domingo, 2 de novembro de 2014

QUANDO OS MORTOS FALAM

Nota 1,0 Título indica uma grande obra acerca do espiritismo, mas longa revela-se um pastiche

Há títulos que enganam facilmente. Quando os Mortos Falam é um bom exemplo. Ele desperta a curiosidade para temas espíritas e aparentemente promete esclarecimentos a respeito dos mistérios que rondam as supostas comunicações entre vivos e mortos. Contudo, não é preciso nem dez minutos de filme para nossas expectativas irem por água abaixo. Com direção de Stephen Kay, do sonolento O Pesadelo que também promete bem mais do que cumpre, o longa é daqueles perfeitos para quem sofre de insônia e busca qualquer coisa nas sessões coruja da TV. Totalmente esquecível. Emily Parker (Anne Heche) é uma bela advogada de sucesso que conhece Billy Hytner (Jonathan LaPaglia) em um café. Logo ela descobre que o rapaz é o mais novo sócio do escritório em que trabalha, um sinal de que seu repentino interesse por ele teria uma mãozinha do destino. Os roteiristas Jennifer Hoppe, Mark Kruger e Nancy Fichman levam ao pé da letra a expressão do amor à primeira vista e logo o casal está dividindo a cama. Nada de anormal para os tempos atuais, mas a credibilidade do romance se esvai pela rapidez com que tudo acontece. No segundo dia de namoro Billy já oferece um anel de noivado, uma joia antiga com uma inscrição no interior. Não era uma herança de família, mas sim um objeto adquirido em um antiquário e que logo chama a atenção de Jeanie (Eva Longoria), amiga de Emily que com seu sexto sentido apurado sente uma vibração negativa vinda do anel. Realmente, depois que ganhou o presente a advogada passou a presenciar diversos eventos estranhos. Televisores e rádios ligam e desligam sozinhos, as luzes não funcionam quando preciso e a estranha aparição de uma mulher torna-se corriqueira. Intrigada, Emily vai até a loja onde seu noivo comprou o anel e descobre que ele pertenceu à Marie Salinger (Leigh Jones), uma jovem que em 1969 sumiu misteriosamente. Detalhe, mais tarde ela descobrirá que o dono do antiquário com quem conversou também já estava morto.

Com a ajuda do detetive Edward Landry (Gary Grubbs) que investigou o caso na época, Emily chega ao nome do principal suspeito, Paul Hamlin (Chris Sarandon), o temperamental noivo de Marie de quem a família da moça tinha repulsa. Como não foi achado o corpo dela, apenas o dedo com o anel, o episódio não chegou aos tribunais e o possível assassino ainda estaria a solta, assim a advogada sente-se na obrigação de chegar à verdade e clamar por justiça, pois acredita que o espírito de Marie não está em paz. Dizem que as joias preservam parte da essência de seus donos, assim Emily sabe o porquê de estar tendo as tais visões, mas acredita que o anel não foi parar em suas mãos por acaso e que alguma coisa no passado da falecida tem a ver com ela ou com alguém que a cerca. O argumento está dentro do que se espera do título Quando os Mortos Falam, mas seu desenvolvimento está bem aquém. As tentativas de comunicação entre Marie e Emily soam forçadas, como as instruções em um programa eletrônico veicular indicando o endereço de Hamlin, e já não causa comoção alguma uma protagonista que carrega um trauma do passado e que luta contra a dependência de tranquilizantes. Além disso, a obsessão da jovem em solucionar o mistério deveria abalar seu romance, mas os intérpretes do casal atuam com tanta vontade que pouco nos importamos com o que vai acontecer com cada um. Nem mesmo o surgimento dos pais do rapaz, John (David Andrews) e Beth (Kathleen Quinlan), com comportamentos estranhos ajudam a injetar algum ânimo em uma trama que logo na introdução mostra seu pífio potencial. Apesar de o final ter sua lógica, o clímax é insosso e por incrível que pareça o único personagem que desperta algum interesse é o suposto vilão mesmo aparecendo pouco. Isso se deve ao seu intérprete, Sarandon, o eterno mestre dos vampiros da versão original de A Hora do Espanto, que surge como o elemento curioso do filme. Como alguém que participou de uma obra marcante do cinema trilhou uma carreira tão moribunda? Teria sua ex-mulher Susan (sim a atriz!) levado sua sorte consigo carregando seu sobrenome após a separação? 

Suspense - 90 min - 2004 - Dê sua opinião abaixo.

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