sábado, 20 de abril de 2013

SHINOBI - A BATALHA

Nota 6,0 Épico japonês é uma espécie de Romeu e Julieta com pano de fundo político

Sinopse: Em 1614, o Japão foi pacificado, mas ainda restam sinais de guerra, principalmente entre dois grupos de ninjas, o da terra de Kouga e o de Iga. Eles são inimigos há vários séculos, mas respeitam um acordo de não guerrear um com o outro, porém, o clima de rivalidade está sempre os cercando. Oboro (Yukie Nakama) é a neta do chefe dos Iga e sem saber se apaixona por Kouga Gennosuke (Joe Odagiri), o neto do comandante dos Koga. O amor nasce à primeira vista e eles acabam se casando secretamente, mas o destino os castigará por levarem adiante esse sentimento proibido. Ambos são designados pelo governo a liderar um confronto, cada qual representando seu clã e escolhendo seus melhores ninjas, assim o jovem casal se encontra em uma difícil situação: a eminência da morte. A real intenção desta batalha é que os membros rivais fossem destruídos e os soldados do império aproveitassem para destruir as aldeias acabando de vez com os conflitos e trazendo a paz para sempre, mas será que a força do amor irá impedir tal guerrilha?


Comentário: O Oriente vira e mexe nos surpreende com filmes que parecem verdadeiras obras de arte, tanto no visual quanto no texto, mas nem sempre conseguem um perfeito equilíbrio entre esses dois elementos. Baseado no romance "The Kouga Ninja Scrolls", de Futaro Yamada, que também deu origem a uma série de mangá e a uma de anime de grande sucesso no Japão, "Basilisk – Kouga Ninpou Chou", esta é uma obra que adota um estilo cinematográfico misturado ao teatral, com belíssimas batalhas de espadas minuciosamente coreografadas. Esse tipo de produção voltou a ganhar destaque nos últimos tempos com os avanços do cinema oriental tanto em seu território quanto em outros continentes, chegando inclusive a influenciar obras norte-americanas como Kill Bill. Apesar da boa receptividade do gênero nos primeiros anos do século 21 (produções do tipo estavam em declínio desde o final dos anos 70) e da grande repercussão no Japão, Shinobi – A Batalha teve dificuldades para ser lançado em outros países incluindo o Brasil que o recebeu com cerca de dois anos de atraso e apenas em DVD, sem direito a passagem pelos cinemas. A repulsa pode estar no fato da obra literária que inspirou o diretor Ten Shimoyama ser desconhecida em boa parte do mundo, todavia, seu conteúdo pode ser de apreciação universal. Shinobi é o nome dado aos ninjas que são treinados para missões especiais de espionagem ou assassinato, mas apesar da alcunha ser usada como chamariz no título, o foco principal da história roteirizada por Kenya Hirata é o amor de um jovem casal que é impedido de viver o romance devido a guerra secular envolvendo os nomes de seus clãs, um tema já bem clichê no cinema mundial e que bebe na fonte do texto clássico de "Romeu e Julieta". Neste caso, o eterno conflito dos clãs que se odeiam, mas cujos jovens membros se apaixonam e resolvem lutar pelo direito de viverem esse amor ganha um suporte a mais com a trama política inserida no roteiro. Kouga e Iga, os dois lendários clãs que realmente existiram, foram de grande serventia durante um período de guerra, mas com o fim das guerrilhas tornaram-se uma ameaça ao governo da época. Provocando a disputa entre estes povos, incitando inclusive a morte dos combatentes, os governantes teriam condições de acabar com aldeias que julgavam perigosas isentando-se da culpa. Tecnicamente e no visual o filme é espetacular, com belíssimos cenários e fotografia e com direito a sutis efeitos especiais que transformam as faces dos atores em momentos estratégicos, uma espécie de técnica ocular de combate que implode aqueles que fitam os olhos do guerreiro portador de tal virtude. Por outro lado, o texto deixa um pouco a desejar. Para quem não conhece nem mesmo a versão em anime desta história o longa pode gerar até certo interesse, mas para quem está mais por dentro do universo criado por Yamada garante que o roteiro não é fiel as suas origens, inclusive deixando várias lacunas e passagens sem respostas. De qualquer forma, esta é uma opção interessante para aquelas ocasiões em que se deseja assistir algo diferente, mas falta algum ingrediente para que a obra prenda mais a atenção, talvez uma ajustada no ritmo ou um texto melhor trabalhado. Seja como for, pelo menos no quesito beleza merece nota dez e já faz valer o tempo dedicado na frente da TV. 

Alternativos - 107 min - 2005 - Dê sua opinião abaixo.

Um comentário:

renatocinema disse...

Gosto da animação e dos cinemas orientais. Mas, não sei se esse tem o estilo que mais aprecio.

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