhas marcas vermelhas no corpo. Ele é Gus Pearce (Thomas Gibson), estudante de um tradicional colégio de uma região fria e afastada dos EUA que segundo seus colegas de turma não se sentia a vontade na instituição e andava tendo atitudes estranhas ultimamente. Uma das professoras do garoto, Betsy Chase (Jennifer Ehle), afirma que na noite anterior a descoberta do corpo viu Gus discutindo no bosque com a jovem Carlin Leander (Rachelle LeFevre), que apesar da aparente proximidade do falecido estava namorando Harry (Jamie King), um valentão da escola. Os policiais afirmam que o caso foi um suicídio, mas Abel desconfia de que existe algum mistério por trás de tudo, principalmente ao descobrir que Gus estava tentando fazer parte de um grupo, uma espécie de seita da qual só podiam fazer parte os membros que passassem por um trote impossível de se cumprir, ou melhor, quase. O detetive desconfia que Harry e Carlin são as chaves para desvendar o caso, mas parece que todos a sua volta estão preferindo abafar o episódio, inclusive seu o próprio Joey que deveria estar em busca da verdade. O diretor Nick Willing consegue construir uma interessante narrativa que cativa o espectador e o convida a fazer parte das investigações colecionando pistas, porém, peca ao criar certos ganchos que não levam a lugar algum como um suposto trauma do passado envolvendo a morte do irmão que alimentaria o desejo de Abel por justiça a qualquer custo no presente.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE (2005)

NOTA 9,0

Refilmagem de clássico infantil
respeita a premissa original, mas
adiciona cores, ritmo e espertas
críticas aos perfis das crianças
Um mundo a parte muito colorido, onde há bastante diversão, novidades a cada canto que se olhe e o melhor é que praticamente tudo é comestível e bem docinho. Para completar, o anfitrião é uma figura excêntrica que usa roupas extravagantes e parece não querer crescer. Se fosse algumas décadas atrás essa descrição caberia perfeitamente para a propaganda de um programa da Xuxa. Também não estamos falando do mundo encantado em que o clássico personagem Peter Pan vive. Esse é o cenário com o qual o ator Gene Wilder conquistou milhões de crianças no mundo todo na década de 1970 sob a batuta de Mel Stuart. Como infelizmente a memória do público é curta, mas seu preconceito com filmes antigos é grande, o jeito para apresentar este citado mundo paralelo a novas gerações seria uma refilmagem, motivo que geralmente causa arrepios a cinéfilos mais tradicionalistas, mas atiça a curiosidade de platéias mais jovens, principalmente quando existem efeitos especiais em jogo. A ideia ganhou cores mais fortes e chamativas, além de trucagens visuais benéficas para a história e uma trama com mais elementos bizarros saídos diretamente da mente insana do diretor Tim Burton comandando novamente Johnny Depp, o seu ator predileto. A refilmagem de A Fantástica Fábrica de Chocolate, baseado no livro homônimo do britânico Road Dahl, é uma deliciosa aventura com boas doses de humor que uniu mais uma vez dois dos maiores nomes do cinema dos últimos tempos, aliás, podem chiar a vontade os mais tradicionalistas, mas é inegável que a produção cai como uma luva ao estilo cinematográfico cultuado pela dupla. Curiosamente, mesmo com uma legião de fãs do original e muitos outros fanáticos pelos trabalhos do cineasta e do protagonista, a readaptação de um clássico setentista para a era moderna não agradou completamente. Fez muito dinheiro, mas em contrapartida somou uma grande quantidade críticas negativas e provavelmente não esperadas e tal proporção. Todavia, a premissa da obra original foi respeitada. A história readaptada pelo escritor John August, que já assinou os roteiros de outros trabalhos do cineasta, nos apresenta à Willy Wonka (Depp), o estranho dono de uma fábrica de doces que há anos decidiu se esconder do mundo devido a problemas de seu passado, mas, principalmente, porque percebeu que suas receitas secretas e mágicas estavam sendo roubadas e produzidas por empresas concorrentes. De repente, de uma hora para a outra, ele decide realizar um concurso para levar cinco crianças com um acompanhante cada para conhecer o interior de seu mundo doce e de sonhos.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O ELO PERDIDO (2005)

NOTA 6,0

Drama procura desmistificar
a imagem dos pigmeus como
selvagens, mas acaba reforçando
ideias preconceituosas e arcaicas
O Elo Perdido. Esse já foi o título de um seriado de sucesso exibido e repetido a exaustão entre as décadas de 70 e 80 em emissoras de todo mundo e em 2009 Will Ferrell estrelou um longa-metragem baseado na mesma atração, contando inclusive com os efeitos especiais precários que se tornaram marca registrada das aventuras de uma família que acabou voltando no tempo e parando na pré-história. Porém, a expressão deste título também é popularmente usada em meio acadêmico e científico para se referir a ponte evolucionária entre os primatas e os seres humanos. É este caminho que o cineasta Régis Wargnier, do premiado Indochina, resolveu desbravar neste drama que divide muito as opiniões. Embora seja uma produção visualmente impecável, em seu conteúdo muitas falhas são apontadas. É certo que não é uma obra excepcional, perdendo o ritmo por várias vezes, mas também não merece as duras críticas que recebeu na época de seu lançamento e que provavelmente ainda recebe, merecendo a lembrança de que entre os desafetos devem existir muitos que se desapontaram deixando-se levar apenas pelo título, em memória a citada série de TV, assim comprando gato por lebre. Também esta é uma obra cujo protagonista acaba não sendo o herói prometido, revelando-se um covarde, porém, uma conduta que condiz com a moral e os costumes da época, ainda que isso possa frustrar o espectador. Com roteiro do próprio diretor em parceria com William Boyd, Michel Fessler e Frederic Fougea, a trama se passa em 1879, quando o jovem médico escocês Jamie Dodd (Joseph Fiennes) aventura-se com um grupo de expedição, incluindo a aventureira Elena Van Den End (Kristin Scott Thomas), pelas inexploradas florestas equatoriais africanas em busca de novas espécies, mais especificamente a procura de pigmeus, habitantes naturais da região. A intenção é capturar alguns deles para de forma discutível serem realizados alguns estudos sobre a evolução das espécies. Dodd consegue capturar dois pigmeus, um homem e uma mulher, Toko (Lomama Boseki) e Likola (Cécile Bayiha), para apresentá-los à Academia de Ciência de Edimburgo que pretende provar que eles pertencem a uma categoria abaixo dos humanos. O médico, por outro lado, defende que o casal demonstra inteligência e sentimentos iguais a qualquer ser humano e assim ele entra em conflito com seus colegas de pesquisa colocando em risco sua própria carreira.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

GHOST - DO OUTRO LADO DA VIDA

NOTA 8,0

Projeto mediano ganhou status
de superprodução graças as
críticas positivas do público, uma
obra literalmente de outro mundo
Os primeiros anos do século 21 foram marcados por dezenas de obras com o tema espiritismo exposto das mais variadas formas possíveis e até no Brasil a moda pegou, porém, há muito anos produções do tipo chamam a atenção já que as discussões e dúvidas sobre a existência ou não de vida após a morte acabam despertando a curiosidade das mais distintas platéias, incluindo adeptos de diversas religiões. Não é a toa que Ghost – Do Outro lado da Vida acabou se tornando um fenômeno mundial em 1990 e até o Oscar se rendeu ao seu apelo irresistível. Dando um baita de um empurrão nas carreiras de Demi Moore, na época mais conhecida como a esposa de Bruce Willis, e do saudoso Patrick Swayze, o longa na época fez milhões de pessoas se emocionarem e derrubarem baldes de lágrimas com a história de um amor que foi interrompido por um fato inesperado e covarde. Sam Wheat (Swayze) é um jovem bancário que descobre que na empresa em que trabalha algumas fraudes estão ocorrendo. Decidido a investigar o caso, o rapaz acaba sofrendo uma tentativa de assalto junto com sua mulher, Molly (Demi), mas ele é atingido por um tiro e não resiste. Porém, Sam passa no mesmo instante a dividir sua atenção entre o bandido que escapa e o sofrimento da esposa. Demora um pouco para que o rapaz perceba que está na Terra apenas presente em espírito agora, mas rapidamente ele descobre que o assalto não foi uma triste coincidência. Carl Bruner (Tony Goldwyn) era um colega de trabalho a quem Sam confidenciou suas suspeitas de fraude sem saber que o próprio é quem estava por traz dos negócios ilícitos, planejou o ataque e que agora quer conquistar o amor de Molly assediando-a constantemente, mas com segundas intenções. A premissa é bastante interessante, mas as coisas melhoram ainda mais quando entra em cena Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg), uma vigarista que dizia ter o poder de falar com os mortos e lucrava com a farsa. Porém, desta vez ela não está mentindo. Realmente ela consegue falar com Sam e tenta prevenir a esposa do rapaz passando os recados e orientações dele quanto aos planos de Carl. Obviamente Molly não acredita na charlatã até que ela lhe dá uma prova crível de que o desencarnado está tentando fazer contato.

terça-feira, 11 de junho de 2013

A ARTE DA CONQUISTA

NOTA 6,0

Adolescente depressivo e
preocupado com a morte é o
protagonista de drama vendido
com aura de independente
A adolescência é um período muito difícil para qualquer pessoa. As mudanças do corpo e de comportamento, os conflitos com a família por divergências de ideias, a necessidade de escolher uma profissão e a de se sentir parte de um grupo social, enfim falar sobre tal faixa etária é complexo, aponta para muitos caminhos a serem discutidos e o cinema é uma ferramenta bastante funcional para introduzir tais temas para serem debatidos entre pais e filhos, alunos e professores e até mesmo entre os próprios jovens. Tramas que enfocam o cotidiano de adolescentes estilo rebeldes ou extremamente reservados já são clichês cinematográficos, sempre provando que o ambiente em que vivem e as pessoas que os cercam podem influenciar diretamente em seus comportamentos. Bem, A Arte da Conquista não abre mão de discussões sobre isso, mas o longa do novato roteirista e diretor Gavin Wiesen inova de certa forma ao trazer um protagonista que não está em um período difícil de sua vida necessariamente pelas dúvidas comuns as pessoas de sua idade, mas sim pelos pensamentos acerca da morte que ocupam sua mente. O roteiro é bastante simples e segue o jovem George Zinavov (Freddie Highmore) que não alimenta ilusões, preferindo manter seus pés no chão, porém, vivendo de um modo depressivo. Ele não se comunica com a família, está quase sempre trajando um sobretudo escuro e não vê sentido nos estudos, preferindo passar seu tempo fazendo desenhos. Ele faz questão de deixar claro que o futuro não lhe importa e que tem consciência de sua mortalidade. Os professores tentam ajudá-lo, mas o garoto mostra-se irredutível em sua conduta apocalíptica. A típica crise existencial que boa parte dos adolescentes vive no caso de George é levada a sério demais. Resumindo seu quadro, o rapaz toma consciência de que o tempo passa rapidamente, o futuro é incerto e assim as atividades e acontecimentos do presente perdem qualquer sentido que tenham, por exemplo, para que se preocupar em se formar no segundo grau se ele não tem certeza que irá poder cursar uma universidade? Quem lhe garante que ele estará vivo para dar esse grande passo?

segunda-feira, 10 de junho de 2013

MINHA VIDA SEM MINHAS MÃES

NOTA 9,0

Drama finlandês faz alusão a
um drama que milhares de
crianças vivenciaram, uma visão
diferente da Segunda Guerra
Quando se fala em filme que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial automaticamente nos vem a mente as imagens de sofrimentos, combates, mortos, feridos, tiroteios, bombas e conchavos políticos. Isso se deve ao fato dos inúmeros filmes que já trabalharam com a temática, mas sempre apostando nos velhos clichês que servem para impactar o espectador ou levá-lo as lágrimas. Também é comum enxergarmos os fatos da época através do olhar americano, já que os EUA é um dos países que mais produz obras calcadas no tema e teve uma participação importante no conflito, fato que até hoje gera certas discordâncias já que alguns episódios ocorridos no período parecem ser conhecidos pelo público pela ótica da fantasia e do patriotismo americano. Felizmente, existem cineastas e produtores que preferem ver estes tempos difíceis por uma ótica diferenciada, mais branda, pelos olhos inocentes das crianças, mas este viés também já rendeu demais. Para quem gosta de obras que retratam esta época marcante da História mundial, mas está cansado da mesmice, que tal procurar títulos do mesmo tipo em filmografias de outros países? Infelizmente, graças ao enxuto currículo escolar que temos no Brasil e até mesmo pela falta de vontade das pessoas em buscarem cultura por outros meios, há uma tendência de algumas pessoas acharem que o impacto dessa guerra que marcou a década de 1940 só tenha sido sentido em solo americano e em alguns países europeus e asiáticos, mas os conflitos surtiram efeitos em todo o mundo, em maior ou menor grau. Uma boa pedida para ver tal tema de modo atípico é Minha Vida Sem Minhas Mães, um belíssimo trabalho da Finlândia comandado pelo diretor Klaus Häro, um promissor talento que aqui assinava então seu segundo projeto atrás das câmeras. Nessa produção encontramos um novo ângulo para compreender o período da Segunda Guerra Mundial que nos ajuda a montar uma pequena parte do quebra-cabeça da época e entender a situação de alguns países em relação ao conflito. Por sua origem nórdica, este longa pode causar certa estranheza inicial devido a forma como a narrativa se desenvolve, um ritmo lento e contemplativo, mas vale a pena fazer uma forcinha e acompanhar a trama até o final.

domingo, 9 de junho de 2013

ACHO QUE AMO MINHA MULHER

Nota 3,0 Premissa razoável é desperdiçada em longa cheio de citações preconceituosas implícitas

Chris Rock é um ator que dedica praticamente toda a sua carreira as comédias e curiosamente criou a fama do seu nome à custa de personagens estereotipados que já vimos encarnados ao longo dos anos por nomes consagrados como, por exemplo, Will Smith e Martin Lawrence. No entanto, a repetição de papéis é o de menos, o que pega mais negativamente é que quando vemos o intérprete cercado por outros negros no pôster do cinema ou na capa do DVD é impossível não sentir automaticamente um desânimo. Lá vem mais uma daquelas produções que ao invés de quebrar preconceitos implicitamente acaba por reforçá-los visto que dificilmente algum longa do tipo não joga seu protagonista em um mundo a parte, um lugar onde os brancos parecem não ter lugar e os próprios representantes da raça negra alimentam algum tipo de preconceito entre o grupo. Assim, para aqueles que sentem essa sensação de que já viu esse filme diversas vezes e com todas as variações possíveis deve ser difícil embarcar na dinâmica de Acho Que Amo Minha Mulher, projeto que para reforçar rótulos é vendido como uma comédia romântica quando na verdade o humor é dosado e o teor dramático acentuado. Rock interpreta Richard Cooper, um executivo bem sucedido que tem dois filhos pequenos e é casado com a professora Brenda (Gina Torres). Ele teria a vida perfeita, isso se não estivesse passando pela famosa crise de sete anos de casado. Sem ter intimidades com a esposa a um bom tempo, o rapaz constantemente sonha com outras mulheres, mas jamais extrapola os limites da fantasia. Quer dizer, sua fidelidade é colocada em xeque quando ele reencontra a sensual Nikki (Kerry Washington), uma antiga amiga que mexe com seus sentimentos, mas valeria a pena ele colocar seu casamento e família em risco em troca de uma experiência que poderia não passar de uma aventura descartável? Ainda que lutando contra os seus instintos, Cooper passa a sair de vez em quando com Nikki, mas jamais tenta algo a mais com ela. Para ele a relação é de pura amizade, porém, quem os vê junto logo pensa que são amantes e mais cedo ou mais tal boato pode chegar aos ouvidos de Brenda.

sábado, 8 de junho de 2013

O ZODÍACO

Nota 5,0 Bons ganchos são desperdiçados por narrativa limitada e que carece de tensão e clímax

Suspenses baseados em fatos reais costumam ter uma platéia cativa, ainda mais quando as histórias que os inspiraram são recentes ou tornaram-se célebres casos que desafiaram a inteligência da polícia e causaram pânico por anos. O Zodíaco é apenas uma das diversas produções que procuraram desvendar os mistérios que envolviam a mente sádica e o espírito corajoso de um famoso serial killer que assombrou a Califórnia por cerca de dez anos. A trama começa exatamente no dia 20 de dezembro de 1968 quando a pequena cidade de Vallejo foi surpreendida com um crime bárbaro que resultou na morte um jovem casal de namorados que para a polícia foram vítimas de um assaltante, mas para o detetive Matt Parish (Justin Chambers) o episódio não poderia ser explicado dessa maneira, afinal não havia indícios de que algo havia sido roubado ou ao menos tocado por mãos diferentes. A partir disso, este homem começa a ofercer todo o seu tempo para solucionar o caso, mas sua dedicação extrema acaba lhe trazendo problemas em casa, já que passa a dedicar pouca atenção para a esposa Laura (Robin Tunney) e ao filho Johnny (Rory Culkin), este que pouco a pouco também parece se interessar em decifrar o enigma do serial killer que se autodenomina Zodíaco que não por acaso só ataca nas datas que coincidem com a realização de uma teoria astronômica. Eis que seis meses depois do primeiro crime, um novo casal torna-se alvo, só que desta vez o criminoso foi ousado e logo após o ataque ele próprio ligou para a polícia dando a localização das vítimas e assumindo a autoria do crime, assim como sua responsabilidade nas mortes ocorridas no último mês de dezembro. O sadismo do Zodíaco não está apenas em matar jovens, mas também em desafiar a polícia, os jornais e até mesmo o FBI com cartas enigmáticas com mensagens cifradas e códigos que poderiam revelar pistas de seus próximos crimes e quem sabe até mesmo sua própria identidade. O que causa mais impacto é que as perícias dos crimes revelam que suas táticas de ataque e para fuzilamento seguem regras típicas de treinamentos para policiais, o que indica que ele poderia ter feito parte ou ainda estar infiltrado no grupo que o quer ver atrás das grades.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

PODER PARANORMAL

NOTA 6,5

Abordando o charlatanismo,
longa tem boa premissa, mas
perde a mão com pistas falsas e
abrindo mão de um personagem
Truques de ilusionismo, dom da vidência ou a manipulação pela fé? Qual realmente é o foco de Poder Paranormal? Bem, todos esses temas estão neste suspense dirigido, roteirizado, produzido e ainda editado pelo espanhol Rodrigo Cortés, nome que ganhou certa fama com Enterrado Vivo que lhe rendeu algumas indicações a prêmios. Da claustrofobia de seu trabalho anterior este multiprofissional deu um salto para uma trama bem mais arejada, mas que deixa no ar um clima de mistério explorando um tema que costuma chamar a atenção e gerar polêmicas. O longa começa bem apresentando a estudiosa Margaret Matheson (Sigourney Weaver) e seu assistente Tom Buckley (Cillian Murphy) visitando um casarão onde os habitantes se dizem amedrontados por espíritos malignos. Eles participam de uma sessão espírita, mas não demora muito para descobrirem que tudo não passa de uma farsa, uma brincadeira infantil. A profissão da dupla é essa: estudar supostos casos de paranormalidade em busca de pequenos detalhes que comprovam que tais fenômenos não existem e em geral abastecem a conta bancária daqueles que se dizem detentores de poderes especiais e que se aproveitam da boa fé das pessoas. Um pouco mais adiante, por exemplo, os investigadores acompanham as escondidas uma apresentação de um vidente em um auditório e descobrem que tudo o que ele sabe sobre as intimidades de algumas seletas pessoas da platéia são ditadas em um ponto eletrônico por uma jovem que provavelmente tem uma ficha de inscrição dos espectadores das mais completas ou até mesmo tais participantes já teriam sido contratados previamente para brincarem de atuar. Qualquer semelhança com cenas protagonizadas por certos missionários de Deus da vida real que fazem verdadeiros espetáculos não devem ser encaradas como coincidência. Margaret e Buckley agem rapidamente e o charlatão é desmascarado em público e com a polícia já a postos. Cada um deles tem um motivo para terem escolhido esse trabalho. O rapaz em uma conversa informal deixa a entender que sua mãe estava com câncer e abriu mão do tratamento quando um vidente a fez acreditar que ela não tinha absolutamente nada de errado no organismo, uma mentira que a levou a morte. Já sua mestra, mais que sua profissão, encara essas desmistificações como uma questão pessoal já que seu filho está em coma há anos e ela não aceita desligar os aparelhos sem ter alguma prova concreta de que existe uma outra vida.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

CORAÇÕES EM CONFLITO

NOTA 6,5

Através de uma família, drama
aborda temas relevantes sobre o
mundo globalizado e moderno, mas
trama principal não cativa
Quando somos jovens fazemos muitos planos para o futuro, mas infelizmente a maior parte deles precisa ser abandonada para conseguirmos a realização de alguns poucos da lista. Por exemplo, quantas profissões sonhamos em seguir, mas no final das contas elegemos uma como oficial e uma ou outra atividade praticamos no máximo por entretenimento ou para ganhar alguns trocados? E quem nunca sonhou que quando finalmente tivesse independência financeira poderia fazer o que quiser sem dar satisfações a ninguém? É triste constatar, mas são poucos que concretizam totalmente suas vontades quando adultos. A vida é curta e antes mesmo de estarmos consolidados profissionalmente, paralelo a isso, a natureza humana e a própria sociedade cobram das pessoas um padrão de vida, ou seja, o interesse em formar uma nova família, o que acarreta muitos gastos e sucumbe boa parte dos sonhos individuais de qualquer chefe de família, que hoje em dia não precisa necessariamente ser representado por uma figura masculina. Dessa forma a felicidade inicial de qualquer relacionamento amoroso tende a pouco a pouco a ceder espaço para a melancolia proporcionada por uma rotina estressante de trabalho que tem como único objetivo a aquisição ou a manutenção de um padrão de vida estável, assim muitos casais acabam não conseguindo mais se entender e os reflexos são sentidos diretamente pelos filhos. São justamente as consequências dentro do universo familiar desse tipo de comportamento o foco de Corações em Conflito, uma tímida produção independente que chegou a ser indicada ao Urso de Ouro no Festival de Berlim, mas que teve uma recepção fria por parte da platéia e no Brasil aportou na surdina.  O repúdio por parte do público e cautela dos distribuidores tem justificativa. A estrutura narrativa criada pelo diretor e roteirista sueco Lukas Moodysson tenta ser algo próximo ao estilo de Crash – No Limite ou Babel, devido as ações fragmentadas e que intercalam situações, em geral dramáticas, que ocorrem com personagens que mesmo estando distantes geograficamente mantêm algum tipo de ligação entre si. O problema é que a trama que envolve o casal principal é das mais enfadonhas, porém, o dilema da empregada estrangeira compensa.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A CASA CAIU

NOTA 6,0

Steve Martin forma uma boa
dupla com Queen Latifah em
comédia que, embora divertida,
levanta alguns preconceitos
Steve Martin até que já tentou atuar em outros tipos de filmes, mas a comédia é realmente seu território sagrado. Vez ou outra ele faz algo com um humor mais inteligente, porém, não tem jeito, ele sempre regressa às produções a la “Sessão da Tarde”. E o pior de tudo é constatar que no futuro quando assistirmos produtos como A Casa Caiu sentiremos sua falta e do tipo de filme ao qual ele tanto se dedicou. Bem, isso se você for um espectador não muito crítico obviamente. Nesta comédia dirigida por Adam Shankman, que futuramente realizaria os ótimos Hairspray – Em Busca da Fama e Um Faz de Conta que Acontece, mais uma vez o tema do homem moderno que é mais preocupado com o trabalho do que com a própria família está em evidência. Peter Sanderson (Martin) é um representante da nova terceira idade. Ok, pelo seu ritmo e características de sua vida digamos que ele ainda não é legitimamente um idoso, mas está quase lá. Embora exibindo uma cabeleira branca e esteja divorciado de Kate (Jean Smart) aparentemente a contragosto, ele não perdeu a vontade de viver e continua trabalhando em um escritório de advocacia, tenta fazer o melhor que pode para cuidar dos filhos e vez ou outra procura uma nova paquera através de chats de internet. Certo dia ele marca um encontro com uma advogada que pela descrição física parece muito atraente. Ansioso, ele escolhe sua melhor roupa, se perfuma, arruma a casa e para sua surpresa recebe a visita de Charlene Morton (Queen Latifah), uma mulher que fisicamente não lembra em nada a descrição do chat e que para piorar é uma fugitiva presidiária desbocada e com atitudes rudimentares. Ela se passou por outra propositalmente para se aproximar de Sanderson para que ele aceite defendê-la e a ajude a limpar seu nome. O advogado recusa várias vezes, mas sua “pretendente” é incansável e faz qualquer negócio para convencê-lo nem que precise literalmente acabar com a sua paciência. A experiência desagradável inicialmente acaba fazendo muito bem a este homem sério que passa a ver a vida de forma mais descontraída, ainda que problemas não lhe faltem.

terça-feira, 4 de junho de 2013

ASSALTO EM DOSE DUPLA

NOTA 1,5

Tentando fazer humor em cima
dos filmes de roubo a banco,
comédia é sem graça e não
não envolve o espectador
Filmes cujo tema principal são golpes e assaltos já tiveram seu auge, mas aos poucos a repetição de clichês cansou o espectador e este subgênero que mescla ação e suspense passou a ser visto com ressalvas. Onze Homens e Um Segredo deu um gás a esse tipo de produção injetando uma generosa dose de humor e reunindo um time de peso. Assim uma nova leva de filmes protagonizados por quadrilhas de assaltantes passou a invadir cinemas e locadoras, a maioria trazendo um tom de ironia implícito. Fazer uma comédia legítima já é um tanto difícil, imagine então extrair risos de uma situação que teoricamente era para deixar qualquer um com os nervos a flor da pele ou ao menos sob o efeito delirante das descargas de adrenalina. Bem, Assalto em Dose Dupla é um híbrido de ação, policial e comédia e realmente faz rir. Sim, provavelmente o espectador irá rir de si mesmo por estar perdendo tempo com algo tão descartável e por vezes excessivamente ignorante. Todavia, a premissa não é das piores. Por uma infeliz coincidência duas gangues de criminosos, uma composta por profissionais e outra formada por amadores, têm a ideia de assaltar um mesmo banco e na mesma hora. Para não perderem a viagem, os bandos decidem se unir para realizarem o assalto, mas tudo sai do controle, principalmente quando os próprios criminosos começam a se equivocar para cumprirem suas metas e os reféns tentam descobrir o que há por trás destes misteriosos e pontuais ataques. Tripp (Patrick Dempsey), cliente do banco, tenta proteger a todo custo Kaitlin (Ashley Judd), uma das caixas do local, por quem ele parece ter uma quedinha, porém, ele se mostra muito astuto do que o esperado para lidar com uma situação do tipo, o que tira um pouco do brilho do único motivo capaz de fazer o público se envolver com este longa. Sim, fora esse fiapo de história que une estes dois personagens, há pouca coisa para se entreter com esta trama desenvolvida em um ambiente de certa forma claustrofóbico, afinal toda a ação se passa dentro uma instituição financeira cuja noção completa de espaço jamais é passada com eficiência, parecendo que os personagens transitam sem rumo por ambientes aleatórios até que a polícia chegasse, diga-se de passagem, uma espera que parece uma eternidade devido a arrastada narrativa que tem poucos momentos divertidos ou de tensão.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A PROMETIDA

NOTA 7,0

Longa apresenta uma imagem
de Frankenstein diferente,
apostando em drama e romance,
hoje acrescidos de nostalgia
A década de 1980 deixou muitas saudades para os cinéfilos, mas é curioso como algumas produções do período atualmente são desconhecidas talvez por não fazerem a linha sessão da tarde, porém, vistas hoje em dia elas podem despertar sentimentos diferenciados em relação a época de seu lançamento. Naquele tempo em que os efeitos especiais passaram a ser mais explorados e os gêneros de terror e suspense viram seu público aumentar consideravelmente graças aos surgimentos das fitas VHS e das locadoras, a ideia de trazer o clássico monstro Frankenstein de volta as telas certamente fazia muita gente sentir calafrios, mas o cineasta britânico Frank Roddam promoveu esse retorno de maneira mais fidedigna e com um bônus: uma versão feminina da sinistra criatura. Cinquenta anos depois do lançamento de A Noiva de Frankenstein, o diretor retomou a premissa de uma criação para ser a companheira do tal monstro em A Prometida, mas injetou uma veia mais dramática ao enredo deixando a violência inerente ao terror de lado, porém, não se esquecendo de criar uma interessante atmosfera que lança o espectador para dentro de uma trama que transpira mistério e ao mesmo tempo nos passa a ideia de ser uma agradável aventura épica. Um produto desinteressante para a atualidade que exige que uma fita de terror transborde sangue, uma ação seja dotada de altas cargas de adrenalina ou um romance seja meloso e adocicado a níveis extremos? Está na hora de rever seus conceitos, principalmente se você se intitula um cinéfilo de carteirinha, mas só aceita produções novas e dotadas efeitos especiais de ponta. Com referências óbvias ao romance da escritora Mary Shelley que leva a alcunha do famoso monstro, o roteiro de Lloyd Fonvielle tem como ponto de partida a inquietação do Barão Von Frankenstein (Sting) que estaria insatisfeito com o resultado de sua última criação que foi batizada com seu próprio nome. Ele então resolveu trabalhar na concepção de uma criatura semelhante ao monstro, porém, o resultado final extrapolou suas expectativas e assim que viu Eva (Jennifer Beals), a primeira representante feminina da espécie, o cientista se apaixonou provocando assim a ira do grandalhão Frankenstein (Clancy Brown) que também percebeu a repulsa de sua pretendente. Em um momento de ira ele acaba colocando fogo na torre que era usada como laboratório e foge. A partir de então as duas criações do Barão tomam rumos diferentes.

domingo, 2 de junho de 2013

AS PEDRAS DE FOGO

Nota 7,0 Típica aventura infanto-juvenil tem gostinho nostálgico, apesar dos efeitos moderninhos

O gênero fantasia sempre foi uma fonte rentável para o cinema e a infância e a adolescência de muita gente ficou marcada por produções do tipo como, por exemplo, A História Sem Fim. Forte lembrança da década de 1980, nos anos 2000 tal vertente voltou com força total com o respaldo da literatura, como é o caso das séries As Crônicas de Nárnia e O Senhor dos Anéis entre outras. De olho no público que literalmente quer esquecer o mundo real e entrar em um imaginário quando decide ver um filme, fisgando inclusive boa parte da audiência adulta, o volume de produtos do tipo aumentou consideravelmente entre adaptações de livros e projetos originais. O problema é que nessa onda de pegar carona no sucesso dos outros muitos bons projetos não tiveram a chance de serem apresentados a uma grande faixa de público, sendo automaticamente rotulados como filmes do tipo caça-níquel, ou seja, produções B entregues em embalagens de luxo e da moda. Facilmente classificado desta maneira poderia ser a aventura As Pedras de Fogo pelo simples fato do longa não ter tido um amparo publicitário digno e nem ter passado pelo escurinho das salas de exibição no Brasil, mas engana-se quem o reduz a nada sem nem mesmo ter conhecimento de seu conteúdo, apenas julgando pelo seu anonimato involuntário. A trama criada por Matthew Grainger e Jonathan King, este último também assinando a obra como diretor, traz uma interessante premissa que coloca os irmãos gêmeos Rachel (Sophie McBride) e Theo (Tom Cameron) no centro das atenções. Após perderem a mãe em um acidente, eles vão passar uma temporada na casa dos tios, Klay (Micheala Rooney) e Cliff (Matthew Chamberlain), que fica localizada a beira de um lago que na verdade esconde uma cratera vulcânica. Mesmo vez ou outra ameaçados por algum tremor de terra, o que impressiona os adolescentes na realidade é um velho casarão que fica do outro lado da água cujos habitantes, os Wilberforces, são vistos com estranheza pelos vizinhos pelos seus atos introspectivos. Os jovens irmãos se sentem atraídos pela casa e certa noite decidem ir até lá para explorá-la e se surpreendem com o que descobrem.

sábado, 1 de junho de 2013

PAIXÃO SEM LIMITES (2005)

Nota 5,0 Capricho da parte técnica imprime a tensão que romance proibido fica devendo

Um filme assumidamente romântico casa bem com o gênero dramático e vice-versa, tanto que é bem difícil classificar produções do tipo, mas trabalhar aspectos pertinentes a estes dois universos somando-se a eles características típicas do suspense não é uma tarefa fácil e geralmente cineastas que tentam fazer tal junção acabam criando obras no máximo medianas, sendo a maioria esquecível e típicas produções para preencher as madrugadas dos canais de TV. Coincidentemente, temáticas sexuais são as preferidas de quem se aventura neste caminho. Paixão Sem Limites em sua premissa prometia algo bom, mas na prática decepciona principalmente por não criar vínculos concretos entre personagens e espectadores. A história roteirizada por Patrick Marber e Chrysanthy Balis se passa nos anos 50, na Inglaterra, quando o médico Max Raphael (Hugh Bonneville) é nomeado supervisor de uma remota clínica psiquiátrica. Para assumir o cargo, ele precisa estar presente na instituição dia e noite e por isso se muda para uma casa nas imediações junto com a esposa Stella (Natasha Richardson) e o filho, o pequeno Charlie (Gus Lewis). Logo que inicia suas atividades, Max já percebe que terá que lidar com um possível rival profissional, o Dr. Peter Cleave (Ian McKellen) que já trabalhava no sanatório há muitos anos e esperava ser o escolhido para ser um dos chefes do local, porém, o principal desafio do médico talvez seja manter a harmonia em seu núcleo familiar já que se dedica demais ao trabalho. Stella sente-se entediada com o cotidiano do lugar no qual é obrigada a se reunir com as mulheres de outros funcionários e desiludida ela acaba não dando tanta atenção ao filho tal qual o marido faz. Dessa forma, Charlie cada vez mais se apega a Edgar Strak (Marton Csokas), um dos internos que matou a esposa e foi diagnosticado como portador de um severo distúrbio de personalidade. O rapaz dedica muito mais atenção ao garoto que o próprio pai dele e ao mesmo tempo ele desperta o interesse de Stella que pouco a pouco se aproxima dele sem dar bola para seu passado de caráter duvidoso ou seu problema psiquiátrico, se atirando literalmente em uma paixão sem limites, mas que chega a um ponto que se torna enfadonha aos olhos do espectador.

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