terça-feira, 31 de julho de 2012

O NEVOEIRO

NOTA 9,0

Apesar do estilo trash, longa
coloca em discussão um tema
importante e tem um final
de dar nó na garganta
Stephen King é praticamente uma grife cinematográfica. Muitas de suas obras, geralmente ficções ligadas aos gêneros terror e suspense, já foram adaptadas para as telonas, mas nem sempre de forma bem sucedidas. Febre literária nos anos 80 e 90, as obras do autor chamaram a atenção até mesmo dos comitês de premiações que não deixaram passar despercebidos os lançamentos de Um Sonho de Liberdade A Espera de um Milagre, por exemplo, trabalhos com veias dramáticas e profundas. Todavia, nos últimos anos King não tem tido sorte ao ceder os direitos de seus livros para produtoras de filmes e até a mídia já está mais fria em relação ao seu nome. Sendo assim, um bom projeto com sua assinatura nos créditos praticamente passou em brancas nuvens. Podemos dizer que O Nevoeiro é um filme B com pedigree. O diretor e roteirista Frank Darabont, o responsável pelas adaptações cinematográficas dos dois aclamados dramas do escritor já citados, desta vez recorreu a um conto que foi publicado no Brasil há décadas atrás no livro “Tripulação de Esqueletos” e arrancou elogios dos poucos que assistiram. Mas sempre há tempo para corrigir injustiças. Bem, nem sempre como fica comprovada na surpreendente conclusão deste suspense que termina melhor que o próprio conto que o originou. A história é desenvolvida quase que totalmente dentro de um único cenário, um supermercado, local onde um grupo de pessoas se refugia de um estranho e gigantesco nevoeiro. O problema é que tal efeito proveniente de uma tempestade esconde bizarras criaturas que parecem querer exterminar a humanidade. David Drayton (Thomas Jane) é um dos indivíduos que está enclausurado no local junto com o filho Billy (Nathan Gamble) e que acaba por liderar os planos de fuga e de enfrentar a névoa, porém, seu instinto de herói bate de frente com as ideias da Sra. Carmody (Marcia Gay Harden), uma fanática religiosa que com seus discursos apocalípticos acaba por fazer a cabeça de muitos e ajuda a aumentar o pânico. Dessa forma, uma verdadeira guerra é instalada dentro daquele espaço claustrofóbico entre as pessoas que desejam lutar pela sobrevivência e aqueles que simplesmente aceitam a ideia de morrer acreditando que essa é a vontade de Deus e que não se pode contrariá-la. É justamente nesta inversão do medo que reside a força desta produção. O que amedronta mais está dentro ou fora do mercado?

segunda-feira, 30 de julho de 2012

FARGO - UMA COMÉDIA DE ERROS

NOTA 8,0

Com humor negro e trama
policial bem amarrada, os
irmãos Coen colheram elogios
e tornaram-se uma grife
Os cultuados irmãos Joel e Ethan Coen estão acostumados a realizarem produções elogiadas e premiadas no mundo todo, mesmo trabalhando com temas de certa forma difíceis e muitas vezes com poucos recursos financeiros. Com muita criatividade, eles causaram frisson na temporada de premiações de 1996 com Fargo – Uma Comédia de Erros, uma obra que mistura violência e humor negro em doses certas sem precisar recorrer a efeitos especiais ou tecnologia de ponta, servindo como modelo exemplar para as chamadas produções independentes, aquelas feitas por pequenas empresas que não disputam espaço com os grandes estúdios de cinema, salvo algumas exceções como neste caso. A produção fez muito sucesso no mundo todo e até hoje sua projeção é bastante grande, até porque os Coen jamais saíram de moda, ainda mais nos últimos anos quando viraram figuras carimbadas nas festas do Oscar. Aliás, o longa surpreendeu conquistando sete indicações ao prêmio da Academia de Cinema, um feito que certamente colaborou para a sua polpuda arrecadação nas bilheterias mundiais, nada mais nada menos que quatro vezes mais que seu orçamento. O roteiro, de autoria dos próprios cineastas, inicialmente aponta para uma trama bem simples, mas o desenrolar dos fatos tratam de enriquecer a narrativa com vário tropeços até deixar o protagonista em maus lençóis. Logo de cara um aviso: a obra é inspirada em acontecimentos verídicos ocorridos no Estado de Minnesota nos EUA em 1987 e, em respeito a memória dos falecidos na ocasião, os fatos não foram alterados. Na realidade, essa é uma estratégia usada para causar impacto, pois a história é ficcional do início ao fim. O grande foco do roteiro, muito premiado, diga-se de passagem, é mostrar o quanto as pessoas são gananciosas e ensandecidas a ponto de colocar vidas em risco para conseguir dinheiro fácil. Apesar de esse recado servir em qualquer parte do mundo e para todas as classes sociais, aqui ele é usado como um cutucão à sociedade americana que talvez não tenha percebido essa crítica implícita e prestigiou em peso o longa sem fazer reclamações.

domingo, 29 de julho de 2012

UMA SOCIALITE EM APUROS

Nota 7,5 Apesar de longa e repleta de clichês, comédia é divertida e agrada seu público-alvo

Para as plateias masculinas assistir a uma comédia romântica com cerca de uma hora e meia de duração pode ser um grande sacrifício ou uma enorme prova de amor caso esteja com uma companhia feminina, mas encarar quase três horas de uma açucarada narrativa deve ser uma tarefa que nem o mais apaixonado dos homens faria. E olha que não seria nem mesmo qualquer mulher que encararia a ideia numa boa, afinal haja pipoca e refrigerante para aguentar a maratona. Todavia, Uma Socialite em Apuros consegue durante sua longa projeção segurar a atenção do espectador com um texto ágil e bem divertido, mas certamente bem mais funcional em seu formato original. O diretor Timothy Busfield conduz a produção de forma linear e mastigadinha, no melhor estilo feito para a TV. Aliás, embora não existam registros claros da origem deste trabalho, tudo indica que ele foi um projeto especial feito para a telinha, tanto é que o DVD é dividido em dois episódios. Na trama, Clarissa Alpert (Sarah Chalke) é uma linda, elegante e animada socialite que leva uma vida fútil. Dividindo seu tempo entre compras no shopping e noitadas com rapazes que na maioria das vezes não sabe nem mesmo o nome, ela se dá conta que sua vida não tem o menor sentido. Apesar de ter muitas amigas e manter sua agenda atualizada com o contato de famosas celebridades, ela se sente sozinha aos 32 anos de idade e decide que chegou a hora de se casar. Ela planeja nos mínimos detalhes a cerimônia e a festa, mas há apenas um pequeno problema para seu sonho se realizar: ela não tem um noivo. Na busca incessante por um pretendente, Clarissa acaba recorrendo a um elaborado plano para conseguir fisgar o coração de Aaron Mason (Philip Winchester), um produtor de cinema dos mais requisitados de Hollywood. Entretanto, um antigo namorado dela, Simon Taylor (Paul Leyden) está sempre por perto para mexer com os ânimos da moça que não resiste a uma recaída. Tentando manter o relacionamento bígamo, as coisas complicam quando Clarissa surge com uma novidade que vai mexer com a vida dos dois rapazes, mas principalmente com a dela própria.

sábado, 28 de julho de 2012

SETENTA E CINCO

Nota 4,0 Mais um serial killer está a solta para matar jovens, mas não é original nem no figurino

Os filmes de seriais killers já tiveram sua fase de ouro nos anos 80 quando os indestrutíveis Freddy Krueger e Jason Voorhees tiraram o sono de muita gente em uma série de filmes que tiveram seus altos e baixos. Muitas cópias do estilo surgiram e este subgênero de terror acabou entrando em decadência até que Pânico surgiu em meados da década de 1990 para dar um novo gás a ele. Depois mais uma série de assassinos sádicos foram criados para matar rapazes malhados e mocinhas com corpos bem torneados. O resultado é que esse tipo de produção não surpreende mais, apresenta sustos previamente anunciados e quase sempre apelam ao sexo para prender a atenção da plateia adolescente. Todavia, assistir a um trabalho do tipo hoje em dia, seja ele antigo ou atual, é um programa bastante satisfatório para os fãs de horror. Eles sabem perfeitamente o que vão encontrar, mas o importante é sentir a adrenalina, o coração falar mais alto a cada nova cena de matança. Analisando dessa maneira, Setenta e Cinco cumpre razoavelmente seus objetivos. No passado, um grupo de crianças se divertia em uma noite qualquer com um jogo que uma delas inventou. A brincadeira consiste em segurar uma pessoa desconhecida em uma chamada telefônica por um minuto e quinze segundos contando uma história qualquer. Obviamente o trote favorito é pregar peças envolvendo temas pesados e que mexam com as emoções, como um pedido de ajuda por conta de uma ameaça ou até mesmo morte, mas o problema é que nunca se sabe quem está do outro lado da linha. Um dos enganados se enfurece, descobre a origem do telefonema e vai até o local promover uma série de assassinatos usando um machado. Anos depois, as crianças que sobreviveram ao massacre são agora jovens universitários que querem comemorar o encerramento do ano letivo. Um grupo de amigos é convidado para uma festa em uma isolada mansão, mas o que era para ser uma noite de alegria acaba se tornando um pesadelo macabro por conta de um telefonema. 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O VENCEDOR

NOTA 8,0

Drama real vivido por dupla
de irmãos que encontraram
no boxe a chance de mudar de
vida emociona com sua verdade
Que o mundo dos esportes é uma inesgotável e até repetitiva fonte de ideias para o cinema isso todo mundo já está cansado de saber, mas é curioso como fórmulas requentadas ainda dão certo. Por exemplo, filmes sobre boxe geralmente se equilibram entre a violência e a mensagem edificante de mudança de vida através de uma atividade esportiva. Esse tipo de produção tem seu público cativo. Há quem goste de ver dois homens ou até mulheres trocando sopapos e pingando suor, mas quando a briga tem por trás um bom drama, então o público desse tipo de filme infla. Esse é o caso de O Vencedor que certamente ganhou notoriedade graças as suas sete indicações ao Oscar. Sem elas provável que o longa seria lembrado como apenas mais um entre tantos outros filmes sobre boxe. Aliás, a Academia de Cinema parece ser atraída por este esporte, já tendo premiado como melhor filme no passado Rocky - Um Lutador e Menina de Ouro, além de lembrar de obras do tipo em outras categorias e por diversas vezes. O trabalho em questão do diretor David O. Russell é baseado na história real de dois irmãos que se encontraram em situações opostas em certo momento da vida, uma excelente e cativante narrativa mostrando a queda de um deles e a ascensão no esporte do outro. A trama se passa em meados dos anos 90, quando Dicky Ecklund (Christian Bale) teve seu auge profissional ao enfrentar o campeão mundial Sugar Ray Leonard em uma luta de boxe, assim colocando a pequena cidade de Loweel, nos EUA, no mapa. Apesar da fama, ele acabou desperdiçando a carreira ao se envolver com o mundo das drogas e crimes, o que o levou à prisão diversas vezes. Agora, Micky Ward (Mark Wahlberg), seu irmão mais novo, quer tentar a sorte nesse esporte e passa a ser empresariado pela própria mãe, Alice (Melissa Leo), uma mulher extremamente controladora. Porém, a família sempre se preocupa mais com Dicky, assim Micky é deixado em segundo plano e sente dificuldades para ascender na nova carreira e vai em busca de ajuda fora do seu núcleo familiar. A situação muda quando ele passa a namorar Charlene (Amy Adams), que o incentiva a se livrar da influência da mãe. Batendo de frente com os planos de Alice, Micky segue os conselhos da namorada, mas o retorno de Dicky após mais uma estadia na cadeia o deixa cheio de dúvidas sobre o que fazer com sua vida profissional. Contudo, o ex-detento também fica em uma situação parecida, não sabendo como conduzir sua vida longe dos atos ilegais.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

ATRAÇÃO PERIGOSA

NOTA 8,0

Ben Affleck surpreende
dirigindo e escrevendo uma
história de fundo dramático

e com pinta de filme de ação
Alguns artistas precisam a cada novo trabalho provar do que são capazes e até mesmo tentar apagar erros do passado. Matar um leão por dia, ou melhor, por filme. Esse deve ser o lema de muitos atores, entre eles Ben Affleck, um profissional competente, mas que ainda muito jovem viu todos os holofotes voltados para si ao ganhar um Oscar pelo roteiro de Gênio Indomável que escreveu em parceria com Matt Damon. Ambos atuaram neste longa e foram muito elogiados, mas depois trilharam caminhos opostos. Enquanto um viu sua carreira crescer a largos passos o outro se viu em meio a tropeços profissionais e também na vida pessoal. Depois de muitas críticas negativas em longas de ação e comédias, um conturbado romance na vida real com a atriz e cantora Jennifer Lopez, o então ex-astro promissor viu seus caminhos clarearem com uma elogiada atuação no drama Hollywoodland - Bastidores da Fama, o que certamente lhe deu fôlego para novos desafios. O homem que vemos em Atração Perigosa já é reflexo dessa injeção de ânimo. E não é só o protagonista que surpreende, mas também o profissional que se encontra atrás das câmeras. Dirigindo e atuando neste drama camuflado de ação, Affleck mostra que conhece cinema e apresenta um filme de excelente qualidade e bem acima da média. O que poderia ser um thriller qualquer cheio de perseguições, tiroteios e palavrões foi transformado em uma história envolvente e que faz o espectador torcer para que o vilão se de bem. Isso mesmo, que o vilão se bem. Ele interpreta Doug MacRay, um rapaz com habilidades para planejar assaltos e que lidera um grupo de ladrões de bancos que sempre consegue sair impune dos seus crimes. Um dia, ao realizar um assalto, seu parceiro Jem (Jeremy Renner) leva uma refém por precaução. Ela é Claire Keesey (Rebecca Hall), subgerente do banco, solta próximo a uma praia algum tempo depois. O fato traumatiza a moça, deixando-a com medo e receosa, mas para os bandidos o crime também os deixou em maus lençóis. Jem descobre que Claire mora a apenas quatro quarteirões do refúgio do bando, tornando-se uma ameaça. Doug fica encarregado de vigiá-la, mas, após uma conversa ocasional, inicia um relacionamento com ela. Agora, ele tem a chance de mudar de vida e se redimir de seus crimes, mas Jem o pressiona para continuar a roubar, pois Doug tem uma dívida de gratidão com ele.
 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

AS HORAS

NOTA 10,0

Drama mistura épocas e
dramas através das histórias
de três mulheres vivendo
períodos pessoais difíceis
Existem produções que participam do Oscar e que marcam mesmo sem ter arrebatado a atenção dos votantes da Academia de Cinema. Detentor apenas do prêmio de Melhor Atriz, dado à Nicole Kidman, o filme As Horas é uma das grandes atrações que marcaram a História desta festa, mas que acabaram não recebendo o devido valor. Tudo bem, o páreo na época era duro, mas o fato de até o roteiro ter sido ignorado é um fato inexplicável. Baseado na obra homônima do escritor Michael Cunningham, a história adaptada por David Hare e dirigida por Stephen Daldry, de Billy Elliot, felizmente foi reconhecida em outras premiações. Desenvolvido em três épocas distintas, mas ainda assim mantendo elementos entre si que permitem narrativas paralelas e fragmentadas, o longa é poesia pura não só em seus diálogos, mas também em suas belíssimas cenas. Basicamente o roteiro fala de forma introspectiva sobre a doação da mulher ao homem, a respeito da sua anulação como pessoa e como ela lida com seus rompantes de desejos. A rotina de um só dia de três mulheres separadas por algumas décadas é narrada tendo como ponto de ligação o romance “Mrs. Dalloway”. Na década de 1920, a escritora Virginia Woolf (Nicole Kidman) está escrevendo a obra ao mesmo tempo em que lida com as limitações impostas por sua esquizofrenia e pelo excesso de zelo do marido Leonard (Stephen Dillane). Nos anos 50, Laura Brown (Julianne Moore) é uma dona-de-casa infeliz que está lendo o livro ao mesmo tempo em que prepara um bolo de aniversário para o marido Dan (John C. Reilly). A leitura poderá mudar seus pensamentos e ações de forma drástica. Por fim, em 2001, Clarissa Vaughan (Meryl Streep) está as voltas com os preparativos de uma festa em homenagem ao seu ex-amante e poeta Richard Brown(Ed Harris), que está a beira da morte. Ela praticamente está vivendo as mesmas ações que a protagonista do quase centenário livro.
 

terça-feira, 24 de julho de 2012

POLARÓIDES URBANAS

NOTA 3,5

Longa tenta fazer um bem
humorado painel social
do caos cotidiano, mas erra
pela falta de unidade
Todos sabem que é bastante comum no cinema nacional beber em fontes teatrais para ter inspiração e a partir do momento em que alguns de nossos filmes comerciais passaram a ter êxito nas bilheterias a relação entre estes produtos culturais foi intensificada, porém, nem sempre o casamento gerou bons frutos como é o caso de Polaróides Urbanas que marca a estréia do mil e uma utilidades Miguel Falabella como diretor de cinema. Baseado na peça teatral "Como Encher um Biquíni Selvagem" (sabe-se lá o porquê desse título e do sucesso), o longa é uma tragicomédia que tem uma introdução interessante, mas aos poucos o roteiro vai entrelaçando as histórias de diversos personagens e o humor acaba sendo diluído em meio a cenas dramáticas, outras confusas e algumas que tentam fazer o telespectador ao menos dar um sorrisinho amarelo. O roteiro, adaptado para as telonas por Falabella de seu próprio espetáculo, é na realidade uma série de segmentos que procuram interligar as vidas de pessoas comuns, mas o resultado frustra pela ausência de um gênero predominante. Comédia ou drama? Difícil saber. A história começa mostrando a simplória Magda (Marília Pêra) que está entusiasmada para ir assistir pela primeira vez uma peça de teatro, mas para sua surpresa a atriz principal, Lise Delamare (Arlete Salles), interrompe o espetáculo e assume que tem está com síndrome do pânico de se expor em público e que sua carreira está em franca decadência. As duas já se conheciam do consultório da psicanalista Paula (Natália Do Valle), que não dá muita atenção para a sua filha Melanie (Ana Roberta Gualda) que está passando por um período conturbado e não pode nem contar com a ajuda da amiga Vanessa (Juliana Baroni), garota fútil que pensa mais em sua beleza e em uma forma de ser famosa. A moça problemática consegue auxílio com Dulce (Stella Miranda), uma atendente do centro de auxílio aos depressivos que acaba entrando em contato com Crioula (Neusa Borges), a empregada da casa de Melanie. Entre essas histórias outros tantos personagens e conflitos surgem e formam um retrato da população de uma grande metrópole, incluindo a irmã gêmea de Magda, a espalhafatosa Magali, uma perua que adora aproveitar a vida com muito bom humor.
 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

EU QUERIA TER A SUA VIDA

NOTA 5,0

Troca de corpos de trintões
tenta dar um gás a tema
batido, mas desliza ao
optar por um humor chulo
Dizem que na televisão nada se cria tudo se copia, mas tal ditado anda caindo como uma luva também para o cinema. O tema troca de corpos já foi aplicado há inúmeras comédias no melhor estilo sessão da tarde e nos últimos anos com a escassez de idéias parece que produtores e diretores encontraram na fórmula batida uma maneira de sobreviver. O mote de duas pessoas insatisfeitas que trocam de corpos, ou melhor, de personalidade em um passe de mágica e que assim passam a dar mais valor ao seu próprio modo de viver e compreender o do outro já rendeu até mesmo em terras brasileiras. Se Eu Fosse Você e sua continuação não fizeram mais nada que adaptar um conteúdo cinematográfico tipicamente hollywoodiano para algo mais próximo da nossa realidade e os resultados foram fantásticos talvez pelo ineditismo da iniciativa pela raquítica indústria de cinema local que busca enfrentar gigantes nas bilheterias. As situações embaraçosas provocadas pelo desconhecimento das intimidades e a adaptação ao cotidiano do verdadeiro eu no corpo de outro rendem geralmente bons momentos, mas dificilmente surpreendem. Todos sabem que tal experiência transformará as pessoas que a vivenciaram em alguém bem melhor capaz de ficar feliz com as imperfeições de sua vida e a respeitar o modo como o outro segue sua trajetória, por mais que os meios sejam os mais depreciáveis possíveis. Quanto maior o contraste entre as personalidades a serem trocadas mais fértil deve se tornar a idéia de fazer humor através dos choques das diferenças. Em Eu Queria Ter a Sua Vida o diretor David Dobkin, de Penetras Bons de Bico, arriscou requentar a premissa, mas achou que buscando um humor mais adulto no estilo de Se Beber Não Case, dos roteiristas Jon Lucas e Scott Moore, os mesmos que assinam o texto deste projeto, conseguiria fazer um filme que se destacasse em meio a tantas produções semelhantes, porém, acabou realizando um trabalho irregular que tem alguns bons momentos, mas no geral mais constrange do que diverte. Parece que a intenção maior era parodiar esse tipo de produção que explora os conflitos de personalidade e caráter quando se está literalmente na pele de outro, mas roteiristas e diretor foram preguiçosos e exageraram na dose de escatologia e apelo sexual.

domingo, 22 de julho de 2012

ROMULUS, MEU PAI

Nota 8,0 Cinebiografia de pensador enfoca sua infância que de tão triste soa como algo surreal

Sinopse: Raimond (Kodi Smit-McPhee) é um garoto que passa a sua infância participando de uma conturbada vida em família. Ele vive com seu pai Romulus (Eric Bana) e as vezes sua mãe Christina (Franka Potente) vai passar uns dias com ele. Ela agora é casada com Mitru (Russell Dykstra), que era o melhor amigo de seu ex-marido. Hora (Marton Csokas), irmão de Mitru, também está sempre por perto para ajudar esses dois vértices familiares da maneira que pode. Essa família tenta se dar bem e conviver pacificamente, passam bastante tempo juntos, mas as coisas complicam quando Christina engravida de seu novo companheiro. A chegada de uma criança faz com que ela mude seu comportamento e passe a sofrer de depressão. Mitru também se desilude com o casamento e Romulus começa a se interessar pela idéia de refazer sua vida ao lado de uma nova mulher. Assim, Raimond precisa conviver com a rígida moral imposta pelo pai e com a negligência por parte de sua mãe. A vida ainda guarda surpresas ruins para essa família nada convencional para a década de 60.

sábado, 21 de julho de 2012

AS COISAS IMPOSSÍVEIS DO AMOR

Nota 6,0 Drama tem enredo bom, mas que aponta mais caminhos do que poderia suportar

Sinopse: Emilia Greenleaf (Natalie Portman) é uma recém-formada advogada que vai trabalhar em um conceituado escritório e se apaixona por Jack (Scott Cohen), seu chefe. Ele é casado e inicialmente nem nota a presença da moça, mas ela é surpreendida quando é convocada para uma viagem de negócios com ele. Logo na primeira noite eles se aproximam e um novo romance começa que acaba rendendo um fruto. Depois de algumas semanas, Emilia descobre estar grávida e Jack se separa de Carolyn (Lisa Kudrow) com quem tem um filho, o pequeno William (Charlie Tahan). Os dois se casam e ficam na expectativa do nascimento da filha, mas aí vem uma grande decepção. A bebezinha falece três dias após seu nascimento. Para tentar esquecer sua dor e manter seu casamento, Emilia tenta se dar bem com a família do marido, principalmente com o enteado, e ainda reatar os laços com seus próprios parentes.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

OS PRODUTORES

NOTA 9,0

Longa baseado em comédia
dos anos 60 ganha uma bela
repaginada seguindo padrão
de espetáculo da Broadway
Os musicais ressurgiram com fôlego renovado nos anos 2000 e o público foi apresentado a um novo estilo do gênero que une as características tradicionais a certas inovações. Tivemos o amor cantado em prosa e verso de Moulin Rouge, a crítica e o sarcasmo implícito de Chicago e Hairspray e ainda o apelo popular das canções famosas e nostálgicas que embalam Mamma Mia!. Curiosamente um representante da categoria que tem toda a pompa e requinte necessários para agradar aos fãs cativos do gênero e novos espectadores infelizmente não fez o sucesso esperado. Os Produtores é a refilmagem de Primavera Para Hitler, uma comédia dos anos 60 dirigida por Mel Brooks e vencedora do Oscar de roteiro original. Bem, a produção assinada por Susan Stroman foi bastante elogiada e concorreu a alguns prêmios, mas foi totalmente desprezada pela Academia de Cinema e consequentemente pelo público que preferiu ir ao cinema ver os longas oscarizáveis da temporada. Uma pena, mas uma falha que felizmente pode ser corrigida e mesmo quem já viu poderá se divertir novamente. No Brasil optou-se pela tradução literal do título e não se apegar ao do passado. A primeira vista pode ser uma atitude sem cabimento ou tino comercial, mas para quem já viu as duas versões certamente ela fará todo sentido. O primeiro filme é curto e quase sem nenhum resquício que o lembre como um musical, caracterizando-se muito mais por ser uma comédia estereotipada. Já o remake é 100% melhor e agrega muito mais elementos necessários para que mantivesse a aura do espetáculo teatral homônimo (este que foi lançado em 2001 sendo reescrito e musicado pelo próprio Brooks), a verdadeira fonte de inspiração para esta obra. Por isso não estranhe as interpretações exageradas e os números musicais, cenários e figurinos que transpiram teatralidade. Susan é uma premiada coreógrafa dos palcos que estreou no cinema com o pé direito adaptando o próprio espetáculo musical da Broadway de maneira que talvez ninguém mais esperava ver na modernidade. Investindo no visual exagerado, praticamente um show de luzes e cores em alguns momentos, a cineasta convida o espectador para reviver a era dos musicais de Hollywood. Tudo flui com tanta naturalidade justamente por ela ter conseguido reunir praticamente todo o elenco original da montagem. Nathan Lane e Matthew Broderick permaneceram com seus papéis de protagonistas defendendo-os de forma excepcional.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

VOO NOTURNO

NOTA 9,0

Com sua ação praticamente
toda encerrada dentro de um
avião, suspense só declina em
seu ápice repleto de clichês
Mesmo com os jornais impressos e os noticiários da TV apinhados de tantos desastres reais e também fictícios para o cinema e novelas, os aviões ainda são o meio de transporte mais procurado para viagens longas e o sonho de muitos continua ser fazer um passeio sobrevoando os mares e continentes acima das nuvens. Os produtores e estúdios já investem no filão dos acidentes aéreos há muitas décadas tendo sua primeira fase de sucesso nos anos 70 quando se tornaram populares os filmes-catástrofes, aqueles que arrasam cidades ou colocam pessoas em risco em ambientes ou situações das quais aparentemente não há saída. Após o fatídico 11 de setembro de 2001 os aviões voltaram a ser alvo da lente de cineastas amedrontando a tripulação com vilões terroristas. Voo Noturno poderia ser apenas mais um produto do tipo, mas ele surpreende positivamente, embora críticas contra não faltem. É um clichê requentado? Uma proposta boa desperdiçada em uma produção cheia de furos? Mesmo assim você fica roendo as unhas de tensão? Sim, sim e sim. Digamos que esta é uma opção de filme B com pedigree. Tem seus momentos incrédulos, mas funciona do início ao fim muito melhor que algumas superproduções. A história começa oferecendo todo um clima digno de romance. Dois jovens que nunca se viram se encontram em um aeroporto por acaso e uma série de coincidências ocorrem culminando no fato de que eles farão a viagem juntos em um voo noturno, conhecido entre os americanos como “Red Eye”, e sentados lado a lado. Aí eles conversam mais, trocam confidências, se beijam e terminam o filme com um pretenso final feliz. Errado! A introdução é bem rápida para dar espaço a uma boa trama de suspense. Lisa Reisert (Rachel McAdams) gerencia um badalado hotel de Miami e tem pavor de avião, mas cai na lábia de Jackson Rippner (Cillian Murphy) que se mostra um jovem muito seguro e gentil. A aproximação não é a toa. O rapaz na realidade arquitetou o encontro. Ele é um criminoso que planeja a morte do Secretário de Defesa dos EUA, este que se hospedará no hotel de Lisa. Sua trama é forçar a moça a mandar seus empregados trocarem o alvo de quarto junto com a família de forma que ficasse mais fácil para que seu bando os atacasse. Se ela não fizer isso é o pai dela (Brian Cox) quem morre pelas mãos de outro assassino já a postos.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA

NOTA 9,0

Um pouco da história de um
pintor é revelada através de
especulações acerca de uma
de suas mais famosas obras
O cinema sempre encontrou na vida de artistas plásticos uma rica fonte de inspiração, afinal são vários os casos de pintores que viveram de forma excêntrica, embebidos em um clima boêmio, sofrendo decepções amorosas ou com doenças e até mesmo tendo uma morte um tanto dolorosa ou curiosa. Filmes sobre a trajetória de consagrados pintores geralmente são comuns, mas talvez recriar, mesmo que em partes, a vida deles através de uma de suas obras é um tanto curioso, ainda mais quando o nome em questão não é muito famoso mundialmente. Esse é o caso de Moça com Brinco de Pérola que recria a vida, ainda que enfocando determinado período, do pintor holandês Johannes Vermeer a partir de uma de suas obras que também dá título ao filme. O artista é pouco conhecido, ao menos no Brasil, mas essa ausência de informação só torna a experiência de assistir a esta produção ainda mais interessante, pois a acompanhamos sem fazer pré-julgamentos. Sem saber qual o movimento artístico ao qual ele pertence e tampouco sobre suas inspirações, o que uma de suas obras poderia transmitir sentimental ou intelectualmente? Certamente é essa indagação que levou o diretor Peter Webber, então estreando com o pé direito no cinema, a se interessar pelo romance de Tracy Chevalier que se baseia em uma história verídica, porém, faz questão de lembrar que traz a tona os fatos parcialmente. Resumidamente o enredo é uma especulação acerca da dúvida de quem seria a garota com olhar e sorriso enigmáticos que aparece no tal quadro que intitula o filme. A pintura é considerada por alguns estudiosos da área como o equivalente para a cultura holandesa o que a “Monalisa” representa na História da arte italiana. A biografia de Vermeer também é envolta em segredos e poucos sabem algo de sua vida e até mesmo sobre seu trabalho. Aliás, quase a metade do número estimado de suas telas permanece desaparecida. Sendo assim, o longa, tal qual o livro, apóia-se em suposições baseadas em estudos sobre a época, mas as afirmações não podem ser consideradas totalmente verídicas, um fato que não trabalha contra o próprio filme, pelo contrário, instiga ainda mais o espectador a procurar conhecer mais sobre o criador e sua arte. 

terça-feira, 17 de julho de 2012

GODZILLA (1998)

NOTA 8,0

Diretor especialista em
filmes-catástrofes recria
monstro oriental com êxito,
mas fracassa nas críticas
O cinema japonês coleciona um ou outro sucesso fora de seu país natal, ainda que o visual de suas produções costumem chamar a atenção por sua excelência técnica, principalmente em obras épicas. Curiosamente, a grande marca do cinema feito na terra do sol nascente por um bom tempo era um tanto tosca: um homem vestido com uma fantasia de monstro aterrorizando cidades. Criado na década de 1950, o personagem Godzilla protagonizou exatos 22 longas-metragens ao longo dos anos até que em 1998 foi prometida sua versão definitiva, mais aterrorizante e lucrativa de todos os tempos. Godzilla finalmente ganhava seu remake americano e o enredo prometia uma aventura de tirar o fôlego. Na Polinésia, a radiação causada por testes nucleares bancados pela França provoca uma transformação na vida de todos os seres vivos daquela região e uma destas mutações é o surgimento de um réptil colossal impossível de ser capturado e mantido em cativeiro em seu próprio território de origem. Ao descobrir pegadas gigantescas no Panamá, o governo americano convoca o biólogo Nick Tatopoulos (Matthew Broderick), um perito em modificações do DNA, para analisar as transformações que um simples lagarto sofreu em virtude de radiação nuclear, porém, sua missão tende a ser mais difícil. Ele precisa ajudar a descobrir como deter este imenso réptil que vai parar em Nova York. Nada consegue impedir a fúria desse monstro e a cidade que nunca dorme fica em pânico com essa aparição que destrói tudo o que vê no seu caminho. E a pior notícia ainda está por vir. O biólogo descobre que o imenso réptil está "grávido", pois se reproduz de forma assexuada. Assim, em pouco tempo seus ovos se quebrarão e darão origem à uma ninhada, sendo que cada cria poderá logo colocar seus ovos também. Assim, se o ninho não for logo descoberto, a cidade será completamente destruída. No encalço do lagarto gigante ainda estão o agente secreto francês Philippe Roaché (Jean Reno), o cinegrafista Victor Palotti (Hank Azaria), que quer lucrar conseguindo uma imagem impactante do monstro, e ainda a repórter Audrey Timmonds (Maria Pitillo), ex-namorada de Nick que se reaproxima do rapaz para conseguir a matéria de sua vida, mas que acaba descobrindo que ainda não o esqueceu totalmente.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

OS GAROTOS ESTÃO DE VOLTA

NOTA 7,0

Drama mostra a adaptação
de um homem a uma nova
rotina que inclui resgatar
o contato com os filhos
Notadamente na maioria das famílias os filhos têm um envolvimento maior com as mães do que com os pais, talvez por elas serem mais carinhosas, compreensivas e abertas ao diálogo, embora esse paradigma esteja cada vez mais em decadência e muitos homens tem assumido seu lado mais emocional perante a família, seja em busca de uma convivência mais harmoniosa com a esposa ou até mesmo para suprir a falta dela dentro de seu clã. O diretor Scott Hicks, de Shine – Brilhante, aborda justamente esta última possibilidade no drama Os Garotos Estão de Volta. Depois da trágica morte de sua segunda esposa, Katy (Laura Fraser), devido a um agressivo câncer, o conhecido jornalista esportivo Joe Warr (Clive Owen) tem que tomar conta de seu filho Artie (Nicholas McAnulty) de apenas seis anos. O problema é que ele era tão dedicado ao trabalho que praticamente não conhece o próprio filho, não fazendo idéia das qualidades, defeitos, vontades, rotina, sonhos, enfim tudo o que possa envolver o universo deste garoto. As coisas ficam ainda mais complicadas para Warr quando o adolescente Harry (George MacKay), filho de seu primeiro casamento, se muda para a Austrália para viver com ele durante uma temporada. A partir desse momento, Warr terá que se virar para manter uma casa habitada só por rapazes, porém, as dificuldades em se lidar com uma criança e um adolescente ao mesmo tempo são muitas, ainda mais quando também estão em jogo as memórias, os ressentimentos do passado e as dúvidas sobre o futuro. Owen é um bom ator que abraça os mais variados tipos de papéis, mas não tem em seu currículo muitos dramas. Aqui ele encabeça o elenco e dá conta do recado direitinho representando o papel do homem contemporâneo, aquele que não pode se dar ao luxo de ter uma mulher em casa para cuidar das crianças e dos afazeres domésticos. Não por opção, mas sim por necessidade, o protagonista precisa lidar com as tarefas cotidianas da casa, cuidar das necessidades de seu trabalho e ainda dar atenção aos filhos, sendo que o mais velho vive em constante conflito com o pai.  Todas as representações destas situações são totalmente críveis. Hicks é um cineasta que sabe trabalhar com a sensibilidade de forma natural e sem ser apelativo, assim dando à obra um toque mais realista.

domingo, 15 de julho de 2012

O PEQUENO NARIGUDO

Nota 8,0 Desenho russo resgata a simplicidade dos contos clássicos e da animação tradicional

Fundo do mar recriado com perfeição, brinquedos e robôs que agem como humanos, roedores com talento para a cozinha e até um ogro fazendo as vezes de mocinho das histórias. O campo da animação evoluiu demais nos últimos anos tanto em termos visuais quanto narrativos. Visando agradar crianças e adultos, os estúdios cada vez mais passaram a investir em animações com personagens e situações que flertam com o realismo, sendo possível sentir os pelos do corpo de um monstrinho e até mesmo sentir-se pilotando um carro de corrida em alta velocidade durante uma competição. Em meio a tantos atrativos mais antenados com a era tecnológica do século 21, ainda existe espaço para contos clássicos e animação tradicional? Bem, se um produto do tipo é oferecido pela Disney, por exemplo, hoje em dia é quase certo que a recusa é inevitável, mas quando tais produções vêm carimbadas com passaportes de países que não os EUA a aceitação pode ser mais fácil, o fator novidade ou raridade influenciam na receptividade. É uma pena que O Pequeno Narigudo não caiu nem mesmo no gosto do público adepto de obras alternativas. Após 40 anos sem investir em animações, a Rússia voltava a focar suas atenções no público infantil lançando em circuito comercial este simpático desenho que bebe na fonte de um singelo conto infantil alemão de autoria de Wilhelm Hauff datado do século 19. Em meados da Era Medieval, uma bruxa planeja conquistar o mundo, mas para tanto precisa da ajuda do garoto Jacob. Ele, filho de um humilde sapateiro, se recusa a ajudá-la quando ela surge em seu caminho disfarçada como uma bela mulher. Irritada, a feiticeira lança uma maldição sobre o garoto transformando-o em um rapaz corcunda feio e com um enorme nariz, além de deixá-lo preso em seu castelo por sete anos. Quando finalmente consegue sair de sua prisão, Jacob retorna à sua casa, mas descobre que a vida que tinha mudou drasticamente. Seu pai morrera de tristeza e sua mãe não o reconhecia mais. Sua vida volta a fazer sentido no dia em que ele salva um ganso e descobre que na verdade ajudou uma garota que também foi enfeitiçada. Ela é a Princesa Greta que foi sequestrada pela bruxa no momento em que tentava roubar o segredo de uma poção mágica do castelo do rei. Eles então se unem para desfazer os feitiços que os afligem e dar um jeito de barrar os planos da feiticeira.

sábado, 14 de julho de 2012

UM NOVO REENCONTRO

Nota 8,0 Drama reúne três grandes astros para contar história que exalta valores familiares

Superproduções do cinema costumam investir milhões para recriar cenários e épocas, mas as vezes o menos é mais. É comum criticarmos os telefilmes por na maioria das vezes eles não carregarem o charme e a beleza plástica de um produto feito para as telonas, mas existem exceções como o belo drama Um Novo Reencontro que reconstitui com perfeição o clima de um vilarejo rural no Kansas na época da Primeira Guerra Mundial. A trama escrita por Patricia MacLachlan começa mostrando um pouco do cotidiano do casal Sarah (Glenn Close) e Jacob Witting (Christopher Walken). Eles são pais da pequena Cassie (Emily Osment), mas na realidade este é o segundo casamento do chefe desta família. Ele perdeu sua primeira esposa no parto do filho Caleb (Christopher Bell), mas isso não o impediu de ser o melhor pai possível para o garoto e para sua irmã mais velha, Anna (Lexi Randall), que está de partida para a capital para ajudar o Dr. Sam Hartley (George Hearn) a cuidar de seus pacientes enquanto aguarda seu marido voltar da guerra. Jacob levou a filha e precisou que passar uma noite fora, mas não imaginava que algumas poucas horas longe de casa mudariam sua vida. Cassie diz que viu um homem estranho rondando a casa, mas é desacreditada pela mãe e o irmão, porém, ele realmente existe e acaba sendo acolhido por Sarah quando percebe que ele está à mercê do rigoroso clima de inverno da região. Ele é John (Jack Palance) que diz ter ido até lá para falar com Jacob, seu filho que não via desde criança. A notícia pega todos de surpresa, pois acreditavam que ele estava morto, mas na realidade ele havia abandonado a família por vontade da própria esposa que não suportava que o marido não tivesse ambições de melhorar na vida. Jacob sabia a verdade, mas preferiu mentir para si mesmo para aceitar a ausência do pai. Compreensiva, Sarah quer tentar reconciliar estes dois homens e assim dar a oportunidade da filha e dos enteados conviverem com o avô, mas no fundo se preocupa se John teria voltado para reclamar as terras da família.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

COLHEITA MALDITA

NOTA 8,0

Marco do terror dos anos
80, longa hoje pode não ser
tão impactante, mas ainda
pode causar arrepios

O nome de Stephen King atrelado a alguma produção de cinema automaticamente já traz certo prestígio ao projeto. Famoso por seus contos de terror, mas também se arriscando com sucesso no campo dos dramas, o autor tem uma legião de fãs tanto na literatura quanto na área cinematográfica. Entre os anos 70 e 80, ainda em início de carreiro, King viu trabalhos baseados em suas obras conquistarem crítica, público e figurarem em premiações, até mesmo no Oscar. É dessa safra que faz parte Colheita Maldita, considerado um clássico do terror por muitos. É certo que hoje em dia a produção não é tão impactante quanto foi no passado, mas envelheceu bem, não há muitos sinais evidentes de que o tempo passou, aliás, a imagem envelhecida é até um fator positivo neste caso. Baseado no conto “As Crianças do Milharal”, título original também do filme, o próprio King tratou de rascunhar um roteiro, mas ele foi descartado prevalecendo um escrito por George Goldsmith no qual a violência era mais presente e a estrutura narrativa mais convencional. Burt (Peter Norton) e Vicky (Linda Hamilton) estão atravessando de carro uma estrada deserta quando são surpreendidos por um garoto que acabam atropelando acidentalmente, porém, a criança já estava praticamente morta por estar com o pescoço com um corte profundo. O casal parte para a cidade mais próxima em busca de ajuda, mas quando chegam a Gatlin encontram um ambiente estranho e aparentemente abandonado. A introdução apresenta ao espectador um pouco do histórico macabro do vilarejo. A economia local baseia-se na agricultura, principalmente no cultivo de milho, mas certa vez a colheita foi péssima e a população passou a se apegar na fé para tentar garantir uma boa safra da próxima vez. Eis que surge um misterioso menino pregador, Isaac Chroner (John Franklin), que leva todas as crianças para um milharal para falar sobre as profecias de um demônio dos milharais chamado “Aquele Que Anda Por Detrás das Fileiras”. Isaac, através de seu tenente Malachai (Courtney Gains), lidera uma revolução infantil na cidade e todos os adultos são mortos brutalmente. Nos anos seguintes, tais atos passaram a ser praticados sobre o pretexto de serem sacrifícios necessários para uma boa colheita.
 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

ABAIXO O AMOR

NOTA 9,0

Comédia romântica resgata
o clima dos anos 60 com
história bem bolada e visual
típico de antigos seriados
Os anos 60 deixaram saudades para muitas pessoas. Reviravoltas políticas, conflitos a favor de atos libertários, a moda peculiar e rebelde, as canções que faziam críticas de forma escamoteada, artistas sendo banidos de seu país natal... Epa! Essa é uma visão muito nacional e dramática dos tempos do iê-iê-iê. Melhor guardarmos como lembrança dessa época o lado romântico visto pela ótica hollywoodiana deliciosamente exagerada de Abaixo o Amor. A palavra vintage costumava ser usada para se referir as melhores safras de vinho de determinado tipo ou região, mas passou a ser sinônimo de coisas que simbolizam períodos aleatórios do passado. Assim tal palavra é transcrita em forma visual literalmente a cada segundo desta comédia romântica que mostra um momento importante para o movimento feminista ao mesmo tempo em que tenta jogar por água abaixo a teoria de que as mulheres podem viver sem os homens. O diretor Peyton Reed foi habilidoso para construir uma trama inteligente e divertida que agrada a ambos os sexos. O filme já começa de forma irresistível com a abertura feita em animação com uma agradável e contagiante canção, tudo para o espectador já entrar no túnel do tempo. Logo somos apresentados a sociedade predominante machista do ano de 1962, mas a época já apontava mudanças e as mulheres começavam a ir à luta em busca de seus lugares no mercado de trabalho e a brigar por direitos iguais. A escritora Barbara Novak (Renée Zellweger) chega a Nova York cheia de esperanças de fazer sucesso com seu livro "Abaixo o Amor", mas acaba se decepcionando com a recepção fria a seu trabalho cujo objetivo é provar que as mulheres podem sim ser felizes e independentes sem precisarem de um homem ao lado. Porém, ela ainda teria a chance de mudar as coisas. Graças a ajuda de sua amiga Vicki (Sarah Paulson) ela consegue divulgar seu livro pegando carona no sucesso de uma música de mesmo título e mais uma rápida passagem por um programa de TV e da noite para o dia a sua vida muda completamente e sua obra consegue vender que nem água no deserto e ficar em primeiro lugar na lista dos mais vendidos. Os homens naturalmente não gostaram nada desse lançamento, mas um em especial se incomodou um pouco mais. O conteúdo do livro atinge negativamente o estilo de vida do jornalista metido a galã Catcher Block (Ewan McGregor), que decide se aproximar da autora e conquistá-la, assim desmentindo todas as teorias revolucionárias da jovem e conseguindo a grande matéria de sua vida.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

22 BALAS

NOTA 5,0

Thriller francês busca
inspiração em Hollywood
para falar sobre fazer
justiça com as própria mãos 
Quem ainda pensa que o cinema francês só sobrevive graças a dramas e romances está por fora. A cinematografia francesa tem explorado com freqüência outros gêneros visando conquistar novos mercados e públicos e o ator Jean Reno surge como o grande expoente nessa trajetória. Com passagem livre para transitar no cinema americano, o nome deste artista já consegue atrair atenções seja em dramas, comédias, suspenses, romances ou em produções de ação, mas ainda assim não tem o poder de quebrar preconceitos. Sem o respaldo de premiações ou críticas elogiosas de especialistas, os filmes estrangeiros em sua maioria acabam sendo despejados diretamente em DVD no Brasil sem direito a campanha de marketing e para completar o infeliz pacote acompanhados de títulos insossos como é o caso de 22 Balas em substituição ao original “O Imortal”. Ok, é certo que em nossas terrinhas a palavra imortal está atrelada a produções épicas, fantasiosas ou a filmes de ação protagonizados por brucutus que escapam ilesos de todos os perigos, sendo que a tradução literal não ajudaria a vender este trabalho do diretor Richard Berry, mas a escolha do genérico título nacional só ajudou a taxar este filme como mais um produto para encher prateleiras de locadoras, embora a nomeação tenha a ver com a história. A trama desta mescla de suspense e ação gira em torno de Charly Mattei (Reno), um fora-da-lei que após muito tempo colecionando inimigos resolveu abandonar a vida de crimes e passar os últimos três anos para se dedicar a sua família. No entanto esse período de calmaria não acontece como ele imaginava. Em uma manhã aparentemente normal o ex-criminoso é vítima de uma emboscada e é encontrado abandonado em um estacionamento com nada mais nada menos que 22 balas de revólver incrustadas em seu corpo. Apesar de muitos acreditarem que Mattei havia morrido, misteriosamente ele sobrevive ao atentado e agora se vê obrigado a voltar a sua antiga rotina e sai à caça de Tony Zacchia (Kad Merad), um ex-companheiro dos seus tempos de submundo e o único homem que se atreveria a tentar matá-lo, mas que cometeu o erro de não se certificar se a emboscada deu totalmente certo. Assim, com a ajuda da policial Maria Goldman (Marina Fois) que também tem contas a acertar com Zacchia, começa uma caçada que deixará muitos mortos pelo caminho até que Mattei consiga acertar seu alvo.

terça-feira, 10 de julho de 2012

ED TV

NOTA 7,0

Um cara simples vira um
ídolo da noite para o dia
em um reality show onde as
armações ditam as regras 
Você acha que a Hollywood atual está sofrendo uma crise de criatividade? Bem, no final da década de 1990 as coisas não eram diferentes, mas um estranho fenômeno acontecia. Ficamos sabendo definitivamente que as coincidências existem sim ou na pior das hipóteses que a espionagem cinematográfica é um fato consumado. Tentando inovar com projetos grandiosos ou originais, alguns estúdios acabaram sendo surpreendidos por produtos muito semelhantes lançados por seus concorrentes em período muito próximo. Entre estas felizes ou infelizes coincidências, dependendo do ponto de vista, surgiram dois filmes que se arriscaram a tratar de um tema na época ainda muito enraizado na cultura americana e praticamente desconhecido no resto do mundo: os realities shows. Ed TV é um deles. A história começa mostrando a disputa de duas pessoas influentes de um canal de TV que estão tentando emplacar um novo programa que possa tirar a empresa do ostracismo. A produtora Cynthia Topping (Ellen DeGeneres) cria uma atração revolucionária para manter a atenção dos espectadores: acompanhar diariamente o cotidiano de um cidadão comum e apresentar tudo o que ele faz durante 24 horas em horário nobre. O candidato escolhido é Ed Pekurney (Matthew McConaughey), um trintão solteiro que ainda vive com a família e é atendente em uma locadora de vídeo, perfil perfeito para retratar o sonho de qualquer pessoa: o cidadão comum que cresce na vida sem precisar fazer esforço algum, apenas curtindo seus quinze minutos de fama. A princípio ele curte intensamente seu sucesso, mas logo essa fama repentina torna a vida de Ed uma chatice. Conforme o tempo passa, o reality show começa a sofrer intervenções dos produtores que acabam atrapalhando a vida do protagonista, principalmente quando seus familiares esquecem que estão diante das câmeras a todo momento e começam a falar e a fazer o que não deviam. O rapaz também se desentende com seu grande amor, a bela Shari (Jenna Elfman), e a passa por maus e bons momentos na companhia de seu irmão Ray (Woody Harrelson).

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A PROPOSTA (2009)

NOTA 8,0

Após vários fracassos,
Sandra Bullock faz as pazes
com o sucesso atuando em
seu gênero cativo
Após muitos anos protagonizando comédias fraquinhas, Sandra Bullock voltou a ganhar os holofotes há alguns anos estampando a publicidade de três longas que estrearam em datas muito próximas. Ganhou o Oscar de Melhor Atriz por Um Sonho Possível, um dia antes foi eleita no Framboesa de Ouro a pior intérprete por Maluca Paixão e, por fim, fez as pazes com as bilheterias com A Proposta, comédia romântica que não traz inovação alguma e talvez por isso mesmo seja perfeita. Quando a receita é boa, não importa quantas vezes ela seja repetida, mas é preciso tomar cuidado para não errar na seleção dos ingredientes. A diretora Anne Fletcher, de Vestida Para Casar, não nega a previsibilidade da premissa do longa, mas consegue suavizar isso com um roteiro bem trabalhado, uma edição caprichada, um elenco de coadjuvantes excepcionais e, principalmente, um casal de protagonistas em perfeita sintonia, embora inicialmente possa causar certa estranheza pelo fato do mocinho da fita, Ryan Reynolds, parecer muito mais jovem que sua companheira, uma impressão que temos provavelmente por causa do tempo de carreira de cada um. Sandra interpreta Margaret Tate, a pretensiosa e mandona executiva de uma editora de livros que não faz a menor cerimônia para pisotear seus subordinados. Andrew Paxton (Reynolds) é seu assistente há anos e perdeu o direito a ter um tempo só seu. Ele vive atendendo aos pedidos da chefe, desde os mais simples até os mais insanos, sem receber um único agradecimento, mas aguenta o sufoco sonhando que um dia poderá realizar seu maior sonho: ter um livro publicado. Todavia os dias de manda-chuva de Margaret estão contados. Por ser canadense ela vive nos EUA como imigrante e depende do visto para permanecer no país e isto lhe é negado e em breve ela será deportada. A única maneira de se ver livre de uma vez por toda da fiscalização do governo é estar casada com um cidadão americano.

domingo, 8 de julho de 2012

AMOR POR ACIDENTE (1996)

Nota 5,0 Garota assume nova personalidade em romance previsível e que dispensa o humor

As comédias românticas são um gênero que inevitavelmente vive de reciclar clichês. É praticamente impossível hoje em dia pensar em algo original nesse campo, mas essa escassez de ideias aparentemente já é um problema antigo o que explica a pouca repercussão de Amor por Acidente lançado pouco tempo depois do estrondoso sucesso Enquanto Você Dormia que já mostrava o carisma de Sandra Bullock junto ao público. Ambos os filmes tem em comum a troca de identidade a partir de um acidente. Baseado no romance “Eu me Casei com um Homem”, de Conell Woolrich, o longa conta a história de Connie Doyle (Ricki Lake) que era uma adolescente quando Steve (Loren Dean) lhe ofereceu carinho e proteção, tudo que uma adolescente sonhadora gostaria, porém, aos dezoito anos descobriu estar grávida e ele a colocou para fora de casa. Sozinha e sem emprego, a jovem decide ir embora de Nova York e voltar para Boston, mas não tinha nem mesmo dinheiro para pagar a viagem de trem. Quando tenta enganar o cobrador, Hugh Winterbourne (Brendan Fraser) escuta a conversa e muito bondoso resolve ajudá-la fingindo ser seu marido e lhe pagando a passagem. O rapaz na realidade é casado com Patricia (Susan Haskell), que também está na viagem e coincidentemente grávida. Um grave acidente acaba acontecendo com o trem e Connie desperta no hospital após alguns dias em coma. Ela já teve seu filho e então percebe que na pulseira de identificação do bebê está o nome Patricia. Os médicos acreditam que ela está confusa por causa do trauma e não se recorda de quem é. Passado o susto ela se dá conta de que o casal Winterbourne faleceu, mas devido a uma brincadeira antes do episódio envolvendo uma aliança acreditam que ela seja Patricia, chegando ao ponto de receber um telefonema da sogra, a milionária Sra. Grace (Shirley MacLaine), convidando-a para viver em sua mansão já que a moça não teria família nos EUA. Pensando no bem estar do filho, Connie decide levar a mentira adiante e acaba conquistando a confiança da matriarca da família. Fraser ainda não era um astro na época, mas sua participação não podia se resumir a alguns poucos minutos no início da fita. Os roteiristas Phoef Sutton e Lisa-Maria Radano trazem o ator de volta na pele de Bill, irmão gêmeo de Hugh. O rapaz é esnobe e não aceita bem a presença da cunhada em sua casa.

sábado, 7 de julho de 2012

FRESH - INOCÊNCIA PERDIDA

Nota 4,0 Drama faz relato da perda da inocência em ambiente hostil, mas peca pela morosidade

Só quem é criado na periferia sabe como é viver em meio a criminosos, drogas e a falta de pudor. Quem tem um padrão de vida melhor costuma ver a vida dos “desvirtuados” com um olhar mais malicioso, não pensando duas vezes antes de apontar comportamentos fora dos padrões como opção e não uma imposição. Falar sobre vidas fora-da-lei, principalmente quando envolve menores, é um tema complicado e polêmico e constantemente o cinema tenta desmitificar preconceitos. Tal onda não é recente, vem de longa data como mostra Fresh, longa de 1994 cuja trama gira em torno de Michael (Sean Nelson), um garoto negro de apenas 12 anos que apesar de muito inteligente acabou se envolvendo no tráfico de drogas. Morador da região do Brooklyn, na época assombrada por mafiosos, Fresh, como é chamado, acabou desiludido pelas dificuldades que a vida lhe impôs e se aliou ao traficante Esteban (Giancarlo Esposito) para sobreviver e ajudar a família, ou melhor, a tia Frances (Cheryl Freeman) que abriga menores desamparados. Desafiando as desigualdades e os perigos da rua, ele usa toda sua lábia para vender drogas a pessoas de classes sociais mais abastadas, mas não usa as substâncias e continua frequentando a escola, sinais de que tem juízo ao contrário de sua irmã mais velha Nichole (N’Bushe Wright) que parece não ter mais esperanças de mudar de vida e a cada dia declina mais na dependência química, principalmente agora que está envolvida com um traficante poderoso. De vez em quando Fresh se encontra com o pai Sam (Samuel L. Jackson), um alcoólatra que chegou ao fundo poço e vive como mendigo. Todavia esse homem é dotado de extrema inteligência e nos encontros com o filho o ensina a jogar xadrez e de quebra lhe dá importantes lições de vivência a partir de uma metáfora. Para ele a vida é como um tabuleiro no qual as peças devem ser movimentadas com muita cautela e raciocínio para conseguir vencer.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

OS OUTROS

NOTA 10,0

Suspense sobre casa mal
assombrada recicla clichês
de forma eficiente e prende
atenção até o último minuto
Um casarão localizado em uma região afastada onde seja dia ou noite a melancolia impera, uma névoa intensa trata de deixar o ambiente ainda mais angustiante e os sons provenientes do vento se chocando contra árvores e janelas podem deixar qualquer um com arrepios na espinha. Bem, esses são velhos clichês dos filmes de terror, porém, quando bem utilizados podem ainda funcionar perfeitamente ou até mesmo superar expectativas. É em uma ambientação assustadora dessas que o diretor Alejandro Amenábar realizou uma das melhores produções de suspense ou horror dos últimos tempos. Monstros fajutos, assassinos mascarados e adolescentes acéfalos gritando por qualquer coisa já não assustavam mais na época, mas o sucesso de O Sexto Sentido dois anos antes deu sinal verde para a realização de Os Outros. O que esses dois filmes tem em comum? Ambos mexem com o subconsciente do espectador, porém, com óticas diferentes. Se explicitar o que causa medo já não tem mais efeito, porque não tentar o contrário? Assim o cineasta e roteirista chileno fez muita gente roer as unhas apostando em ruídos, silêncios perturbadores, fatos inexplicáveis e no mais velho truque para causar temor: o escuro.  A trama se passa na remota Ilha de Jersey, logo após a Segunda Guerra Mundial, onde Grace (Nicole Kidman), uma mulher religiosa e assustada com tudo o que aconteceu no período do conflito, vive em uma grande e isolada mansão junto com seus dois pequenos filhos, Anne (Alakina Mann) e o caçula Nicholas (James Bentley). Os três sonham com o dia em que Charles (Christopher Eccleston), o chefe da família, retornará da guerra. Enquanto isso eles vivem uma vida monótona e triste em casa, ainda mais porque ela está sempre com as janelas tapadas por cortinas escuras e apenas a luz de velas é utilizada. As crianças sofrem de uma rara doença e não podem ser expostas à luz solar, assim eles não tem amigos e são educados rigidamente pela mãe dentro de casa. A rotina do trio irá mudar completamente com a inesperada chegada de novos serviçais. Bertha (Fionnula Flanagan), Sr. Turttle (Eric Sykes) e a jovem muda Lydia (Elaine Cassidy) parecem conhecer perfeitamente a casa e seus serviços agradam Grace, mas desde o primeiro dia em que eles colocaram os pés naquele lugar muitas coisas estranhas passaram a acontecer e colocaram a vida das crianças em risco. Seguem-se então ruídos, portas que se abrem e fecham sozinhas, sons de passos e conversas e assim Grace começa a investigar qual a relação dos seus subordinados com os estranhos acontecimentos. 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

UM FAZ DE CONTA QUE ACONTECE

NOTA 8,5

Adam Sandler dosa seu
humor caracterísico para
se enquadrar ao estilo
Disney de fazer cinema
Adam Sandler é um ator que fincou raízes no gênero comédia e coleciona milhares de fãs por todo o mundo, principalmente pelo fato de seus personagens conquistarem a simpatia imediata com as platéias. Ele está acostumado a viver trintões que se esqueceram de crescer e que só pensam em diversão e mulheres, assim palavrões e piadas de duplo sentido estão sempre na ponta de sua língua, ainda que ele não seja o ator mais desbocado de sua geração. Porém, muitas crianças também são fãs do comediante e talvez por isso ele tenha sido escalado para protagonizar Um Faz de Conta que Acontece, comédia familiar dos estúdios Disney que nos últimos anos tem repensado seu manual de trabalho. Antes seria difícil acreditar que um longa protagonizado pelo astro de Click ou Gente Grande saísse da casa do Mickey Mouse, entretanto, a escolha foi acertada. O ator está totalmente a vontade interpretando, para variar, um cara que já não é mais nenhum adolescente, mas ainda não sabe bem o que quer da vida e vive de sonhos. Ele interpreta Skeeter Bronson, um rapaz que cresceu vivendo o cotidiano agitado de um gigantesco e refinado hotel que seu finado pai construiu. Já adulto, ele é uma espécie de funcionário mil e uma utilidades do local, mas sonha com uma grande chance de trabalho lá mesmo. Sua pacata vida muda completamente quando sua irmã Wendy (Courteney Cox) deixa seus dois filhos, Patrick (Jonathan Morgan Heit) e Bobbi (Laura Ann Kesling), aos seus cuidados. Entreter as crianças não é uma tarefa fácil, mas ele recebe a ajuda de uma amiga da sua irmã, Jill (Keri Russell), que as leva e busca na escola, assim diariamente encontrando com Skeeter. Como praticamente tudo na vida do rapaz, conquistar o amor da jovem parece ser um sonho impossível. Aliás, é justamente colocando a imaginação em primeiro lugar que esse tiozão consegue prender a atenção dos sobrinhos. Ele começa a contar histórias e elas o ajudam a narrar eventos inimagináveis e nos mais diferentes lugares, desde a antiguidade na Grécia, passando pelo velho oeste e chegando até o futuro no espaço. Descartando os cenários improváveis, Skeeter se surpreende ao perceber que situações do seu dia-a-dia passam a acontecer de acordo com o rumo que as crianças deram à história que foi contada no dia anterior, mas a diversão acaba se tornando um problema a partir do momento em que ele começa a manipular os sobrinhos para eles criarem a continuidade dos contos de acordo com aquilo que ele deseja que aconteça de verdade em sua vida. 
 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

PEIXE GRANDE E SUAS HISTÓRIAS MARAVILHOSAS

NOTA 9,5

Tim Burton deixa um
pouco de lado o estilo
gótico para contar uma
história leve e onírica
Qualquer pessoa que é realmente apaixonada por cinema sabe que o estilo do diretor Tim Burton é inconfundível. Adepto do estilo gótico, das fábulas e fantasias, cada novo trabalho seu se transforma em um aguardado evento antes mesmo da estréia. Porém, ele está longe de ser um Midas do cinema, ou seja, nem tudo que faz se transforma em ouro como é o caso de Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, um belíssimo filme que mescla com perfeição realidade e fantasia em uma narrativa agradável e tocante. Lançado em meio aos títulos concorrentes ao Oscar da temporada de 2004, premiação na qual apenas concorreu como Melhor Trilha Sonora, o longa passou despercebido, ainda que as críticas da imprensa em sua maioria deram parecer positivo à produção. Assistir hoje em dia esta obra, além de ser imensamente recompensador, nos mostra mais uma vez o quanto as premiações estão voltadas ao comercial e cada vez menos para o lado artístico. Só assim para explicar a rejeição da produção em tais eventos e consequentemente sua exposição prejudicada. O enredo gira em torno das aventuras vividas por Edward Bloom (Albert Finney), um idoso que adora contar histórias de seu passado. Quando jovem, papel interpretado por Ewan McGregor, ele saiu de sua pequena cidade localizada no Alabama para realizar o sonho de dar uma volta ao mundo. Nesse período de andarilho, Edward visitou inúmeros lugares, passou por situações inusitadas e conheceu os mais diversos tipos de pessoas. Todos que ouviam estas histórias ficavam fascinados, menos o próprio filho deste homem, Will (Billy Crudup), justamente por não suportar a mistura de realidade e fantasia a qual seu pai estava submerso, motivo que o fez romper relações com ele há muitos anos. Quando Edward está à beira da morte, sua esposa Sandra (Jessica Lange) tenta reaproximar pai e filho, mas ainda Will guarda muitas mágoas por jamais ter o conhecido da maneira que gostaria e crescendo duvidando do seu caráter. Todavia, será que todas as histórias fantásticas do aventureiro Ed, como gosta de ser chamado, são realmente contos no melhor estilo de pescador? Aliás, é justamente com uma história de pescador que o longa começa e brilhantemente justifica o título. 
 

terça-feira, 3 de julho de 2012

CAÇA ÀS BRUXAS

NOTA 3,5

Misto de aventura épica e
suspense sobrenatural
não empolga e descarta
material histórico
Um dia no céu, outro no inferno. A carreira de Nicolas Cage pode ser resumida no contexto desta curta frase. Sobrinho do cineasta Francis Ford Coppola, ganhador de um Oscar e sinônimo de sucesso nos anos 90, parecia que o ator sempre estaria no topo, mas desde 2003 ele estava vivendo uma fase conturbada no âmbito profissional. Fora A Lenda do Tesouro Perdido e sua continuação, todos os seus projetos cinematográficos estão sendo fiascos de crítica e público, porém, contraditoriamente, ainda seu nome chama a atenção. Certo diretor de uma distribuidora independente de filmes no Brasil chegou a afirmar que a grife Cage não rende nos cinemas, mas ainda é bem vista no mercado do home vídeo, embora cada vez mais o nível das produções que ele estrela caiam. Esse sucesso “caseiro” seria um indicativo de que o nível cultural da população mundial está caindo na mesma proporção que os trabalhos do ator? É uma hipótese plausível, tanto que daqui alguns anos possivelmente seu nome terá o mesmo peso que hoje em dia tem Sylvester Stallone, Jean-Claude Van Damme, Wesley Snipes e tantos outros brucutus que fizeram fortuna no passado com fitas meia-bocas de ação. Por outro lado Cage tem a seu favor o fato de não ter sua imagem atrelada a um gênero específico, o que pode lhe garantir uma sobrevida. De qualquer forma, já é possível perceber que este ator está sofrendo certa perseguição. Todos os anos dezenas de produções de época são lançadas em cinemas ou diretamente em DVD e muitas delas são bem piores que Caça às Bruxas, longa no qual o ex-astro de Hollywood vive Behmen, um soldado templário que lutou por vários anos nas Cruzadas acreditando que estava expulsando da Terra os inimigos de Deus, mas com o tempo perdeu a própria fé. A decepção total veio após uma batalha na qual morreram muitas mulheres e crianças inocentes. Ao desistir de ajudar a Igreja em suas lutas pelo poder, nas quais precisou matar e saquear em nome da religião, Behmen encontra um mundo em degradação que sofre com a fome, a peste negra e outras mazelas. Ao lado de seu fiel escudeiro Felton (Ron Perlman), ele torna-se inimigo dos governantes e dos defensores da fé, para a tristeza do Cardinal D’Ambroise (Christopher Lee).
 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

MUITA CALMA NESSA HORA

NOTA 2,0

Com estilo americanizado,
longa só vale uma espiada
em caso de não haver outra
coisa para fazer
O cinema brasileiro cresceu tanto nos últimos anos que precisou abrir novos caminhos para se sustentar. Se antes filme nacional era símbolo de prêmios e elogios e pouca bilheteria, isso já na época pós-retomada, agora sabemos que existe espaço e necessidade também para produções mais comerciais em nosso mercado cinematográfico. Houve inclusive um período fértil no qual público e crítica aplaudiram trabalhos brasileiros que conseguiram não só espaço nas salas especiais e cults, mas também nos multiplex dos shoppings. Finalmente era compreendido que um mercado de cinema competitivo e ativo precisa equilibrar qualidade e diversão, assim os filmes-pipoca são de extrema importância. Um sucesso da grife Daniel Filho, como Se Eu Fosse Você, pode bancar dois ou três filmes menores para agradar a um público mais intelectual e ainda concorrer prêmios. É essa a lógica que segura as pontas até mesmo de Hollywood. O problema é que algumas pessoas andam levando a sério demais o termo cinema comercial e realizando produções desastrosas que no final das contas não passam de veículos chamativos para empresas que querem melhorar suas imagens através do patrocínio a arte brasileira. O modelo de cinema imposto pela apresentadora Xuxa está fazendo escola. Se nos últimos tempos ela se ausentou das telas grandes com a sua trupe de amigos (entenda-se pagodeiros, modelos, ex-paquitas e artistas em evidência na época), o diretor Felipe Joffily veio para ocupar o posto com a bomba Muita Calma Nessa Hora, uma espécie de road movie com influências do cinema americano. O diretor tentava falar a língua dos jovens, algo que já havia procurado com seu trabalho anterior Ódiquê?, mas especificamente neste filme em destaque ele subestimou a inteligência de seu público-alvo. Repare na sinopse do longa. Tita (Andréia Horta), Mari (Gianni Albertoni) e Aninha (Fernanda Souza) são três jovens amigas que estão enfrentando momentos problemáticos em suas vidas. Decididas a relaxar, elas partem para uma viagem para curtir um fim de semana em Búzios. No caminho elas encontram Estrella (Débora Lamm), uma hippie a quem dão carona e que está atrás de seu pai desaparecido. Em um cenário paradisíaco, as quatro moças vão passar por situações adversas, noitadas quentes e conhecer diversas pessoas, cada uma com seus conflitos, manias e virtudes que de certa forma irão interferir na vida delas, cujo rumo muda a cada minuto e assim elas passam a olhar o futuro com outros olhos.

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