sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A BATALHA DE SEATTLE

NOTA 7,0

Alinhavando histórias ficcionais,
drama tenta retratar toda a tensão que
tomou conta de uma cidade por causa de
manifestação contra abusos de poderosos
Costumamos (ou ao menos deveríamos) valorizar filmes que privilegiam fatos históricos, mesmo aqueles que nada mais são que um pequeno grão de areia em meio a um episódio grandioso. Isso explica a enorme quantidade de títulos que envolvem a Guerra Fria, por exemplo, mas é uma pena que fatos mais recentes da História sejam esquecidos rapidamente como é o caso da temática de A Batalha de Seattle. Episódio marcante de revolta popular contra os abusos dos governantes, tal conflito não inspirou diretores de cinema, tanto que apenas o ator Stuart Townsend teve coragem de relembrá-lo anos depois. Estreando como diretor e roteirista, logo no início ele deixa claro que seu longa é baseado em fatos reais, porém, seus personagens são fictícios, mas nada que atrapalhe a dramaticidade da produção, pelo contrário, as várias tramas paralelas soam perfeitamente críveis. O problema é que a inexperiência como redator impediu que o estreante se aprofundasse em cada uma delas, sendo que o projeto como um todo é bastante ambicioso, seguindo o estilo narrativo de títulos consagrados como Crash – No Limite que ao mesmo tempo em que pretende fazer uma crítica social também tem a preocupação de desenvolver histórias que façam o espectador se identificar e criar um vínculo com os personagens e consequentemente se sentir atraído pela temática principal. Para compreender melhor o enredo, é necessário explicar o que foi o conflito do título. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, mais especificamente em 1947, foi assinado um acordo entre 23 países a respeito de tarifas para importações e exportações com o propósito de legalizar e expandir o comércio mundial. Ao longo de mais de 50 anos, outras nações se uniram ao projeto e assim surgiu a Organização Mundial do Comércio (OMC), que pouco a pouco passou a impor suas vontades sobre os governos e aqueles que desrespeitassem as regras eram punidos, podendo ser expulsos do grupo. A ganância dos membros fez com que o respeito a situações envolvendo o meio ambiente ou os direitos humanos ficassem em segundo plano, sendo que os interesses econômicos estão sempre acima de tudo, assim o órgão é muito criticado e alvo comum de protestos populares. O ápice desses conflitos ocorreu no final de 1999. A partir de 30 de novembro, durante cinco dias, dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas de Seattle, cidade que serviria naquele período para sediar a chamada “Rodada do Milênio”, reunião da OMC de grande importância que tinha o objetivo de avaliar os resultados dos últimos anos das suas ações e planejamento para os próximos meses, ou em outras palavras, realizar um balanço do quanto se perdeu (mortes, desmatamentos, extinção de animais entre outros fatores negativos) em favor dos lucros que chegaram às contas dos poderosos e o quanto eles ainda poderiam somar futuramente.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

AS ASAS DO AMOR

NOTA 9,0

Drama poderia ser apenas mais
uma história sobre um triângulo
amoroso, mas consegue ir além
explorando perfis dos personagens
Ao pensarmos no ator Johnny Depp automaticamente nos lembramos do nome do diretor Tim Burton por conta dos diversos trabalhos que a dupla realizou. A união destes profissionais foi tão produtiva quanto a relação do cineasta com a atriz Helena Bonham Carter. Durante os treze anos que viveram uma união estável, essa talentosa britânica participou de praticamente todos os filmes do marido sendo praticamente seu amuleto da sorte. Todavia, antes de dar vida aos diversos e estranhos personagens do universo burtiniano ela já estava construindo uma carreira de sucesso com bons trabalhos e reconhecimento da crítica. No final dos anos 1990 Helena viveu um excelente momento na carreira quando protagonizou As Asas do Amor, elogiada produção de época baseada no romance homônimo escrito por Henry James, o mesmo autor da obra que originou o filme Retrato de Uma Mulher. A trama se passa em Londres no início do século 20 quando Kate Croy (Carter), uma jovem de origem aristocrática, não está com sua vida financeira muito saudável, mas para sobreviver em uma sociedade hipócrita e que vive de aparências precisa lutar para manter sua posição social. Após o falecimento da mãe, a moça corta os laços afetivos com Lionel (Michael Gambon), seu pai viciado em ópio, e vai morar com sua tia Maud (Charlotte Rampling) que lhe oferece ajuda financeira. Porém, as coisas não são resolvidas facilmente. Kate só continuará ostentando seus ares e costumes de nobre se aceitar o casamento arranjado que seus familiares estão providenciando, caso contrário nunca será independente financeiramente. O problema é que ela já mantém uma relação às escondidas com Merton Densher (Linus Roache), um pobre jornalista.  Levando a situação como pode, ora burlando a vigilância da tia e ora se mostrando interessada nos planos que tecem para ela, a jovem se sente todos os dias ameaçada contra a parede. Durante uma viagem pela Europa, ela conhece uma rica órfã americana. Milly Theale (Alison Elliot) é livre dos preconceitos e esnobismos que regem a alta sociedade da época e imediatamente as jovens fazem amizade. Ao conhecer Densher, a moça demonstra interesse amoroso por ele, mas ela nem desconfia que o jornalista e Kate tem um caso.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

IMAGENS DO ALÉM

NOTA 3,0

Refilmagem de fita tailandesa
apenas copia o original não
trazendo novidade alguma ao velho
argumento do fantasma vingativo
Em meados de 2007 estourou a greve dos roteiristas de Hollywood reforçando como a crise econômica e política dos EUA estava abalando todos os setores, algo que teve consequências nos anos seguintes. Para não deixar o cinema clamando por socorro o jeito foi recorrer a refilmagens com orçamentos enxutos e para economizar com escritores.... Pura balela! Na realidade, mesmo antes deste difícil período o fantasma da falta de criatividade já abalava os ianques que já a algum tempo espichavam os olhos para o sucesso dos terrores orientais. Não se pode negar que fitas como O Chamado e O Grito ajudaram o cinemão norte-americano a segurar as pontas em tempos de vacas magras, ainda mais porque contavam com o fator surpresa. Poucos conheciam os filmes originais, estes que só chegaram a ser lançados em DVD em muitos países na esteira do sucesso dos remakes, basicamente cópias minimamente atualizadas e com atores ocidentais. Imagens do Além procurou fazer a política da boa vizinhança e situou sua trama no Japão, dando oportunidade para o elenco local fazer participações, ainda que seja a releitura de uma obra tailandesa. Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado teve certa repercussão em alguns países, como no Brasil, graças a uma agressiva campanha de marketing que destacava o curioso tema de espectros que surgem em fotografias, porém, entre os estadunidenses a produção não teve a menor chance. Vencedor do prêmio de melhor filme no Festival de Bangkok, sabemos que os americanos detestam legendas, não toleram dublagens (salvo para desenhos obviamente) e sarcásticos como só eles deitam e rolam com os nomes dos personagens de olhinhos puxados. Para não gastar muito com a refilmagem, Joshua Jackson, de Amaldiçoados, relativamente conhecido entre o público jovem, foi escolhido para interpretar Benjamin Shaw, um fotógrafo de moda que aceita um convite de trabalho em Tóquio e resolve aproveitar a viagem para curtir uma lua-de-mel. Recém-casado com Jane (Rachel Taylor), o casal estava a caminho de um chalé nas montanhas quando é surpreendido por uma jovem que surge do nada na estrada. A esposa tem certeza que sem querer a atropelaram, mas no local não há o menor vestígio da garota.

domingo, 25 de novembro de 2012

COMPETINDO COM OS STEINS

Nota 6,0 Título inadequado não vende corretamente a ideia principal desta produção familiar

Sinopse: Benjamin Fiedler (Daryl Sabara) é um garoto judeu que está na época de realizar o tradicional ritual do bar mitzvah, mas o problema é que ele não compreende o idioma hebraico e tampouco conhece o suficiente da cultura de seu povo, assim não está muito animado com tal festejo. Já Adam (Jeremy Piven), seu pai, está planejando uma super festa com toda pompa com o objetivo de deixar com inveja Arnie Stein (Larry Miller), um antigo desafeto que fez do bar mitzvah de seu filho Zachary (Carter Jenkins) um evento hollywoodiano. Benjamin, por sua vez, prefere simplicidade nos festejos. Seu objetivo na realidade é reaproximar o pai de seu avô, Irwin (Garry Marshall), já que ambos não se falam há anos. Todavia, juntar as três gerações da família Fiedler não será nada fácil, mas esta é uma oportunidade única e a prova de que o garoto está pronto para assumir as responsabilidades da vida adulta, mesmo ainda tendo apenas 13 anos.

sábado, 24 de novembro de 2012

TRAUMA (2004)

Nota 1,0 Suspense cujo protagonista sofre com confusão mental é arrastado e sem emoção

Antes da fama muitos atores precisam aceitar cada abacaxi para poderem pagar suas contas. Quem vê hoje Colin Firth como um símbolo de brilhante ator britânico ou até mesmo a imagem de um galã de meia-idade perfeito, saiba que ele não tem em seu currículo apenas obras de peso ou no mínimo razoáveis, mas também há pelo menos uma produção duvidosa que hoje pode despertar certa curiosidade devido ao nome do protagonista famoso, mas não vá com muita sede ao pote. Depois que suspenses no estilo Efeito Borboleta e Amnésia arrancaram elogios da crítica e conquistaram alguns fãs, virou moda realizar filmes com vai e vem no tempo, reviravoltas e onde o que parece verdade pode ser uma farsa, mas são poucos os produtos que seguem tal fórmula que conseguem bons resultados. A premissa de Trauma até que é interessante, mas sua transposição do papel para o celuloide é esquizofrênica. Firth interpreta Ben, um homem atormentado que ao despertar de um coma descobre que sua esposa Elisa (Naomi Harris) morreu no acidente de carro que sofreram juntos. Mesmo estando perturbado com tantas coisas que não compreende, ele encontra forças para tentar reconstruir sua vida, assim procura a ajuda de um analista, a companhia de amigos antigos e até faz uma nova e importante amizade neste momento difícil com a bela Charlotte (Mena Suvari). Porém, novos acontecimentos inesperados fazem sua vida virar mais uma vez de cabeça para baixo, entre eles o assassinato da cantora Lauren Farris (Alison David), uma grande amiga de sua falecida esposa. Agora Ben precisa entender muitas situações mal explicadas, como o fato de já estar separado de Elisa quando o fatídico acidente de carro ocorreu e também descobrir se tem algo a ver com o assassinato da amiga dela.

domingo, 18 de novembro de 2012

OPERAÇÃO LIMPEZA

Nota 4,0 No conjunto esta comédia decepciona, mas alguns momentos até que divertem

Sinopse: Jake Rodgers (Cedric the Entertainer) certo dia acorda em uma linda suíte de hotel com uma terrível dor de cabeça, mas está perto de uma pasta contendo uma fortuna em dólares. Por outro lado, ele também está lá com o corpo de um falecido agente do FBI. Ele não se lembra de absolutamente nada que aconteceu, nem mesmo de sua esposa Diane (Nicollette Sheridan) que o resgata dali e o leva para uma gigantesca mansão. Porém, essa mulher pretende drogá-lo para conseguir informações sigilosas que podem estar perdidas na mente dele. Jake descobre, foge e eis que ele conhece a garçonete Gina (Lucy Liu), que também diz ter um relacionamento amoroso com ele. O desmemoriado é avisado pela moça que ele trabalha como faxineiro em uma companhia de videogames, mas ele teima que é um agente secreto da CIA cujo codinome é “The Cleaner” e quer provar sua versão dos fatos ao descobrir que poderia incriminar o presidente da tal empresa de games, o poderoso Eric Hauck (Mark Dacascos).

sábado, 17 de novembro de 2012

ANTI-HERÓIS

Nota 3,0 Trama confusa e personagens que não despertam simpatia prejudicam thriller policial

Channing Tatum é um jovem ator em alta. Al Pacino já não é mais o mesmo, mas seu nome virou sinônimo de qualidade. Juliette Binoche é conhecida por atuações premiadas e bom faro para escolher roteiros. E Ray Liotta e Katie Holmes... Bem, esses aceitam qualquer convite afinal nunca tiveram carreiras equilibradas. Todavia um elenco com nomes famosos não é garantia alguma de que um filme pode ser bom e é isso que fica provado em Anti-Heróis, longa vendido como um autêntico thriller policial. Se produções do tipo são desse jeito está explicado o motivo do gênero praticamente não ser mais usado para fins de rotulagem e os poucos títulos existentes que razoavelmente se encaixariam na categoria serem divididos entre suspense ou ação. A trama escrita e dirigida por Dito Montiel não oferece oportunidades de cartase ao espectador. Nem mesmo criamos expectativas de que aquele momento de tirar o fôlego vai chegar mais cedo ou mais tarde simplesmente porque pouco nos importamos com o destino dos personagens. A história se passa em 2002 quando Jonathan White (Tatum), um policial novato, acaba de ser transferido para a delegacia do Capitão Marion Mathers (Liotta), o mesmo lugar onde seu falecido pai trabalhou anos antes. O rapaz chega à corporação na mesma época em que a jornalista investigativa Lauren Bridges (Binoche) está recebendo cartas anônimas denunciando duas mortes ocorridas em 1986 em um condomínio de classe baixa. As vítimas eram um viciado em drogas e o outro era um traficante. Tal episódio foi acobertado durante anos pelo detetive Charles Stanford (Pacino) e envolve White de forma comprometedora. Assim, o jovem policial começa a viver uma fase conturbada. Além de ter seu emprego em risco, sua esposa Kerry (Holmes) e a filha pequena, Charlotte (Ursula Parker), também podem sofrer com esta história voltando à tona.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

BOLT - O SUPERCÃO

NOTA 8,0

Primeiro desenho da parceria
Disney/Pixar agrada com humor,
cores vibrantes e agilidade, mas
se esperava mais do roteiro
Disney e Pixar há anos formam uma parceria de sucesso, porém, até 2007 havia uma racha entre os estúdios, algo perceptível na irregularidade das produções lançadas. Enquanto uma surpreendia com tramas que agradavam a todas as idades e com visuais acachapantes, como Monstros S.A e Os Incríveis, a outra tentava sobreviver procurando dar vida à combalida animação tradicional com textos originais, como Lilo e Stitch e Nem que a Vaca Tussa, e até se arriscou no campo da animação computadorizada com O Galinho Chicken Little, mas o fato é que a situação estava insustentável. A casa do Mickey Mouse antigamente só tinha acordo para distribuir os produtos Pixar sem ter o poder de interferir nas produções, assim as duas empresas precisavam se unir em definitivo ou então uma delas teria que sair de cena e todos sabem de que lado a corda arrebenta em casos assim. Felizmente a união com direitos iguais para ambas as partes prevaleceu e o primeiro fruto do casamento foi Bolt – O Supercão. A animação já estava prevista antes do fechamento da parceria, mas certamente o resultado final seria bem diferente caso o seu comando não tivesse caído nas mãos do diretor John Lasseter, de Toy Story. Sob sua batuta o projeto foi inteiramente remodelado de forma a agregar as características que fizeram a fama de seu antigo estúdio-solo, ou seja, história ágil e inteligente, personagens carismáticos e visual colorido e rico em detalhes. Contudo, o chefão preferiu não atrelar diretamente seu nome à produção, talvez uma forma de se proteger caso o filme fracassasse, e assim ele supervisionou o trabalho de uma dupla de animadores, Byron Howard e Chris Williams, que se saíram muito bem na difícil tarefa de assinar o primeiro longa-metragem Disney/Pixar. A trama começa com a garotinha Penny ganhando um cãozinho de verdade que batiza de Bolt, aquele que seria o amigo mais fiel de toda a sua vida. Quando ela já é uma adolescente, o bichano se torna literalmente seu cão de guarda, tendo sido modificado geneticamente pelo pai dela para ganhar certos poderes especiais, como força extra e um super latido. Dr. Calico, também conhecido como o homem do olho verde, sequestrou o pai da garota, provavelmente para usufruir de sua inteligência, e agora Bolt e Penny precisam se unir para resgatá-lo e dar uma lição ao vilão. Esse seria um bom ou fraco roteiro para uma animação? O fato é que essa sinopse não é a respeito do filme e sim uma brincadeira que serve como estopim para o foco principal.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

TERROR EM AMITYVILLE

NOTA 6,0

Apesar de contar com argumento
impactante terror pouco causa
sustos, preferindo sugestionar o
medo, mas narrativa é bem frágil
Filmes sobre casas assombradas existem aos montes, mas poucos resistem a ação do tempo. Terror em Amityville é um dos poucos títulos do tipo que ainda permeiam a memória de alguns fãs de terror. Nos tempos do VHS conhecido como Amityville – A Cidade do Horror, o longa dos anos 70 ainda exerce certo fascínio devido ao relativo sucesso da refilmagem lançada em 2005, Horror em Amityville, e também pelo fato de ser inspirado em uma impactante tragédia real envolvendo ocultismo. Localizada em Long Island nos EUA, a história desta casa ficou mundialmente famosa na época e foi perpetuada com o passar dos anos. O roteiro é baseado no best seller homônimo de Jay Arson, que contava relatos supostamente reais de experiências assustadoras vividas por uma família que ousou morar na mesma residência onde um ano antes, em 13 de novembro de 1974, Ronald Defeo Jr. matou a sangue frio os pais e os irmãos alegando ter agido guiado por vozes misteriosas. O livro frequentou as listas dos mais vendidos e aterrorizou vários leitores durante muito tempo, assim obviamente chamou a atenção de produtores de cinema que buscavam um candidato para duelar com o sucesso de O Exorcista que continuava imbatível. O roteiro de Sandor Stern capta a essência da obra literária, no entanto, adiciona diversas modificações ou invenções para torná-lo mais aterrorizante. Os créditos iniciais ilustrados pela fachada da casa com duas grandes janelas no alto refletindo luzes vermelhas já enfatizam que o local possui forças demoníacas, algo comprovado logo em seguida mostrando os assassinatos dos Defeo rotulados como um fatídico episódio. Alguns meses depois, embalados pela felicidade da recente união, Kathy (Margot Kidder) e George Lutz (James Brolin) se entusiasmam em comprar a tal residência oferecida por uma pechincha, mesmo sabendo das mortes que ocorreram por lá. Com três enteados pequenos para criar, o marido acredita que outro casarão tão espaçoso como esse e a um preço tão baixo não conseguiriam encontrar e, acima de tudo, construções não tem memória, o que passou entre aquelas paredes em nada iria interferir a rotina feliz dos novos moradores. Ledo engano. A própria corretora mostra-se incomodada com a atmosfera do lugar que parecia já acumular má fama, tanto que o Padre Malone (Rod Steiger) surge para abençoar o recinto. Sem querer atrapalhar um momento de diversão dos Lutz, o religioso, que já era aguardado, entra de mansinho na casa, prepara seu material de benção, mas rapidamente passa a ser afrontado por vozes sinistras que pedem sua saída e é atacado por insetos que o fazem adoecer gravemente.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

BENDITO FRUTO

NOTA 6,5

De maneira bem humorada,
longa trata de temas polêmicos
envolvendo representantes do
povão que só querem ser felizes
Entre os anos de 2003 e 2004 o mercado cinematográfico brasileiro passava por um momento expressivamente positivo. Além das bilheterias em ascensão como um todo, os produtos nacionais finalmente conseguiam brigar de igual para igual com os longas norte-americanos por um lugar ao sol, ou melhor, no escurinho do cinema. Cidade de Deus, Carandiru e Olga são alguns dos principais exemplos bem sucedidos desse período. Além de revisitar fatos históricos, nossos profissionais do ramo também aprendiam que a sétima arte em terras tupiniquins podia alçar voos mais altos e arriscaram em produções com estéticas sujas e aparentemente modestas para retratar a violência presente na modernidade, mas que tinham por trás um firme alicerce financeiro e artístico. E aqueles filmes menores que costumam causar burburinhos nos diversos festivais espalhados pelo país e conquistam elogios da crítica especializada, qual a marca que eles deixaram? Pois é, tal qual ainda acontece muitos bons projetos passaram em brancas nuvens tanto nos cinemas quanto nas locadoras e nem mesmo na TV encontraram espaço digno. Esse é o caso de Bendito Fruto, uma comédia com toques dramáticos protagonizada por um grupo de cidadãos suburbanos tipicamente brasileiros envoltos em situações por vezes problemáticas, mas jamais abandonando o bom humor. O longa marca a estreia no campo da ficção do diretor de documentários Sergio Goldenberg e traz uma narrativa que conta com um triângulo amoroso principal e algumas subtramas paralelas, uma estrutura que passa a ideia de um painel social, ainda que pequeno. Edgar (Otávio Augusto) é o dono de um salão de beleza localizado em Botafogo, no Rio de Janeiro, que herdou do pai e vive de certa forma convivendo com a solidão, já que ainda busca uma esposa e nunca teve muito tempo para si mesmo por causa das obrigações de cuidar da mãe doente até sua recente morte. Na verdade, ele até tem uma candidata à vaga de seu coração, Maria (Zezeh Barbosa), com quem mantém um relacionamento às escondidas por ela ser filha da antiga empregada de sua família e também ser negra. Ela levava a situação numa boa fingindo trabalhar de doméstica na casa de Edgar, mas quando seu namorado reencontra por acaso uma antiga amiga dos tempos de escola, Virgínia (Vera Holtz), e percebe que existe um clima romântico entre eles, a moça não quer de jeito nenhum assumir definitivamente o papel de “a outra” e exige que ele a assuma como seu verdadeiro amor.

domingo, 11 de novembro de 2012

TEMPESTADES DO AMOR

Nota 4,5 Mescla de drama, suspense e romance começa envolvente, mas falta tempero à mistura

A Índia é um país fascinante e inspirador para histórias com um quê de sensualidade ou até mesmo envoltas a suspenses. A cultura exótica e os cenários misteriosos, no entanto, não colaboraram para o drama Tempestades do Amor funcionar. O vendaval ostentado no título ficou só nas intenções. A trama escrita e dirigida por Nanda Anand narra a história da Samantha Harthley (Kelli Garner), jovem norte-americana que em 2006 visitava a cidade Rajapur com um objetivo em mente: se hospedar no Palácio de Nivas, lendária residência de um antigo xeique. Após sua morte, o local foi transformado em um luxuoso hotel, contudo, a moça terá que se hospedar em outro local. Há anos hóspedes não são mais permitidos, a construção é apenas para visitação, mas ela tem a sorte de conquistar a simpatia de Jai Singh (Manoj Bajpai), o atual dono do casarão e um dos homens mais poderosos da cidade. Ele a confunde com uma profissional que aguardava para fazer um relatório sobre a região a fim de conseguir subsídios governamentais, mas o equívoco cai como uma luva para os planos da moça. Ela desejava mesmo se infiltrar no palácio para investigar sobre a visita de um casal no início dos anos 80. Em poucos minutos matamos a charada. Samantha quer descobrir o que aconteceu com seus pais, Sara (Lynn Collins) e Jeremy Reardon (Justin Theroux), durante a lua-de-mel e que levou a sua avó a abrir um processo contra Jai por homicídio. Para tanto ela conta com a ajuda de Ned Bears (Frank Langella), dono de um sebo onde sua mãe teria adquirido um livro, e de Amar (Bhanu Goswami), sobrinho do dono do palácio que rapidamente descobre a identidade falsa da garota, mas ainda assim promete manter o segredo e até a ajuda nas investigações, mas chega um ponto que não tolera mais a imagem de vilão que ela tem de seu tio. Praticamente toda a cidade é sustentada por Jai através dos empregos que cria e de doações, mas isso pouco importa para Samantha que está disposta a achar provas de que o figurão estaria envolvido na morte precoce de seu pai.

sábado, 10 de novembro de 2012

O PÂNTANO (2006)

Nota 2,0 Longa nada mais é que um amontoado de clichês para sustentar enredo fraco e confuso

É muito difícil escrever algum comentário ou até mesmo uma simples sinopse quando um filme não causa o menor impacto positivo. O suspense O Pântano exige paciência do espectador que provavelmente precisará assisti-lo mais de uma vez para tirar algum parecer, mesmo que negativo, desta obra enfadonha e repetitiva. Todos os clichês possíveis do gênero estão presentes, a começar pela protagonista perturbada mentalmente que sai do conforto da sua casa para procurar sarna para se coçar. Claire Holloway (Gabrielle Anwar) é uma jovem e bem-sucedida escritora de livros infantis com toques de horror, mas sua vida pessoal não anda bem. Ela é constantemente assombrada por visões de violência e morte e a situação só piora quando ela resolve passar uma temporada na Fazenda Rose Marsh. Ela viu a foto do local na internet e o achou idêntico a um desenho que possui. Sentindo-se atraída pela região, ela decide ira para lá acreditando que assim conseguiria inspiração para seu novo livro, mas acaba encontrando uma legítima história de fantasmas da qual ela pode ter algum tipo de ligação, o que explicaria seu repentino fascínio pela propriedade. A escritora desenterra uma história dos antigos moradores do casarão em que se hospeda, no entanto, que não fica bem explicada. Primeiro acreditamos que uma garotinha caiu no pântano da propriedade e seu irmão sentindo-se culpado passou a procurá-la desesperadamente e não voltou mais para casa. Depois o conto já é outro, mas de uma estupidez tremenda por parte do roteirista Michael Stokes, forçando uma situação que não convence. Detalhar as explicações tiraria o fator surpresa do longa, se é que ele existe, mas digamos que a primeira versão sobre a morte do adolescente e da menininha cujos fantasmas estão aparecendo para a protagonista era bem melhor que a segunda versão das explicações.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

SWEENEY TODD - O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEET

NOTA 8,0

Lendário assassino promove
vingança com toques de
humor negro em musical
atípico, sombrio e criativo
Um filme musical que se preze precisa ter uma bela história de amor, figurinos pomposos, cenários suntuosos e um elenco que consiga dançar e disfarçar satisfatoriamente diálogos em meio a notas musicais. Bem, essa era a visão dos musicais clássicos. Para ressurgirem no século 21 alguns cineastas transformaram o gênero em um espetáculo frenético com coreografias bem marcadas e canções adaptadas ou escritas com exclusividade. Mesclando um pouco do estilo clássico e generosas doses de ousadia, Tim Burton novamente surpreendeu com seu Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, um sombrio, mas ao mesmo tempo divertidíssimo musical.  Mais uma vez o cineasta achou mais um texto perfeito que acolhe todas as suas predileções: fantasia, humor negro, estilo gótico, personagens excêntricos e situações macabras. O longa é baseado na obra original de Hugh Wheeler e no musical da Broadway criado por Stephen Sondheim no final dos anos 70 que narra a história de um barbeiro assassino, um personagem que ao que tudo indica existiu realmente e povoa o imaginário popular inglês desde o início do século 19. Hoje tal conto já é conhecido mundialmente, tendo inspirado diversos livros, espetáculos teatrais e filmes, mas nas mãos de Burton é como se o texto finalmente ganhasse sua versão definitiva. Benjamin Barker (Johnny Depp) passou quinze anos afastado de Londres após ser obrigado a abandonar sua esposa Lucy (Laura Michelle Kelly) e a filha, ainda um bebê de colo, mas agora ele está de volta ávido por vingança. Ele descobre que a esposa se suicidou e a filha foi adotada pelo juiz Turpin (Alan Rickman), o mesmo homem que o condenou a extradição por um crime que não cometera, tudo para ter a chance de ficar com Lucy. Usando o pseudônimo de Sweeney Todd, logo ele faz amizade com a Sra. Nellie Lovett (Helena Bonham Carter), a dona de uma miserável loja de tortas. Na realidade a cozinheira já conhecia Barker, o observava a distância e aparentemente já se sentia atraída pelo seu tipo excêntrico, característica que compartilha. Com seu talento inegável para manejar navalhas, Todd decide abrir uma barbearia no andar de cima do restaurante, mas o acordo que ele faz com a proprietária é um tanto bizarro: ele atrai os clientes para fazer a barba, degola aqueles que julga merecer tal castigo e despacha os corpos para a cozinheira fazer os recheios de suas tortas. Curiosamente, após o acordo o negócio de Lovett deslancha e seus quitutes passam a fazer sucesso. Enquanto ela lucra, Todd sacia sua sede de vingança decidindo que não é apenas um ou outro homem que merece morrer com suas navalhas, mas todos os londrinos merecem tal execução afinal ninguém o defendeu no passado da tal injustiça que sofreu.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A RODA DA FORTUNA

NOTA 8,5

Filme menos conhecido dos cultuados
irmãos Coen diverte e leva à reflexão
com história edificante sobre sonhador
traído por sua ingenuidade
Os famosos irmãos Joel e Ethan Coen desde os primeiros passos no mundo do cinema nunca passaram despercebidos, tendo o apoio da crítica quase que integralmente. Há anos suas obras são consideradas cults e as várias passagens por premiações acabaram ampliando e diversificando seu público. Eles não saem de moda e seus nomes se tornaram grifes que chamam a atenção tanto de atores que fariam de tudo para atuar em alguma de suas produções quanto dos espectadores, estes que cada vez mais querem conhecer a fundo o currículo da dupla. Curiosamente, uma obra muito elogiada em suas filmografias hoje em dia é praticamente desconhecida, apesar de ter chegado a ser lançada em DVD, porém, logo tornou-se um título raro. Na realidade, A Roda da Fortuna não fez o sucesso esperado, mas tem filmes que só com o passar do tempo consegue mostrar seu valor. Esta produção é uma reinvenção do estilo preferido de filme do cultuado cineasta Frank Capra que sempre gostou de histórias de pessoas em busca das realizações de seus sonhos. Desde as cenas de abertura até os créditos finais, a atmosfera nostálgica da primeira metade do século passado está presente. Este exemplar do chamado "screwball comedies", denominação para as comédias inspiradoras e com belas mensagens, abriu as portas de Hollywood para os irmãos Coen que até então fizeram a fama de seus nomes com a ajuda de festivais espalhados por todo o mundo. Ethan assina a produção enquanto a direção ficou a cargo de Joel, mas os créditos do roteiro são divididos. Eles ainda contaram com a ajuda do experiente Sam Raimi no texto e atrás das câmeras, profissional já acostumado a lidar com orçamentos modestos devido ao seu início de carreira na década de 1980. Com muita criatividade e talento, esta equipe pequena provou que não é necessário milhões em caixa para fazer um bom trabalho.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

9 - A SALVAÇÃO

NOTA 6,0

Animação tem visual caprichado
e original, mas peca no quesito
narrativa com seu ritmo arrastado
e trama por vezes enfadonha
Os filmes de animação levam certa vantagem em termos de impacto em relação aos demais gêneros. Dificilmente nos decepcionamos com as criações visuais, sejam de personagens ou cenários, ainda mais quem realmente curte e entende de cinema e tem noção das dificuldades que cercam a produção de cada minuto de um desenho. É um trabalho respeitável, mas nem só de imagens se faz um filme, mesmo se ele for uma obra muda. É justamente a narrativa de 9 – A Salvação o seu grande problema. Apesar da forma escolhida para contar a história seja um chamariz para o público infantil, certamente a garotada não irá curtir, todavia, até para os adultos o envolvimento fica comprometido. Embora curto este desenho parece ter uma narrativa extremamente arrastada, sensação acentuada pela temática razoavelmente pesada do enredo e a falta de humor. Conteúdo relevante oferecido com estética de produto infantil, isso cheira a Tim Burton, certo? Bem, realmente o criativo cineasta está envolvido neste projeto, mas apenas como produtor apadrinhando o trabalho do diretor estreante Shane Acker que concebeu esta animação primeiramente como um curta-metragem como projeto de conclusão de curso da faculdade. Além de vários prêmios em festivais universitários, o aparente pequeno trabalho acabou extrapolando limites, sendo exibido no Festival de Sundance e chegou a concorrer o Oscar da categoria em 2006. O curta trazia como personagem principal um boneco de pano com olhos que parecem binóculos cujo nome era um tanto diferente, o numeral 9. Ele habitava um mundo destruído e vivia cercado por ruínas e bugigangas quebradas ou sem serventia e nesse cenário caótico este pequeno ser vagava sem rumo, apenas carregando as trágicas lembranças da morte de seu amigo 5 e da ocasião em que enfrentou uma máquina exterminadora. Esta simples sinopse deixava muitas dúvidas e curiosidades no ar e foi a vontade de explorar mais este universo enigmático que levou Acker a trabalhar em cima do projeto de um longa e não é difícil identificar os elementos que levaram Burton a investir na ideia: a atmosfera sombria, o visual impactante dos personagens, o medo do desconhecido e um protagonista solitário sentindo-se sem rumo na vida. Contudo, mesmo com a ajuda de um cineasta renomado, transformar um curta em um longa-metragem não foi fácil e a produção levou cerca de quatro anos para dar esse salto evolutivo, porém, o resultado final ficou aquém do esperado. Pode parecer estranho, mas um filme com aproximadamente 80 minutos de duração acabou sendo menos eficiente que uma produção de 10 minutos. A economia de explicações cedeu espaço para desnecessárias explanações que no fundo caem no lugar comum: a ganância e o desejo do poder do homem é que destruíram o mundo, dando a entender que o cenário em que a trama é desenvolvida é o Planeta Terra, outro dado omitido no curta.

domingo, 4 de novembro de 2012

ALEX RIDER CONTRA O TEMPO

Nota 7,0 Versão adolescente de James Bond protagoniza uma sessão da tarde divertida

Sinopse: Alex Rider (Alex Pettyfer) é um adolescente que tem sua vida mudada quando seu tio Ian (Ewan McGregor) morre em circunstâncias misteriosas. Não demora muito e é revelado que ele faleceu durante uma missão do Serviço Secreto de Inteligência Britânico. O garoto sem perceber ao longo dos anos foi treinado pelo seu tio para ser um grande espião e agora ele foi recrutado para ocupar o lugar de Ian e sua primeira tarefa é deter o malvado e tresloucado cientista Darrius Sayle (Mickey Rourke) que está criando um computador de última geração que utiliza a realidade virtual para ensinar os alunos de um colégio inglês. Há desconfianças acerca disso e Alex deverá se infiltrar na organização de sayle para acompanhar o inimigo bem de perto. Enquanto isso, os problemas sobram até para Jack (Alicia Silverstone), a governanta que toma conta de Alex desde que seus pais faleceram. Ela também está na mira de bandidos, mas aprendeu muito sobre como se defender com o intrépido tio Ian.

sábado, 3 de novembro de 2012

MUTILADOS (2001)

Nota 3,0 Título e capa do DVD vendem de forma errada o conteúdo deste legítimo filme B

Sinopse: Thomas Kempton (Alex McArthur) é um renomado diretor de filmes de animação para adultos. Certo dia ele resolve acampar com amigos em uma região montanhosa onde acaba sofrendo um leve acidente. Ele procura ajuda na cabana mais próxima e encontra as irmãs Vanessa (Laura Esterman) e Ann (Sage Allen) que prometem pedir ajuda e lhe tratam com hospitalidade. Kempton acaba adormecendo e quando acorda está amarrado a uma cadeira de rodas e com poucas roupas. É quando as tais irmãs revelam suas verdadeiras intenções. Ele consegue escapar do ritual de mutilações delas, mas meses depois ele não ainda não esqueceu o que passou e fica obcecado para entender a mente das irmãs Boulettes, principalmente de Vanessa que parecia não estar de acordo com os atos perversos que cometia, mas também não podia se conter. A obsessão aumenta quando kempton conhece a aspirante a atriz Clara Hansen (Maria Cina) e seu filho, o misterioso Sandor (Fred Meyers).

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

ALÉM DA VIDA

NOTA 7,0

Clint Eastwood dirige drama
cujo foco é especular sobre as
coincidências da vida e as
reações sobre o tema morte
Todo mundo pelo menos uma vez já se perguntou como seria a vida depois da morte e esse é um tema bem intrigante que acaba chamando a atenção de muita gente independente da religião, pois diz respeito a uma dúvida universal. Por mais estudos e relatos que possam ser encontrados, ninguém sabe ao certo como seria o paraíso e o inferno, se é que eles existem, ou o que nos espera depois que partimos, mas o cinema está aí para criar e perpetuar imagens e tentar vender uma ideia de como funciona o além. Ficcionais ou não, estas especulações podem nos confortar ou nos amedrontar, mas servem principalmente para mudarmos nossas condutas e pensamentos no presente e no futuro. O espiritismo tem sido uma corrente forte no cinema nacional, tendo seu ápice entre os anos de 2009 e 2011, mas parece que o modismo atravessou os oceanos e também se espalhou por outros países, incluindo os EUA. Foi o Brasil que influenciou os gringos ou foram nossos cineastas que buscaram inspiração numa temática em alta mundo afora? Tanto faz, o fato é que os mistérios que envolvem o tema vida após a morte já estiveram presentes em inúmeras produções, sejam elas de terror, suspense, alguns bem intencionados dramas e até mesmo em comédias. O artifício que antes era usado com mais frequencia para assustar plateias parece que agora está sendo levado mais a sério e recebendo o merecido respeito, tanto que até o conceituado ator e diretor Clint Eastwood foi seduzido pelo assunto e assinou Além da Vida, uma interessante obra que visa tocar o emocional de todos os tipos de público independente de suas crenças, mas que encontra certas dificuldades para atingir tal objetivo. O roteiro de Peter Morgan nos apresenta a três personagens distintos que apesar de morarem longe e não serem parentes ou amigos acabam sendo muito próximos devido as circunstâncias que estão passando em um determinado período de suas vidas. Literalmente é a morte que os une e todos eles têm contato com ela de alguma forma diferente. O enredo converge no terceiro ato todas estas histórias paralelas. Apesar de ter com pano de fundo o espiritismo, a produção enfoca na realidade a relação do ser humano com a morte, mas infelizmente não chega a conclusões definitivas, apenas despertando o espectador à reflexão. Na melhor das hipóteses, a obra procura explorar as misteriosas coincidências que fazem com quem pessoas completamente estranhas possam de repente encontrar pontos em comum que as unem.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

UM SONHO POSSÍVEL

NOTA 7,0

Com certas passagens que soam
artificiais, longa baseado em
fatos reais tenta mostrar a
adoção de forma diferenciada
Quando um filme destaca em sua publicidade que a história que está trazendo ao público é baseada em fatos reais significa que os produtores identificaram nela algo que a faria valer a pena, geralmente emoções ligadas a lições de vida envolvendo superações e conquistas. Não é a toa que produções destacando ícones do mundo esportivo existem aos montes e são vários os exemplos de pessoas que venceram ou se reconciliaram com a vida dessa forma. O problema é que isso já está tão clichê que nenhum roteiro do tipo parece se destacar hoje em dia. Todos eles seguem as mesmas fórmulas narrativas, são previsíveis e elevam seus protagonistas a títulos de heróis servindo como uma metáfora sobre valores humanos. Todavia, assim como as comédias românticas esquemáticas tem seus fãs fervorosos, os filmes envolvendo esportes também tem e eles adoram ver mais do mesmo, mas o entusiasmo pode ser ainda maior quando grandes estrelas resolvem emprestar seus talentos a tais produções. Baseado na história verídica do jogador de futebol americano Michael Oher, Um Sonho Possível estreou nos cinemas americanos sem grandes expectativas, mas aos poucos conquistou o público oferecendo o que eles mais gostam: esporte e uma das queridinhas de Hollywood, Sandra Bullock. Provavelmente se não fosse a presença da atriz este drama estaria fadado a ter passagem relâmpago pelos cinemas ou ser lançado diretamente em DVD em muitos países, inclusive o Brasil já que o futebol americano ainda é alheio a nossa cultura. Porém, provando que a Academia de Cinema está cada vez mais atenciosa ao lado comercial da sétima arte, o longa do diretor John Lee Hancock ganhou uma publicidade extra conseguindo a proeza de figurar na famigerada lista dos indicados ao Oscar de Melhor Filme, mas sua obra ficará marcada como a produção que deu a tão cobiçada estatueta dourada à Bullock. Dizer que esta produção foi uma das melhores de 2009 é um pouco de exagero e claro exercício de poder das produtoras de cinema e mídias sobre as premiações, mas é inegável que a atriz surpreende demonstrando talento para filmes dramáticos já que seu território seguro são as comédias. Mais contida que de costume, mas ainda assim mantendo seu carisma e sua energia positiva, os votantes das premiações (não só do Oscar) provavelmente decidiram premiá-la mais pela política da boa vizinhança afinal de contas ela não faz nada de extraordinário aqui, inclusive em certas partes até causa estranheza os seus cuidados exagerados da mãe adotiva que interpreta, mas, segundo dizem, é assim mesmo que a matriarca da vida real reagia diante das dificuldades que seu filho de coração passava.

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