terça-feira, 31 de dezembro de 2013

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

NOTA 9,0

Drama mostra lado pouco
esplendoroso da Índia através da
história de rapaz de origem humilde
que literalmente vence na vida
Entra ano e sai ano e muita gente continua com suas simpatias e rituais em busca de ajuda para conseguir uma vida financeira confortável. Bem, já que a maioria tem esse desejo, a dica é fechar o ano assistindo Quem Quer Ser Um Milionário?, elogiada e premiada produção americana que mostrou ao mundo uma Índia realista, pobre, repleta de problemas, mas ainda assim com uma população esperançosa. A sugestão não é só pelo fato de ter dinheiro envolvido na história, mas principalmente pela mensagem de otimismo e reflexiva que o filme nos deixa. A câmera do eclético diretor Danny Boyle apresenta o cotidiano do povão que por coincidência não difere muito da realidade das áreas menos favorecidas brasileiras. Até mais interessante que o próprio filme em si é a sua trajetória desde a concepção até o clímax, a festa do Oscar. Um diretor que já trabalhou com a juventude rebelde, lidou com zumbis, frequentou uma ilha aparentemente deserta e se aventurou pela ficção científica em uma época em que o gênero estava praticamente sepultado, só prova que ele não tem medo de experimentar, testar novos temas e ambientações. Por isso não é para se estranhar a sua audácia de voltar suas atenções para um país pouco conhecido e procurar o que havia de mais comum e pobre por lá. O que é espantoso mesmo é a recepção acalorada do público e crítica americana a uma obra com diversos diálogos em língua estrangeira, o hindu, o idioma oficial da índia, o que exige o uso de legendas, coisa que os ianques detestam. E o fenômeno não foi só por lá. Com uma mensagem universal, o longa fez uma carreira brilhante por onde passou e conquistou quase todos os prêmios disponíveis da temporada. O único senão é que o elenco foi esnobado nessas festas, algo já esperado por serem desconhecidos até então e pela origem indiana (foram selecionados entre os populares e aprenderam a atuar “pegando no batente”). Curiosamente, na própria Índia houve rejeição a este trabalho, muito porque condenaram a opção de explorar o universo de favela, mas se a história exige tal cenário não se pode fazer nada. Se a ambientação causa incômodo por expor mazelas sociais, o cinema nada mais fez que mostrar a realidade. Queixas devem ser direcionadas a governantes e afins para mudar esse quadro. O realismo da obra se deve muito ao auxílio do dramaturgo e cineasta indiano Loveleen Tandan, contratado para ceder uma minuciosa pesquisa sobre seu país, mas cuja importância foi tanta que acabou recebendo o crédito de co-diretor.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FIM DOS DIAS

NOTA 2,5

Excessivamente longo e com tema
repetitivo, longa foi apenas mais uma
produção oportunista a explorar o medo do
fim do mundo às vésperas do novo milênio
O final do ano de 1999 foi atípico. um misto de entusiasmo e tensão pairava no ar em todos os cantos do planeta. A chegada do ano 2000, também confundida com a virada para o novo milênio que na verdade aconteceria somente no reveillon seguinte, era embalada por diversas teorias apocalípticas a respeito do fim do mundo e cientistas e especialistas em informática se preparavam para passar a ceia de plantão com o intuito de evitar o chamado bug do milênio, uma falha de alguns softwares que poderiam não atualizar a mudança de data corretamente e acabar retrocedendo o relógio no tempo trazendo graves problemas para alguns setores como, por exemplo, o financeiro que sofreria prejuízos com taxas de juros e prazos de cobranças absurdamente alterados. Para o pessoal de Hollywood pouco importava o impacto  no dia-a-dia das pessoas, o que estava em jogo era aproveitar o climão e soltar os demônios. Literalmente! E nem Arnold Schwarzenegger escapou dessa onda. Longe das telas desde o fracasso de Batman e Robin, o ator foi obrigado a ficar pouco mais de dois anos afastado do trabalho por conta de uma cirurgia cardíaca e seu retorno foi marcado pelo oportunismo. Autoexplicativo até no título, Fim dos Dias é uma colcha de retalhos e não deixa dúvidas quanto a razão de ter sido produzido. No final daquele ano muitas produções foram lançadas a toque de caixa explorando temáticas sobrenaturais, a maioria descaradamente reciclando porcamente o argumento do Diabo vindo à Terra para procriar. O longa dirigido por Peter Hayams, de Timecop - O Guardião do Futuro, bebe nessa fonte e não desperdiça nenhuma gota. Tudo que já se viu em outros filmes do tipo é reaproveitado. Schwarzenegger interpreta Jericho Cane, um ex-policial que após perder a esposa e filha em um assalto planejado perdeu totalmente a fé e agora vive depressivo e entregue ao vício em bebidas. O perfil é bastante manjado, mas dramático demais para o talento restrito do ator mais acostumado a lidar com armas do que com pessoas.

sábado, 28 de dezembro de 2013

SEQUESTRO SEM PROVAS

Nota 2,0 Com final tolo, longa prova que um filme pode se auto-detonar em poucos minutos

Filmes menores a respeito de sequestros costumam entreter, ainda mais quando a vida de uma criança bonitinha está em jogo, mas as pretensões de ser um suspense daqueles que dão nós na cabeça do espectador podem atrapalhar. Com estética e narrativa típicas de telefilmes, não há muito que se esperar de Sequestro sem Provas a julgar por sua curtíssima duração. A trama começa com Beck (Jennifer Beals – estrela dos anos 80 tentando sobreviver com seu suposto talento como atriz), uma agente do FBI envolvida com um caso que não terminou bem, mas sim com duas mortes. Após os créditos iniciais, diga-se de passagem, bem longos para encher linguiça, a ação volta três dias antes para mostrar o início de um novo e aparentemente normal dia para a família Waters. Teria algo a ver a introdução e esse clã? Pode ser que sim ou pode ser que não. Apesar de muitos já sacarem a relação entre essas cenas, o roteiro de David Robbeson consegue intrigar o espectador até pouco mais da metade com o perfil de Beck, uma mulher que parece esconder um grande mistério, algo ligado a sua saúde mental devido a algum fato traumático que viveu recentemente, podendo inclusive ser o malfadado caso do início. Ela é destinada a investigar o caso do desaparecimento de Megan (Olivia Dallantyne), a filha pequena de Julia (Shauna Black) e Mike Waters (David Storch). O casal aparentemente vive feliz como garotos propagandas de margarina, mas aos poucos vamos conhecendo pequenos detalhes dessa união que colocam em xeque tal felicidade. O marido parece se dedicar demais ao trabalho, inclusive o sequestro da garotinha se deu durante mais uma de suas viagens profissionais.  Estranhamente seu sócio, Ben Tomlisson (Stuart Hughes), há tempos não viaja alegando passar mal em voos. Com a ajuda de seu companheiro de trabalho Andy (Jonathan Goad), Beck começa a suspeitar de que o rapto claramente foi feito por alguém que conhecia bem a família, afinal em meio a uma importante negociação que Mike fecharia durante a viagem à Nova York, nada mais apropriado que pedir um polpudo resgate. Beck ainda tem a sorte de contar com uma espécie de poder mediúnico que a faz ver imagens do sequestro com riqueza de detalhes, mas o rosto do criminoso obviamente não aparece afinal algum mistério tem que ficar no ar.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

OPERAÇÃO PRESENTE

NOTA 9,0

Família Noel procura modernizar
seu esquema de entrega de presentes,
mas quando há uma falha a salvação
para o Natal pode ser o tradicionalismo
Dia 25 de dezembro, é Natal, e os chatos de plantão podem reclamar a vontade, mas não dá para comemorar a data sem curtir um filminho natalino. Todos sabem o que vamos encontrar neles e talvez seja justamente a repetição de mensagens edificantes o que torna tal programa irresistível em uma época em que a maioria está embriagada pela valorização do espírito de união, amor e solidariedade. Geralmente com roteiros que flertam com o drama e a comédia, basicamente tais obras lidam com o tema da recuperação do conceito original desta data festiva e a animação Operação Presente não foge à regra, mas basta um pouco de criatividade para dar certo ar de novidade à produção. Como o Papai Noel entrega tantos presentes em todo o mundo em uma única noite? Tentando responder a essa pergunta que milhares de crianças certamente fazem todos os anos, este desenho traz toques de modernidade em sua narrativa como uma mega operação de confecção e distribuição de presentes com o que há de mais moderno e o sempre necessário núcleo familiar disfuncional desta vez é representado pelos próprios parentes do bom velhinho. A narrativa nos apresenta à Arthur, o filho do Papai Noel, este que não é um milenário ancião como muitos pensam. Ele é o vigésimo homem de uma mesma linhagem a ocupar a vaga ao longo de mais de mil anos de distribuição de presentes, mas as coisas se complicaram comparando-se os dias de hoje com os primórdios desta atividade. A população mundial cresceu de forma descomunal tornando inviável a entrega de todos os presentes ao longo da madrugada natalina, nem mesmo com todo o clã Noel se esforçando ao máximo. Assim, hoje o aposentado e rabugento Vovô Noel, a prestativa Mamãe, o aficionado por tecnologia Steve, apontado como o sucessor do bom velhinho, o próprio Papai, Malcolm, em seus últimos dias usando a roupa vermelha, e ainda o caçula desajeitado Arthur, além de milhares de elfos, viajam em uma moderna e potente aeronave e comandam uma estratégica operação para entregar os brinquedos, praticamente um plano de guerra. O metódico Steve é quem organiza tudo, contudo, mesmo com todo o seu perfeccionismo as coisas não saem como esperado.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

UM NATAL MUITO, MUITO LOUCO

NOTA 7,0

Casal deseja fugir dos festejos
de Natal, mas na última hora
precisam organizar uma ceia e
recuperam o espírito de amizade
Hoje é véspera de Natal, dia de muita correria e compras de última hora. Em outras palavras, dia de muito estresse, mas a noite vem a calmaria e as alegrias e emoções devem predominar. No Brasil não temos o mesmo fanatismo que os americanos têm com esta festa cristã, mas ainda assim muitas pessoas vivem o clima natalino intensamente meses antes. Para elas todas aquelas enxurradas de reprises de comédias e dramas típicos de fim de ano na televisão são uma dádiva. Para quem ainda sente apreço pela comemoração, mas todo o ano promete que da próxima vez vai fazer algo diferente entre os dias 24 e 25 de dezembro, certamente se identificará com o casal protagonista de Um Natal Muito, Muito Louco, longa que já pode ser considerado um clássico natalino tal qual Férias Frustradas de Natal, figurinha carimbada na TV praticamente todos os anos há várias décadas. Ambos tratam do respeito e cultivo das tradições, do espírito de solidariedade e de família unida, mas claro que tudo temperado com muito humor. A receita é muito simples e agrada em cheio quem curte essa data festiva justamente por tirar um sarro daqueles que tentam manter o espírito de harmonia e solidariedade quando a reunião familiar se resume em uma sucessão de equívocos e bolas foras dos parentes queridos. Obviamente não é um tipo de produção que agrada a todos os tipos de plateia, pois investe em humor pastelão, mas convenhamos quem não tem pelo menos uma história engraçada ou tragicômica que ocorreu na ceia ou no almoço de Natal? É curioso, mas em meio ao corre-corre das compras de presentes e dos ingredientes dos pratos tradicionais, os filmes que acompanham esse clima não chamam muito a atenção aqui no Brasil, pelo menos quando exibidos nos cinemas. Pode ser o fato da ambientação contrária a nossa, branquinha e fria pela neve, a repetição de situações cômicas ou a mensagem clichê de esperança e amor que deixam no final, mas é certo que dá para contar com os dedos de uma mão só os títulos que trabalham o tema e que escapam do crivo do público e crítica sem serem extremamente chamuscados, como O Grinch e O Expresso Polar, ambos com características visuais evidentes para se sobressaírem no farto cardápio de filmes com histórias parecidas em cima da expectativa da chegada do Papai Noel. Para os produtores americanos os batidos filmes do tipo podem significar a salvação da lavoura quando o ano não rendeu boas bilheterias, por isso eles ainda continuam sendo feitos anualmente.

domingo, 22 de dezembro de 2013

UM HÓSPEDE DO BARULHO

Nota 6,0 Mesmo com trama previsível, longa ainda diverte e alimenta a nostalgia dos anos 80

Os anos 80 foram repletos de filmes bobinhos que acabaram virando sensação e hoje são alvo da atenção de nostálgicos. O grande segredo destas obras talvez fosse a sinceridade com que elas eram concebidas, sendo que muitas eram lançadas sem grandes pretensões, apenas servir como uma diversão ligeira para toda a família, mas o sucesso acabava superando expectativas como é o caso de Um Hóspede do Barulho, comédia simplória cujo tema guarda algumas semelhanças com o clássico E.T. – O Extraterreste, obviamente guardada as devidas proporções. Em ambos os filmes uma curiosa criatura é acolhida por uma família carismática, mas que não consegue manter este segredo por muito tempo. Certa vez os Henderson estavam voltando para casa após alguns dias de descanso no campo, mas foram surpreendidos na estrada por uma gigantesca e estranha criatura que acaba sendo atropelada por George (John Lithgow). Ao verificarem no que bateram, todos acreditam que encontraram o lendário Pé Grande e resolvem levá-lo para a cidade visando tirar algum proveito da situação, mas a criatura não está morta, pelo contrário, está bem viva. Após o estranhamento inicial, pouco a pouco todos nesta família vão percebendo que ele não é agressivo, pelo contrário, é até muito dócil como um cãozinho e tem os olhos cativantes e curiosos de uma criança que está conhecendo o mundo. George então batiza esta espécie de gorila de Harry e decide mantê-lo em casa para protegê-lo, mas o estranho no ninho começa a explorar o novo território e não demora para que outras pessoas o conheçam e para que os boatos sobre sua presença na vizinhança alerte caçadores e a imprensa de plantão, assim podendo ser declarada a perseguição a este animal que pode ser o único de sua espécie vivo.  Devorando peixinhos do aquário e as plantas dos vasos, quebrando portas e degraus da escada entre outras estripulias, Harry provoca cenas previsíveis com uma inocência que infelizmente não condiz mais com nossa realidade, talvez algo ultrapassado até para a época de lançamento quando os games e videoclipes já anestesiavam crianças e adolescentes com altas doses de adrenalina, cores e sons. De qualquer forma, o relativo sucesso e o apelo popular do longa acabou originando um seriado que durou três anos e foi exibido no Brasil pela Rede Globo no início da década de 1990.

sábado, 21 de dezembro de 2013

REFÉNS DO MAL

Nota 5,0 Suspense sem grandes sustos é mero produto para publicidade do protagonista

Crianças endemoniadas parecem um fetiche do cinema de horror. Símbolos de pureza e inocência, realmente até hoje não deixa de ser impactante ver guris que giram a cabeça, com olhar macabro, se automutilando ou atentando verbalmente contra a moral e a crença religiosa. Bem, o demoniozinho de Reféns do Mal vem em embalagem mais econômica, sendo a fixação de seus olhos, cara séria e dom para premonição suas principais armas para amedrontar, mas no caso ele só mete medo em quem merece. Será mesmo? Não há como falar sobre esta produção assinada pelo diretor Stewart Hendler sem revelar seu grande trunfo que na realidade não é nenhum truque para surpreender o espectador, mas sim a matéria-prima do roteiro de Christopher Borrelli. David (Blake Woodruff) é um garoto de oito anos filho único da Sra. Sandbom (Teryl Hothery), uma jovem e rica viúva que sempre o mimou com presentes e fez suas vontades, mas ainda assim ele parece sério demais. No dia de seu aniversário, em pleno período natalino, comparece a sua festa um animador vestido de Papai Noel que na verdade não é do ramo. Ele é Max (Josh Holloway), um ex-detento que aprendeu a cozinhar na prisão e agora que está livre sonha em abrir um restaurante com a noiva Roxanne (Sarah Wayne Calles), mas devido ao seu histórico criminal será difícil conseguir financiamento para o projeto, assim ele cai na tentação de fazer um último serviço sujo para um desconhecido que só consegue contatar pelo telefone: sequestrar David e em troca pedir um polpudo resgate. O rapto dá certo e com a ajuda da noiva e dos comparsas Vince (Joel Edgerton) e Sidney (Michael Hooker), Max aprisiona o garoto nas acomodações de um acampamento que está fechado provisoriamente devido ao inverno rigoroso. O futuro casal trata o menino de forma mais amigável, pois desejam que tudo acabe bem para todos, mas são alertados de que não devem se afeiçoar a ele. De qualquer forma, bastava um primeiro contato com a milionária que ela não se negaria a pagar uma fortuna para ter seu pimpolho de volta, mas as coisas saem dos trilhos.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A MENINA E O PORQUINHO

NOTA 7,0

Adaptação de clássico literário
infantil pode soar inocente demais
para os novos tempos, mas sua
essência ainda é encantadora
Já faz algum tempo que os adultos estão invadindo a praia das crianças e curtindo desenho animado. Aliás, essas produções às vezes agradam mais aos pais que os próprios filhos ou propositalmente os estúdios já realizam as animações visando essa ampliação espontânea de público. Porém, quando a magia do universo infantil deixa o colorido dos desenhos de lado e é transportada para os filmes com atores de carne e osso o resultado não é o mesmo. Os adultos tendem a não se entreter com piadas batidas, enredo melancólico próprio para dar lições de moral aos pequenos e atuações consideradas fracas, a receita que frequentemente é utilizada neste tipo de produção. Pior ainda quando há bichinhos falantes na trama e os realizadores se concentram tanto em tornar críveis tais criaturinhas que acabam conseguindo um resultado frustrante, pois se esquecem de encontrar um equilíbrio com os demais elementos da produção. Contudo, algumas vezes esses filminhos água-com-açúcar podem ser perfeitamente assistidos e com prazer pelos mais crescidinhos graças ao trunfo da nostalgia que carregam em sua essência. É nesse ponto que A Menina e o Porquinho, protagonizado por Dakota Fanning, consegue um reforço. Esta é mais uma adaptação do clássico livro infantil "A Teia de Charlotte", de E. B. White, que já ganhou uma famosa versão em desenho animado em 1973 que foi repetida a exaustão na TV pelas duas décadas seguintes em todo o mundo. A garotinha que outrora era uma grande promessa de Hollywood interpreta Fern, uma das poucas pessoas a perceber que Wilbur não é um simples porquinho da fazenda onde vive, mas sim um animal muito especial. Com seu carinho e atenção, a garota ajuda o bichinho, que era o menor membro de sua família, a se tornar um porco vistoso e radiante. Quando se muda para um novo celeiro, Wilbur faz amizade com a aranha Charlotte e os laços de amizade entre eles influenciam para que os demais animais da fazenda vivam como se fizessem parte de uma grande e feliz família. Porém, o tempo passa e Wilbur cresce e está a caminho do triste fim de qualquer porquinho criado com tudo de bom e do melhor: virar assado. Quando surge a notícia de que em breve ele será abatido, a esperta e sensível aranha arma um plano para retardar a morte de seu amigo suíno.

domingo, 15 de dezembro de 2013

DUPLEX

Nota 9,0 Humor negro e piadas escrachadas pontuam comédia em que veterana dá um show

Quem não tem ao menos uma história engraçada ou irritante envolvendo um velhinho sem noção ou literalmente pentelho que atire a primeira pedra. É fato que conforme a idade avança o idoso acaba perdendo um nível considerável de sua capacidade intelectual e bom senso, mas alguns representantes dessa faixa etária muito bem de saúde acabam se aproveitando da generalizada condição para se dar bem e tirar o melhor proveito da situação. É mais ou menos nisso que provavelmente pensou Danny DeVito ao aceitar dirigir Duplex extraindo o máximo de humor de situações anárquicas do início ao fim. A direção não poderia ser de outra pessoa que não uma experiente no campo do humor. Aos politicamente corretos, que fique claro que a índole da personagem idosa do filme não deve ser encarada como uma ofensa as pessoas acima dos 60 anos, até porque no final existe uma justificativa hilária para seu comportamento no ágil e eficiente roteiro de Larry Doyle. Quem é ela? A senhora Connelly (Eileen Essel) é a inquilina de Alex Rose (Ben Stiller) e Nancy Kendricks (Drew Barrymore), um jovem casal que tinha um sonho de consumo: ter um belo duplex no famoso bairro do Brooklyn, na cidade de Nova York. Quando eles enfim encontram o apartamento dos seus sonhos, precisam enfrentar um problema que pouco a pouco torna-se um perturbador pesadelo. A antiga e simpática moradora do segundo andar se recusa a deixar o local e pelas leis do inquilinato americano ela não pode ser despejada. O casal tenta viver pacificamente com a vizinha, mas a senhora apronta tudo que pode e mais um pouco para deixá-los irritados 24 horas por dia literalmente. Até mesmo quando eles tentam dormir a velhinha está com todo pique para aprontar algo. Assim, o casal passa a perceber o real preço de seus sonhos, mesmo com o acréscimo do dinheiro do aluguel que recebem dela. No limite da situação, para conseguirem finalmente o imóvel só para eles, Alex e Nancy começam a planejar várias tentativas de tirá-la do local e pensam até mesmo em matar a aparente doce velhinha.

sábado, 14 de dezembro de 2013

SEGREDOS NA NOITE

Nota 4,0 Boa premissa e bons ganchos são desperdiçado em suspense arrastado e sem clímax

Robin Williams é um ator sinônimo de comédia devido aos seus trabalhos consagrados no gênero, no entanto, seu talento também já foi emprestado com sucesso a dramas e suspenses, mas é uma pena que nem sempre essa fuga do terreno seguro seja proveitosa como prova Segredos na Noite. O problema não é especificamente o ator, que está cativante como de costume, mas seu personagem é limitado demais para os conflitos que carrega, assim como a história criada por Armistead Maupin, Terry Anderson e Patrick Anderson que parece nunca sair do lugar. Muitas cabeças para pensar em um roteiro tão fraquinho e que poderia ser perdoado caso o clímax compensasse, mas parece que nunca chegamos a tal ponto. O que poderia ser um suspense razoável acaba sendo mais parecido com um drama arrastado por vezes sustentado a um fiapo de enredo. Contudo, existem bons ganchos na trama, porém, extremamente mal aproveitados. Baseado em fatos reais que deram origem a um romance do próprio Maupin, a trama gira em torno de Gabriel Noone (Williams), o apresentador de um famoso programa noturno de rádio no qual faz relatos sobre assuntos cotidianos e conquistou uma audiência cativa ao expor seu relacionamento com Jess (Bobby Cannavale), um homossexual portador de HIV e muitos anos mais jovem. A exposição fez com que a relação dos dois estremecesse e o rapaz decide ir embora de casa e nesse momento difícil o radialista acaba se entretendo com uma misteriosa história. Ele recebe do amigo Ashe (Joe Morton) o esboço de um livro redigido por um grande fã seu, Pete Logand (Rory Culkin), um adolescente de 14 anos que relata os abusos que sofreu dos próprios pais que realizavam orgias com outros adultos e as filmagens eram vendidas pela internet. Após tais crimes serem descobertos, a justiça determinou que o garoto fosse criado pela assistente social Donna (Toni Collette) com quem Noone passa a manter contato por telefone. A identificação acontece principalmente porque o garoto também é aidético, mas não teve chances de se tratar como Jess, assim ele constantemente é internado no hospital por conta de complicações respiratórias e tinha nas palavras de seu ídolo o conforto necessário para suportar a doença.

domingo, 8 de dezembro de 2013

LOUCURAS NA IDADE MÉDIA

Nota 3,0 Com previsíveis piadas, comédia se apoia em ator limitado a caretas e exageros corporais

Eddie Murphie, Cuba Gooding Jr., Chris Rock... Existem ótimos atores negros que encontraram na comédia seu território seguro. É uma pena que com o tempo o chão tende a ruir. Em Hollywood parece uma regra catapultar ao sucesso em velocidade recorde e tão logo puxar o tapete, só assim para explicar a quantidade de filmes bobos que se limitam a explorar o jeitão descolados de seus astros, algo que por vezes descamba para um lado preconceituoso exaltando a malandragem. Martin Lawrence virou estrela da noite para o dia com Vovó... Zona e com a publicidade e milhões que faturou bem que poderia ter recusado fazer Loucuras na Idade Média. Pelo título mirabolante ganho no Brasil já dá para ter ideia do que se resume a fita. Lawrence dá vida à Jamal Walker, um bonachão que trabalha em um parque de diversões de temática medieval que está caindo aos pedaços e que em breve deve ser soterrado com a concorrência de um novo complexo nos mesmos moldes que está para ser inaugurado em local próximo. Só com essa informação já dá para ver que criatividade não é o forte dos roteiristas Darryll Quarles, Peter Gaulke e Gerry Swallow,  até porque tal conflito não influi absolutamente nada na trama que claramente é construída para o protagonista usar e abusar de caras e bocas. Os primeiros minutos que o mostram se divertindo na frente do espelho escovando os dentes de forma bizarra comprovam isso e servem como um convite para deixar o filme de lado. Para quem quiser arriscar, vamos lá. Enquanto limpava um córrego que atravessa o parque sem explicação alguma vai parar na Inglaterra do longínquo ano de 1328, um mundo comandado por um rei impiedoso e habitado por cavaleiros vestidos em imponentes armaduras e donzelas indefesas. Inicialmente Walker acha tudo bastante divertido, acredita já estar no novo parque e até se espanta com o realismo dos cenários e roupas, e quando ajuda Sir Knolte (Tom Wilkinson), um cavaleiro bêbado, acredita que ajudou um simples sem-teto. Mesmo quando é recebido com toda pompa pelo rei Leo (Kevin Conway) e demais nobres, Walker ainda acredita estar em meio a atores ensaiando uma das atrações do parque. Contudo, ele é confundido com um mensageiro da Normandia envolvido em uma conspiração para matar o tirano líder a mando do noivo da princesa do reino, Regina (Jeannette Weegar).

sábado, 7 de dezembro de 2013

ESPÍRITOS FAMINTOS

Nota 3,5 Apesar de ser razoável, suspense não foge do clichê do fantasma que quer vingança

A onda de cinema de horror que enriqueceu os cofres e a cinematografia do oriente trouxe, apesar de muita bobagem no meio, alguns aspectos interessantes da cultura de países que levam a sério rituais funerários e a crença de que mortes violentas levam os espíritos a clamarem por vingança. O descanse em paz não é apenas uma frase de consolo, mas um objetivo que os vivos devem ajudar os desencarnados a conseguir e o filme Espíritos Famintos mostra um dos vários rituais usados para este fim. Jason Tsai (Terry Chen), a esposa Sarah (Jaime King) e o filho Sam (Regan Oey), de apenas seis anos, viajam para Xangai, na China, bem na época que se comemora o Mês do Fantasma Faminto. Eles saem do Canadá e vão para o funeral de um tio do rapaz que morreu inesperadamente e que deixou como herança para Mei (Pei-Pei Cheng), sua viúva, uma fábrica. Jason foi criado por essa família cujo patriarca era conhecido por fundar uma sociedade benevolente e também era chamado de “O Coletor de Ossos”, já que ele exumava os ossos de imigrantes e os enviava de volta a seus países de origem para serem enterrados junto aos demais familiares. Logo que chega à terra natal de seu pai Sam começa a ser atormentado por aparições de espíritos e é alertado por um nativo que o garoto e sua mãe têm almas sensíveis e que poderia ser muito perigosa a estadia em território chinês. Justamente naquele mês abria-se uma espécie de portal que dava acesso aos mortos ao mundo dos vivos, mas algumas dessas almas poderiam ser atormentadas e transformarem-se em demônios que infernizariam as vidas daqueles que os notasse. Dito e feito. Após relatar estar sendo perseguido por uma jovem fantasma, o garoto misteriosamente entra em um coma profundo de uma hora para a outra e os médicos não conseguem explicar o que há de errado com ele. Ao mesmo tempo que lida com o medo da morte do filho, Sarah ainda tem que aguentar a frieza e mau humor da tia Mei, com quem desde o início troca farpas, e tentar descobrir de quem é e o que quer o espírito que atormenta sua família.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ONDE VIVEM OS MONSTROS

NOTA 7,5

Drama travestido de filme de
fantasia é carregado de
significados e com belo visual,
mas ritmo lento prejudica
Existem filmes que são difíceis de serem classificados em um gênero específico, ainda mais quando existe um improvável casamento entre o enredo e o aspecto visual da fita. Um bom exemplo é Onde Vivem os Monstros, produção dramática travestida de fantasia cujas imagens podem chamar a atenção das crianças, porém, a decepção delas é praticamente uma certeza, quiçá tal sentimento também se manifeste entre os adultos. Este filme pode ser encarado como um projeto experimental ou simplesmente como uma continuidade do estilo do cineasta Spike Jonze. Em seus trabalhos anteriores, Quero Ser John Malkovich e Adaptação, ele já demonstrava apreço por histórias criativas e complexas e neste caso quis explorar o universo infantil, mas obviamente a seu modo particular. Seguindo um conceito na linha de O labirinto do Fauno, o diretor adentra na mente de um garoto problemático que encontra refúgio em um mundo imaginário para esquecer-se de suas angústias. A trama roteirizada por Jonze em parceria com Dave Eggers tem como protagonista Max (Max Records), um garoto que parece se sentir um peixe fora d’água. Não é preciso muito para compreender que se trata de uma criança-problema. O início tumultuado e a câmera propositalmente trêmula fazem alusão ao seu comportamento hiperativo, possivelmente uma tática para chamar a atenção. Aproveitando a neve no quintal, ele constrói um iglu e sua euforia por tal feito reflete sua necessidade de respirar novos ares e de ser notado, pena que tal alegria dura pouco e termina por pura maldade. Ele é ignorado pela irmã e os amigos dela e não se conformou com o recente divórcio dos pais. Connie (Catherine Keener), sua mãe, tenta lhe dar atenção, mas também tem sua vida para tocar e quando recebe em casa um amigo (Mark Ruffalo) não tolera a indisciplina do menino e o repreende severamente. Max, vestindo uma fantasia de lobo como parte do plano para provocar, acaba fugindo de casa e magicamente pega carona em um barco que o leva a enfrentar o vasto oceano e suas ondas traiçoeiras até chegar a uma misteriosa ilha. Explorando o local, ele encontra uma comunidade de monstros que observa a distância, mas quando descoberto ele tira proveito de sua lábia e da fantasia que usava para convencê-los que não pode ser devorado por ser dotado de poderes mágicos, o que o faz ser confundido como um rei, o líder que eles tanto aguardavam. Sua grande tarefa é evitar que a tristeza tome conta do lugar, assim ele passa a criar uma série de brincadeiras e situações para mantê-los entretidos torcendo para que sua mentira não seja descoberta.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

AS AVENTURAS DE MOLIÈRE

NOTA 8,5

Com requinte visual, longa é uma
leve viagem por certo período
da vida do famoso artista francês,
mas com algumas liberdades
A vida de muitos pintores, poetas, músicos, escritores e tantos outros artistas das mais variadas áreas já instigaram cineastas a retratar suas vidas ou ao menos partes delas no cinema, principalmente aqueles que conseguiram levar seus nomes para fora de seus países de origem através de suas obras ou que tiveram trajetórias marcadas por tragédias, superações ou excentricidades. A comédia francesa As Aventuras de Molière traz a tona um episódio em particular da vida de Jean-Baptiste Poquelot, mais conhecido simplesmente como Molière, famoso dramaturgo que viveu no século 17 e que desde os primórdios da sétima arte já foi personagem de diversos filmes ou ao menos teve seu nome citado, tanto em dramas quanto em comédias, e ainda inspirou a construção de outros tipos de gênios das artes e/ou sedutores que marcaram presença nas telonas e nas telinhas. Com direção de Laurent Tirard, de A Noiva Perfeita, que também assina o roteiro em pareceria com Grégoire Vigneron, esta produção não se trata de uma biografia, mas sim de um relato de determinado período da vida do artista, diga-se de passagem, de suma importância para sua trajetória profissional, misturando fatos reais e toques fantasiosos acerca de casos amorosos. O desnecessário subtítulo dado no Brasil à fita, “um irreverente e adorável sedutor”, já denuncia o que podemos esperar: uma comédia romântica rica no visual e com história razoavelmente envolvente, mas que não quer inovar, apenas ser boa o suficiente para entreter por duas horas. O resultado divide opiniões, mas é inegável que com muita disposição o ator Romain Duris dá vida à Molière, jovem diretor, escritor e ator de textos teatrais que costumava zombar da nobreza em suas peças populares apresentadas em praças e tavernas animando as classes mais baixas. Diariamente, ele e sua trupe se tonavam mais famosos, mas eis que um dia a popularidade do rapaz chega ao palácio real e então é descoberto que ele devia ao governo muito dinheiro em impostos obrigatórios para manter seu grupo em atividade. Levado para prisão, pela primeira vez em muitos anos Molière acreditava que sua vida estava prestes a chegar ao fim, mas eis que seus débitos foram quitados por Monsieur Jourdain (Fabrice Luchini), um ridículo milionário que em troca do favor deseja a ajuda do artista para redigir e interpretar uma cena para cortejar uma bela moça da corte, Célimène (Ludivine Sagnier).

domingo, 1 de dezembro de 2013

RECÉM-FORMADA

Nota 2,0 Comédia romântica comete os grandes pecados do gênero: é sem graça e sem emoção

Existe algo pior que uma comédia romântica previsível? Para os detratores do gênero a resposta é sim, pois a lista de exemplos de produções do tipo que além de serem clichês não tem graça alguma e tampouco a trama romântica funciona é extensa. Esse é o caso de Recém-Formada, típico produto para preencher as tardes de ócio. Com roteiro de Kelly Fremon, a premissa já denuncia que não devemos esperar grande coisa da produção protagonizada por uma jovem adulta sonhadora. Ryden Malby (Alexis Bledel) não é mais uma colegial, pelo contrário, está se formando na faculdade e já tem planejado seu futuro (pelo menos os próximos meses). Vai conseguir um emprego em uma empresa respeitável, se mudar para um apartamento maravilhoso em uma agitada metrópole e se divertir o quanto pode com os amigos até que o homem da sua vida surja. Todos os seus sonhos começam a ruir quando uma colega da universidade, Jessica Bard (Catherine Reitman), consegue a vaga de trabalho que ela almejava e assim a jovem é obrigada a ficar morando com os pais, o teimoso Walter (Michael Keaton) e a despachada Carmella (Kelly Lynch), em sua pacata cidade natal. Sentindo que a cada dia a realização de seus desejos se torna mais distante e ainda tendo que aturar as excentricidades de sua avó Maureen (Carol Burnett) e as pentelhices do irmão caçula Hunter (Bobby Coleman), Ryden só consegue ter alguns poucos momentos de felicidade quando está acompanhada do seu melhor amigo Adam (Zach Gilford) ou do vizinho David (Rodrigo Santoro), pessoas que podem ajudá-la a traçar novos rumos para seu futuro. Bem nem é preciso dizer que o inseparável companheiro da moça é apaixonado por ela, esta que por sua vez não corresponde sua paixão preferindo investir no homem mais maduro e com pinta de galã latino. E mais uma vez nosso compatriota está fazendo uma ponta insignificante, mas de qualquer forma está inserido no cinema americano. Falando pouco, porém, marcando presença. O problema é que o longa é tão esquecível quanto a atuação tola de Santoro.

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