Nota 5,0 Bons ganchos são desperdiçados por narrativa limitada e que carece de tensão e clímax

Nesse
jogo de gato e rato, no qual as autoridades e a mídia tentavam montar um quebra-cabeças
e de certa forma bancavam reféns do assassino que continuava a solta e cada vez
mais atrevido na maneira como assumia sua responsabilidade nos ataques, cerca
de uma década se passou, mas infelizmente o longa dirigido por Alexander
Bulkley, que também assina o roteiro em parceria com Kelly Bulkley, não passa a
real dimensão do pânico que este serial killer espalhou entre os anos 60 e 70.
São poucos os assassinatos exibidos, embora o criminoso tenha assumido numa
carta que matou 37 pessoas, e a tensão de sua presença pelas redondezas é
sentida de forma fria, sendo que a exaltação que os veículos de comunicação
noticiam não parecem corresponder com a realidade do vilarejo. Nem mesmo quando
uma das vítimas consegue sobreviver e dar informações mais concretas sobre o
assassino as coisas esquentam, sendo que a história em seus minutos finais
volta seu foco para a desestruturação da família Parish deixando explícito que
por causa do alto grau de envolvimento de Matt nas investigações um dos
próximos alvos do Zodíaco seria o filho do detetive. Todavia, não espere um
final arrebatador, embora seja extremamente interessante a opção escolhida pelo
diretor que deixa uma brecha para o espectador tirar suas próprias conclusões
sobre o que teria acontecido ao assassino após o seu último contato via carta e
seu suposto derradeiro ataque. Sim, para quem conhece um pouco sobre essa
história sabe que o destino do assassino é uma incógnita. Ele continuou os
ataques após a última carta datada de meados de 1978? Teria abandonado a vida
de crimes? Teria falecido naquela época ou viveu por anos como alguém anônimo?
Mais interessante do que explorar o que se sabe histórica e documentalmente
sobre este serial killer seria a realização de um filme imaginando um ou mais
caminhos que ele poderia ter seguido, mas O Zodíaco prefere o trajeto mais
fácil e infelizmente desperdiça um bom material tanto para cenas de tensão
quanto para uma análise psicológica do personagem-título, visto que ele é
enquadrado como um indivíduo que teria sofrido traumas na infância e teria
alguma disfunção sexual, o que explicaria seu método de “trabalho” que sempre
buscava como alvos casais jovens e os homens eram atingidos primeiro. Com
estilo de produto televisivo, ligeiro e com desenvolvimento limitado, este
filme preenche um tempo livre, mais pelo interesse em descobrirmos detalhes de
um caso intrigante sem final hollywoodiano, mas deixa a sensação de que poderia
ser algo infinitamente melhor. Atenção: não confundir com o longa de David
Fincher lançado dois anos depois, um produto com muito mais requinte e
conteúdo.
Suspense - 96 min - 2005
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