quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A ÁRVORE DA VIDA

NOTA 9,0

Um dos filmes mais originais
dos últimos tempos só não ganha
nota máxima por inevitavelmente ser
uma obra para público específico
Filmes que participam ou vencem festivais já chegam aos cinemas com uma bela propaganda e com um público cheio de expectativas. Quando há um elenco e diretor de peso e o apoio da mídia, principalmente da internet, a ansiedade pelo que está por vir é ainda maior. Tal movimento de divulgação em massa ocorreu, por exemplo, com Melancolia, de Lars von Trier, que muito antes de estrear já chamava a atenção, até por conta das declarações polêmicas do diretor que na ocasião tornou-se pessoa não grata no Festival de Cannes que antes o recebia de braços aberto. O fato é que ter bastante publicidade de forma alguma serve como termômetro para avaliar se um filme é bom ou ruim e nessas muita gente acaba se decepcionando com o que assiste impulsionadas pelo pensamento de que precisa estar por dentro do que está sendo comentado. É ótimo que exista essa vontade de participar de alguma discussão, mas é preciso estar preparado para saber separar o gosto pessoal do coletivo. No caso de A Árvore da Vida também é preciso saber distinguir o que é um cinema de puro entretenimento e o que é uma produção voltada ao conceito de arte. O longa ganhou projeção pelas indicações e prêmios que conquistou e logo virou objeto de análises de blogs e sites que fomentaram sua publicidade, mas só pelo seu poético título já era de se esperar que é uma obra que prioriza sentimentos e contemplação, ainda mais quando descobrimos que leva a assinatura do diretor e roteirista Terrence Malick. Na época completando 38 anos de carreira, ele contabilizada apenas cinco longas em seu currículo, mas a pouca produtividade em nada arranha a fama do cineasta, pelo contrário, curiosamente só soma, sendo que seus filmes surgem com uma aura diferenciada. Após o pouco visto O Novo Mundo, drama épico que conta a história da índia Pocahontas sob uma ótica mais adulta, ele voltava aos holofotes para tratar da relação entre pai e filho de uma família comum propondo uma interessante analogia com o surgimento do universo até o fim dos tempos. Dessa forma, o diretor narra uma grande viagem pela evolução da vida e tenta desvendar seus mistérios ao mesmo tempo em que liga esses temas ao viés familiar mostrando os efeitos da natureza e da fé sobre um grupo de pessoas. Chegaram a tentar rotular o filme como produção de cunho religioso, mas na verdade não existe defesa de dogmas de qualquer tipo de crença. O objetivo é levar à reflexão sobre os caminhos da vida que é feita de momentos de alegria e tristeza em proporções semelhantes, além de ser influenciada pelos rumos da natureza e do próprio ser humano.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

ANASTASIA

NOTA 7,5

Seguindo a risca fórmulas Disney,
animação cumpre seu papel de entreter,
mas apesar da trama de cunho adulto
longa peca no quesito originalidade
Não tem jeito. Longa-metragem de animação divertido e de qualidade é sinônimo de Disney e ponto final. Durante muito tempo tal empresa conseguiu ostentar elogios do tipo, mas no final da década de 1990 outros estúdios começaram a se organizar para contra-atacar a gigante do entretenimento familiar. Após um longo e conturbado período a casa do Mickey Mouse conseguiu se reerguer com sucessos como O Rei Leão, projeto que mostrou que ousar poderia ser o segredo para se manter no topo, porém, versões infantilizadas de contos como Pocahontas e O Corcunda de Notre Dame não conseguiram a repercussão esperada. Mesmo assim, outros estúdios resolveram entrar na briga pela audiência infantil e consequentemente conquistar a atenção de seus pais explorando tramas originais ou de cunho mais adulto. A Twenty Century Fox, uma das mais tradicionais companhias cinematográficas dos EUA, aproveitou um momento de descuido da concorrente que relançava no Natal de 1997 o clássico A Pequena Sereia apoiando-se na publicidade da restauração do longa e assim conseguiu espaço para Anastasia brilhar, ainda que discretamente. Animação tradicionalíssima, a fita combina todos os elementos que fizeram a fama da Disney: capricho visual, cenários e figurinos repletos de detalhes, canções que ajudam a contar a história e astros e estrelas emprestando suas vozes aos personagens, além de momentos açucarados ou de emoção escancarada. No centro das atenções uma linda princesa trata de passar a mensagem de que para ser alguém na vida é preciso ter coragem, determinação e caráter e é claro que um detestável vilão não poderia faltar para reforçar a lição de moral de que o crime não compensa. Baseada na peça teatral de Marcelle Maurette, a trama se passa na Rússia entre as décadas de 1910 e 1920 e segue os passos da infância à juventude de Anastasia, a filha do Czar Nicholas. Em dezembro de 1916, durante uma noite de festa no palácio da nobre família Romanov, uma confusão acontece devido a Revolução Russa e o maldoso feiticeiro Rasputin aproveita para se livrar de todos aqueles a quem declarou guerra. Do tradicional e poderoso clã apenas a Imperatriz Maria sobrevive ao ataque. Sua dor é maior pela perda da neta ainda criança, assim decide se mudar Paris para tentar esquecer a tragédia.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

SOBREVIVENDO AO NATAL

NOTA 7,0

Como toda boa ceia de Natal,
longa conta com situações
tradicionais à produções do gênero
e ratifica mensagens de solidariedade
Todo Natal é a mesma coisa. As pessoas reclamam da correria, dos compromissos, do estresse das compras e do cansaço para os preparativos da ceia e do almoço, mas que atire a primeira pedra quem nunca parou para pensar o quanto seria chato passar esta data sozinho e ignorando tudo que envolva tal festa? Bem, há quem realmente não goste do período natalino e não tem nada que os faça mudar de ideia, mas é certo que muitos preferem esquecer qualquer imagem que lembre ao Papai Noel por causa de lembranças tristes e esse é o ponto de partida de Sobrevivendo ao Natal, comédia que reúne tradicionais elementos de filmes que comemoram a data e exaltam o espírito de solidariedade e a importância da família e amigos, mas que acabou sendo mal recepcionado pela crítica e público americano e consequentemente chegou chamuscado em outros países. A trama gira em torno de Drew Lathan (Ben Affleck), um executivo bem sucedido, mas cheio de problemas emocionais por causa de seu passado humilde e praticamente solitário. Cansado de passar o Natal sozinho ele é aconselhado a voltar à casa em que morou quando criança e assim realizar uma espécie de simpatia para recuperar sua alegria e entusiasmo a respeito da data festiva. O problema é que o tempo só parou de certa forma para o rapaz e agora a residência está ligeiramente modificada e abriga uma nova família, os Valcos. Dizem que tem coisas que o dinheiro não compra, será mesmo? Acostumado a esbanjar dinheiro com futilidades, Lathan não pensa duas vezes e logo propõe uma insólita, porém, tentadora proposta ao clã: oferece um bom dinheiro para que eles finjam serem os parentes que ele nunca teve e lhe proporcionem uma festa natalina tradicional como ele sempre sonhou. O patriarca Tom (James Gandolfini) aceita a ideia numa boa assim como sua esposa Christine (Catherine O’Hara) e seu filho Brian (Josh Zuckerman), mesmo após uma breve hesitação, mas nada que um polpudo cheque não resolvesse. Todo o acordo foi sacramentado com direito a contrato impresso e cláusulas rigidamente estipuladas, mas os Valcos não esperavam que o tal marmanjo iria mudar suas vidas enlouquecendo-os com seus devaneios de família perfeita e tradições natalinas.

domingo, 21 de dezembro de 2014

AGNES BROWNE - O DESPERTAR DE UMA VIDA

Nota 7,5 Anjelica Huston dirige e protagoniza drama com apelo universal, mas esquecido

Ela tem um tipo exótico que lhe permite interpretar os mais diversos papéis. Mulheres fortes, sofridas, esnobes, excêntricas, comuns ou vilãs. Não importa. Anjelica Huston sempre dá conta do recado, pena que selecione tanto seus trabalhos, o que priva o público de desfrutar de seu talento por longos hiatos de tempos. Conhecida por atuações em A Família Addams e Convenção das Bruxas, clássicos das sessões da tarde, e detentora de um Oscar por A Honra do Poderoso Prizzi, pouca gente sabe que a atriz também já se arriscou a trabalhar atrás das câmeras. Experiência para tanto ela tem sobra. Além de observar os trabalhos de diretores quando está atuando, dentro da própria casa ela já tinha uma verdadeira escola. Filha do cultuado cineasta John Huston, a intimidade com a direção foi passada de pai para filha. Em Agnes Browne – O Despertar de Uma Vida ela se divide entre viver a personagem-título e dirigir este drama que fala sobre dar a volta por cima, família, desafios e valorização da amizade. Em 1967, na Irlanda, Agnes Browne está passando por uma situação complicada. Após perder o marido, ela precisa dar conta de sustentar seus sete filhos e pagar suas contas, assim é obrigada a pedir um empréstimo a um agiota inescrupuloso, o Sr. Billy (Ray Winstone). Para recomeçar a vida, passa a vender legumes e frutas no mercado local, onde faz amizade com Marion Monks (Marion O'Dwye), uma mulher diferente de todas as outras que havia conhecido até então. Mesmo lutando contra um câncer, ela é otimista e encoraja a nova amiga a não desistir de lutar pelo que quer. Agnes estaria disposta a esquecer definitivamente os homens, mas o tempo passa e reserva uma surpresa para ela. A novata feirante percebe que o francês Pierre (Arno Chevrier), o padeiro que se instala próximo a sua barraca, está tentando se aproximar com interesse amoroso. Assim, ela tem uma segunda chance de ser feliz e reavalia sua vida, sempre sofrida e nunca totalmente feliz em seu primeiro casamento. Tudo conspira a favor da felicidade da protagonista e certamente já vimos este mesmo conto em muitos outros filmes, mas o que importa não é o final e sim como os fatos são narrados. A delicadeza e emoção de Anjelica fazem toda a diferença para a condução deste drama. E neste caso em dose dupla.

sábado, 20 de dezembro de 2014

ENQUANTO ELA ESTÁ FORA

Nota 4,0 Suspense poderia ir além, mas opta pelo caminho seguro dos sustos e perseguições

Fim de ano é época de alegrias, energias positivas, renovação, bons sentimentos e ... loucos à solta! É isso que vai descobrir a protagonista do suspense Enquanto Ela Está Fora. É véspera de Natal quando a apática dona de casa Della (Kim Basinger) resolve fazer umas últimas comprinhas. Na realidade ela só queria ter uma desculpa para ficar longe do marido Kenneth (Craig Sheffer), um grosseirão que a despreza e maltrata. Antes tivesse escolhido ficar em casa. Quando busca uma vaga para estacionar no shopping na tarde chuvosa e fria (a ambientação é um ponto alto da fita), ela fica furiosa ao perceber que duas delas estavam sendo ocupadas por um mesmo veículo de forma proposital e resolve deixar um recado no para-brisas do mesmo alertando o motorista sobre a atitude egoísta. Todos sabem que não se deve mexer com estranhos, assim já dá para imaginar o que vai acontecer, mas antes do suspense engrenar o início do filme é bem chatinho. Da dúvida entre tomar uma bebida quente ou comer um cookie, passando pela desistência da compra de uma camisola até o encontro com uma antiga amiga da faculdade que parece levar uma vida plenamente feliz, os primeiros minutos da fita são dedicados a mostrar a passividade de Della, uma mulher incapaz de tomar simples decisões. Quando impulsivamente resolve ter alguma atitude diante de um problema acaba não medindo as consequências e se mete em uma grande encrenca. Ao voltar ao estacionamento ela é surpreendida por quatro rapazes que a ameaçam. Um segurança tenta intervir, mas é assassinado pelo grupo e na confusão Della consegue entrar em seu carro e fugir, começando assim uma intensa perseguição cujo longo e intenso clímax se dá em uma densa e escura floresta.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A CASA SILENCIOSA

NOTA 2,5

Praticamente fazendo uma cópia do
uruguaio A Casa, repetindo erros e sem
inovação alguma, longa comprova a
falta de criatividade de Hollywood
No Brasil é comum o ditado que diz que na TV nada se cria e tudo se copia, mas tal máxima também cai como uma luva à Hollywood. Produtores da Meca do cinema estão sempre de olho no que está sendo produzido fora dos EUA à procura de bons roteiros que possam gerar refilmagens. Muitos filmes recentes estão ganhando novas versões para agradar ao público ianque que detesta dublagens ou legendas, mas também para suprir a falta de criatividade e até fazer economia de tempo e dinheiro afinal deve sair bem mais em conta apostar numa cópia de algo já testado e aprovado do que apostar em uma ideia original que possa fracassar. Baseado em um caso verídico ocorrido na década de 1940 envolvendo misteriosos assassinatos, A Casa Silenciosa foi lançado apenas dois anos depois do uruguaio A Casa ter gerado certo burburinho e chamado a atenção em festivais como Cannes e Sundance. A obra original tinha a seu favor a duvidosa publicidade de ser uma narrativa totalmente em plano sequência oferecendo quase uma hora e meia de puro terror psicológico. Utilizando o mesmo artifício, a versão americana segue a risca a fórmula do filme latino buscando gerar sustos explorando o medo do desconhecido através das percepções da protagonista Sarah (Elizabeth Olsen – irmã mais nova e bem mais talentosa das famosas gêmeas Ashley e Mary-Kate Olsen), uma jovem que acompanha o pai John (Adam Trese) e seu tio Peter (Eric Sheffer Stevens) até a antiga casa de campo de sua família. A propriedade está abandonada há anos e até foi invadida por vândalos, assim os donos decidiram arrumá-la e colocar à venda, porém, os irmãos se desentendem e Peter resolve ir passar a noite fora.

domingo, 14 de dezembro de 2014

PARENTES PERFEITOS

 Nota 6,5 Entre o pastelão e a crítica, longa é previsível reforçando valores e laços familiares

Ser independente, bem sucedido e ter ao lado uma bela e amável mulher. Esse é o sonho de praticamente todo o homem e também o que norteava a vida de Richard Clayton (Ron Livingston), o protagonista da comédia Parentes Perfeitos. Formado na área de psicologia e afins, o rapaz é famoso por suas palestras, programa de rádio e seu livro de autoajuda que está na lista dos mais vendidos. Para completar sua felicidade, faltam apenas três semanas para trocar alianças com sua noiva, a amorosa e paciente Ellen (Neve Campbell). Tudo ia bem até que em uma reunião familiar seu irmão Mitch (Bob Odenkirk) lhe faz uma revelação bombástica: Richard é adotado! Criado pelo refinado casal Arleen (Christine Baranski) e Doug Clayton (Edward Hermann), o psicólogo sempre teve de tudo do bom e do melhor, o que o tornou um pouco arrogante, mas mesmo assim ele faz questão de buscar suas raízes. Com a ajuda de um detetive particular, ele descobre que seus pais biológicos carregam um sobrenome francês, o que alimenta suas fantasias que seria filho de um casal de intelectuais ou algo do gênero. Quando finalmente encontra seus parentes para passarem um fim de semana juntos, Richard tem uma desagradável surpresa. Agnes (Kathy Bates) e Frank Estercot (Danny DeVito) formam um casal vexatório. Eles são caipiras ao extremo, mal educados, destemperados e até na diferença de altura chamam a atenção, os tipos perfeitos para virarem alvos de piadas, mas na verdade são eles que involuntariamente tiram um sarro dos outros.

sábado, 13 de dezembro de 2014

O JOGO DOS ESPÍRITOS

Nota 0,5 Bom argumento é perdido apoiando-se na fórmula e erros das fitas de seriais killers

Você já ouviu falar no jogo do copo para evocar espíritos? Tentação entre jovens que não tem nada para fazer, não se sabe se ao certo se essa brincadeira realmente tem o poder de abrir uma passagem de comunicação com os mortos, mas o fato é que toda a lenda criada em torno dela teria potencial para um bom filme de terror, pena que o diretor Marcus Adams desperdiçou a chance de explorá-la logo em sua estreia nas telonas e seu O Jogo dos Espíritos nada mais é que uma variação preguiçosa e tediosa de filmes de seriais killers. Basta trocar o assassino mascarado por uma entidade do mal que passa a perseguir um grupo de jovens acéfalos que quando não estão gritando ou fazendo caras e bocas de espanto travam diálogos com a mesma profundidade de um pires. A trama tem um prólogo passado no Marrocos em 1979 quando num ritual satânico fora evocado o demônio árabe Djinn que segundo a literatura ocultista é um espírito do fogo. A cerimônia terminou de forma catastrófica para seus participantes que foram atacados pela tal entidade e acabaram com letais queimaduras pelo corpo. O espectro foi esconjurado e ficou enclausurado por muito tempo até que 23 anos depois em Londres foi novamente evocado por um grupo de jovens embriagados e inconsequentes. Certa noite Lucy (Marsha Thomason), que conhece um pouco sobre teorias do além, propõe aos amigos Annie (Melanie Gutteridge), Spense (James Hillier), Stella (Lara Belmont), Webster (Lukas Haas), Joe (Mel Raido), Rob (Joe Absolom) e Liam (Alec Newman) que façam a experiência de manipular uma tábua Ouija, um tabuleiro com letras improvisadas e dispostas em forma de círculo. A ideia é que todos os participantes apoiem um dedo em um copo de vidro e se concentrem em uma corrente para abrir um portal de comunicação com o mundo dos mortos. Começam a ser lançadas perguntas e os espíritos respondem guiando o copo letra por letra até formar palavras ou frases curtas. No caso, logo na primeira pergunta a resposta é que todos eles serão mortos, o bastante para Liam entrar em desespero e tirar seu dedo do jogo, o que reza a lenda deixa a oportunidade do espírito contatado ficar livre no mundo dos vivos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A MORTE CONVIDA PARA DANÇAR

NOTA 2,0

Supostamente um remake de fita
da década de 1980, longa apenas
reaproveita título para nova história,
ou melhor, para requentar clichês
Na época do colégio muitos jovens sonham com o baile de formatura e a cultura americana através do cinema e da televisão propagou pelo mundo todo a ideia de que o evento é como um rito de passagem para a maioridade simbolizando o momento de assumir responsabilidades, tomar importantes decisões, enfim, tornar-se um adulto com A maiúsculo. Todavia, para a protagonista de A Morte Convida Para Dançar a tão aguardada noite acaba se tornando um pesadelo. Donna Keppel (Brittany Snow), após muito tempo se se divertir, aguardava ansiosamente pela festa de fim de ano da escola e planejava aproveitá-la ao máximo ao lado do namorado Bobby (Scott Porter) e de seus amigos Claire (Jessica Stroup), Lisa (Dana Davies), Ronnie (Collins Pennie) e Michael (Kelly Beatz), porém, tudo dá errado graças ao seu passado que volta a lhe atormentar. No início do colegial a garota teve aulas com Richard Fenton (Johnathon Schaech), um professor que se apaixonou por ela de maneira obsessiva, mas que não teve seu amor correspondido. Ele então passou a persegui-la achando que deveria a proteger de tudo e de todos que pudessem lhe causar algum mal, inclusive afastá-la de seus próprios pais que ele assassina friamente. O roteiro de J. S. Cardone, do suspense juvenil O Pacto, começa enfocando justamente esse brutal crime hediondo, o que deveria instigar o espectador a descobrir quais as consequências deste episódio. O problema é que a trama apenas requenta clichês de outros filmes de seriais killers, copiando inclusive seus defeitos não deixando de lado nem mesmo a figura do detetive metido a esperto, mas que no fundo é um idiota sem função na trama afinal qual a graça de uma produção do tipo quando já sabemos desde o início a identidade do vilão? Bem, nas mãos de gente talentosa isso não seria um empecilho, porém, sob os cuidados de despreparados a trama resume-se a uma bobagem que nem mesmo um clima adequado de tensão consegue estabelecer.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O CHEIRO DO PAPAIA VERDE

NOTA 10,0

Drama passado nas castigadas terras
do Vietnã mostra o amadurecimento
de uma jovem durante tempos difíceis,
mas que não perdeu sua inocência e sonhos
O cinema oriental nos últimos anos conseguiu extrapolar as barreiras do cult e chegar ao grande público graças a grande projeção de obras como O Tigre e o Dragão, Herói, O Clã das Adagas Voadoras e Memórias de Uma Gueixa, porém, hoje até é possível observar um leve retrocesso na procura de filmes asiáticos por parte dos espectadores, sendo que a maior parte das obras do tipo fica restrita ao circuito alternativo de exibição ou são lançadas diretamente em DVD. Na década de 90, os filmes produzidos do outro lado do mundo chegavam até nós graças aos prêmios e indicações que conquistavam, o que reforçavam sua publicidade, mas ainda assim a procura não era suficiente. Felizmente, sempre existiram distribuidoras com o intuito de levar raridades aos países mais distantes e foi assim que alguns cinéfilos ficaram conhecendo a cultura dos povos dos olhinhos puxados. Entre alguns dos títulos lançados na época encontramos algo inusitado, O Cheiro do Papaia Verde, um filme poético passado no Vietnã. Sim, o país eternamente associado à imagem das atrocidades de uma guerra também faz cinema, aliás, com conteúdo e imagens deslumbrantes. Na realidade esta é uma produção franco-vietnamita escrita e dirigida por Tran Anh Hung. Dividindo os elogios entre a França e o Vietnã, a obra participou de festivais e ganhou alguns poucos prêmios, mas o suficiente para transformá-lo em um título cultuado, ainda mais após a indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A obra segue a receita das grandes produções de estilo oriental. A estética, o texto e o ritmo parecem ser comandados por uma única pessoa de tão perfeita que é a harmonia entre eles. Trilha sonora tranquila, cores sutis, fotografia impecável e interpretações que nos fazem acreditar realmente que uma imagem vale mais que mil palavras. No mesmo estilo de seu contemporâneo Como Água Para Chocolate, aqui a comida é um adorno essencial para falar de relacionamentos, o que explica o seu curioso título.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

STIGMATA

NOTA 4,0

Com tema polêmico, longa
tenta se equilibrar entre sérias
discussões sobre fé e sustos
fáceis para prender atenção
Explorar questões sobrenaturais sempre rendeu muito dinheiro à indústria do cinema, principalmente para o norte-americano, mas quando se pretende lidar com o tema aliado aos mistérios que envolvem a religião católica a coisa complica. Tratar de assuntos bíblicos em filmes que na verdade pretendem provocar sustos é como mexer numa ferida e no caso de Stigmata literalmente é o que acontece. A trama escrita por Tom Lazarus e Rick Romage começa em uma cidade no sudoeste do Brasil chamada Belo Quinto (vilarejo fictício e que nos envergonha ao mostrar nosso país com ares de terras mexicanas ou de algum lugar parado no tempo), local que recebe a visita do padre Andrew Kiernan (Gabriel Byrne). Ele foi mandado pelo Vaticano para investigar o caso de uma igreja que abriga a estátua de uma santa que verte lágrimas em sangue. Curiosamente, o estranho fato começou a ocorrer no dia em que o padre responsável pela basílica faleceu. Enquanto Kiernan fotografava a escultura um garoto furtou um rosário que estava junto ao corpo do falecido e vendeu o artefato para uma desavisada turista que o envia de presente para Frankie Paige (Patricia Aquette), sua filha que vive em Nova York. Ela é uma jovem cabeleireira que leva uma vida pacata, mas desde que recebeu o tal presente uma série de estranhos acontecimentos começaram a lhe perturbar. Em pouco tempo ela passa a ser vítima de estigmas, fenômeno que provoca feridas idênticas às que marcaram a crucificação de Jesus Cristo e que supostamente acometem algumas pessoas de uma hora para a outra. Seriam sinais de dádiva ou de algo demoníaco? Para Frankie tais chagas representam um terrível pesadelo que desvirtua seu cotidiano completamente.

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