domingo, 31 de março de 2013

A DANÇA DAS PAIXÕES

Nota 5,0 Apesar de contar com boas histórias paralelas, drama não sabe qual destino dar a elas

Sinopse: Em 1936, num vilarejo no interior da Irlanda, as vidas das irmãs Mundy passam por profundas transformações com a chegada do irmão mais velho, Jack (Michael Gambon), que está de volta após muitos anos atuando como missionário na África, mas com a saúde em mal estado. Ele é recebido por suas irmãs, todas solteiras e cada uma com um temperamento diferente. A irmã mais velha e que assumiu o posto de chefe da família é a recalcada professora Kate (Meryl Streep). Maggie (Kathy Burke) já preferia uma vida sem preocupações enquanto Agnes (Brid Brennan) e Rose (Sophie Thompson) ajudavam a sustentar a família vendendo artigos de tricô. Por fim, a irmã mais nova, Christina (Catherine McComarck) provocou um pequeno escândalo ao dar a luz ao filho Michael (Darrell Johnston) sem ser casada com o pai do menino, Gerry (Rhys Ifans), este que também reaparece após muito tempo. É tempo de mudança para a família Mundy.

sábado, 30 de março de 2013

JUNTOS PELO ACASO

Nota 6,0 Calcado em clichês, comédia romântica se salva por ligeira novidade em sua premissa

Sinopse: Holly Berenson (Katherine Heigl) e Eric Messer (Josh Duhamel) se encontraram para um encontro romântico, mas eles se detestaram logo de cara. Por obra do destino, ou melhor dizendo, de um casal de amigos, ele são obrigados a conviver, pois foram convidados para serem os padrinhos da pequena Sophie (Alexis Clagett). Porém, em um fatídico acidente Peter (Hayes MacArthur) e Alison (Christina Hendricks) acabaram falecendo e seus amigos se tornaram as únicas pessoas próximas da menininha. Agora, Holly e Messer precisam colocar suas diferenças de lado e se unir para o bem da afilhada. Tentando equilibrar suas ambições profissionais e vida social e particular, eles terão que encontrar sentimentos em comum para conseguir viver sob o mesmo teto e a aproximação entre eles será inevitável. Porém, a aparição do doutor Sam (Josh Lucas) na vida de Holly irá despertar o ciúme de Messer.

sexta-feira, 29 de março de 2013

REDENÇÃO (2009)

NOTA 6,0

Longa mostra como um ex
criminoso e drogado mudou
sua vida com a religião, mas
exagerou na dose de caridade
O título já diz tudo. Esta é mais uma história de uma pessoa que levava uma vida desregrada e que após se envolver com a religião passou a ver a vida com outros olhos e seu até então frio coração foi aquecido pelo sentimento da solidariedade e da justiça. Cada vez mais os filmes com temáticas religiosas aplicadas no cotidiano estão ganhando espaço no circuito comercial e chegando com mais facilidade aos “fiéis” que por sua vez tratam de fazer a propaganda boca-a-boca das produções assim aguçando a curiosidade de outros públicos. Se antes tais projetos eram restritos a profissionais pouco conhecidos ou até mesmo amadores, hoje eles já chamam a atenção de nomes de peso de Hollywood, como Gerard Butler que assume em Redenção o papel do ex-motoqueiro e traficante Sam Childers que se tornou um grande defensor das crianças do Sudão, inocentes obrigados a virarem soldados e cometerem atrocidades muito tempo antes de se tornarem homens. Conhecido como “pastor da metralhadora”, ele não pensa duas vezes antes de empunhar uma arma para defender seus ideais. O grande problema desta obra é não apresentar de forma convincente a mudança de perfil do protagonista de bad boy à herói. Childers levava uma vida criminosa e sem regras na Pensilvânia e passou muitos anos na cadeia. Quando volta à liberdade, a vida regada a sexo, drogas e crimes volta a tentar-lhe, mas sua família está a postos para ajudá-lo a mudar os rumos de seu futuro. Sua esposa Lynn (Michelle Monaghan), uma ex-dançarina de boates, o apresenta à religião e ele aceita se converter, decide levar uma vida longe de atos ilegais, consegue um trabalho honesto e até vende sua moto envenenada, tudo para ter mais qualidade e vida e viver em paz com a mulher e a filha, a jovem Paige (Madeline Carroll). Influenciado por um missionário, este novo homem acaba indo à África, mais precisamente em Uganda, como voluntário e sofre um violento choque de realidade que mexe completamente com sua vida. Ao se deparar com a brutalidade que impera na região do Sudão através dos atos cruéis de milícias que maltratam e exterminam a população, incluindo soldados obrigando uma criança a matar a própria mãe, ele passa a se dedicar à causa das crianças órfãs africanas, mas acaba por negligenciar sua própria família que fica esquecida no interior dos EUA. Em determinado momento, até o próprio “santo justiceiro” afasta-se de Deus e coloca seus ideais e objetivos em primeiro lugar.
 

quinta-feira, 28 de março de 2013

AOS TREZE

NOTA 7,5

Longa mostra como uma má
companhia pode mudar a
drasticamente uma vida,
ainda mais na adolescência
A adolescência é um período da vida no qual qualquer ser humano está cheio de dúvidas e anseios e encontrar o equilíbrio entre o resquício da inocência da infância e a maturidade forçada por uma sociedade cada vez mais irracional é quase impossível. Aos olhos dos pais e protegidos dentro de seu lar, em geral, os filhos são vistos de forma positiva, a criança que cresceu bem educada e feliz, até porque a maioria já sabe usar muito bem os truques de personalidade para persuadir. Porém, quando estão fora de casa as regras são outras e os jovens gradativamente são levados a seguir caminhos torpes e como estão na idade de se auto-afirmarem como pessoas fazer parte de um grupo bacana na escola ou no bairro torna-se uma necessidade primordial. Ser você mesmo é descartável, o importante é parecer com a turma que escolheu fazer parte, o que implica certamente em mudanças de visual e de comportamento chegando inclusive a atos de extrema crueldade contra semelhantes ou a si próprios. De anjinho da mamãe à garota pervertida e problemática, a protagonista de Aos Treze mostra de forma realista e econômica o processo desta transformação, embora o roteiro seja baseado em episódios clichês já vistos em outras produções que lidam com temas parecidos. Tracey Freeland (Rachel Evan Wood) é uma adolescente aparentemente exemplar. Aos treze anos ela é excelente aluna, boa filha e ainda mantém ativo um irresistível jeitinho de criança, porém, ela já está se sentindo mal por ser esnobada na escola pelas garotas mais populares, aquelas que estão sempre na moda e chamam a atenção dos meninos. A chance de mudar esse quadro surge quando ela consegue se aproximar de Evie Zamora (Nikki Reed), o modelo de garota ideal que ela gostaria de seguir, mas o problema é que essa nova amizade não é uma boa companhia e assim Tracey acaba sendo pouco a pouco persuadida a se envolver com drogas, experimentar prazeres sexuais e até cometer pequenos crimes. As coisas complicam quando tais atos deixam de ser curiosidade e se tornam rotineiros desencadeando uma série de desentendimentos entre Tracey e sua mãe Melanie (Holly Hunter), ainda mais quando Evie tem a ideia de tentar morar na casa da nova amiga, claramente se aproveitando da relação em frangalhos que a jovem mantém com seus familiares.

quarta-feira, 27 de março de 2013

O PREÇO DO AMANHÃ

NOTA 8,5

Ficção mostra um futuro
apocalíptico no qual a moeda

de troca é o tempo e é preciso
pagar para poder viver mais
A expressão tempo é dinheiro ganhou uma boa representação cinematográfica pelas mãos do diretor e roteirista Andrew Niccol no filme O Preço do Amanhã, uma eficiente mistura de ação e suspense que de quebra nos faz refletir sobre como serão as coisas daqui a alguns anos. Apesar da embalagem high tech, a produção se baseia em uma antiga ambição humana: a imortalidade ou até mesmo a juventude eterna. Já está em pauta em praticamente todos os setores da sociedade discussões sobre como ficará o mundo com uma superpopulação, afinal estamos vivendo em uma época em que os idosos estão vivendo mais e muitas doenças foram erradicadas graças aos esforços dos campos medicinais. Com menos mortes e muitos nascimentos diariamente, existe a preocupação se haverá possibilidades de oferecer condições de vida dignas a tantas pessoas. Neste longa tais assuntos podem ser pinçados pelo espectador para serem pensados mais tarde, mas no momento em que se está assistindo o grande tema destacado é a ganância e o sentimento de superioridade.  A trama se passa em uma época futura, não determinada, quando as pessoas são modificadas geneticamente para viverem até os 25 anos. Isso acontece porque pesquisadores conseguiram bloquear o gene do envelhecimento. Depois do limite de idade estabelecido, todos podem permanecer com a aparência jovem para sempre o quanto desejarem, isso desde que paguem por esse tempo de vida extra. Assim, as relações capitalistas deixam de se basear em dinheiro físico e as horas, dias, semanas, anos e até mesmo os segundos, qualquer fração de tempo torna-se moeda de troca. Nem uma carteira é necessária ser carregada. Um relógio subcutâneo em um dos antebraços com contagem regressiva é utilizado para uma leitura digital a cada compra ou serviço adquirido, além de descontar cada dia vivido. O problema é que apesar dos avanços as sociedades ainda se dividem entre pobres e ricos, assim, dependendo da classe social, um indivíduo poderia ter uma longa expectativa de vida ou contar os dias que lhe restam na Terra quando se aproximasse, teoricamente, o seu derradeiro aniversário. É como se fosse uma alusão a situação contemporânea. Quem tem dinheiro tem melhores condições de vida e consequentemente vive mais. Quem não é abastado, bem, os jornais diariamente tratam de revelar a triste realidade.

terça-feira, 26 de março de 2013

SOBRE MENINOS E LOBOS

NOTA 9,0

Clint Eastwood comanda
drama visceral que mexe com
o emocional através de diálogos
e interpretações impactantes
Um filme que trabalha com temas espinhosos como assassinato, pedofilia e traição e que deseja manter a tensão em alta do início ao fim precisa obrigatoriamente conter tiroteios, sangue, cenas fortes, muito palavrão e quem sabe até o ato corajoso de colocar um ator-mirim para dar mais credibilidade ao assunto do abuso sexual infantil. Bem, essa é a receita básica dos diretores que se aventuram no mundo do suspense, mas quem tem um currículo repleto de sucessos com certeza procura de todas as formas fugir do lugar comum e surpreender às avessas. É investindo em uma excepcional mescla dos gêneros drama e policial que Clint Eastwood construiu Sobre Meninos e Lobos, um filme capaz de deixar qualquer um com um nó na garganta sem precisar se chocar com imagens, mas sim embarcando em uma história forte e realista conduzida por um elenco competente. Lançado em uma época em que o cinema estava no auge da invasão de magos, duendes e outras criaturas fantásticas, obviamente este trabalho não fez fortuna e até hoje muitos não tiveram coragem em assisti-lo. Não é a toa que a carga pesada de sentimentos contida no enredo seja a grande marca desta obra, agindo de forma negativa e ao mesmo tempo positiva para a vida útil da mesma. De qualquer jeito, este é um daqueles títulos que ficam martelando em nossa cabeça até que arriscamos a sobreviver a esta imersão triste e angustiante proporcionada por um filme reflexivo e relativamente de difícil digestão.  A história começa em Boston, nos EUA, em meados dos anos 70 quando certo dia três crianças foram flagradas em meio a uma travessura por dois homens que se apresentaram como policiais. Um deles foi levado pela dupla sem que os outros interviessem por ele. O problema é que esse passeio forçado não era um castigo até que um dos responsáveis pelo garoto fosse buscá-lo, mas sim um sequestro no qual a vítima foi abusada sexualmente por vários dias. Cerca de três décadas mais tarde o destino acaba por unir os três jovens que agora são chefes de família e que há anos não mantinham contato próximo, apenas cumprimentos à distância. Katie (Emmy Rossum), a filha de Jimmy Markum (Sean Penn), está desaparecida e existem suspeitas de que ela pode ser a jovem encontrada morta em um barranco. Quem comanda as investigações é Sean Devine (Kevin Bacon), um dos meninos que escapou do abuso, que pouco a pouco chega a evidências que o levam a suspeitar do antigo amigo Dave Boyle (Tim Robbins), um homem amargurado que jamais se recuperou do trauma de infância. Portanto, mais um fato doloroso marcará a vida destes três homens que terão que enfrentar o passado para encarar o presente com maturidade, contudo, não é apenas Boyle que leva uma vida suspeita. Markum é um comerciante que tenta levar uma vida normal, mas tem um passado criminoso, ainda não está totalmente livre destas amarras e parece disposto a fazer justiça com as próprias mãos.
 

segunda-feira, 25 de março de 2013

O LORAX - EM BUSCA DA TRÚFULA PERDIDA

NOTA 6,0

Falando sobre preservação
da natureza, desenho agrada
as crianças, mas adultos podem
não embarcar na fantasia
Theodor Seuss Geisel, ou simplesmente Dr. Seuss, era um autor de livros infantis cujas obras até hoje fazem muito sucesso em países de língua inglesa, mas no Brasil o conhecimento sobre seus trabalhos é muito limitado. Infelizmente, sua literatura por aqui depende e muito do cinema para chegar ao grande público, mas ainda assim os resultados deixam a desejar. Coloridos, com boas lições de morais e com personagens com características físicas inconfundíveis, O Grinch, O Gato e Horton e o Mundo dos Quem não foram incríveis sucessos de bilheteria, mas até que ajudaram na venda de livros. A mesma situação se repetiu com O Lorax – Em Busca da Trúfula Perdida, uma animação que não traz mensagens importantes apenas para as crianças, mas também para adultos, afinal é a preservação da natureza que está em pauta, assim como os perigos da ambição sem limites. E olha que esse livro foi lançado em 1971 e já naquela época os avanços do desmatamento das florestas era uma preocupação mundial, o que torna o conteúdo deste filme extremamente atual. A história adaptada por Ken Daurio e Cinco Paul se passa em uma cidade futurista, local onde tudo é feito de plástico ou metal e o verde das vegetações não encontra mais espaço. O jovem Ted está à procura de uma árvore verdadeira para impressionar Audrey, sua vizinha por quem está apaixonado. Nesta busca, ele acaba saindo dos limites da cidade e vai falar com Once-ler (ou Umazevildo na versão dublada para o português), um empresário ganancioso que está desmatando as áreas ocupadas pelas trúfulas, exóticas árvores com pêlos no lugar de folhas. Ele conta ao garoto também sobre o Lorax, uma criatura encarregada de proteger a natureza, mas que só pode aconselhar a respeito dos danos que o progresso sem limites pode acarretar. Ted então passa a lutar pelos direitos da natureza e deseja encontrar a última trúfula viva, porém, seus propósitos vão contra os interesses de Mr. O’Hare, um milionário que lucra vendendo ar puro a preços exorbitantes. Quanto menos plantas existirem, mais poluído o ar ficará, assim obrigando a população a comprar um bem que deveria ser comum e gratuito a todos.
 

domingo, 24 de março de 2013

O JULGAMENTO DO DIABO

Nota 3,0 Escritor faz pacto com o Diabo pelo sucesso, se dá mal e você já conhece essa história

Sinopse: Jabez Stone (Alec Baldwin) é um homem azarado em vários aspectos de sua vida, incluindo a frustração de não ser um escritor de sucesso. Desesperado, ele acaba fazendo um acordo simplesmente com o Diabo (Jennifer Love Hewiit) em pessoa. O trato prevê que Stone cederá sua alma em troca da realização de seu grande desejo: tornar-se um conceituado autor de best-sellers, ainda que eles fossem de conteúdo de qualidade questionável. Assim, durante anos ele teve tudo aquilo que um homem de sucesso pode atrair. Porém, quando a fama, a riqueza e o assédio das mulheres começam a dar sinais de escassez, Jabez lembra que está chegando sua hora de cumprir sua parte no acordo e então decide procurar a ajuda de Daniel Webster (Anthony Hopkins), o advogado e chefe de uma poderosa editora, com o objetivo de encontrar uma maneira de livrá-lo do tal acordo literalmente dos infernos.
 

sábado, 23 de março de 2013

O INQUILINO (2008)

NOTA 3,0 Apesar da premissa interessante, longa perde fio da meada com trama enrolada

Sinopse: Um assassino está assombrando as ruas de West Hollywood vitimando as prostitutas da região. Coincidentemente seus atos lembram muito os cometidos pelo lendário Jack, o Estripador, em meados do século 19. O agente Chandler Manning (Alfred Molina) está à sua procura, mas precisa lidar com o fato de que provavelmente capturou e condenou à morte um inocente sete anos antes, um homem que estava sendo investigado por duas mortes que guardam características semelhantes com os crimes atuais, o que indica que o verdadeiro criminoso está de volta. Quanto mais o detetive penetra nas novas investigações, mais as coisas ficam enroladas para o seu lado e ele passa a ser também um suspeito. Paralelamente a isso, Helen Bunting (Hope Davis) aluga o quarto dos fundos de sua casa para Malcolm (Simon Baker), um misterioso escritor que chega à cidade no mesmo período da onda de assassinatos.

sexta-feira, 22 de março de 2013

ALGUÉM TEM QUE CEDER

NOTA 8,5

Veteranos protagonistas dão
um tempero novo à batida
receita das comédias
românticas, mas sem apelações
A estrutura básica de uma comédia romântica é composta por um casal bonito e charmoso, uma ou duas pessoas que surgem para atrapalhar esse amor, muitos conflitos, fofocas e micos para encher linguiça e por fim o tão esperado beijo e a declaração de amor destes jovens apaixonados que ainda podem subir ao altar para fechar com chave de ouro este filme-clichê que tanto faz a alegria de milhares de espectadores que adoram sofrer com os dilemas e desventuras dos personagens, mesmo sabendo que no fim o amor prevalecerá. Uma estrutura similar é a base de Alguém Tem Que Ceder, produção que traz como grande diferencial o fato de ser protagonizada por duas pessoas maduras redescobrindo o prazer de viver através do amor. Na época de seu lançamento, os adolescentes e jovens com idades até cerca de 30 anos se viam representados nos cinemas por atores como Jennifer Anniston e Mark Ruffallo, mas a turma mais velha não se identificava com personagens se apaixonando pela primeira vez ou buscando o amadurecimento e a responsabilidade através do matrimônio afinal já passaram por tudo isso. Assim não é de se estranhar o sucesso com os espectadores cinquentões ou de mais idade que resultou o reencontro de Jack Nicholson e Diane Keaton quase vinte anos depois deles atuarem juntos pela primeira vez no filme Reds. Para falar de amor na terceira idade e contando com uma história que mexe com a alma feminina, nada melhor que uma mulher já vivida na direção. Nancy Meyers há décadas acumula experiência atrás das câmeras e na redação de roteiros sempre optando pelas comédias românticas, mas constantemente seus trabalhos eram recepcionados de forma fria pela crítica, mas encontravam refúgio nos braços do público. Após o sucesso Do Que as Mulheres Gostam, no qual a cineasta arriscou-se a colocar Mel Gibson usando acessórios femininos e com uma sensibilidade ímpar para quebrar sua imagem de ator de filmes de ação e suspense, aqui ela não teve mede de apresentar Nicholson como um sessentão mulherengo e Diane exibindo um pouco mais de seu corpo, embora apareça em cena bem mais tempo vestindo roupas recatadas.

quinta-feira, 21 de março de 2013

GÊNIO INDOMÁVEL

NOTA 9,0

Jovem rebelde e terapeuta
ressentido passam a ver a
vida com outros olhos através
da troca de experiências
Os gênios incompreendidos sempre intrigaram a ciência e fascinaram cineastas que enxergaram em diversas histórias verídicas um material fértil para ser transformado em filmes. Curiosamente, um dos trabalhos mais lembrados do tipo nasceu das mentes de dois jovens completamente sadios, mas que se achavam verdadeiros peixes fora d’água no mundo em que viviam. Os hoje mundialmente famosos Matt Damon e Ben Affleck já se conheciam desde a infância e batalharam paralelamente pelos seus espaços no mundo do cinema, mas até meados dos anos 90 só recebiam convites para produções convencionais e na maioria das vezes nas quais os jovens eram retratados de modo estereotipado ou debochado. Juntos eles resolveram criar o próprio roteiro dos sonhos, onde teriam a chance de retratar a geração a qual pertenciam de maneira mais realista, uma turma que tem sonhos, dúvidas, raiva, amor e inteligência, mas que nem sempre encontra apoio para mostrar seus talentos ou ser o que gostaria. O destino ajudou e os escritos chegaram às mãos do ator Robin Williams que fez a ponte para transformar o sonho dos dois rapazes em realidade. Assim começou a trajetória de sucesso de Gênio Indomável, longa que enfrentou com bravura a pressão do Titanic nas principais premiações de 1998 chegando a ser apontado como um forte candidato as principais categorias do Oscar. Para os preguiçosos de plantão é muito fácil ler a sinopse e logo rotular este trabalho como algo no estilo Sociedade dos Poetas Mortos ou tantos outros filmes que lidam com a relação mestre e aprendiz na qual cada uma das partes tem a vida enriquecida com as experiências adquiridas com o convívio com a outra, geralmente pessoas aparentemente sem nenhum vínculo em comum, mas que pouco a pouco vão descobrindo afinidades, lembranças ou problemas que os conectam, todavia, essa premissa neste caso vai além das expectativas. A trama gira em torno de Will Hunting (Damon), um rapaz que trabalha como faxineiro em uma conceituada universidade, mas seu comportamento arredio, sempre se metendo em brigas, respondendo com agressividade e se entregando a bebedeiras acaba por levá-lo à cadeia. É nessa fase que o matemático Gerald Lambeau (Stellan Skarsgard) descobre que o adolescente é dotado de uma Inteligência assombrosa. Mesmo sem nunca ter frequentado as aulas do ensino superior ele é capaz de resolver complexas equações matemáticas que alguns estudiosos da área levaram anos para chegar ao resultado final. O professor sabe que sua descoberta tem potencial para ser reconhecido como um novo gênio, mas precisa domar o rapaz antes de mais nada.

quarta-feira, 20 de março de 2013

EU OS DECLARO MARIDO E... LARRY

NOTA 7,0

Comédia previsível em torno
de um falso casal gay faz o que
pode para respeitar limites do
politicamente correto
Adam Sandler não é um excepcional sinônimo de humor, mas acabou ganhando a fama e geralmente extrapola em seu aproveitamento, porém, ele funciona bem quando compartilha o peso das atenções. Deixando o humor físico e as caras e bocas de lado (bem, nem tão de lado assim), o ator divide com Kevin James as piadas de Eu os Declaro Marido e... Larry, uma eficiente comédia na qual eles vivem dois héteros tentando se passar por homossexuais para ganharem benefícios do governo. Embora possa parecer mais uma produção para achincalhar a imagem dos gays, na realidade o humor aqui é usado de forma agradável e consciente e acaba por levar uma mensagem positiva ao público: todos têm direito a serem felizes, mas o caminho para alcançar tal felicidade cabe a cada um escolher e os outros respeitarem. Ok, não é com essas palavras literalmente que tiramos uma boa lição do filme, só os mais bondosos podem ver tal idéia. O recado mais forte é sobre a valorização da amizade, principalmente nos momentos difíceis. Chuck Levine (Sandler) e Larry Valentine (Kevin James) são dois destemidos bombeiros que não são unidos apenas na profissão, mas também são grandes amigos longe de seus uniformes de trabalho. Larry é viúvo e se preocupa com o futuro dos filhos, mas devido a problemas burocráticos ele não consegue colocá-los como beneficiários em seu seguro de vida. Para tanto ele precisaria se casar novamente, o problema é que ela ainda não superou a perda da esposa e sabe que não pode confiar em qualquer mulher quando o assunto é dinheiro. O jeito é recorrer ao seu grande amigo que tem com ele uma dívida de gratidão por ter salvo sua vida em um incidente de trabalho.
 

terça-feira, 19 de março de 2013

CONTÁGIO

NOTA 8,0

Longa aborda como seria a
reação da população mundial
em seus diversos níveis em
caso de uma situação limite
Hollywood já destruiu o mundo através de catástrofes naturais, invasões alienígenas, choque entre a Terra e gigantescos meteoros, eventos inexplicáveis e até conseguiu imaginar a extinção da humanidade em um futuro bem distante quando o Sol se apagar definitivamente. O apocalipse também pode vir através das ações e reações desmedidas dos seres humanos e é isso que nos mostra Contágio um suspense que bebe na fonte das guerras epidemiológicas, um tema que foi bastante usado entre os anos 80 e 90, períodos em que a ciência e a medicina conseguiram grandes avanços no combate de doenças que eram fatais, mas em contrapartida novos vírus e bactérias surgiram para aterrorizar a população mundial. Quem já está na casa dos vinte anos hoje em dia certamente lembra, por exemplo, o pânico que foi causado pela descoberta do vírus Ebola. Para aproveitar o tema em evidência, os produtores americanos correram para lançar filmes medíocres a toque de caixa explorando o filão, o que colaborou para que esse tipo de produção fosse classificada como trash e sobrevivesse no mercado de home vídeo apenas. Até hoje uma ou outra bomba é lançada diretamente em DVD, mas felizmente ainda há mentes brilhantes no cinemão ianque que podem dar um sopro de vida aos gêneros combalidos. Steven Soderbergh, acostumado a reunir um elenco grande e repleto de estrelas, tenta neste caso repetir a estrutura do filme que lhe deu o Oscar de Melhor Diretor, Traffic. Mais uma vez ele traz à tona um tema polêmico e várias histórias que de alguma forma se conectam, embora alguns personagens desta vez pudessem ser suprimidos, pois não agregam absolutamente nada ao enredo. Na realidade a super população do longa se deve ao objetivo do cineasta em criar um rico painel de situações mostrando como o medo do fim eminente age sobre as pessoas. Para tanto ele escolheu um tema batido, a descoberta de um vírus letal que em pouco tempo se espalha pelo mundo, mas conseguiu injetar ânimo em uma produção que tinha tudo para ser apenas mais um filme B qualquer. O roteiro de Scott Z Burns, que havia escrito antes para o cineasta O Desinformante, constrói uma teia levemente tensa que faz uma crítica bastante contundente a uma época em que o individualismo e a falta de ética imperam, sendo assim é óbvio que sobram farpas para a área política da qual o cineasta claramente não compactua com seus ideais e ações.

segunda-feira, 18 de março de 2013

ARMADILHAS DO CORAÇÃO

NOTA 4,5

Baseado em clássico de
Oscar Wilde, longa abusa do
tom teatral e em alguns
momentos chega a confundir
A literatura é uma fonte inesgotável de inspiração para o cinema, mas é fato que existem obras ou até mesmo estilos de escritas que acabam sendo difíceis de serem transformadas em imagens. O famoso escritor irlandês Oscar Wilde é um desses ícones culturais cujas obras ainda não tiveram adaptações cinematográficas dignas. Seu estilo flerta entre sutis e ferozes críticas à Inglaterra de sua época combinadas a diálogos inteligentes e irônicos, mas talvez o tom teatral de suas obras dificulte suas apreciações quando cineastas resolvem literalmente transformá-las em filmes. É esse um dos grandes problemas de Armadilhas do Coração, uma comédia romântica visualmente chamativa, mas cujo desenvolvimento peca por ser extremamente rocambolesco e com diálogos carregados de entonação e frases de efeito, o que acaba resultando em cenas frias e pouco convincentes, ainda que a trama se passe no final do século 19 perdoando-se assim o modo refinado como os personagens se comunicam. Os protagonistas são dois rapazes de classe média alta que se metem em confusões amorosas tudo por causa de um simples nome. Algernon Moncrieff (Ruper Everett), ou simplesmente Algy, é um charmoso cavalheiro de uma família rica, mas gasta todo seu dinheiro com futilidades e diversão. Já Jack Worthing (Colin Firth) é seu melhor amigo há anos, mas não herdou sua fortuna, pelo contrário, a fez com seu próprio esforço. Algy acabou criando um alter ego para ajudá-lo a se livrar dos problemas criados por suas constantes crises financeiras e descobre que Jack também criou uma falsa identidade para poder frequentar as ruas de Londres. Coincidente e contraditoriamente ambos adotam o nome Earnest para os personagens que criaram por ele inspirar sinceridade, confiabilidade. Para poder se ausentar de sua casa de campo sem levantar suspeitas, Jack inventa um irmão fictício que necessita de suas visitas constantes, mas quando ele está na cidade grande o tal Earnest se transforma em um exímio galanteador que se apaixona por Gwendolen (Frances O’Connor). Prima de Algy, ela corresponde aos galanteios do rapaz, mas sua mãe, Augusta Bracknell (Judi Dench), uma dama da alta sociedade, proíbe o romance até que o pretendente descubra suas origens, um passado que realmente Jack não teve já que cresceu sem os pais presentes.

domingo, 17 de março de 2013

REFLEXOS DA AMIZADE

Nota 6,0 Estreia do ator David Duchovny na direção e como roteirista rende drama razoável

Desde que o seriado “Arquivo X” acabou o ator David Duchovny tem tentado encontrar seu espaço no cinema, mas sem sucesso. Talvez cansado de viver a sombra de seu personagem televisivo e não encontrando bons projetos na praça, em 2004 resolveu fazer ele mesmo o seu próprio filme ideal. Lançado diretamente em DVD no Brasil, Reflexos da Amizade é o primeiro trabalho escrito e dirigido por ele que também protagoniza a obra cuja forma narrativa descarta a rapidez hollywoodiana para adotar o estilo mais emotivo e reflexivo próximo do cinema tradicional europeu. O roteiro escrito em apenas seis dias conta a história de Tom Warshaw (Duchovny), artista plástico que leva uma vida boêmia em Paris, mas precisa urgentemente reatar laços com sua esposa Coralie (Magali Amadei) e Tommy (Anton Yelchin), seu filho de 13 anos. Para tanto ele começa a resgatar memórias de quando ele tinha a mesma idade do adolescente, período em que morava em Nova York. Ele havia perdido o pai recentemente e sua mãe, a enfermeira Katherine (Téa Leoni), ingenuamente acreditava que qualquer doença poderia ser evitada consumindo grandes quantidades de verduras, assim ela infernizava o filho na hora das refeições. Desde que perdeu o marido, ela oscilava entre momentos de lucidez e outros de insanidade, como resolver usar o banheiro ao mesmo tempo em que o filho tomava banho, além de ter se entregado ao vício dos cigarros e chorar constantemente. Para fugir desse ambiente depressivo e sufocante, o jovem Tom gostava de passar o máximo de tempo em companhia do seu melhor amigo, o deficiente mental Pappas (Robin Williams). Juntos eles faziam entregas para um açougue e juntavam trocados para gastar no cinema e com guloseimas. O que sobrava eles enterravam em frente a uma delegacia feminina, afinal elas já estavam presas e não ofereciam riscos, além de ser uma forma de evitar que o pai de Pappas (Mark Margolis) roubasse o próprio filho a quem ele culpava pela morte da esposa alegando que ela não suportou o fardo de ter um filho retardado.

sábado, 16 de março de 2013

O MERCADOR DE PEDRAS

Nota 2,0 Longa acaba deixando explícita uma mensagem de preconceito contra os muçulmanos

Sinopse: Ludovico Vicedomini (Harvey Keitel) é um carismático negociador de pedras preciosas que trabalha entre a Europa e o Oriente Médio, mas por trás de sua agradável aparência ele esconde um grande segredo. Junto com seu parceiro de negócios Shahid (F. Murray Abraham), ele conspira um ataque terrorista em grande escala. Com seu plano quase concretizado, Vicedomini conhece Alceo Rondini (Jordi Mollà) e Leda (Jane March), um casal que está passando férias na Turquia. Mantendo certa amizade eles nem desconfiam que estejam participando de um jogo perigoso tramado por Vicedomini. Contudo, o destino acaba por surpreender esse homem misterioso fazendo-o se apaixonar por Leda que corresponde aos seus galanteios. Agora ela terá que escolher entre o amor do marido ou essa paixão repentina, mas Rondini está disposto a desmascarar seu rival e provar que ele é um criminoso.

sexta-feira, 15 de março de 2013

OS OLHOS DE JULIA

NOTA 8,0

Suspense espanhol é uma
boa surpresa que investe em
trama policial com toques
de sobrenatural
Enquanto em Hollywood o gênero de terror sobrevive aos trancos e barrancos graças aos filmes sobre seriais killers, casas assombradas e refilmagens de sucesso do passado ou de outros países, é através do sotaque espanhol que nos últimos tempos temos tido a oportunidade de sentir calafrios de verdade. Rec, por exemplo, agradou a crítica, gerou duas sequências, ganhou versão americana e cativou um expressivo grupo de fãs, porém, o criador dessa revolução no cinema não ganhou o mesmo destaque que o nome Guillermo Del Toro. O cineasta mexicano tornou-se famoso no mundo todo após o estrondoso sucesso do inovador O Labirinto do Fauno e bastou seu nome envolvido na produção de O Orfanato para que certo burburinho fosse gerado e um novo “pequeno grande” filme surgisse. É uma pena que o mesmo não aconteceu com Os Olhos de Julia, até porque a distribuidora praticamente ignorou o longa e o lançou em DVD praticamente em brancas nuvens. Apesar de algumas situações previsíveis e outras que deixam pontas e dúvidas, no geral o filme surpreende e garante boas reviravoltas explorando o impacto da perda da visão, talvez o mais importante dos sentidos para os seres humanos, relacionando a uma trama de suspense que pode ou não ser real. O enredo gira em torno de Julia (Belén Rueda), uma mulher que decide investigar por conta própria às circunstâncias que levaram sua irmã gêmea Sara a se suicidar, porém, ela acredita que a tragédia aconteceu por conta de um assassinato. Assim ela começa a procurar indícios dos últimos atos de sua irmã em vida e quanto mais se aprofunda nas investigações mais se convence de que ocorreu um crime envolvendo outra pessoa e que de alguma maneira isso está ligado à doença degenerativa dos olhos que acabou cegando Sara e que agora já está se manifestando também em Julia. Para completar o pacote desgraça pouca é bobagem um homem misterioso que parece estar perseguindo esta corajosa mulher traz a tona novas dúvidas sobre o caso. Poderia realmente Sara ter se suicidado e Julia estar delirando? Ou as desconfianças da jovem têm fundamentos e é a polícia quem não quer enxergar a verdade?

quinta-feira, 14 de março de 2013

MISSÃO MADRINHA DE CASAMENTO

NOTA 7,0

Vendida com muita pompa e
elogios, comédia romântica
não é muito diferente de
outras produções do gênero
Embora muitos casais apenas se casem no civil ou simplesmente juntam os trapinhos sem festejos, ainda há muitas pessoas que sonham com uma festa deslumbrante, principalmente as mulheres, sejam elas brasileiras, americanas ou de qualquer outra parte do mundo. A obsessão pelo casamento perfeito é um tema constante para as comédias românticas hollywoodianas, assim muitas delas acabam não passando de um filminho bacana para matar uma tarde livre, porém, Missão Madrinha de Casamento é uma exceção à regra e foi além do trivial. Sucesso indiscutível em terras ianques, conquistando inclusive duas indicações ao Oscar, o longa na realidade é apenas mais uma comédia eficiente como passatempo e só. Com estética e diálogos perfeitos para agradar fãs de Sex and the City e tantos outros filmes em que as mulheres são o centro das atenções, a trama gira em torno dos preparativos do casório de Lilian (Maya Rudoplh) que convida Annie (Kristen Wiig), sua melhor amiga, para ser uma de suas madrinhas. O problema é que esta convidada de honra está enfrentando problemas pessoais e profissionais que a tiram do sério e a fazem se sentir inferior e infeliz, mas mesmo assim ela quer se dedicar ao máximo para fazer o melhor casamento possível para sua amiga, ainda que sentindo uma pontinha de inveja da felicidade da noiva. Muito atrapalhada para organizar listas de presentes, escolher vestidos, fazer o chá de cozinha entre outras obrigações de uma boa madrinha, uma tradição americana, Annie ainda terá que enfrentar uma rival. Entre outras convidadas a ocupar a função de estar ao lado da noiva até o último minuto da festa, Helen (Rose Byrne) também está disposta a ser a melhor amiga de Lilian, assim como ocupar o posto de exímia organizadora de eventos matrimoniais.

quarta-feira, 13 de março de 2013

JAMES E O PÊSSEGO GIGANTE

NOTA 8,0

Bizarrices e estilo tradicional
de contos infantis se unem
para contar a história de um
garoto em busca de um sonho
Quando falamos em animação em stop-motion logo nos lembramos dos famosos A Noiva Cadáver e A Fuga das Galinhas, mas poucos se recordam de James e o Pêssego Gigante, uma bela animação utilizando esta antiga e eficiente técnica. Com pouco menos de uma hora e meia de duração, este é um filme compacto e eficiente no qual parece tudo estar em seu devido lugar e livre de excessos. Antes mesmo da estreia a Walt Disney já considerava a obra como um novo Toy Story, um novo marco na História da animação e do próprio estúdio. Lançado cerca de um ano depois da aventura dos brinquedos falantes, a obra era aguardada com ansiedade pelos executivos da empresa, mas acabaram se decepcionando com os resultados. Fracasso nas bilheterias, o longa não recuperou sua saúde financeira e prestígio nem mesmo com as vendas de fitas VHS e DVDs. Bem, realmente é difícil dispensar a atenção com um produto como este quando os desenhos computadorizados com seus personagens cheios de energia e piadas na ponta da língua tomam conta do mercado. Mas sempre é tempo de corrigir as injustiças. Obviamente não há como comentar este desenho sem tocar no título O Estranho Mundo de Jack, lançado em 1993 e que também utiliza a técnica de animação de bonecos de massinha para contar uma história tão fantasiosa quanto a de James. Erroneamente ambas as animações são creditadas ao diretor Tim Burton, mas na verdade ele é o produtor delas. A direção dos dois longas é de um de seus pupilos, Henry Selick, o mesmo que anos mais tarde realizaria Coraline e o Mundo Secreto. A junção destes dois nomes por trás de um filme é um tanto interessante. Um entrou com sua dose de bizarrice usual para ser adicionada ao espírito de clássico infantil que o outro cineasta almejava. O resultado é bem satisfatório. Baseado no livro homônimo publicado em 1961 por Roald Dahl, o mesmo autor que escreveu a história que deu origem ao filme Matilda entre tantas outras que se tornaram clássicos infantis, a trama neste caso foi suavizada para se encaixar no perfil das produções Disney, mas não perdeu o sentido e tampouco o encantamento, mantendo os elementos extraordinários e deliciosos imprescindíveis a qualquer fábula infantil.

terça-feira, 12 de março de 2013

O QUARTO PODER

NOTA 9,0

Com premissa simples e
dois bons atores, longa
revela os bastidores do
falso jornalismo da TV
Sônia Abrão, José Luis Datena, Marcelo Rezende e tantos outros nomes da TV que dizem trabalhar seriamente com as notícias já viraram sinônimo de piada. Todo mundo sabe que para eles a audiência vem em primeiro lugar e para tanto eles usam e abusam do sensacionalismo para segurar o espectador na frente da televisão, tanto que em 2012 surgiram boatos de que leis seriam criadas para limitar o trabalho da imprensa, já que por várias vezes tal interferência em casos policiais acabou por levar alguns episódios a finais trágicos e a manipulação da opinião pública. Claro que o sensacionalismo também está presente em outros meios de comunicação, mas ele se mostra muito mais agressivo na TV. Apesar de hoje em dia esse tipo de jornalismo estar em franca decadência, levando apresentadores a reclamarem ao vivo que não se conformam que as pessoas preferem fugir da realidade a acompanhar seus espalhafatosos relatos acerca da violência do cotidiano, esse modelo já teve seu auge, mas muito tempo antes Hollywood já previa isso, como prova O Quarto Poder. O longa dirigido pelo cultuado Costa-Gravas é uma crítica às formas de se fazer jornalismo na década de 1990 e mesmo se passando tantos anos desde seu lançamento o conteúdo continua extremamente atual e desperta a discussão e a reflexão. Em busca do máximo de repercussão possível, os noticiários selecionam entre os fatos mais importantes do dia aqueles que podem ser explorados lados sentimentais e humanos, o que explica a mobilização que sequestros e homicídios provocam. Discutir economia, avanços da ciência ou matérias sobre comportamento não causam tanto impacto quanto mostrar os dramas dos parentes de uma vítima de assassinato ou o sofrimento e a tensão de um refém e seu sequestrador. É justamente neste último exemplo que é calcado o roteiro de Tom Matthews e Eric Williams. Em Madeline, na Califórnia, o decadente jornalista Max Brackett (Dustin Hoffman) tem que se contentar em fazer matérias de pouca importância para ter seu salário todo mês, mas provavelmente jamais esperaria que uma pauta sobre o museu de história natural da cidade poderia ser sua chance de virar o jogo. Sam Baily (John Travolta) era o segurança do local, mas foi demitido e não se conforma. Decidido a retomar seu lugar, ela vai armado falar com a diretora da instituição e sem querer fere um antigo colega de trabalho.
 

segunda-feira, 11 de março de 2013

AGENTE 86

NOTA 8,0

Longa resgata com sucesso
o humor característico de
seriado dos anos 60
respeitando suas origens
Hollywood sempre manteve boas relações com os canais de televisão para assim conseguir tirar uma lasquinha dos sucessos que entretinham o público no aconchego do lar. Muitos seriados famosos ganharam suas versões em longa-metragem ainda na época em que eles estavam no ar ou pouco tempo depois de terminarem para assim aproveitar o calor do momento, mas o tempo tratou de reduzi-las a pó. Nos primeiros anos do século 21 a moda era apostar na nostalgia e resgatar a fama de séries antigas. S.W.A.T – Comando Especial Miami Vice, por exemplo, não fizeram o barulho esperado, mas o primeiro filme de As Panteras foi um mega sucesso, até por conta do apelo junto ao público infanto-juvenil. A mesma situação beneficiou a boa aceitação de Agente 86, a adaptação da cultuada série de humor homônima criada por Mel Brooks e Buck Henry em 1965 e que durou cinco temporadas, sobrevivendo na memória dos espectadores de praticamente todo o mundo graças as suas incontáveis reprises. Para conquistar novas platéias e fugir das críticas dos nostálgicos, a produção foi esperta ao contratar os próprios criadores da série para prestarem consultoria, assim preservando a essência do seriado sessentista em sua transposição para o cinema. Com humor ágil e piadas que se alternavam entre sutis, críticas e no melhor estilo pastelão, a intenção do texto nos anos 60 era justamente parodiar os filmes de agentes secretos, como a cinessérie James Bond que ainda estava dando os primeiros passos, e tinha como pano de fundo um importante período da história mundial, a Guerra Fria, período de embate entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética ou em outras palavras o conflito entre o capitalismo e o comunismo. A versão modernizada tratou de atualizar tal situação, mas ainda assim mantendo a espinha dorsal da história. O diretor Peter Segal, de Golpe Baixo, não era um fanático pela série, mas captou com precisão o essencial dela e ainda soube dosar bem as inovações pertinentes.

domingo, 10 de março de 2013

O ANJO DA GUARDA

Nota 4,0 Bom argumento é desperdiçado em trama rasa, muito ligeira e sem humor

Qual criança em um acesso de fúria já não desejou poder ter outros pais, de preferência um casal que possa ela própria escolher? Tal devaneio é o ponto de partida da produção infantil O Anjo da Guarda que pode ser antiga, mas sua premissa ainda é muito atual acerca do sentimento de abandono proporcionado por pais despreparados. Pena que o tema seja tratado de forma superficial e estereotipado. Embora o ritmo “clipado” (muitas situações para pouco tempo de arte) da produção possa não agradar, mesmo às pessoas acostumadas com a hiperatividade dos filmes de hoje em dia, o nome de Elijah Wood nos créditos pode funcionar como chamariz para aqueles que cresceram idolatrando a série O Senhor dos Anéis. Aqui ele aparece muito pequeno, em início de carreira, dando vida a North, um garotinho de 11 anos que não recebia praticamente atenção dos pais (Jason Alexander e Julia Louis-Dreyfus) que viviam brigando por motivos banais. Essa situação o sufocava a tal ponto que afetava sua vida em vários aspectos, inclusive na escola, assim seu futuro poderia ser comprometido. Certo dia, acompanhando os pais no shopping, para variar ele é esquecido e se aconchega em uma poltrona onde costumava ir quando queria refletir, ou melhor, sonhar como sua vida poderia ser diferente. Eis que surge um homem vestido de coelho que estava fazendo promoção em uma loja e escuta com atenção os lamentos do garoto, lembrando-o que grandes homens da História mundial viveram problemas parecidos na infância. Nesse momento, North tem a ideia de que considerando-se um filho dedicado e amoroso não faltariam candidatos a serem seus pais substitutos. Com a ajuda de um de seus colegas de escola, o metidinho Winchell (Matthew McCurley), e do advogado canastrão Arthur Belt (Jon Lovitz), o garoto leva o caso aos tribunais e abre um processo contra os próprios pais que nesse momento se encontram em estado de choque e sem chances de se defenderem. Perante o ineditismo do caso, o juiz Buckle (Alan Arkin) decide dar dois meses para North procurar os pais que julga ideais, caso contrário terá que voltar a morar com os biológicos ou até mesmo ir parar em um orfanato. Muito decidido, o menino aceita as condições e sua peregrinação pelo mundo começa no sugestivo feriado de 04 de julho, dia em que os EUA comemora sua independência.

sábado, 9 de março de 2013

RUAS DE SANGUE

Nota 3,0 Boa premissa é desperdiçada em longa que alinhava clichês dos gêneros policial e ação

No passado muitos filmes do gênero policial fizeram sucessos nos cinemas e no mercado de vídeo, mas nos últimos anos percebe-se que a falta de qualidade tanto nos aspectos técnicos quanto narrativos que acomete a maior parte destas produções tem feito esta categoria cinematográfica sumir do mapa e encontrar espaço, ainda que minguado, nas prateleiras das locadoras. Geralmente produções do tipo rendem dinheiro apenas quando são lançamentos e sofrem com a ação do tempo tornando-se produtos obsoletos rapidamente e só interessando aos mais aficionados por ação e suspense. Ruas de Sangue é um típico produto dessa linha lançado diretamente em DVD sem passagem pelos cinemas. Sua premissa é até interessante, mas o longa conta com alguns detalhes que por si só trabalham contra o seu sucesso, a começar por ostentar nos créditos nomes famosos que há tempos deixaram de ser promessas de sucesso. A trama escrita por Eugene Hess se passa em Nova Orleans em meados de 2005, logo após a passagem devastadora do furacão Katrina pela região. Na época foi encontrado o corpo do parceiro do detetive Andy Devereaux (Val Kilmer), que então passa a formar dupla com Stan Green (50 Cent) com quem investiga o caso. Os dois descobrem que o assassinato foi cometido por dois policiais desonestos e então estes quatro homens passam a ser acompanhados pela psicóloga da polícia Nina Ferraro (Sharon Stone). Além desta situação, o FBI também está investigando um grande caso de corrupção que pode estar ocorrendo no pelotão liderado pelo agente Brown (Michael Biehn). Há indícios que uma gangue de bandidos fortemente armados e acobertados por alguém da polícia está agindo na região fragilizada pelo furacão.

sexta-feira, 8 de março de 2013

SETE DIAS COM MARILYN

NOTA 8,5

Biografia acompanha um
curto período da vida da
estrela, mas o suficiente
para revelar a Marilyn real
Hoje se comemora o Dia Internacional da Mulher e nada melhor que lembrar uma atriz que se tornou não só um símbolo sexual, mas também deixou sua marca no cinema, mesmo com uma breve carreira, e com seu visual exuberante permanece com sua imagem viva até hoje no imaginário coletivo.  Todavia, quem espera assistir Sete Dias com Marilyn e se deparar com uma bela e merecida homenagem ao mito Miss Monroe regada à clichês pode se decepcionar com o resultado, a começar pelo fato da fita não se limitar a apenas endeusá-la, mas ceder espaço para desconstruir sua imagem de mulher perfeita. Apesar de intitular a produção, a diva não é a protagonista da trama na realidade. A vaga de personagem principal é ocupada por um homem, um apaixonado pela estrela que sonhou em trabalhar ao seu lado, mas conseguiu mais que isso e participou da vida íntima de sua musa e registrou as memórias desses momentos no livro “Minha Semana com Marilyn”, na tradução literal. O autor, o jovem Colin Clark (Eddie Redmayne), narra sua visão da mulher que existiu atrás do mito, longe dos holofotes e da imprensa. Através de seus escritos, adaptados pelo roteirista Adrian Hodges, além de relembrarmos o furacão que ela era em sua vida pública, temos a possibilidade de conhecer a fragilidade e insegurança desta atriz que ao mesmo tempo era temperamental e intensa em altíssimos graus. Coube à requisitada Michelle Williams o dever de interpretar esse ícone de Hollywood e ela não decepcionou, sendo indicada ao Oscar e vencendo o Globo de Ouro de atriz em comédia, mas não se engane, os risos são poucos. A veia dramática é que rege a narrativa. Em meados dos anos 50, sentindo-se deslocado em sua própria família, diga-se passagem, com posses e bastante refinada, Clark decide partir para Londres ao descobrir que o ator e diretor Laurence Olivier (Kenneth Branagh) estava para começar a pré-produção de um novo filme, O Príncipe Encantado. Estar perto dos astros do cinema sempre foi o desejo do jovem e para tanto ele aceita o cargo de um dos assistentes do diretor, tudo para ficar o mais próximo possível da estrela da fita, a sedutora Marilyn Monroe que na época estava aproveitando a lua-de-mel com seu novo marido, o terceiro, o dramaturgo Arthur Miller (Dougray Scott). 
 

quinta-feira, 7 de março de 2013

PONTO FINAL - MATCH POINT

NOTA 8,5

Após uma safra de longas
fracassados, Woody Allen
dá a volta por cima
investindo em novos ares
O cineasta Woody Allen, também ator, escritor, produtor e até músico, há várias décadas está na estrada colecionando fãs, desafetos, sucessos e fracassos. Com uma carreira marcada por obras premiadas e elogiadas datadas dos anos 70 e 80, nos últimos anos as sombras dos seus equívocos cinematográficos parecem persegui-lo. Lançando praticamente um filme por ano, passaram a ser raros os momentos de brilhantismo de Allen que só viu sua fama extrapolar limites e o sucesso voltar a bater a sua porta com Ponto Final - Match Point, após anos de certo ostracismo. Seu nome sempre estampava algum cartaz ou capa de DVD, mas foi uma única indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original, além de menções em outras premiações, que fizeram este entusiasta das paisagens urbanas americanas ressurgir na mídia. Um público novo e de idade jovem foi instigado a conhecer mais sobre este profissional e se juntou aos antigos apreciadores dos trabalhos do cineasta para aplaudir e elogiar uma obra que definitivamente não parece ter sido feita por ele, destoando em muitos aspectos de sua filmografia. O público e produtores americanos há anos vinham desprezando os seus trabalhos e tal falta de atenção certamente se refletiu em suas obras drasticamente, a ponto que seu nome já não era o bastante para gerar certa expectativa quando houvesse algum lançamento. Após Melinda e Melinda passar em brancas nuvens, o cineasta teve dificuldades para conseguir financiamento para seu próximo projeto e precisou romper com a tradição. Ao chegar na casa dos 70 anos de idade, pela primeira vez ele filmou fora de Nova York e pelo visto gostou da experiência tanto que a repetiu em futuras ocasiões explorando belíssimas paisagens européias. Londres foi o cenário eleito para contar a história de Chris Wilton (Jonathan Rhys-Meyers), um jogador de tênis profissional que decide abandonar as competições e se dedicar a dar aulas do esporte em um clube frequentado pela elite. É lá que ele conhece Tom Hewett (Matthew Goode), um jovem de família rica com quem ele faz amizade rapidamente. Convidado para ir a uma apresentação de ópera, Wilton é apresentado à irmã de seu novo amigo, a bela Chloe (Emily Mortimer), com quem ele passa a se relacionar.
 

quarta-feira, 6 de março de 2013

UMA MÃE EM APUROS

NOTA 4,0

Longa acompanha 24
horas de um agitado dia
de uma mãe que se dedica
integralmente à família
Filmes que acompanham a rotina de um personagem durante as 24 horas de um único dia não são novidades e é até uma premissa muito comum nos gêneros de ação e suspense, agora em comédias tal ideia pode soar como uma novidade bem-vinda. Contudo, talvez justamente pelo fato de não ser comum no humor não deu certo a proposta do espectador participar da loucura de um dia da vida de uma mulher moderna do subúrbio nova-iorquino. Faltou intimidade com o estilo por parte da roteirista e diretora Katherine Dieckman na condução da comédia de costumes Uma Mãe em Apuros. Eliza Welch é uma escritora que se dedica à redação de um blog, mas suas principais atividades são ser mãe, dona de casa e a esposa de Avery (Anthony Edwards), um amoroso homem que entope sua casa de livros raros sonhando em um dia faturar alto com as vendas deles. Certo dia ela está atarefada um pouco além do normal. Fora a obrigação de cuidar do filho mais novo, Lucas (papel revezado pelos gêmeos David e Matthew Schallipp), que está começando a dar os primeiros passos, cozinhar, limpara a casa, trocar ideias e experiências com outras mães na tradicional visita ao playground, entre tantas outras tarefas rotineiras, neste dia em específico ela ainda está preparando a festa de seis anos de sua filha mais velha, Clara (Daisy Tahan), precisa desfazer uma confusão que causou sem querer envolvendo Sheila (Minnie Driver), sua melhor amiga, e ainda está decidida a participar de um concurso no qual precisa fazer uma redação sobre o que a maternidade lhe representa. Para dar vida a essa mulher mil e uma utilidades que abdicou das costumeiras vaidades femininas e até mesmo de sua carreira promissora como escritora para se dedicar integralmente à família, foi escalada a talentosa Uma Thurman. Além de seu nome ser um chamariz natural de público, a atriz não tem medo de mudar seu visual, mesmo quando precisa se enfear.  Com cabelos desarrumados e um figurino sempre franzino ou simplista, ela encarna com perfeição a típica mãezona que não mede esforços para ver seus filhos felizes e por tabela também o marido. 

terça-feira, 5 de março de 2013

O GRANDE TRUQUE

NOTA 8,5

Duelo de vaidades entre dois
mágicos coloca em risco
não só suas vidas, mas a
loucura extrapola limites
O nome do diretor Christopher Nolan ficou conhecido quando o thriller Amnésia começou a colecionar indicações a prêmios e críticas positivas. Logo ele estava saltando do cinema independente para o comercial com a difícil tarefa de ressuscitar a franquia de um super-herói. Batman Begins foi um estrondoso sucesso e abriu caminho para um novo filme do Homem-Morcego, mas antes disso ainda deu tempo do cineasta realizar outro trabalho, talvez um que faça mais o seu estilo. O Grande Truque parecia ser apenas mais uma produção qualquer ostentando um elenco de peso, porém, para a surpresa de muitos, ela conseguiu aliar diversão e qualidade de uma forma que poucos filmes conseguem, principalmente considerando que seu lançamento foi feito fora do período das premiações ou férias, em uma época em que boa parte dos lançamentos são bobagens para ocupar os cinemas. Será que é por isso que o longa foi esquecido pelo Oscar e outros prêmios? A história se passa em Londres no século 19 e envolve uma intensa disputa entre dois mágicos. Robert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale) se conhecem há muitos anos e sempre competiram amigavelmente entre si, mas a amizade dos ilusionistas é colocada em xeque quando o sentimento de rivalidade é intensificado. Cada um quer fazer o melhor show de mágica possível e a obsessão passa a ditar as regras levando os dois homens a ações extremas e trágicas. Mas será que apenas a rixa profissional está os influenciando ou existe algo mais nesta história? O roteiro não é linear e mistura passado e presente. Logo no início Angier é morto misteriosamente e seu concorrente direto passa a ser o principal suspeito e é preso. Na prisão Borden recebe o diário do falecido e agora tem em mãos os segredos pessoais e profissionais de seu rival. Em flashback são apresentadas imagens dos espetáculos e das disputas e o vai e vem do tempo é constante, assim são plantadas pistas para o espectador desvendar o grande mistério da trama, mas como um bom mágico Nolan não deixa espaço suficiente de tempo entre os acontecimentos justamente para quem assiste não poder pensar, tirar conclusões precipitadas e tirar o brilho do grand finale.    

segunda-feira, 4 de março de 2013

SOB O EFEITO DA ÁGUA

NOTA 7,0

Longa explora as
dificuldades pelas quais uma
ex-viciada em drogas passa
para não ceder às tentações
Um simples mergulho no mar ou na piscina pode mudar completamente o astral de uma pessoa. Quando estamos dentro d’água relaxamos e esquecemos os problemas, mas quando voltamos à superfície não temos como fugir da realidade. É mais ou menos esta a sensação da protagonista de Sob o Efeito da Água, uma produção independente australiana que deixa de lado o nacionalismo e joga de escanteio a imagem do país bem desenvolvido para nos apresentar a imagem de uma terra corrompida pelo vício das drogas. A trama é desenvolvida no subúrbio de Sidney, em Cabramatta, região conhecida por ser a capital da heroína na Austrália. Isso explica o porquê de todos os personagens deste drama terem algum envolvimento com as drogas. Tracey (Cate Blanchet) é uma ex-usuária de heroína que dedicou os últimos quatro anos para colocar ordem na sua vida. Além de se livrar do vício, vive com a mãe, a super protetora Janelle (Noni Hazlehurst), conseguiu um trabalho digno e agora deseja montar uma lan-house em parceria com seu chefe, porém, seu passado acaba atrapalhando nas negociações para um empréstimo no banco. Seu melhor amigo Lionel (Hugo Weaving), um viciado que já namorou com sua mãe, esta que o culpa pelo vício da filha, não consegue se livrar das drogas pela decepção de não poder viver um relacionamento amoroso pleno com um chefão local do tráfico, Brad (Sam Neill), um bissexual que ganha a vida como traficante de entorpecentes e que acaba passando por um divórcio escandaloso após serem descobertos seus casos homossexuais com adolescentes. Lionel, um ex-astro dos esportes, acaba precisando vender as lembranças desta época boa para sustentar seu vício e sua relação com Tracey é conturbada, mas ainda assim verdadeira e carregada de sentimentos. Até o irmão da moça, Ray (Martin Henderson), faz parte deste mundo sujo traficando drogas. Como esquecer o vício em um ambiente desses?

domingo, 3 de março de 2013

RETRATOS DO AMOR

Nota 2,5 Falta romance em longa pouco envolvente que vale mais pela bela fotografia

Quando alguém decide assistir a um filme romântico no mínimo espera se emocionar, mas o mundo está cheio de produções que podem até prometer fortes emoções, porém, são insípidas. Geralmente tais obras fisgam o espectador com títulos rebuscados e materiais publicitários que chamam a atenção por transmitirem uma sensação de bem-estar e de leveza. É destes artifícios que se vale Retratos do Amor para chamar atenção, ainda tendo como um extra a ostentação dos nomes da oscarizada Julie Christie e do outrora famoso Burt Reynolds em seus créditos. O veterano ator interpreta Larry Brodsky, o proprietário de um sebo de livros que na juventude se apaixonou perdidamente por uma moça no Marrocos, mas teve que abrir mão de seu grande amor quando descobriu que ela já era casada. O tempo passou, mas ele jamais se recuperou totalmente desta decepção, assim fechando-se para novas emoções até que um dia conhece a jovem americana Aisha (Carmem Chaplin) e ambos se identificam imediatamente já que escolheram morar em Amsterdã, na Holanda, na esperança de mudanças positivas e uma vida com mais liberdade. Assim nasce uma amizade que trará a Larry muitas surpresas, entre elas Narma (Julie Christie), a sua suposta futura sogra, uma mulher que pode provocar novas e intensas emoções neste homem que perdeu e no fundo deseja recuperar a fé no amor. A premissa é até interessante, mas os roteiristas Michael O’Loughlin e Rudolph Van Den Berg, este que também assina a direção, cozinham a história em banho-maria e com duas vertentes que se ligam.

sábado, 2 de março de 2013

AURORA BOREAL - ENCONTRO COM A VIDA

Nota 6,0 Drama sobre amadurecimento tardio é correto, mas não vai além dos clichês 

Filmes sobre jovens revoltados ou que não querem crescer são lançados aos montes todos os anos, mas são poucos os que se destacam e conseguem tratar o assunto de forma profunda.  Aurora Boreal – Encontro com a Vida não foge à regra. Esta produção independente é bem-feitinha, tem um elenco com nomes de peso, uma premissa interessante, mas não consegue explorar com profundidade o mundo vazio no qual o protagonista vive. Desde a prematura morte de seu pai, Duncan Shorter (Joshua Jackson) não tem levado a vida muito a sério. Ele só quer saber de garotas, festas, bebidas, odeia a melancolia da cidade em que vive e não se estabiliza em emprego algum. Sua decepção com a vida vem desde a adolescência devido ao fato de ter perdido seu pai por causa do vício em drogas e por sua mãe ter ido embora para outra cidade logo após ficar viúva, assim ele e seu irmão Jacob (Steven Pasquale), acabaram tendo que encarar os desafios da vida praticamente sem a segurança de um adulto por perto. Jacob adotou uma postura mais segura diante das dificuldades, conseguiu um bom trabalho, casou, teve filhos, mas de vez em quando recorre a ajuda do irmão para ter onde passar algumas horas com outra mulher. Já Duncan abandonou a promissora carreira como jogador de hóquei, afastou-se da família e passou a levar uma vida desregrada estendo sua adolescência além do permitido. Por outro lado, a saúde precária de seu avô Ronald (Donald Sutherland) acaba o mantendo sempre por perto principalmente quando ele consegue um trabalho para fazer a manutenção do edifício onde o idoso vive. É nesse lugar que surge a possibilidade de Duncan mudar os rumos de sua vida a partir de um novo amor. Kate (Juliette Lewis) é a enfermeira de Ronald, uma garota séria e bastante segura do que quer na vida. O interesse do rapaz pela moça é correspondido e logo eles estão namorando, mas ela está de mudança para a Califórnia em breve e para acompanhá-la Duncan terá de provar que amadureceu e que agora sabe que a vida não é feita só de curtições, mas também de responsabilidades.

sexta-feira, 1 de março de 2013

O ENIGMA DO COLAR

NOTA 7,0

Recriando vexatório episódio da
História da França, roteiro é tão
intrincado quanto os fatos reais em
que se baseia confundindo espectador
Sem dúvidas na escola aprendemos apenas o básico nas aulas de História, tanto que muitos professores indicam literaturas complementares, sites e filmes a quem interessar se aprofundar nos temas. É uma pena que nem sempre o material extra seja de fácil acesso. Muitas produções de cinema ricas em conteúdo histórico acabaram perdidas no tempo, seja na transição das fitas VHS para o DVD ou por terem tido uma tiragem reduzida na época de seu lançamento. Questões a respeito de direitos autorais e de distribuição também acabam tirando muitas obras de circulação e este pode ser o caso de O Enigma do Colar, caprichado drama baseado em fatos reais estrelado por nomes de peso e premiados. A produção acabou se tornando um item de colecionador, um produto raríssimo que aborda uma importante e curiosa passagem da trajetória política e social da França, uma rede conspirações que levou uma rainha a ser odiada fervorosamente e que também contribuiu para a revolução contra o absolutismo. A protagonista da intriga, no entanto, não é muito conhecida fora do território francês, mas em seu país permanece como um mistério que desperta especulações. Jeanne de La Motte-Valois (Hillary Swank) é uma jovem que foi criada por uma família adotiva após ver o assassinato cruel de seus próprios pais, um casal oriundo da nobreza que acabou perdendo de uma hora para a outra toda sua fortuna e consequentemente tiveram seu sobrenome desvalorizado. Acusados de conspirar contra a monarquia, desde então as memórias da garota ficaram marcadas por cenas de humilhação e tortura, mas isso não a impediu de alimentar o sonho de conseguir reconquistar sua posição de destaque na sociedade, mas para tanto precisará enfrentar intrigas, ser desonesta e trair seus próprios princípios. Mesmo bem intencionada, só assim para sobreviver em uma sociedade interesseira e insensível. A todo custo Jeanne quer tentar alguma aproximação com a vaidosa e imponente Rainha Maria Antonieta (Joely Richardson) no intuito de conseguir algum tipo de ressarcimento por sua herança perdida e obviamente resgatar o poder do nome dos Valois. No entanto, ela nem ao menos consegue ser notada por vossa majestade, porém, em uma dessas tentativas frustradas, a jovem conhece Retaux de Vilette (Simon Baker), um rapaz galanteador e influente que vem a se tornar seu amante e promete reintroduzi-la no universo da nobreza.

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