sexta-feira, 8 de março de 2013

SETE DIAS COM MARILYN

NOTA 8,5

Biografia acompanha um
curto período da vida da
estrela, mas o suficiente
para revelar a Marilyn real
Hoje se comemora o Dia Internacional da Mulher e nada melhor que lembrar uma atriz que se tornou não só um símbolo sexual, mas também deixou sua marca no cinema, mesmo com uma breve carreira, e com seu visual exuberante permanece com sua imagem viva até hoje no imaginário coletivo.  Todavia, quem espera assistir Sete Dias com Marilyn e se deparar com uma bela e merecida homenagem ao mito Miss Monroe regada à clichês pode se decepcionar com o resultado, a começar pelo fato da fita não se limitar a apenas endeusá-la, mas ceder espaço para desconstruir sua imagem de mulher perfeita. Apesar de intitular a produção, a diva não é a protagonista da trama na realidade. A vaga de personagem principal é ocupada por um homem, um apaixonado pela estrela que sonhou em trabalhar ao seu lado, mas conseguiu mais que isso e participou da vida íntima de sua musa e registrou as memórias desses momentos no livro “Minha Semana com Marilyn”, na tradução literal. O autor, o jovem Colin Clark (Eddie Redmayne), narra sua visão da mulher que existiu atrás do mito, longe dos holofotes e da imprensa. Através de seus escritos, adaptados pelo roteirista Adrian Hodges, além de relembrarmos o furacão que ela era em sua vida pública, temos a possibilidade de conhecer a fragilidade e insegurança desta atriz que ao mesmo tempo era temperamental e intensa em altíssimos graus. Coube à requisitada Michelle Williams o dever de interpretar esse ícone de Hollywood e ela não decepcionou, sendo indicada ao Oscar e vencendo o Globo de Ouro de atriz em comédia, mas não se engane, os risos são poucos. A veia dramática é que rege a narrativa. Em meados dos anos 50, sentindo-se deslocado em sua própria família, diga-se passagem, com posses e bastante refinada, Clark decide partir para Londres ao descobrir que o ator e diretor Laurence Olivier (Kenneth Branagh) estava para começar a pré-produção de um novo filme, O Príncipe Encantado. Estar perto dos astros do cinema sempre foi o desejo do jovem e para tanto ele aceita o cargo de um dos assistentes do diretor, tudo para ficar o mais próximo possível da estrela da fita, a sedutora Marilyn Monroe que na época estava aproveitando a lua-de-mel com seu novo marido, o terceiro, o dramaturgo Arthur Miller (Dougray Scott). 
 
Conforme o tempo passa e as filmagens avançam, Clark consegue se aproximar de sua musa e participar de sua intimidade, descobrindo que existe uma mulher comum por trás de todo glamour que exala sob os holofotes e flashs. Quando seu marido viaja, Marilyn fica na Inglaterra e passa a aproveitar a semana na companhia de Clark, este que a ajuda a aproveitar os bons momentos da vida sem se preocupar com o trabalho ou assédio das pessoas, mas nem por isso ela deixa de ter seus minutos de raiva ou insegurança. Eternizada como um símbolo sexual, a Marilyn que encontramos neste filme dirigido por Simon Curtis é bem diferente da imagem que guardamos na memória de seus filmes e aparições públicas e mais próxima da mulher descrita nas inúmeras biografias lançadas sobre a estrela platinada, tanto as oficiais quanto as proibidas. O longa consegue humanizar o mito mostrando uma jovem insegura, carente, volátil, triste e dependente de remédios para depressão, ainda que estivesse com trinta e poucos anos de idade na época. Ao mesmo tempo em que seu número de fãs aumentava a cada dia, na mesma proporção subia o percentual de inimigos que fazia nos sets de filmagens graças a sua insegurança e constantes atrasos que acabavam por atrasar todos os trabalhos das equipes de cinema. Fora isso, ela ainda trazia seus problemas pessoais para o trabalho e vice-versa, vivendo a beira de uma crise de nervos quase que em tempo integral. Contudo, Olivier não desistia e continuava tentando adaptá-la ao seu ritmo e estilo de trabalho, além de procurar livrá-la da dependência que sentia das instruções e observações de sua consultora particular Paula Strasberg (Zoë Wanamaker), ajuda que mais lhe atrapalhava que colaborava. Mas o show é mesmo de Michelle Williams que encarnou a estrela com perfeição, ainda que muitos criticassem a escolha para o papel devido ao tipo físico da atriz e suas feições não serem semelhantes. Todavia, reproduzindo as expressões e trejeitos da homenageada, ela consegue capturar as atenções de forma que não conseguimos parar para pensar em detalhes físicos. A loira sedutora de clássicos como Quanto Mais Quente Melhor está novamente em cena inquestionavelmente.

Embora o roteiro busque firmar a relação amorosa entre Marilyn e Clark como ponto principal, é fato que tal gancho não é tão empolgante e envolvente quanto a oportunidade de acompanharmos a reconstituição dos bastidores de um filme, que realmente foi lançado, não é ficção, e a recriação de uma época tão fascinante quanto a década de 1950. Podemos ao menos ter uma noção de quem foi o famoso Laurence Olivier, um dos atores que mais vezes e das melhores maneiras interpretou personagens clássicos criados pelo escritor William Skakespeare, um paralelo interessante e que justifica a escalação de Branagh para o papel, ator contemporâneo que também é apaixonado pelos textos do dramaturgo e que fez sucesso com algumas destas adaptações para o cinema nas décadas de 1980 e 1990. A atriz Julia Ormond entra em cena como Vivien Leigh, a inesquecível Scarlett O’Hara de E o Vento Levou, a esposa de Olivier que precisa enfrentar a crescente sensação de abandono por parte do marido e também a rejeição que passa a sentir do público, tudo por conta de uma certa nova e sensual atriz de madeixas platinadas e corpo curvilíneo. Participam também da produção Emma Watson como Lucy, jovem por quem Clark era apaixonado antes de conhecer Marilyn, Dominic Cooper como Milton Greene, um dos ex da estrela, e Judi Dench como Dame Sybil Thorndike, uma companheira de filmagens fiel e auxiliadora. Apesar das diversas cenas em que a estrela está passando por crises, lutando para decorar as falas e entrar no personagem ou mostrando as inúmeras vezes que deixou a equipe de filmagem na mão, o que temos nesta produção ainda é um breve relato de quem foi um dos maiores mitos de Hollywood, apenas sete dias da vida de uma estrela dividida entre a luminosidade da fama e sua obscura vida pessoal. Quem procura uma bela história de amor ou uma agradável comédia certamente se decepcionará com Sete Dias com Marilyn, mas aos adeptos de um bom drama ou histórias baseadas em fatos reais eis uma excelente opção, um trabalho impecável de reconstituição de época e que usa o charme da metalinguagem, o cinema falando sobre cinema, a seu favor contando com um elenco talentoso e que honra as personalidades reais que representam. Vale a pena dar uma conferida.

Drama - 99 min - 2011 - Dê sua opinião abaixo.

Um comentário:

renatocinema disse...

Esse foi um filme que me surpreendeu.......adorei a trama, o elenco e o filme de uma forma geral.

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