sábado, 4 de março de 2017

NINGUÉM SOBREVIVE

Nota 5,0 Ligeiro e sem muita história para contar, fita se resume a violência e mortes chocantes

O mundo está cheio de pessoas más, isso é fato. A ironia é que por mais que uma pessoa se considere terrível (no caso um autoelogio), sempre haverá alguém pior ainda para ocupar tal posto e nem mesmo quem faz parte de uma gangue da pesada está a salvo. Embora existam grupos em que a camaradagem reina absoluta, em geral para quem vive da criminalidade a morte é algo tão banal que estourar os miolos de um companheiro não significa nada. Proteger a si mesmo e seus interesses está sempre em primeiro lugar. Explorar ao máximo a crueldade do ser humano, revelando inclusive que até os mais bonzinhos tem escondido seu lado negro, o terror independente americano tem presenteado os fãs do gênero com carnificinas surreais. Com um epílogo clichê no qual uma jovem corre desesperadamente por uma densa floresta na calada da noite até cair em uma armadilha, Ninguém Sobrevive surpreende após o estranho primeiro ato. No início a trama pode confundir com histórias paralelas, mas que não demoram a convergir. Simplesmente creditado como "driver" (motorista), Luke Evans, que viria a fazer parte dos episódios 6 e 7 da franquia Velozes e Furiosos, surge na tela com pinta de herói viajando na companhia da namorada Betty (Laura Ramsey) viajando por estradas desertas, obviamente, até que eles têm a péssima ideia de parar em um restaurante entregue às moscas. Lá eles são provocados pelo marrentão e inconsequentente Flynn (Derek Magyar) que imaginando o casal como ricaços arma um plano para sequestrá-los em parceria com Ethan (Brodus Clay). Pouco antes sua gangue já havia realizado um assalto mal sucedido em uma casa de veraneio que invadiram, mas acabaram sendo supreendidos pelos donos que foram assassinados de imediato. Hoag (Lee Tergesen), o líder do bando, se desentende com Flynn que agora quer se redimir. Ele só não contava que o sequestro do tal casal reservaria desagradáveis surpresas.

O cara que seria a vítima acaba se revelando tão violento e sanguinário quanto os criminosos e no porta-malas de seu carro encontram uma jovem, Emma Ward (Adelaide Clemens), a garota que aparece na introdução, uma rica herdeira desaparecida há meses. Há quanto tempo ela estaria sendo mantida refém pelo motorista misterioso? Betty sabia disso? Aliás, teria o rapaz de fato a sequetrado ou por um mero acaso ela se escondeu em seu carro? Ou ela foi colocada propositalmente dentro do veículo? O roteiro escrito pelo estreante David Cohen deixa muitas pontas soltas e em alguns momentos exagera nas manipulações para que as situações se encaixem aos propósitos violentos da trama, mas nada que anule o prazer dos masoquistas e fãs de gore. Mortes e ataques violentos e detalhados não faltam para o deleite daqueles que praticamente precisam também sentir a dor de uma navalha perfurando um personagem e o diretor Ryûhei Kitamura sabe bem como trabalhar sensações do tipo. De origem japonesa, este é o segundo longa com produção americana que ele assina. Sua estreia foi com o irregular O Último Trem que apesar de um argumento bem interessante acabou tendo sua execução atrapalhada pela obsessão do cineasta por violência gráfica, assim tornando-se refém de efeitos especiais muitas vezes mal inseridos ou usados em exagero para fazer o espectador literalmente entrar na carnificina. Com Ninguém Sobrevive ele prova que aprendeu com seus erros procurando chocar com trucagens mais convencionais, porém, muito eficientes. Longe de ser uma obra-prima do gênero gore, uma boa sacada da produção é a alternância entre vilões e anti-heróis. Ninguém é totalmente do bem, mas em diversos momentos quem se declara do mal também corre riscos, contudo, a má construção dos perfis dos personagens faz com que não torcemos para que alguém sobreviva ao massacre. Ironicamente, traindo seu título, a fita deixa um gancho para uma possível continuação. Desnecessária, obviamente.

Suspense - 86 min - 2012

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