domingo, 15 de novembro de 2015

O INVISÍVEL

Nota 4,0 Flertando com o espiritismo, longa tem premissa interessante, mas é previsível

Filmes que abordam temas ligados ao espiritismo, como vida após a morte ou a possibilidade de ainda vivenciar o mundo real quando aparentemente a alma já está desvencilhada do corpo, chamam a atenção e já tem público cativo. Nos anos 2000, parece que a onda de longas espíritas pegou o mundo todo, principalmente depois que o suspense O Sexto Sentido aliou com perfeição sustos com mensagens que os interessados na área tanto buscavam. Tal obra reascendeu a procura por produtos do tipo, mas nem tudo que surgiu em seguida conseguiu resultados tão bons. O mesmo produtor que fez o mundo roer as unhas até o último minuto com a história do garoto que podia se comunicar com os mortos não repetiu o feito com O Invisível, suspense com pegada espírita, mas que está longe de ser um estudo profundo do assunto, parecendo mais uma introdução a esse universo para adolescentes. Nick Powell (Justin Chatwin), é um aspirante a escritor que promete trilhar um caminho profissional brilhante e se destaca no colégio com suas redações. Porém, sua vida é inesperadamente interrompida quando é brutalmente atacado numa noite e abandonado praticamente sem vida em um local afastado da cidade onde mora. No dia seguinte, o jovem está de volta à sala de aula, mas estranha o comportamento dos colegas e da professora que parecem ignorá-lo. O mesmo acontece quando chega em casa e ele encontra sua mãe, Diane (Marcia Gay Harden) que também parece não enxergá-lo. Pouco a pouco ele descobre que está preso entre o mundo dos vivos e dos mortos e que a única pessoa que pode entrar em contato com ele é Annie (Margarita Levieva), mas ela mesma pode estar envolvida com os fatos que levaram Powell a esta situação.

sábado, 14 de novembro de 2015

SOMBRAS DO MAL

Nota 5,5 Apesar da boa premissa, enredo não faz jus ao talentos dos protagonistas

Poder reunir em um mesmo filme dois nomes de intérpretes de peso deve ser o sonho de qualquer cineasta, mas isso de forma alguma significa que o sucesso está garantido. Hoje vivendo períodos pouco expressivos de suas carreiras, seja por falta de convites ou escolhas erradas, é fato que Robert De Niro sempre foi um nome em evidência e Jessica Lange, bem, ela já teve seus dias de glória também. No início da década de 1990, ambos em pleno auge profissional, eles tiveram a chance de estrelar Sombras do Mal, drama que flerta com o gênero policial e que poderia resultar em um memorável encontro de estrelas, porém, o resultado final é inferior ao esperado. Com roteiro de Richard Price, vencedor do Oscar pelo enredo de A Cor do Dinheiro, a trama nos apresenta a Harry Fabian (Robert De Niro), um advogado que sempre precisa recorrer a alguma picaretagem para conseguir alguns trocados. Quando enfrenta no tribunal Boom Boom Grossman (Alan King), um mafioso e empresário de lutas de boxe, ele tem uma grande ideia.  Organizar combates poderia render muito dinheiro, mas certamente não agradaria nada a seu adversário, mas Fabian tem uma carta na manga. Ele contrata como seu assessor o ex-boxeador Al Grossman (Jack Warden), ninguém menos que o irmão do gângster. Ambos estão brigados há anos e essa seria a chance do lutador dar o troco e o advogado ainda se dar bem financeiramente, porém, antes de qualquer coisa, é preciso arranjar patrocínio para esse negócio. O mais novo empresário da praça recorre então a sua amante Helen (Jessica Lange), mulher de Phil (Cliff Gorman), dono do bar que frequenta há tempos. A moça resolve ajudá-lo, mas também pede algo em troca. Querendo se separar do marido, ela pede a ajuda de seu caso para abrir um bar próprio. A sorte estaria mudando para ambos, mas tudo que começa errado pode ter um preço alto no futuro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O TEMPERO DA VIDA

NOTA 8,5

Drama grego envolve o
espectador com um enredo
emcionante e literalmente
bem temperado
Hoje em dia, felizmente, o acesso as produções estrangeiras está mais fácil. São várias as distribuidoras que investem em um segmento que dificilmente gera lucros de encher os cofres, mas ter tais títulos no catálogo traz prestígio à empresa e certamente atende a demanda de um nicho especial de público. Essas produções são muito procuradas em lojas e locadoras por platéias mais intelectuais, estas que geralmente repudiam a pirataria virtual ou de rua e se interessam em assistir até mais de uma vez uma mesma obra a fim de absorver o máximo que puderem de conteúdo. A grande disponibilidade de estrangeiros em DVD acaba fazendo também com que outros espectadores elevem seu padrão cultural e se engana quem acha que tudo que não é americano é cabeça demais. A prova disso é Tempero da Vida, um agradável drama resultado de uma co-produção entre a Grécia e a Turquia que além de nos presentear com belas paisagens também nos oferece imagens deliciosas que enchem nossos olhos e boca de vontade. Não se podia esperar algo diferente a julgar pelo apetitoso título. Esta produção mescla muito bem o drama com generosas pitadas de humor que fazem o espectador ficar constantemente com um sorriso no rosto. O enredo gira em torno da história de um menino turco de origem grega que acaba sendo deportado de seu país natal com a família, um fato verídico que milhares de pessoas viveram entre as décadas de 1950 e 1960 devido ao conflito entre os dois países. Fanis (Georges Corraface) passou sua infância em Istambul convivendo com seu avô Vassilis (Tassos Bandis), um filósofo culinário que ensinou ao neto tudo que sabia sobre a arte de cozinhar, alquimia dos temperos e os mistérios da vida. Quando são obrigados a voltar para Atenas, o avô não vai junto com os familiares. O garoto então fica na expectativa de quando voltará a vê-lo e começa a desenvolver o dom para a cozinha, o que irrita seus pais que acreditam que ele sofre de algum distúrbio e sentem medo do preconceito que ele pode vir a sofrer e fazem de tudo para evitar que ele encoste no fogão. Porém, quis o destino que ele não negasse sua vocação e alguns anos mais tarde já está trabalhando como chefe de cozinha. Mais maduro, acaba voltando para o lugar em que viveu sua infância devido a morte de seu avô e reencontra seu primeiro amor, Saime (Basak Koklukaya). As lembranças gostosas daquele tempo mexem com seu emocional e agora ele tem a chance de colocar em prática a grande lição que Vassilis lhe deixou: tanto na culinária quanto na vida é preciso caprichar no tempero para dar mais sabor.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

CARTAS PARA JULIETA

NOTA 6,5

Longa açucarado demais até
tem um bom início, mas seu
desenrolar torna-se cansativo
e romances não convencem
Assim como um livro consegue fazer uma pessoa viajar pelos lugares mais distantes ou fantásticos, um filme pode fazer o mesmo e muitas pessoas não resistem as produções filmadas em terras exóticas, históricas ou românticas. A Itália é um dos destinos mais procurados no roteiro das viagens cinematográficas e Hollywood sabe disso e vira e mexe está enviando seus talentos da frente e de trás das câmeras para filmarem por lá como é o caso do diretor Gary Winick que escolheu a ensolarada e pitoresca cidade de Verona, o palco da famosa história de Romeu e Julieta, para ser o cenário daquele que seria seu último trabalho (ele faleceu pouco tempo depois). Não por acaso o nome da protagonista da famosa obra de William Shakespeare também está contido no título de seu filme. Cartas Para Julieta é um romance com generosas doses de açúcar que se passa em um belíssimo cenário, adornado por um clima bucólico inquestionável e um roteiro bem convencional e previsível, ou seja, a fórmula perfeita para encantar os eternamente apaixonados e principalmente o público feminino, mas também certeiro para irritar os críticos especializados. Claro que quando uma produção se propõe a inovar e consegue fazer isso com sucesso é motivo para festejar e elogiar, porém, não se pode condenar e detonar um trabalho que assumidamente é repleto de clichês e oferece o prato feito convencional afinal de contas o longa provavelmente nunca teve as intenções de oferecer mais do que isso. Talvez se houvesse um fim trágico como no conto citado do escritor europeu este trabalho tivesse um respeito maior, não é? A história é bonitinha e para muitos esquecível em pouco tempo, mas é fato que o filme já se tornou um clássico romântico moderno caindo no gosto popular de forma instantânea, principalmente entre as adolescentes, até porque a protagonista é uma estrela em ascensão. Amanda Seyfried desde que estrelou o musical Mamma Mia tem emendado diversos trabalhos e aqui encontrou mais uma chance para perpetuar sua imagem de boa moça. Ela interpreta Sophie, uma jovem que é noiva do latino Victor (Gael Garcia Bernal). Eles decidem fazer uma viagem para a Itália para recuperar o romantismo da relação que não anda muito bem, porém, o rapaz quer ter seu próprio restaurante e se tornar um grande chef de cozinha, assim ele não resiste as tentações de conhecer a culinária, os vinhos e os temperos daquela terra. A namorada então acaba dispensando seu tempo livre ajudando um grupo de voluntárias a responder cartas pedindo conselhos amorosos endereçadas a "Casa de Julieta", um ponto turístico que realmente existe onde mulheres são recrutadas para manterem o vivo o mito da famosa personagem romântica e atrair curiosos.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

RANGO

NOTA 8,0

Animação conquista com seu
visual surreal e personagens
originais, mas enredo pode
não agradar totalmente
O nome de um dos atores mais excêntricos de Hollywood em destaque no material publicitário e a estampa de uma criatura que aparentemente tem olhos esbugalhados segurando um peixe nas mãos só podem indicar uma coisa: mais um pareceria entre Johnny Depp e o diretor Tim Burton. Errado! O astro empresta sua voz desta vez para uma animação de Gore Verbinski, o mesmo que o presenteou com o papel principal da série Piratas do Caribe. Se o ator é famoso por sua capacidade de mudar completamente seu visual de um trabalho para outro, nada melhor do que ele mesmo para dublar justamente um camaleão, réptil conhecido por sua constante mudança de cores dependendo do local ou circunstâncias em que se encontra. Todavia, o astro fez muito mais pelo protagonista. Simplesmente ele conseguiu dar profundidade dramática a um personagem animado, sem que ele precisasse estar presente em cena em carne e osso. Rango é o primeiro longa-metragem animado da Industrial Light & Magic, empresa que já conquistou diversos prêmios graças aos efeitos especiais que criaram para diversos produtos de sucesso como Parque dos Dinossauros.  Com argumento do próprio diretor em parceria com James Ward Byrkit e roteiro de John Logan, a história gira em torno do personagem-título, um camaleão sem identidade e com intenções artísticas que passou boa parte de sua vida dentro de um aquário até que acidentalmente foi parar em uma estrada no meio do deserto. Caminhando em meio a cactos, sob sol escaldante e passando por alguns contratempos, Rango conhece Feijão, uma lagarta cheia de personalidade que passa a acompanhá-lo em sua jornada sem destino. Após um bom tempo eles finalmente chegam a uma cidade chamada Poeira, local onde os habitantes sofrem com a falta de água. Muito convencido, o réptil começa a contar um monte de histórias fantásticas e de bravura como se fosse um herói de filme de faroeste e logo ele é eleito o xerife do vilarejo, assim, finalmente ele passa a ser reconhecido e se sente realmente importante. Algumas de suas primeiras obrigações no cargo são resolver o problema da escassez de água e enfrentar a ira de Bandido Bill e seu bando de malcheirosos do oeste, mas seu principal desafio na realidade é conhecer a si mesmo e tentar despertar o herói que existe dentro dele. Ou tal figura corajosa não passa mesmo de uma criação de sua mente fértil?

domingo, 8 de novembro de 2015

REFLEXOS DA AMIZADE

Nota 6,0 Estreia do ator David Duchovny na direção e como roteirista rende drama razoável

Desde que o seriado “Arquivo X” acabou o ator David Duchovny tem tentado encontrar seu espaço no cinema, mas sem sucesso. Talvez cansado de viver a sombra de seu personagem televisivo e não encontrando bons projetos na praça, em 2004 resolveu fazer ele mesmo o seu próprio filme ideal. Lançado diretamente em DVD no Brasil, Reflexos da Amizade é o primeiro trabalho escrito e dirigido por ele que também protagoniza a obra cuja forma narrativa descarta a rapidez hollywoodiana para adotar o estilo mais emotivo e reflexivo próximo do cinema tradicional europeu. O roteiro escrito em apenas seis dias conta a história de Tom Warshaw (Duchovny), artista plástico que leva uma vida boêmia em Paris, mas precisa urgentemente reatar laços com sua esposa Coralie (Magali Amadei) e Tommy (Anton Yelchin), seu filho de 13 anos. Para tanto ele começa a resgatar memórias de quando ele tinha a mesma idade do adolescente, período em que morava em Nova York. Ele havia perdido o pai recentemente e sua mãe, a enfermeira Katherine (Téa Leoni), ingenuamente acreditava que qualquer doença poderia ser evitada consumindo grandes quantidades de verduras, assim ela infernizava o filho na hora das refeições. Desde que perdeu o marido, ela oscilava entre momentos de lucidez e outros de insanidade, como resolver usar o banheiro ao mesmo tempo em que o filho tomava banho, além de ter se entregado ao vício dos cigarros e chorar constantemente. Para fugir desse ambiente depressivo e sufocante, o jovem Tom gostava de passar o máximo de tempo em companhia do seu melhor amigo, o deficiente mental Pappas (Robin Williams). Juntos eles faziam entregas para um açougue e juntavam trocados para gastar no cinema e com guloseimas. O que sobrava eles enterravam em frente a uma delegacia feminina, afinal elas já estavam presas e não ofereciam riscos, além de ser uma forma de evitar que o pai de Pappas (Mark Margolis) roubasse o próprio filho a quem ele culpava pela morte da esposa alegando que ela não suportou o fardo de ter um filho retardado.

sábado, 7 de novembro de 2015

O MERCADOR DE PEDRAS

Nota 2,0 Longa acaba deixando explícita uma mensagem de preconceito contra os muçulmanos

O fatídico 11 de setembro de 2001 continua rendendo ao cinema. Além das produções que enfocam eventos e tristes histórias ocorridos nesta data, há ainda os títulos que exploram o clima tenso e a aversão ao povo muçulmano que se propaga pelo mundo todo desde então, mas O Mercador de Pedras exagera na dose de preconceito e não faz questão alguma de ser imparcial. É preciso estar atento para não confiar que a visão do diretor e roteirista Renzo Martinelli seja uma verdade absoluta. Seu longa começa de forma bastante previsível mostrando uma tentativa de ataque terrorista no qual acaba se envolvendo a esposa de um estudioso sobre o islamismo. Alceo Rondini (Jordi Mollà) está passando férias na Turquia acompanhado de Leda (Jane March) e mantendo certa amizade eles nem desconfiam que estejam participando de um jogo perigoso tramado por Ludovico Vicedomini (Harvey Keitel), um carismático negociador de pedras preciosas que vive viajando para a Europa e o Oriente Médio. Contudo, por trás de sua amigável aparência ele esconde um grande segredo. Junto com seu parceiro de negócios Shahid (F. Murray Abraham) ele conspira um ataque terrorista em grande escala, mas quando seu plano está prestes a ser concretizado o destino acaba por surpreender fazendo-o se apaixonar por Leda que corresponde aos seus galanteios. Agora ela terá que escolher entre o amor e a segurança oferecidos pelo marido ou por essa paixão repentina e avassaladora, mas Rondini está disposto a desmascarar seu rival. Curiosamente aquele que deveria ser o herói da história na verdade acaba sendo o calcanhar de Aquiles da produção. Ele prega em seus discursos que os muçulmanos irão destruir o Ocidente e no final chega até a dar uma duvidosa lição de História afirmando que a luta entre o povo ocidental e o oriental já dura séculos, o que é um fato, mas fala com pessimismo quanto aos avanços do islamismo pelo mundo, inclusive taxando como uma religião doentia. Em outras palavras, ele trata a cultura e a religião dos muçulmanos com preconceito tratando de rotular a todos que fazem parte desse povo como criminosos inconsequentes e individualistas.

domingo, 1 de novembro de 2015

O HÓSPEDE QUER BANANAS

Nota 5,0 Fraquinha, comédia tem protagonista simpático e presença luxuosa de Faye Dunaway

Sempre que pensamos em filmes envolvendo animais fofinhos é inevitável um prévio constrangimento por conta da irritante mania de colocar os bichanos fingindo falar. Raramente produções do tipo contam com boas histórias e os recursos utilizados para dublagem são péssimos, extremamente artificiais. Babe - O Porquinho Atrapalhado é uma rara exceção, contudo, sua continuação ficou no mesmo patamar de tantas outras bobagens do gênero. Assim, quando uma produção envolvendo animais abdica dessa tal liberdade criativa já deve ganhar alguns pontinhos, mas sabemos que o resultado não vai muito além de uma comediazinha rasa, mas perfeita para matar um tempo ocioso. O Hóspede Quer Bananas é uma boa fita do tipo contando com um simpático e divertido protagonista, além da presença da premiada atriz Faye Dunaway, então já uma presença bissexta no cenário hollywoodiano e ainda mais rara em produções de estilo sessão da tarde. A trama escrita por John Hopkins e Bruce Graham se passa entre os variados cômodos do Majestic,  um luxuoso hotel gerenciado com muita dedicação por Robert Grant (Jason Alexander), que apesar das responsabilidades do cargo é um cara boa praça e está sempre de bom humor e evitando conflitos entre os funcionários e hóspedes. Bem, com um peludo novo visitante vai ficar difícil manter a ordem no local. Dunston é um macaco que desde a infância foi treinado pelo explorador Lorde Rutledge (Rupert Everett) para praticar crimes perfeitos e assim livrá-lo da culpa. A ideia era que o símio invadisse os quartos e roubasse as jóias e outros pertences de valor dos ricaços, mas os planos acabam sendo desvirtuados, muito porque o ladrãozinho tem consciência de que está fazendo coisas erradas e ainda por cima é constantemente maltratado pelo seu mentor.