domingo, 30 de março de 2014

O TESOURO PERDIDO (2003)

Nota 3,0 Desde o genérico título, longa denuncia sua falta de originalidade e pinta de filme B

A caça a tesouros é um dos temas mais clássicos do cinema e serviram como argumento para várias produções que rechearam as tardes na TV, as prateleiras de locadoras e marcaram a infância de muita gente, mas produtos do tipo viveram um período de ostracismo em meados dos anos 90 ressurgindo com força no século 21 graças a franquia Piratas do Caribe. Diz o ditado que quem não tem cão caça com gato e assim quem não pode contar com um polpudo orçamento precisa brincar usando a criatividade, dessa forma muitos produtos menores com temática semelhante foram produzidos para lançamento direto em DVD como é o caso de O Tesouro Perdido que só por seu título genérico já aniquila expectativas e clama pelo rótulo de filme B. O diretor Jay Andrews claramente quis realizar um projeto que resgatasse o espírito de antigas aventuras que dispensavam o uso de efeitos mirabolantes e investiam mais na história e em situações realistas, porém, o resultado é apenas um passatempo esquecível. A trama escrita por Harris Done e Diane Fine começa com um incêndio em um museu de onde um ladrão passando-se por bombeiro furta, entre outras coisas, um quadro. Logo que toma conhecimento do episódio, a polícia sai ao encalço do bandido que em meio a perseguição acaba fugindo e deixando a mercadoria na estrada. O investigador Carl McBride (Coby McGlaughlin) fica curioso com o tal quadro que aparentemente não tem nada demais para ser alvo de um roubo e resolve pedir ajuda ao seu irmão Bryan (Stephen Baldwin), um especialista em antiguidades que revela uma surpreendente lenda. Analisando o tecido e a pintura, o rapaz afirma que este seria um mapa feito pelo famoso Cristóvão Colombo que indicaria a localização de um navio perdido que estaria repleto de ouro e outras riquezas esquecidas pelo historiador. Os irmãos partem para o Panamá, mais especificamente para a Ilha Damas, para tentar achar o tesouro, mas é óbvio que bandidos estarão na cola deles. O mandante do roubo, Ricardo Arterra (Hannes Jaenick), tem em seu poder outra parte do mapa, sequestra Carl e parte rumo a ilha.

O resto do mapa, na verdade uma cobertura que completaria a parte que está no poder do sequestrador, está com Bryan que contrata os serviços da piloto Carrie (Nicolette Sheridan) para levá-lo até a tal ilha. A moça só descobre os reais motivos da viagem quando o helicóptero cai na selva em meio a uma forte tempestade noturna. A essa altura, Arterra e seu bando já estão prontos para atacar após serem enganados por Carl que tentava ganhar tempo dizendo que tinha memória fotográfica e os levaria até o local em que o tesouro está enterrado. Para dar uma complicada na trama, existe a ameaça de que um tsunami pode ocorrer a qualquer momento e o detetive Sean Walker (Jerry Doyle), o chefe de Carl, mantém ligações com os bandidos e também chega a ilha com intenções de colocar as mãos no tesouro. Saem os piratas clássicos de capa e espada e entram em cena os piratas modernos vestindo jeans e com arma de fogo em punho. O Tesouro Perdido cai bem para matar o tempo sem compromisso quando não há nada melhor para se fazer, mas obviamente quem escolher essa opção deve estar ciente que este é um produto de baixo orçamento e com roteiro super previsível, portanto a insatisfação é um resultado inerente. O pior é que fora o conflito capenga entre mocinhos e bandidos, não há nada que ajude a movimentar a trama, nem mesmo as ameaças da natureza. Fica no ar o interesse romântico entre Carrie e Bryan (o velho clichê do triângulo amoroso envolvendo o irmão viria a calhar neste caso) e ainda temos que aguentar um casal que entrou de gaiato na história, um negão bobalhão e sua esposa mandona e de voz fanhosa, personagens desnecessários que deveriam injetar humor ao enredo, mas acabam constrangendo o espectador com falas ridículas. Por fim, a curta duração dá a assinatura final de que não há justificativa para este produto ter sido realizado, afinal desde a sua premissa está subentendido que os lucros passariam longe. Com início razoável e desenvolvimento fraco, o final põe uma pá de cal no assunto subestimando a inteligência do espectador descaradamente. O orçamento devia estar no fim e precisaram encerrar as filmagens às pressas recorrendo a uma conclusão digna de redação infantil.

Aventura - 89 min - 2003 - Dê sua opinião abaixo.

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