segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

NOITE DE ANO NOVO

NOTA 6,0

Um elenco estelar briga por
espaço em um filme mosaico
que une drama e comédia
acerca de um dia festivo
Quantas histórias curiosas devem ocorrer em um mesmo dia com diferentes pessoas? E como será que as pessoas se comportam ou com quais atividades elas estão envolvidas tradicionalmente no dia 31 de dezembro? Bem, essa data especial tem sempre muita festa, fogos, simpatias para trazer sorte, mas a cada ano ela pode ser vivida de um modo diferente e a própria vida trata de tecer situações para que um réveillon seja diferente do outro. Enquanto alguns estão eufóricos com os festejos, outros preferem passar a virada sozinhos. Tem gente no hospital doente e outros ansiosos com a chegada de novas vidas. Tem casais apaixonados trocando juras de amor e pessoas torcendo para encontrar o amor no novo ano. Algumas pessoas trabalham nesta noite justamente para levar diversão para outras. Estas e outras histórias são contadas na comédia romântica Noite de Ano Novo que apesar de bem intencionada, está longe de ser um trabalho maravilhoso, mas também não é o lixo que muitos dizem. O problema é que quase duas horas de duração não é suficiente para desenvolver de forma adequada as tramas que envolvem quase vinte personagens, isso se levarmos em consideração apenas os protagonistas destas subtramas. O longa fala a respeito das coisas boas da vida, tradições, nos faz refletir sobre erros e a sonhar que o próximo ano será bem melhor do que o anterior. Enfim, não podemos acusar que as mensagens são clichês afinal de contas todos os anos cumprimentamos amigos e familiares e repetimos as mesmas frases de positivismo. Também não podemos esperar algo diferente de um filme que enfoca as comemorações do ano novo, mas cinematograficamente a obra falha ao fazer uma colcha de retalhos de situações conhecidas de muitas e muitas comédias, romances e dramas, assim não trazendo surpresas ao espectador que certamente sabe o que esperar no final.  
 

domingo, 30 de dezembro de 2012

MEU MUNDO ENCANTADO

Nota 7,0 Baseado em sucesso literário, longa infantil é carregado de ingenuidade e simplicidade
  
Sinopse: Toby Morgan (Matthew Harbour) é um garoto que tem uma imaginação muito fértil. Já o seu pai, John (Kevin Jubinville), é um bem sucedido homem de negócios que se retraiu muito desde que se tornou viúvo, assimm vivendo com seu filho uma relação distanciada. Obrigado a passar as férias de Natal com sua severa avó, Ellen (Una Kay), que mora em uma grande casa, mas sem vida, o garoto descobre um sótão que servia de quarto de brinquedos na infância de seu pai. É lá que Toby encontra um coelho de pelúcia, um presente deixado por sua mãe para ele. Emocionado ele chora e em um passe de mágica suas lágrimas dão vida ao brinquedo. Toby então passa a participar de incríveis aventuras em um mundo encantado, mas isso não agrada a sua avó e a falta de seu pai torna-se ainda mais forte com o resgate dessas lembranças.

sábado, 29 de dezembro de 2012

O BARBEIRO

Nota 1,0 Apesar do bom argumento, longa é uma tremenda enrolação para explicar o óbvio

Em um filme cujo enfoque é a investigação de assassinatos o mínimo que se espera é uma trama bem amarrada que nos instigue a brincar de detetive, mesmo que no final das contas a identidade do criminoso seja a mais óbvia. De qualquer maneira, se o tempo dedicado a essa brincadeira for de qualidade isso compensa um pouco a frustração da conclusão. E qual seria o atrativo de uma produção do tipo cujo vilão já sabemos de antemão sem precisar assistir uma única cena? A fita O Barbeiro só pelo título já entrega o ouro, mas poderia ao menos reservar uma trama que tentasse jogar a culpa em cima de outros suspeitos ou quem sabe fazer aquele jogo em que a plateia sabe de tudo, mas os demais personagens não, assim criando aquela angústia de nos sentirmos impotentes diante de uma situação tão óbvia enquanto o verdadeiro assassino se diverte. O diretor Micheal Bafaro é preguiçoso e desde a primeira aparição do personagem Dexter Miles (Malcolm McDowell) deixa claro que ele não é flor que se cheire. Muitas de suas aparições ilustram narrações em off, na verdade seus pensamentos maquiavélicos, críticos e sarcásticos. O efeito inicialmente parece mesmo corresponder as expectativas de que o público está sendo convidado a ser cúmplice de suas ações, mas a partir do momento que frases comprometedoras começam a sair de sua boca em alto e bom som para quem quiser ouvir o interesse na fita cai totalmente. O criminoso está praticamente se entregando e quem ouve faz cara de paisagem. A trama escrita pelo próprio diretor em parceria com Warren Low se passa em Revelstoke, uma pequena e pacata cidade no Alasca que é tão insignificante que nem aparece na maioria dos mapas dos EUA. Sofrendo com invernos rigorosos e com dias em completa escuridão tal qual a noite, as pessoas que visitam o local chegam a compará-lo a uma prisão perpétua, mas os pouquíssimos moradores já se acostumaram com a ambientação tranquila, porém, a morosidade é quebrada quando é achado o corpo de Lucy Waters. Assim que a notícia chega ao único salão de barbearia da cidade o mistério para o espectador já acaba. Em pensamento, Dexter entrega que jamais esperava que achassem os restos da mulher tão rapidamente. Depois de tal revelação o que esperar?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

OS DELÍRIOS DE CONSUMO DE BECKY BLOOM

NOTA 8,5

Consumista compulsiva faz
as maiores loucuras para
evitar exageros, mas resistir
as tentações não é fácil
Se a literatura tem um relacionamento bastante estreito com o cinema, o mesmo é possível dizer a respeito do mundo da moda. Cada vez mais a sétima arte parece ter interesse em despir os bastidores do universo fashion. Depois do sucesso de O Diabo Veste Prada desfilando suas roupas de grifes famosas em composições harmoniosas era preciso mostrar como esses modelitos se adaptaram ao estilo da classe média. Os Delírios de Consumo de Becky Bloom veio para suprir essa necessidade apresentando as confusões de uma “shopaholic”, ou seja, uma consumista compulsiva. Esta hilária comédia romântica nos revela, ainda que bem superficialmente, o sentido dramático deste distúrbio, os conflitos pelos quais passam diariamente aqueles que não resistem a uma comprinha toda vez que se sentem atraídos por uma vitrine bem arrumada ou um cartaz anunciando uma liquidação. Todavia, apesar do tema moda estar presente em praticamente todas as cenas, os roteiristas Tracey Jackson, Tim Firth e Kayla Alpert felizmente nos pouparam de discursos insossos a respeito de grifes famosas e sequências de desfiles. Baseada nos best-sellers de Sophie Kinsella “Confessions of a Shopaholic” e “Shopaholic Takes Manhattan”, a história se passa na glamorosa cidade de Nova York onde vive Rebecca Bloomwood (Isla Fisher), ou simplesmente Becky, uma jornalista que deseja muito um emprego em uma badalada revista feminina, mas acaba conseguindo uma vaga como colunista em uma publicação sobre finanças da mesma editora, o que pode ainda abrir as portas para o seu real interesse dependendo de seu desempenho. Ela não entende nada concretamente sobre juros, aumento ou queda de bolsas, crises financeiras, enfim tudo que pauta este universo, mas acaba fazendo sucesso com seus textos de fácil compreensão envolvendo as relações entre salários, gastos, necessidades e futilidades. Tamanha intimidade com tais temas é porque ela própria lida com eles diariamente já que compra demais e idolatra seus diversos cartões de créditos, mas quando chegam as cobranças ela cai em si e percebe que exagerou e não precisava de muitas coisas que adquiriu, peças que ela provavelmente usará uma única vez ou nem chegará a estrear. O sentimento maravilhoso de comprar um sapato novo e depois a culpa ao ver que seu custo não justifica os benefícios é um dos exemplos que ela cita em seus textos e assim se torna a queridinha de seu chefe, Lucke Brandon (Hugh Dancy). Becky fica conhecida como "a garota da echarpe verde", título de sua coluna e uma referência ao acessório que ela usava no dia em que participou da entrevista de emprego. Diga-se de passagem, o tal pano esvoaçante lhe custou um bom dinheiro e foi adquirido momentos antes de seu compromisso profissional. Mas não faz mal, com o bom emprego ela poderia pagar suas contas atrasadas e fazer algumas extravagâncias de vez em quando.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

EM BUSCA DA TERRA DO NUNCA

NOTA 9,0

Longa revela inspiração de
autor para criar conto
clássico infantil investindo na
mescla de realidade e fantasia
Muitos contos clássicos infantis já ganharam tantas versões cinematográficas, teatrais, televisivas e até mesmo em livros que hoje fica difícil saber quais são as verdadeiras e isso também aguça a curiosidade para saber qual o fundamento delas. O fato é que em alguns casos a história por trás da criação pode ser tão boa quanto o produto final como a mostrada no filme Em Busca da Terra do Nunca, uma obra com potencial para agradar e emocionar pessoas de todas as idades apostando em um enredo que consegue fazer o espectador soltar a sua imaginação ao mesmo tempo em que mantém os dois pés na realidade. Baseado em fatos reais, o título foi um dos mais cotados das premiações da temporada 2004/2005, mas sua sensibilidade e criatividade não foram suficientes para derrotar a onda de reconhecimento à obras com conteúdos mais fortes e realistas que imperava. Uma pena. Se fosse produzido anos antes poderia ter sido super premiado, pois agrega todos os ingredientes necessários para levar o público às lágrimas e a sonhar, além de contar com uma parte técnica de primeira. Um prato cheio para as festas do Oscar de antigamente. A inspiração para criar obras de cunho cultural pode surgir dos momentos ou lugares mais inesperados. O escritor de peças teatrais James M. Barrie (Johnny Depp) está enfrentando dificuldades com seu trabalho mais recente que não foi bem recebido tanto pelo público quanto pela crítica, porém, seu financiador, o senhor Charles Frohman (Dustin Hoffman), ainda confia em seu talento e está disposto a bancar a montagem de outra peça. A vontade de escrever novamente surge para o rapaz num despretencioso passeio pelo parque. Lá ele conhece a jovem viúva Sylvia Davies (Kate Winslet) e seus quatro filhos, entre os quais lhe chama a atenção o pequeno Peter (Freddie Highmore), muito maduro e resistente para entrar no mundo de magia e inocência pertinente a qualquer menino de sua idade, mas aos poucos ele consegue convencer o garoto que o melhor da vida é se divertir e assim passa a se dedicar a brincadeiras e atividades lúdicas com ele e seus irmãos. Dessa forma, a mente do autor se abre e renasce a esperança no coração de um homem adulto fisicamente, mas sentimentalmente desejando não precisar crescer jamais. Então inicia-se uma grande e pura amizade entre todos eles, até porque os garotos passam a ver o adulto brincalhão como um substituto à figura paterna que perderam, mas a relação de Barrie, que é casado, com essa família passa a ser questionada pela sociedade elitista e conservadora da década de 1920. Mesmo assim, o rapaz continua se divertindo com as crianças aparentemente felizes, mas no fundo amarguradas, e também tenta ajudar a mãe delas a enfrentar um grave problema de saúde. Em meio a tudo isso, baseado no cotidiano desta família, a imaginação de Barrie aflora e ele consegue escrever uma das maiores obras da literatura infantil mundial: "Peter Pan".

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

QUEIME DEPOIS DE LER

NOTA 7,0

Com um elenco de estrelas
incorporando papéis atípicos,
longa satiriza a paranoia e a
ganância dos americanos
Os irmãos Joel e Ethan Coen, que dividem diversas funções quando planejam um novo filme, parecem que nunca deixaram de estar em evidência desde a década de 1980. A imprensa mundial trata de transformar a estreia de cada novo trabalho dos cineastas em um verdadeiro evento, os apaixonados por cinema ficam de olho no nascimento de novos possíveis filmes cults e o público se divide entre aqueles que não compreendem as obras da dupla e aqueles que são fãs confessos de sua filmografia, se bem que nessa turma que fala que gosta pode haver um bom número de viajantes que só confirmam o positivismo para não serem rotulados de bobões, incultos e afins. Sim, a filmografia dos Coen ganhou uma imagem de algo tão interessante, crítico e inovador que até gera certo pavor em alguns de confessarem que não apreciam o tipo de trabalho deles. Depois que eles ganharam o Oscar por Onde os Fracos Não Têm Vez aí sim remar contra a maré seria quase como um suicídio para alguns. O fato é que depois de enveredarem por uma narrativa mais séria eles voltaram as suas raízes destilando veneno na comédia Queime Depois de Ler, uma sátira aos filmes de espionagem que tanto lucram e enchem os cofres de Hollywood. Como os Coen não dão ponto sem nó, esta narrativa está cheia de boas alfinetadas para a sociedade americana, porém, recados que também servem para pessoas de outros países. “Onde os espertos não têm vez”, esse bem que poderia ser o título desse projeto que divide opiniões. Muitos adoram e consideram uma das comédias mais inteligentes já feitas. Para outros, o filme é esquisito demais e não dá para ser levado a sério, mas há uma razão para tal repulsa. O elenco, repleto de estrelas talentosas e premiadas, encarna tipos totalmente diferentes. O longa tira um sarro com alguns estereótipos que circundam o cinemão hollywoodiano e seus bastidores. Cada personagem é um ser patético e quem dá vida a eles são grandes astros que infelizmente possuem uma imagem engessada aos olhos do público. Talvez aí esteja o segredo do repúdio que este filme causa para alguns. Não é todo mundo que acha divertido ver os galãs George Clooney e Brad Pitt interpretando sujeitos vazios e apatetados, tampouco aprovam a pouco glamorosa Tilda Swinton para fazer papel de amante ou ver Frances McDormand (a queridinha dos Coen, até por ser casada com um deles) querendo rejuvenescer e abocanhando um dos galãs. Esses são apenas alguns exemplos da ousadia dos cineastas neste trabalho aparentemente ingênuo, mas a ideia é muito boa convenhamos.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

SURPRESAS DO AMOR

NOTA 7,0

Comédia romântica embalada
para presente de Natal tem
elenco de peso e equilibra bem
humor e pitadas de seriedade
Hoje é dia de Natal. Para alguns é dia de muitas alegrias e para outros de tristeza, mas também pode ser uma data que causa uma tremenda dor de cabeça. Quem ainda não fez a famosa visitinha de fim de ano aos parentes e amigos hoje pode ser a data limite. Para aqueles que não curtem esse clima natalino, mas mesmo assim são obrigados a comemorar a data, Surpresas do Amor é uma divertida história que vem a calhar para dar uma animada. Comédia romântica disfarçada, o longa não foge do esquema previsível do gênero, mas coloca em cena um casal curioso. A diferença de estatura entre Reese Witherspoon e Vince Vaugh é gritante e explorada em algumas peças publicitárias produzidas para este filme com os dois de costas um para o outro, mas ela montada em saltos bem altos e ainda em cima de algumas malas. O que poderia ser um entrave para a escalação da dupla acabou servindo para chamar a atenção, porém, certamente o que contou mais foi o fato de ele ser um especialista em humor mais popular e ela ser perfeita para dar ares românticos a uma relação amorosa iniciada de forma atípica ou forjada. Segundo boatos, os dois tiveram muitos desentendimentos durantes as filmagens, mas se isso é verdade os fatos colaboraram para manter os protagonistas no tom certo. O tempo todo eles estão se alfinetando até o ápice das discussões, a separação, e... Bem, você já sabe como tudo vai acabar. Os atores dão vida à Brad e Kate, dois jovens (ok, nem tão jovens assim) que aparentemente se conheceram em uma noite em um bar e após um rápido estranhamento já estavam se atracando no banheiro. Assim começava o namoro feliz de duas pessoas que se completam e partilham os mesmos gostos. A mocinha da história se apresenta como uma mulher forte, mas essa figura é para esconder a repressão que sentiu a vida toda da família e amigos. Talvez por isso sempre condenou a instituição familiar e sua repulsa é compartilhada pelo companheiro, o que garantia o sucesso da relação. Todavia, eles jamais revelaram um ao outro suas reais amarguras do passado. O tempo passa e nunca um conheceu a família do outro, pois sempre arranjavam desculpas, principalmente nas datas festivas. A cada Natal, o feliz casal escapava da obrigação de visitar seus parentes com histórias bem criativas, como fazer trabalho voluntário em países pobres, assim eles ficam livres para aproveitar as férias viajando. Porém, certa vez ocorre um imprevisto e o passeio é cancelado na última hora pela equipe do aeroporto e o casal tem o azar de ser flagrado por uma equipe de TV local e seus parentes ficam sabendo do ocorrido. Agora não tem jeito. Eles serão obrigados a comemorar essa data em quatro casas diferentes em um mesmo dia já que ambos tem pais separados. Assim, eles terão que confrontar memórias, tradições, vergonhas e parentes indesejados, tudo o que for possível para atrapalhar a relação harmoniosa dos pombinhos. Ao mesmo tempo em que repudiam tal situação, o casal passa a se desentender, principalmente porque Kate começa a ter o desejo de constituir sua própria família, coisa que não cogitava até então.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O EXPRESSO POLAR

NOTA 8,0

Apesar da narrativa ter alguns
problemas de ritmo, desenho
emociona e resgata a magia do
Natal e o espírito de solidariedade
Como se costuma dizer nas propagandas da televisão, hoje vamos ter a noite mais mágica do ano. Para praticamente todos no mundo inteiro realmente a noite de hoje é muito aguardada e carrega um clima único de alegria, fraternidade e lúdico. Para as crianças, o entusiasmo é ainda maior. De madrugada, Papai Noel vai passar na casa de cada uma delas e deixar um belo presente embaixo da árvore enfeitada. Bem, essa historinha hoje já não cola mais, apenas os bem pequeninhos ainda caem nessa, mas o que seria do Natal se o que há de mais tradicional na data não fosse passado adiante às novas gerações? Até para os adultos a festa não teria o mesmo sentido se não fosse essa volta às memórias de infância e resgate de tradições. Pensando em agradar ao público de todas as idades e exaltar o espírito natalino e a figura do bom velhinho, o diretor Robert Zemeckis teve a grande ideia de realizar O Expresso Polar, uma bela fábula literária adaptada para o cinema em animação especial. Baseado no livro ilustrado infantil homônimo de Chris Van Allsburg lançado em 1985, a história é tão singela e agradável quanto ganhar uma lembrancinha de alguém muito querido. Na véspera de Natal, um garoto está acordado e ansioso. Ele não acredita que Papai Noel existe e nesta madrugada quer ter algum sinal que o faça voltar a crer neste símbolo natalino. No meio da noite ele ouve um barulho muito forte próximo a sua casa e quando vai ver o que é tem uma enorme surpresa. Simplesmente um gigantesco trem parou bem ali na sua porta e o condutor o convidou para seguir viagem com ele até o Pólo Norte. Após relutar um pouco, o menino decide embarcar, pois essa era a chance que ele precisava para voltar a acreditar no Natal. No vagão, ele encontra várias crianças de diversas etnias e com características distintas, como o garoto solitário ou o metido a sabichão, mas todos com a mesma vontade de comprovar que a magia da tradicional festa milenar existe de verdade. O convite para embarcar neste encantador passeio é um bilhete dourado, uma referência clara ao clássico infantil A Fantástica Fábrica de Chocolate que também inspirou alguns outros momentos da produção.

domingo, 23 de dezembro de 2012

LINHAS CRUZADAS

Nota 7,5 Mescla de drama e comédia familiar cai muito bem para curtir no final de ano

Sinopse: Eve (Meg Ryan) tem uma vida super atribulada. Desdobra-se para dar conta do trabalho e cuidar do marido, do filho e de sua casa. Além de tudo isso, ela ainda precisa arranjar tempo para cuidar de seu pai idoso, Lou Mozell (Walther Matthau), que precisa ser internado em uma clínica por causa de sua saúde constantemente debilitada. Grande parte do dia, a moça passa atendendo longos telefonemas de seu pai e de suas excêntricas irmãs que se esquivam de compromissos com o idoso, assim sobrecarregando a irmã. Maddy (Lisa Kudrow) sonha em ser uma grande atriz, mas uma boa oportunidade de trabalho nunca surge. Já Georgia (Diane Keaton) é uma bem sucedida editora de revistas que só pensa no trabalho. A medida que todos na família ficam cada vez mais dependentes de Eve, a moça precisa aproveitar que é o elo de ligação entre todos para reatar os laços familiares e desfazer mal entendidos do passado.

sábado, 22 de dezembro de 2012

ENQUANTO VOCÊ DORMIA

Nota 7,5 O tempo não apagou a doçura desta produção simples, bonitinha e despretenciosa

Sinopse: Lucy Moderatz (Sandra Bullock) é uma solitária funcionária do metrô de Chicago que fantasia uma possível relação amorosa com um passageiro que vê diariamente. Ele é Peter Callaghan (Peter Gallagher) um jovem bem sucedido que na véspera de Natal finalmente cumprimenta a moça ao comprar seu bilhete, mas poucos minutos depois acaba sendo abordado por um grupo de homens e cai nos trilhos. Ele é salvo por Lucy que em um de seus devaneios deixa escapar no hospital que gostaria de casar com o rapaz que está em coma. A partir de então ela passa a ser considerada a noiva do acidentado, o que traz certa felicidade à família dele neste momento difícil. Assim Lucy assume o papel de noiva e finalmente tem a chance de poder viver o amor que tanto queria e ter o aconchego de uma família. Tudo ia bem até que ela conhece Jack (Bill Pullman), o irmão mais velho do tal noivo. Lucy se apaixona por ele e o sentimento é recíproco, mas viver essa relação pode abalar a estrutura familiar dos Callaghan.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

2012

NOTA 6,0

A Terra é destruída em
mais um filme sobre
catástrofes naturais, neste
caso com base em crendice
21 de dezembro de 2012. Esta é uma data que nos últimos tempos assombrou muita gente. Bem, se você estiver lendo esta crítica após o dia 22, pode estourar o champanhe e comemorar: você sobreviveu à profecia apocalíptica maia. Séculos atrás este lendário povo deixou escrito o calendário de milhares de anos à frente, mas os escritos acabam justamente na data mencionada. Desde então astrólogos, religiosos, sensitivos, cientistas, geólogos, autoridades e pessoas de muitas outras áreas passaram a estudar o que isso poderia significar e muitos concluíram que esse seria o dia da extinção da humanidade através de eventos que alterariam drasticamente clima, relevo, direção dos ventos, força das águas entre outras coisas relacionadas à fúria da natureza. Baseando-se nesta impactante crença, muitos produtores trataram de explorar o tema, mas a grande produção batizada óbvia e simplesmente de 2012 foi criada pelo diretor Roland Emmerich. Ninguém melhor que ele que já convocou extraterrestres para acabar com os EUA (Independence Day), trouxe um mega lagarto de terras orientais para arrasar territórios ocidentais (Godzilla) e que mostrou a revolta da natureza contra os maus-tratos que recebe dos humanos (O Dia Depois de Amanhã) para se encarregar de dar o ultimato à população da terra. A trama roteirizada por Harald Kloser em parceria com Emmerich começa em 2009 quando o cientista indiano Satnam Tsurutani (Jimi Mistry) descobre que em poucos anos algumas alterações nas explosões solares esquentariam o núcleo do planeta, assim provocando diversas catástrofes naturais. O governo dos EUA fica sabendo disso através do geólogo Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor) e logo passa a estudar medidas para evitar o pior. Porém, o profissional erra nas contas e as catástrofes anunciadas começarão antes do previsto. Já em 2012, o divorciado e fracassado escritor Jackson Curtis (John Cusack) está em meio a uma viagem com os filhos para tentar reconquistar o afeto deles. Quando vai acampar, ele recorda de momentos que viveu com Kate (Amanda Peet), mas divide seu tempo ouvindo as teorias paranoicas de Charlie Frost (Woody Harrelson), um sujeito que acredita piamente nas lendas sobre o fim do mundo. Curtis não dá bola para tais ideias, porém, não demora a mudar sua opinião.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

OUTONO EM NOVA YORK

NOTA 6,0
 
Fotografia, locações e
figurinos salvam produção
cujo roteiro entrega todas
as emoções logo no início
Richard Gere já estrelou produções de diversos gêneros, mas é praticamente um sinônimo de filmes românticos, tal qual Julia Roberts também tem uma imagem significativa ligada ao gênero. Ambos explodiram juntos na comédia romântica Uma Linda Mulher e quase uma década depois voltaram a se unir, sem fazer tanto barulho, em Noiva em Fuga. Além destas duas produções, o ator participou de diversos outros filmes feitos especialmente para agradar o público feminino, como Dança Comigo?, mas nem sempre conseguiu êxito investindo em terreno seguro, como prova o esquecido Dr. T e as Mulheres. O caso de Outono em Nova York fica em cima do muro. É um daqueles títulos que tem suas qualidades, como uma belíssima fotografia e locações, conta com um enredo agradável, porém, faltam um ou mais ingredientes para transformá-lo em algo acima do regular. Apostando em um romance com pitadas de drama, este segundo trabalho da atriz Joan Chen como diretora chega a um resultado tão frio quanto a própria passagem que serve de pano de fundo para uma história bonitinha e sem grandes pretensões que mostra o nascimento de uma relação amorosa entre um homem mais velho e uma jovem. Will Keane (Gere) é um cinquentão que prometeu a si mesmo nunca mais ter um compromisso sério com uma mulher, assim ele paquera a vontade e cultiva sua fama de conquistador. Quando ele conhece a delicada Charlotte Fielding (Winona Ryder) logo se interessa em viver um romance com a moça, mas talvez não imaginasse que ia acabar se envolvendo tanto com ela. Disposto a esquecer de sua promessa, Keane se surpreende com a recusa da parceira em tornar o caso deles em algo para valer e que dure para sempre. Bem, não é preciso muitos minutos de projeção para descobrir qual o motivo do impedimento e para começar a choradeira. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A CAIXA

NOTA 8,0

Estética comercial adotada
escamoteia conceitos e ideias
importantes de enredo reflexivo 
com final atípico 
Alguns filmes chamam a atenção por serem intitulados de forma intrigante por causa de uma somatória de palavras que talvez pelas sinopses não façam sentido e as vezes nem assistindo as obras conseguimos compreender tais escolhas. Por outro lado, algumas produções economizam no verbo e com apenas uma ou duas palavras expressam a idéia do filme ou criam uma aura enigmática que beneficia o produto. Este é o caso de A Caixa cujo título é um tanto genérico, mas de certa forma chama a atenção do espectador. É uma pena que a intriga deixe de existir rapidamente, pois qualquer um que veja o trailer ou leia a sinopse terá já matado a charada. Será mesmo? Há muito mais a ser descoberto neste longa que aparentemente é só um passatempo qualquer, mas que guarda mensagens subliminares importantes. A história gira em torno do casal Lewis que leva uma vida tranquila em um bairro suburbano do estado de Virgínia nos anos 70 junto com Walther (Sam Oz Stone), seu único filho. Norma (Cameron Diaz) é professora e Arthur (James Marsden) é um engenheiro da NASA. A pacata rotina desta família muda completamente quando um misterioso homem conhecido como Sr. Steward (Frank Langella) aparece na casa deles com uma proposta excêntrica e tentadora. Ele lhes entrega uma caixa, um objeto com um único botão e aparentemente inofensivo. As condições do acordo é que soam como uma brincadeira de mau gosto. Se o casal apertasse o tal botão ficaria milionário, porém, carregaria a culpa de saber que causou a morte de algum desconhecido em qualquer lugar do mundo e sem nenhuma explicação. Devido aos problemas financeiros, o casal fica tentado a aceitar a proposta para ganhar o dinheiro, mas ainda com muitas desconfianças. Agora eles têm poucas horas para decidir o que fazer, uma decisão que pode mudar ou arruinar sua vidas. Dinheiro fácil não cai dos céus e um roteiro comum exploraria o batido viés de o casal protagonista passar o filme todo tentando desvendar o mistério da tal caixa, mas aqui a coisa muda porque a condição para que ganhem o dinheiro já é exposta nos primeiros minutos de projeção. O lance é ver o que acontece após toparem o acordo sem pensarem nas consequências, apenas tomando o cuidado em desmontar parcialmente o objeto para ver se uma bomba não explodiria a qualquer momento. Se não oferece perigo a eles, para que pensar nos outros mesmo sabendo dos riscos? A narrativa se desenvolve no período natalino, época em que o espírito de fraternidade está em alta, um paradoxo interessante ao ponto principal do roteiro, e como nos EUA é inverno a paisagem sempre nublada e as ruas úmidas ou cobertas de gelo acentuam o clima de tensão e melancolia, ainda que a sensação de aconchego de algumas cenas por conta da direção de arte contribuam para dar um charme a mais à obra.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ENCONTRO DE CASAIS

NOTA 5,5

Boa premissa é jogada fora
por comédia adotar o tom
grotesco e escrachado para
falar sobre crises conjugais
É interessante observar como alguns gêneros se destacam em determinados períodos e até mesmo acompanhando o crescimento do público. Se as crianças dos anos 80 se divertiam aos montes com as clássicas comédias da “Sessão da Tarde”, já adolescentes na década seguinte elas se dividiram em dois grupos. As garotas suspiravam e sonhavam com os romances água-com-açúcar e os meninos gargalhavam com o humor anárquico e besteirol de algumas produções que apelavam para escatologia e o erotismo. E nos anos 2000? A turma cresceu, alguns constituíram família e outros preferiram ficar na solteirice, mas algumas dúvidas comuns a todos é como seria a vida se tivessem feito algo diferente no passado e o que será que o futuro lhes reserva. Tentando responder tais indagações, os primeiros anos do século 21 ficaram marcados por comédias com temáticas e protagonizadas por adultos, privilegiando principalmente os dilemas da ala masculina, mas Encontro de Casais surgiu também para agradar as mulheres. Tais produções acabam tendo um apelo popular muito grande por geralmente discutirem problemas reais e importantes pelos quais seu público-alvo se identifica de imediato, proporcionando após muitas gargalhadas ao menos uma mensagem reflexiva. No caso deste trabalho de estreia do diretor Peter Billingsley o humor acaba sobressaindo-se e seu recado positivo é sucumbido. Bem, com um roteiro escrito pelos atores Vince Vaughn e Jon Favreau, que também atuam no filme, não tinha mesmo como ter esperanças que tal projeto fosse além de ser apenas um passatempo divertido, embora a premissa apontasse uma boa oportunidade de discutir a saúde dos relacionamentos amorosos após alguns bons anos de convívio direto e diário. A trama começa apresentando a situação do casal formado por Jason (Jason Bateman) e Cynthia (Kristen Bell) que estão prestes a se divorciar. Como última tentativa de salvar o casamento, eles resolvem fazer uma viagem para participar de uma terapia de casais em uma ilha paradisíaca. Para conseguir um desconto, eles incentivam outros casais de amigos para viajarem também no intuito de eles iram apenas para se divertirem, mas sem acompanhar a terapia. Inicialmente relutantes, Dave (Vaughn) e Ronnie (Malin Akerman), Joey (Favreau) e Lucy (Kristin Davis), e Shane (Faizon Love) e Trudy (Kali Hawk) acabam aceitando o convite. Quando chegam no tal lugar maravilhoso, eles são alojados por Stanley (Peter Serafinowicz) na parte oeste da ilha e Joey logo descobre que na parte leste há um resort de solteiros, mas que ele é proibido para os comprometidos. Já na primeira noite, todos os casais são informados que terão obrigatoriamente que se engajar na terapia, caso contrário, devem retornar para casa. Decididos a aproveitar os benefícios oferecidos pela ilha eles resolvem permanecer, porém, eles nem desconfiam pelas provas de fogo que irão passar para provarem que suas uniões ainda têm futuro.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

NOME DE FAMÍLIA

NOTA 8,0

Longa acompanha trajetória de
um jovem indiano para se adaptar
ao cotidiano americano sem abrir
mão da família e suas tradições 
As diferenças culturais que envolvem a adaptação de estrangeiros ao cotidiano agitado e aparentemente desregrado dos EUA, considerado a terra das oportunidades, são fontes inesgotáveis de inspiração para o cinema. O interesse pela exótica Índia também cresceu consideravelmente em todo o mundo. Nada melhor, portanto, que unir em um mesmo projeto as oportunidades e o modernismo inerente do solo americano e as crenças e tradições próprias da cultura indiana. Para tanto, a experiência de vida da cineasta Mira Nair foi fundamental para a realização de Nome de Família. Nascida e criada em meio aos costumes dos povos desse fascinante país, ela ficou conhecida quando lançou Um Casamento à Indiana, onde apresentou um pouco sobre a cultura de sua terra e com o qual ganhou o Leão de Ouro em Veneza. Em seu terceiro projeto de grande expressividade, o outro foi a produção americana Feira das Vaidades, a diretora procurou mais uma vez revelar as crenças e o cotidiano da Índia, mas desta vez optou por acrescentar alguns elementos pertinentes ao mundo ocidental. Baseado no livro “O Xará”, da escritora inglesa Jhumpa Lahiri, esta é uma história sobre amor, valores, tradições e lealdade tendo como fio condutor a adaptação de um jovem indiano à vida fora de seu país, uma experiência que traz reflexos diretos a toda a sua família que tenta conviver com as novidades dos avanços da humanidade, mas sem perder suas raízes. Por ter intimidade com o tema, Mira realizou uma obra objetiva, bem construída e livre de deslumbramentos perante a uma cultura que praticamente é desconhecida por grande parte do público. Pensar nos americanos com anseio e receios quanto a presença de indianos em suas terras é fácil, mas poucas vezes paramos para pensar que a situação inversa também amedronta. O filme tem início nos anos 70, mas a narrativa escrita por Sooni Taraporevala acompanha a trajetória de uma família por três décadas até os dias atuais (lembrando que o filme é de 2006). Dessa forma, além de falar sobre xenofobia, dificuldades, transgressões e preservação da essência, o longa também consegue inserir alguns contextos políticos à trama enquanto configura um interessante painel de personagens que evoluem enfrentando um eterno confronto entre a manutenção das raízes e a aceitação da modernidade com seus prós e contras.
 

domingo, 16 de dezembro de 2012

SUPER-HERÓIS - A LIGA DA INJUSTIÇA

Nota 0,5 Esse valor mínimo é por conta dos créditos finais, a única coisa correta neste filme

Sinopse: Will (Matt Lantner) é alertado sobre a data em que o mundo acabará através de um sonho profético com a enlouquecida cantora Amy Winehouse (Nicole Parker), mas como evitar essa tragédia? Bem, tal situação não o assusta, pois ele se acha “o cara”, porém, por via das dúvidas, ele resolve dar uma possível última festinha. Depois disso o garotão vai à luta, mas não está sozinho nessa. Ele terá a companhia de um grupo de amigos para tentar evitar catástrofes envolvendo asteróides, tornados, terremotos, entre outros fatídicos eventos naturais. Para acabar com todas as tragédias e evitar que o mundo acabe é o próprio Will quem deverá devolver uma tal Caveira de Cristal ao seu lugar de origem, mas até conseguir cumprir a tarefa ele terá que lidar com pessoas e criaturas esquisitas, além de se preocupar em tentar resgatar sua ex-namorada Amy (Vanessa Minnillo) que está presa no Museu de História Natural.

sábado, 15 de dezembro de 2012

SUPER-HERÓI - O FILME

Nota 4,0 Parodiando um filme do Homem-Aranha, filme pastelão não é tão ruim quanto parece

Sinopse: Após ser picado por uma libélula geneticamente modificada, o jovem franzino Rick Riker (Drake Bell) ganha habilidades sobre-humanas e decide então usar seu superpoderes para fazer o bem e transforma-se no Homem-Libélula que rapidamente chama atenção da imprensa, dos populares e, obviamente, dos bandidos. Ele até se esforça para ajudar as pessoas, mas inevitavelmente sempre acaba colocando-as em apuros ainda piores. Para completar, ele terá de enfrentar um supervilão, o Ampulheta (Christopher McDonald), que usa seu poder para roubar a fonte de vida das pessoas na sua busca incansável pela imortalidade. Será que Libélula conseguirá com sua força, velocidade e uniforme inacreditavelmente apertado impedir essa maldade? De qualquer forma, o grande dilema deste atrapalhado super-herói é saber se vai conquistar ou não o amor da bela Jill Johnson (Sara Paxton), sua colega de escola.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A ÓRFÃ

NOTA 8,5

Apesar das situações clichês,
longa é superior a média do
gênero e ousa apresentando
cenas fortes envolvendo menores
Preste atenção neste breve resumo: garota órfã é adotada por um casal e sua aparente doçura aos poucos cede espaço para o comportamento de uma assassina impiedosa e estrategista. Muita gente ao receber estas poucas informações sobre o longa de horror A Órfã deve torcer o nariz e o desprezar, seja por achar um enredo que beira o ridículo ou por ser contra a participação de crianças em produções que podem causar danos psicológicos a elas. Bem, realmente este segundo motivo é relevante e esvazia a primeira alternativa. O longa contém cenas fortes de violência, mutilação, incesto e tortura psicológica, algo que deve deixar de cabelos em pés quem defenda a moral, os bons costumes e a preservação da família. É difícil não imaginar como reagiu a mente dos atores mirins e quais os motivos que convenceram seus pais a permitirem suas participações em algo tão pesado. Não que essa fosse a primeira que a vez que menores de idade atuam em fitas de terror ou suspense, mas aqui eles não estão presentes simplesmente para gritarem ou fazerem caras de sustos de algo que supostamente estão vendo ou que foi filmada a parte sem a presença deles, pelo contrário, eles participam ativamente das sequências fortes e a tal garota má em certo momento até se insinua para o pai adotivo. Na época de seu lançamento nos EUA, a produção também provocou a ira de alguns orfanatos que não gostaram da maneira como tais instituições foram retratadas e temiam que o número de adoções caísse drasticamente. Juntas planejaram boicotes ao filme, mas a reação obtida foi contrária a esperada. O público acabou sendo atraído para os cinemas e a fama desta obra correu mundo afora. O diretor Jaume Collet-Serra é mais um que emigrou da Espanha para os EUA e após estrear com A Casa de Cera conseguiu manter o nível de tensão em alta em sua segunda empreitada em solo ianque. Ela já havia mostrado que é bom em criar atmosferas interessantes e arrepiantes, mas aqui ele recorre a clássica paisagem fria e triste do inverno rigoroso, com direito a muita neve. Se no quesito ambientação o cineasta oferece o básico, na condução da trama ele prende a atenção do espectador com situações bem amarradas, diálogos afiados e venenosos e com um ritmo que alterna muito bem sequências ágeis com outras mais lentas, assim dando tempo do espectador respirar entre uma e outra maldade da garota. Se em seu trabalho anterior ele focava a narrativa em cima de um grupo de jovens, aqui ele transfere as atenções para uma família que consegue cativar o espectador rapidamente.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A VIDA SECRETA DAS ABELHAS

NOTA 7,5

Drama teria como assunto
principal o amadurecimento de
uma garota, mas personagens
coadjuvantes roubam a cena
Tem gente que adora assistir filmes cujos títulos são curiosos e que se justificam por um simples detalhe ao longo da narrativa, algo que pode ser tão sutil que ao término alguns espectadores mais desatentos podem não conseguir identificar a ligação entres esses elementos. Agora se você é do tipo que gosta de escolher seus filmes deduzindo seus conteúdos através dos títulos óbvios já sabe muito bem o que esperar de A Vida Secreta das Abelhas: uma agradável produção com ganchos dramáticos que deixa o espectador com o espírito leve e saboreando um doce sabor de alegria. A ideia central do longa é falar sobre as confusões de sentimentos que pegam de surpresa uma garota que está fazendo a transição da vida de criança para a de adolescente. Não por acaso muitos apontam esta obra como um projeto exclusivamente feito para marcar transição semelhante na vida pessoal, mas principalmente na profissional de Dakota Fanning, mas infelizmente o brilho da ex-estrela mirim parecia já dar sinais de desgaste, tanto que seu ritmo de trabalho caiu consideravelmente desde então. Contudo não se deve rotular o longa escrito e dirigido pela cineasta Gina Prince-Bythewood como o ponto de partida para essa guinada inversa na carreira da atriz, afinal a garota faz seu serviço direitinho, mas a trama dramática de sua personagem precisa dividir espaço com outros tantos ganchos que acabam conquistando muito mais a atenção do espectador. Baseado no livro homônimo de Sue Monk Kidd, a história se passa em uma região interiorana dos EUA, mais precisamente na Carolina do Sul no ano de 1964, um local e período marcados por intensos conflitos racistas. Dakota vive Lily, uma adolescente de 14 anos que sofre com as poucas lembranças que tem da mãe falecida em um trágico acidente que a própria garota teria ocasionado acidentalmente quando era criança. Além da dor de se sentir responsável por este fato, nos últimos dez anos ela foi criada com desprezo pelo pai, T. Ray Owens (Paul Bettany), que sempre fez questão de ressaltar a ideia de que sua esposa não gostava da filha e queria ir embora de casa. Rudimentar e adepto do alcoolismo, ele nem mesmo se deu conta de que Lily crescera, sendo alertado pela empregada negra Rosaleen (Jennifer Hudson), obviamente outra pessoa que ele trata da pior maneira possível devido a sua cor e petulância e que não perde a chance de livrar-se dela quando a moça se envolve em uma discussão por responder a uma ofensa preconceituosa. Tendo a escrita como seu maior passatempo, Lilly toma coragem e decide fugir com sua babá para bem longe, de modo que ambas conseguissem finalmente escrever suas próprias histórias de vida, de preferência com finais felizes.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O INDOMÁVEL - ASSIM É MINHA VDA

NOTA 7,5

Com uma história simples e
mensagem atemporal,
longa ainda cativa com suas
atuações vigorosas
Os cinéfilos das novas gerações e antenados com a História do Oscar provavelmente já ouviram falar de Paul Newman e Jessica Tandy, duas das maiores estrelas que o cinema americano já abrigou e que se dedicaram a sétima arte praticamente até o final de suas vidas, mas você já assistiu algum filme deles? Uma boa opção para tanto é o drama O Indomável – Assim é Minha Vida, que além de reunir os dois astros, também é uma produção que causou frisson na temporada de prêmios 1994/95, embora hoje praticamente se encontre quase no ostracismo absoluto. Porém, vale resgatar a obra do diretor e roteirista Robert Benton que então já havia conquistado duas estatuetas da Academia de Cinema pelos roteiros dos dramas Kramer VS. Kramer e Um Lugar no Coração. O cineasta tem uma eclética filmografia, mas atingiu seus maiores sucessos quando demonstrou apreço pelos temas que envolvem as relações humanas, sejam elas de amizades ou familiares. Baseado no romance de Richard Russo "Nobody´s Fool", a história se passa na fictícia North Bath, em Nova York, uma cidade pequena e sem muitas perspectivas que vive coberta de neve e imersa em um clima melancólico. Lá vive Donald "Sully" Sullivan (Newman), um sessentão que está sempre em guerra com seu patrão Carl Roebuck (Bruce Willis), um sovina empresário do ramo da construção civil que quer lucrar com o trabalho dos outros, mas sem ter que colocar a mão no bolso. As discussões entre eles em geral se deve ao fato de existir uma pendência financeira por causa de um acidente de trabalho, mas as brigas se estendem para o campo de suas vidas pessoais visto que Sully não se conforma com a situação da esposa traída do dono da construtora, a infeliz Toby (Melanie Griffith). Os habitantes da região acreditam que o idoso não tem sorte sob nenhum aspecto, pois desde que abandonou a mulher e o filho ele vive sem objetivos e tomando decisões equivocadas, além de viver em dificuldades financeiras e não conseguindo mais se acertar com as mulheres, vivendo de amores platônicos. Tandy vive a sua única companhia feminina constante, Miss Beryl, que um dia já foi sua professora e agora ele é seu inquilino. Mesmo não levando a vida que desejava, este homem vive bem-humorado e guarda para si os seus lamentos. A chegada do filho Peter (Dylan Walsh), junto com a esposa e seus filhos pequenos, faz com que Sully repense sua vida e a relação que tem com sua família. Ele percebe, tardiamente, que não fez nada de significativo em sua vida, mas que enquanto se está vivo sempre há tempo para tentar fazer algo novo ou corrigir os erros do passado, basta abrir seu coração.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A FAMÍLIA ADDAMS 2

NOTA 9,0

Segundo longa dos Addams
supera o primeiro apostando
em trama com humor mais
crítico e politicamente incorreto
Quando um filme faz muito sucesso uma sequência só é questão de tempo, principalmente quando as histórias têm apelo junto ao público infantil, mas dificilmente uma "parte 2" consegue ser tão boa ou até superar a obra original. Ainda bem que sempre há exceções e o retorno dos Addams aos cinemas foi triunfal. Apesar de o primeiro filme ser bem realizado e divertido, muita gente torceu o nariz considerando a história tola. Para calar a boca dessa turma, o diretor Barry Sonnenfeld, o mesmo do longa anterior, concentrou seus esforços em A Família Addams 2 em uma narrativa que deixa mais explícitas as diferenças entre o excêntrico clã protagonista e a sociedade comum caprichando no humor negro e crítico. O grande trunfo deste longa atende pelo nome de Paul Rudnick, roteirista que então acumulava em seu currículo o grande sucesso Mudança de Hábito estrelado por Whoopi Goldberg que já mostrava um pouco do seu potencial em abalar as estruturas consideradas rígidas. Sem medo de bater de frente com a vigilância do politicamente correto, o autor recheou seu texto com piadas espinhosas, algumas com uma dose de violência e sobrou até um sarro para o mundo encantado vendido pelos estúdios Disney em suas produções. Neste novo filme os Addams estão em festa com a chegada de um bebê na família. Ele é adorável e meigo como qualquer criança, mas com a diferença que já nasceu com um bigodinho herdado do papai Gomez (Raul Julia) e com um gosto natural pelo perigo. Mortícia (Anjelica Huston), sua mãe, também está feliz com a novidade, assim como seus outros filhos Wednesday (Christina Ricci) e Pugsley (Jimmy Workman), ambos com modos bem excêntricos de demonstrar carinho pelo irmãozinho. Quem está se sentindo deslocado na família é o tio Fester (Christopher Lloyd) que acaba demonstrando interesse pela nova babá dos sobrinhos, Debbie Jilinsky (Joan Cusack). Rapidamente esta sedutora mulher conquista o coração do solteirão, mas as crianças assim que batem os olhos nela passam a desconfiar que ela não é a mulher ideal para o tio e elas se tornam uma ameaça para os planos da loira fatal. Persuasiva como só ela, Debbie convence seus patrões que seus filhos mais velhos estão se sentindo rejeitados com a chegada do bebê e que o melhor para eles seria uma temporada em um acampamento de férias para terem contato com outras crianças. Dessa forma, ela ficaria livre para manipular Fester e afastá-lo do restante da família, abrindo caminho para colocar suas ideias maquiavélicas em prática e herdar a fortuna do inocente noivo que está cego de amor.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A FAMÍLIA ADDAMS

NOTA 9,0

Sarcásticos, excêntricos e
divertidos, os Addams são
atemporais e preservam sua
essência crítica até hoje 
É muito interessante o apelo que o terror tem junto ao público infantil e o cinema sempre se aproveitou disso para lucrar alto. Claro que filmes de horror não são recomendados para crianças e até boa parte dos adultos também repudiam obras do tipo, mas tem alguma coisa no gênero que mexe com o emocional das pessoas, talvez o fator curiosidade seja instigante. De olho nisso, vira e mexe produtores tentam casar elementos de arrepiar às características das comédias, uma maneira eficiente de agradar a todas as idades e brincar com os gêneros. Bem, A Família Addams não é um exemplo típico desse tipo de produção, mas o estilo de vida bizarro de seus personagens centrais é o suficiente para classificá-los como aberrações. A excêntrica família que aprecia as cores escuras, se divertir com brincadeiras perversas e que vive em uma gigantesca casa antiga onde o sol parece nunca bater já foi cartoon, série de TV e desenho animado, mas certamente apareceu em sua melhor forma nas telas de cinema graças ao excelente trabalho do então diretor estreante Barry Sonnenfeld. Os Addams formam uma família totalmente fora dos padrões e que chega a dar arrepios às vezes com seus estranhos hábitos, mas eles no fundo são pessoas ingênuas e possuem bons corações, porém, tem gente querendo se aproveitar disso para faturar. Detentores de uma grande fortuna em moedas de ouro, eles são clientes do desonesto advogado Tully Alford (Dan Hedaya), que está em sérias dificuldades financeiras e na mira de Abigail Craven (Elizabeth Wilson) e de seu filho Gordon (Christopher Lloyd), seus credores. Essa dupla está disposta a fazer qualquer coisa para enriquecer e Alford tem uma grande ideia para se livrar das dívidas e ainda agradá-los. Percebendo que Gordon é muito parecido com Fester, o irmão desaparecido de Gomez Addams (Raul Julia), ele arma um plano para levar esse membro da família de volta ao seu lar após mais de vinte anos de ausência. Durante uma sessão espírita, tradição do clã, Fester retorna para a surpresa de todos, mas manter a farsa não será nada fácil diante dos olhares desconfiados de Mortícia (Anjelica Huston), Wednesday (Christina Ricci) e Pugsley (Jimmy Workman), a esposa e os filhos de Gomez. Porém, conforme o tempo passa, Fester acaba se habituando ao cotidiano excêntrico dos Addams colocando em risco os planos de sua mãe.

domingo, 9 de dezembro de 2012

EM PÉ DE GUERRA

Nota 5,0 Comédia com elenco desequilibrado não faz mais nada que reciclar piadas e situações

Sinopse: John Farley (Sean William Scott) é um bem-sucedido escritor de livros de auto-ajuda, mas demorou muitos anos para superar os seus traumas de infância devido aos abusos e humilhações sofridos pela maneira como o professor Woodcok (Billy Bob Thornton) o tratava nas aulas de educação física. Seus piores pesadelos voltam à tona quando Farley decide voltar à sua cidade-natal por conta de um prêmio que receberia. Chegando lá ele descobre que sua mãe, Beverly (Susan Sarandon), está de namorado novo e ele é ninguém menos que o Sr. Woodcock. Na hora do desespero, o escritor deixa de lado seus conselhos e filosofias para viver em paz e parte para o ataque para provar que o novo amor da mãe é um tremendo mau-caráter, porém, o seu futuro padrasto não vai deixar de comprar essa briga e também vai tocar o terror contra o seu possível enteado.

sábado, 8 de dezembro de 2012

A FRAUDE (2005)

Nota 6,5 Suspense tem boas reviravoltas expostas em diálogos inteligentes em trama intrigante


Sinopse: Abe Holt (Forest Whitaker) é um experiente investigador de uma companhia de seguros que é enviado para a pequena cidade de North Hastings para averiguar o caso de um homem que morreu carbonizado após um acidente de carro. A única beneficiária do seguro de vida do rapaz é sua irmã Isold (Julia Stiles) que teria direito a um seguro de um milhão de dólares. Apesar de tudo apontar ser verdadeiro neste caso, alguma coisa sugere a Holt que ele está diante de um episódio de fraude. Mesmo querendo desvendar a verdade, o investigador fica com um pé atrás em prejudicar Isold que tem um filho pequeno para criar, Thor (Alfred Harmsworth), e que aparentemente sofre com o marido violento Fred (Jeremy Renner).

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

GUERRA DOS MUNDOS (2005)

NOTA 9,0

Spielberg atualiza texto clássico
que coloca os humanos na mira de
uma ameaça devastadora, uma
alegoria que ainda faz sentido
O público tem realmente um comportamento bastante estranho. Rejeitam muitas vezes a assistir a um clássico, mesmo ele tendo passado por uma minuciosa revisão tanto em sua parte sonora quanto visual. Em contrapartida, ficam em êxtase quando algumas abobrinhas são lançadas com a publicidade de serem carregadas de efeitos especiais de ponta e um fiapo de roteiro. Quando alguém levanta a ideia de fazer uma refilmagem certamente deve ter em mente estes dois pontos. Para resgatar boas histórias, uma saída é atualizá-las e ter o auxílio das mais avançadas ferramentas tecnológicas disponíveis na época, isso se o argumento permitir. Portanto, até hoje é um pouco espantoso perceber as críticas divergentes que recebeu, e provavelmente ainda recebe, a versão de Steven Spielberg para o clássico da ficção científica Guerra dos Mundos, um projeto ambicioso que aguçou a vontade do público com trailers impactantes e repetidos a exaustão meses antes da estreia. O resultado foram salas de exibição lotadas durante meses, porém, críticas negativas pipocando na mesma proporção, algo que se estendeu até o lançamento do DVD. Longe do clima de expectativa daqueles tempos, hoje talvez seja possível fazer uma análise mais correta. A trama roteirizada por David Koepp coloca o astro Tom Cruise, repetindo a parceria com Spielberg após outra ficção, Minority Report – A Nova Lei, já um ponto de chamariz de público, em meio a um verdadeiro caos de emoções. Ele vive Ray Ferrier, um homem divorciado que jamais teve um bom relacionamento com os filhos, o adolescente revoltado Robbie (Justin Chatwin) e a pequena, esperta e mimada Rachel (Dakota Fanning), mas de repente se vê obrigado a cuidar deles por alguns dias. O problema é que além das provocações dos rebentos que o fazem refletir sobre seu comportamento, um fator externo também ocorre para mudar para sempre a vida deste homem. Após estranhos tremores de terra, ventanias e barulhos ensurdecedores, Ray presencia um evento de deixar qualquer um boquiaberto. O chão se rompe abruptamente e de dentro dele surge uma gigantesca máquina de guerra que se equilibra sob um tipo de tripé, algo jamais visto e que tem o poder de paralisar objetos, como carros e relógios, e destruir tudo que possa estar em seu caminho. E essa estranha aparição não é a única do tipo. Espalhadas por vários locais estas máquinas comandadas por extraterrestres estão promovendo um verdadeiro massacre, um plano que ao que tudo indica há anos já vinha sendo implantado nos subsolos do planeta Terra sem que os humanos tomassem conhecimento. A partir de então a narrativa segue um caminho que alinhava todos os clichês possíveis de filmes envolvendo violentos extraterrestres e só resta ao espectador se deslumbrar com os efeitos especiais e tentar adivinhar quem será o próximo coitado a ser exterminado. Será mesmo? Com um elenco reduzido as coisas tomam outro rumo e bem mais interessante.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

SOB A MESMA LUA

NOTA 8,0

Embora previsível, drama
conquista o espectador com
trama de fácil identificação e
atuações masculinas dignas
O tempo passa e é incrível como a busca pelo “sonho americano”, leia-se o desejo de vencer na vida na América, mais precisamente em solo norte-americano, ainda é o desejo de milhares de pessoas, mesmo com diversos exemplos frustrados de quem tentou, mas acabou encontrando uma realidade bem diferente da que esperava. A imigração ilegal para os EUA é uma coisa muito comum e já foi tema de diversos filmes e até mesmo de novela. Em Sob a Mesma Lua, co- produção mexicana e norte-americana, o tema ganha mais uma vez espaço no campo cinematográfico sem grandes inovações, mas com um texto contundente, com boas passagens, narrativa envolvente e uma direção honesta e sensível da diretora mexicana Patricia Riggen estreando com o pé direito na função e não negando suas influências melodramáticas, neste caso agregando ao trabalho o capricho visual e técnico típico de produções hollywoodianas. Sem medo de exagerar nas doses de emoção e clichês, é óbvio que a obra desagrada a muitos, mas para aqueles que gostam de histórias humanas a trama deve agradar em cheio. Podem dizer que o longa propõe uma fuga da realidade ao adotar um tom de fábula, mas não deixa de ser envolvente a perspectiva otimista da trama que exalta o amor existente em uma relação saudável entre mãe e filho separados por força das circunstâncias. Rosario (Kate del Castillo) é uma mãe solteira que vivia no México, mas atravessou ilegalmente a fronteira para entrar nos EUA com o objetivo de conseguir melhores oportunidades de trabalho e assim poder criar com mais dignidade seu filho Carlitos (Adrian Alonso), mesmo que a distância. Vivendo há cerca de quatro anos em Los Angeles onde trabalha como doméstica em dois empregos, seu esforço compensa. Ela já pode mandar uma boa quantia de dinheiro mensalmente ao filho que lhe garanta os direitos básicos e algumas extravagâncias vez ou outra, como a compra do par de tênis que ele tanto queria, mas agora ela quer poupar para pagar um advogado a fim de regularizar sua cidadania no país e poder trazer Carlitos, a quem não vê há um bom tempo, para morar com ela. O único contato que ela tem com o garoto durante estes anos de ausência é através de um pontual telefonema todos os domingos as dez horas da manhã. O horário é rigorosamente marcado já que a ligação é feita de um telefone público para outro, mais um detalhe que evidencia a situação paupérrima de vida destas pessoas visto que na época em que se passa a trama (contemporânea às filmagens realizadas em 2007) o celular já não era mais um artigo de luxo e com preços acessíveis aos populares. Realmente o supérfluo não faz parte da vida destes personagens.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

AS AVENTURAS DE ICHABOD E SR. SAPO

NOTA 7,5

Datado de uma época difícil
para a Disney, longa composto
de duas pequenas histórias é
simpático e nostálgico
Em tempos de vacas magras o jeito é apertar os cintos, porém, sem abrir mão da qualidade. Esta é a grande lição que os estúdios Disney aprendeu e passou adiante de um dos períodos mais conturbados de sua trajetória. Durante a Segunda Guerra Mundial as pessoas não estavam no clima para se divertir, não havia disposição para as massas irem ao cinema, por isso a empresa teve muito prejuízo com seus longas animados e a maneira encontrada para se manter em atividade foi apostar em curtas e médias-metragens protagonizados por personagens da casa como Mickey ou Donald ou baseados em contos clássicos. Cenas em menor quantidade, economia bem-vinda. Tais produtos eram exibidos nos cinemas agrupados de forma a atingirem o tempo de duração semelhante a de um longa-metragem comum. O 11º clássico animado do estúdio, As Aventuras de Ichabod e Sr. Sapo, é uma compilação de duas histórias baseadas em clássicos da literatura européia: a de um sapo extremamente exagerado em tudo o que fazia e a de um sujeito franzino enfrentando uma ameaça de outro mundo. Cada uma é contada de forma independente da outra e aparentemente a única ligação existente entre elas é que seus protagonistas parecem sondados pelo infortúnio. O primeiro conto é de um sapo um tanto excêntrico baseado na obra "The Wind In The Willows", de Kenneth Grahame. O milionário J. Thaddeus Toad é o dono da mansão Toad Hall, mas suas manias e costumes extravagantes o têm enchido de dívidas. Quando o Sr. Sapo, como é mais conhecido, fica obcecado por um automóvel motorizado, ele é injustamente acusado de roubar um exemplar. Agora resta aos seus amigos provar sua inocência. A segunda história tem como base o livro "The Legend of Sleepy Hollow", de Washington Irvin. Em uma pequena cidade da Inglaterra surge um estranho homem, o professor Ichabod Crane. Embora não seja atraente, ele logo ganha o coração da maioria das mulheres da cidade, inclusive o da bela Katrina Van Tassel, filha do maior milionário da região. Isso desperta os ciúmes de Brom Bones, o valentão da cidade que também está de olho nela. Durante uma festa de Halloween, Bones quer provar para a moça que seu rival é um medroso assustando o professor com a lenda de um cavaleiro que assombra a região cortando as cabeças de quem vaga pela floresta durante a noite.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O TEMPO QUE RESTA

NOTA 8,5

Apesar de melancólico e abrir
mão de clichês maniqueístas,
longa reforça a ideia que até o
último suspiro a vida vale a pena
Ter medo da morte é algo comum. Na realidade a angústia que tal palavra desperta é quanto a consciência de que não haverá o amanhã, corrigir erros ou realizar desejos não será mais possível. Mesmo sem entrarmos em questões espíritas que defendem que a vida continua, de qualquer forma todos temos consciência de que com a matéria física morta é impossível aproveitar os prazeres e as desventuras que a vida proporciona. Tais pensamentos são torturantes, mas podem se tornar piores quando o fim da vida parece estar numa contagem regressiva e infelizmente milhões de pessoas vivem essa realidade por conta de doenças fatais ou em estágios terminais. Há quem procure encarar com positivismo tal período tentando aproveitar ao máximo a vida ou ao menos até quando os problemas de saúde permitirem, mas já pensou como deve ser angustiante viver tal situação quando o indivíduo se entrega a depressão ou faz um balanço de sua vida e acredita não ter feito nada de bom? Uma vida vazia assustando muito mais que a iminência da morte, esse é o mote do drama O Tempo que Resta, produção francesa cujo conflito é deflagrado por conta de uma doença silenciosa, ainda um mistério em diversos aspectos, que pega muita gente desprevenida e não tem idade para se manifestar. Na trama roteirizada e dirigida pelo eclético e famoso François Ozon, do suspense psicológico Swimming Pool, da sátira 8 Mulheres e da comédia dramática Amor em Cinco Tempos, por exemplo, acompanhamos dias difíceis na vida de Romain (Melvil Poupaud), um jovem e bem sucedido fotógrafo que se depara com a triste notícia de que está com um câncer terminal e que o tratamento seria complicado e com chances de não dar certo. A partir dessa descoberta, ele entra em uma jornada perturbadora e sua vida muda completamente. Homossexual assumido, o rapaz passa a não se entender mais com o companheiro Sasha (Christian Sengewald), se afasta dos familiares com quem já não cultivava um bom relacionamento e fica pensando no que ele vai deixar como legado após sua partida. Ele só tem coragem de contar sobre a doença para a avó Laura (Jeanne Moureau), talvez por ela já ser idosa e também estar na iminência da morte. A reflexão sobre sua breve passagem pelo mundo ganha mais força ao receber a proposta de engravidar uma mulher (Marie Rivière) com o consentimento do marido (Daniel Duval), este que é estéril. Este seria talvez seu primeiro e único ato em vida do qual se orgulharia, gerar um ser humano, mas ao mesmo tempo estaria traindo seus próprios instintos. Em meio a esse turbilhão de dúvidas, emoções à flor da pele e problemas, Romain tem que decidir quais serão seus últimos passos no tempo que lhe resta de vida.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

ESTÃO TODOS BEM

NOTA 8,0

Com trama folhetinesca que
mescla estilo de cinema europeu
e independente americano, drama
conquista com temas universais 
O mundo mudou, mas o tempo não apaga o desejo dos pais em verem seus filhos bem encaminhados na vida. Por mais moderninhos que possam ser, que atire a primeira pedra o pai ou a mãe que não sonhou ao menos uma vez com um futuro brilhante para seus pimpolhos, incluindo a escolha da profissão que seguiriam? É a partir dessa ansiedade que se alicerça o drama Estão Todos Bem, versão americana do italiano Estamos Todos Bem dirigido por Giuseppe Tornatore em 1990. Com roteiro e direção de Kirk Jones, do simpático Nanny McPhee – A Babá Encantada, o longa nos apresenta a Frank Goode (Robert De Niro), um sessentão viúvo e aposentado que ocupa seus dias com tarefas domésticas como limpar a casa, cuidar do jardim e fazer compras. Aliás, sua última visita ao supermercado foi especial, pois ele comprou os ingredientes para uma refeição muito aguardada. Além do trivial, escolheu um bom vinho e até comprou uma churrasqueira, tudo para recepcionar com muito carinho seus quatro filhos para um almoço. Depois que se tornaram adultos e cada um seguiu sua vida em um lugar diferente dos EUA, há anos eles não conseguiam se reunir, mas este homem sabe que essa separação não é algo recente. Ele sempre trabalhou em uma fábrica de cabos telefônicos dedicando-se ao máximo para poder dar de tudo do bom e do melhor para sua família, mas só agora que está sozinho se deu conta que ao longo da vida dedicou pouca atenção a eles e não os viu crescer. Contudo, todo entusiasmo de Frank transforma-se em frustração quando cada um dos convidados telefona na véspera do encontro para avisar que não poderá ir mais, cada um com uma desculpa. Todos menos David, esse que nem chegou a justificar sua ausência. Só por esses minutos iniciais o longa já fisga a audiência. Os filhos estariam mesmo com problemas ou o passado da família é que os impedem de tentarem se aproximar do pai? Sejam lá quais forem os motivos, o elo com espectador já está praticamente estabelecido afinal de contas quem nunca passou por uma situação frustrante semelhante? Muitos pais que o digam, mas o amor incondicional paterno passa por cima de qualquer adversidade ou mal entendido e por isso Frank resolve fazer suas malas e viajar para visitar cada um de seus filhotes e em cada porta que bate uma surpresa o espera. Os rostos sorridentes e inocentes de suas crianças foram substituídos por feições abatidas e levemente tristes, mas custa para este senhor à moda antiga compreender que nada mais é como antes e que os planos que traçou para cada um deles não vingaram. A sensação de decepcioná-lo seria o motivo do afastamento destes jovens adultos, mas existe um agravante na situação.

domingo, 2 de dezembro de 2012

DO QUE OS HOMENS GOSTAM

Nota 0,5 Primo pobre de American Pie é sem graça e recorre ao que há de pior em seu subgênero

Sinopse: Dois amigos estão partindo numa viagem para serem padrinhos em um casamento, mas antes fazem uma aposta. Se o romântico Jay (Christopher Wiehl) conseguir levar uma mulher para a cama durante o final de semana sem envolvimento amoroso ele ganhará o carro de seus sonhos e se o conquistador Dewey (Alex Nesic) conseguir resistir as tentações e não ficar com nenhuma garota ele poderá tentar passar uma noite com a irmã do amigo, Susie (Christie Lynn Smith). Chegando à casa do sogro de Scott (Michael Trucco), o noivo, Jay se surpreende ao ver que seu amigo se casará com uma antiga namorada sua, Teresa (Lisa Brenner). Este final de semana está cheio de surpresas para Jay, Dewey e para todos os demais convidados e até chegar a hora dos noivos trocarem as alianças muita coisa pode acontecer.

sábado, 1 de dezembro de 2012

A CONSPIRAÇÃO (2011)

Nota 0,5 Boa premissa só segura filme por alguns poucos minutos e o tédio é constante

Um homem acorda e se vê preso dentro de um pequeno compartimento e tem como único elo com o mundo um rádio transmissor. Com os olhos fixos em um cronômetro regressivo, como se uma bomba pudesse explodir a qualquer momento, ele não sabe como foi parar lá, mas graças aos diálogos que consegue travar com outra pessoa que parece estar vivendo a mesma situação descobre que está participando de uma trama terrorista. A premissa é até bacana, desde que fosse para um curta-metragem, mas A Conspiração tem a ousadia de tentar ser um longa-metragem. Isso não é um elogio, ok? Vamos à trama. Jeremy Reins (Stephen Dorff) certo dia acorda dentro de um claustrofóbico lugar, possivelmente o bagageiro de um carro. O que parecia ser um sequestro comum torna-se algo mais perigoso quando este agente do Serviço Secreto descobre que foi usado como cobaia em uma trama terrorista. Vendo a contagem regressiva para acontecer uma catástrofe, Reins é forçado por seus raptores a ter informações do mundo exterior à beira de um colapso através de um rádio de frequência curta. É a partir deste aparelho que o agente consegue fazer contato Henry Shaw (JR Bourne), outro que parece estar vivendo a mesma situação, e descobre que sua mulher Molly (Chyler Leigh) também foi sequestrada e está ferida. A única maneira do agente acabar com tudo isso é divulgando um segredo que ele jurou à sua corporação proteger com todas as suas forças. A claustrofobia é um tema bastante comum em filmes de suspense. Já vimos desde pessoas presas em um elevador até indivíduos enterrados vivos, mas é preciso ter muita criatividade para segurar a atenção do espectador por cerca de uma hora e meia utilizando um único ambiente e às vezes apenas um ator em cena, como é o caso. O protagonista é lançado em uma situação enlouquecedora, mas não duvide que o desespero maior fique por conta de quem assiste.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A BATALHA DE SEATTLE

NOTA 7,0

Alinhavando histórias ficcionais,
drama tenta retratar toda a tensão que
tomou conta de uma cidade por causa de
manifestação contra abusos de poderosos
Costumamos (ou ao menos deveríamos) valorizar filmes que privilegiam fatos históricos, mesmo aqueles que nada mais são que um pequeno grão de areia em meio a um episódio grandioso. Isso explica a enorme quantidade de títulos que envolvem a Guerra Fria, por exemplo, mas é uma pena que fatos mais recentes da História sejam esquecidos rapidamente como é o caso da temática de A Batalha de Seattle. Episódio marcante de revolta popular contra os abusos dos governantes, tal conflito não inspirou diretores de cinema, tanto que apenas o ator Stuart Townsend teve coragem de relembrá-lo anos depois. Estreando como diretor e roteirista, logo no início ele deixa claro que seu longa é baseado em fatos reais, porém, seus personagens são fictícios, mas nada que atrapalhe a dramaticidade da produção, pelo contrário, as várias tramas paralelas soam perfeitamente críveis. O problema é que a inexperiência como redator impediu que o estreante se aprofundasse em cada uma delas, sendo que o projeto como um todo é bastante ambicioso, seguindo o estilo narrativo de títulos consagrados como Crash – No Limite que ao mesmo tempo em que pretende fazer uma crítica social também tem a preocupação de desenvolver histórias que façam o espectador se identificar e criar um vínculo com os personagens e consequentemente se sentir atraído pela temática principal. Para compreender melhor o enredo, é necessário explicar o que foi o conflito do título. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, mais especificamente em 1947, foi assinado um acordo entre 23 países a respeito de tarifas para importações e exportações com o propósito de legalizar e expandir o comércio mundial. Ao longo de mais de 50 anos, outras nações se uniram ao projeto e assim surgiu a Organização Mundial do Comércio (OMC), que pouco a pouco passou a impor suas vontades sobre os governos e aqueles que desrespeitassem as regras eram punidos, podendo ser expulsos do grupo. A ganância dos membros fez com que o respeito a situações envolvendo o meio ambiente ou os direitos humanos ficassem em segundo plano, sendo que os interesses econômicos estão sempre acima de tudo, assim o órgão é muito criticado e alvo comum de protestos populares. O ápice desses conflitos ocorreu no final de 1999. A partir de 30 de novembro, durante cinco dias, dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas de Seattle, cidade que serviria naquele período para sediar a chamada “Rodada do Milênio”, reunião da OMC de grande importância que tinha o objetivo de avaliar os resultados dos últimos anos das suas ações e planejamento para os próximos meses, ou em outras palavras, realizar um balanço do quanto se perdeu (mortes, desmatamentos, extinção de animais entre outros fatores negativos) em favor dos lucros que chegaram às contas dos poderosos e o quanto eles ainda poderiam somar futuramente.

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