sábado, 30 de junho de 2012

PRISIONEIRO DA MORTE

Nota 2,0 Efeitos especiais bacaninhas é o que se salva deste terror que não tem objetivos claros

Todos estão carecas de saber que inovar no gênero de terror é algo quase impossível atualmente após os temas terem sido reciclados centenas de vezes, mas sempre há um gênio de plantão tentando tirar leite de pedra. A idéia da morte perseguindo suas próximas vítimas já foi bem explorada, por exemplo, no primeiro título da cinessérie Premonição, que não por acaso desandou ladeira abaixo nos episódios seguintes da franquia. No caso de Prisioneiro da Morte as boas intenções morrem antes mesmo de algum espectro surgir em cena. A premissa é bem interessante, mas é mal desenvolvida pelo roteiro de Brendan Hood, autor de Habitantes da Escuridão, outro filme que promete demais e cumpre bem pouco. A trama gira em torno do jovem Ian Stone (Mike Vogel) que está chateado por achar que foi trapaceado durante um jogo de hóquei na faculdade. Consolado por Jenny (Christina Cole), ele lhe dá uma carona para sua casa e depois segue para a sua. No caminho é surpreendido por um corpo estendido no chão durante uma noite chuvosa e tenta pedir socorro, mas é surpreendido pelo ataque da tal pessoa ou criatura. Passado o susto, Stone de repente se vê dentro de um escritório e sem nenhuma marca de agressão. Sua companheira Medea (Jaime Murray) desconhece a história de que ele era jogador durante a época de estudante e a partir de uma estranha conversa com um desconhecido o rapaz descobre que está morrendo a cada dia e voltando em uma nova vida e em alguma atividade ou situação diferente, porém, sempre mantendo o mesmo nome e com poucos resquícios de memórias de sua “última passagem”, mas sempre Medea ou Jenny estão por perto. Agora ele precisa desvendar este mistério para voltar a levar uma vida normal, mas parece que o relógio é seu inimigo número um. O quebra-cabeça do enredo começa intrigante, mas pouco a pouco vai se tornando desinteressante mesmo com as constantes mudanças que ocorrem na vida do protagonista interpretado razoavelmente por Vogel que estrelou Cloverfield – Monstro, um quase terror com trama bem melhor desenvolvida. Chegamos a um ponto que o máximo de expectativas que podemos criar são quanto as aparições dos ceifadores, as criaturas responsáveis por colocar ponto final em uma vida.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

SEGUNDAS INTENÇÕES

NOTA 9,0

Adaptação de texto clássico
para a modernidade e para
atingir o público jovem é
uma grata surpresa
Dois jovens pertencentes à alta sociedade nova-iorquina fazem de tudo para manter as aparências de que são pessoas idôneas, mas por debaixo dos panos formam uma dupla irremediavelmente depravada que se diverte com joguinhos de sedução e destruindo as reputações de seus desafetos. Por essa breve descrição realmente Segundas Intenções não parece ser um filme muito atrativo, mas quem já lhe deu um voto de confiança não se arrependeu. Quer dizer, isso se tais pessoas tiverem até uns trinta e poucos anos e ainda estarem na fase de curtir a solteirice. Para quem já constituiu família digamos que não deve ser muito agradável pensar que futuramente sua doce filhinha pode cair na lábia de um pervertido, que drogas e sexo farão de certa forma parte do cotidiano destes adolescentes e por aí vai. Este drama voltado para o público jovem foi lançado sem grandes expectativas, mas rapidamente caiu no gosto dos americanos e pouco a pouco foi colecionando fãs em todo o mundo, sendo que hoje a produção é considerada um dos cults movies dos anos 90. Se os grandes filmes para adolescentes datados de uma década antes, geralmente comédias e aventuras, até hoje tachamos como produtos típicos de sessão da tarde, o longa em questão passa bem longe desta classificação por conter cenas fortes, diálogos provocantes e um intenso clima sensual. Sinal dos tempos. A ingenuidade massacrada pelo amadurecimento cada vez mais precoce. Todavia, esta produção não objetiva apenas entreter os adolescentes, mas também conquistar o público adulto com uma trama envolvente que possa trazer certas reflexões que talvez em uma primeira apreciação podem não ser totalmente identificadas. A inspiração para o enredo veio de um clássico literário europeu já bastante explorado pelo cinema, “Les Liaisons Dangereuses”, escrito por Choderlos de Laclos em meados do século 18. Sua versão cinematográfica mais famosa, Ligações Perigosas, até hoje é considerada uma das grandes obras da década de 1980. Tanto para quem já assistiu ou para quem nunca viu nem alguns poucos minutos deste trabalho do cultuado cineasta Stephen Frears, pode parecer muito estranha a opção de trocar os cenários do Velho Continente pela agitada e moderna Nova York, além do fato das personagens da elegante burguesia serem substituídas por jovens ricos e rebeldes que não tem com o que ocupar o tempo ocioso, porém, o resultado dessa adaptação é surpreendente. Causa ainda mais espanto saber que o homem por trás destas modificações na época tinha apenas 23 anos e estreava na direção. Roger Kumble, também responsável pelo roteiro, fez seu debut em Hollywood em grande estilo, mas obviamente não é digno fazermos comparações entre seu clássico moderno adolescente com o clássico oitentista destinado a plateias mais maduras, ainda mais sabendo que ele se deixou empolgar demais com os elogios e os rendimentos financeiros e cometeu o equívoco de realizar uma sequência tão desnecessária que até mesmo o elenco do original preferiu ficar de fora.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

UM CAMINHO DE LUZ

NOTA 8,5

Drama espanhol baseado
em fatos reais é tocante,
esclarece sobre uma grave
doença e crítica religião
Filmes protagonizados por pessoas que estão sofrendo com algum tipo de câncer existem aos montes. Na intenção de esclarecer dúvidas e incentivar os diagnósticos precoces até pequenos talentos interpretando crianças que sofrem com a doença já brilharam no cinema com atuações comoventes. Por tratar de um assunto difícil e que praticamente mexe com o emocional de todos, afinal aparentemente ninguém está livre desta doença silenciosa que pode surgir por inúmeras razões e que ainda a ciência vem pesquisando, muitas produções do tipo acabam passando em brancas nuvens, principalmente pelos olhos dos espectadores que recorrem a filmes apenas por diversão. Bem, se esse é realmente seu objetivo passe bem longe de Um Caminho de Luz, um drama belíssimo, mas que pouco a pouco nos deixa com um nó na garganta tamanho o sofrimento da jovem protagonista, uma garotinha sonhadora, mas ao mesmo tempo muito pé no chão. Vencedor de seis prêmios Goya, o Oscar Espanhol, esta produção nos emociona até o último minuto, porém, não é recomendada aos mais críticos e principalmente aos insensíveis que certamente vão rotular este trabalho como um manipulador de emoções de marca maior. O longa conta a história de Camino (Nerea Camacho), uma menina de apenas onze anos que está ao mesmo tempo enfrentando duas situações totalmente opostas e inéditas para ela: o nascimento do amor e a aproximação da morte. Após ser diagnosticada erroneamente com simples problemas de coluna, é descoberto que ela possui um estranho e agressivo tipo de tumor que começa a destruir sua vida e vai lhe privando pouco a pouco de cada uma de suas ilusões e vontades para o futuro. As visitas aos hospitais e os procedimentos cirúrgicos cada vez se tornam mais constantes até que Camino fica presa a uma cama definitivamente. A cada novo obstáculo que a vida lhe coloca, ela se enche de forças e faz suas orações para não se deixar abater e procura alguma forma de se adaptar as suas novas condições físicas, vivendo assim cada dia intensamente, ainda que só em sonhos. Mesmo nestas circunstâncias ela ainda sonha com a peça “Cinderela” que faria na escola na qual atuaria com o garoto por quem se apaixonou. A narrativa tem alguns momentos mais lúdicos e que dão um respiro ao espectador graças a inserção de cenas do desenho da Disney e até mesmo da peça escolar sobre a gata borralheira da qual a protagonista participaria. Os sonhos que Camino tem com o conto clássico, com o garoto que gosta, aqueles em que ela aparece curada, entre tantos outros, possuem estéticas que lembram ao filme Um Olhar do Paraíso, outro drama no qual uma jovem menina precisa se acostumar com sua nova realidade e os sonhos surgem como um alívio. Pena que em ambos os casos a realidade sempre chega de supetão para acabar com a fantasia.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O GOLPISTA DO ANO

NOTA 7,5

História verídica sobre
golpista homossexual rende
um boa comédia com toques
de drama e cenas polêmicas
Quando não conseguimos definir bem em que gênero se enquadra um filme das duas uma: ou ele é um projeto inovador ou uma bobagem que atira para tudo quanto é lado sem ver no que vai acertar. Digamos que O Golpista do Ano fica em cima do muro entre estas duas opções. Ele tem drama, suspense leve, humor sarcástico e também piadas no melhor estilo pastelão. O resultado é um trabalho que tem seus altos e baixos, mas ainda assim um filme que não conseguimos odiar totalmente. Tampouco elogiá-lo exageradamente. Baseado em fatos surpreendentemente reais, registrados no livro de memórias “Eu Te Amo Phillip Morris” de Steve McVicker, acompanhamos a história de Steven Russell (Jim Carrey), um policial que está vivendo um período de crise em todos os sentidos, a começar pelos traumas de infância que o amedrontam ainda, como o fato de ter sido abandonado pela mãe. Apesar de ser casado com a religiosa e conservadora Debbie (Leslie Mann), ter filhos e ser reconhecido na profissão, ele aparentemente vive uma felicidade de fachada, traindo sua esposa com homens. Certo dia, voltando de uma de suas escapadelas, ele sofre um acidente de carro e decide que se sobrevivesse mudaria completamente de vida. Assim ele assume ser homossexual e passa a aproveitar tudo de bom que a vida tem a oferecer, nem que para isso seja preciso sobreviver aplicando golpes afinal, segundo o próprio, ser gay custa muita caro. Desempregado, Steven se envolve em trapaças com seguradoras, lucra muito, mas não tarda para que chegue o momento em que ele é preso e condenado à prisão. Todavia, esse período recluso não é de todo mal. É na carceragem que ele finalmente conhece o grande amor de sua vida, Phillip Morris (Ewan McGregor). A partir desse momento, Steven passa a viver entre fugas e novas prisões, sempre agindo em nome do amor. Bem, pelo menos as vidas de prisioneiro sua e a de seu namorado não foram nada monótonas ou sofridas já que o golpista conseguia alguns privilégios oferecendo certos serviços sexuais às escondidas para policias e prisioneiros.

terça-feira, 26 de junho de 2012

DIREITO DE AMAR

NOTA 8,5
Ex-estilista estréia como
diretor de cinema com o pé
direito com drama sensível
e tema polêmico
Muita gente afirma que cada vez mais as sociedades estão ficando preparadas para ao menos respeitar as diferenças e as pessoas poderem viver em ambientes amistosos e pacíficos, mas sabemos que na prática isso não acontece e o individualismo e a preservação de pretensiosas leis e regras de boa conduta e moral tratam ainda de nos assolar com preconceitos tolos, desde a questão das raças, nas quais os negros são as principais vítimas, até o tema do homossexualismo, sendo o principal alvo o envolvimento entre homens. Se em pleno século 21 ainda estamos contaminados por conceitos errados e nos deixamos engessar por padrões de conduta pré-estabelecidos, imagina como as coisas eram há décadas atrás, mais especificamente nos anos 60. Pois é justamente nesta época e retratando a vida de um gay que o diretor Tom Ford buscou inspiração para seu trabalho de estreia, Direito de Amar. Durante anos ele foi um dos estilistas mais famosos do mundo, mas ao julgar pelo seu envolvimento em seu primeiro filme dá para perceber que desenhar roupas que ditariam moda por uma ou duas temporadas não era o bastante para este homem deixar como legado. Além de dirigir, Ford também produziu e roteirizou esta obra adaptada do romance homônimo e semi-autobiográfico do escritor Christopher Isherwood. A narrativa arrastada e intimista fala basicamente sobre conflitos de sentimentos e é quase um monólogo sobre o que pensa e observa o protagonista. Em 1962, extremamente abalado pela recente e trágica morte de Jim (Matthew Goode), seu companheiro de muitos anos, o professor universitário George Falconer (Colin Firth) mantém as aparências de que está tudo bem, mas por dentro nutre o desejo de acabar com sua própria vida. Enquanto planeja seu suicídio, ele passa por diversas situações e sente as mais diferentes sensações ao recordar seu passado, pensar no presente e vislumbrar seu futuro, incluindo a alternativa de que esse tempo ele não viverá. Suas reflexões o levam a reencontrar uma antiga amiga, Charley (Julianne Moore), com quem se relacionou no passado e a única pessoa capaz de lhe trazer alguns momentos de felicidade, isso até ele deixar de relutar e aceitar as investidas de um jovem aluno, Kenny (Nicholas Hoult). Mas o desejo de encerrar sua vida não o deixa em paz, mesmo com esses pequenos momentos que lhe mostram que viver vale a pena.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

TENHA FÉ

NOTA 8,5

Edward Norton estreia bem
como diretor apostando em
comédia romântica leve e
com humor refinado
Quando um ator, contando com toda sua experiência e convivência com diretores e o cotidiano de um set de filmagens, estaria pronto para dirigir seu próprio filme? É difícil dizer, mas a maioria dos atores que pularam da frente para trás das câmeras esperou certo amadurecimento profissional, mas também pessoal. Poucos foram elogiados, porém, as críticas negativas recebidas pelos colegas não afastam outros corajosos do objetivo de ser um grande diretor. Mel Gibson e Kevin Costner deram sorte inicialmente nesta profissão, inclusive foram vencedores do Oscar como diretores, mas depois passaram a ser constantes alvos de críticas ferozes. George Clonney parece ser a realização do sonho de uma mesma pessoa poder atuar e dirigir e ainda colher elogios, mas quando ele ainda tentava conquistar seu espaço no cinema como intérprete e se livrar do estigma de ter destruído a franquia do herói Batman um jovem parecia disposto a quebrar o preconceito dos críticos e do público a respeito de um profissional que coloca a cara tapa em dobro no campo cinematográfico. Depois de elogiadas atuações em obras como O Povo Contra Larry Flint, A Outra História Americana e Clube da Luta, Edward Norton fazia em 2000 sua estreia como diretor no simpático Tenha Fé, comédia romântica que infelizmente não foi bem acolhida pelos populares, nem mesmo pelos adeptos do gênero. Dependendo do estado de espírito, em uma primeira exibição você pode amar ou odiar o filme logo de cara, mas é certo que ele merece um voto de confiança. Está longe de ser um filme péssimo, mas também não chega a ser excepcional, embora falte pouco para merecer uma nota 10 considerando o nível das comédias românticas daquela época e contemporâneas. Apesar dos bons diálogos, elenco afinado e premissa interessante, o roteiro de Stuart Blumberg talvez peque por ser politicamente correto ao extremo e a condução de Norton elegante demais para os padrões do gênero, ou seja, as qualidades e diferenciais desta obra ironicamente acabam jogando contra ela própria. A trama gira em torno de Brian Finn (Norton) e Jake Schram (Ben Stiller), dois jovens dinâmicos e populares que moram em Nova York e são amigos desde a infância. Ambos escolheram seguir o caminho da fé para nortear suas vidas, inclusive a profissional. Brian tornou-se padre e Jacob, como gosta de ser chamado, um rabino.

domingo, 24 de junho de 2012

IMAGINE EU E VOCÊ

Nota 7,5 Comédia romântica com temática homossexual segue estrutura comum do gênero

A maior parte das comédias românticas acaba com o casamento dos protagonistas, mas tem se tornado cada vez mais frequentes produções do tipo que começam justamente com tal cerimônia, afinal de contas muita história pode rolar após a troca de alianças e o felizes para sempre pode se revelar apenas uma ilusão. Imagine Eu e Você poderia ser apenas mais uma daquelas comédias românticas do tipo água-com-açúcar que são facilmente esquecíveis, isso se não fosse por um detalhe: o enredo trata do amor entre duas mulheres. A trama começa com a festa de casamento do jovem executivo Heck (Matthew Goode) e a bela Rachel (Piper Perabo). O casal parecia muito apaixonado, mas é a partir do período de recém-casados que eles passam por uma prova de fogo. Isso é normal, pois eles estão se adaptando a rotina um do outro, porém, algo inesperado acontece e coloca em xeque a força desta união. Não é a toalha molhada em cima da cama ou o tubo de pasta de dente retorcido e destampado em cima da pia. Uma terceira pessoa surge para abalar o jovem casal. A florista Luce (Lena Headey), amiga do noivo, desperta algo diferente em Rachel, um sentimento com o qual a recém-casada nunca havia convivido. O casal tenta arranjar um companheiro para a amiga solteira, mas é surpreendido com a revelação que ela é lésbica. Isso faz com que Rachel fique ainda mais confusa a respeito do que está sentindo. O marido estranha que a esposa não deseja ter praticamente contato físico com ele e nem pensa em filhos, mas não percebe, pelo menos inicialmente, o interesse dela em Luce e até incentiva que as duas passem mais tempo juntas e comecem a sair mais para se divertirem. Na realidade ele vê a florista como uma possível informante para entender o que se passa com Rachel. Mesmo relutante, aos poucos, sua esposa passa a ser muito mais íntima da vendedora de flores e Heck nota algo de estranho na relação de amizade delas, mas aí já pode ser tarde demais para salvar seu casamento.

sábado, 23 de junho de 2012

INVERNO DESPEDAÇADO

Nota 8,0 Drama mostra as dificuldades de um casal para superar a perda repentina da única filha

A cena inicial em que um homem assiste a queda de uma árvore e a fuga assustada de um corvo, símbolo da morte, já anuncia o que vem por aí. A gélida e triste paisagem das terras europeias sem glamour algum no caso de Inverno Despedaçado não serve apenas como cenário, mas também é um ingrediente importantíssimo para a narrativa, pois realça o espírito dos protagonistas, um casal que em pouco tempo acabou congelando suas vidas, porém, um simples tremor pode tratar de quebrar esse gelo e trazer consequências tanto positivas quanto negativas, mas o certo é que no final das contas dificilmente ela ou ele poderá dizer que é plenamente feliz. O roteiro de Pierre-Pascal Rossi narra o drama vivido pelos fazendeiros Jean (Aurélien Recoing) e Laure (Marie Matheron) que há poucos meses perderam a filha de apenas cinco anos em um incêndio. O casal ainda não se adaptou ao vazio que ficou em casa e precisam urgentemente descobrir um novo sentido na vida. A paisagem fria e triste do rigoroso inverno europeu só aumenta a sensação de impotência de Laure, que está abatida, fechada em suas lembranças e apresentando comportamento com rompantes de loucura. O marido também está com dificuldades para seguir sua vida normalmente, até porque ele se sente culpado pelo acidente com a filha devido as más instalações elétricas de sua casa que provocaram o infortúnio, mas chega a um ponto de estresse no qual não poderia também arcar com a loucura da esposa em silêncio. Laure é internada em uma clínica psiquiátrica a contragosto da irmã Valérie (Nathalie Boulin) que não gosta de seu cunhado e aos poucos passa a fazer intrigas a respeito dos sentimentos de Jean em relação a esposa. Enquanto isso, esse homem amargurado decide vender a propriedade da família, muda-se para o antigo restaurante que tinham e larga o trabalho no campo para se dedicar a uma atividade com salário fixo em uma usina. É justamente nesse novo ambiente que Jean encontra esperanças para dar novos rumos a sua trajetória quando conhece Labinota (Gabriela Muskala), uma imigrante polonesa que trabalha no refeitório da empresa. A relação entre eles, apesar de benéfica, pode significar o fim da união de Jean e Laure.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

IRMA VAP - O RETORNO

NOTA 1,5

Marco Nanini vestido de
mulher e cantando um hit
nacional da década de 1960 é a
única coisa que se salva
O cinema consegue abrigar as mais variadas formas de manifestações culturais e o teatro obviamente é uma fonte inesgotável de inspiração. Textos clássicos teatrais são comumente adaptados pelos americanos e europeus, alguns já foram filmados mais de uma ou duas vezes, e mesmo que na maioria das vezes o retorno do público e crítica seja mínimo a tendência continua. No Brasil, os sucessos mais contemporâneos dos nossos palcos tornam-se alvo fácil de diretores e produtores em busca de projetos que já carreguem consigo uma certa popularidade, o que poderia render ótimas bilheterias quando passados para película. A Partilha e Divã são alguns dos sucessos que fizeram o trajeto dos palcos para as telonas com certa facilidade, mas outros como Polaróides Urbanas e Tempos de Paz passaram longe de serem bem recebidos quando transformados em filmes. Entre os fracassos deste modelo de produção chama a atenção Irma Vap – O Retorno, um verdadeiro fenômeno teatral que ficou em cartaz aproximadamente onze anos, mas sua versão de cinema talvez não tenha conseguido ficar três semanas ocupando alguma sala de exibição sem dividir espaço com algum outro título tamanha rejeição do público. O título já deixa explícito o desejo de se repetir através de um veículo de comunicação de massa a excelente repercussão dos palcos, mas desde o início o projeto já demonstrava sinais de que não tinha tanto potencial assim. O longa é uma comédia sobre uma fictícia nova montagem do texto escrito pelo americano Charles Ludlam. Otávio Augusto (Marcos Caruso), um dos produtores da montagem original da peça, se alia a Luiz Alberto (Leandro Hassum), filho de um falecido produtor, para realizarem uma nova montagem do espetáculo, mas para tanto precisam convencer Tony Albuquerque (Marco Nanini), um dos protagonistas e detentor dos direitos autorais, a permitir que a idéia seja levada adiante. O ator parece não estar disposto a ver sua obra novamente sendo encenada, ainda mais porque ele não poderá participar devido a um acidente. Confinado em uma cadeira de rodas, ele vive recluso em sua casa e é manipulado pela irmã Cleide (Marco Nanini), uma ex-cantora mirim frustrada por não ter mais sucesso. Os dois produtores decidem então apelar para o outro artista do espetáculo, Darci Lopes (Ney Latorraca), um ator em decadência, para que ele assuma a direção da nova versão da peça com uma outra dupla de atores, Leonardo Aguiar(Tiago Fragoso) e Henrique D’Ávila (Fernando Caruso). Empolgada com a idéia e vendo a chance de se dar bem, Cleide passa a perna do irmão e consegue ceder os direitos do texto. Pronto! A peça já pode ser remontada, porém, até o dia da estréia muita coisa pode mudar.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

UM PARTO DE VIAGEM

NOTA 7,0

Comédia em estilo road
movie tem protagonistas
que cativam, mas roteiro é
irregular e previsível
Adam Sandler, Owen Wilson, Vince Vaughn e tantos outros atores que fizeram fama apostando no humor já não são mais garotões de vinte e poucos anos e certamente precisaram reinventar seu estilo de fazer comédia de forma a acompanhar a nova etapa de suas vidas, a meia idade. Por outro lado, os comediantes Steve Carell e Zach Galifianakis, por exemplo, sentiram o sabor do sucesso já na casa dos trinta anos. A partir de meados da primeira década do século 21, filmes que colocam marmanjos metidos em confusões tornaram-se moda e a produtora Warner é uma das empresas cinematográficas que mais se aproveitou desta oportunidade, até porque investe pesado em seriados de TV com temáticas humorísticas feitas por trintões e justamente para agradar o público dessa faixa etária. Após lançar Se Beber Não Case, Juntos Por Acaso e outras “comédias adultas”, cujos protagonistas ainda podem manter na aparência o frescor e a beleza da jovialidade, porém, oscilam entre a irresponsabilidade da adolescência e o amadurecimento forçado, a produtora apostou suas fichas em Um Parto de Viagem, um amalucado road movie que coloca o regenerado Robert Downey Jr. passando por diversos sufocos durante uma longa travessia de carro e ainda tirando um sarro do seu histórico de experiência com drogas. Peter Highman (Downey) é um arquiteto que está voltando de uma viagem de negócios e que está na euforia do nascimento de seu primeiro filho. Para acompanhar o parto ele tem exatos cinco dias para chegar a Atlanta, algo que um simples vôo de avião resolveria em poucas horas, porém, ele não contava com certos contratempos. Devido a um mal-entendido no avião, o caminho de Highman é cruzado pelo aspirante a ator Ethan Tremblay (Galifianakis), um cara um tanto inconveniente que vai deixar o arquiteto fora do sério. Os dois são proibidos de voar em qualquer vôo disponível e para piorar Highman perde seus documentos e se vê obrigado a aceitar uma carona oferecida por Tremblay, a única saída para chegar a tempo do nascimento de seu filho. A dúvida é saber se o mais novo chefe de família do pedaço vai sobreviver a esta viagem repleta de confusões que irão testar sua paciência.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

UM LUGAR QUALQUER

NOTA 8,0

Mais uma vez Sofia
Coppola investe na
simplicidade para falar
sobre vazio existencial
Ser filha de alguém famoso não é fácil. Sofia Coppola sentiu na pele as consequências de ter como pai ninguém menos que o lendário cineasta e produtor Francis Ford Coppola. Ela tentou a carreira de atriz, mas fracassou. Não adianta renegar o talento herdado do pai, o lugar dela é atrás das câmeras transformando em imagens roteiros que flertam com o drama e o humor. E quando se fala em imagens neste caso é de forma literal. As características dos trabalhos desta mulher basicamente se resumem a contemplação e ao registro de lugares e cotidianos aparentemente banais. Muito elogiada por As Virgens Suicidas, sua estréia como diretora, ela tem conseguido causar certo burburinho a cada novo lançamento seu e sempre dividindo opiniões. Não seria diferente com Um Lugar Qualquer, longa no qual ela revisitou temas já explorados em seu curto currículo. É impossível não se lembrar do premiado Encontros e Desencontros ao se deparar com a história de um homem um tanto perdido na vida e que só consegue se fixar em um eixo ao estreitar laços de amizade ou amorosos com alguém. Até o choque entre culturas de países diferentes bate cartão, assim como a tática de mais uma vez adotar como protagonista um ator que convive com o vazio fora das telas em sua vida pessoal em contraste com a sua vida agitada profissional. Johnny Marco (Stephen Dorff) é um bem sucedido ator de Hollywood que não leva uma vida pessoal muito exemplar. Ele esbanja dinheiro com bebidas e mulheres, mas não sabe se realmente é feliz, simplesmente vive de prazeres momentâneos e muita melancolia no restante no tempo. Quando ele está com o braço engessado se recuperando de um acidente ocorrido durante as filmagens de um novo trabalho e se preparando para uma viagem à Itália para receber um prêmio, sua rotina muda completamente com a chegada de sua filha de onze anos, Cleo (Elle Fanning). Ela vem para passar alguns dias com o pai, mas sem data para ir embora. Inicialmente, o ator não sabe bem como lidar com a menina e nem conhece muito sobre os seus costumes, mas seu estilo liberal de viver acaba o aproximando dela. Porém, esse contato mais próximo faz com que ele repense o caminho que está trilhando, alterando bastante seu comportamento e pensamentos. Curiosamente a filha parece muito mais segura de cada novo passo que dará que o próprio pai que teoricamente teria muito mais experiência de vida para acertar no futuro reavaliando os erros do passado. De qualquer forma, a relação deles será proveitosa para ambos, pois aprenderão a atingir o equilíbrio entre a responsabilidade e o descompromisso medindo os excessos de um e a cautela do outro.

terça-feira, 19 de junho de 2012

VESTIDA PARA CASAR

NOTA 8,5

Apesar de todos os clichês,
longa cumpre bem seus
objetivos contando com um
elenco cativante e afinado
O gênero comédia romântica acabou caindo em um círculo vicioso. É muito difícil ser surpreendido por alguma novidade ou fato inesperado em um filme desses, mas vez ou outra surge algum que consegue sutilmente se destacar embora no fundo a premissa básica esteja com todas as letras descritas no enredo. Vestida Para Casar segue o passo a passo de um casal de pombinhos rumo ao altar literalmente, porém, deve surpreender levemente na tão aguardada cerimônia religiosa. Ok, após os vinte minutos iniciais muitos já terão matado a charada, mas como popularmente se diz o melhor da festa é esperar por ela e nisso o roteiro de Aline McKenna, do elogiado O Diabo Veste Prada, capricha nas situações inseridas apostando no humor sutil, bem longe do pastelão, e consegue alinhavar uma história açucarada com ritmo, personagens bem delineados e jogar um molho diferenciado ao surrado tema da mocinha romântica buscando o seu príncipe encantado. A história já começa de um modo peculiar e bastante divertido apresentando Jane (Katherine Heigl) uma moça que está se dividindo entre duas festas de casamento distintas e em locais diferentes em uma mesma noite. Ela é uma das madrinhas de duas grandes amigas que fazem questão de agradecê-la diante de todos os convidados por todos os serviços que ela prestou para a realização das festas. Desde criança Jane tem uma afeição muito grande por esse tipo de cerimônia e já adulta colaborou com nada mais nada menos que 27 amigas que se casaram e escolheu desde os convites, aprovou os cardápios, fez os últimos ajustes no visual da noiva minutos antes da festa, entre outras tantas coisas. Tanta dedicação é com muita boa vontade, pois ela sonha com o dia em que elas retribuirão o favor quando for sua vez de colocar véu e grinalda e a cada noiva feliz sua esperança se renova. O problema é que o tempo passa e Jane não consegue um noivo, mas para seu coração já existe um candidato. Ela é apaixonada por George (Edward Burns), seu chefe, e faz de tudo para agradá-lo, mas ele só a retribui com gestos de amizade ou lhe dando mais trabalho alegando confiar nela. Quando as coisas entre eles parecem finalmente avançar um pouquinho o destino coloca um empecilho no caminho. Tess (Malin Akerman), a irmã caçula da moça, conquista o coração do empresário rapidamente e Jane, sempre preocupada em ver os outros felizes, prefere reprimir seus sentimentos e mais uma vez ela encarnará o papel de dama de honra perfeita. 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

MINHAS MÃES E MEU PAI

NOTA 7,5

Longa tenta mostrar uma
família pouco comum de
modo natural, mas acaba
esbarrando em convenções
O mundo está mudado e cada vez mais aceitando os grupos que outrora eram considerados diferentes e, portanto, excluídos da sociedade. O cinema acompanhou este avanço social e não é de hoje que tem procurado retratar as relações homossexuais de forma digna e natural, embora ainda os estereótipos do “bichinha” e da “sapatona” ainda imperem. Aliás, o lesbianismo que antes era introduzido em produções B ou com conteúdo duvidoso para o delírio de fetichistas de plantão hoje é tratado de forma mais realista como prova Minhas Mães e Meu Pai, uma agradável mistura de comédia e drama que conquistou a crítica provocando boas risadas e até emocionando, porém, tal tema também fez muita gente torcer o nariz. Talvez não seja o conteúdo em si o motivo de certa repulsa, mas sim a superexposição que o longa teve sendo apontado como um dos melhores títulos lançados em 2010. Este trabalho da diretora Lisa Cholodenko ganhou projeção ao vencer o Globo de Ouro de Melhor Comédia e ter conquistado quatro indicações ao Oscar, mas visto pelo prisma das premiações o longa decepciona. Despretensiosa e muito simplória em sua apresentação, a obra é honesta e até ousada em certos momentos, mas longe de poder ser considerada algo excepcional, embora talvez seja um caso isolado de comédia com conteúdo lançado no período. Visto principalmente levando-se em consideração seu humor inteligente e peculiar, ai sim podemos dizer que é um bom filme. Com o foco na adaptação social de famílias formadas por homossexuais, a trama nos apresenta à Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore), duas mulheres que vivem um relacionamento amoroso já a algum tempo e não abriram mão do desejo de serem mães e cada uma teve um filho por inseminação artificial com o material genético de um mesmo doador anônimo. Ao longo dos anos elas construíram um lar harmonioso ao lado dos filhos, hoje adolescentes, Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson) que nunca demonstraram preconceito ou estranharam a situação da família. Tudo ia muito bem, até que os irmãos se unem para tentar encontrar o pai biológico e conseguem os documentos do laboratório onde foram feitos. Indo contra a vontade das mães, a dupla entra em contato com o pai, Paul (Mark Ruffalo). Quando as progenitoras descobrem que os filhos se encontraram com o pai as coisas complicam, mas ainda assim elas respeitam o direito e a vontade deles e Paul é convidado para um almoço em família, no qual se mostra muito simpático com Jules, o que deixa sua companheira atenta. O rapaz fecha um acordo com a moça, que é paisagista, para que ela trabalhe na reforma de seu jardim, mas eles extrapolam os limites profissionais. Na medida em que o pai começa a fazer parte da vida de todos, de forma positiva ou negativamente, um novo e inesperado capítulo se inicia para esta família pouco convencional e o amor do casal lésbico é colocado em xeque.

domingo, 17 de junho de 2012

O BEIJO DA NOIVA

Nota 5,0 Noiva do título acaba suplantada pelos conflitos de suas irmãs, bem mais interessantes

Todos os pais certamente projetam o futuro de seus filhos quando eles ainda estão em gestação, mas a partir do momento em que o cordão umbilical é cortado eles passam a ser do mundo, ainda que por algum tempo vivam sob regime da dependência de adultos. Quando deixam de ser crianças é que seus pais se desesperam, principalmente quando os planos que traçaram não se concretizam. Em O Beijo da Noiva, a família ítalo-americana Spazzatto era perfeita, mas quando as três filhas cresceram as coisas mudaram. Antigamente muito unidos, agora eles estão afastados, mas o patriarca Santo (Burt Young) está na expectativa de reunir todo o clã para o casamento de Danni (Amanda Detmer), uma de suas filhas e a que melhor se relaciona com o pai. Faltam três dias para ela se casar com Jeff (Johnathon Schaech), rapaz que ela conheceu na igreja, de boa índole e tão trabalhador e confiável que conquistou a confiança do sogro que o empregou no negócio da família já pensando em ele dar continuidade no futuro. Seria o casamento perfeito, mas nos últimos dias de solteira a jovem começa a temer a união por não se sentir preparada. Paralelo ao seu dilema, algo normal devido ao nervosismo, a roteirista e diretora Vanessa Parise elabora outras três tramas, uma inclusive com ela própria atuando. Ela dá vida a Chrissy, uma das irmãs da noiva, uma mulher que outrora era rebelde e um zero a esquerda na escola, mas agora está muito bem sucedida na profissão talvez justamente para compensar sua sensação de não ser importante para ninguém, sentimento compartilhado por Marty (Johnny Whitworth) o empresário e namorado de Nikki (Brooke Langton), a irmã mais velha. A mais bonita e inteligente das garotas Spazzatto, ela é uma atriz de TV que participa de seriados tolos que até seu próprio pai se recusa a assistir. Nessa volta rápida ao lar ela reencontra um paquera do passado, Tom (Sean Patrick Flanery), hoje dono de um restaurante e ambos não escondem que ainda sentem algo um pelo outro. Por fim, a caçula da família, Toni (Monet Mazur), é a última a chegar e surpreende a todos ao chegar acompanhada de Amy (Alyssa Milano) que apresenta como sua namorada.

sábado, 16 de junho de 2012

OLHOS MORTAIS

Nota 2,5 A ideia de ver um suspense italiano pode empolgar, mas a decepção não tarda

Fugir da mesmice dos suspenses sobre assassinos seriais, clichês made in Hollywood perpetuados a exaustão, é um dos desafios que o próprio cinema norte-americano está tentando vencer a anos. Correndo por fora, outros países têm tentado dar um novo fôlego a esse combalido subgênero do terror, mas dificilmente conseguem fazer sucesso até mesmo em suas terras de origem, o que explica a raridade de encontrarmos produtos do tipo aqui no Brasil e quando lançados chegam ao mercado praticamente em silêncio como se as próprias distribuidoras estivessem sendo obrigadas a oferecer certos títulos, mas no fundo implorando para que eles não fizessem o mínimo de sucesso. Muitas produções europeias parecem tolas ou chatas, mas o número de acertos quando decidimos experimentar novos ares cinematográficos é bem maior do que o de erros. A curiosidade nos casos de obras de horror e suspense estrangeiros pode ser ligeiramente maior devido ao ineditismo que cerca tais produções, mas é uma pena que as expectativas positivas que podemos depositar em Olhos Mortais morram rapidamente. De origem italiana e rodado em apenas 18 dias de trabalho, este thriller vencedor e indicado a alguns prêmios em pequenos festivais de horror e fantasia narra a história de Amaldi (Luigi Lo Cascio), um detetive que tem relativo sucesso na sua carreira policial, mas sua felicidade não é completa por ainda sofrer com as lembranças de seu passado que envolvem misteriosas imagens de sua mãe, obviamente situações traumáticas que interferem no seu presente. Em certo momento ele é chamado para investigar uma série de misteriosos assassinatos cometidos por um psicopata que mutila suas vítimas e de cada uma arranca determinada parte, substituindo a que levou pelo pedaço correspondente de uma boneca de madeira. Paralelamente a este caso, ele também está ajudando Guiditta (Lucia Jimenez), uma jovem estudante, a se livrar de um maníaco sexual que a persegue. Estariam os dois casos intimamente ligados? E qual a ligação destes chocantes crimes com o passado do detetive?

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A FUGA DAS GALINHAS

NOTA 10,0

Com animação tradicional
aliado a um roteiro inteligente,
longa prova que desenhos também
são negócios de gente grande
Talvez nunca ninguém imaginasse, mas simples galinhas um dia conseguiram fazer muito mais sucesso que astros de carne e osso e protagonizaram um dos melhores desenhos de longa-metragem de todos os tempos. No final dos anos 90, o terreno para as animações feitas em computador praticamente do início ao fim já estava preparado e os desenhos tradicionais já não chamavam mais atenção, porém, ainda havia pessoas que acreditavam que imagem não é tudo e que um bom roteiro salvaria qualquer técnica arcaica. Na base do stop-motion, o bom e velho recurso de trabalhar com bonecos de massinha, é que foi projetado A Fuga das Galinhas, um excepcional trabalho voltado ao público infantil, mas que já adiantava a tendência de que desenho animado deveria agradar também aos adultos que então não usariam mais a desculpa que assistiam produções do tipo por causa das crianças. Definitivamente as animações estavam virando programa de gente grande. O roteiro inteligente é uma colcha de retalhos que alinhava sequências inspiradas em clássicos filmes de guerra, só que a guerrilha aqui é entre galináceas e uma dupla de humanos. A granja da Sra. Tweedy durante o dia parece aparentemente normal, mas a noite, enquanto os humanos dormem, o galinheiro fica agitado. As galinhas que vivem lá sonham com uma vida melhor e não se conformam com o triste fim de virar assado quando pararem de produzir ovos. Uma delas é a inteligente Ginger que está elaborando planos para que todas escapem voando para fora da cooperativa. O único problema é que as galinhas não podem voar mais que alguns centímetros acima do chão, suas asas produzem movimentos limitados. Todas as tentativas de fuga são frustradas e a preocupação aumenta quando a dona da granja compra uma máquina de fazer tortas de frango para aumentar seus lucros, o que indicaria que um número maior de galinhas perderia a vida todos os dias.  Porém, a salvação cai literalmente do céu. Um belo dia, Rocky, um galo persuasivo e conhecido por suas façanhas no ar, aterrissa na granja por acaso. Ele estava fugindo de seus donos circenses e as galináceas aceitam a permanência dele naquele território com uma condição: ele deve ensiná-las a voar. O canastrão aceita a proposta, mas conforme o tempo passa o cerco fecha e todos aqueles animais correm o risco de morrer naquela espécie de campo de concentração. Mesmo assim, com trabalho de equipe, determinação e um pouco de sorte, o bando destemido trama uma última tentativa para conseguir a liberdade. A idéia básica deste desenho surgiu do longa Fugindo do Inferno, protagonizado por Steve McQueen, no qual um grupo de soldados tentam de todas as maneiras escapar de um campo de concentração, premissa que já foi usado em muitas outras produções de guerra, mas talvez pela primeira vez adaptada para o universo infantil. Há ainda espaço para satirizar Indiana Jones, Guerra nas Estrelas, entre tantos outros títulos de sucesso e clichês do cinemão americano, porém, mesmo quem não tem um amplo conhecimento cinematográfico ainda irá conseguir dar boas gargalhadas. Até política entra no meio do sarro com a citação da velha rixa existente entre americanos e ingleses.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

EU, MEU IRMÃO E NOSSA NAMORADA

NOTA 9,0

Steve Carell protagoniza
comédia romântica que
respeita a inteligência sem
perder o bom humor
Um dos gêneros mais procurados quando a intenção é divertir toda a família são as comédias, mas hoje em dia é muito raro encontrarmos algum título totalmente livre, ou seja, que não conte alguma cena mais forte ou constrangedora. Até entre os títulos que mesclam humor e romance as coisas andam quente demais, aliás, não é de espantar já que seus enredos são propícios para os troca-trocas de casais. Nos anos 80, Chevy Chase tornou-se símbolo de humor leve e para todas as idades principalmente ao estrelar Férias Frustradas. Jim Carrey na década seguinte ocupou o posto após estourar em O Máskara, mas seu humor nem sempre é o ideal para crianças e até mesmo para idosos. Entre as duas décadas conviveu muito bem Steve Martin interpretando os mais diversos tipos e virando sinônimo de produções no melhor estilo sessão da tarde estrelando, por exemplo, clássicos do humor como Corra Que a Polícia Vem Aí. Surge então nos anos 2000 Steve Carell, figura perfeita para ser o novo rei do riso. Mais conhecido por participar de seriados de TV e já quarentão, ele foi descoberto pelo público e por produtores tardiamente, mas seus filmes dificilmente fazem sucesso nos cinemas, mas quando lançados para locadoras e varejo eles encontram seu espaço e se tornam boas opções para reunir a família e amigos para dar boas gargalhadas. Este é o caso de Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada, cujo triângulo amoroso pode parecer estranho, mas funciona perfeitamente colocando no chinelo muitos intérpretes que praticamente dedicaram a carreira às comédias românticas. O enredo gira em torno de Dan Burns (Carell), um pai viúvo e escritor de uma coluna de jornal que dá conselhos familiares, mas ele mesmo tem uma vida familiar conturbada com a qual ele lida empurrando com a barriga. Ele insiste na tentativa de colocar ordem na vida de suas três jovens filhas rebeldes enquanto tenta fugir de qualquer coisa inesperada que possa acontecer, porém, as vezes algo novo pode ser muito bem-vindo . Quando viaja para a casa de veraneio de seus pais, por um acaso ele conhece no caminho em uma livraria Marie (Juliette Binoche), se apaixona imediatamente e a recíproca parece positiva também. Dan chega feliz da vida na casa de seus pais e todos desconfiam que o motivo de tanta alegria é um novo amor, que, aliás, é o motivo da tal reunião familiar. Seu irmão mais novo Mitch (Dane Cook) vai apresentar sua nova namorada que, coincidentemente, é a própria Marie. Agora, os envolvidos nesse triângulo amoroso irão conviver durante um final de semana e colocar à prova os seus sentimentos e Dan pela primeira vez ficará na dúvida se coloca a harmonia da família em primeiro lugar em detrimento de sua felicidade.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A ÚLTIMA CEIA

NOTA 9,0

Sem maquear fatos, drama
é entregue ao público de
forma crua e com temas
fortes como o preconceito
Não é novidade para os cinéfilos que as premiações adoram produções fortes e que tratem de temas polêmicos. Para os atores participar de um trabalho do tipo é uma prova de fogo irrecusável, afinal para se despir de vaidades é preciso ter coragem e quanto mais realistas forem os personagens e seus dramas melhor para os intérpretes comprovarem que não são apenas produtos da indústria de cinema, mas sim que dentro deles é que se encontra a emoção necessária para o trabalho funcionar independente de assuntos financeiros ou aspectos físicos. Sundance, Berlim, Cannes e tantos outros festivais grandes ou menores por todo o mundo prezam trabalhos de cineastas e atores que mostram que para fazer cinema não é preciso ter milhões em caixa e as vezes até os votantes da Academia de Cinema e do Globo de Ouro deixam o glamour de lado e exaltam o minimalismo. Não é a toa que no Oscar de 2002 Halle Berry demorou a se levantar da cadeira quando teve seu nome anunciado como a Melhor Atriz. Nem a própria acreditava no que ouvia. Ela atuou em A Última Ceia, produção independente, de baixo orçamento e que não poupa o público de uma história amarga e com momentos impactantes. A principal rival da atriz, segundo apontavam críticos, era Nicole Kidman que fez de um tudo no esfuziante musical Moulin Rouge. Justiça seja feita. Na pele de Leticia Musgrove a até então quase desconhecida Halle entrega-se a um personagem difícil, cheio de nuances e que lhe exigiu muito mais sensibilidade que técnica. Já com alguns prêmios conquistados por este trabalho, ela lembrou em seu discurso que os tempos estavam mudando e que finalmente uma negra ganhou aquele que é considerado o maior prêmio do cinema. Antes intérpretes “de cor” só haviam sido premiadas na categoria de coadjuvantes. Curiosamente, é justamente o racismo o grande tema do filme dirigido por Marc Foster que começa e termina denso, mas no recheio conta com uma história de amor que surge pelos acasos da vida, mas com vários fatores contra o sucesso dessa relação. Por seu modelo europeu de fazer cinema e também pelas liberdades artísticas que uma produção fora dos grandes estúdios americanos permite o cineasta suíço, que anos depois causaria barulho com O Caçador de Pipas, chega a um resultado fenomenal que mexe muito com as emoções do espectador, mas é preciso estar preparado para enfrentar este verdadeiro choque de realidade.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O DIA DO TERROR

NOTA 2,5

Repleto de clichês e furos,
longa até tem premissa
interessante e crível, mas não
demora a cair na mesmice 
Dia dos namorados é sinônimo de amor, beijos, carinhos, flores, chocolates e presentes, mas um casalzinho distraído dando sopa pela noite é o fetiche dos seriais killers de plantão nesta data. O cinema de horror adora situações do tipo, independente se é dia de comemoração ou não, e muitos assassinos sádicos já saciaram suas vontades de sangue e dor se divertindo com jovenzinhos a paisana, mas O Dia do Terror foi lançado com o intuito de mexer com os ânimos dos enamorados bem no período em que tradicionalmente celebram suas uniões, porém, não chegou a causar barulho quando lançado e tampouco estragou os festejos de ninguém provavelmente.  O problema é que fora o pano de fundo das comemorações do valentine’s day (dia dos namorados em inglês), o longa se resume a mais do mesmo. Troca-se a máscara, os "instrumentos" de trabalho são os mais variados de acordo com o que está mais à mão, mas o instinto de espalhar o medo é o mesmo, assim como o prazer em ver alguém agonizando de forma brusca. De qualquer forma, o ponto de partida é interessante e não estranhe se encontrar alguém que diga que se identifica com a premissa. Quem nunca sofreu alguma frustração de caráter amoroso ao menos uma vez na vida? Nessas horas, a vontade de sair por aí fazendo loucuras é natural, mas o problema é quando essa mágoa não é extinta rapidamente e vai sendo alimentada com o passar do tempo. É aí que o bicho pega e tal ideia é que motivou a criação de uma trama a respeito de um grupo de amigas que agiram pelo impulso e malandragem e não pensaram nas consequências de seus atos. No passado, as grandes amigas Kate (Marley Shelton), Paige (Denise Richards), Dorothy (Jessica Capshaw), Lily (Jessica Cauffiel) e Shelly (Katherine Heigl) humilharam um jovem inseguro e deslocado da turma da escola, mas não levaram em consideração o ditado que diz “aqui se faz, aqui se paga”. Durante o bale de formatura de primeiro grau, o nerd tentou paquerar todas elas, mas somente a gordinha Dorothy correspondeu e chegou a beijá-lo, mas o acusou de tê-la assediado propositalmente quando foram pegos por um grupo de colegas zombadores. Ridicularizado e violentado, o garoto acabou sofrendo um grande trauma, teve seu futuro destruído e passou a nutrir um incontrolável ódio dentro de si. Anos mais tarde, as garotas ainda não estão casadas e compartilham sonhos e segredos como nos tempos de escola, mas a violenta morte de uma delas acabou trazendo consequências drásticas para a vida das demais. Na época do Dia dos Namorados, cada uma das jovens patricinhas passa a ser vítima de um assassino serial que age usando a máscara de um querubim e trajando um casacão negro e que as ameaça com presentes macabros, mas pessoas próximas a elas também não estarão livres do massacre.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

LOUCAS POR AMOR, VICIADAS EM DINHEIRO


NOTA 6,5

Comédia segue bem por
quase toda sua duração
com enredo previsível,
simples e perfeito para TV
Filmes sobre roubos e golpes a bancos e a milionários podem ser praticamente considerados subgêneros de ação, suspense e até de comédias. É bem grande a lista de títulos que investem em tais temas, desde bobagens lançadas diretamente em DVD protagonizadas por atores novatos ou fracassados até produções milionárias e com elenco de peso. As mulheres também têm vez nesse filão, mas geralmente repetem os papéis. Elas podem ser gostosonas que seduzem bobões bem de vida ou mal amadas cheias de grana que se apaixonam pelo primeiro vigarista que lhe dê um mínimo de atenção. Desde o boom das fitas VHS filmes do tipo já sofreram as mais diversas modificações e as fórmulas já foram requentadas a perder de vista, sendo que hoje dificilmente um trabalho do tipo surpreende sendo resumido a um passatempo indolor e perfeito para passar uma tarde de pernas pro ar ou chuvosa. Vendo por esse lado, o do puro entretenimento, é curiosa a enxurrada de críticas negativas que recebeu Loucas Por Amor, Viciadas em Dinheiro, uma comédia ligeira e que funciona bem em quase toda sua duração. A história começa nos apresentando à Bridget Cardigan (Diane Keaton), uma dona de casa de classe média que é surpreendida com a notícia de que pode perder sua casa e seu confortável estilo de vida quando seu marido Don (Ted Danson) é rebaixado de posto em seu trabalho. Tentando evitar que isto aconteça, ela resolve procurar um emprego, mas o problema é que ela nunca fez atividade alguma fora de casa, sempre viveu como uma dondoca. Com sorte ela acaba conseguindo um trabalho como zeladora no Federal Reserve Bank, o Banco Central americano, um local onde o que não falta é dinheiro. O problema é que as cédulas que estão dando sopa por lá vão parar no lixo pelo simples fato de estarem desgastadas. Para Bridget isto é um desperdício e logo ela bola um plano para conseguir roubar algumas notas, afinal de contas elas já não têm serventia para os donos da empresa, mas para a faxineira elas significariam a salvação de seu padrão de vida. Após fazer amizade com Nina Brewster (Queen Latifah), uma mãe solteira, e Jackie Truman (Katie Holmes), uma jovem avoada que nada tem a perder ou a quem dar satisfações, Bridget coloca em prática seu engenhoso plano. Ela é responsável pela limpeza e tem acesso a praticamente todos os cantos do banco. Já Jackie leva os carrinhos com o dinheiro coletado até Nina que por sua vez tem a missão de acionar a máquina que tritura as cédulas. Cansadas de serem sempre subestimadas, cada uma tem agora a chance de se sentir importante em algo e ainda lucrar com isso, mas a rápida mudança de vida do trio e seus excessos de compras chamam a atenção dos agentes fiscais que passam a investigá-las. O que era para ser um único roubo acabou se transformando em um hábito.

domingo, 10 de junho de 2012

AMERICANO (2005)

Nota 3,0 Trilha sonora e belas locações é o que se salva de drama com ambições edificantes 

O sonho de boa parte dos jovens é ter liberdade plena. Muitos sonham em atingir a idade mínima para se tornarem responsáveis pelos seus próprios atos perante a lei e o dia do aniversário de 18 anos parece ter o mesmo poder de uma carta de alforria. É como se nessa idade você se libertasse totalmente de qualquer tipo de amarras e o mundo abrisse suas portas oferecendo coisas boas e ruins, cabendo a cada um seguir os caminhos que julgue melhor para si. O fato negativo é que todas essas expectativas alimentadas durante muitos anos, principalmente hoje em dia em que as crianças são obrigadas ou por vontade própria estão amadurecendo mais cedo, podem não ser correspondidas totalmente. É frustrante descobrir que seu sonho de colocar uma mochila nas costas e seguir viagem sem destino mundo a fora é substituído por um número bem maior de tarefas e responsabilidades em relação aos seus afazeres quando ainda era um “dependente”. Entre as principais exigências dessa fase da vida dos jovens está a opção da profissão, o que implica também na escolha de algum curso ou faculdade para ter a almejada independência financeira, afinal de contas não basta achar que é dono do próprio nariz e na hora de dar um passo a frente pedir um dinheirinho para os pais, assim o sonho do adolescente aventureiro precisa ser retardado por algum tempo. É numa situação desse tipo que se encontra o jovem Chris McKinley (Joshua Jackson), o protagonista do drama edificante Americano que já pelo título enxuto deixa claro que se trata da história de um ianque experimentando uma nova realidade em outra cultura. A trama escrita e dirigida por Kevin Noland é ambientada na Espanha, na centenária Festa de San Fermín, mais conhecida como a Corrida de Touros de Pamplona. Chris é um recém-formado que está aproveitando seus últimos momentos de férias ao lado dos amigos Ryan (Timm Sharp) e Michelle (Ruthanna Hopper). Daqui a três dias ele deve voltar para os EUA e já tem um compromisso profissional agendado, mas um imprevisto o fará repensar seus planos. Após perder sua mochila com todos os seus documentos, parece que tal acontecimento foi uma ação proposital do destino.

sábado, 9 de junho de 2012

O ATAQUE DO DENTE DE SABRE

Nota 0,5 Com premissa semelhante a sucesso de Spielberg, longa é execrável do início ao fim

Os filmes trashs têm em sua essência a vontade de parodiar sucessos, mas caracterizam-se por serem trabalhos que muitas vezes se levam a sério demais sem ter condições para tanto. Centenas de produções já investiram no filão da fera ou monstro criado a partir de experimentos mal sucedidos, mas as pretensões de seus diretores geralmente vão além do permitido (entenda como limitações de orçamento e até mesmo de criatividade). Parece que eles fazem questão de escrever o nome de suas criaturas no mundo do cinema, tal qual King Kong, por exemplo, mas o máximo que conseguem é um lugar de destaque nas listas dos piores filmes da História da sétima arte. O Ataque do Dente de Sabre só não foi amplamente malhado pela crítica e público porque a distribuidora teve o bom senso de lançá-lo somente em DVD e de forma muito discreta. Boa estratégia, até porque é um produto feito com exclusividade para a TV americana. Pagar o módico preço de uma locação por um lixo como esse não causa tanta revolta quanto desembolsar uma boa grana para ver semelhante coisa em tela grande com os custos adicionais (pipoca, estacionamento, uma comprinha no shopping). Todavia, há louco para tudo e não faltam fãs a esse tipo precário de produção. A quem interessar, a trama roteirizada por Tom Woosley se passa em uma ilha paradisíaca onde o milionário Niles Green (Nicholas Bell) investiu uma grande fortuna em um parque temático conhecido como Valalola, um espaço que, além de propiciar excelentes aposentos para os hóspedes e o contato direto com a natureza, também lhes dará a chance de verem animais exóticos e selvagens bem de perto, inclusive uma espécie que está extinta há milhões de anos: o tigre dente de sabre. Ele ganhou vida novamente através de modernas técnicas científicas, porém, a experiência dá errado e os riscos de trazer esse animal para os dias atuais não são bem calculados. Quando alguns incidentes resultam no destravamento dos portões das jaulas dos animais, o terror toma conta do parque. Apesar de ser avisado por empregados do perigo eminente, Green não quer que nada estrague a recepção para possíveis investidores, estes que não imaginam que podem se tornar vítimas de feras que não matam necessariamente por fome, mas são motivadas pelo simples instinto de matar.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

CASAMENTO GREGO

NOTA 8,0

Tirando sarro de uma
patriota família grega,
longa conquista com seu
humor simples e leve 
Para um filme ser um estrondoso sucesso e levar sua fama para todos os cantos do mundo é necessário que ele tenha um roteiro inteligente e complexo, um elenco estrelar, efeitos especiais de ponta ou, melhor ainda, a mistura de todos esses ingredientes. Graças a Deus vez ou outra uma produção extremamente simples e bobinha, no melhor sentido da expressão, surge para nos lembrar que cinema de verdade deve tocar no emocional do espectador e não se resumir a um show pirotécnico ou a uma história que pouca gente entende, mas que mesmo assim enche a boca para falar que adorou só para se passar por esperto. Casamento Grego foi um sucesso espetacular por todos os cantos onde passou isso porque já chegou com uma bela campanha publicitária destacando o número gigantesco de espectadores que conquistou em solo americano. É considerado um feito e tanto por ser uma produção extremamente simples, sem nada de extraordinário no visual e tampouco contando com um elenco famoso, mas que conseguiu chamar a atenção do grande público talvez justamente pela sua falta de brilhantismo ou novidades em sua confecção, algo que causou a fúria dos críticos que desceram a lenha no filme dirigido por Joel Zwick, veterano de programas de TV. Os entendidos de cinema não se conformaram, e provavelmente até hoje não, que um produto estilo sessão da tarde tenha se tornado um fenômeno mundial. Na realidade devem ter se sentido menosprezados já que o público preferiu confiar nas indicações boca-a-boca do que nos textos rebuscados deles (justiça seja feita, alguns críticos até foram bonzinhos com a fita). A obra em si não tem mesmo nada demais, porém, é bem realizado, tem uma história agradável e com boas situações cômicas, os ingredientes básicos de qualquer comédia, embora estejam em falta em diversas produções do tipo contemporâneas. A trama gira em torno de Toula Portokalos (Nia Vardalos), uma mulher grega que já está na casa dos trinta anos e vive com sua enorme, animada e pitoresca família em solo americano. Ela gerencia o restaurante dos pais de comida típica da sua terra natal, mas na realidade ela faz de tudo naquele lugar e não tem tempo para viver uma vida normal e quando o tem se sente um peixe fora d’água em qualquer lugar que vá. Como seus familiares são muito rígidos quando o assunto é manter as tradições do povo grego, a moça cresceu se sentindo uma estranha nos EUA e talvez por isso enterrou sua vida no trabalho.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

OS ÚTIMOS PASSOS DE UM HOMEM

NOTA 10,0

Baseado em fatos reais,
drama coloca em discussão
a pena de morte enfocando
os dois lados de um caso 
Filmes baseados em fatos reais já contam a seu favor com a simpatia do público que se interessa nesse tipo de produção, afinal se alguém teve o desejo de filmá-las significa que existe algo de relevante nos fatos verídicos (ao menos é o que se espera). Adaptações de livros também já possuem platéia cativa, assim como interessados em assuntos polêmicos e levados a tribunais adoram os embates entre defesa e acusação propostos pelo cinema. Se for possível unir estes três elementos e mais um elenco de primeira em um mesmo trabalho não há dúvidas de que estamos diante de um grande filme daqueles que dificilmente se esquece. É essa a receita de Os Últimos Passos de um Homem, que mesmo beirando duas décadas de seu lançamento continua suscitando polêmicas e discussões. O tema central é a pena de morte e desde o início o enredo coloca o espectador a pensar se matar é a saída mais prática e benéfica de se encerrar um caso. Um julgamento é sempre confiável? O responsável pelo crime não merece uma chance para se redimir? Matar o criminoso é uma forma de diminuir a violência provando que a justiça não tem piedade daqueles que erram? Tais perguntas certamente rondaram a mente do ator e diretor Tim Robbins assim que ele leu o livro “Dead Man Walking” escrito pela freira Helen Prejean sobre a experiência que viveu no início dos anos 80 ao se tornar conselheira espiritual de um condenado à morte. Susan Sarandon, então esposa do cineasta, ganhou o Oscar vivendo o papel da religiosa que fica em uma encruzilhada diante de uma questão em que os dois lados do conflito estão certos e ao mesmo tempo errados. A irmã trabalha em uma comunidade pobre da cidade de Nova Orleans, nos EUA, e acaba se envolvendo em um caso polêmico. Matthew Poncelet (Sean Penn) está lutando para provar que é inocente e não participou do assassinato de um casal de adolescentes e a freira vai até a prisão conhecê-lo e ouvir sua versão da história. Um pouco relutante no início, ela acaba aceitando tentar ajudá-lo a se livrar da pena a qual foi condenado: a execução. Assim, esta mulher acaba sendo o único canal de comunicação deste réu com a sociedade, apesar de ela mesma não estar convicta de que ele foi preso injustamente. Quando resolve dar apoio as famílias das vítimas, mas sem desmanchar seu compromisso com Poncelet, a freira toma contato com histórias dolorosas e recebe duras críticas destas pessoas. Balançada com tudo isso, ela tenta mudar a opinião desses pais machucados em relação ao criminoso ao mesmo tempo em que tenta arrancar dele a verdade sobre o que realmente aconteceu. Convicta de seus valores religiosos, Helen acredita que por pior que tenha sido em toda a sua vida, este homem deve ser tratado com humanidade até seu último minuto de vida.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

COLD MOUNTAIN

NOTA 8,5

Drama romântico segue a
receita dos grandes
clássicos, mas seu sucesso
não faz jus a seu porte
Os filmes épicos já foram responsáveis no passado por grandes lucros de Hollywood, faturavam prêmios e elogios da crítica e as grandes estrelas do cinema disputavam acirradamente papéis em tais produções. A fase áurea durou até meados dos anos 60, mas a partir da década seguinte o gênero começou a ficar escasso, tendência que perdura até hoje, salvo os longas a respeito de guerras que continuam despertando interesse tanto de profissionais quanto do público. Os altos investimentos exigidos, principalmente para reconstituições de cenários e figurinos, acabam afastando investidores de projetos do tipo, porém, quando se lembra que épicos é quase um sinônimo de Oscar a coisa muda de figura, mas é um risco declarado. O estilo extremamente romântico e a longa duração, além da pretensão de se tornar um marco na história cinematográfica do tipo E o Vento Levou, podem ser as razões do fracasso de público de Cold Mountain, um filme também subestimado até por parte da crítica especializada. Em contrapartida este trabalho foi superestimado pelo seu diretor, o saudoso Anthony Minghella que claramente queria repetir o feito de O Paciente Inglês, um dos maiores recordistas em número de estatuetas do Oscar de todos os tempos. O cineasta se acostumou a se envolver com produções que preservam características do cinemão hollywoodiano de antigamente agregadas ao estilo dos chamados filmes de arte e que são obras declaradamente feitas para participarem das temporadas de premiações. Apesar de diversas indicações a prêmios e sete indicações ao Oscar, que não incluem as famigeradas categorias de filme, direção, ator e atriz, o longa acabou sendo uma surpresa às avessas e se tornando uma mancha no currículo do estúdio Miramax acostumado a sempre se sair bem nos festivais. Na época a empresa metia medo na concorrência quando surgiam boatos de que um novo trabalho dela estrearia em plena temporada do fim de ano americano, período em que os críticos estão de olhos nas votações dos melhores filmes. Um belo conto pinçado de algum livro, atores renomados e talentosos, produção impecável e tudo o mais que compõe um legítimo clássico, essa era a receita do sucesso. Pelo porte do projeto, esperava-se uma repercussão maior desta obra de Minghella, até mesmo por conta do elenco de astros reunido. De qualquer forma, tornou-se um filme injustiçado e que merece uma reavaliação. Não é apenas a parte técnica que nos surpreende, mas sim a bela história de amor e de esperança contada tendo como plano de fundo uma guerra reconstituída minuciosamente.

terça-feira, 5 de junho de 2012

JOHNNY E JUNE

NOTA 10,0

Cinebiografia de casal de
cantores famosos dosa bem
a exploração de suas vidas
dentro e fora dos palcos
Um jovem que sonha em viver da sua música, se desliga da família e de sua região rural rumo a solidão e ao corre-corre da cidade grande, passa a ganhar alguns trocados fazendo uns bicos até que o sucesso bate em sua porta trazendo fama, dinheiro, mulheres, mas também tristezas e vícios. Esta é a história de vida que muitos cantores escrevem, que o diga os calouros de nossos programas de auditório que surgem do nada, experimentam o sucesso repentino e logo caem nas armadilhas das drogas, bebidas e do consumo desmedido chegando até um fatídico fim. Felizmente algumas personalidades conseguem fugir desta triste trajetória, com muita força de vontade e a ajuda de um ombro amigo. Já diz o ditado que por trás de um grande homem sempre existe uma grande mulher e é isso que nos mostra Johnny e June, a cinebiografia dos músicos Johnny Cash e June Carter que formaram uma dupla que marcou a música americana, principalmente o estilo country entre os anos 60 e 70, mas cujas carreiras seguiram caminhos sinuosos antes do definitivo encontro entre o amor e a música que os ligava. Baseado em dois livros de autoria do próprio Cash, "Man in Black" e "Cash: The Autobiography", o longa não traz inovações, é um tanto convencional, mas as interpretações vivas e sinceras de Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon nos papéis-título compensam qualquer falta de ousadia, ou melhor, só o fato de ambos evitarem a dublagem e encararem o desafio de regravar as canções que compõe a trilha sonora já é o bastante para que o filme seja lembrado com destaque. A idéia era manter o foco na vida do cantor que ficou conhecido como “O Homem de Preto”, devido a seus trajes de trabalho sempre escuros, e isso fica evidente pelos primeiros minutos do filme que enfocam sua vida desde a infância sob os cuidados do severo pai Ray (Robert Patrick) até sua complicada juventude quando precisou aceitar qualquer trabalho para sustentar a família que formou com Vivian (Ginnifer Goodwin). Apesar da dedicação aos filhos e à esposa, o rapaz nunca foi um marido fiel, assim ele caiu de amores quando conheceu June durante uma apresentação. Não ficamos conhecendo em detalhes o passado da moça, apenas que ela já tinha uma má reputação devido a seus vários relacionamentos amorosos fracassados, porém, a personagem era tão importante na vida do Cash da vida real que foi impossível mantê-la como uma coadjuvante na ficção e assim ela teve sua participação ampliada e em várias partes do mundo passou a ter destaque na campanha de divulgação do longa. O título original “Walk the Line” é o nome de uma das famosas canções do músico e cria uma ironia afinal andar na linha nunca foi do feitio de Cash. Já no Brasil, por exemplo, optou-se por destacar o casal, inclusive mudando a arte do material publicitário, provando que sem o papel feminino não haveria história. A idéia funciona, ainda vende perfeitamente o filme, mas também pode induzir o espectador a confundir com uma comédia romântica bem água com açúcar. De qualquer forma é um drama relativamente leve.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

REC

NOTA 8,0

Terror espanhol aposta no
realismo para causar bons
sustos e sem precisar
revelar todos seus mistérios
O gênero de terror sobreviveu durante algum tempo graças aos lucros de monstros clássicos como vampiros, lobisomens e múmias. Depois foi a vez dos fantasmas gerarem renda, sejam eles aparições repentinas ou almas endiabradas que se apossam de corpos vivos. Já os anos 80 foram marcados pelas produções trashs e psicopatas mascarados e a década seguinte misturou todos esses ingredientes em um caldeirão de sustos e gritos, havendo espaço e público para todos os tipos de horrores, tendência que se estende aos primeiros anos do novo milênio, embora as assombrações orientais sejam o grande símbolo do gênero nesse período. Entre fantasminhas de olhos puxados, monstros nojentos, jogos sádicos e crianças literalmente com o demônio no corpo, poucos títulos passam ilesos pelo crivo dos críticos. Porém, é curioso observar um fenômeno ainda pequeno, mas aparentemente bem avaliado: os filmes que assustam apostando no realismo e amadorismo. Se máscaras de borrachas, líquidos pigmentados de vermelho e corpos falsos esquartejados já não assustam mais como antes o jeito é recorrer à realidade que, diga-se de passagem, atualmente é mais assustadora que qualquer coisa que o cinema já criou para meter medo. Não que os sustos destas produções sejam livres das amarras do gênero, afinal eles recorrem a temas corriqueiros, mas a novidade fica por conta de mostrar como as pessoas comuns reagem quando ameaçadas. Em 1999, A Bruxa de Blair se tornou um fenômeno graças a uma excepcional campanha de marketing e aterrorizou o mundo com a atmosfera que propiciou, mas jamais mostrando o que realmente assustava os atores da fita vendida como uma compilação de imagens documentais reais. Anos mais tarde, um animal gigantesco e desconhecido aterrorizou uma cidade em Cloverfield e também gerou burburinho, ainda que pouco o vemos em cena. Por fim, até o cultuado George Romero, especialista em ressuscitar defuntos, embarcou na onda de filmagens mais cruas e sem retoques no pouco visto Diário dos Mortos. Todos eles têm em comum sua estética de vídeo caseiro e as ações sendo registradas sob o ponto de vista das câmeras manuseadas pelos próprios personagens, obviamente situações plausíveis aos roteiros, e é justamente este o estilo de Rec, um fenômeno do cinema espanhol que se espalhado pelo mundo rapidamente.

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