terça-feira, 30 de abril de 2013

DOCE LAR

NOTA 6,0

Embora não se aproveite da
fórmula do triângulo amoroso
tradicional, longa é previsível
e com algumas falhas agudas
Um título adocicado. Uma bela e cativante protagonista. Dois rapazes disputando seu amor. Para completar, um elenco coadjuvante simpático para pontuar os momentos cômicos e dar aquela palavra de solidariedade à mocinha quando ela chega ao ápice de seu dilema. Esses são os ingredientes do açucarado Doce Lar, mais um trabalho cuja receita foi escolhida a dedo no manual de comédias românticas de Hollywood. Se tal invenção realmente existisse em formato impresso certamente suas páginas já estariam bastante amarrotadas e emboloradas devido ao tempo e ao tanto de vezes que as fórmulas consagradas foram reutilizadas. Todavia, em menor ou maior grau, todas elas ainda conquistam público, como ocorreu neste caso, mesmo apostando na batida dúvida se a protagonista deve casar com o homem que pode lhe oferecer um futuro seguro ou arriscar em uma paixão repentina e avassaladora, mas cujo caminho a trilhar gera dúvidas. A grande, mas ironicamente despercebida diferença deste trabalho do diretor Andy Tennant, dos ótimos Anna e o Rei e Para Sempre Cinderela, é que os pretendentes da protagonista não chegam a brigar por ela, aliás, até boa parte do filme um deles não tem nem mesmo conhecimento da existência de um rival. A briga aqui é da mocinha com ela mesma, com seu próprio passado. Melanie Smooter (Reese Witherspoon) quando decidiu sair do pacato interior do Alabama rumo a agitada Nova York literalmente virou outra pessoa. Não só mudou sua maneira de agir e se vestir como também trocou seu nome pelo pomposo Carmichael. Sete anos mais tarde, ela já é considerada uma estilista famosa e está de casamento marcado com Andrew (Patrick Dempsey), ninguém menos que o filho da prefeita da cidade, Kate Hennings (Candice Bergen), esta que não aprova o namoro do filho com uma desconhecida. Procurando informações a respeita da jovem e sua família, a governante não descobre absolutamente nada, nem a favor e nem contra, o que explica o pavor de Melanie ao perceber que seu casamento já era destaque em toda a mídia. Não é só por ter nascido em um núcleo familiar simplório ou ter vivido até a adolescência em uma região campestre que ela tenta esconder seu passado, mas sim porque existe nele um ex-marido, porém, cujos laços matrimoniais ainda não foram desfeitos perante a Lei.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

PEQUENA MISS SUNSHINE

NOTA 8,0

Comédia independente caiu no
gosto popular e da crítica
apresentando uma galeria de
personagens problemáticos
Todos nós teoricamente temos o direito de fazer todas as escolhas possíveis para seu próprio bem, inclusive decidir entre ser um vencedor ou um perdedor na vida. Essa é a base da teoria de trabalho de um dos personagens de Pequena Miss Sunshine, mas este especialista em motivação deveria rever seus conceitos observando com mais atenção seus próprios familiares. Será que o sucesso ou o fracasso de um indivíduo pode estar atrelado à genética? Talvez após assistir a este filme cujas marcas registradas são uma família disfuncional fazendo uma longa viagem dentro de uma Kombi amarelo-ovo você comece a encontrar sentido nesta indagação. Esta agradável comédia vencedora de diversos prêmios que conta com uma ideia simples, humor afiado, elenco competente e uma cativante garotinha, foi um dos longas independentes mais aclamados por público e crítica dos últimos tempos e conquistou uma bilheteria invejável, algo raro de acontecer com produções feitas sem o respaldo financeiro de grandes estúdios. Todavia, a produção acabou tendo seus direitos adquiridos por uma grande distribuidora que apostou suas fichas nas indicações boca-a-boca após ela ter agitado o Festival de Sundance, assim o filme conseguiu atingir uma quantidade muito maior de espectadores. Mas será que esta comédia merece tantos louros e elogios? Essa avaliação depende do bom humor e da percepção de cada um. A história nos apresenta a família Hoover, pessoas que extrapolam no quesito excentricidade. Não que todas as famílias não tenham suas esquisitices, mas neste clã todos têm alguma característica peculiar, seja na personalidade ou no comportamento. Richard (Greg Kinnear) está tentando desesperadamente vender seu programa motivacional para atingir o sucesso, coisa que o próprio não tem como palestrante. Sua esposa Sheryl (Toni Collette) é otimista e tenta apoiar o marido e entrosar os demais familiares, incluindo seu deprimido irmão Frank (Steve Carell), um homossexual que acaba de tentar suicídio após uma desilusão amorosa. Os filhos do casal também estão longe de serem normais. Dwayne (Paul Dano) é um adolescente revoltado que fez voto de silêncio e Olive é uma garotinha bem fofinha que nem imagina que fisicamente está longe do modelo ideal para ser uma miss, mas mesmo assim deseja a todo custo participar de um concurso de beleza e talento infanto-juvenil, o que obriga a família toda a pegar estrada para uma viagem de alguns dias até o local do evento. Completando a turma de farofeiros, o avô paterno da garota, Edwin (Alan Arkin), vai junto a tira-colo após ser expulso de uma clínica onde estava internado por ser flagrado com drogas. Durante a viagem, essa família enfrentará muitos percalços e terá que deixar as diferenças de lado para realizar o sonho de Olive, de longe a mais sensata entre eles.

domingo, 28 de abril de 2013

MAMÃE VIREI UM PEIXE

Nota 7,0 Com trama ágil e animação tradicional, longa é prejudicado por temática genérica

Sinopse: A caminho de uma pescaria, Fly, sua pequena irmã Stella o primo deles Chuck descobrem por acaso o laboratório de um aloprado cientista, o Professor MacKrill, que está desenvolvendo uma poção que transforma seres humanos em peixes visando que no futuro o mundo todo poderá ser encoberto por água. A garotinha acidentalmente toma a invenção e é transformada em uma estrela do mar. Para tentar salvá-la, os dois meninos também tomam a poção, mas Fly acaba virando um peixe e Chuck uma água viva. Eles partem para o fundo mar para sobreviverem e encontrarem Stella que se perdeu, mas eles só têm 48 horas para tanto e para encontrarem o antídoto que também está perdido no oceano, caso contrário permanecerão como seres aquáticos para sempre. Para piorar, o frasco é encontrado pelo malvado peixe Joe que acaba tornando-se inteligente e passa a criar um exército de soldados para dominar o reino submarino.

sábado, 27 de abril de 2013

30 DIAS PARA O AMOR

Nota 1,0 Longa aborda a realização do sonho da fama repentina com todos os clichês possíveis

O acervo da “Sessão da Tarde” e também dos canais pagos, principalmente o da Disney que exibe suas próprias produções feitas exclusivamente para a TV, estão lotados de filmes água-com-açúcar que mostram garotas sonhadoras que da noite para o dia se tornam estrelas pop e de quebra conquistam seu príncipe encantado. Essa fórmula de sucesso é pré-histórica e já serviu para lançar muitas meninas que instantaneamente passaram a ser idolatradas por crianças e jovens, como Hilary Duff que aproveitava as oportunidades de atuar para também divulgar sua carreira como cantora. Com o fenômeno High School Musical a trinca adolescentes, música e filmes foi intensificada e mais e mais produções surgiram seguindo esse filão, porém, com raríssimas exceções, eles são apenas passatempos bobinhos para matar o tempo como é o caso de 30 Dias Para o Amor. Cole Thompson (Sean Patrick Flanery) é um caçador de talentos que tem exatos 30 dias para descobrir uma nova estrela da música pop-latina para apresentá-la em um festival e assim conseguir sua tão sonhada promoção na agência. Após uma definitiva reunião com seu chefe, é na recepção da própria empresa em que trabalha que o rapaz encontra por acaso a garota perfeita. Ou quase isso. Maggie Moreno (Camille Guaty) é uma desengonçada entregadora de encomendas que sonha em um dia ser uma diva da música e por isso não demora a aceitar a proposta do rapaz. Com um rostinho bonito e um corpo delgado, o resto dá-se um jeito. Ela se muda para a casa de Thompson para não perder um único minuto de todo o processo de preparação de uma jovem comum à estrela, mas conforme o tempo passa ambos percebem que os interesses de um pelo outro não são apenas profissionais, tudo como manda a cartilha do gênero. Porém, até a data de lançamento desta cantora muita coisa pode acontecer, mas alguém dúvida que nasce uma estrela? Investindo no clichê da latina que desponta no mundo da música, o roteiro de Laura Angelica Simon sofre de uma crise de originalidade e inteligência do início ao fim, resumindo-se a uma colcha de retalhos.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

BELEZA AMERICANA

NOTA 9,0

Drama explora a intimidade
de típica família americana
feliz e seus vizinhos, mas nem
tudo é tão belo quanto parece
Muitas vezes ficamos encantados quando vemos em filmes americanos aquelas casas bonitas, com jardins vistosos e localizadas em ruas tranquilas longe dos caóticos centros das metrópoles e sonhamos em levar uma vida igual a das personagens que ali vivem. Porém, o que parece tão perfeito da porta de casa para dentro pode ser bem diferente. Tais moradores parecem ricos, ter sucesso e qualidade de vida em todos os sentidos, mas seriam plenamente satisfeitos? Arruinar ou revelar a real imagem da família modelo americana tornou-se um tema comum no cinema nos últimos anos, de forma branda ou agressiva, muito por conta do sucesso que os longas independentes têm obtido. Embora tal temática já fosse explorada por vários filmes premiados em festivais menores ou alternativos, talvez o precursor dessa fase em termos de sucesso comercial tenha sido Beleza Americana, o trabalho de estreia do cineasta Sam Mendes que logo de cara abocanhou a tão sonhada estatueta do Oscar que muitos diretores veteranos faleceram desejando. Para tanto, ele não teve medo e optou por um roteiro forte e polêmico que destrói a imagem da família feliz ianque. Na época de seu lançamento parecia que o modismo da vez em Hollywood era retratar a realidade de forma nua e crua e sem direito a verniz. Temas espinhosos foram levados as telas pelos principais concorrentes a prêmios da temporada 1999/2000. Mendes teve a sorte de estar trabalhando sob a batuta da empresa de Steven Spileberg, a Dreamworks, e conseguiu uma campanha publicitária pesada para que seu longa figurasse nas principias listas dos melhores do ano. E não foram só os especialistas em cinema que aprovaram a crítica ácida feita ao povo norte-americano. Os próprios espectadores deram seu aval para esta produção que mostra de forma metafórica como a sociedade se torna frágil e sem objetivos conforme o tempo passa e o progresso chega. Ou seria o retrocesso? Bem, a segunda opção se adéqua melhor. Mesmo em tempos em que tudo parece permitido e existe movimentação para que o excêntrico e as vontades individuais sejam aceitas, a tradição e os costumes ainda falam mais altos e manter uma imagem perfeita e intacta ainda é necessário, mesmo quando na realidade se está infeliz. Para quem nunca assistiu ou leu algo a respeito deste filme, pode até parecer que a obra seja do início ao fim um achincalhe aos americanos, curiosamente bancada e festejada por pessoas do próprio país, mas certamente o conteúdo da obra reflete situações existentes em outras partes do mundo, inclusive o Brasil. Quantas famílias não existem atualmente em ruínas, mas ainda unidas em nome de interesses financeiros ou puro orgulho?

quinta-feira, 25 de abril de 2013

CARTAS PARA JULIETA

NOTA 6,5

Longa açucarado demais até
tem um bom início, mas seu
desenrolar torna-se cansativo
e romances não convencem
Assim como um livro consegue fazer uma pessoa viajar pelos lugares mais distantes ou fantásticos, um filme pode fazer o mesmo e muitas pessoas não resistem as produções filmadas em terras exóticas, históricas ou românticas. A Itália é um dos destinos mais procurados no roteiro das viagens cinematográficas e Hollywood sabe disso e vira e mexe está enviando seus talentos da frente e de trás das câmeras para filmarem por lá como é o caso do diretor Gary Winick que escolheu a ensolarada e pitoresca cidade de Verona, o palco da famosa história de Romeu e Julieta, para ser o cenário daquele que seria seu último trabalho (ele faleceu pouco tempo depois). Não por acaso o nome da protagonista da famosa obra de William Shakespeare também está contido no título de seu filme. Cartas Para Julieta é um romance com generosas doses de açúcar que se passa em um belíssimo cenário, adornado por um clima bucólico inquestionável e um roteiro bem convencional e previsível, ou seja, a fórmula perfeita para encantar os eternamente apaixonados e principalmente o público feminino, mas também certeiro para irritar os críticos especializados. Claro que quando uma produção se propõe a inovar e consegue fazer isso com sucesso é motivo para festejar e elogiar, porém, não se pode condenar e detonar um trabalho que assumidamente é repleto de clichês e oferece o prato feito convencional afinal de contas o longa provavelmente nunca teve as intenções de oferecer mais do que isso. Talvez se houvesse um fim trágico como no conto citado do escritor europeu este trabalho tivesse um respeito maior, não é? A história é bonitinha e para muitos esquecível em pouco tempo, mas é fato que o filme já se tornou um clássico romântico moderno caindo no gosto popular de forma instantânea, principalmente entre as adolescentes, até porque a protagonista é uma estrela em ascensão. Amanda Seyfried desde que estrelou o musical Mamma Mia tem emendado diversos trabalhos e aqui encontrou mais uma chance para perpetuar sua imagem de boa moça. Ela interpreta Sophie, uma jovem que é noiva do latino Victor (Gael Garcia Bernal). Eles decidem fazer uma viagem para a Itália para recuperar o romantismo da relação que não anda muito bem, porém, o rapaz quer ter seu próprio restaurante e se tornar um grande chef de cozinha, assim ele não resiste as tentações de conhecer a culinária, os vinhos e os temperos daquela terra. A namorada então acaba dispensando seu tempo livre ajudando um grupo de voluntárias a responder cartas pedindo conselhos amorosos endereçadas a "Casa de Julieta", um ponto turístico que realmente existe onde mulheres são recrutadas para manterem o vivo o mito da famosa personagem romântica e atrair curiosos.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

À PROCURA DA FELICIDADE

NOTA 7,5

Assumidamente piegas e
feito para levar o público às
lágrimas, drama surpreende,
muito por conta de Will Smith
No Natal, na Páscoa, no Dia das Crianças ou no inverno. Em datas festivas ou em períodos críticos do ano é muito comum que pessoas sozinhas ou em grupos se dediquem à caridade, seja colaborando com dinheiro, produtos alimentícios, roupas ou simplesmente doando seu tempo fazendo companhia a algum idoso necessitado ou brincando com uma criança que vive em um orfanato.  Tudo isso é maravilhoso e nos faz acreditar que o mundo ainda tem conserto graças a pessoas como essas de bom coração. Porém, não é apenas em datas estratégicas que nosso espírito solidário deve ser aflorado. Sempre é tempo de estender a mão ao próximo e ajudá-lo no que for preciso e o cinema está repleto de belas histórias de solidariedade e perseverança. À Procura da Felicidade é um filme que nos faz sentir vontade de fazer o bem e acreditar que o futuro pode ser melhor, mesmo diante das dificuldades do presente. Repleto de clichês, o longa é praticamente um conto de fadas moderno, mas sem princesas ou bruxas. Aqui vemos um homem comum tentando sobreviver em uma sociedade canibalista em que cada dia é preciso vencer uma batalha para garantir o próprio sustento. E olha que a história se passa na década de 1980, detalhe que acaba passando despercebido já que o mundo em que o protagonista vive basicamente continua o mesmo até hoje ou está até pior. A única diferença é que atualmente temos muito mais bugigangas tecnológicas para ampliarem o abismo da desigualdade social. Enquanto alguns se preocupam em dormir em uma fila para garantir uma das primeiras unidades do celular mais bombado do momento, outras tantas pessoas ficam dias e dias de plantão em portas de hospitais ou de instituições de caridade em busca de necessidades básicas para qualquer ser humano. Essa realidade não é só de nós brasileiros, mas se estende pelos quatro cantos do mundo, inclusive atingindo os americanos. Mas voltando a falar do filme, por ser baseado em uma história real vitoriosa, embora com alguns fatos tristes ampliados, a dramaticidade extrema do texto acaba se revelando como um atrativo para os espectadores, mas nada que se compare ao chamariz da produção ser protagonizada por um dos atores mais populares de Hollywood, Will Smith, merecidamente indicado a vários prêmios, incluindo o Oscar, pelo papel de um homem que ultrapassa os limites do fundo do poço para conseguir sobreviver ao lado da filho à selva de pedra que é a cidade grande.

terça-feira, 23 de abril de 2013

A MÃO DO DIABO

NOTA 7,0

Bill Paxton dirige e atua em
suspense à moda antiga sem
usar violência explícita, mas
a obra carece de um clímax
É curioso como funciona o “star-system” de Hollywwod. Enquanto algumas figuras viram estreladas aplaudidas e elogiadas da noite para o dia, outras batalham durante anos e as vezes chegam ao fim da carreira sem o devido reconhecimento. Por exemplo, se você é realmente ligado em cinema já deve ter ouvido falar em Bill Paxton, certo? Opa, claro ele fez aquele filme... Aquele... Empacou? Sim, ele é aquele cara que participou de Apollo 13, Titanic, U-571 entre outras dezenas de produções e até perdeu o posto de protagonista em Twistter para os tornados. Realmente o nome deste ator não é um chamariz de público, porém, sua filmografia é bem interessante e foi enriquecida quando ele experimentou a carreira de diretor. Sua estreia no cargo ocorreu em 1982, mas não deve ter sido uma boa experiência afinal de contas ele demorou quase duas décadas para repeti-la. Sendo assim, podemos considerar que ele praticamente iniciou sua carreira na direção de longas-metragens com A Mão do Diabo, um suspense digno de elogios, mas é uma pena que até hoje poucos deram bola à essa obra. É muito raro que alguém consiga se dar bem logo em seus primeiros trabalhos atrás das câmeras, ainda mais explorando um combalido gênero, mas Paxton surpreende com uma direção segura e inesperada. A atmosfera que ele criou consegue ser tensa e ao mesmo tempo melancólica e sua narrativa comunica-se perfeitamente com as plateias contemporâneas ainda que preservando um delicioso resquício de nostalgia impresso no ritmo e no visual. O diretor também acerta ao não se entregar ao vício desse tipo de produção e carregar seu trabalho com tintas escuras. As cenas mantêm um clima obscuro até mesmo quando realizadas sob forte luz solar, graças também a escolha de locações e cenários que transmitem a perfeita sensação de isolamento geográfico no qual os protagonistas se encontram. O roteiro do estreante Brent Hanley não é fácil, exige muita atenção aos detalhes e traz a tona um tema polêmico: o poder de uma crença sobre uma pessoa sugestionável. A trama já começa de forma intrigante. No Texas, um homem procura o escritório do FBI afirmando que tem informações a revelar sobre o serial Killer conhecido como “Mão de Deus” e exige falar com o investigador Wesley Doyle (Powers Boothe). Fenton Meiks (Matthew McConaughey) diz que descobriu que seu próprio irmão mais novo, Adam (Levi Kreis), é o tal assassino e que a pouco ele cometeu suicídio. Como o rapaz chegou aparentando estar perturbado, no início sua história parece insana, mas o agente decide continuar ouvindo seus relatos. A partir de então, através de flashbacks, Fenton passa a narrar as tristes e trágicas lembranças que marcaram a sua infância.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS

NOTA 9,0

Jim Carrey mais uma vez
prova que tem talento para o
drama em história que
mescla realidade e sonhos
Muita gente tem implicância com determinados artistas e por nada desse mundo dão o braço a torcer e assistem alguns filmes de seus desafetos, mesmo que eles sejam premiados e elogiados. Jim Carrey é um ator que sofre com isso até hoje. Sinônimo de comédia besteirol, ele surgiu para o grande público atingindo sucesso imediato em O Máskara, mas se suas caras e bocas funcionaram perfeitamente nesse trabalho o mesmo não se pode dizer em tantos outros. Querendo se livrar do estigma do homem de um papel só, no final da década de 1990 ele passou a explorar o gênero dramático com êxito, mas ainda assim muitos duvidam até hoje de sua capacidade e talento. Uma pena. Unindo drama com pitadas de humor, ele encontrou um personagem perfeito para expor toda sua capacidade de interpretação em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, uma ótima opção para aqueles que ao menos querem tentar mudar sua visão sobre o astro. Se um filme tem o poder de fazer uma pessoa rever seus conceitos tamanho seu impacto, aqui temos esta sensação em dose dupla. Além de enxergar um intérprete de primeira em Carrey, o próprio enredo pode transformar a vida de quem o assiste. A história começa nos apresentando o casal formado por Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet), dois indivíduos que tentaram de tudo para fazer a relação dar certo até que a moça se desiludiu de vez e resolveu se submeter a um tratamento experimental que retira da memória os momentos indesejáveis. Assim ela tomou a decisão de esquecer tudo que viveu com seu parceiro e sequer saber que um dia o conheceu. Desesperado com o desprezo da mulher que ama, Joel resolve procurar o Dr. Howard Mierzwaik (Tom Wilkinson) e se submeter ao mesmo tratamento de memória seletiva, porém, não tem coragem e durante a operação recorda os motivos que o levaram a se apaixonar por Clementine. Graças as confusões que ocorrem devido a interrupção repentina do tratamento as imagens desta mulher acabam sendo realocadas em lembranças do rapaz nas quais ela não estava presente originalmente.

domingo, 21 de abril de 2013

DIGA QUE NÃO É VERDADE

Nota 2,0 Escatologia e piadas com minorias marcam a estreia de pupilo dos irmãos Farrelly

Sinopse: Josephine Wingfield (Heather Graham) e Gilbert Noble (Chris Klein) são dois jovens que estão perdidamente apaixonados, mas que descobrem um terrível segredo: eles na verdade são irmãos por parte de mãe, a inescrupulosa Valdine (Sally Field). Para não cometerem um incesto, ou melhor, para não continuarem vivendo em pecado já que a relação deles já passou o sinal vermelho, eles terminam o relacionamento e cada um procura seguir sua vida. Ela se muda de cidade enquanto o rapaz continua em sua região interiorana tornando-se alvo de piadas. Porém, quando Gilbert descobre que na verdade houve uma série de mal entendidos e que eles não são irmãos, ele parte desesperadamente para encontrar Josephine e impedir que ela se case com outro homem, mesmo que precise atravessar praticamente metade dos EUA para tanto. Contudo, Validen vai fazer de tudo para impedir esse reencontro já que não considera seu "ex-filho" um bom partido.
                                                                           

sábado, 20 de abril de 2013

SHINOBI - A BATALHA

Nota 6,0 Épico japonês é uma espécie de Romeu e Julieta com pano de fundo político

O cinema oriental vira e mexe nos surpreende com produções que parecem verdadeiras obras de arte, tanto no visual quanto no texto, mas nem sempre consegue um perfeito equilíbrio entre esses dois elementos. Shinobi - A Batalha serve como exemplo para ilustrar essa desarmonia. Baseado no romance "The Kouga Ninja Scrolls", de Futaro Yamada, que também deu origem a uma série de mangá e outra de anime de grande sucesso no Japão, esta é uma obra que adota um estilo cinematográfico mesclado com o teatral com belíssimas batalhas de espadas minuciosamente coreografadas. Esse tipo de produção voltou a ganhar destaque nos últimos tempos tanto em território oriental quanto em outros continentes chegando inclusive a influenciar obras norte-americanas como Kill Bill. Roteirizada por Kenya Hirata, a história se passa em meados do século 17, quando o país do sol nascente fora pacificado, mas ainda restavam sinais de guerra principalmente entre dois grupos de ninjas, o da terra de Kouga e o que representava a comunidade de Iga. Eles são inimigos há centenas de anos, mas respeitam um acordo de não guerrear um com o outro, porém, o clima de rivalidade está sempre os cercando. Oboro (Yukie Nakama) é a neta do chefe dos Iga e sem saber se apaixona por Kouga Gennosuke (Joe Odagiri), o neto do comandante dos Koga. Eles se apaixonam à primeira vista e acabam se casando secretamente, mas o destino os castigará por levarem adiante esse sentimento proibido. Ambos são designados pelo governo a liderar um confronto, cada qual representando seu respectivo clã e escolhendo seus cinco melhores guerreiros, assim o jovem casal se encontra em uma difícil situação: a eminência da morte. A real intenção desta batalha é que os membros rivais fossem destruídos e os soldados do império aproveitassem para destruir as aldeias acabando de vez com os conflitos e trazendo a paz que esperem que dure para todo o sempre, mas será que a força do amor irá impedir tal guerrilha?

sexta-feira, 19 de abril de 2013

NAS PROFUNDEZAS DO MAR SEM FIM

NOTA 7,0

Clichê da família em crise por
conta do sumiço de um membro
ganha fôlego com exploração das
dificuldades da fase de readaptação
Família feliz tem suas estruturas abaladas quando um de seus três filhos pequenos some e precisa se adaptar a nova realidade. Por essa brevíssima descrição muita gente não se animaria a ver um filme do tipo, diga-se de passagem, um tanto clichê e ainda mais se for um típico drama familiar hollywoodiano. É previsível que a choradeira é inevitável ou na melhor e mais açucarada das hipóteses tal grupo voltaria a viver feliz com a volta repentina do membro desaparecido. Existem muitos exemplos de obras cuja ideia principal pode ser sintetizada como na frase que abre este texto, mas outras como Nas Profundezas do Mar Sem Fim procuram dar um passinho adiante na discussão da reestruturação familiar. Não apenas discute-se como lidar com a dor da perda, como também agir na hipótese de um final feliz, mas que pode não ser tão alegre para todos. Vamos por partes. A trama roteirizada pelo ex-crítico de cinema Stephen Schiff começa em 1988 quando a fotógrafa Beth Cappadora (Michelle Pfeiffer) decide levar seus três filhos pequenos junto a uma viagem para Chicago onde ela participará de uma reunião de ex-colegas de escola. No saguão do hotel em que se hospeda ela se distrai por um minuto apenas e quando se dá conta perdeu de vista seu filho do meio, Ben (Michael McElroy), então com apenas três anos de idade. A tranquilidade inicial desta mãe pouco a pouco vai dando lugar aos sentimentos de desespero e de culpa, ainda mais quando as buscas comandadas pela investigadora Candy Bliss (Whoopi Goldberg) revelam-se fracassadas. Após algumas semanas esperando por qualquer novidade, Beth retorna para sua casa com o marido Pat (Treat Williams) e com a difícil tarefa de encarar a triste realidade. Ela culpa-se pela negligência, decide parar de trabalhar e sem perceber passa a punir o marido e os outros filhos, o adolescente Vincent (Jonathan Jackson) e a garota Kerry (Alexa Veja), já que passa a tratar a família com displicência. Contudo, Beth não está completamente fora de seu juízo perfeito. Ela discute com o marido afirmando que não quer engravidar novamente, pois uma nova criança jamais substituiria Ben, e se irrita com um familiar que compra um presente de Natal para o garoto sumido como se fosse uma forma de alimentar as expectativas de sua mãe que um dia ele voltaria. Ela está totalmente cética quanto a isso.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN

NOTA 9,0

Delicadeza e criatividade de
longa francês prova que o
cinema alternativo não é
apenas para intelectuais
Cinema europeu é chato e cabeça demais. Tal afirmação é muito comum, mas quem concorda com ela precisa rever seus conceitos e se abrir a novas experiências, como prova O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, um título apreciado e elogiado por muitos, mas considerado desinteressante e cansativo por tantos outros, mas será que essas pessoas que criticam negativamente realmente assistiram a obra ou simplesmente estão passando adiante pensamentos obsoletos? Com certeza o fato de ser uma produção francesa barra uma grande parcela dos espectadores que devem estar impregnados da ideia de que o cinema francês é contemplativo demais e com foco em histórias dramáticas ou muito romanceadas. Bem realmente, estas são características da produção cinematográfica local, mas sempre é possível encontrar algo diferenciado dando uma garimpada. No caso desta produção assinada por Jean-Pierre Jeunet nem é preciso fazer muito esforço para encontrá-la já que foi um título muito premiado e cumpriu sua trajetória de sucesso até a festa do Oscar chegando lá com pinta de campeã, mas acabou levando um banho de água fria perdendo suas cinco indicações. Porém, a análise de resultados finais tanto de críticas quanto de bilheterias resultou em um banho do melhor champagne francês. Assistido na época por cerca de vinte milhões de pessoas, até hoje esta obra é uma das mais procuradas em locadoras e se tornou um marco cinematográfico devido a sua estética, linguagem e ritmo atípicos para a filmografia de um país cujas marcas registradas são as longas sequências focadas em olhares e gestos e um erotismo quase sempre presente nas narrativas. Amado e odiado nas mesmas proporções, o cinema francês não se firmou como uma indústria de fazer dinheiro, mas sim como um estilo de produzir cinema que gera bons e maus resultados, mas sem causar estardalhaços tampouco criando ícones pop, bem diferente da cinematografia americana que quer vender muito mais que os tickets das salas de exibição e imprime uma velocidade em suas produções que acaba atrapalhando muitas vezes a condução das histórias, além dos muitos efeitos e tecnologias serem empregados para escamotear furos e ausências.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

PROFESSORA SEM CLASSE

NOTA 3,0

Cameron Diaz interpreta
professora de caráter
duvidoso em comédia com
piadas previsíveis e tolas
Todos os dias é muito comum verificarmos que os alunos não respeitam mais os professores, estes que cada vez mais se sentem diminuídos e pressionados. Não é apenas a falta de educação verbal das crianças e adolescentes com os educadores que nos impressionam, mas a situação chegou a tal ponto que as agressões tornaram-se físicas também. Ei, melhor parar por aqui afinal de contas este texto não é sobre um filme no qual um professor vai enfrentar todos os obstáculos para tentar recuperar uma turma problemática. Pelo contrário, em Professora sem Classe é a própria educadora que é um mau exemplo. Ou ela seria o sonho de qualquer aluno? Cameron Diaz vive a protagonista desta comédia de humor negro que coloca no centro das atenções uma mulher que não é um modelo de boa profissional e também deixa muito a desejar como pessoa. Ela não é surreal apenas por sua beleza e corpo esguio, mas também por sua incrível e duvidosa habilidade em lidar com os alunos. Este é o perfil Elizabeth Halsey, uma balzaquiana que passou a vida toda correndo atrás de parceiros milionários para conseguir vida fácil e com todas as regalias possíveis. Apesar disso, profissão ela tem. É professora, mas simplesmente odeia o que faz. Assim, toda vez que encontra um parceiro do jeito que sonhou abandona seu emprego sem pensar duas vezes, mas quando seu último golpe é descoberto e o relacionamento desfeito ela precisa voltar a lecionar em um colégio tradicionalista. Desbocada, trambiqueira e preguiçosa, ela acaba empurrando com a barriga o trabalho. Seu grande objetivo é aguentar a rotina monótona até conseguir o dinheiro necessário para fazer uma cirurgia de aumento de seios acreditando que assim o próximo pretendente não lhe escaparia. Para sua sorte a vítima do próximo golpe vem do lugar que ela menos esperava: o próprio colégio. O novo professor de matemática, Scott Delacorte (Justin Timberlake), além de bonito e simpático é um rico herdeiro que por incrível que pareça gosta e faz questão de trabalhar. O homem perfeito para Elisabeth, mas o rapaz não parece ser facilmente seduzível e até uma concorrente entra na jogada, a professora Amy (Lucy Punch), que é apenas um pouco mais ajuizada que a rival, mas tão pentelha quanto.

terça-feira, 16 de abril de 2013

O GALINHO CHICKEN LITTLE

NOTA 6,5

Disney procurou modernizar
seu estilo de fazer animações,
mas produção só vale mesmo
pelos personagens simpáticos
Quando a Disney engrenou de vez pelo caminho da distribuição dos produtos da Pixar ela acabou perdendo praticamente sua identidade. O estúdio dos grandes clássicos infantis tentou se comunicar com as novas plateias investindo em roteiros mais “imaginativos” (entenda-se longe dos contos clássicos, mas pouco originais), porém, acabou sendo suplantado pela concorrência acirrada de outras empresas que vieram com tudo para conquistarem seus espaços no mercado de animação. Depois de sucessivos fracassos de bilheterias de produções em formato tradicional e com enredos simplórios, como Atlantis – O Reino Perdido e Nem Que a Vaca Tussa, a Disney decidiu investir em trabalhos próximos ao estilo computadorizado que fizeram a fama de Monstros S.A. e Procurando Nemo, por exemplo. É bom lembrar que até então o estúdio do Mickey Mouse só distribuía os filmes da Pixar, passando a participar ativamente da produção dos desenhos apenas em 2007. Dessa forma podemos considerar que O Galinho Chicken Little foi uma tentativa da produtora de animações mais famosa do mundo tentar desbravar novos caminhos e provar que ainda podia andar com as próprias pernas, porém, a iniciativa não gerou bons resultados.  A primeira investida solo da empresa no campo da animação totalmente digital gerou um longa que a crítica especializada recebeu com frieza e cheia de preconceitos e nem mesmo o público deu muita bola. Para muitos essa decisão significava dar mais valor a tecnologia e imagem do que ao roteiro e a emoção, mas com capricho e imaginação é possível aliar as duas coisas em um mesmo filme. Obviamente comparar esta animação relativamente simples com Shrek ou Os Incríveis é uma tremenda covardia. Com estilo de episódio esticado de série animada de televisão, é preciso se ater somente a este produto para poder perceber que o mesmo cumpre o que promete: simplesmente divertir, principalmente a garotada. O grande foco desta produção é discutir as relações familiares e o velho gancho dos excluídos dando o troco e se dando bem. Para tanto recorre a personagens cativantes e com características suficientes para serem tratados como os estranhos da turma da escola e até mesmo da cidade, a começar pelo protagonista, Chicken Little, um galinho que colocou todos a sua volta em situação de desespero quando afirmou que um pedaço do céu havia caído em cima dele e que o fim do mundo estaria próximo. Na realidade ele foi atingido por uma avelã, mas por ser muito miúdo acabou confundindo. A partir de então ele passou a ser desprezado pelas pessoas e nem com o apoio de Pedro Galo, seu pai, podia contar já que eles tinham uma relação aparentemente amigável, porém, não havia estímulo para o galinho enfrentar desafios.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O AVIADOR

NOTA 8,0

Através de uma biografia,
longa faz uma homenagem ao
cinema, mas esbarra na
impopularidade do homenageado
Existem alguns filmes que embora cercados de cuidados e tratados como superproduções desde a concepção da ideia inicial parece que já nascem com quase tudo contra o seu sucesso. O Aviador é um bom exemplo. Longo demais, uma biografia a respeito de um homem que deixou sua marca na história americana, mas estranho a boa parte da população mundial, jeito de dramalhão e Leonardo DiCaprio como protagonista, na época ainda batalhando para se livrar do estigma negativo que Titanic lhe deixou como herança para sua carreira. Por outro lado, o elenco coadjuvante repleto de nomes famosos e talentosos, a reprodução impecável da primeira metade do século 20 e a metalinguagem de homenagear o cinema dentro de um filme são pontos que chamam a atenção e trabalham a favor do longa. Somam-se a isso tudo a direção sempre competente de Martin Scorsese e muitas indicações a prêmios. Com essa mistura heterogênea de ingredientes, a biografia do excêntrico e milionário Howard Hughes ganhou notoriedade, levou bastante gente aos cinemas e movimentou o mercado de locações quando lançado em DVD, mas a aprovação não foi a esperada. Muita gente após o término (se é que assistiram até a última cena) provavelmente jurou não recomendar este filme nem para o seu pior inimigo. E isso não é exagero, é verídico, mas uma grande injustiça feita com uma produção que consegue ser mais que um drama biográfico sobre um homem que teve muita importância para a aviação, mas também um belo e merecido registro de um período da História do cinema americano, uma época importantíssima para consolidar esta arte como forma de entretenimento e geradora de renda e trabalho.  O filme é baseado em eventos reais da vida do megalomaníaco Hughes (DiCaprio), um homem cuja trajetória se confunde com os avanços da aviação e do cinema. Na década de 1920, depois de herdar uma verdadeira fortuna, o jovem passa a investir na sétima arte e filma um épico de realismo impressionante, porém, muito perfeccionista, ele decide regravar tudo quando surge o cinema sonoro e jamais aceitava trabalhar quando um detalhe mínimo lhe escapava, o que irritava muitos seus companheiros de trás das câmeras pelos constantes atrasos e imprevistos nas filmagens. Além disso, graças aos filmes, ele também entrou em contato com a área da aviação e assim também gastou boa parte de seu dinheiro investindo no que havia de mais moderno para melhorar este campo, algo que sem dúvida refletiu positivamente no futuro da área.

domingo, 14 de abril de 2013

DO OUTRO LADO DA LINHA

Nota 5,0 Comédia romântica segue caminho comum e desperdiça tema sobre choque cultural

Já faz algum tempo que a Índia está na moda no meio cultural e o cinema obviamente também quer tirar proveito disso como prova a avalanche de prêmios concedidos para Quem Quer ser um Milionário?, mas muitas produções menores e despretensiosas buscam inspiração nesse casamento de costumes.  Do Outro Lado da Linha é uma simpática comédia romântica que procura fazer uma ligação entre o oriente e o ocidente através das conversas telefônicas entre dois jovens de origens diferentes, mas objetivos idênticos: vencerem na vida e viverem um grande amor. Após ter problemas com seu cartão de crédito, o publicitário Granger Woodruff (Jesse Metcalfe) acaba fazendo amizade com a atendente de telemarketing de seu banco, a simpática Jennifer Davis (Shriya Saran). As conversas por telefone vão ficando cada vez mais frequentes até que um dia eles combinam de se conhecer pessoalmente, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância. Todavia, a jovem não aparece e Woodruff conhece uma outra indiana, Priya Sethi, que diz ter vindo aos EUA para o casamento de um parente. Os dois passam a se dar muito bem e o interesse é recíproco, porém, o rapaz tem uma grande surpresa quando descobre que essa moça é a mesma que o atendia pelo telefone e que fingiu ser uma outra pessoa para que ele não descobrisse suas origens e sua situação familiar afinal ela já é prometida a um noivo indiano, Vikram (Asheesh Kapur). Para a garota as coisas se complicam quando sua família viaja atrás dela cobrando explicações. A premissa poderia render uma boa comédia açucarada, mas o roteiro de Tracey Jackson, responsável pelo ótimo Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, neste caso é preguiçoso e aposta em uma trama um tanto clichê de romance baseada nos encontros ao acaso. Dessa forma, perde-se a oportunidade de aprofundar questões a respeito das diferenças de cultura entre os protagonistas. Ok, o público-alvo deste trabalho quer mesmo é ver uma variação dos contos de fadas e acompanhar a história da plebeia indiana e do príncipe americano com direito a todos os clichês possíveis do gênero.

sábado, 13 de abril de 2013

A CAVERNA

Nota 1,5 Suspense recicla a batida fórmula da criatura desconhecida sedenta por sangue

Sinopse: Em meados dos anos 70 um grupo de exploradores encontrou em meio a uma região montanhosa da Romênia uma abadia em ruínas do século 13 cujo interior abrigava um sistema de cavernas, mas um desmoronamento inesperado acaba soterrando a todos. Décadas mais tarde uma outra equipe especializada liderada pelos irmãos Jack (Cole Hauser) e Tyler (Eddie Cibrian) vai até o local para fazer uma inspeção mais cuidadosa e descobrir um possível novo ecossistema, mas também acaba ficando presa. Como ninguém do lado de fora esperava encontrá-los nos próximos por conta do tempo de duração da expedição, eles mesmos tem que ser seus salva-vidas. Enquanto tentam achar uma saída, o grupo descobre o que há de tão misterioso na caverna: uma espécie animal totalmente nova e ameaçadora que aprendeu a sobreviver em condições precárias. Em meio a escuridão do local, qualquer um pode perder a vida inesperadamente.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O EXORCISMO DE EMILY ROSE

NOTA 9,0

Baseado em fatos reais, longa
de horror ganha certo ar de
novidade ao investir em um
confronto entre a fé e a razão
Uma jovem aparentemente inocente, mas com andar e gestos estranhos, caminhando em direção a uma árvore seca em meio a um clima enevoado. Esta cena simplória acabou se tornando uma marca registrada de um filme vendido como uma produção de horror, mas que no tem um aspecto dramático bem mais profundo e característico. Tal cena ganhou tanto destaque que acabou sendo usada para ilustrar o material publicitário de O Exorcismo de Emily Rose, uma interessante produção que envolve um drama de tribunal que chegou na época do seu lançamento a ser anunciada como um dos melhores filmes de terror dos últimos tempos, mas ainda não alcançou o status de O Exorcista e talvez jamais chegará a tal ponto. Porém, isso de forma alguma desmerece este trabalho assinado por Scott Derrickson que não tinha um currículo muito atraente acumulando o roteiro de Lenda Urbana 2 e direção de um dos episódios de Hellraiser. Bem, intimidade com o gênero ele tem, mas prova aqui que não precisa se rebaixar a escrever tramas bobocas para assustar adolescentes. Ele escreveu o roteiro em parceria com Paul Harris Boardman e ambos devem ter virado noites assistindo os clássicos de terror dos anos 70, época em que o público chegava a não dormir por várias noites após assistir produções como A Profecia e o já citado clássico de William Friedkin. O produto que eles criaram exala nostalgia e veio em boa hora para suprir um mercado que na época já estava saturado dos fantasmas dos remakes orientais e de suas próprias cópias originais que invadiram o mundo ocidental. A recepção foi muito positiva, mas obviamente não tão impactante como um lançamento do tipo a 30 ou 40 anos atrás. Jennifer Carpenter estreou na carreira de atriz com o pé direito aceitando o difícil papel que empresta o nome à produção, uma jovem que deixou sua casa e família para ir estudar em uma região afastada. No alojamento em que passa a viver certa noite Emily tem uma alucinação e desmaia. O que poderia ser um acontecimento sem importância, acaba se tornando um grande problema na vida dela. Os surtos passam a ficar cada vez mais frequentes e ela volta para a casa dos pais. Muito religiosos, eles recorrem ao padre Richard Moore (Tom Wilkinson) e todos estão certos de que a medicina nada pode fazer para ajudar Emily já que acreditam que se trata de um caso de possessão demoníaca. Deixando o tratamento médico de lado e aceitando se submeter ao exorcismo, a jovem acaba falecendo e o pároco vai parar nos bancos dos réus acusado de negligência e homicídio doloso. Erin Bauner (Laura Linney) é a escolhida para defendê-lo, mas faz isso em nome de interesses próprios e financeiros, já que ela mesma é cética quanto ao assunto, porém, conforme a investigação avança suas crenças e convicções podem mudar. Já o promotor Ethan Thomas (Campbell Scott) é religioso, mas age segundo a razão e está disposto a provar que a intervenção do padre no caso levou ao fim trágico.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

UM OLHAR DO PARAÍSO

NOTA 8,5

Peter Jackson aposta suas
fichas em drama narrado
paralelamente entre dois
mundos intimamente ligados
Um diretor de cinema pode escolher entre dois caminhos para definir seu trajeto profissional. Pode optar por trabalhar com um ou dois gêneros constantes, criar uma legião de fãs e marcar seu estilo ou atirar para tudo quanto é lado, ganhar seu dinheirinho e viver no anonimato. Porém, alguns profissionais de trás das câmeras conseguem transitar tranquilamente entre os mais variados tipos de filmes, mas o problema é quando o público petrifica uma imagem deles e passa a repudiar qualquer “pulada de cerca”. Esse mal constantemente é vivido por Peter Jackson que virou um nome quente em hollywood após o sucesso da saga O Senhor dos Anéis, assim tornando-se um sinônimo de megaproduções e efeitos especiais de ponta. Porém, este profissional começou sua carreira de forma bem modesta apostando inclusive no estilo trash como no longa Os Espíritos e ganhou certo prestígio com o drama independente Almas Gêmeas muito antes de enveredar pelo caminho do cinema de fantasia, mas é certo que a recepção pouco calorosa de Um Olhar do Paraíso tem muito a ver com a expectativa que seu nome atrelado a um projeto gera. Para aproveitar da melhor maneira possível esta obra é preciso procurar focar a atenção na história em si e não no currículo do diretor. A trama é narrada pela adolescente Susie Salmon (Saoirse Ronan), um espírito do bem que habita os céus. Ela conta um pouco de sua rápida passagem pela Terra, sua adaptação ao outro mundo, suas novas descobertas e sobre como sua família superou sua perda. No início da década de 1970 ela estava voltando um dia da escola sozinha e por estar atrasada optou por cortar caminho por uma região campestre. No meio do percurso ela encontrou um de seus vizinhos, George Harvey (Stanley Tucci), um novo morador da região que ela já tinha visto conversando com seu pai, Jack (Mark Wahlberg). Inocentemente a garota acaba caindo em uma armadilha e teve sua vida interrompida de forma brusca e precocemente. Após esta introdução, que de certa forma é demorada, mas muito bem realizada, passamos a acompanhar a peregrinação de Susie em busca da paz. Ela está tomando consciência do que lhe aconteceu, não tem noção de como é a vida após a morte e ainda está apegada às lembranças da realidade. Sempre viveu sobre as regras da moralidade e dos conselhos da família e não teve tempo de viver um grande amor e tampouco ter uma profissão. Sofre também vendo a dor de seu pai, da mãe Abigail (Rachel Weisz) e ainda se preocupa com a irmã mais nova, Lindsey (Rose Mclver), que pode ser a próxima vítima de seu assassino.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

RANGO

NOTA 8,0

Animação conquista com seu
visual surreal e personagens
originais, mas enredo pode
não agradar totalmente
O nome de um dos atores mais excêntricos de Hollywood em destaque no material publicitário e a estampa de uma criatura que aparentemente tem olhos esbugalhados segurando um peixe nas mãos só podem indicar uma coisa: mais um pareceria entre Johnny Depp e o diretor Tim Burton. Errado! O astro empresta sua voz desta vez para uma animação de Gore Verbinski, o mesmo que o presenteou com o papel principal da série Piratas do Caribe. Se o ator é famoso por sua capacidade de mudar completamente seu visual de um trabalho para outro, nada melhor do que ele mesmo para dublar justamente um camaleão, réptil conhecido por sua constante mudança de cores dependendo do local ou circunstâncias em que se encontra. Todavia, o astro fez muito mais pelo protagonista. Simplesmente ele conseguiu dar profundidade dramática a um personagem animado, sem que ele precisasse estar presente em cena em carne e osso. Rango é o primeiro longa-metragem animado da Industrial Light & Magic, empresa que já conquistou diversos prêmios graças aos efeitos especiais que criaram para diversos produtos de sucesso como Parque dos Dinossauros.  Com argumento do próprio diretor em parceria com James Ward Byrkit e roteiro de John Logan, a história gira em torno do personagem-título, um camaleão sem identidade e com intenções artísticas que passou boa parte de sua vida dentro de um aquário até que acidentalmente foi parar em uma estrada no meio do deserto. Caminhando em meio a cactos, sob sol escaldante e passando por alguns contratempos, Rango conhece Feijão, uma lagarta cheia de personalidade que passa a acompanhá-lo em sua jornada sem destino. Após um bom tempo eles finalmente chegam a uma cidade chamada Poeira, local onde os habitantes sofrem com a falta de água. Muito convencido, o réptil começa a contar um monte de histórias fantásticas e de bravura como se fosse um herói de filme de faroeste e logo ele é eleito o xerife do vilarejo, assim, finalmente ele passa a ser reconhecido e se sente realmente importante. Algumas de suas primeiras obrigações no cargo são resolver o problema da escassez de água e enfrentar a ira de Bandido Bill e seu bando de malcheirosos do oeste, mas seu principal desafio na realidade é conhecer a si mesmo e tentar despertar o herói que existe dentro dele. Ou tal figura corajosa não passa mesmo de uma criação de sua mente fértil? 

terça-feira, 9 de abril de 2013

A.I. - INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

NOTA 9,0

Spielberg encanta e emociona
com mescla de drama e ficção
acerca de um futuro no qual
a artificialidade impera
Existem filmes que demoram anos para serem lançados não pelo motivo de problemas com a produção, mas simplesmente pelo capricho de seus realizadores na ânsia de criarem um marco cinematográfico. Stanley Kubrick é responsável por obras emblemáticas como 2001 – Uma Odisséia no Espaço e Laranja Mecânica e passava até mesmo anos trabalhando em cima de um mesmo projeto até que o considerasse perfeito, mas ironicamente não viveu para ver sua última criação sair do papel. Já Steven Spielberg se acostumou a lançar filmes em curtos espaços de tempo com produções complicadas alternando com obras mais simplórias, assim agradando as platéias que só querem se divertir e aquelas que desejam um produto com mais conteúdo e de quebra mantendo seu nome em evidência constantemente. Era um sonho de ambos um dia poderem dividir os créditos de uma mesma produção, mas o falecimento de Kubrick jogou a ideia no limbo. Ou melhor, por pouco isso mesmo aconteceu. Como forma de homenagear o colega, o homem que tornou real as imagens de alienígenas e até ressuscitou os dinossauros assumiu as rédeas de A.I. – Inteligência Artificial, um longa que dividiu e ainda divide as opiniões de especialistas e do público.  Kubrick sempre deixou explícito em suas obras, de forma leve ou pesada, idéias pessimistas e apocalípticas quanto a sociedade e o destino da humanidade. Curiosamente partiu dele mesmo a iniciativa de desenvolver um enredo acerca de um menino-robô dotado de emoções que é adotado por um casal para substituir o filho verdadeiro. Baseando-se no livro “Super Brinquedos Duram o Verão Inteiro”, de Brian Aldiss, no final dos anos 70 o cineasta tinha acordado que faria o roteiro, mas entregaria o cargo de diretor à Spielberg que na época já demonstrava uma habilidade ímpar para lidar com efeitos especiais sem que eles se sobressaíssem a emoção. O problema é que a tecnologia disponível na época não permitia as criações tanto de ambientes quanto de personagens cogitadas. As conversas foram retomadas em 1994 após o estrondoso êxito de Jurassic Park que revolucionou o campo tecnológico e nada mais parecia impossível no mundo da sétima arte.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

ANTES DE PARTIR

NOTA 8,5

Dois pacientes com doenças
graves deixam de lado suas
diferenças para aproveitarem
o tempo de vida que lhes restam
É curioso como alguns filmes conseguem equilibrar perfeitamente humor e drama na mesma receita. Mais curioso ainda é terminar de assistir a uma obra que no fundo é triste e ainda assim se sentir com o espírito elevado. É no significado dos velhos clichês do viva a vida intensamente ou de aproveite cada dia como se fosse o último que está o segredo do sucesso de Antes de Partir, longa que não ganhou prêmios e teve uma passagem modesta nos cinemas, mas que acabou se tornando um título grandioso conforme o tempo passou, um daqueles tipo cujo nome está sempre na ponta da língua quando se deseja indicar um bom programa no aconchego do lar. O diretor Rob Reiner já trazia em seu currículo outro trabalho que se tornou um clássico entre populares, Conta Comigo, e que guarda certas semelhanças com esta produção protagonizada por Jack Nicholson e Morgan Freeman. Em ambos ele trabalha com as temáticas da amizade e da morte e consegue uma excelente mistura entre diversão e reflexão. A trama começa nos apresentando a Edward Cole (Nicholson), um empresário frio e calculista que administra um hospital. Para reduzir os gastos da instituição e consequentemente aumentarem seus lucros ele dá ordens irrevogáveis de que cada leito deve ser ocupado por dois pacientes sejam eles pobres, ricos, negros, brancos, jovens ou velhos. Ironicamente a vida lhe prega uma peça. Quando descobre que está com câncer ele é obrigado a dividir seu quarto com o pacato Carter Chambers (Freeman), um mecânico negro que já está a algum tempo se submetendo a um tratamento experimental para a mesma doença. Relutante no início de ter que vivenciar uma situação que ele próprio causou, Cole acaba se acostumando com a presença do colega de quarto e ambos começam a trocar ideias e experiências. Chambers então lhe apresenta uma espécie de lista de desejos que aprendeu com um professor da época de faculdade. Nela devem constar todas as vontades e maluquices que a pessoa gostaria de realizar antes de morrer, funcionando assim como um traçado de metas, algo que ilusoriamente prolongaria o desejo de viver. Cole então propõe que eles façam uma lista em conjunto e tentem aproveitar ao máximo os seus últimos meses de vida, a deixa perfeita para dar um respiro a um enredo que poderia ser denso e depressivo.

domingo, 7 de abril de 2013

ALGUÉM COMO VOCÊ

Nota 6,5 Com premissa interessante, longa é atrapalhado pelas diversas tramas paralelas

As comédias românticas estão cheias de personagens que procuram lógicas, estatísticas e teorias a respeito do comportamento das pessoas quanto aos relacionamentos amorosos, agora comparar a postura humana sobre esse assunto com a atividade sexual de bovinos renderia um bom filme?  Para o diretor Tony Goldwyn a resposta é sim. Alguém Como Você segue a risca a cartilha do gênero e o resultado como sempre é indolor e até agradável. Com o objetivo de justificar seus próprios fracassos no campo do amor, a protagonista começa a estudar o comportamento sexual das vacas e bois na tentativa de traçar um paralelo entre a infidelidade masculina e o instinto animal. Baseado no livro “Animal Husbandry”, levemente inspirado nas experiências de vida da própria autora, a jornalista Laura Zigman, o longa marcou a estreia da atriz Ashley Judd nas comédias românticas, a responsável pelas poucas cenas de humor. Ela interpreta Jane, a produtora de um programa de TV de grande repercussão e está envolvida com Ray Brown (Greg Kinnear), o produtor executivo da atração. Cansada de tantas decepções amorosas, ele parece ser o homem certo, mas as coisas mudam quando eles decidem morar juntos. Gradativamente o rapaz se distancia e logo diz que quer dar um tempo, mas na verdade está balançado com a possibilidade de voltar com sua ex. Além de ficar arrasada, Jane terá de entregar seu imóvel em poucos dias e como Eddie Alden (Hugh Jackman), um colega de trabalho, está alugando um quarto ela decide ir morar na casa dele que, diga-se de passagem, está acostumado a levar uma mulher diferente por noite para sua cama. Desesperada para entender o que aconteceu com seu namoro e compreender o comportamento mulherengo do amigo, Jane cria a "Teoria da Vaca Velha" para interpretar as relações entre homens e mulheres comparando o comportamento humano com o bovino. Ela divide este pensamento com a amiga Liz (Marisa Tomei), mas os desdobramentos desta ideia terão consequências imprevisíveis quando a produtora assume um pseudônimo e cria uma personagem para expor seus pensamentos, uma misteriosa escritora cujos artigos femininos chamam a atenção de Diane (Elle Barkin), a chefe de Jane que quer a todo custo entrevistar a tal pensadora.

sábado, 6 de abril de 2013

DEU A LOUCA EM HOLLYWOOD

Nota 1,0 Mais uma produção que investe nas sátiras de filmes e tão ruim quanto outras do tipo

Sinopse: Quatro órfãos encontraram um bilhete premiado em uma barra de chocolate e agora tem o direito de conhecer o interior de uma fábrica de doces. Lucy (Jayma Mays) foi criada por um superintendente do Museu do Louvre onde se esconde um assassino albino. Edward (Kal Penn) é um refugiado da luta livre americana enquanto Peter (Adam Campbell) é um residente da comunidade de mutantes X que ainda está longe de mostrar o seu poder. Já Susan (Faune A. Chambers) foi vítima a pouco tempo de um ataque de serpentes em um avião. O grupo se une para visitar a tal fábrica e é recepcionado pelo esquisito Willy (Crispin Glover) que passa a persegui-los. Tentando se esconder eles acabam entrando em um guarda-roupa mágico e vão parar na terra de Gnarnia onde encontram seres inimagináveis e passam a ser alvo de uma feiticeira, a Rameira Branca (Jennifer Coolidge), que quer evitar que uma profecia se cumpra e ela deixe de reinar.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O LABIRINTO DO FAUNO

NOTA 10,0

Diretamente do México, o
mundo ganhou uma bela obra
que dá um novo tempero ao
tema infância versus guerra
Fazer o espectador sonhar e transportá-lo para universos fantásticos onde a imaginação não tem limites é uma das funções que o cinema acumula para si. Em uma época em que bruxinhos, duendes, trolls, feiticeiros e afins invadiram as salas de exibições de todo o mundo com pretensões de agradar adultos e crianças, todos acabamos sendo presenteados com uma jóia rara em meio a mesmice. Não se trata de uma franquia e nem mesmo visa o público infantil. A primeira vista parece uma super produção hollywoodiana, mas na realidade ela é oriunda do México. O Labirinto do Fauno é uma elogiada e premiada obra do cultuado Guillermo Del Toro, cineasta que construiu sua carreira sobre os alicerces da fantasia, ainda que sempre mantenha um pé na realidade. No início da década de 2000, ele já havia surpreendido com A Espinha do Diabo, uma eficiente mistura de suspense e drama histórico passada durante a Guerra Civil espanhola, mesmo cenário que utilizou para contar mais uma história triste sob a ótica imaginativa de uma criança. Roteirizado pelo próprio diretor, foi criado para a obra um mundo fantástico, quase como o de um conto de fadas, para contrastar com a nebulosa e triste realidade do ano de 1944. Transitando entre estes dois ambientes está Ofélia (Ivana Baquero), uma garota que se muda com a mãe Carmem (Ariadne Gil) que está grávida para a casa de seu padrasto, o capitão Vidal (Sergi Lopez). Ele trabalha para as forças fascistas da Espanha em favor dos poderosos com a aprovação da Igreja Católica. Com a Guerra Civil já encerrada, o capitão caça os últimos rebeldes pela região enquanto sonha com o nascimento de seu filho que viverá em uma residência que mais parece um quartel-general repleto de regras, preocupações e nenhuma diversão ou demonstração de carinho. Procurando fugir da melancólica vida que lhe é proporcionada, a menina passa a explorar os arredores de sua nova casa e encontra um labirinto que a leva para uma trilha subterrânea. Guiada por estranhos insetos, Ofélia acaba conhecendo o Fauno (Doug Jones, ator acostumado a atuar sob pesadas maquiagens e figurinos), uma criatura mitológica meio bode e a outra metade humano. Este curioso ser revela que ela na verdade é a princesa de um reino existente debaixo da terra que desejou conhecer a realidade dos seres comuns e as consequências de seus atos. Para retomar o seu lugar de direito, a menina precisa cumprir três tarefas.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

ENCONTRO MARCADO

NOTA 8,0

A Morte faz um pacto para
experimentar os prazeres da
vida, mas não esperava
viver um grande amor
Quando surge um filme do tipo épico já é de se esperar que precisaremos reservar de duas até três horas para podermos acompanhar batalhas, romances, dramas e um pouco de História. O público sabe o que vai encontrar em produções do tipo e geralmente compra a ideia, mas o que esperar de um romance contemporâneo de três horas de duração? Sim, prender a atenção do espectador por todo esse tempo contando uma história de amor era o grande desafio do diretor Martin Brest quando assumiu as rédeas de Encontro Marcado, um trabalho marcante que hoje já é considerado um clássico do gênero. Na época Brad Pitt já enlouquecia as mulheres e seu nome atrelado a um projeto era o suficiente para atrair atenções, mas o efeito seria ainda maior somando ao talento e ao prestígio do veterano Anthony Hopkins, assim revivendo a dupla que já havia estrelado Lendas da Paixão anteriormente. Todavia, o projeto era de risco. Há muitos anos o cinema não via um filme romântico fazer fortuna. Ok, naquela época Titanic já contabilizava um polpudo caixa, mas tal produção contava com a ajuda de um mega transatlântico naufragando pouco a pouco com a ajuda de efeitos especiais de ponta, o que lhe garantiu um público extra. O estúdio Universal bancou a ideia de Brest e até aquele momento este era o filme romântico mais caro de todos os tempos. Bem, classificar como romance é questionável, pois a carga dramática da obra é de peso também. Vamos por partes.  Logo no início ouvimos a seguinte frase: fazer a jornada sem nunca ter amado profundamente é como não ter vivido. Tal pensamento é dito pelo empresário William Parrish (Hopkins) para sua filha Susan (Claire Forlani) que está prestes a realizar um casamento claramente infeliz. Pouco tempo depois, a jovem conhece em um café um rapaz recém-chegado a Nova York e parece que nasce um interesse mútuo, mas tudo não passa de um flerte. Após uma agradável conversa, eles se despedem e esse jovem acaba morrendo atropelado ao sair da cafeteria, mas ganha uma segunda chance de viver curiosamente através do espírito da própria Morte que passa a usar o corpo do falecido para se aproximar de Parrish que está prestes a comemorar 65 anos de idade.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

CARAMELO

NOTA 8,0

Longa aborda assuntos
do mundo feminino através
das histórias de um grupo
de mulheres do Líbano
Se o cinema europeu já não é muito bem aproveitado e apreciado fora de sua região, o que dizer de uma produção árabe? Bem, os brasileiros que gostam de filmes alternativos e ficam com os ânimos exaltados nas temporadas de prêmios sérios ou nas de festivais e mostras podem se dar por satisfeitos de felizmente algumas distribuidoras nacionais se preocuparem em trazer obras de diversas nacionalidades para cá. Hoje é possível encontrar sem muito esforço trabalhos de países famosos, como Espanha e França, e com um pouco mais de boa vontade e espírito curioso descobrir verdadeiros tesouros oriundos da Índia, Bósnia, Grécia, enfim, a produção cinematográfica dos quatro cantos do mundo pode ser conhecida por todos, ainda que em pequenas e espaçadas doses. O fato de vários países se unirem para realizar um mesmo trabalho também ajuda a aumentar a distribuição dos títulos como é o caso de Caramelo, uma co-produção da França com o Líbano. Este filme é uma agradável mistura de drama com boas doses de humor que convida o espectador a conhecer o cotidiano e a intimidade de um grupo de mulheres que trabalham ou frequentam um salão de beleza cuja especialidade é a depilação feita com uma velha receita oriental que leva água, açúcar e limão ao fogo até formar uma massa pegajosa, o que explica o curioso título. Em um bairro simples de Beirute, no Líbano, o salão de beleza Sibelle parece ser o local mais agitado do local. As funcionárias e algumas frequentadoras estão passando por momentos conturbados de suas vidas e precisam refletir para tomar as melhores decisões. Através de cinco mulheres, temos um painel social que revela preconceitos, tradições e convenções que regem suas vidas, mas no fundo todas elas desejam ser felizes. Layale (Nadine Labaki) comanda o salão, mas sua grande preocupação no momento é com o relacionamento que mantém com um homem casado que prometeu abandonar a esposa para ficar com ela. Nisrine (Yasmine Elmasri) é muçulmana e está prestes a se casar, mas não é mais virgem e está com medo da repulsa do noivo e sua família. Rima (Joanna Moukarzel) sente atração por mulheres e gosta de usar roupas mais masculinizadas, porém, reprime sua homossexualidade e só dá vazão aos seus sentimentos quando lava os cabelos das clientes, podendo acariciá-las superficialmente, mas o suficiente para se satisfazer. Uma das clientes mais assíduas é Jamale (Gisèle Aouad), uma atriz madura que nunca atingiu o estrelato e é obcecada pela ideia de se manter jovem.

terça-feira, 2 de abril de 2013

OS DESCENDENTES

NOTA 7,0

Apesar da boa história, longa
deixa a desejar considerando-se
seu histórico de indicações a
prêmios e elogios
Todos os anos ao menos uma produção pequena e que possivelmente passaria pelos cinemas em brancas nuvens é acolhida pela alta temporada das premiações e ganha um gás em sua campanha de divulgação. No caso de Os Descendentes chama a atenção em seus créditos o nome Alexander Payne, diretor e roteirista que ainda pode vir a ser conhecido como uma grife cinematográfica tal qual Woody Allen ou os irmãos Coen. Este profissional teve uma ascensão rápida na carreira, embora em pouco mais de uma década tenha se envolvido em apenas quatro projetos. Para ele vale mais qualidade que quantidade. Seu nome ganhou a atenção dos holofotes timidamente com a pequena projeção que tiveram A Eleição e As Confissões de Schmidt, mas ganhou brilho quando Sideways – Entre Umas e Outras conquistou indicações importantes para o Oscar, embora muitos considerem que os críticos ficaram embriagados com a tal viagem etílica proporcionada pelo cineasta. Na realidade, enquanto muitos quebram a cabeça buscando a fama através do emprego cada vez maior de tecnologias nas filmagens, Payne segue o caminho inverso. Minimalista e emotivo, histórias e personagens são suas matérias-primas, mas não é de se estranhar a quantidade de críticas negativas que este seu trabalho recebeu, pois o público depositou nele muitas expectativas por causa das premiações. Se fosse simplesmente vendido como um projeto independente sem o respaldo de indicações ao Oscar, Globo de Ouro e outros eventos renderia menos dinheiro e exposição na mídia, mas certamente  venderia o produto de uma maneira mais honesta e a reação do público poderia ser outra. Matt King (George Clooney) é um advogado que sempre se dedicou muito ao trabalho, vive no Havaí, é casado há muitos anos, tem duas filhas e possui uma conta bancária generosa, enfim a vida perfeita que qualquer um sonharia. Errado! Quando sua esposa Elizabeth (Patricia Hastie) sofre um grave acidente e fica em coma, King começa a ver que não sabia de tudo que se passava em seu próprio lar. Ao se dar conta que se dedicava demais ao trabalho e pouco à família, o que acabou o afastando das filhas Scottie (Amara Miller), a caçula que não anda se comportando bem na escola, e Alexandra (Shailene Woodley), a mais velha que recusa qualquer gesto de carinho ou preocupação do pai, King finalmente descobre o porquê dessa repulsa e da briga entre ela e a mãe que já durava alguns meses. A garota sabia que ela tinha um amante. Transtornado por saber que Elizabeth desejava o divórcio e que agora suas filhas dependiam unicamente do pai, o advogado resolve levar a vida adiante de forma digna, assim ele decide descobrir quem era seu rival ao mesmo tempo em que precisa lidar com as negociações envolvendo um terreno herdado de seus antepassados, uma tarefa que acaba o aproximando de seus primos que estão de olho no que podem faturar.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

CRY-WOLF - O JOGO DA MENTIRA

NOTA 3,5

Apesar de um início
diferenciado, longa recicla
fórmula consagrada e tem
um pretensioso final 
Os sádicos assassinos de Halloween, O Massacre da Serra Elétrica, A Hora do Pesadelo e Sexta-Feira 13 deixaram muitos jovens sem dormir e roendo as unhas por muitas noites entre as décadas de 70 e 80, mas o termo serial killer só ficou popular mesmo a partir de 1996 quando o criativo Wes Craven reinventou este subgênero do terror em Pânico. De lá pra cá muitos outros títulos copiaram a risca tal fórmula de sucesso, gerando inclusive franquias, mas quantas destas produções estrearam em brancas nuvens e hoje em dia ninguém se lembra? A resposta são dezenas de títulos. Então porque ainda produções do tipo são produzidas? Simplesmente porque elas têm seu público cativo e sempre estão criando novas plateias para curti-las. A qualidade destes trabalhos em geral é duvidosa, mas que atire a primeira pedra quem hoje está com seus 20, 30 e poucos anos e nunca curtiu com os amigos na adolescência uma sessão de terror do tipo em casa ou no cinema regada a muita pipoca e refrigerante. Ruim com eles, pior sem eles. Podemos tecer quantos comentários negativos quisermos, mas o fato é que os filmes de seriais killers ainda rendem grana e servem para matar o tempo com a galera ou em uma noite chuvosa e se sumissem do mercado certamente gerariam revoltas. Apesar de a grande maioria ser totalmente previsível e esquecível é preciso dar um voto de confiança para os profissionais que ainda procuram dar um gás a esse combalido nicho cinematográfico, como é o caso do diretor Jeff Wadlow que procurou fazer de seu Cry-Wolf – O Jogo da Mentira um produto diferenciado. A trama começa com o assassinato de uma garota nos arredores de um prestigiado colégio. É nessa instituição que a partir de agora irá estudar Owen (Julian Morris), mais um a se juntar a um bando de filhinhos de papai que matam o tempo livre fazendo joguinhos para testar o poder de persuasão e ingenuidade de cada um. Quem lidera esse grupo é a impetuosa Dodger (Lindy Booth) que dá a ideia de aproveitarem a tal tragédia da introdução para pregarem uma peça e testarem as emoções e reações dos demais colegas de escola. Juntos eles criam uma identidade visual, psicológica e até um “método de trabalho” para o suposto assassino da garota e inventam um trajeto de crimes que o mesmo cometeu em outra cidade dando a entender que agora ele faria as mesmas atrocidades no novo endereço como se fosse um ritual. Tal história é enviada por email para os alunos e logo o tal serial killer está na boca do povo, mas obviamente o que era ficção acaba se tornando realidade e o assassino batizado de Lobo passará a perseguir Owen e seus amigos, mas ele tem certeza que por de trás do gorro laranja que esconde a identidade do vilão está um de seus companheiros de grupo pregando-lhe uma peça na sugestiva época do Halloween.

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