quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

COMO PERDER UM HOMEM EM 10 DIAS

NOTA 7,0

Casal protagonista se une
com o intuito de se dar bem
na vida profissional, mas é
o amor que fala mais alto
No gênero das comédias românticas é muito comum o tema dicas para se dar bem no amor. Os roteiros variam colocando seus protagonistas a serviço de um manual ou livro de autoajuda, a serviço dos conselhos de amigos ou até mesmo uma reflexão dos personagens revendo suas vidas amorosas para não repetir os mesmo erros em uma próxima vez. Você já viu algo do tipo inúmeras vezes em filmes da Jennifer Lopez, Drew Barrymore, Jennifer Anniston e tantas outras atrizes que são sinônimos deste gênero cinematográfico, mas e um longa criado justamente para ensinar as regras básicas para destruir um relacionamento?  Pois este é o mote principal de Como Perder um Homem em 10 Dias, uma divertida comédia romântica na qual tanto a mocinha quanto mocinho embarcam em uma relação amorosa não visando melhorar suas vidas pessoais, mas sim as profissionais. Benjamin Barry (Matthew McConaughey) é um publicitário que faz uma ariscada aposta com seu chefe. Convencido de seu potencial para conquistar mulheres, ele terá apenas dez dias para fazer uma dama cair aos seus pés de paixão, assim ele terá o direito de gerenciar a conta e desenvolver uma importante campanha de vendas de diamantes que foi entregue à empresa em que trabalha. Na mesma noite em que o pacto é feito Barry encontra sua vítima. Ela é Andie Anderson (Kate Hudson) que em uma primeira conversa com o rapaz já se mostra disposta a ser mais que uma amiga para ele, porém, na realidade ela deseja o namoro tendo segundas intenções. Ela é uma jornalista que está cansada de escrever matérias fúteis para uma revista feminina e propõe à sua chefe que caso ela escreva um texto excepcional sobre um tema mais original poderia então ser alçada a um patamar mais respeitável na redação. Assim ela troca as triviais dicas para ter um relacionamento de sucesso para mostrar às mulheres as coisas que elas fazem e que acabam por espantar os homens. Andie não está atrás de teorias, mas sim de viver na prática os erros propositalmente a cada novo encontro com Barry. Um amor baseado na desonestidade tem futuro? Por se tratar de uma típica comédia romântica americana você já sabe como tudo vai acabar e talvez seja no conforto em saber que o final feliz está garantido que resida o segredo do sucesso de produções do tipo. Repetem-se os atores, personagens e conflitos, uma ou outra mudança aqui ou ali, mas sempre há uma ampla legião de espectadores a disposição desses produtos.
 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O GRITO

NOTA 7,0

Refilmagem de terror
japonês mantém muitos
elementos da obra original,
inclusive o próprio diretor
Diga o nome de um filme de teror que você não resiste em rever de tempos em tempos. Obviamente esta é uma pergunta mais destinada aos fãs do gênero e certamente eles buscarão a resposta lá no fundo do baú e dirão que o seu preferido é O Exorcista ou O Bebê de Rosemary. Poderão também recorrer aos longas de monstros clássicos vividos por Bela Lugosi ou Christopher Lee ou ainda irão dizer que o melhor dos últimos tempos foi Jogos Mortais enfatizando que só o primeiro da série vale a pena. Mas e algum título da safra dos remakes orientais produzidos em Hollywood? Ah, aí o bicho pega e todo mundo tem vergonha de assumir que pelo menos uma vez na vida ficou de pernas bambas ao ver uma assombração de olhinhos puxados. O período mais fértil dos remakes de horror orientais marcou os primeiros anos do século 21, um movimento cinematográfico que gerou milhões, mas fatalmente chegou à saturação principalmente quando os longas originais conseguiram brechas para serem exibidos nos cinemas e chegarem às locadoras ocidentais. Tudo que é demais cansa e a qualidade das produções declinou tanto do lado ocidental quanto do oriental. É certo que nenhuma delas tem potencial de obra-prima, mas não podemos negar que essas tais refilmagens em sua maioria são divertidas e cumprem seus objetivos: causar sustos, arrepios, gritarias e serem esquecidas rapidamente (ou não, depende de cada um).  O Grito é um bom exemplo desse tipo de produção objetiva. Logo no início tomamos conhecimento de uma crendice japonesa. Quando alguém morre em um momento de raiva nasce uma maldição no local onde tal pessoa se encontrava na hora da morte, assim quem entra em contato com o espaço acaba sendo amaldiçoado e todos a sua volta correm o risco de morrer, inclusive o próprio indivíduo desavisado. Em Tóquio encontramos a estudante americana Karen Davis (Sarah Michelle Gellar) que foi morar lá para acompanhar o namorado Doug (Jason Behr) e trabalha como voluntária em um centro social. Certo dia lhe é solicitado que ela substitua uma jovem que não foi trabalhar e sumiu misteriosamente. Sua tarefa é cuidar de Emma Williams (Grace Zabriskie), uma senhora de idade que sofre de letargia associada à demência. Quando chega ao local, Karen encontra essa mulher sozinha demonstrando um comportamento estranho, muito calada e com olhos assustados, enquanto o resto da casa parece abandonado. A voluntária trata de Emma e tenta dar um jeito na bagunça da casa, mas sentindo uma vibração negativa e ouvindo barulhos estranhos ela passa a explorar melhor o local e ao abrir um armário acaba liberando uma maldição que até então desconhecia. Agora ela precisa tentar salvar sua vida e a de outras pessoas com quem convive, mas para cortar este mal de vez talvez só mesmo tomando medidas drásticas.
 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

SEGUNDA CHANCE PARA O AMOR

NOTA 7,0

Edward Burns realiza um
bom trabalho atrás e
 na frente das câmeras em
romance sobre reencontros
Edward Burns é um profissional ainda subestimado. É um bom intérprete, mas não tem um nome forte no cinema capaz de chamar a atenção de milhares de espectadores, porém, também não colhe críticas negativas. Por outro lado, não raramente seus trabalhos acabam passando em brancas nuvens. É uma pena que sua trajetória como diretor de filmes, iniciada em 1995 com o agradável Os Irmãos McMullen, também tenha uma visibilidade tão pequena, embora a resposta provavelmente esteja nas escolhas dos seus projetos, geralmente produções simplórias e de tom mais intimista, mas que valorizam elenco, personagens e, principalmente, uma boa história, ou seja, tudo aquilo que é desperdiçado por muitos cineastas renomados hoje em dia. É até possível dizer que a filmografia de Burns como diretor tem certas semelhanças à do cultuado Woody Allen. Ambos gostam de filmar em cenários nova-iorquinos, costumam atuar nos longas que dirigem e preferem escrever seus próprios roteiros que flertam com o drama, o romance e a comédia leve. Todavia, Burns ainda está longe de ser considerado um cineasta completamente virtuoso ou de talento indiscutível. Mesmo assim ele não faz feio em Segunda Chance Sobre o Amor, produção na qual, para variar ele atua, dirige e escreve. Ele deu sequência a seu estilo próprio de fazer cinema que consiste em reciclar clichês e não surpreender o espectador, porém, características que em nada desmerecem seu trabalho, pelo contrário, só contribuem para acrescentar credibilidade e naturalidade. Mesmo sendo uma produção independente e de baixo orçamento, Burns conseguiu reunir um elenco talentoso de sua geração e ousou levemente ao escrever uma história sobre modernos intelectuais, pessoas que desejam viver da sua arte, no caso a escrita, mas que esbarram em dificuldades comuns do campo de trabalho como a escassez de oportunidades e as dificuldades em lidar com o baixo nível intelectual dos leitores contemporâneos (algo que pode ser positivo ou negativo dependendo do estilo literário do escritor). Em rápidos e inteligentes diálogos são feitas citações aos comportamentos de quem costuma ler, desde os aficionados por literatura fantasiosa, passando por aqueles que não admitem variações de estilo até chegar à indagação se no final de um dia de trabalho uma pessoa não tem o direito de ler algo leve apenas por distração. Embora trate tal assunto com seriedade, o roteiro não o explora a fundo, afinal a intenção era realizar uma comédia romântica, mas com certo apelo intelectual e mais calcada no drama. A discussão sobre o amor é constante nos filmes dirigidos por Burns e aqui ele lança a questão se seria possível dar uma segunda chance para um relacionamento terminado há muitos anos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O EFEITO DA FÚRIA

NOTA 5,5

Drama enfoca a vida de
personagens após sofrerem
um trauma, mas roteiro
frouxo não prende atenção
Quando somos crianças é comum termos medo de muitas coisas, afinal de contas estamos conhecendo o mundo. Observando dessa forma, ter medo de fantasmas é algo normal até para um adulto já que a vida após a morte é e provavelmente continuará sendo uma eterna incógnita. Porém, nos dias atuais nada deve causar mais medo do que o próprio homem e a violência que ele instiga no seu dia-a-dia nos mais diversos ambientes e contra pessoas conhecidas ou não. Já pensou você sair para jantar com a família em um restaurante e não ter a certeza se voltará são e salvo com todos? Isso poderia ser ficção, mas infelizmente tornou-se uma realidade frequente provocada pela maldade de algumas pessoas que cometem assaltos, sequestros e até mesmo assassinatos em troca de dinheiro, jóias, carros ou ainda pelo motivo de não satisfeitos com suas vidas alguns indivíduos decidirem se matar, mas não sem antes provocar o sofrimento de outras pessoas, como se fosse uma maneira de extravasar a raiva que sentem da vida por inúmeras razões. Roy Freirich optou pela segunda opção para desenvolver o roteiro de O Efeito da Fúria, um drama irregular que não joga o foco no “vilão”, mas centra suas atenções nos personagens que sobreviveram aos seus atos irracionais. Adotando uma linha narrativa fragmentada e com muitos flashbacks, ao longo do filme ficamos sabendo o que realmente aconteceu em uma tarde ensolarada dentro de uma lanchonete, o que houve com as pessoas que saíram com vida de lá e como tal fatalidade atingiu as pessoas que convivem com os sobreviventes. Todavia, esse vai e vem do tempo e algumas ações dos personagens acabam tornando este filme cansativo e por vezes confuso. Se a intenção era emocionar com o drama destas pessoas, o diretor Rowan Woods, do drama Sob o Efeito da Água, não conseguiu alcançar seus objetivos plenamente, no máximo causar certo desconforto no espectador que pode até julgar as ações de quem está em cena, mas como ele próprio reagiria se sobrevivesse a uma tragédia? É essa inquietação que o filme consegue provocar, uma sensação que corriqueiramente vivenciamos acompanhando a cobertura da mídia sobre episódios tristes e marcantes, como um tiroteio em uma sala de cinema, uma explosão em uma boate ou um sequestro que termina com morte. Indiferente, amedrontado, sensibilizado, desamparado, crítico, são várias as formas que um ser humano pode reagir a episódios do tipo.

domingo, 27 de janeiro de 2013

CRUPIÊ - A VIDA EM JOGO

Nota 5,0 Escritor busca inspiração no trabalho em um cassino, mas sua vida muda completamente

Sinopse: Jack Manfred (Clive Owen) sonha em se tornar um escritor de sucesso, mas em meio as suas tentativas em publicar seu primeiro romance acaba afogando-se em dívidas. Ele é avisado sobre uma vaga de emprego em um cassino de Londres como croupier, mas Jack já tinha prometido a si mesmo que não se meteria mais com jogatinas. Contudo, ele consegue o trabalho e está se saindo muito bem, porém, sua namorada Marion (Gina McKee) insiste para que ele peça demissão, pois acredita que o novo emprego está atrapalhando sua carreira literária. Mal sabe ela que Jack está nesse negócio justamente para se inspirar e escrever um livro sobre um assunto que domina. É nessa fase que ele se envolve romanticamente com Bella (Kate Hardie), outra funcionária do cassino, e Jani (Alex Kingston), uma cliente do local que está metida com criminosos que querem roubar a casa de jogos. Todas essas experiências passam a fazer parte do enredo do livro de Jack protagonizado pelo personagem Jake, claramente seu alter-ego.

sábado, 26 de janeiro de 2013

OPIUM - DIÁRIOS DE UMA MULHER ENLOUQUECIDA

Nota 6,0 Longa enfoca relação doentia entre médico e paciente em um hospital psiquiátrico

Sinopse: No início do século 20, na Hungria, o escritor e médico Josef Brenner (Ulrich Thomsen) está prestes a começar a trabalhar em uma clínica psiquiátrica. Durante meses ele vem sofrendo um bloqueio mental que o impossibilita de redigir até mesmo uma única linha e tal problema o levou ao vício do ópio. Certo dia chega ao local uma nova paciente, Gizella (Kristi Stubo), uma moça que ao contrário de Brenner está sempre com vontade de escrever, redige com freqüência em seu diário, mas também está com um grave problema. Ela está obcecada pela ideia de que um poder cruel e estranho a possui. O médico acaba desenvolvendo um interesse particular por esta paciente que claramente sofre de esquizofrenia, mas sua compulsão pela escrita é o que mais lhe chama a atenção e tentará tirar o máximo de proveito possível deste dom da jovem.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

UMA MANHÃ GLORIOSA

NOTA 6,0

Comédia não se aprofunda
nas questões sobre o mundo
do jornalismo, mas diverte e
tem um elenco talentoso
Quando a televisão foi inventada logo surgiram os boatos de que isso significaria o fim do cinema. Os anos passaram e os dois veículos de comunicação continuam ativos, provavelmente ambos não tão bem como antigamente, mas é fato que o mundo da TV sempre fascinou cineastas, roteiristas e produtores. Seja qual for o gênero em que o tema é utilizado, geralmente as propostas giram em torno da desmistificação do ambiente televisivo, ou seja, mostrar que se nas imagens que chegam até nossas casas tudo é perfeito, nos bastidores as coisas podem ser bem diferentes. Problemas de relacionamento entre os profissionais, divergências de ideias, omissão de fatos, enfim, muita coisa acontece nos camarins e corredores das emissoras que não chegam ao conhecimento dos espectadores. Uma Manhã Gloriosa foi criado para falar do mundo do telejornalismo, mas pelo título já dá para perceber que o objetivo não é realizar um estudo profundo do tema, no máximo instigar o espectador a procurar conhecer mais sobre ele. A workaholic Becky Fuller (Rachel McAdams) é uma produtora de TV que foi demitida inesperadamente, mas conseguiu uma vaga para tentar alavancar a audiência de um programa matinal em uma nova emissora a convite do executivo Jerry Barnes (Jeff Goldblum). O problema é que tal tarefa exigirá muitas mudanças e esforços como, por exemplo, convencer o premiado, mas odiado, jornalista Mike Pomeroy (Harrison Ford) a apresentar matérias sobre comportamento, moda, beleza entre outros assuntos amenos ao lado da ex-miss Arizona, Colleen Peck (Diane Keaton), seu desafeto há anos.  Os dois têm gênios fortes, língua afiada e não pensam duas vezes antes de começar uma briga. Mesmo com o pepino em suas mãos de administrar essa guerra de egos, Becky demonstra muito entusiasmo pelo seu trabalho e se esforçará ao máximo para que o tal programa matinal conquiste público e se torne respeitável no prazo de apenas seis meses. Em resumo, o enredo é sobre uma jovem esforçada que quer apresentar o melhor trabalho possível, mas sempre esbarra na soberba e falta de educação de seus superiores (alcunha dada simplesmente por eles terem os nomes famosos e colocarem a cara para bater na frente das câmeras). Premissa conhecida não? As semelhanças com O Diabo Veste Prada não são coincidências, afinal os dois roteiros são de autoria de Aline Brosh McKenna, porém, a relação difícil de Diane e Rachel, ou melhor, de suas personagens, não é tão empolgante quanto o embate entre Meryl Streep e Anne Hathaway, mas dá para encarar sem problemas.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

PEQUENO DICIONÁRIO AMOROSO

NOTA 6,5

Para os padrões de sua

época de lançamento, 
longa nacional é ousado em
seu estilo narrativo
A segunda metade dos anos 90 marcou o recomeço da produção de cinema no Brasil, mas apesar dos esforços muitos trabalhos acabaram passando em brancas nuvens ou só tiveram sucesso instantâneo. É certo que muitos cineastas realizaram projetos muito mais visando sua satisfação pessoal que lucros, mas ainda bem que alguns profissionais mais antenados souberam perceber que o cinema nacional só daria certo se nossos filmes se aproximassem ao estilo comercial hollywoodiano, assim não impactando negativamente o público e o acostumando aos poucos a apreciar os trabalhos de seu país. Pequeno Dicionário Amoroso é um exemplo de que o Brasil naquela época já não precisava se ater somente a temas históricos, políticos ou de denúncia social, mas já estava apto a investir em gêneros pouco explorados em nossa cinematografia e ainda dar um toque diferenciado. Experiente na área de documentários, Sandra Werneck estreava na direção de longas de ficção com o pé direito, mas obviamente também cometeu escorregadelas dependendo do ponto de vista. A espinha dorsal deste trabalho é o típico amor a primeira vista com direito a paqueras, frases de efeito e gargalhadas dos enamorados em situações comuns do cotidiano. A arquiteta Luiza (Andréa Beltrão) e o biólogo Gabriel (Daniel Dantas) se conheceram por acaso em um lugar inusitado, um cemitério, mas a empatia foi de ambas as partes e logo eles começaram a namorar. Porém, à medida que o envolvimento aumenta, eles passam a perceber quem nem tudo são flores e passam a questionar a natureza de seus sentimentos. O entusiasmo, a felicidade e a novidade do início de namoro dão espaço ao marasmo, à tristeza e às brigas. A situação piora quando Luísa descobre que Gabriel havia feito vasectomia há algum tempo, assim seu sonho de ser mãe de um filho do homem que ama vai por água abaixo. Entre a fase boa e a má do casal, eles recebem o apoio de amigos fiéis que tentam mostrar os pontos positivos e negativos de um relacionamento amoroso, assim como os prós e os contras de estar solteiro.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

TERRA RASA

NOTA 0,5

Somente a sequência
inicial é digna de
elogios, o resto é enrolação
sem sentido e enfadonha
Quem nunca escolheu assistir a um filme simplesmente por se sentir atraído pelo pôster do cinema ou pela capa do DVD? Às vezes essa opção pode reservar uma excelente surpresa, mas é provável que o número de decepções seja bem maior. Quem curte filmes de terror deve se guiar muito mais pela arte publicitária de um longa do que pelo seu conteúdo, já que os enredos geralmente são repetitivos, mas os fãs do gênero gostam desses clichês e mesmo conseguindo prever o que vai acontecer a cada cena não resistem a dar uma espiadinha em qualquer produção do tipo. Terra Rasa é apenas mais um produto de horror feito para encher prateleiras de locadoras e embora seja desprovido de qualidades técnicas e de um bom roteiro até conseguiu um pequeno número de fãs. O longa não tem nem mesmo uma arte de capa chamativa, digamos que ela é apenas instigante e a única coisa que presta neste trabalho do diretor e roteirista canadense Sheldon Wilson cuja filmografia essencialmente calcada nos gêneros de suspense e terror possui trabalhos que só pelos títulos já dão arrepios de medo de assistir e se arrepender amargamente. A narrativa começa apresentando um rapaz (Rocky Marquette) coberto de sangue da cabeça aos pés que está vagando pela mata e observando de longe a movimentação de algumas pessoas que estão na região desativando um posto policial. Ele vai até o local e surpreende os tiras que ainda se encontram naquela base. Eles tentam descobrir quem é esse garoto e se o sangue que encobre seu corpo é dele mesmo ou se seria de algum animal ou até mesmo de um humano, visto que alguns estranhos desaparecimentos de pessoas estão ocorrendo por lá há cerca de um ano. O policial Jack Sheppard (Timothy V. Murphy) é uma das pessoas que ficam encarregadas de investigar este caso que une traços de realidade e de algo sobrenatural. Os exames de sangue feitos com o material colhido no corpo do estranho indicam células mortas de pessoas que estão desaparecidas há meses, mas ao mesmo tempo em que ele está detido outras mortes ocorrem nas redondezas. Haveria um serial killer por perto?

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

QUERIDO FRANKIE

NOTA 8,5

Drama carrega consigo a
nobre essência do cinema
europeu e não cede ao
dramalhão completamente
É curioso que algumas produções não americanas que seguem fórmulas consagradas por Hollywood acabem não repetindo o mesmo sucesso que outras semelhantes, principalmente quando há no elenco pelo menos um nome de peso. Querido Frankie é uma obra linda, melosa na dose certa e preocupada em transmitir emoções e algumas mensagens para fazer o espectador refletir. Mesmo contando com a participação do astro Gerard Butler, este drama é praticamente desconhecido. Há duas explicações para isso. Além de o filme ser uma co-produção entre a Escócia e a Inglaterra, o que implicitamente já a carrega de uma essência européia que pode afastar o público, o protagonista era um Zé ninguém na época do lançamento. Butler se tornaria famoso pouco tempo depois pelo musical O Fantasma da Ópera. É uma pena que até hoje poucos tiveram o prazer de ter contato com essa tocante obra da cineasta britânica Shona Auerbace. Em sua estréia na direção de longas-metragens, um projeto que levou cerca de seis anos para ser concluído devido a falta de recursos financeiros e de um grande estúdio por trás, ela não inova e até recorre a muitos clichês, contudo, entrega um trabalho honesto e que consegue envolver o espectador justamente pela autenticidade que transmite, fruto do lado maternal da diretora aflorado que ao longo dos anos se dividiu entre os preparativos do filme e os cuidados com dois filhos gerados no período. Não é a toa que a relação de uma mãe e seu filho é o tema principal. Frankie (Jack McElhone) é um garoto que vive numa pequena cidade localizada no litoral escocês junto com a mãe Lizzie (Emily Mortimer) e a avó Nell (Mary Riggans). Ele sofre de deficiência auditiva e talvez por isso também tenha dificuldades para falar. Sua voz só é ouvida quando ele lê em pensamentos o que escreveu nas cartas que envia regularmente ao seu pai, mas ele jamais o conheceu pessoalmente ou pelo menos não lembra. Porém, quem responde tais correspondências é a própria mãe do menino que não chega a enviar as cartas e sustenta esta farsa há anos, tudo para proteger Frankie de um trauma de infância por não ter uma figura paterna presente, mas principalmente para conhecer melhor o garoto, pois ele só se expressa quando escreve.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

MINHAS ADORÁVEIS EX-NAMORADAS

NOTA 7,0

Apesar dos protagonistas
não formarem um par
ideal, longa diverte e é
ligeiramente original 
Fazer uma crítica sobre uma comédia romântica não é uma tarefa fácil. Além de não inovarem na parte técnica ou visual, tais produções geralmente seguem um mesmo padrão narrativo. Todos sabem que os protagonistas inicialmente vão cativar de alguma forma o espectador, depois romperão devido a algum problema interno ou externo à relação e por fim eles voltam a se entender e teremos o inevitável final feliz. Ainda bem que nem sempre tais regras são seguidas à risca. Com exceção dos aspectos técnicos e do final feliz do casal principal, podemos dizer que Minhas Adoráveis Ex-Namoradas é um filme levemente diferenciado dentro de seu nicho cinematográfico por adotar algumas simples mudanças, a começar pela história ser contada do ponto de vista masculino como se a intenção da produção fosse justamente fazer com que as mulheres compreendam melhor o universo que cerca o sexo oposto, assim como o porquê de alguns homens terem tantas parceiras até encontrar a mulher certa para casar, o ponto de apoio necessário para não enfurecer a platéia feminina que ainda pode se dar ao desfrute de sonhar com um casamento perfeito. Matthew McConaughey, já diplomado em comédias românticas, mais uma vez vive um cara metido a espertalhão e sedutor. O fotógrafo de celebridades Connor Mead se gaba por ter uma extensa lista de ex-namoradas e relacionamentos de apenas uma noite ou até mesmo algumas poucas horas, por isso não compreende como um homem pode preferir abandonar a vida desregrada e de pura diversão em razão de uma união estável que acarreta uma porção de compromissos. Assim, ele não poupa críticas e piadas cheias de segundas intenções durante os preparativos da festa de casamento de seu irmão Paul (Breckin Meyer), tentando a todo custo que ele desista desta ideia. E já que ele está por lá de bobeira, por que não ampliar sua lista de conquistas com as madrinhas de casamento? O problema é que ele já saiu com todas elas e não gosta de repetir a dose para não dar esperanças às mulheres de que alguma coisa mais séria possa acontecer entre eles. Todavia, uma delas mexe além da conta com o coração do garanhão. Jennifer Garner, outra já conquistando mestrado no gênero, vive a romântica médica Jenny Perotti que certa vez já caiu na lábia do cara, se arrependeu e agora não vai deixar que ele estrague o casamento de sua melhor amiga com o irmão dele que felizmente não herdou da família a libido exagerada. Sim, os hormônios em ebulição também fizeram a fama do tio dos rapazes algumas décadas antes.
 

domingo, 20 de janeiro de 2013

A HERANÇA DE MR. DEEDS

Nota 6,5 Refilmagem de longa de Frank Capra aposta no humor popular e em clichês

Sinopse: Longfellow Deeds (Adam Sandler) é um rapaz simples e alegre que vive na pequena cidade de Mandrake Falls onde faz sucesso com sua pizzeria. Sua vida muda completamente quando recebe a visita de alguns executivos que lhe trazem uma notícia inesperada. Um tio que sempre viveu distante e sem manter contato faleceu e deixou para Deeds uma fortuna de cerca de 40 bilhões de dólares, além de uma porção de investimentos, como uma empresa de comunicação que simplesmente é a maior do mundo todo. O jovem então segue rumo à Nova York para tomar conta do que é seu. Nesse momento, Babe Bennett (Winona Ryder), repórter de um jornal sensacionalista de TV, é encarregada de se aproximar de Deeds para observá-lo de perto e trazer notícias quentinhas sobre o mais novo milionário da praça. O problema é que ela acaba se apaixonando por este homem, mas precisa continuar como informante e as coisas só pioram quando as informações que ela capta são deturpadas pela equipe do programa.

sábado, 19 de janeiro de 2013

O FANTASMA DO LOUVRE

Nota 1,5 A França pode e deve fazer filmes comerciais, mas diretor perde a mão em suspense

Há quem diga que as construções antigas são carregadas de energia negativa e que aqueles que a habitaram ou tiveram uma morte brusca não as abandonam, tornando-se almas inquietas condenadas a viverem eternamente vagando pela Terra. Seguindo tal crendice, nada melhor que um museu para dar um caldo novo ao conto da casa assombrada, afinal os pertences de muitos falecidos estão ali em exposição. Somem-se a isso os mistérios que cercam a cultura do antigo Egito e certamente teremos um bom filme de suspense ou até mesmo de terror. Infelizmente não é o que acontece com O Fantasma do Louvre, uma tentativa do cinema francês de provar que pode fazer filmes comerciais no estilo de Hollywood, mas precisam ainda aprender muito para brigar de igual para igual. A trama começa em 1935 quando o egiptólogo Pierre Desfontainer (Pierre Aussedat) encontrou em meio as suas escavações um sarcófago que lhe chamou a atenção. A tumba e outros objetos foram enviados ao Museu do Louvre que na época passava por uma grande reforma, assim muitas das relíquias de seu acervo acabaram esquecidas por décadas em porões ou salas inativas. Na virada para o século 21, esses objetos foram reencontrados e o tal sarcófago virou objeto de estudo da historiadora Glenda Spencer (Julie Christie), que logo deduz que algo estranho aconteceu no funeral daquela múmia, já que sua tumba continha inscrições que só os nobres poderiam ter, porém, o cadáver estava sem joias, o que poderia indicar que ele seria apenas um servo. Enquanto as investigações sobre essa descoberta avançam coisas estranhas passam a acontecer no museu, como mortes e roubo de peças egípcias de valor inestimável. Mesmo com esses problemas, a jovem Lisa (Sophie Marceau) é atraída constantemente para o local e por vezes apresenta um comportamento estranho. Estes casos só ganham uma justificativa convincente com a chegada do inspetor Verlac (Michel Serrault), que sabe por experiência própria que uma força maligna está assolando o museu. Como se percebe a trama carrega um quê de produção estilo blockbuster, mas sua confecção deixa a desejar e parece um tanto datada.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

POSSUÍDOS (2006)

NOTA 6,0

Longa surpreende, para o
bem ou para o mal, com
um intenso e claustrofóbico
thriller psicológico
Existem vários exemplos de filmes que acabam não encontrando seu público devido a uma má escolha de título. Esse é um problema comum quando as produções chegam aos países estrangeiros. No Brasil, muitas obras ganharam alcunhas de doer, outras que nada tem a ver com o enredo e também ocorrem casos de três filmes ou até mais ganharem o mesmo título, o que só confunde o público que acaba por comprar gato por lebre muitas vezes. Também podem ocorrer situações que o título original não pareça nada atrativo e acabe sendo trocado por algo mais genérico como é o caso de Possuídos, cujo nome original é “Bug”, que numa coincidência proposital de nosso mercado também intitula um suspense estrelado por Denzel Washington. Porém, quem espera encontrar uma trama sobre demônios, a grande jogada da distribuidora Califórnia, certamente irá se decepcionar, pois de espíritos demoníacos não temos nem sombras. A obra em questão é um thriller psicológico, mas dificilmente alguém se interessaria em assistir algo chamado simplesmente de “Inseto”, como seria na tradução literal. Sim, essas pequenas e asquerosas criaturas são os vilões deste trabalho do diretor William Friedkin, o responsável pelo famoso O Exorcista, mas não espere uma bobagem no estilo dos trash movies do passado nos quais seres humanos eram transformados em monstros quando submetidos a experiências com insetos, mas de certa forma a produção não escapa de ser rotulada como um tremendo filme B. O enredo é carregado de tensão, mas o medo é construído pouco a pouco e não simplesmente despejado sobre o espectador. Quando a história está em seu clímax, por mais absurdo que ele possa parecer, já estamos totalmente envolvidos e participando da loucura dos personagens, isso se você se permitir participar desta viagem alucinógena. Insetos, possessão que não existe, loucura, tensão, pinta de filme ruim, mas ao mesmo tempo bom, um diretor conceituado no comando, afinal que raio de produção é essa? Realmente esta é uma obra ímpar que não é muito fácil de ser compreendida e talvez por isso se torne boa, pois surpreende o espectador de alguma forma. Colecionando críticas positivas e negativas nas mesmas proporções, ela é feita com estética para agradar as massas, mas seu conteúdo pode parecer um tanto complexo. O texto costuma agradar as platéias mais intelectuais, mas seu visual pode causar repúdio. Enfim, este trabalho é difícil até mesmo de ser catalogado em um gênero específico, devendo ser encarado mais como um projeto experimental para fazer sentido e aí até podemos dar razão e aplaudir as loucuras de Friedkin, na época das filmagens entrando na casa dos 70 anos, mas com vigor de um estreante na profissão.
 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

TUDO PELA FAMA

NOTA 7,0

Comédia faz uma bem
humorada crítica à TV, aos
realities shows e à busca do
sucesso instantâneo
Ter os seus quinze minutos de fama parece ser uma obsessão mundial. Não importa onde você viva, sempre tem alguém querendo aparecer sem se dar conta que pode estar pagando um tremendo mico. É incrível o que uma pessoa é capaz de fazer para poder participar, por exemplo, de um reality show, uma febre doentia que mexe com a fantasia das mentes mais fracas que acreditam que um belo corpo talhado em academia ou pelo cirurgião plástico é o bastante para garantir um futuro. Será que hoje em dia ex-Big Brother ou ex-Fazenda já são considerados como referência a uma profissão e enriquecem algum currículo? Embora os realities mais populares sejam aqueles que confinam anônimos ou famosos decadentes em uma mesma casa para serem observados como se fossem animais nos zoológicos, existem dezenas de modelos de programas que se encaixam nessa definição oriundos de todos os cantos do planeta e que, diga-se de passagem, são bem mais interessantes. Muitos deles já puderam ou ainda podem ser conferidos pelos brasileiros através de canais fechados que exibem os programas originais ou até mesmo na TV aberta, mas neste caso as emissoras nacionais adquirem os direitos sobre os formatos e os inserem como quadros de programas tradicionais como a “Dança dos Famosos” exibida pelo Faustão ou o “Jogo de Panelas” comandado por Ana Maria Braga. Também fazem sucesso por aqui os realities musicais que reúnem novos talentos em busca de uma chance para saírem dos barzinhos da vida, porém, curiosamente os vencedores dificilmente chegam a gozar plenamente do sucesso, voltando rapidamente ao ostracismo. No limbo dos esquecidos é que se encontra também a comédia Tudo Pela Fama, cujo tema principal é o sucesso baseado na imagem, um projeto coerente com o momento artístico e cultural que vivemos há mais de uma década, mas que fracassou até mesmo nos EUA em pleno auge do programa “American Idol”, modelo que por aqui se transformou no trash “Ídolos”. Quando um filme é lançado diretamente para as locadoras ou venda ao consumidor sem passagem pelo cinema é de praxe rotular como um produto ruim, mas algumas injustiças acabam acontecendo por causa dessa avaliação precipitada como neste caso em que uma crítica inteligente é feita a um fenômeno que mexe com as emoções dos populares, mas eles próprios não percebem que de show de realidade pouca coisa existe no tal programa de calouros. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

JOGANDO COM PRAZER

NOTA 1,0

Longa simplesmente não
tem conteúdo, sendo apenas
um veículo para Ashton
Kutcher exibir seu físico
Às vezes podemos nos perguntar por onde anda aquele ator ou atriz do passado que fazia tanto sucesso e sumiu de repente? Em alguns casos é fácil decifrar o enigma. Tal pessoa chamava a atenção por sua beleza ou talento? Ganhou fama trabalhando em um mesmo tipo de filme ou se aventurou por diversos gêneros? Seus fãs se concentravam em uma mesma faixa etária ou ele agradava pessoas dos 8 aos 80 anos? Se a resposta para todas as perguntas foram a primeira opção dada pode ter certeza que este profissional teve a elegância de abandonar a carreira antes das críticas o assolarem ou o próprio mercado tratou de aposentá-lo precocemente. Tais casos acontecem frequentemente com jovens atores. Só para citar alguns casos recentes, onde estão Freddie Prinze Jr., Hilary Duff, Julia Stiles, Sarah Michelle Gellar, Ryan Philipe e tantos outros? Ok, eles podem fazer um ou outro filme de vez em quando, mas estão longe da fama de outrora e suas carreiras não podem ser comparadas, por exemplo, a de Jennifer Aniston que envelhece e continua firme nas comédias românticas e repetindo o mesmo tipo de papel. Existem pessoas que ficam marcadas por determinado gênero ou tipo de personagem e isso pode trabalhar contra a sua trajetória profissional ou raramente a seu favor como é o caso de Ashton Kutcher. Embora o ator tenha protagonizado o cultuado Efeito Borboleta e o bom longa de aventura Anjos da Vida – Mais Bravos que o Mar, sua imagem de garotão que só quer saber de aproveitar as coisas boas da vida e ter o mínimo de compromisso possível com o trabalho ou relacionamentos pessoais ainda impera. Apesar de alguns projetos em que repete tal papel serem bacaninhas, como Jogo de Amor em Las Vegas e Sexo sem Compromisso, talvez a repetição dê certo pelo carisma do ator que casa bem com o estilo descompromissado destas comédias. O problema é quando ele quer que esse Peter Pan de hormônios à flor da pele seja levado a sério como no caso de Jogando com Prazer. Para quem não gostava de Kutcher, este drama (ou pornô soft, dependendo do ponto de vista) era o que faltava para odiá-lo definitivamente.
 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O HOMEM BICENTENÁRIO

NOTA 7,5

Boa premissa e tema
polêmico acabam rendendo
menos que o esperado em
drama simplista e familiar
Em um passado não muito distante muitos acreditavam que logo nos primeiros anos do século 21 seria possível viver em modernos e equipados apartamentos tal qual a família Jetsons, os automóveis se assemelhariam a aeronaves e poderíamos programas férias na Lua ou em Marte. O cinema sempre ajudou a alimentar tais fantasias, mas o fato é que já passou mais de uma década de um novo milênio e nenhum desses devaneios tornaram-se realidade. Ok, muitas coisas modernas e antes inimagináveis ganharam corpo e formas e hoje fazem parte do nosso cotidiano, diga-se de passagem, algumas invenções totalmente dispensáveis, mas muitas outras extremamente bem-vindas. Televisões, computadores, celulares e outros eletrodomésticos ganham atualizações anualmente e podem ser vistos como armações para fazer o consumidor gastar dinheiro, não é a toa que muitos equipamentos duram de um a três anos no máximo e quando precisam de consertos as peças são raridades. Por outro lado, a tecnologia ajuda e muito na área de saúde como, por exemplo, proporcionando qualidade de vida à deficientes físicos e mentais, acidentados e acometidos de graves doenças. Além dos membros e até órgãos artificiais implantados em corpos humanos, hoje já é possível utilizar computadores e robôs para ajudar na recuperação do intelecto, fala, audição, visão e locomoção de muitos pacientes. Estes temas rendem boas discussões, tem seus prós e contras e, como já dito, são fontes de inspiração para a sétima arte. Talvez pela complexidade do assunto o público e crítica acabaram por não dar o devido valor ao eficiente drama O Homem Bicentenário, que traz um enredo instigante, mas que foi simplificado pelo diretor Chris Columbus. Se os humanos ainda sonham com a eternidade e cada vez mais parecem ser máquinas controladas pelo tempo e pelos modismos, o que levaria um robô a querer ganhar vida de verdade? Em pouco mais de duas horas o cineasta de sucessos familiares como Esqueceram de Mim e Uma Babá Quase Perfeita tem a chance de realizar o trabalho de sua vida, mas a desperdiça. Não que o filme seja ruim, longe disso, mas o tempo é muito curto para desenvolver um roteiro que fala sobre educação, família, sonhos, alegrias, tristezas, direitos, ética, enfim, há um leque enorme de possibilidades a serem trabalhadas, mas que não competem à um projeto comercial. Todavia não devemos levar ao pé da letra tal definição para todos os filmes que visam lucro. Uma obra que quer chegar até os populares não precisa obrigatoriamente ser de puro escapismo, mas pode e deve conter elementos que o elevem do patamar de um produto regular ou apenas para diversão, como neste caso em que entretenimento e conteúdo casam bem, ainda que o resultado final pudesse ser bem melhor.
 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

MORCEGOS

NOTA 3,0

Reunindo características
dos trashs movies, longa é
até divertido, basta não
encará-lo com seriedade  
Os filmes trashs marcaram os anos 80. Com o advento do videocassete o que era proibido no cinema tornou-se de fácil acesso. Assim os adolescentes ávidos por sangue que antes precisavam estar acompanhados de algum responsável para curtir um terror podiam finalmente matar a vontade de ver corpos dilacerados banhados à catchup o quanto quisessem. Além dos populares seriais killers, faziam sucesso os filmes de monstros e animais geneticamente modificados como aranhas gigantes ou piranhas assassinas. Tais temas também foram muito populares entre os anos 50 e 60, quando os americanos e o mundo como um todo passava por períodos difíceis com muitos conflitos políticos e religiosos que geravam mortes e violência, um clima tenso que não difere muito de nossa atualidade. Se a vida real já era assustadora, o cinema saía prejudicado. O que pode ser mais assustador que colocar o pé para fora de casa e não saber se voltará vivo no fim do dia? Sendo assim, terror e comédia foram unidos para agradar platéias que buscavam no escurinho do cinema momentos de alívio para a tensão do dia-a-dia. O gênero trash nunca saiu da moda, mas é certo que vive de altos e baixos. Após um período de poucas produções, parece que os produtores voltaram suas atenções no final da década de 1990 para este pequeno nicho de mercado. Embora muitos destratem esse tipo de filme, há também um público fiel que adora se divertir com bobagens do tipo Anaconda. Para fechar aquela década, foram produzidos em 1999 pérolas como Do Fundo do Mar, Pânico no Lago e Morcegos, este último uma produção B que no geral até que cumpre seus objetivos e transforma seus defeitos em qualidades, tornando-se uma opção acima da média do gênero. Você deve estar pensando que só louco para curtir algo do tipo, mas se não levarmos a sério tal produto é possível sim se divertir. Certamente o diretor Louis Morneau já pensou em conceber este trabalho como um legítimo trash movie, não foi uma obra do acaso o resultado final. A premissa do longa até que é bem interessante. Se no passado o cultuado Alfred Hitchcock fez sucesso apavorando platéias com pássaros aparentemente inofensivos, por que com outros seres voadores a receita não daria certo? 

domingo, 13 de janeiro de 2013

CAÇADORES DE DRAGÕES

Nota 7,0 Animação tem visual e personagens interessantes, mas história difícil para crianças

Sinopse: Um reino está correndo perigo por causa de um dragão que está prestes a despertar e destruir tudo o que encontrar pela frente. Lord Arnold, um homem muito rico e dono de um imenso castelo, já enviou uma tropa de soldados para dar conta do monstro, mas eles jamais regressaram. Sua sobrinha Zoe, uma garotinha que adora contos de aventura, decide ajudá-lo e sai à procura de heróis iguais aos das histórias que tanto a encantavam. Porém, ela acaba encontrando o tagarela Gwizdo e o grandalhão desengonçado Lian-Chu, dois caçadores de dragões, ou melhor, fracassados na atividade agora eles fingem fazer isso para arrecadar dinheiro. Determinada a seguir com eles em sua aventura para salvar a terra em perigo, Zoe decide confiar que eles podem ser verdadeiros heróis e parte em uma viagem perigosa para um mundo desconhecido onde dragões enfurecidos podem despertar a qualquer momento.

sábado, 12 de janeiro de 2013

O SUSPEITO MORA AO LADO

Nota 3,0 Apesar de contar com um serial killer, enredo é centrado na estranha relação de vizinhos

Trabalhar com o gênero suspense não é uma tarefa fácil. Conseguir interpretações convincentes, segurar segredos, criar uma ambientação adequada e, principalmente, fugir dos clichês. Se um cineasta consegue ao menos preencher um desses requisitos já devemos dar algum crédito. No caso de O Suspeito Mora ao Lado, escrito e dirigido pelo jovem e também ator Jacob Tierney, digamos que é perceptível a forte influência de inúmeros thrillers que são produzidos para a TV americana e que aqui no Brasil são lançados diretamente em DVD e posteriormente recheiam os “Super Cine” da vida. A trama se passa em meados de 1995 e tem como protagonistas Louise (Emily Hampshire) e Spencer (Scott Speedman) que são vizinhos em um mesmo prédio localizado em um bairro suburbano de Montreal, no Canadá. Sarcástico e um pouco arrogante, o rapaz praticamente não sai de seu apartamento, já que é dependente de cadeira de rodas desde que sofreu um acidente de carro no qual sua esposa veio a falecer. O edifício não oferece suporte para deficientes, assim ele conta com a generosidade e companhia de Louise, a inquilina do andar de cima e garçonete do restaurante chinês que funciona no térreo do edifício, uma garota que pouco revela sobre sua intimidade e talvez esta aura de mistério tenha conquistado o novo morador do condomínio, Victor (Jay Baruchel), um cara boa praça que logo procura fazer amizade com os demais moradores. Tudo estava bem até que alguém suspeito passou a ser notado andando pelas redondezas do edifício, coincidindo com a chegada novo inquilino. Como os jornais estão noticiando a presença de um serial killer atuando na área todo o cuidado é pouco, mas cada um desses jovens reage de uma maneira diferente a essas notícias. Seria um deles o tal assassino? Nesse interim, Valérie (Anne-Marie Cadieux), uma vizinha alcoólatra, não faz a menor questão de esconder que odeia os gatos de estimação de Louise que os trata como se fossem filhos. Sentindo-se ameaçada, a garçonete resolve dar um susto na rabugenta senhora, mas acaba na mira do detetive e psicólogo comportamental Roland Brandt (Gary Farmer) que também fica no pé de Victor e Spencer.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

APENAS UMA NOITE

NOTA 7,0

Fidelidade, amor e desejos
reprimidos são discutidos
em romance realista que
foge dos clichês do gênero
Os filmes independentes são conhecidos por geralmente contarem histórias que prezam pelo realismo e não fazem questão de finais felizes ou apoteóticos. Nem mesmo reviravoltas de fazer o queixo do espectador cair são prioridades. Então o que pode atrair atores famosos e público para esse tipo de produção? Para os artistas, participar de filmes assim traz status a seus currículos e quem assiste se sente atraído para ver essa reunião de astros ou simplesmente para fazer o gênero de espectador cult. Bem, a julgar pelo elenco, realmente não deixa de ser uma boa opção o drama romântico Apenas Uma Noite que tem o mérito de reunir atores jovens, talentosos e muito requisitados pelo cinemão comercial. A base do enredo é trabalhar a forma como dois jovens adultos casados lidam com a liberdade temporária quando se encontram separados por algumas horas. Michael (Sam Worthington) e Joanna (Keira Knightley) formam um casal comum que se uniram muito cedo e não tiveram a oportunidade de experimentar plenamente os prazeres da vida. Certa vez, durante uma festa, a esposa percebe que seu marido parece ter muita intimidade com uma colega de trabalho, a sensual Laura (Eva Mendes). Joanna observa passivamente o comportamento deles ao mesmo tempo em que passa a refletir sobre os rumos de seu relacionamento com o marido. No dia seguinte Michael tem uma viagem de trabalho, obviamente acompanhado de Laura, e por arte do destino sua esposa encontra por acaso um ex-affair seu, o francês Alex (Guillaume Canet). Por apenas uma noite o casal estará separado e cada um deles terá a oportunidade de vivenciar experiências com parceiros diferentes ou simplesmente resistir as tentações e optar pela fidelidade. Dessa forma, o longa dirigido pela estreante Massy Tadjedin revela-se uma mistura estética e narrativa de Namorados Para Sempre com Closer – Perto Demais, ainda com pitadas de Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-sol. Praticamente temos em cena apenas dois casais, ainda que não oficiais, discutindo a relação deles e também como eles vivem com seus respectivos cônjuges ou revelam experiências passadas ou ainda sentimentos reprimidos. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

13 FANTASMAS

NOTA 3,0

Apesar dos cenários
inovadores, longa repete os
clichês comuns do terror e
conta com enredo frouxo
Hollywood vive de fases, algumas muito longas e outras que duram apenas uma temporada resultando de dois a quatro filmes com temáticas similares que lutam para conquistar a preferência do espectador ou para ver qual ganhará o rótulo de fracasso entre elas. Já tivemos as incríveis coincidências de desenhos bacanas enfocando o mundo dos insetos disputando o espectador no mesmo período e também ficções a respeito de Marte brigando pelo posto de maior fracasso de todos os tempos. Nessa mesma época, final dos anos noventa e começo do novo século, produtores resolveram também vasculhar o baú e pinçar pérolas do terror americano para serem refilmadas. Com o filão dos seriais killers em franca decadência, por que não tentar trazer a tona novamente as histórias de casas assombradas? Se por um lado tivemos o original e excepcional Os Outros, por outro fomos presenteados com engodos como 13 Fantasmas, refilmagem de uma obra dirigida por William Castle, uma lenda do gênero. Há quem diga que esta é uma refilmagem de um longa homônimo dos anos 60, mas também há registros de que este é o remake de A Casa dos Maus Espíritos, de 1958, que por sua vez já serviu de base para outros títulos similares. Bem, independente do longa refilmado, é certo que filmes de terror geralmente são avaliados de regular para baixo e às vezes uma verdadeira bomba pode ganhar certo status dependendo da escassez do gênero no período. O problema é que o trabalho dirigido pelo então estreante Steve Beck, que posteriormente dirigiria O Navio Fantasma, além de ser uma produção desinteressante também chegou aos cinemas após A Casa da Colina e A Casa Amaldiçoada, também refilmagens, ou seja, foi lançado quando o público já estava saturado de filmes que prometem muito no trailer, mas no conjunto decepcionam.   Beck, técnico de efeitos especiais de produções como Indiana Jones e a Última Cruzada e O Segredo do Abismo, abusou de efeitos especiais, clichês e deixou a desejar quanto a direção dos atores e na transformação do roteiro de Neal Marshall Stevens e Richard D’Ovidio em imagens. Todos sabem que um diretor tem plenos poderes para mexer em um enredo conforme as filmagens avançam, pois quando as coisas começam a ganhar formas elas tendem a ser bem diferentes do que é descrito no papel, mas neste caso a preguiça falou mais alto.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

LULA - O FILHO DO BRASIL

NOTA 4,0

Da infância à fase adulta,
longa enfoca a vida pessoal
do ex-presidente e deixa a
política em segundo plano
As cinebiografias são projetos que podem ser verdadeiras obras-primas ou retumbantes fracassos, tudo depende da forma como o homenageado será retratado, de forma fidedigna ou glorificado ao extremo? Qual versão mais lhe agrada? Geralmente elas são feitas quando as pessoas já faleceram, mas deixaram sua marca na História e esta deve ser registrada cinematograficamente para ser eternizada, porém, tem se tornado cada vez mais comum refazer algumas trajetórias com o homenageado ainda vivo e disponível para ajudar no que for preciso ou para criticar quando as coisas não são mostradas como realmente aconteceram. Contar tais histórias não é fácil, ainda mais quando o protagonista é o próprio presidente da república em pleno exercício de seu governo na época das filmagens. Com Lula – O Filho do Brasil parece que nosso excelentíssimo ex-presidente não interferiu na construção do roteiro ou se intrometeu nas filmagens, mas nos bastidores polêmicas foram geradas. Além do orçamento captado por empresas de renome e ligadas à política, o longa foi feito com uma rapidez inacreditável para os padrões do nosso cinema justamente para ser lançado em um ano eleitoral, época em que Lula se preparava para deixar de ser presidente, mas já preparava um sucessor de seu partido para substituí-lo, ou melhor, uma sucessora, Dilma Rousseff. Os produtores deveriam ter feito o lançamento pelo menos um ano depois da poeira das eleições abaixarem. Obviamente não faltaram pessoas para acusar o longa de ser uma descarada peça publicitária muito bem elaborada em favor de Dilma, já que Lula constantemente estava ao seu lado nos eventos políticos, e a semelhança do título com 2 Filhos de Francisco, sucesso sazonal que contou a emocionante história de vida dos cantores Zezé di Camargo e Luciano, ao invés de atrair público o afastou. Na realidade, este trabalho do diretor Fábio Barreto, de O Quatrilho, não se propõe a discutir a fundo questões políticas, nem mesmo a fundação do PT é abordada, mas sim em emocionar o espectador com a história triste e de superação de um homem do povo que conseguiu chegar ao topo sem perder a humildade, tornando-se um dos políticos mais populares de nossa História, sendo inclusive elogiado fora do país. O que explicaria as baixas bilheterias e a fraca repercussão deste filme? Bem, apesar de muitos aprovarem o governo de Lula, principalmente da classe C que ascenderam socialmente e financeiramente, não são poucos os que o criticavam duramente e sua história de vida já foi pauta dos principais veículos de comunicação, assim não sobrando muitas novidades a serem contadas no cinema. Pior ainda, o trailer de dois minutos acaba por resumir uma narrativa de pouco mais de uma hora e meia.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

ELSA E FRED - UM AMOR DE PAIXÃO

NOTA 10,0

Longa trata de temas
ligados à terceira idade
com emoção, humor e
protagonistas cativantes
Chegar à velhice com saúde e ainda conseguindo manter certa independência financeira e até mesmo dos parentes é o sonho de qualquer pessoa que deseja ter uma vida longa, afinal de contas o que adianta viver muitos anos sem poder aproveitá-los plenamente? A co-produção entre a Argentina e a Espanha Elsa e Fred – Um Amor de Paixão trata justamente sobre os problemas e anseios da terceira idade, uma fatia da população que cada vez cresce mais e precisa reconquistar seu espaço na sociedade. Eles não estão mortos por isso ainda tem o direito, ou melhor, o dever de sonhar e fazer planos para o amanhã. Rotina, manias, amor e lembranças dos protagonistas são abordados pelo divertido e emocionante enredo desenvolvido pelo diretor e roteirista Marcos Carnevale. Elsa (China Zorrilla) é uma mulher de 82 anos cheia de vida que procura aproveitar ao máximo cada novo dia. A viúva passa a sentir certo interesse em seu novo vizinho, o também idoso Alfredo (Manuel Alexandre), que perdeu sua esposa há sete meses. O problema é que ele é muito introspectivo, sofre por ser hipocondríaco e preferiu aproveitar seus últimos anos de viva isolado tendo apenas a companhia de seu cachorro de estimação. Eles se conhecem por conta de uma das trapalhadas de Elsa que bate sem querer seu carro no da filha de Alfredo e é obrigada a pagar os custos do concerto. Logo nos primeiros minutos já descobrimos o perfil da idosa. Ela espia a movimentação da mudança do vizinho, foge para não pagar o prejuízo que causou com o carro e inventa uma desculpa lacrimejante para não entregar o cheque à filha de Alfredo, mas não a julguem como uma pilantra. Digamos que no jargão popular ela é uma velhinha sacudida. O vizinho, ao contrário, é sincero, recluso, correto, metódico e demonstra ter bom coração. Pouco a pouco seu pacato cotidiano vai ganhando vida com os insistentes convites para sair e telefonemas de Elsa, que um dia já foi uma bela mulher que lembrava a protagonista do filme A Doce Vida, de Frederico Fellini. Apaixonada pela cena em que a musa entra na Fontana di Trevi, em Roma, e se declara para o mocinho, a espevitada senhora sonha em um dia poder repetir a sequência lá mesmo naquele monumento.
 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O MELHOR AMIGO DA NOIVA

NOTA 7,0

Patrick Dempsey é o
chamariz de longa que
apenas recicla velhas e
consagradas receitas
Se já não bastasse as comédias sofrerem com trailers que fazem questão de reunir as melhores piadas e praticamente contar suas histórias do início ao fim, os títulos nacionais, e até mesmo alguns estrangeiros, fazem questão de estragar qualquer surpresa. Tome-se como exemplo O Melhor Amigo da Noiva catalogado como comédia romântica e com uma publicidade centrada na imagem em um belo casal. Alguém espera algo como o amigo gay da noiva (raramente não existe um nessas histórias) vivendo o protagonista de um conto de fadas? Claro que não. Está claro que o enredo trata de um cara que deixou a mulher da sua vida escapar e só se deu conta disso quando ela estava prestes a subir ao altar com outro. Essa é premissa do longa assinado pelo diretor Paul Weiland que segue a risca a fórmula de sucesso de filmes como O Casamento do Meu Melhor Amigo protagonizado por Julia Roberts. Sai a beldade de cena e entra agora o galã Patrick Dempsey para ocupar a vaga do apaixonado desatento que tenta correr atrás do prejuízo. Ele vive Tom, um homem sedutor e que sempre prezou a quantidade à qualidade, ou em outras palavras, colecionar conquistas e abominar o compromisso sério. Milionário, ele não precisa se preocupar com o trabalho e está sempre com tempo livre para passear ou jogar basquete com os amigos, mas um de seus programas favoritos é sair com Hannah (Michelle Monaghan), sua amiga nos tempos da escola e que tornou-se sua confidente e álibi para fugir das mulheres indesejáveis que o perseguem. Eles sabem tudo um do outro, compartilham segredos e são íntimos o suficiente para trocarem ironias e críticas a respeito de como levam suas vidas. Qualquer um que os vê juntos acreditam que são namorados, mas parece que só os dois não se dão conta disso. Se um relacionamento sério depende de amor e respeito e menos de paixão e atração carnal, talvez esteja ai o impedimento para este casal.  Sempre juntos e em plena sintonia eles não sentem falta de um algo a mais e vivem um amor platônico sem saberem, mas tudo pode mudar.
 

domingo, 6 de janeiro de 2013

UM CUPIDO CAIU DO CÉU

Nota 3,5 Um pato-cupido trata de aproximar casal em comédia romântica previsível, para variar 

Sinopse: Doug (Rhys Darby) acredita que leva uma vida perfeita até o dia em que seu mundo desaba ao levar um pé na bunda da namorada Susan (Faye Smythe), com quem ele mantinha um relacionamento sério há anos. Pouco tempo depois, ele encontra um apoio para continuar vivendo da maneira mais inesperada possível. Ele se depara com um pato ferido no meio da rua e decide cuidar dele. Bem, no início sua ideia era apenas entregá-lo para um abrigo de animais, mas como nenhum lugar aceitou a ave Doug acabou a levando para sua casa. Pouco a pouco ele vai criando um vínculo de amizade com o pato, o qual ele batiza de Pierre, e isso lhe dá motivação para seguir sua vida e superar o fim de seu relacionamento. Nesta jornada de autodescobrimento, Doug conhece a veterinária Holly (Sally Hawkins) e vê a chance de dar novos rumos para sua vida.

sábado, 5 de janeiro de 2013

SENTENÇA DE MORTE

Nota 7,0 O tema justiça pelas próprias mãos ainda rende bons filmes quando bem justificado

Sinopse: Nick Hume (Kevin Bacon) é um cidadão comum que leva uma vida tranquila ao lado da esposa Helen (Kelly Preston) e de seus filhos, o caçula Lucas (Jordan Garrett) e o adolescente Brendan (Stuart Lafferty). A felicidade da família é destruída quando o filho mais velho é assassinado na frente de seu próprio pai pela gangue de Billy Darley (Garrett Hedlund). O assassino, Joe (Matt O’ Leary), um jovem que precisava cometer um crime relevante para ser introduzido no bando, é preso, mas Nick não se contenta com a sentença que foi dada ao rapaz e com o intuito de proteger seus familiares e vingar seu filho resolve fazer justiça com as próprias mãos. Mais violento e com espírito vingativo aguçado, ele promete matar qualquer criminoso que de alguma forma esteve envolvido no assassinato de seu filho. Porém, Billy não vai ver de braços cruzados seu bando ser exterminado pouco a pouco e também parte para o contra-ataque.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

AS VIAGENS DE GULLIVER

NOTA 4,0

Clássico conto infantil
ganha versão moderninha
que fica devendo tanto no
roteiro quanto no visual
Muitas das histórias que hoje consideramos clássicos infantis na realidade quando escritas foram pensadas para agradar ao público adulto e recheadas de mensagens subliminares. As inúmeras adaptações para cinema, teatro, TV e até para originar novos contos ou livros acabam pouco a pouco modificando os originais até que chegamos ao ponto de concluir que as açucaradas produções da Disney é que de fato são as mais próximas das versões reais. Talvez por isso um clássico livro que já gerou ou inspirou diversas peças teatrais, filmes, animações e frequentemente é citado com a finalidade da sátira não caiu no gosto da criançada. Faltou a fadinha Sininho (ou Tinker Bell para os contemporâneos) para dar o toque mágico que equivale à assinatura do estúdio do Mickey Mouse e das princesas. Coube a um ator de apelo popular e querido pelas crianças a tarefa de apresentar aos mais novos as aventuras de um gigante em uma terra habitada por pessoas bem pequenininhas, porém, As Viagens de Gulliver estrelada por Jack Black foi alvo de uma enxurrada de críticas negativas.  É certo que há produções que pretendem agradar crianças e adultos bem piores, mas realmente não há como tecer muitos elogios a esta enésima versão do clássico literário do escritor inglês Jonathan Swift, diga-se de passagem não creditado no filme, publicado pela primeira vez em meados do século 18, um conto aparentemente ingênuo, mas carregado de críticas subliminares às ações e ideais dos ingleses da época, tanto os pobres quanto os nobres. A adaptação cinematográfica do diretor Rob Letterman, da excelente animação O Espanta Tubarões e aqui estreando na direção de atores de carne e osso, não tem espaço para críticas inteligentes e é pouco fiel à trama original, mas sabe como agradar seu público-alvo, as crianças, com piadas bobas, aventuras mornas, um gancho romântico e usando e abusando de canções que se tornaram hits, além de uma avalanche de merchandisings e citações a fenômenos da indústria do entretenimento.
 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A PRINCESA E O SAPO

NOTA 7,5

Disney retorna às suas
origens investindo em conto
clássico, animação 2D e
alguns toques modernos
Desde que Toy Story estreou na temporada de férias de 1995/96 o cinema de animação jamais voltou a ser o mesmo e a Disney que estava colhendo os louros da parceria para a distribuição dos longas da Pixar passou a ver ano após ano as bilheterias de seus desenhos tradicionais não corresponderem as expectativas até que chegou um momento em que o estúdio decidiu abandonar de vez as produções do tipo e apostar somente em tecnologia de ponta. A tendência seria intensificada quando as duas empresas finalmente se uniram para a produção de longas-metragens, porém, foi o próprio John Lasseter, o diretor que deu o pontapé inicial na onda de desenhos digitais e com roteiros pra lá de inteligentes, que insistiu para que fosse retomado o setor de animação 2D da casa do Mickey Mouse, assim como a exploração dos contos de fadas. A Princesa e o Sapo marca esse retorno às origens contando com todos os elementos que consagraram tanto o gênero quanto sua técnica de realização, contudo, o projeto foi recebido com ressalvas por crítica e público e as opiniões são bem divididas. Para muitos tal filme representou um retrocesso na trajetória das animações, mas isso é puro preconceito ou ignorância provocada pela atual cultura do imediatismo ou da ostentação da tecnologia. Em pleno século 21, é curioso que ainda as questões sobre racismo se mantenham tanto em evidência a ponto de gerar na época do lançamento deste desenho muita expectativa a respeito de como seria a primeira princesa negra da Disney, uma escolha não apenas para trazer uma publicidade extra ao projeto, mas também para satisfazer um antigo sonho do estúdio. Todavia, as questões raciais não ficam em primeiro plano visto que a trama se passa na efervescente cidade de Nova Orleans que em plena década de 1920 já apresentava um intenso movimento de mistura de raças, tanto que logo na sequência inicial temos duas garotinhas, uma negra e outra branca, se divertindo juntas ouvindo histórias de princesas. Uma delas é Tiana, que no futuro se torna uma moça independente, corajosa, atraente, mas que não pensa em se casar. Seu grande sonho na realidade é poder ter seu próprio negócio, um restaurante como seu falecido pai também gostaria de ter tido, porém, mesmo se esforçando em dois empregos para conseguir dinheiro para poder finalmente realizar seu desejo parece que cada vez mais ele está distante de ser concretizado. Suas esperanças renascem quando sua grande amiga de infância, Charlotte LaBouff, a outra garotinha da introdução, a convida para fazer o jantar de uma festa que está organizando para tentar conquistar o amor do príncipe Naveen que acaba de chegar à cidade.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

TEMPERO DA VIDA

NOTA 8,5

Drama grego envolve o
espectador com um enredo
emcionante e literalmente
bem temperado
Hoje em dia, felizmente, o acesso as produções estrangeiras está mais fácil. São várias as distribuidoras que investem em um segmento que dificilmente gera lucros de encher os cofres, mas ter tais títulos no catálogo traz prestígio à empresa e certamente atende a demanda de um nicho especial de público. Essas produções são muito procuradas em lojas e locadoras por platéias mais intelectuais, estas que geralmente repudiam a pirataria virtual ou de rua e se interessam em assistir até mais de uma vez uma mesma obra a fim de absorver o máximo que puderem de conteúdo. A grande disponibilidade de estrangeiros em DVD acaba fazendo também com que outros espectadores elevem seu padrão cultural e se engana quem acha que tudo que não é americano é cabeça demais. A prova disso é Tempero da Vida, um agradável drama resultado de uma co-produção entre a Grécia e a Turquia que além de nos presentear com belas paisagens também nos oferece imagens deliciosas que enchem nossos olhos e boca de vontade. Não se podia esperar algo diferente a julgar pelo apetitoso título. Esta produção mescla muito bem o drama com generosas pitadas de humor que fazem o espectador ficar constantemente com um sorriso no rosto. O enredo gira em torno da história de um menino turco de origem grega que acaba sendo deportado de seu país natal com a família, um fato verídico que milhares de pessoas viveram entre as décadas de 1950 e 1960 devido ao conflito entre os dois países. Fanis (Georges Corraface) passou sua infância em Istambul convivendo com seu avô Vassilis (Tassos Bandis), um filósofo culinário que ensinou ao neto tudo que sabia sobre a arte de cozinhar, alquimia dos temperos e os mistérios da vida. Quando são obrigados a voltar para Atenas, o avô não vai junto com os familiares. O garoto então fica na expectativa de quando voltará a vê-lo e começa a desenvolver o dom para a cozinha, o que irrita seus pais que acreditam que ele sofre de algum distúrbio e sentem medo do preconceito que ele pode vir a sofrer e fazem de tudo para evitar que ele encoste no fogão. Porém, quis o destino que ele não negasse sua vocação e alguns anos mais tarde já está trabalhando como chefe de cozinha. Mais maduro, acaba voltando para o lugar em que viveu sua infância devido a morte de seu avô e reencontra seu primeiro amor, Saime (Basak Koklukaya). As lembranças gostosas daquele tempo mexem com seu emocional e agora ele tem a chance de colocar em prática a grande lição que Vassilis lhe deixou: tanto na culinária quanto na vida é preciso caprichar no tempero para dar mais sabor.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

CHICAGO

NOTA 10,0

Drama, comédia, suspense
ou policial? Só mesmo um
espetáculo  musical como este

para agregar tantos gêneros
Os musicais nos últimos anos têm conseguido reencontrar seu público e conquistar novas plateias. Tivemos desde a recepção morna da adaptação cinematográfica da peça Os Produtores até a overdose mundial que se tornou Mamma Mia! e Hairspray – Em Busca da Fama. O gênero estava há décadas estagnado e sem muita apreciação por parte dos espectadores comuns e críticos, mas Hollywood nunca o esqueceu. Muitos espetáculos que aliavam perfeitamente dramaturgia, dança e cantoria bombavam nos palcos mundo a fora e chamavam as atenções de produtores que desejavam levar toda aquela magia para as telonas, mas faltava alguém se arriscar primeiro para em seguida outros apostarem as fichas. Assim, um ano após os diversos prêmios e a excelente bilheteria mundial de Moulin Rouge – Amor em Vermelho chegava diretamente da Broadway para as telonas, com muito fôlego e brilho, Chicago, um delicioso musical que veio para vingar uma grande injustiça feita ao seu antecessor. O Oscar praticamente ignorou a produção do diretor Baz Luhrmann que deu um novo fôlego ao gênero, mas teve que se redimir no ano seguinte premiando com seis estatuetas, inclusive a de Melhor Filme, este filme regado a muito jazz do estreante na direção de cinema Rob Marshall. Criado pelo famoso diretor e coreógrafo Bob Fosse, o mesmo de Cabaret e All That Jazz (mesmo nome de uma das canções mais conhecidas de Chicago), dois grandes sucessos nos palcos e nos cinemas da década de 1970, muita gente achava impossível levar a história de duas mulheres em busca da fama a qualquer preço para as telonas devido aos diversos números de dança e troca de cenários e figurinos, mas o infalível faro para o sucesso de Harvey Weinstein, o produtor Midas da Miramax, deu sinal verde para a produção. Claro que houve a preocupação de rejeição por ser um musical, principalmente pelos jovens, mas confiaram que uma dupla de belas e talentosas atrizes como protagonistas seria a solução. E assim aconteceu. Apesar de um ótimo elenco coadjuvante, a alma do longa se deve aos esforços de Catherine Zeta-Jones e Renée Zellweger, respectivamente Velma Kelly e Roxie Hart, ambas em busca do sucesso e se trombando na cadeia. A primeira se apresentava em uma casa noturna junto com a irmã, mas acabou presa após cometer um duplo assassinato contra o namorado e sua parceira de palco. A outra, sonhando em ser famosa, acaba confiando demais em um mulherengo que lhe promete facilitar seu caminho ao estrelato e quando descobre que tudo que ele dizia era mentira cometeu o ato impensado de atirar em seu peito.

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