sábado, 22 de março de 2014

REPÚBLICA DO AMOR

Nota 4,0 Apesar do início estranho, romance entra nos eixos, mas é tocado em banho-maria

Os tempos mudaram, a instituição do casamento já não tem mais o peso de antigamente e o cinema está sempre tentando compreender as mentes e sentimentos das novas gerações repletas de adeptos da solidão ou parceiros múltiplos. Se amarrar a alguém parece uma alternativa apenas em último caso e geralmente colocando na balança outros valores, sendo o amor talvez o requisito de menor valor nas relações modernas e o respeito ao individualismo a prioridade. Baseado no livro de Carol Shields, República do Amor conta uma história romântica que explora o fascínio, os dilemas e as barreiras de uma relação a dois. Tom Avery (Bruce Greenwood) é um locutor de rádio que tem um programa nas madrugadas destinado a ouvir lamentações e questionamentos, principalmente de ordem sentimental, de ouvintes insones. Ele teve uma infância pouco convencional com pais liberais e provavelmente isso influenciou sua vida amorosa, visto que ele já foi casado três vezes e hoje prefere encontros casuais apenas para satisfação sexual. Já Fay McLeot (Emilia Fox) é uma pesquisadora que está mais focada em seu trabalho dedicando-se a escrita a respeito de uma tese sobre o mito das sereias. Ela está entediada com seu atual namorado, a relação caiu na rotina. Quando aceita o convite de um amigo para uma festa, Tom conhece e se interessa por Fay e a recíproca é das melhores. Após algum tempo longe por conta de uma viagem da moça, os dois se reencontram e engatam um namoro que parece perfeito, porém, cada um tem seu próprio espaço, sua maneira particular de ver o relacionamento. Já quarentão, possivelmente Tom vê o casamento como uma necessidade, tanto para cessar especulações sobre sua vida “desregrada” quanto para contar com o apoio de alguém no futuro, tal qual seus pais vivem em harmônio auxiliando um ao outro na velhice. Já Fay deseja o casamento perfeito assim como de seus pais que mesmo após tantos anos de união aparentam manter o amor bem acima do simples respeito e solidariedade. Todavia, essa utopia pode arruinar seu relacionamento atual quando surge uma frustração em seu caminho.

Apesar do argumento atual e interessante, o longa foi lançado no Brasil diretamente em DVD, o que é justificável quando chegamos aos créditos finais. A diretora Deepa Mehta, indiana radicada no Canadá, que também assina o roteiro em parceria com Esta Spalding, realiza uma obra irregular e sem um propósito bem definido no final das contas. A rigor ela queria falar sobre como a localização é um fator importante para o sucesso de um relacionamento, enfatizando que os protagonistas viviam em um mesmo edifício em Toronto, mas a correria do dia-a-dia adiou tal encontro e os forçou a fazer escolhas erradas procurando pessoas fora de seu ambiente de trânsito. Contudo, os primeiros minutos vendem a ideia que a intenção seria apostar em um labirinto amoroso visto os vários personagens e nomes que surgem deixando no ar que existem ligações entre eles, mas conforme a narrativa avança as coisas vão se afunilando até que as atenções recaiam somente sobre os protagonistas, assim a introdução resume-se a um erro que só serve para confundir o espectador e até mesmo forçá-lo a desistir de acompanhar a obra. Quando cai no romance convencional, a trama torna-se mais envolvente, mas jamais chega a ser algo que empolgue pelo fato de que pouco acontece até chegarmos ao real conflito da fita deflagrado já próximo da conclusão. Nem mesmo a coincidência de Fay conhecer as três ex-mulheres do namorado é explorado para injetar humor a trama. No conjunto, sem negar suas origens de produção independente, República do Amor é uma opção para os amantes de fitas românticas quando não há melhores opções, com o risco de desagradar até mesmo tais fãs já que a o curso da trama parece fazer questão de distanciar quem assiste de seus personagens. De qualquer forma, o longa foi bom para Greenwood, ator geralmente relegado a papéis coadjuvantes, que aqui sustenta o filme com seu protagonista com comportamento e emoções genuínas, um contraponto a sua parceira que, mesmo existindo química entre eles, oferece um interpretação menos carismática e por vezes digna de mocinhas sonhadoras, o que não condiz com seu estilo de vida.

Romance - 106 min - 2003 

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