quinta-feira, 31 de maio de 2012

NINE

NOTA 5,0

Luxuoso e sensual, musical
é um espetáculo visual e
tanto, mas falta conteúdo
para ser cinema de verdade
Os musicais já foram um dia o símbolo do glamour e do sucesso de Hollywood. O Mágico de Oz, A Noviça Rebelde, Mary Poppins e tantos outros títulos até hoje são lembrados como grandes clássicos do cinema. Cabaret que deu o Oscar a Liza Minelli e faturou diversos outros prêmios talvez tenha sido a última produção de grande êxito desse gênero antes dele voltar a cair no gosto popular no início do século 21 com a ousadia de Moulin Rouge. O cinema então descobriu uma vertente lucrativa, a transposição de espetáculos teatrais para as telonas, assim ganhamos mais uma versão de O Fantasma da Ópera, o humor anárquico de Os Produtores e voltamos à época das discotecas embalados pelos hits de Mamma Mia. Esses títulos mais recentes dividiram opiniões, mas certamente se apoiaram no sucesso dos palcos para tentar angariar público para as salas de exibição. Talvez esta pudesse ser uma das explicações para a recepção fria de Nine, produção que se inspirou em um espetáculo da Broadway, que por sua vez encontrou em um clássico da sétima arte suas sementes. Porém, a produção teatral não causou frisson, mas ainda assim acreditava-se que o cinema poderia recuperar o projeto. Todavia, apesar de ainda recente, o longa já vive praticamente no ostracismo por causa das inúmeras críticas negativas que gerou. Com algumas indicações a prêmios, maioria técnicos, e um elenco invejável de belas e talentosas mulheres, o filme gerou expectativas além do que poderia suprir. Todos que se interessaram pelo projeto esperavam ver um grande espetáculo e um memorável encontro de talentos, afinal o diretor é Rob Marshall que também comandou Chicago, uma arrebatadora mistura de comédia, drama e gênero policial que faturou seis Oscars. O que prometia ser bem quente acabou resultando em algo frio. Não que o filme seja ruim do início ao fim, pelo contrário, mas no conjunto é difícil dizer que a obra nos satisfaz totalmente. Visualmente ela é deslumbrante e refinada, mas no conteúdo é vazia e desinteressante. A trama faz referência ao clássico italiano 8 ½, de Frederico Fellini, tendo como ponto de partida o drama vivido por um cineasta sofrendo por conta de um bloqueio criativo que recorre a importantes mulheres que marcaram ou ainda marcam sua vida em busca de inspiração. Daniel Day-Lewis é o encarregado a dar vida a Guido Contini, que não está apenas com problemas no trabalho, mas também passa dificuldades em sua vida particular, principalmente por estar vivendo a famosa crise de meia idade. Após vários fracassos de crítica e público, o diretor surge com a idéia de um filme chamado Italia, porém, ele tem apenas o título, mas nem imagina como será o enredo. Mesmo assim, o estúdio responsável já começa a divulgar o projeto, o que aumenta a pressão sobre Contini.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

127 HORAS

NOTA 8,0

História verídica é contada
de maneira inovadora e
apostando na valorização
dos recursos técnicos
Baseado em fatos reais. Uma história forte e comovente. Um exemplo de coragem e superação. Esqueça quaisquer preconceitos em relação as produções inspiradas em fatos verídicos quando o assunto for 127 Horas, um pequeno drama que caminhou a passos largos rumo ao sucesso e chegou a concorrer aos principais prêmios da temporada 2011, inclusive o Oscar. Tamanha exposição aguçou a curiosidade de muita gente, mas certamente muitos se decepcionaram com o que viram. Vendido como o filme do cara que fica o tempo todo sozinho em meio a uma situação limite (quem nunca ouviu tal definição?), muitos também devem ter se desanimado e nem chegaram a assistir. Bem, como sempre dito neste blog, é o recheio que faz um bom filme e neste caso ele é servido de forma bem diferenciada e que em nada lembra as tradicionais produções que envolvem histórias de superação. Antes de qualquer coisa vamos ao enredo. Aron Ralston (James Franco) sempre foi apaixonado por atividades radicais e ao ar livre. No início de 2003, quando fazia uma escalada em uma região montanhosa e desértica em Utah, nos EUA, por um descuido acaba pisando em falso e cai em uma fenda existente entre grandes rochedos. Sem ninguém por perto e para piorar com uma rocha prendendo um de seus braços contra a parede do desfiladeiro, Ralston precisou usar o que tinha em sua mochila para conseguir escapar. Quanto mais raspava a pedra, mais parecia que ela esmagava seu membro. As horas passam vagarosamente e sem ter como comunicar a alguém o seu paradeiro e contando com pouca água e apenas algumas bugigangas, a morte parece eminente e o aventureiro passa a fazer uma espécie de diário dos seus últimos momentos de vida com o auxílio de uma câmera de vídeo. Com ela o rapaz registra pensamentos, lembranças e delírios como forma de criar um registro para quem encontrasse o aparelho desta que parecia ser sua última aventura entregasse a seus familiares como uma recordação. Entre memórias de bons momentos com a família e amigos, situações de desespero e até devaneios acerca de um futuro incerto, a narrativa dedica-se praticamente do início ao fim a capturar tais reações psicológicas que perduraram por mais de cinco dias.

terça-feira, 29 de maio de 2012

LOUCA OBSESSÃO

NOTA 10,0

Filme bom nunca envelhece
de forma inconveniente e
isso é provado por este
suspense perturbador
Alguns filmes ficam melhores quanto mais o tempo passa e muitas vezes é melhor assistir a uma produção antiga que o lançamento do momento. Loucura pensar assim em uma época em que as pessoas se contentam a ver um filme incompleto ou com falhas através de atividades ilícitas pelo puro prazer de dizer que viu antes de quase todo mundo? Santa ignorância dos adeptos da cultura do imediatismo. Muita informação em tempo recorde e quase nada de aproveitamento. Muitas pessoas que se dizem cinéfilas e adoram prosear sobre o assunto ignoram a própria falta de cultura sobre o tema, limitando seu repertório a produções lançadas no máximo há dois anos e ainda assim com dificuldades para resgatar lembranças. Pior quando se vangloriam por saber de cabo a rabo como é a produção que promete bombar nas férias sem ao menos ela ter estreado em seu país de origem. É uma pena que as coisas estejam nesse pé. Existem muitos títulos excelentes do passado que são praticamente desconhecidos pelas novas gerações. Não importa o quanto o tempo passa e eles ficam cada vez melhores. O aspecto antigo que tanto incomoda alguns pode se tornar fascinantes para outros e contribuir e muito para a vida útil do longa. Nesta definição podemos encaixar tranquilamente Louca Obsessão, um arrebatador suspense que colocou o nome de Kathy Bates entre as grandes estrelas do cinema. Hoje uma atriz muito conceituada, na época ela acumulava trabalhos pequenos em seu currículo, mas encontrou aqui a grande chance para aparecer e aproveitou muito bem a oportunidade, tanto é que foi super premiada pela atuação, incluindo a conquista do Oscar. Ela dá vida a Annie Wilkes, uma ex-enfermeira que se considera a maior fã do escritor Paul Sheldon (James Caan). Ele ficou muito famoso com uma série de publicações cuja personagem principal se chama Misery Chastain, mas sua glória também significou seu fracasso. Devido a um bloqueio criativo sua vida profissional se resumiu em continuar a escrever histórias para essa coletânea, assim, conforme o tempo passava, ele perdia a vontade de escrever por prazer e só trabalhava pensando em sua sobrevivência. Porém, ele está decidido a colocar um ponto final na saga e se isola em um hotel em uma cidade afastada para se inspirar e fugir de problemas que pudessem atrapalhar seu trabalho. Quando finalmente pode voltar para sua casa, ele é surpreendido pela estrada coberta de neve e acaba sofrendo um acidente, mas é salvo por Annie que mora nas proximidades do hotel e vigiou cada passo do autor como se fosse uma fã de um artista de cinema ou da música.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

ÁGUA PARA ELEFANTES

NOTA 8,0

Embora o casal principal
não tenha química, longa
se beneficia da força do
vilão e da ambientação
A arte circense está em franca decadência há algumas décadas, transformando-se em uma opção de lazer apenas para crianças bem pequenas ou aos mais velhos que podem matar as saudades de seu tempo de infância. Em uma época em que bugigangas tecnológicas escravizam o ser humano vendendo a idéia de que não há melhor diversão que ter o mundo em suas mãos em um pequeno eletroeletrônico, a simplicidade das caras e bocas de um palhaço ou os clássicos truques de mágica já não conseguem mais chamar atenção como antigamente. O cinema frequentemente aproveita sua própria arte para homenagear outras manifestações artísticas, mas o circo é um cenário que há muito tempo não era aproveitado. Baseado no romance homônimo de Sara Gruen, Água Para Elefantes tem como ambientação principal a alegria e a magia de um picadeiro, mas a realidade dos bastidores dos espetáculos tem clima festivo quase nulo e histórias tristes de trupes circenses espalhadas pelo mundo não faltam. O roteirista Richard LaGravense responsável, por exemplo, pelos textos dos filmes As Pontes de Madison e O Encantador de Cavalos, usou como pano de fundo a crise econômica americana da década de 1930 para contar uma bela história de amor. Jacob Jankowski (Robert Pattinson), sem família e nem dinheiro, viveu sua juventude trabalhando no Circo dos Irmãos Benzini em uma época em que a economia americana passava por um período difícil. Foi nos bastidores do mundo circense que o ex-estudante de veterinária conseguiu a chance de um emprego onde não precisava ter um diploma ou conhecimentos específicos, bastava saber fazer com que os outros acreditassem no seu papel, como August (Christoph Waltz), o dono do circo, dizia. Assim, o rapaz começou a adestrar animais, principalmente para as apresentações de Marlena (Reese Whiterspoon), por quem se apaixona a primeira vista, mas ela já é comprometida com seu patrão, um homem que, apesar de ser muito educado e compreensível, mostra-se extremamente cruel quando o assunto é proteger o que é seu ou fazer dinheiro. Com a chegada da elefanta Rosie no circo para um novo número a proximidade entre o adestrador e a artista aumenta e August não vai deixar a relação passar em brancas nuvens aproveitando-se que ambos dependem dele para sobreviver em uma época em que a falta de perspectivas e a desolação imperam. Jogar a sorte para o alto em nome do amor era uma loucura que poucos teriam coragem.

domingo, 27 de maio de 2012

EU, MEU AMIGO E O ARMÁRIO!

Nota 7,5 Comédia romântica baseada em longa francês é uma excelente pedida desconhecida

Apesar de muitos decretarem a morte do mercado de vídeo doméstico há anos, as vezes acontecem coisas que nos fazem crer que ele ainda tem muito a nos oferecer apesar das dificuldades. Entre 2006 e 2008, diversas distribuidoras novas surgiram, claro que oferecendo produções mais modestas, desconhecidas e sobrevivendo apenas com a venda de produtos lançados diretamente em DVD sem passagem pelos cinemas. Algumas delas seguiram adiante com o mesmo modelo de negócio e outras infelizmente não ficaram nem um ano em atividade. Apesar de muitos títulos de gosto duvidosos que as empresas precocemente falidas trouxeram para o Brasil, há também algumas pequenas surpresas que passaram despercebidas e que merecem serem descobertas. Este é o caso de Eu, Meu Amigo e o Armário!, escrita e dirigida por Dave Diamond que se inspirou em O Closet, produção francesa que fez muito sucesso nos circuitos alternativos de cinema. Tão eficiente quanto uma comédia romântica protagonizada por Julia Roberts ou Jennifer Lopez, o título em questão é uma divertida opção que, como o próprio título denuncia, trata sobre o homossexualismo, mas de uma forma leve e respeitável. O enredo nos apresenta a Dave (Jay Harrington), um advogado na casa dos trinta anos que divide um apartamento com o amigo Christopher (Michael Ian Black), um gay assumido. Devido ao fato de morarem juntos, surgem rumores de que eles formam um casal de verdade. Inicialmente, o rapaz, hétero convicto, tenta desfazer o mal entendido, mas logo muda de opinião visando lucrar com os boatos. Sua empresa está trabalhando em um caso de discriminação no ambiente de trabalho por causa de orientação sexual e uma pessoa considerada muito sensível seria perfeita para ajudar a ganhar a causa. Quem conseguisse esse feito iria firmar sociedade com Matthew (Sal Rubinek), o chefe do escritório. Já que está com a fama, por que não aproveitá-la? Fingindo realmente ter um caso com Christopher e conquistando a confiança do chefão, tudo parecia caminhar bem para o rapaz, isso se não fosse pela impertinência de Katherine (Julie Bowen), uma mulher sem escrúpulos que também está de olho na possibilidade de ser sócia do escritório e fará de tudo para impedir que seu rival leve sua mentira adiante. As coisas complicam quando a filha de Matthew, Lucy (Brooke Langton), balança o coração do advogado. Mesmo com um histórico de conquistador de belas mulheres, ele precisa levar adiante a farsa de que antes vivia confuso quanto aos seus sentimentos e que agora realmente é feliz assumindo sua homossexualidade. Pode se dar bem profissionalmente, mas assim ele estaria abrindo mão daquela que poderia realmente ser a mulher de sua vida.

sábado, 26 de maio de 2012

O VETERANO (2006)

Nota 3,0 Razoável trama prende a atenção, mas é impossível não se incomodar com as falhas

Nas aulas de História oferecidas nas escolas não há tempo hábil para conhecermos profundamente os pormenores de fatos marcantes do passado que podem justificar situações atuais. Por outro lado, o cinema é uma excelente ferramenta para abrir nossas mentes e nos oferece um farto cardápio de opções de filmes que lidam com fatos reais e históricos, mas é óbvio que nem tudo é de boa digestão. Por exemplo, a famosa Guerra do Vietnã já rendeu excelentes e marcantes produções, como Platoon, no caso uma superprodução comandada por Oliver Stone, cineasta com coragem, estilo e talento para tanto. Mas por que será que cineastas desconhecidos resolvem se meter com temas do tipo sabendo que contam com um orçamento limitado e que o roteiro oferecido claramente possui falhas? Espaço livre na agenda ou falta de propostas de trabalho, só podem ser essas as respostas para alguém embarcar em projetos que desde sua concepção já demonstram baixo poder de fogo. É impressionante como alguns filmes parecem carregar como cartão de visitas um sinal de perigo, apesar de alguma coisa lhe dizer que você deve dar um voto de confiança. Quem nunca se deparou com uma produção que pelo título, material publicitário ou sinopse não dava absolutamente nada e acabou gostando do resultado final? É uma pena que existam obras como O Veterano para nos lembrar que as decepções nestes casos são quase onipresentes. Dirigido por Sidney J. Furie, que antes havia obtido mais sucesso com a temática guerra em American Soldiers – A Vida em um Dia, o longa já começa de forma bastante comum apresentando em forma de texto escrito um brevíssimo resumo sobre os tempos do conflito no Vietnã, mais precisamente falando sobre a situação dos norte-americanos que foram enviados para lá. Impressionantemente, mesmo após três décadas do ápice do conflito, muitos prisioneiros de guerra continuavam desaparecidos, tanto que em Washington foi fundado o Comitê de Ação dos Veteranos do Vietnã para relembrar suas histórias e dar continuidade as buscas de ex-combatentes, vivos ou mortos, qualquer notícia é importante. É nessa associação que trabalha Sara Reid (Ally Sheedy), uma civil contratada para procurar soldados desaparecidos ou dados como mortos sem os corpos terem sido encontrados.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

JULIE E JULIA

NOTA 8,5

Homenagem à famosa
culinarista americana é
saborosa e tenta criar um
link com novas gerações
Muitos consideram a cozinha o melhor lugar de uma casa e é talvez por isso que os filmes que tem como pano de fundo o mundo gastronômico nos passem sensações de conforto e aconchego únicas. São várias as produções que utilizam artifícios da culinária para seduzir os espectadores, o que confere a esses trabalhos visuais de dar água na boca e que envolvem rapidamente a quem assiste. Julie e Julia é mais um título para engrossar este caldo que poderia ser catalogado como um filme gostoso ou agradável, mas nas categorias convencionais é difícil classificá-lo. Não é um dramalhão, porém, também não é de provocar gargalhadas. Talvez essa indefinição de gênero tenha colaborado para a morna recepção da obra por parte da crítica e do público. Todos que deram ou ainda darão atenção a este trabalho certamente tem uma única justificativa na ponta da língua: Meryl Streep. A veterana atriz conquistava sua 16º indicação ao Oscar recriando Julia Child, uma americana que no final da década de 1940 se muda para Paris para acompanhar seu marido Paul (Stanley Tucci) em seu novo endereço de trabalho, mas a mudança significaria muito mais para ela própria. Sem filhos ou emprego, a esposa do diplomata não quer desperdiçar seu tempo ocioso e passa a procurar alguma atividade que lhe dê prazer, encontrando isso em um curso de culinária, embora sua intimidade com a cozinha fosse mínima. O que poderia ser apenas um passatempo acabou ganhando proporções que Julia não esperava. Alguns anos mais tarde ela publicou um best-seller gastronômico e conseguiu ingressar na televisão para apresentar um programa de culinária no qual ela também divertia as pessoas com seu jeito de ser, voz diferenciada e sua curiosa imagem de uma mulher com quase 1m90 de altura. Seu sucesso seria fruto de seu trabalho ou de sua simpatia e bom humor? A mistura de ambos certamente, tanto é que já na casa dos setenta até oitenta e poucos anos ela ainda estava na ativa e seu livro “Dominando a Arte da Culinária Francesa” chegava a sua 49º edição no ano de 2004 quando faleceu. O longa não mostra os últimos anos de vida da culinarista, mantendo o foco entre os anos 40 e 60, justamente o período em que tomou gosto pela arte de cozinhar e decidiu levar seus conhecimentos da cozinha francesa para os americanos que segundo ela não costumavam fazer pratos apetitosos. A parte do roteiro que nos apresenta um pouco da vida de Julia chama a atenção por conter ingredientes interessantes. A personagem passa ao espectador de maneira sutil a idéia de como as mulheres viviam naquela época posterior a Segunda Guerra Mundial. Elas eram submissas ao marido, tinham muito tempo livre e não estavam inseridas no mercado de trabalho. Seu destaque nesse cenário engessado se deve ao fato de seu sucesso profissional e pelo seu jeito alegre de viver e sem repressões já que seu marido sempre a apoiou em todas as suas decisões, ao contrário de outros homens da época que eram enérgicos com suas companheiras. É interessante que Meryl e Tucci dividiram cenas também em O Diabo Veste Prada em papéis completamente diferentes, mas em ambos os casos a atriz acabou se sobressaindo com suas minuciosas composições físicas e comportamentais, mas nada que desmereça o trabalho do ator.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

MENINA DOS OLHOS

NOTA 7,0

Comédia segue a risca os
mandamentos do gênero e
sua má reputação não tem
justificativa sólida
O ator Ben Affleck atualmente vive uma fase mais tranquila na carreira após peitar os preconceituosos e assumir a função de diretor em Medo da Verdade e Atração Perigosa, dois filmes bem realizados e que passaram ilesos pela crítica. Podem não ter sido sucessos extraordinários, mas o ajudaram a limpar o seu currículo do passado. Bem, não que sua história no cinema seja uma tragédia, mas quando se dá um passo maior que a perna é preciso tomar cuidado com as consequências. Desde o início da carreira alternando projetos comerciais de pouca visibilidade com outros alternativos ainda mais desconhecidos, sua grande estréia acabou acontecendo em Gênio Indomável, drama no qual atuou e escreveu o roteiro em parceria com o amigo Matt Damon, o protagonista do longa. Um ator que tem a capacidade de roteirizar uma história tão forte conquista um lugar de destaque na indústria cinematográfica, mas então é preciso fazer jus ao lugar que ocupa e é ai que está o problema de Affleck. Dedicando-se a projetos comerciais de sucesso como Armageddon e naufrágios retumbantes como sua parceria com Jennifer Lopez em Contato de Risco, o ator construiu uma carreira pautada pelo óbvio. Foi justamente o longa em que atuou ao lado da atriz e cantora que o colocou definitivamente na lista negra dos críticos e consequentemente do público. Na realidade ele é injustiçado pelo estigma que um Oscar de Melhor Roteiro Original em sua casa lhe trouxe. Para uma pessoa que demonstrou ter inteligência de tal forma, atuar em projetos comerciais no estilo mais do mesmo é algo imperdoável dizem. Aliás, para muitos ele deveria ter investido na escrita e fugido de frente das câmeras, mas será que todos os seus trabalhos são tão ruins quanto pintam? Por exemplo, Menina dos Olhos é uma agradável comédia romântica com todos os elementos básicos do gênero, mas foi recebida a pedradas, ainda hoje é mal avaliada e a culpa é atribuída ao protagonista. Contribui para essa imagem negativa o fato do longa ser dirigido por Kevin Smith, diretor que teve seu nome alçado a uma posição de destaque ao realizar produções alternativas como Procura-se Amy e Dogma. Declaradamente fã de quadrinhos e demais elementos da cultura pop, o cineasta já vinha conquistando uma turma de fãs fiéis que curtiam seu estilo, mas ele surpreendeu ao se entregar ao engessado modo de contar uma história romântica e com final piegas que enfoca a redenção.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A VIAGEM DE CHIHIRO

NOTA 10,0

Produção japonesa é uma
obra-prima que injetou
ânimo no campo da
animação tradicional
Impressionante, delicado, inteligente, poético, enfim são diversos os adjetivos que podem ser aplicados perfeitamente quando falamos de A Viagem de Chihiro, considerada a obra prima do diretor Hayao Miyazaki, até então praticamente um desconhecido em terras ocidentais, e certamente uma das melhores e mais importantes animações da história do cinema. Surpreendendo ao conquistar o Urso de Ouro do Festival de Berlim (prêmio que dividiu com o sério Domingo Sangrento), a animação desafiou os limites de seu território, onde destronou Titanic que na virada do milênio ocupava o posto de filme de maior bilheteria no Japão, e por onde passou casou burburinho, principalmente após conquistar o Oscar de Melhor Animação. Era a segunda vez que este prêmio era entregue e novamente a Disney perdeu (antes foi para o Shrek), o que alertou a empresa para a sua eminente perda de prestígio, tanto é que correu para adquirir os direitos do desenho japonês para distribuí-lo nos EUA, um trabalho preguiçoso que mais escondeu do que divulgou a obra. No Brasil a espera foi longa, mas também não causou frisson, ainda que esse tipo de produção aparentemente tenha conquistado fãs por aqui. Só pela sacudida que deu no cenário cinematográfico já seria o bastante para colocar a produção em lugar de destaque, mas a originalidade da narrativa por si só já faria esse favor, ainda que ela guarde semelhanças com o clássico conto “Alice no País das Maravilhas”, já que em ambos os casos as protagonistas tem seus ideais e objetivos, vão parar em um reino fantástico comandado por uma mulher má e a cada passo nesses lugares surreais surgem novas surpresas. A trama gira em torno de Chihiro, uma garotinha que está de mudança com os pais para uma nova cidade. No caminho eles encontram um túnel que leva até um local misterioso e aparentemente deserto. Mesmo sem uma única alma por lá, há um imenso e delicioso banquete servido em uma das casas e seus pais resolvem se servir, enquanto ela vai explorar o lugar e acaba sendo surpreendida por Haku, um jovem que pede a ela para sair dali antes do anoitecer. Ela corre para encontrar seus pais, mas inexplicavelmente eles foram transformados em porcos. Sem saber o que está acontecendo, a garota se vê em meio a um mundo repleto de criaturas fantásticas e curiosas, mas Haku a ensina como chegar até a bruxa Yubaba, a dona de uma casa de banhos para deuses e a mulher mais poderosa pelas redondezas, a única pessoa que poderia desfazer o feitiço e ensiná-la o caminho de volta. No local, ela conhece Kamaji e Lin que a ajudarão a enfrentar as dificuldades e a levam até a feiticeira que revela que todos os humanos que entram em seus domínios são transformados em animais e depois devorados. Aqueles que são salvos precisam provar seu valor trabalhando para continuarem vivos. Sem alternativa, a menina faz um trato para trabalhar renunciando à sua liberdade e até seu nome, passando a ser chamada de Sen. Para voltar ao seu mundo e salvar sua família, a garota terá de ter muita humildade, coragem e determinação para vencer desafios e tirar lições importantes dessa aventura sem precedentes.

terça-feira, 22 de maio de 2012

K-PAX - O CAMINHO DA LUZ

NOTA 6,0

Drama com premissa
interessante tem boas
intenções, mas sua narrativa
não empolga muito
Geralmente os filmes dramáticos têm vida útil longa, ou seja, são aqueles que não importa o quanto o tempo passa eles sempre continuam vivos na memória coletiva ou ao menos seus títulos tratam de perpetuar sua fama. Tomates Verdes Fritos, A Casa dos Espíritos, As Pontes de Madison e tantas outras produções do gênero certamente ainda despertam curiosidade nas novas gerações e aguçam a nostalgia dos mais velhos. Pena que nem todo drama consegue esse tipo de status. Algumas produções caem no ostracismo pela falta de prêmios, indicações, elenco famoso ou por abusar absurdamente dos clichês, mas alguns filmes até são feitos com as melhores intenções, mas acabam se atropelando justamente em seus objetivos. Talvez este seja o caso de K-Pax – O Caminho da Luz, longa com uma premissa interessante, porém, com uma narrativa filosófica e até certo ponto crítica um tanto arrastada, o que não favorece a obra. Uma meia hora a menos seria benéfica. A história começa apresentando a abordagem por policiais de um estranho homem em uma estação de trem. Sua primeira aparição já entrega os segredos do personagem. Prot (Kevin Spacey) surge aparentemente do nada, cercado por uma luz e um homem comum o olha atentamente e demonstra que tal visão lhe fez bem. Seria ele um dos famosos espíritos de luz que vez ou outra descem na Terra para ajudar os humanos? Essa não é a teoria na qual os policiais acreditam. As suspeitas de ele ser um criminoso ou até mesmo um terrorista vão por água abaixo quando ele se recusa a tirar os óculos escuros para não ter os olhos ofuscados pelo excesso de luz do Sol e ao mencionar que veio do planeta K-Pax pertencente a uma galáxia desconhecida até mesmo pela ciência. Assim, ele é encaminhado para um hospital psiquiátrico e desafia o ceticismo e os conhecimentos de médicos e pesquisadores, chamando principalmente a atenção do Dr. Mark Poweell (Jeff Bridges) que está disposto a provar que o suposto extraterrestre na verdade está sofrendo de um grave distúrbio de personalidade. Sem reagir aos medicamentos e cada vez detalhando mais as particularidades da vida em um planeta que parece um sonho, Prot acaba encantando os demais pacientes do lugar que acreditam que um deles será escolhido para ir com ele para K-Pax em sua próxima viagem que seria dentro de alguns dias. Paralelamente, Powell se rende ao fascínio que passa a sentir pela inteligência e compreensão deste paciente em especial, o que intensifica suas invetigações sobre seu caso a tal ponto de sua família e amigos perceberem que o próprio parece não estar em seu juízo perfeito.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O HOMEM DO FUTURO

NOTA 8,0

Longa nacional surpreende
ao enveredar pela trilha da
ficção científica e ao
assumir suas inspirações
Você ainda é do tipo que tem preconceito com o cinema brasileiro por ter na sua cabeça a imagem de filmes que enfocam pobreza, miséria no nordeste, denúncia social ou adaptações literárias? Realmente ainda há muitos cineastas que investem em tais temas em busca de reconhecimento da crítica e prêmios e pouco se importando se haverá público para suas obras, mas felizmente o nosso cinema comercial caminha a passos largos e não depende mais de Xuxa ou Didi e tampouco do humor afiado e nem sempre bem usado de Marcelo Adnet. Existe vida inteligente e antenada tentando dar novos rumos a sétima arte nacional e um deles é Cláudio Torres, um diretor de cinema que não nega seu repertório cinematográfico oriundo de terras americanas. Embora acostumado a apreciar a arte nacional desde a forma mais simples até a mais mirabolante, afinal ele é filho de Fernanda Montenegro e do finado Fernando Torres, gente de teatro, o cineasta tem imprimido em seus trabalhos referências explícitas ao cinema americano, o que não é nenhum problema e sim uma qualidade já que é uma ousadia tomar tal decisão quando nosso mundinho cinematográfico está repleto de defensores da nossa cultura e prontos para atacar qualquer coisa que a negue. Torres na verdade adapta coisas estrangeiras ao nosso padrão de filmes, como o uso de efeitos especiais em Redentor e uma protagonista imaginária como no caso de A Mulher Invisível, e os resultados são no mínimo curiosos e parecem estar agradando o público. Em seu terceiro longa, O Homem do Futuro, ele envereda pelos caminhos da ficção científica, mas ainda mantém um pé na realidade. Embora exista a forte presença de um cenário hi-tech e alguns efeitos especiais chamativos, o roteiro se dedica a contar uma história de amor levemente dramática com a premissa do que uma pessoa faria se pudesse voltar no tempo para corrigir algo, um tema explorado, por exemplo, em Um Homem de Família, De Volta Para o Futuro e tantos outros títulos. O protagonista é João (Wagner Moura), um excêntrico cientista que durante um acidente com uma de suas novas invenções acaba reencontrando sua juventude e tendo a chance de corrigir algo que aconteceu e que mudou sua vida futura completamente.

domingo, 20 de maio de 2012

NO TOPO DO MUNDO

Nota 2,0 Estrelado por astro de American Pie, longa é um equívoco desde a concepção da ideia

Muitos atores enchem a boca para falarem daquele que seria o personagem mais importante de sua carreira, contudo, tal afirmação é usada já prevendo que sempre o próximo papel deverá ocupar tal lugar e assim por diante. Teoricamente as coisas deveriam funcionar desse jeito até porque com o acúmulo de experiências de trabalho e de vida a tendência é que o ator cada vez aprimore mais a sua arte, mas parece que para algumas pessoas não basta ter apenas esse raciocínio e força de vontade. É preciso contar com a sorte, muita sorte. Jason Biggs é um exemplo disso. Quem? Seu nome não é muito conhecido, mas seu rosto sim. Basta dizer que ele é o protagonista dos três primeiros filmes da série American Pie. Com cara de bobo, se metendo em inúmeras confusões e trabalhando no limite do aceitável em termos de besteirol e escatologia, ele fez bastante sucesso na época, mas não chegou a se tornar um ídolo, nem mesmo dos adolescentes que podiam se identificar com os dilemas e sensações de seu personagem. Percebendo a estagnação da carreira, felizmente ele pulou fora das demais (e terríveis) continuações da série que o lançou e procurou trilhar novos caminhos. Até o mestre Woody Allen lhe estendeu a mão e o rapaz protagonizou sua comédia romântica Igual a Tudo na Vida, mas realmente o futuro não foi generoso com ele. No Topo do Mundo, por exemplo, até poderia ser um filminho razoável para matar o tempo ocioso, mas torna-se maçante a começar pelas próprias expectativas de quem assiste. Sinônimo de comédia, o nome do ator atrelado a essa produção nos remete ao gênero inevitavelmente, algo reforçado pela sinopse. Na trama roteirizada por John Paul Chapple e Steve Atridge, o ator dá vida ao Cabo Rudy Spruance, um Oficial de informações Públicas que em junho de 1979 é enviado por engano para trabalhar em uma base militar na Groelândia quando na verdade deveria estar servindo no Havaí. Confusões à vista! É óbvio que o rígido lugar vai ficar de pernas pro ar com a presença de um recruta totalmente perdido por lá. Seria bom se o roteiro seguisse tal viés. Fora a introdução em que Spruance acaba sendo vítima de um enxame de mosquitos e logo em seu primeiro dia na base já experimenta a enfermaria, não há resquício de humor no que vem a seguir.

sábado, 19 de maio de 2012

UM DIA DE SORTE

Nota 0,5 História frouxa e situações e diálogos ridículos detonam longa totalmente descartável

Existem filmes que pelos primeiros dez ou quinze minutos já nos fazem indagar quem em sã consciência aprovaria algo do tipo para ser produzido? Pior, por que eu estou perdendo meu tempo com isso? Um Dia de Sorte é um produto que exemplifica bem tal situação. Como bom cinéfilo só se dá por satisfeito quando os créditos finais chegam para conseguir fazer uma avaliação mais sincera lá vai o veredito: a frustração é total. Este drama com pitadas de ação e suspense começa sem rumo e segue assim até os minutos finais apoiando-se em situações e diálogos constrangedores, embora levados a sério demais pelo ator Val Kilmer, também produtor da fita ao lado do premiado Kevin Spacey. O ator de olhos claros e madeixas alouradas que outrora foi uma promessa de sucesso hoje vive de papéis tolos em produções obscuras como neste caso em que vive o criminoso John Cologne que acaba de dar o maior golpe de sua vida, não por acaso o seu último trabalho sujo antes da aposentadoria. Porém, antes de fugir para a Flórida para dar novos rumos à sua vida ele terá que se livrar da mercadoria do último roubo. Seus planos fogem do controle quando ele conhece em um parque por acaso Antoine (Bobb’E J. Thompson), um garoto aparentemente sozinho no mundo, mas muito maduro e que faz o fora-da-lei repensar suas atitudes e descobrir o que deve mudar em sua vida. Agora ele quer devolver uma misteriosa pasta ao gângster que roubou, o inescrupuloso Jimmy Espinosa (Lobo Sebastian), mas tal negociação pode ser perigosa e colocar sua vida em risco. Ele bola um plano e conta com a ajuda de seu amigo Manny (Wilmer Valderrama) para colocá-lo em prática, todavia, Jonh precisará juntar em uma única tarde muito mais dinheiro do que imaginaria conseguir em toda sua existência. Seu desejo de mudar os rumos de seu destino é o que o motivam a correr contra o tempo e cumprir a tarefa. A nota baixíssima só se justifica por uma ou outra sequência de conversa telefônica em que a tela é dividida para mostrar a imagem das duas pessoas. Efeito manjado, contudo, eficiente.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

KINSEY - VAMOS FALAR DE SEXO

NOTA 9,0

Cinebiografia de renomado
estudioso do sexo
surpreende pela forma em
que aborda polêmicas
Quem é esse tal Kinsey? Pouquíssimas pessoas fora do solo americano e das novas gerações sabiam algo a respeito de Alfred Kinsey até o lançamento de Kinsey – Vamos Falar de Sexo, mas certamente muita gente, ao menos em nosso país, se sentiu atraída a conferir esta obra devido a palavra sexo contida no subtítulo nacional, uma idéia eficiente, porém, ambígua. O assunto principal do longa são justamente as relações sexuais, mas quem decide assistir pensando que acompanhará uma história com cenas explícitas e quentes terá uma grande decepção. Esta é a cinebiografia de um cientista que causou frisson e polêmicas ao dedicar sua vida profissional a estudar o comportamento sexual dos seres humanos chegando às áreas mais libidinosas do assunto. O que era assunto proibido outrora continuava em 2005 pelo jeito. Foi difícil um estúdio aceitar realizar o projeto e alguns grupos conservadores, principalmente nos EUA, fizeram campanha contra o longa. Ao contrário de outros projetos inspirados em fatos reais, não temos aqui a narrativa esquemática em que é perceptível sabermos de antemão qual estágio da vida do homenageado está sendo apresentada a cada ato, muito porque pouco ou nada conhecemos dele, mas também somos poupados do manjado recurso de as últimas cenas serem dedicadas a esmiuçar os caminhos que cada personagem tomou. A narrativa é entremeada por um tipo de interrogatório não só colocando na berlinda o protagonista, mas também pessoas que se submeteram aos seus atípicos estudos sobre o sexo, e também adota uma estrutura convencional mostrando rapidamente sua juventude, focando muito mais em seu auge e declínio profissional e felizmente nos poupando de sua morte ocorrida em 1956, pequenos detalhes que diferem a produção no surrado campo das cinebiografias. Curiosamente, Kinsey (Liam Neeson) era um ignorante sobre sexualidade em sua juventude devido ao conservadorismo e puritanismo imposto por seu pai, o pastor Alfred Seguine Kinsey (John Lithgow), com quem ele não se relacionava bem. O rapaz era visto com um sonhador ou desocupado pelo patriarca da família por se dedicar a catalogar espécies de insetos, mais especificamente vespas, e estudar seus hábitos e comportamentos de vida e de reprodução. Ele chega a fazer um estudo com milhares destas criaturas e chega a conclusões relevantes, mas o mundo da biologia não rendia dinheiro e parecia que nem mesmo os envolvidos se entusiasmavam tanto quanto o jovem professor.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A FEITICEIRA

NOTA 7,5

Longa surpreende no
início com narrativa
inesperada, mas carrega
em clichês no segundo ato
Um longa-metragem ser encaixado na programação da televisão é perfeitamente possível, mas adaptar um programa da telinha (para a época atual cai melhor o termo telão privado) para a telona do cinema não é fácil. Hollywood sempre tenta fazer essa transição recorrendo a sucessos do passado ou contemporâneos. Sex and The City mesmo após o término da série fez certo barulho nos cinemas e ganhou uma continuação e Agente 86 foi resgatado do túnel do tempo de forma ágil e de fácil assimilação por novas platéias. Já As Panteras pisou fundo na adrenalina e nas referências pop e trombou com um público que apostou na nostalgia e se decepcionou. Esses são exemplos mais recentes, mas existem muitos filmes baseados em seriados que foram lançados na época do boom das fitas VHS e que hoje até os canais abertos os relegaram ao ostracismo. Somando muito mais erros que acertos, parece que a indústria de cinema americana não aprendeu a lição e continua investindo na idéia. Ainda há planos, por exemplo, de uma produção baseada na série “24 Horas” que hoje sobrevive de reprises com audiência capenga. Se a intenção é tão forte, o melhor mesmo é procurar formas alternativas de resgatar a memória do seriado e foi isso que a diretora Nora Ephron fez com A Feiticeira recorrendo ao recurso da metalinguagem, o que certamente decepcionou muita gente que comprou a idéia de ver uma espécie de episódio esticado, mas se deparou com um novo projeto, um remake do programa dentro do filme. É surpreendente o número de críticas negativas que até hoje esta comédia recebe, principalmente do público que acompanhava a série que foi ao ar entre 1964 e 1972 e foi reapresentada a exaustão pelas décadas seguintes. Claro que não é uma obra digna de prêmios e elogios rasgados, mas certamente cumpre bem seu papel de entreter, tanto é que passou pela avaliação das platéias mais jovens que provavelmente nunca assistiram a um episódio do seriado e boa parte dos espectadores do sexo feminino. Mexer com ícones culturais, e neste caso um fenômeno quase mundial, é complicado e merece respeito a opção de ousar em ser até certo ponto original entregando aos espectadores algo que eles não esperavam, mas é aquela velha história, o público reclama da mesmice, porém, quer sempre mais do mesmo. Há muitos anos a idéia de levar o clássico para as telas grandes rodava pelos estúdios e no início dos anos 90 Meryl Streep era a mais cotada para ser a protagonista e parecia animada, mas nem mesmo uma ponta lhe deram quando o longa finalmente saiu do papel.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

CHOCOLATE

NOTA 9,5

Filme é açucarado na
medida certa para
emocionar e colocar em
discussão temas atemporais
Filmes que usam o mundo gastronômico como pano de fundo não são novidades, já existem até estudos aprofundados sobre o assunto, mas cada novo que surge é um sabor diferente que o acompanha e certamente a sensação de aconchego que uma cozinha propicia se repete. É justamente este aspecto tão familiar e tradicional que conquista os fanáticos por Chocolate, um delicioso drama de época que infelizmente não agrada a todos os paladares. A trama açucarada demais que tanto traz felicidade a alguns para outros transmite o sabor de amargura. Um dos motivos para essa repulsa é uma questão de bastidores. Na época de seu lançamento, o longa chegou aos cinemas ostentando indicações a prêmios como Globo de Ouro e o Oscar, mas decepcionou muita gente por sua simplicidade. Ele era o filme bonitinho da temporada de premiações de 2001, uma vaga que um ano antes havia sido ocupada por Regras da Vida. Ambos os trabalhados são assinados pelo cineasta Lasse Hallström, um mestre na arte de comandar dramas e trabalhar com emoções. Suas obras se encaixavam perfeitamente nos propósitos da produtora Miramax, empresa que ganhou fama por somar mais de uma centena de indicações da Academia de Cinema enquanto era independente (hoje foi adquirida pelo grupo Disney) graças a campanhas de marketing fortes e eficientes. Entre projetos aclamados e contemporâneos, como Gênio Indomável, e mega produções épicas do tipo O Paciente Inglês, a produtora sempre conseguia emplacar ao menos em categorias secundárias seus trabalhos e virou o pesadelo dos concorrentes. Tal fama caiu na imprensa e chegou ao conhecimento do público e certamente influenciou muita gente que passou a enxergar os filmes da empresa como produtos talhados para ganhar prêmios e sempre utilizando uma fórmula básica que deu certo. Deixando esse preconceito tolo de lado, é preciso admitir que o passeio de Hallström pelo mundo da gastronomia, mais especificamente dos doces, é delicioso e de encher os olhos. O cineasta construiu uma deliciosa fábula baseada no romance homônimo de Joanne Harris e reuniu um elenco muito talentoso para contar uma história que mistura com perfeição romance, drama e pitadas de humor em meio a um vilarejo encantador que nos leva a um passeio nostálgico pelo que há de mais tradicional na Europa de décadas atrás.

terça-feira, 15 de maio de 2012

O VESTIDO

NOTA 6,0

Embora com furos no
enredo e sem época bem
especificada, longa ganha
pontos com elenco afiado
O cinema nacional reconquistou definitivamente a confiança dos brasileiros a partir dos anos 2000 quando começaram a surgir alguns sucessos esporádicos, mas a consolidação veio mesmo entre 2003 e 2004 com a consagração internacional de Cidade de Deus e trabalhos como Olga e Carandiru que levaram milhões de pessoas às salas de exibições. É uma pena que só mesmo produções com uma grande campanha de marketing atraiam os espectadores, assim muitos filmes passam em brancas nuvens e chegam as lojas e locadoras da mesma forma. É da safra citada que pertence O Vestido, dirigido por Paulo Tiago, de Policarpo Quaresma – Herói do Brasil, e roteirizado pelo próprio em parceria com Haroldo Marinho Barbosa. Baseado no poema “Caso do Vestido”, um dos últimos escritos de Carlos Drummond de Andrade, a dupla teve bastante trabalho para transformar em uma história com começo, meio e fim os versos da linguagem poética. Críticas negativas certamente não faltam a este trabalho que na época teve pouca repercussão e que só ganhou um mínimo de destaque por um ou outro veículo de comunicação citar que a atriz Gabriela Duarte ganhou o prêmio de Melhor Atriz do Festival de Cinema Íbero-americano de Huelva, uma lembrança que gerou comentários maldosos por a intérprete na época ainda não ter nem mesmo seu trabalho em novelas reconhecido. Ela dá vida a protagonista Bárbara que só entra em cena após cerca de vinte minutos de projeção. Antes quem brilha é Ana Beatriz Nogueira como Ângela que começa a contar às filhas Ritinha (Luiza Gonçalves) e Clara (Livia Dabarian) uma história triste que aconteceu em um passado não muito distante envolvendo o marido, ela e um vestido que as meninas encontraram no porão de casa. Ela era uma mulher feliz, uma professora querida pelos alunos e vivia um casamento harmonioso com Ulisses (Leonardo Vieira), um homem honesto e dedicado à família que muda completamente seu comportamento e idéias com a chegada de Bárbara, uma jovem moderninha que vai ao interior de Minas Gerais para passar alguns dias com o companheiro Fausto (Daniel Dantas). Pouco a pouco ela vai se aproximando desta família tradicional a ponto de Ângela lhe considerar uma grande amiga e a presentear com um vestido que seu marido mandou fazer para ela e que julgou cair melhor na moça. Quando Ulisses a vê vestindo o tal traje, ele se encantada e se entrega ao poder de sedução de Bárbara. O vestido do título funciona como uma espécie de objeto amaldiçoado, como se despertasse a ira e a luxúria.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O DOM DA PREMONIÇÃO

NOTA 6,5

Elenco famoso e talentoso
trata de prender a
atenção em suspense que
não assusta ninguém
O diretor Sam Raimi é mais conhecido por ser o responsável pela trilogia Homem-Aranha que rendeu muita grana e marcou a primeira década dos anos 2000 e consequentemente o início do século 21. Apesar de já ter dirigido até drama, seu apreço é o mundo fantasioso e seu início de carreira também foi lidando com algo do tipo, porém, optando por explorar o lado sombrio e macabro em um projeto praticamente amador. A Morte do Demônio poderia ser considerado um produto trash, mas o passar dos anos elevou o status da obra à cult, uma iniciativa digna de aplausos. O fato de realizar um filme de terror com poucos recursos e apoiando-se na criatividade e técnicas simples, porém, inovadoras para a época, ajudou a fazer a fama do cineasta que tentou resgatar suas origens profissionais em O Dom da Premonição. Na realidade, a idéia realmente era só revisitar o campo dos mistérios do além, pois nesta produção elenco de peso e capricho na parte técnica não faltaram. A protagonista da trama é Annie Wilson (Cate Blanchett), uma viúva mãe de três filhos que possui dons psíquicos e sustenta a família lendo a sorte das pessoas, mas isso lhe custa a desconfiança da ala mais conservadora da população da pequena cidade interiorana onde vive. Donnie Barksdale (Keanu Reeves) é um dos principais desafetos dessa mulher e a acusa de estar manipulando sua esposa Valerie (Hilary Swank), a quem ele maltrata, para terminar o casamento. Quem sempre está ao lado de Annie é Buddy (Giovanni Ribisi), um rapaz perturbado que diz ter uma dívida de gratidão com a vidente e parece sempre estar por perto nos momentos em que ela precisa de ajuda. A vida de Annie passa a ser literalmente um pesadelo quando, através de suas visões, se envolve com o caso do assassinato de Jessica (Katie Holmes), uma patricinha que é noiva do diretor do colégio da cidade, o senhor Wayne (Greg Kinnear). Na realidade ela conheceu a moça ainda com vida e na mesma hora teve um sonho premonitório denunciando sua morte, mas omitiu o fato do casal. Agora, ela quer a todo custo comprovar quem é o culpado, mas não será fácil convencer as pessoas de que sua intuição está certa.

domingo, 13 de maio de 2012

A COR DO PERDÃO

Nota 4,0 Mais uma vez uma garota latina aspirante a estrela se decepciona com a vida nos EUA 

Um dos temas mais corriqueiros nas produções com pegada latina é a transformação de vida, o sonho que muitas pessoas alimentam de que a vida é bem diferente em solo americano, mesmo com diversos exemplos que provam que nem sempre tal realização se concretiza. Se o tema já é um tanto clichê imagine então quando ele é usado para contar a história de uma jovem a la Cinderela. Pois é investindo na previsibilidade e na variação do sonho da gata borralheira em virar princesa que se sustenta a trama de A Cor do Perdão, dirigido por Alfredo de Villa. O título é uma alusão a cor amarela, o significado do nome da protagonista, Amaryllis (Roselyn Sánchez), uma jovem que vive em Porto Rico e trabalha em uma pizzaria, mas seu real desejo é poder viver da arte da dança tal qual seu pai. Franco (Jaime Tirelli) foi um bailarino de sucesso, mas devido a um acidente acabou tendo a carreira interrompida e obrigado a viver preso a uma cadeira de rodas. A situação precária da família acaba o levando a se suicidar. Além do baque de perder repentinamente o pai, Amaryllis ainda se decepciona com as condutas da mãe e do namorado posteriormente e assim decide ir embora de casa e mudar de vida. Com a ajuda financeira de uma vizinha a garota consegue partir rumo à Nova York a fim de entrar em uma companhia de dança, mas ela se decepciona com o que encontra. Seu primo que poderia abrigá-la sumiu no mundo, mas ainda assim ela é recebida pelo vizinho do rapaz, Miles Emary (Bill Duke), um senhor de idade um tanto ranzinza, mas que levou uma vida sofrida. Quanto ao emprego, ela procura qualquer trabalho que possa sustentá-la durante o tempo que se dedicaria ao curso, mas o único lugar que lhe oferece uma oportunidade é uma casa noturna onde ela poderá exercer seus talentos para dança, mas terá que se sujeitar a nudez. A protagonista acaba tendo o destino de muitas jovens que sonham com uma vida melhor na terra do tio Sam, mas é previsível que coisas boas irão acontecer em seu caminho. O problema é que elas acontecem simultaneamente e só uma poderá prevalecer.

sábado, 12 de maio de 2012

A PROMESSA (2004)

Nota 3,0 Suspense espanhol é um apanhado de clichês que não causam reações no espectador

Já estamos tão acostumados aos clichês e trucagens das fitas de horror e suspense americanas que quando surgem produções destes gêneros oriundas de outros países sentimos como se isso fosse um sopro de esperança, de que ainda é possível levar bons sustos vendo um filme. Nesses termos a Espanha leva uma ligeira vantagem devido aos diversos produtos de sucesso que lançou ultimamente nessa linha como O Orfanato e Rec, mas o que pinta também de abacaxi por lá não é brincadeira. A Promessa é um exemplo desses engodos, a começar pelo título que não deixa bem claro qual a proposta do longa. Uma pessoa que se arrisca para cumprir algo? Um plano de vingança? Teria algo a ver com religiosidade? A obra assinada pelo diretor Héctor Carré na realidade busca misturar todas essas indagações em uma mesma história, mas não alcança seu objetivo satisfatoriamente. O roteiro do próprio cineasta em parceria com José Antonio Félez gira em torno de Gregoria (Carmem Maura), uma mulher de meia-idade devota à religião, mas infeliz por não ter tido filhos e atualmente se sentir humilhada pelo marido Roberto (Juan Margallo) que não esconde que considera a esposa um fardo que carrega. Num ato de loucura, ela acaba cometendo um crime e precisa fugir rapidamente, escolhendo como destino a cidade de Galícia no norte da Espanha, local famoso por abrigar um santuário. Logo que chega ao seu destino, Gregoria salva um garoto, Daniel (Santiago Barón), e imediatamente ambos se afeiçoam um pelo outro o que leva Dorita (Ana Fernández), a mãe dele, a não pensar duas vezes e contratar a simpática e prestativa senhora como babá. A partir de agora Gregoria assume uma nova identidade. Diz se chamar Celia e que quer recomeçar sua vida após perder o marido que amava tanto. Leandro (Evaristo Calvo), seu novo patrão, não parece convencido da idoneidade da funcionária, mas mesmo assim a emprega para fazer a vontade do filho. Daniel é um menino muito quieto e amargurado por não gostar do clima de brigas constante em sua casa, mas junto com Celia ele parece mais comunicativo e até capaz de adivinhar os sentimentos de sua babá. Tudo vai bem no início, mas é previsível que a chegada dessa mulher mudará drasticamente a rotina desta família.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

UMA NOITE FORA DE SÉRIE

NOTA 8,0

Junção de clichês de filmes
de espionagem e piadas
manjadas, longa funciona
por causa de protagonistas
O que acontece quando dois grandes nomes do humor se reúnem em um mesmo filme? A resposta é uma só: sucesso. Bem, nem sempre é isso que acontece. Uma Noite Fora de Série, mais um exemplar da recente safra de comédias do tipo marmanjos em apuros, não foi um êxito nos cinemas brasileiros, mas merece atenção no aconchego do lar. No circuito americano a produção foi uma das mais bem sucedidas do ano de 2010 e é fácil entende o motivo. Os protagonistas são famosos por suas atuações em seriados humorísticos badalados. Se a atriz Tina Fey até então era conhecida apenas por suas participações na TV, ela encontrou aqui a grande oportunidade apresentar seu talento mundialmente através do cinema e é claro que o prestígio de Steve Carrell a ajuda muito. Há muito tempo não vemos em cena uma dupla com tanta química e timing cômico. Eles são capazes de fazer rir só trocando olhares e o diretor Shawn Levy, cujo maior êxito comercial continua sendo Uma Noite no Museu, soube aproveitar muito bem o casal em uma narrativa que já teve diversas variações. Trabalhando com o tema de identidades trocadas, o longa nos remete a filmes e seriados antigos que usavam o mesmo plot e porque não dizer que dá até para lembrar do personagem Agente 86, afinal o próprio Carell o reviveu no cinema em um passado não muito distante. A cidade de Nova York é o palco para as trapalhadas de Claire (Tina) e Phil Foster (Carell), um casal que vive em harmonia, mas há muito tempo só pensam no trabalho e nos filhos e não se divertem mais. Certa noite eles decidem fazer um programa diferente e ir jantar em um badalado restaurante onde é preciso fazer reserva com antecedência. Sem saber desta norma e decididos a curtir a noitada como há anos não faziam, eles assumem a identidade dos Triplehorns, um casal que havia reservado uma mesa e não apareceu. O que parecia um golpe de sorte acaba virando um de azar. Interrompidos por dois misteriosos homens, os Fosters descobrem que com a troca de nomes foram confundidos com chantagistas que estão metidos em uma encrenca por possuírem um pen drive com fotos comprometedoras de uma pessoa influente, o gângster Joe Mérito (Ray Liotta). Tentando se livrar da situação, eles afirmam que estão com o tal objeto escondido em um ponto turístico e quando chegam lá dão um jeito de fugir, mas a cada novo passo eles se complicam ainda mais. Assim a noite que era para ser divertida virou uma sequência de perseguições, planos mirabolantes e muita confusão.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

REENCARNAÇÃO

NOTA 8,0

Longa surpreende pela
ousadia de privilegiar a
arte de enganar a se
entregar a velhos clichês
Já é de praxe neste espaço lembrar alguns filmes cujos títulos merecem destaque e serem discutidos. Alguns são curiosos, outros engraçados, temos uns enigmáticos e também há aqueles em que uma única palavra resume as intenções do longa em questão. O problema é quando o termo escolhido é ambíguo e pode servir tanto de forma negativa quanto positiva. Este é o caso de Reencarnação, um trabalho que não é magnífico, mas também passa longe de ser a tragédia que a mídia tratou de divulgar na época de seu lançamento, o que afugentou o público não só brasileiro e americano. O filme acabou sendo um grande fracasso mundial, embora a atuação de Nicole Kidman tenha sido apontada como um dos poucos pontos a favor da produção que não foi bem acolhida pelo circuito comercial, porém, conseguiu um tímido espaço no de arte. Bem, realmente é para platéias mais atentas e preocupadas com conteúdo que essa obra foi realizada, embora seu título e premissa evoquem o sobrenatural, um convite e tanto para os adeptos de sustos e gritarias que certamente se decepcionam com o que encontram. Só pelo fato de conseguir enganar o espectador a primeira vista já rende um crédito a este produto assinado por Jonathan Glazer, de Sexy Beast, diretor oriundo do mundo dos videoclipes que surpreende aqui com sua direção lenta e preocupada em mostrar detalhes de cenários e das expressões dos personagens. Na trama Nicole vive Anna, mais uma vez apostando na tática de se despir de vaidades para acentuar a credibilidade de sua personagem, uma mulher que sofreu aproximadamente uma década por não se conformar com a morte precoce do marido e que agora está prestes a se casar novamente após muita insistência de Joseph (Danny Huston), seu novo namorado. No dia do aniversário de sua mãe, Eleanor (Lauren Bacall), o casal anuncia o noivado, mas a festa é interrompida por algo inesperado. Um garoto com fala segura e expressão séria aparece pedindo para que Anna não se case novamente. O que parecia ser uma brincadeira acaba abalando esta mulher que fica sem saber o que fazer quando ele diz seu nome. Sean (Cameron Bright) afirma que é a reencarnação do falecido marido de Anna, inclusive até seu nome é o mesmo.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O PREÇO DA TRAIÇÃO

NOTA 8,0

Misto de drama e suspense
baseado em longa francês
exala sensualidade do
inicio ao fim com classe
Sem dúvidas um dos temas mais trabalhados pelo cinema americano ao longo de sua história é a infidelidade. São centenas de títulos e dos mais variados gêneros que tratam do assunto, mas tudo o que é demais enjoa. Por exemplo, um filme sério que flerta com o erotismo hoje em dia é considerado fora de moda, visto que o ápice desse tipo de produção foi no final dos anos 80 e início da década seguinte quando estrelas como Glenn Close, Sharon Stone e Demi Moore apareciam nos créditos para dar algum valor a produtos que poderiam facilmente ser massacrados pela crítica. Foram tantas cruzadas de pernas insinuantes e amassos em locais proibidos que hoje uma obra do tipo não causa mais impacto, embora sobrevivam graças aos canais fechados que bancam trabalhos assim para rechear suas programações e depois servem para preencher o “Super Cine” da Globo, já que a maior parte dos filmes desta sessão são sobre adultérios e oriundos de canais a cabo ou lançamentos direto para locação e venda. Bem, por ainda fazer renda, mesmo que não em exagero, e ter sua carreira de sucesso em determinada época, não podemos dizer que o gênero do thriller erótico não tem sua importância para a história do cinema, mas o fato é que não há lugar de destaque no circuito comercial para ele atualmente. Por sofrer preconceito devido a seu conteúdo forte ou até mesmo pelo público considerar uma categoria datada, alguns bons títulos acabam não tendo o devido reconhecimento como é o caso de O Preço da Traição, dirigido pelo egípcio Atom Egoyam, profissional que se dedica mais ao cinema alternativo e já premiado em Cannes por O Doce Amanhã. Neste caso ele se entrega a uma produção bem ao estilo hollywoodiano, carregando na sensualidade, porém, criando um clima noir e melancólico envolvente que ganha muita sustância por causa da competência do triângulo amoroso composto por três grandes atores. A trama gira em torno da ginecologista Catherine (Julianne Moore) que aparentemente vive um casamento feliz com o professor David (Liam Neeson), porém, a dedicação do marido ao trabalho e aos alunos a deixa com a pulga atrás da orelha suspeitando que está sendo traída. A gota d’água é quando ela prepara uma festa surpresa de aniversário e ele não aparece alegando que houve um imprevisto na volta para casa depois de uma viagem de trabalho. Catherine então decide colocar a fidelidade do esposo à prova, uma decisão que certamente não resultaria em algo bom para ela própria.

terça-feira, 8 de maio de 2012

CHÁ COM MUSSOLINI

NOTA 8,5

A partir de memórias do
diretor e registros de
época, longa traz uma nova
visão da Segunda Guerra
Alguns filmes chamam a atenção por seus títulos que expressam suavidade e doçura, o tipo de programa perfeito para assistir com toda a família, porém, muitos deles enganam como é o caso de Chá com Mussolini, uma obra agridoce do famoso cineasta italiano Franco Zeffirelli que retornava ao cinema após um hiato de vários anos. O filme traz um belo e contundente retrato da Florença, na Itália, durante as décadas de 1930 e 1940 através de um roteiro baseado em recordações do próprio diretor, memórias mais especificamente de sua infância e adolescência, aliadas as experiências que ele acumulou dirigindo diversos épicos para cinema e teatro. A ligação entre tais lembranças e os fatos históricos acerca do ápice do fascismo é manifestada na figura de Luca Innocenti, vivido por Charlie Lucas na infância e por Baird Wallace na adolescência, um garoto concebido por uma relação extraconjugal de seu pai, este que não o assumiu oficialmente. Ele luta por sua sobrevivência e para achar uma forma de desenvolver seus dotes para as artes, o que chama a atenção das “Scorpioni”, como é conhecido um grupo de senhoras inglesas que resolveu se mudar para as terras italianas e são famosas pelo humor ácido, inclusive para alfinetar umas as outras. A secretária Mary (Joan Plowright), que adota o menino, a pintora Arabella (Judi Dench) e a viúva Lady Hester (Maggie Smith) ganham a companhia das americanas Elsa (Cher), uma colecionadora de arte e que adora namorar homens bem mais jovens, e de Georgie (Lily Tomlin), uma arqueóloga lésbica. Elas passam o tempo debatendo sobre a situação política do país em plena Era Mussolini e se sentem protegidas pelo político. Benito Mussolini (Claudio Spadaro) aceitou um convite para um chá com as damas que estavam apreensivas com os avanços fascistas e foram pedir proteção a ele já que italianos e ingleses estavam em lados opostos do conflito, porém, não cumpriu a promessa. Anos mais tarde, com o estouro da Segunda Guerra Mundial, elas são levadas à força para um confinamento no interior quando a Itália declara guerra à Inglaterra e assim o mundo de belezas e riquezas em que viviam desmorona. É neste momento que Luca, já crescido, tem a chance de agradecer a tudo que as senhoras fizeram por ele engajando na luta contra o fascismo.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

EDUCAÇÃO

NOTA 8,5

Seguir tradições ou romper
seguindo a trilha da
novidade, eis a grande
questão deste drama
Já é um costume da Academia de Cinema de Hollywood escolher anualmente ao menos um filme que poderia passar em brancas nuvens para concorrer em algumas categorias do Oscar, podendo muitas vês tais títulos se tornarem verdadeiras zebras e faturarem algumas estatuetas. A iniciativa é uma forma de dar incentivo para que o mercado de pequenas produções continue ativo e até para enaltecer que a imagem dos votantes é digna de seres pensantes e não de ovelhinhas seduzidas por mimos cedidos por grandes estúdios. Em 2010, ao optar por ampliar de cinco para dez as vagas para a principal categoria da festa, aumentou consideravelmente também o número de filmes aparentemente sem brilho a marcarem presença do evento. Alguns realmente são merecedores da lembrança, outros claramente foram ajudados por questões de marketing e também há aqueles que são bons, mas que acabam sofrendo com o fato de estamparem em seu material publicitário menções às indicações. Neste último caso se enquadra Educação, um belo drama a respeito do período de transição de uma jovem para a vida adulta e sua dúvida entre optar pela educação ou a diversão. A história se passa no início da década de 1960, quando a colegial Jenny (Carey Mulligan) se esforça para ser a melhor aluna da sala e sonha em cursar uma boa faculdade. Basicamente vivendo entre os livros e as atividades domésticas, sua idéia a respeito de viver a vida muda completamente quando ela conhece David (Peter Sarsgaard), um homem elegante, culto e bem mais velho.  A moça enxerga nela a porta para um mundo novo, repleto de referências à cultura, arte, espetáculos, boa comida e companhias refinadas. Ela se apaixona rapidamente por ele, ou melhor, por seu estilo de vida que também parece atrair a atenção de seu pai, Jack (Alfred Molina), que apóia o relacionamento e se simpatiza com o futuro genro. Sua orientadora escolar (Emma Thompson) teme que sua pupila esteja escolhendo um caminho errado para seu futuro, mas, por outro lado, Jenny vê na sua professora Miss Stubbs (Olivia Williams) o exemplo do que pode lhe acontecer caso não siga seus próprios instintos e se deixe guiar pelas convenções e imposições de sua família e até mesmo da sociedade. Contestando e avaliando as possibilidades da vida regrada dos estudos e de uma carreira exemplar e da vida de sonhos e glamour que teria ao lado de seu grande amor, o espectador passa a vivenciar estas dúvidas junto com Jenny ao mesmo tempo em que a personagem amadurece em cena, um grande trabalho de uma jovem atriz merecidamente reconhecido com diversas indicações a prêmios.

domingo, 6 de maio de 2012

O APARTAMENTO

Nota 5,0 Ciranda amorosa em ritmo típico de filme francês é confusa e dispersa atenção 

Um vício que muitos têm é de quase sempre cobrir de elogios produções fora do circuito hollywoodiano, ainda que na maioria das vezes seus conteúdos sejam de difícil assimilação. Contudo, existem alguns filmes do tipo cujas tramas são tão intrincadas que não conseguem atrair nem mesmo distribuidoras e talvez isso explique a demora de praticamente uma década para o thriller francês O Apartamento ter sido lançado no Brasil diretamente em DVD. O longa só conseguiu tal façanha devido a uma estratégia de marketing, visto que seu remake americano, intitulado Paixão à Flor da Pele, foi lançado por aqui em circuito comercial, embora sem atingir sucesso. Também pode ter influenciado o fato dos atores Vicent Cassel e Monica Bellucci estarem em alta em meados da década de 2000 emplacando muitos trabalhos em solo americano. É certo que só o fato de ser um filme francês e carregar certa aura (involuntária) de raridade, acrescido de ser a chance de fazer uma comparação com sua versão hollywoodiana, já seriam suficientes para chamar a atenção para este trabalho escrito e dirigido pelo então estreante Gilles Mimouni. O problema é que quem deposita grandes expectativas no projeto se decepciona. A narrativa não linear tem a função de prender a atenção do espectador até o final, mas é muito difícil seguir esta trama que fala de encontros e desencontros, coincidências e armações, sentimentos e desejos. Max Mayer (Cassel) é um executivo bem sucedido que após dois anos em Nova York está de volta a Paris e vai se casar com a noiva Muriel (Sandrine Kiberlain). Antes, porém, terá um encontro de negócios em Tóquio, mas algo faz o rapaz mudar todos os seus planos de uma hora para a outra. Ele vê de relance em uma cabina telefônica uma mulher que acredita ser Lisa (Bellucci), uma paixão avassaladora que teve em um passado recente, e próximo onde a moça estava encontra uma chave de um hotel parisiense e resolve entrar escondido no quarto para lhe fazer uma surpresa, mas não a encontra. Contudo, chama a atenção de Max um obituário rasgado o que o leva a um cemitério. Não encontra Lisa, mas passa a seguir um estranho chamado Daniel (Olivier Granier), a pessoa com quem a mulher da cabina estava conversando dizendo que a relação havia acabado. Como ele sabia que esse Daniel é o mesmo do telefonema? O que significa o tal obituário? Essas são apenas algumas das peças do quebra-cabeça proposto por Mimouni, porém, cheio de lacunas. E ainda em meio a tudo isso, por meio de flashbacks, ficamos sabendo como Max conheceu Lisa.

sábado, 5 de maio de 2012

CLOVERFIELD - MONSTRO

Nota 2,5 Fruto de uma excelente campanha de marketing, filme é um trash não assumido

Assim como Godzilla, King Kong e os dinossauros de Steven Spielberg um dia invadiram a cidade grande, seja ela qual for, destruindo tudo o que viam pela frente, mais uma criatura gigantesca tentou repetir a façanha. Cloverfield - Monstro tem como chamariz mais um desses animais gigantescos que aparecem de tempos em tempos para amedrontar as pessoas, mas não traz novidades. Talvez nisso esteja o segredo do projeto ter feito certo sucesso mundial (bem, no Brasil o longa não pegou, gerando mais expectativas que lucros). Coletaram referências que deram certo em outras produções do tipo e fizeram uma receita já aprovada pelo público, mas um tanto claustrofóbica e de certa forma com uma dose de inovação apesar de tudo. O grande objetivo do roteiro de Drew Goddard, estreando no cinema, era acompanhar um pequeno grupo de pessoas e ver como elas se comportam diante de uma situação de apuro extremo. O jovem Rob Hawkins (Michael Stahl-David) está de mudança para o Japão e por isso ganha uma festa surpresa dos amigos como presente de despedida. Para registrar esses momentos, seu amigo Hud (T.J Miller) faz uma gravação com câmera caseira com registros da festa e depoimentos das pessoas que estavam no local. Durante a filmagem, um susto. Uma explosão ocorre e depois seguem tremores, gritaria, barulhos ensurdecedores, queda de energia e mortes começam acontecer. O grupo corre para fora do salão e descobre que a cidade de Nova York está sendo destruída por uma criatura gigantesca. Agora, todos precisam correr para tentar achar algum lugar seguro para fugir dessa fera, mas todos os passos do grupo de amigos continuarão sendo registrados pelas lentes da câmera de Hud. Então o lance é esperar o bichão aparecer e descobrir quem será a próxima vítima? Aparentemente a ideia básica do longa pode ser resumida dessa forma, mas, como já dito, existe um interesse humano no caos que se instaura na narrativa e o longa também pode ser encarado como uma experiência diferenciada na maneira de contar e transformar em imagens uma história. A duração enxuta ajuda a dar ritmo ao filme e evitar que ele se torne uma experiência enfadonha, já que desde o início ficamos sabendo no que tudo isso vai dar.

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