segunda-feira, 13 de maio de 2013

CLICK

NOTA 6,0

Adam Sandler repete mais
uma vez o papel do rapaz de
bem que acaba se metendo em
confusões buscando a felicidade
O dia-a-dia pode ser um tanto estressante devido aos compromissos profissionais e com a família, sobrando pouco ou nenhum tempo para uma pessoa pensar em si mesma. Quem nunca imaginou poder se livrar dos problemas mesmo que por alguns minutos todos os dias ou então conseguir controlar o tempo e as pessoas de acordo com sua própria vontade? Que bom seria se a solução pudesse estar na ponta dos dedos. Basta um simples toque em um controle remoto para calar ou congelar pessoas, voltar no tempo ou avançar para o futuro, enfim, uma infinidade de coisas poderia ser feitas com esse aparelho para tornar o seu dia o mais agradável possível. Em cima dessa fantasia é que se apóia a comédia Click, um exemplar típico do “feel good movie” ou em bom português o filme destinado a celebrar os valores familiares assim tornando-se uma opção que agrada a todas as idades, uma produção que não promete mais que puro divertimento. Apesar de recorrer a clichês como piadas visuais com animais simpáticos ou apelar um pouco a um humor grotesco envolvendo flatulências ou excrementos, contudo, prestando um pouco mais de atenção em seu enredo podemos encontrar uma boa lição de moral sobre o que fazemos com o nosso tempo. Não dá para simplesmente viver no passado. Querer chegar rapidamente ao futuro também pode não ser um bom negócio. O jeito é viver o máximo que puder e da melhor forma possível o presente. A história criada por Steve Koren e Mark O’Keefe gira em torno de Michael Newman (Adam Sandler), um jovem que é casado com Donna (Kate Beckinsale) com quem tem dois filhos, Ben (Joseph Castanon) e Samantha (Tatum McCann). O rapaz está passando por um período de crise com a família, não por sua vontade, mas sim por causa de seus inúmeros compromissos profissionais em um escritório de arquitetura que lhe exige dedicação demais. Ele obedece as ordens como um cordeirinho porque deseja chamar a atenção de seu chefe Ammer (David Hasselhoff) e quem sabe conseguir uma promoção.

Só pensando no trabalho, Newman perde importantes momentos familiares, como um acampamento no fim de semana ou a competição de natação de seu filho, aliás, um garoto que ele próprio não consegue reconhecer debaixo d'água por não conhecê-lo profundamente. Coitado do menino se um dia se afogar em uma piscina lotada e depender do pai. Tais situações fazem com que as crianças vivam entediadas e sua esposa sempre aborrecida. Certa noite, exausto de um dia cansativo de trabalho e das cobranças da família, Newman passa por mais um estresse.  Com dificuldades para encontrar qual dos vários controles que tem em casa liga a sua televisão, ele decide pelo menos colocar um basta nesta situação incômoda e vai comprar um aparelho remoto que seja universal, ou seja, um que funcione para todos os equipamentos eletrônicos que possui. Ao chegar na loja de estranhíssimo nome "Cama, Banho & Além", o rapaz encontra Morty (Christopher Walken), um excêntrico funcionário do local que lhe oferece um aparelho semelhante ao que está procurando, mas ainda em fase experimental. O diferencial desta nova invenção é que além de controlar a TV, o aparelho de som, as luzes entre tantas outras coisas, ele ainda acumula funções que são um verdadeiro sonho para quem quer se livrar de problemas com a família, amigos, chefe, vizinhos e até com o cachorro. Com apenas um toque vez ou outra Newman poderá finalmente ter a vida que sempre sonhou manipulando o tempo e as situações cotidianas de acordo com suas vontades. O único problema é que o uso abusivo e impulsivo deste controle pode trazer outros contratempos, mas quando a pessoa cai em si pode ser tarde demais. Surpresa! A invenção não oferece a opção de voltar ao passado. A mistura de humor baseado em situações visuais e algumas pitadas de drama leve consegue agradar crianças, jovens, adultos e velhinhos. É literalmente uma comédia universal e que utiliza muitos clichês para causar riso nos espectadores, tudo é bem mastigado, mas ainda assim cumpre seu papel perfeitamente afinal, como já dito, não pretende oferecer mais que diversão pura. Ok, algumas piadas nojentas e a repetição incessante do vergonhoso “relacionamento” entre o cachorrinho de estimação da família Newman e um pato de brinquedo poderia ter sido limado na edição final.

A sensação de que já vi esse filme, contudo, é inevitável e potencializada pela presença de Adam Sandler interpretando mais uma vez o cara bacana que acaba se metendo em confusões. O pior é que hoje em dia não sabemos se o fato de repetir papéis é um problema ou é positivo ao ator. Ele em terreno seguro consegue sempre arrancar boas risadas com suas interpretações caricatas e cheias de expressões corporais e faciais, quase como um Jim Carrey com pouco menos de idade. Aliás, esta obra até guarda certa semelhança com o longa Todo Poderoso. Em ambos os casos os protagonistas são homens que tentam equilibrar sem sucesso a vida profissional e a pessoal e ganham uma chance de rever os rumos de suas vidas através de um objeto mágico. Nesta comédia, Sandler até começa com uma interpretação mais contida, porém, conforme começa a se divertir com seu novo brinquedinho ele volta a sua velha e boa forma de interpretar, mas no geral por mais que se esforce ele não consegue deixar de lado sua imagem de Peter Pan malandrão, o cara que não quer crescer e deseja levar a vida numa boa. Tal estilo ao que tudo indica faz bem a sua carreira. Ele está tão a vontade aqui por também estar sendo dirigido por Frank Coraci, com quem já havia trabalhado em O Rei da Água Afinado no Amor. Apesar da boa ideia central, se o filme é um amontoado de situações previsíveis, por que ele caiu nas graças do público? A resposta é fácil. Simplesmente é uma comédia muito bem feita e com um roteiro escrito de forma leve, sucinta e que vai de encontro ao que seu público-alvo deseja. A introdução nos apresenta muito bem os personagens, a ambientação, os conflitos do protagonista e oferece um humor de qualidade quase totalmente livre de apelações. Já da metade para o final, o longa assume um tom mais dramático justamente para explicitar a sua lição de moral. Quando o controle remoto passa a tomar decisões por conta própria, o pai de família perde o controle de sua vida e então o roteiro ganha um caráter reflexivo com mensagens bonitinhas e que não precisam de muito esforço para serem compreendidas. Click é assim. Bobinho, repetitivo, manipulador de emoções e talvez por essas razões um clássico instantâneo para as sessões da tarde. Uma produção acima da média para o gênero e assistindo no aconchego do lar e com o controle remoto em mãos temos o conforto de poder passar para frente as partes mais chatinhas, mas ainda com a opção de voltar para trás se houver arrependimento.

Comédia - 107 min - 2006 

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3 – 4 Regular, serve para passar o tempo
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Um comentário:

renatocinema disse...

Sua visão é ótima e com diz com o que penso: bobinho, e clássico da sessão da tarde. kkkk
Um filme que cumpre seu papel.


abraços

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